Sustentabilidade
Emater/RS-Ascar reavalia projeções da Safra de Grãos de Verão no RS – MAIS SOJA

Com a colheita dos grãos de verão praticamente concluída no Rio Grande do Sul, a Emater/RS-Ascar reavalia produtividade e produção de soja, milho, milho silagem, feijão e arroz obtidas na Safra 2025/2026 e divulgadas no Informativo Conjuntural desta quinta-feira (11/06). No caso da soja, restam apenas áreas pontuais de segunda safra, sem representatividade estatística. A produtividade média estadual foi reavaliada para 2.707 kg de soja por hectare, representando redução de 14,8% nos 3.180 kg/ha projetados antes do início do plantio. A área efetivamente plantada no Estado foi 6.697.172 hectares, uma redução de 1,5% em relação aos 6.796.172 hectares da Safra 2024/2025 (IBGE). A produção da oleaginosa totaliza 18.132.401 toneladas, um aumento de 32,9%, se comparado às 13.643.986 toneladas colhidas na safra anterior (IBGE).
As condições atmosféricas registradas no período, caracterizadas por elevada umidade relativa do ar, presença frequente de neblina e baixa insolação, dificultaram a finalização das últimas operações de colheita do grão. Os resultados produtivos consolidados evidenciam elevada variabilidade regional, como reflexo das distintas condições hídricas observadas ao longo do ciclo.
Milho – A colheita de milho alcança 98% da área cultivada nesta safra, que foi de 812.540 hectares, conforme reavaliação da Emater/RS-Ascar, o que corresponde a 13,1% a mais, se comparada aos 718.190 hectares semeados na Safra 2024/2025 (IBGE). As áreas remanescentes correspondem principalmente a lavouras implantadas no período tardio do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), conduzidas em pequenas propriedades.
A produtividade estadual do milho foi reestimada pela Emater/RS-Ascar em 7.362 kg/ha, valor de ínfima variação percentual em relação à estimativa inicial de 7.376 kg/ha, realizada antes do início do plantio. Apesar dos impactos do déficit hídrico em alguns momentos do ciclo, a produção estadual do cereal na Safra 2025/2026 está estimada em 5.981.614 toneladas, o que representa acréscimo de 13,1% em relação a 5.290.051 toneladas colhidas na safra anterior.
Milho silagem – A colheita de milho para silagem ultrapassa 99% da área cultivada no Estado. Em algumas regiões, as lavouras implantadas tardiamente e destinadas à produção de grãos foram redirecionadas para a ensilagem, em razão dos danos provocados pelas geadas, que comprometeram o potencial produtivo e dificultaram a adequada conclusão do ciclo para a finalidade inicialmente prevista. Essa estratégia permitiu o aproveitamento da biomassa remanescente e a mitigação parcial das perdas decorrentes dos eventos climáticos.
A produtividade média de silagem para a Safra 2025/2026 foi reavaliada pela Emater/RS-Ascar em 36,878 kg/ha, representando redução de 3,8% nos 38.338 kg/ha estimados na ocasião do plantio. A área plantada é de 349.085 hectares, sendo 2% inferior aos 356.300 hectares plantados na Safra 2024/2025 (IBGE). O volume da produção alcança 12,87 milhões de toneladas, sendo 0,7% inferior à safra anterior, quando atingiu 12,96 milhões de toneladas. No comparativo com a estimativa inicial dessa safra, que era de 14,03 milhões de toneladas, a redução é de 8,3%.
Feijão 1ª safra – A primeira safra de feijão no Estado foi concluída. A reestimativa de produtividade realizada pela Emater/RS-Ascar apontou 1.726 kg/ha, sendo 3% inferior aos 1.779 kg/ha projetados no início do plantio. A área foi reavaliada para 23.942 hectares, representando redução de 22,3 % nos 30.797 hectares cultivados na Safra 2024/2025 (IBGE). A produção está estimada em 41.320 toneladas, sendo 26,3% inferior às 56.98 toneladas colhidas no ano anterior (IBGE), e 11% menor que as 46.412 toneladas previstas inicialmente.
