Sustentabilidade
Zoneamento Agrícola de Risco Climático: uma nova abordagem – MAIS SOJA

Por Décio Luiz Gazzoni. Engenheiro agrônomo, membro do CCAS (Conselho Científico Agro Sustentável) e da Academia Brasileira de Ciência Agronômica (ABCA) e José Renato Bouças Farias, engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Soja
A agricultura é, por definição, uma atividade de risco. Nenhum outro setor da economia depende tanto das condições do tempo e do clima quanto o campo. Secas, veranicos, geadas, chuvas na colheita, excesso hídrico e temperaturas extremas podem comprometer meses ou anos de trabalho, em poucos dias.
Nesse contexto, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) – regulamentado pelo Decreto 9.841/2019 e gerenciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – constitui uma das principais ferramentas de gestão de risco da agropecuária brasileira. Ele define regiões e períodos de semeadura associados ao menor risco climático para cada cultura agrícola, servindo como base legal para políticas públicas, como crédito rural e seguro agrícola. Seu objetivo é melhorar a qualidade e a disponibilidade de dados sobre riscos agroclimáticos no Brasil e quantificar e delimitar o risco no tempo e no espaço. Dessa forma, auxilia a definição de espécies, cultivares e sistemas de produção mais adequados às diferentes condições edafoclimáticas do país.
O ZARC-NM é uma evolução do conceito e da metodologia do ZARC, incorporando os níveis de manejo do solo como variável determinante do risco hídrico das lavouras. Os resultados experimentais da Embrapa mostram que a disponibilidade hídrica – consequentemente o risco climático – são diretamente impactados pelo manejo agrícola. Destarte, não se trata apenas de uma ferramenta técnica, constitui-se em um instrumento de governança da política agrícola. Os programas públicos de gestão de risco — PSR e Proagro — utilizam recursos do erário, e sua eficiência depende diretamente da qualidade das informações sobre o risco real de cada lavoura. É a aplicação do conhecimento agronômico para proteger o produtor rural e os contribuintes brasileiros.
O risco hídrico e a capacidade de água disponível
O ZARC-NM foi estudado e desenvolvido a partir de um princípio agronômico fundamental: em lavouras de sequeiro, a água disponível para as culturas provém das chuvas e da reserva disponibilizada pelo solo. As chuvas são imprevisíveis e altamente variáveis entre safras e regiões. O que o produtor pode controlar é o volume de água que o solo é capaz de disponibilizar para as raízes, a denominada Capacidade de Água Disponível (CAD).
A CAD é calculada a partir de dois fatores: a Água Disponível do solo (AD, em mm/cm (água/solo), que depende da textura do perfil) e a profundidade efetiva do sistema radicular (Ze). A relação entre esses fatores pode ser expressa pela equação:
CAD = AD × Ze
Embora matematicamente simples, essa relação tem implicações práticas profundas. Um solo argiloso com 78% de argila, por exemplo, tem AD naturalmente elevada, mas se o sistema radicular for raso (Ze de apenas 40 cm, como pode ocorrer em solos compactados ou com saturação de alumínio elevada), a CAD resultante pode ser menor do que a de um solo arenoso com apenas 13% de argila, desde que esse último solo tenha raízes chegando a 100 cm de profundidade. Esse é o ponto central do ZARC-NM: o manejo do solo determina quanto das reservas hídricas a planta efetivamente pode acessar.
Níveis de Manejo e profundidade radicular
A metodologia do ZARC-NM classifica as lavouras em quatro Níveis de Manejo (NM), definidos a partir do histórico e da qualidade das práticas conservacionistas adotadas. Os indicadores avaliados incluem o tempo sem revolvimento do solo, a cobertura com palhada em pré-semeadura, a saturação por bases e por alumínio em subsuperfície, o teor de cálcio entre 20 e 40 cm de profundidade, e a diversidade de culturas nos últimos três anos agrícolas. Cada indicador recebe uma pontuação e o conjunto determina o NM final da área. A classificação segue regras metodológicas detalhadas na chamada “Proposta 17”, desenvolvida pela Embrapa, a qual combina critérios mínimos e médias ponderadas para evitar que uma única prática ruim ou uma única prática excelente distorça a classificação geral.
A profundidade efetiva do sistema radicular associada a cada nível de manejo foi determinada experimentalmente. No NM1, adota-se Ze de 40 cm; no NM2, 60 cm; no NM3, 80 cm; e no NM4, 100 cm. Essas valores correspondem a medições de campo em experimentos de longa duração conduzidos pela Embrapa, e refletem o efeito acumulado de práticas como plantio direto contínuo, diversificação de culturas, calagem em profundidade e uso de plantas de cobertura com alto potencial de enraizamento, como a Brachiaria ruziziensis.