Feijão 2ª safra – A colheita da segunda safra avançou para 85% da área cultivada no Estado, restando 15% das lavouras em maturação. As condições climáticas recentes, caracterizadas por maior disponibilidade de radiação solar e temperaturas amenas, favoreceram a evolução das áreas em final de ciclo e a retomada dos trabalhos de colheita. A área de cultivo atualizada pela Emater/RS-Ascar foi reestimada em 9.818 hectares, sendo 45,7% inferior aos 18.070 hectares cultivados ano anterior (IBGE). A produtividade revista está em 1.414 kg/ha, 0,01% superior aos 1.401 projetados inicialmente. A 2ª Safra deverá resultar na produção de 13.880 toneladas, sendo 37,2% inferior às 22.111 toneladas colhidas na Safra 2025 (IBGE).
Arroz – A cultura está em entressafra. A reavaliação de área aponta 891.908 hectares efetivamente plantados (Instituto Riograndense do Arroz – Irga), redução de 8,1% em relação aos 970.212 hectares de 2025. A produtividade foi reavaliada pela Emater/RS-Ascar de 8.703 kg/ha e produção de 7.762.464 toneladas, o que representa 11,4% inferior às 8.762.370 toneladas produzidas no ciclo anterior.
Culturas de Inverno
Trigo – A semeadura do trigo avançou de forma significativa no Estado, favorecida pelas condições de solo e pela perspectiva de precipitação. As lavouras implantadas apresentam germinação e desenvolvimento inicial adequados e emergência uniforme. Apesar do progresso das operações, há expectativa de redução da área cultivada em relação à safra anterior, motivada pela combinação de restrições de crédito, pelo menor nível tecnológico empregado, pelos custos de produção elevados e pelas incertezas quanto ao comportamento climático durante o ciclo. Em algumas regiões, parte das áreas inicialmente destinadas ao cereal poderá ser substituída por culturas alternativas, plantas de cobertura ou sistemas pecuários.
A estimativa de área a ser cultivada na Safra 2026 está em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Na safra anterior, o Rio Grande do Sul cultivou 1.166.163 hectares de trigo, com produtividade média de 2.968 kg/ha e produção total de 3.458.083 toneladas, conforme dados do IBGE.
Aveia-branca – A implantação de aveia-branca se encontra próxima da conclusão na maior parte das regiões produtoras do Estado. As condições climáticas têm favorecido a emergência, o estabelecimento e o desenvolvimento vegetativo inicial das lavouras, que apresentam estande adequado e baixa incidência de pragas e doenças. As áreas mais precoces estão em início de perfilhamento, e os produtores realizam adubação nitrogenada em cobertura e demais tratos culturais de rotina.
Em termos de área cultivada, observa-se cenário de relativa estabilidade em parte das regiões. Em outras, registra-se expansão moderada da cultura, consolidando seu papel nos sistemas produtivos de inverno. A estimativa de área cultivada para 2026 está em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Na safra de 2025, o Estado cultivou 393.135 hectares, com produtividade média de 2.394 kg/ha e produção total de 935.664 toneladas, conforme dados do IBGE.
Canola – A semeadura está em finalização e deve ser concluída até a próxima segunda-feira (15/06). Na maior parte do Estado, as condições de umidade do solo e as precipitações, mesmo leves, favoreceram a germinação e a emergência e, como consequência, a formação de estandes satisfatórios. No entanto, em algumas áreas, a baixa luminosidade e as temperaturas amenas têm limitado o crescimento inicial e dificultado o manejo de plantas daninhas.
As lavouras apresentam, de forma geral, bom potencial produtivo. Mantém-se a expectativa de grande expansão da área cultivada em relação à safra anterior, impulsionada pela inserção da cultura nos sistemas de rotação, pelos resultados econômicos anteriores e pelo interesse dos produtores em diversificar a produção de inverno. A área cultivada no Estado segue em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Em 2025, foram cultivados 174.394 hectares, com produtividade média de 1.653 kg/ha e produção total de 285.481 toneladas, conforme o IBGE.