Classes de AD e a nova lógica de classificação dos solos
Outro elemento metodológico relevante do ZARC-NM é a nova classificação de solos por classes de AD. O sistema anterior do ZARC reconhecia três tipos de solo, em função basicamente dos teores de argila. Para a cultura da soja, por exemplo, eram considerados os solos Tipo 1 com CAD de referência de 35 mm, Tipo 2 (CAD = 55 mm), e Tipo 3 (CAD = 75 mm). A partir de 2023, essa classificação foi substituída por seis classes de AD (AD1 a AD6), estimadas por funções de pedotransferência que consideram os teores de argila, silte e areia. Assim, refletem com maior precisão a variabilidade real dos solos brasileiros. Os valores de referência de AD variam de 0,40 mm/cm (AD1, solos muito arenosos) até 1,59 mm/cm (AD6, solos muito argilosos e bem estruturados). Combinadas com as quatro profundidades radiculares dos NMs, essas classes geram uma matriz de CADs que vai de apenas 16 mm (AD1 + NM1) até 159 mm (AD6 + NM4) — uma amplitude que reflete, com precisão agronômica, o enorme espectro de resiliência hídrica presente nas lavouras brasileiras.
Para fins operacionais, os valores de CAD foram reagrupados em 10 classes de solos, cada uma com um valor de referência central (de 20 mm a 207 mm), que alimentam o modelo de balanço hídrico usado para calcular o Índice de Satisfação da Necessidade de Água (ISNA) de cada decêndio de semeadura. Esse índice, calculado como a razão entre a evapotranspiração real (ETr) e a máxima (ETm), é o parâmetro que determina se uma janela de semeadura é classificada como de baixo, médio ou alto risco climático.
Impactos agronômicos e regionais
A adoção do ZARC-NM reduz os riscos climáticos para os produtores brasileiros. Aplicando-se os conceitos do ZARC-NM em algumas regiões produtoras de soja, percebe-se a predominância do NM2, embora muitas áreas permaneçam classificadas em NM1 em diversas regiões no Brasil. No noroeste do Paraná, estado com tradição consolidada em plantio direto e rotação de culturas, os resultados indicam que 53% dos talhões de soja são classificados em NM2, 26% em NM3, 15% em NM1 e apenas 6% em NM4. Esse perfil reflete o avanço das boas práticas conservacionistas, mas também o espaço ainda existente para evolução. No sudoeste do Mato Grosso do Sul, a situação é mais desafiadora: 40% das áreas encontram-se em NM1, 42% em NM2, 16% em NM3 e apenas 2% em NM4. Esse diagnóstico regional é fundamental para orientar políticas de extensão rural e crédito agrícola diferenciado, fomentando a adoção de boas práticas agrícolas e, consequentemente, a maior sustentabilidade dos sistemas produtivos de grãos.
Apesar da complexidade metodológica envolvida, os pesquisadores elaboraram um aplicativo muito intuitivo e fácil de operar pelo produtor rural. Trata-se do ZARC Plantio Certo, disponível nas lojas nas versões iOS e Android, congregando previsão do tempo, imagens de satélite, mapas de precipitação e dados históricos de produtividade municipal.
Validação a campo, em diferentes locais e safras
A robustez científica do ZARC-NM foi demonstrada em um experimento de longa duração conduzido em Dourados (MS), abrangendo 25 safras de soja entre 1998/99 e 2021/22. Os resultados, apresentados no XXIII Congresso Brasileiro de Agrometeorologia em 2025, demonstraram que a produtividade relativa estimada pelo modelo aumenta sistematicamente com o nível de manejo. Em média, as produtividades relativas corresponderam a 44% do potencial produtivo em NM1, 56% no NM2, 67% no NM3 e 79% no NM4. A diferença de 35 pontos percentuais entre NM1 e NM4, consistente ao longo de mais de duas décadas e safras, sob condições climáticas muito distintas, valida empiricamente o que os modelos matemáticos projetaram.
Algumas safras ilustram com particular clareza o papel do manejo. Em 2021/22 — ano de seca intensa no Paraná e Mato Grosso do Sul — a produtividade relativa estimada para áreas classificadas em NM1 foi de apenas 8%, enquanto áreas em NM4 atingiram 78%. Em 2007/08, outra safra com forte déficit hídrico, os valores foram de 45% e 89%, respectivamente. Em cenários de estresse hídrico extremo, o NM não é apenas um indicador de eficiência agronômica, mas também um fator de sobrevivência econômica da propriedade, a diferença entre o sucesso e a falência!