Cevada – A implantação de cevada ganhou impulso e já está em finalização, com redução estimada em mais de 30% em relação ao ciclo anterior. A retração decorre da sensibilidade dos grãos a agentes físicos e biológicos, favorecidos à possível atuação do fenômeno El Niño durante o inverno e a primavera, o que diminui o interesse comercial dos produtores pela cultura. A área cultivada em 2026 está em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Em 2025, a área plantada foi de 32.010 hectares, com produtividade média de 3.622 kg/ha.
Sustentabilidade
Efeitos da compactação do solo vão além da redução do volume de raízes – MAIS SOJA

A compactação do solo constitui um dos principais fatores limitantes ao crescimento das plantas e, consequentemente, à produtividade das culturas agrícolas. Na soja, além de desempenharem funções essenciais na absorção de água e nutrientes, as raízes estabelecem uma importante relação simbiótica com bactérias do gênero Bradyrhizobium, responsáveis pela fixação biológica de nitrogênio (FBN), que constitui a principal fonte de N para a cultura.
Nesse contexto, a compactação do solo pode provocar uma série de efeitos negativos sobre o desenvolvimento da soja, abrangendo desde a restrição ao crescimento e à distribuição do sistema radicular, limitando o acesso das raízes às camadas mais profundas do solo, até alterações na nodulação e na fixação biológica de nitrogênio. Além disso, condições de compactação podem favorecer ambientes com menor aeração e drenagem, alterando as condições físicas do solo e podendo contribuir para o desenvolvimento de determinados patógenos de solo, de origem fúngica e parasitária.
Esses efeitos podem comprometer a formação dos componentes de produtividade e, consequentemente, o rendimento final da cultura. Entre as principais alterações físicas decorrentes da compactação estão o aumento da densidade e da resistência mecânica do solo e a redução do volume total de poros, especialmente dos macroporos (Debiasi; Santos; Gonçalves, 2021).
Conforme observado por Rosa et al. (2019), o aumento da resistência do solo à penetração decorrente da compactação pode refletir negativamente em diferentes características de crescimento e componentes de produtividade da soja. Os autores observaram alterações em variáveis como altura de plantas, diâmetro do caule, número de legumes e número de folhas, com impactos negativos sobre o desempenho produtivo da cultura.
Resultados semelhantes foram observados por Savioli et al. (2021). Ao avaliar a influência da compactação do solo sobre os componentes de produtividade da soja, os autores verificaram que o número de legumes (vagens) por planta, o número de grãos por planta e a massa de grãos estiveram entre os componentes mais afetados. Os resultados indicaram influência negativa significativa da compactação sobre esses componentes a partir da densidade do solo de 1,3 g cm⁻³ (Mg m⁻³).
Figura 1. Massa seca de grãos de soja em função de diferentes densidade de solo. (1,1; 1,2; 1,3; 1,4 e 1,5 g cm-3).
Esses resultados reforçam a importância das condições físicas do solo para o adequado desenvolvimento da soja e evidenciam os impactos que a compactação pode exercer sobre a formação dos componentes de produtividade e o rendimento final da cultura. Dessa forma, o diagnóstico e o manejo da compactação do solo devem integrar as estratégias de manejo da lavoura, buscando favorecer o crescimento radicular, a exploração do perfil do solo e o aproveitamento de água e nutrientes.
Além dos efeitos diretos sobre o crescimento e a produtividade, a compactação do solo também pode influenciar a capacidade das plantas de tolerar períodos de restrição hídrica. A redução do crescimento radicular e do acesso das raízes às camadas mais profundas pode limitar a exploração de água armazenada no perfil, especialmente durante períodos de déficit hídrico. Assim, o manejo adequado da estrutura do solo constitui uma importante estratégia para melhorar as condições de desenvolvimento da soja e contribuir para maior resiliência da cultura diante de condições de estresse hídrico.

Referências:
DEBIASI, H.; SANTOS, J. C. F.; GONÇALVES, S. L. COMPACTAÇÃO DO SOLO. Embrapa, 2021. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/web/agencia-de-informacao-tecnologica/cultivos/soja/producao/manejo-do-solo/compactacao-do-solo >, acesso em: 16/09/2026.