Implicações para a política agrícola
A nova versão (ZARC-NM) produz implicações relevantes na política agrícola brasileira. Numa segunda fase do Projeto Piloto para a cultura da soja, agora para os estados do PR, MS, SC e RS, o Programa de Subvenção ao Seguro Rural (PSR) passou a vincular o percentual de subvenção do seguro rural ao nível de manejo adotado pelo produtor. Desta forma, lavouras classificadas em NM1 recebem subvenção de 20%, enquanto áreas classificadas em NM4 podem alcançar até 40%. A lógica é objetiva: quem protege o solo, conserva recursos hídricos e fixa carbono merece mais apoio público. Trata-se, portanto, de um incentivo econômico às boas práticas agronômicas.
Ao incorporar o nível de manejo na definição do risco climático, o ZARC-NM permite que o Estado aloque subvenções de forma mais justa e eficiente, recompensando quem investe em sustentabilidade e onera menos o sistema de seguros. O resultado esperado é um ciclo virtuoso: mais incentivo às boas práticas agrícolas, menor sinistralidade, maior estabilidade de produção e maior sustentabilidade do agronegócio brasileiro no longo prazo.
Em maio de 2026, a Academia Brasileira de Ciência Agronômica promoveu um webinário para apresentar a proposta, as bases e os resultados de validação do ZARC-NM, que passa de uma fase de testes para aplicação em larga escala na cultura da soja, já na safra 2026/27. Aos interessados em aprofundar o conhecimento sobre o tema, recomenda-se assistir o referido webinário, disponível em youtu.be/Bj2Q7AZ9_RU ou e na página da ABCA (abcagro.org.br/comunicacao/noticia/100056)
Fonte: Assessoria de imprensa
Sustentabilidade
Trigo/BR: Colheita avança no Sul, mas clima reduz produtividade e qualidade dos grãos – MAIS SOJA

Trigo/BR: 66,9% colhido. No RS, os produtores seguem intensificando o ritmo da colheita em razão da sequência de dias sem chuva. A produtividade e a qualidade dos grãos permanecem mais baixos em relação ao projetado no início da safra, influenciadas pelas condições climáticas e pelo nível de manejo adotado nas lavouras.
No PR, a colheita avançou e a qualidade das lavouras remanescentes reduziu. O produto colhido apresenta PH e falling number abaixo dos padrões de qualidade exigidos. Em SC, a colheita avança com perdas de produtividade e qualidade em razão da elevada precipitação. No Extremo Oeste e no Oeste, a colheita está em andamento. Nos Planaltos e na Serra Catarinense, de calendário mais tardio, a cultura está entre as fases de enchimento de grãos e maturação.
Na BA, GO, MG, MS e SP a colheita está encerrada
Fonte: Conab
Autor:Conab
Site: Conab
Sustentabilidade
Mercado brasileiro de milho deve ter dia lento nos negócios – MAIS SOJA

O mercado brasileiro de milho pode ter uma quarta-feira de movimentação lenta nos negócios, em meio ao impasse de produtores e compradores no que tange aos preços. O dólar opera em queda frente ao real, mas a recente escalada deve fazer com que os produtores segurem as intenções de venda, apostando em preços mais elevados para o cereal. Na ponta compradora, porém, a demanda deve seguir fraca, uma vez que os consumidores estão bem ofertados do cereal. No cenário internacional, a pressão de oferta proveniente do avanço da colheita nos Estados Unidos mantém a Bolsa de Chicago em queda.
O mercado brasileiro de milho teve um retorno do feriado de negociações fracas. Segundo o analista de Safras & Mercado, Paulo Molinari, os produtores acreditam que as cotações podem subir devido ao câmbio, já os consumidores não veem espaço para altas devido à oferta e ao bom clima para a safra de verão.
No Porto de Santos, o preço ficou entre R$ 67,00/70,00 a saca (CIF). Já no Porto de Paranaguá, cotação entre R$ 66,00/69,00 a saca.
No Paraná, a cotação ficou em R$ 56,00/60,00 a saca em Cascavel. Em São Paulo, preço de R$ 60,00/62,00 na Mogiana. Em Campinas CIF, preço de R$ 66,00/67,00 a saca.
No Rio Grande do Sul, preço ficou em R$ 68,00/70,00 a saca em Erechim. Em Minas Gerais, preço em R$ 61,00/63,00 a saca em Uberlândia. Em Goiás, preço esteve em R$ 57,00/60,00 a saca em Rio Verde – CIF. No Mato Grosso, preço ficou a R$ 52,00/56,00 a saca em Rondonópolis.
CHICAGO
* Os contratos com entrega em dezembro de 2026 estão cotados a US$ 4,40 1/2 por bushel, queda de 2,00 centavos em relação ao fechamento anterior.
* O mercado estende perdas, pressionados pelo avanço da colheita nos Estados Unidos e pelas preocupações com o ritmo mais lento da demanda externa pelo produto norte-americano. O desempenho negativo do petróleo em Nova York também contribui para o cenário de baixa.
* Ontem (3), os contratos de milho com entrega em dezembro/26 fecharam a US$ 4,42 1/2 por bushel, com baixa de 5,75 centavos, ou 1,28%, em relação ao fechamento anterior. A posição março/27 fechou a sessão a US$ 4,56 1/4 por bushel, recuo de 5,75 centavos, ou 1,24%, em relação ao fechamento anterior.
CÂMBIO
* O dólar comercial registra baixa de 0,57% a R$ 5,4547. O Dollar Index registra queda de 0,48% a 101,376 pontos.
INDICADORES FINANCEIROS
* As principais bolsas da Ásia fecharam mistas. China, +2,11%. Japão, -1,42%.
* As principais bolsas na Europa operam firmes. Paris, +1,42%. Frankfurt, +1,52%. Londres, +1,19%.
* O petróleo opera em baixa. Dezembro do WTI em NY: US$ 95,12 o barril (-1,00%).
AGENDA
10:30 – EUA: Balança comercial de bens e serviços de setembro.
12:30 – EUA: Relatório semanal da Administração de Informações de Energia (EIA) sobre estoques de petróleo referente à semana de 30 de outubro.
18:30 – Definição da taxa Selic pelo Copom/BC.
– Resultados financeiros da Minerva, da Vibra e da Prio.
20:50 – Japão: Ata da reunião de política monetária do Banco do Japão (BoJ).
—–Quinta-feira (05/11)
07:00 – Zona do euro: Índice de Preços ao Produtor (PPI) de setembro.
09:00 – Reino Unido: Ata da reunião do Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra.
09:00 – Reino Unido: Decisão sobre as taxas de juros do Banco da Inglaterra.
09:00 – Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física do Brasil/IBGE.
10:30 – EUA: Dados de exportação semanal de grãos/USDA.
15:00 – Relatório de condições das lavouras da Argentina – Ministério da Agricultura.
15:00 – Dados de desenvolvimento das lavouras argentinas – Bolsa de Cereais de Buenos Aires.
16:00 – Dados de desenvolvimento das lavouras no RS – Emater, na parte da tarde.
– Resultados financeiros da PetroRecôncavo e do Brasil Agro.
20:30 – Japão: Pesquisa preliminar do trabalho – salários, emprego e horas trabalhadas de setembro.
—–Sexta-feira (06/11)
10:30 – EUA: Relatório de emprego dos Estados Unidos de outubro.
15:00 – Balança comercial consolidada de outubro/MDIC.
16:00 – Dados de evolução das lavouras do Mato Grosso – IMEA.
– Resultado financeiro da Fertilizantes Heringer.
Autor/Fonte: Arno Baasch – arno@safras.com.br) / (Agência Safras)
Sustentabilidade
Arroz/BR: Semeadura atinge 50,9% no país com avanço no RS e progresso nas demais regiões – MAIS SOJA

Arroz/BR: 50,9% semeado. No RS, o clima foi mais estável e permitiu bom avanço do plantio. Ao todo, cerca de 60% da área estadual está semeada, com bom desenvolvimento geral da cultura. No TO, as chuvas recentes permitiram o preparo e a sistematização das áreas de várzea, iniciando o plantio do arroz irrigado.
Em SC, mesmo com a baixa luminosidade, as temperaturas amenas e o excesso hídrico, o plantio avança e se aproxima do final. As lavouras apresentam danos pontuais por conta desse cenário climático.
No MA, a semeadura do arroz irrigado foi finalizada, restando as áreas tardias de arroz sequeiro. No PR, o clima foi mais favorável e permitiu a retomada do plantio. As condições das lavouras são consideradas boas.
Fonte: Conab
Autor:Conab
Site: Conab
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