ROSA, H. A. et al. INFLUÊNCIA DA COMPACTAÇÃO DO SOLO EM PARÂMETROS PRODUTIVIDOS DA CULTURA DA SOJA. Revista Técnico-Científica do CREA-PR, 2019. Disponível em: < https://revistatecie.crea-pr.org.br/index.php/revista/article/view/548/333 >, acesso em: 16/09/2026.
SAVIOLI, M. R. et al. Componentes de produção da soja sob níveis de compactação do solo. Acta Iguazu, Cascavel, v.10, n.2, p. 1-12, 2021. Disponível em: < https://e-revista.unioeste.br/index.php/actaiguazu/article/view/26312 >, acesso em: 16/09/2026.

Sustentabilidade
ARROZ/CEPEA: Exportações e expectativas de compras públicas sustentam preços – MAIS SOJA

A concorrência entre os mercados interno e externo, somada à expectativa de compras governamentais, mantém os preços do arroz em casca firmes no Rio Grande do Sul.
De acordo com o Cepea, negócios voltados ao fechamento de navios aconteceram a valores próximos de R$ 90/sc de 50 kg, no Porto do Rio Grande (RS), nos últimos dias, levando produtores a ampliar a oferta, especialmente nas regiões próximas ao terminal. Ao mesmo tempo, parte das indústrias domésticas reduziu a atuação diante da dificuldade em acompanhar os valores da exportação.
Segundo o Centro de Pesquisas, a disputa ocorre em um contexto de maior demanda das indústrias por matéria-prima. Em agosto, o beneficiamento de arroz no estado avançou, e os preços ao consumidor também registraram alta.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
Sustentabilidade
Depois de meses de alta, inadimplência dá primeiro sinal de trégua em MT e Cuiabá – MAIS SOJA

Mato Grosso encerrou agosto de 2026 com uma leve queda na inadimplência dos consumidores no estado, 2,23% na comparação entre julho e agosto. Os números apurados pelo SPC Brasil para a Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá) mostram que o mês trouxe o primeiro sinal de redução no ano entre quase 1,5 milhão de consumidores mato-grossenses em idade adulta que estão com restrição de crédito.
O mesmo recuo apareceu na quantidade de dívidas em atraso, que caiu 2,38% no mês, mesmo acumulando alta de 8,90% em 12 meses.
Entre os mato-grossenses inadimplentes, o perfil é majoritariamente masculino (53,42% ante 46,56% de mulheres) e concentrado na faixa entre 30 e 49 anos.
O valor médio das dívidas no estado é de R$ 6.119,63, somando-se todos os débitos por consumidor, com tempo médio de atraso de 29,5 meses. Em torno de 35,70% das dívidas estão em aberto entre um e três anos e outras 40,13% ultrapassam os três anos.
Os bancos concentram a maior fatia dos débitos, com 54,81%, seguidos por comércio, com 21,94%, outros segmentos (10,91%), água e luz (8,17%) e comunicação (4,17%).
Cuiabá
Na capital, aproximadamente 258 mil consumidores adultos apresentaram restrição de crédito em agosto. Na comparação mês a mês, o SPC Brasil apontou queda de 2,52% no total de inadimplentes cuiabanos. Em relação à quantidade de dívidas em atraso, a redução foi de 2,95% no mês.
O perfil dos inadimplentes cuiabanos também é predominantemente masculino (52,10% ante 47,90% de mulheres), com idade média de 45,4 anos — ligeiramente acima da média estadual — e concentração também entre 30 e 49 anos.
Em Cuiabá, o valor médio das dívidas é de R$ 6.631,99, acima da média estadual, com tempo médio de atraso de 30,2 meses. Mais da metade das dívidas da capital, 58,28%, está em aberto há mais de um ano, distribuídas entre as faixas de um a três anos (34,93%), três a quatro anos (17,48%) e quatro a cinco anos (24,35%).
Os bancos também lideram entre os credores na capital, com 61,09% das dívidas registradas, seguidos por comércio, 14,85%, água e luz (8,76%), outros segmentos (12,33%) e comunicação (2,97%).
“Os números mostram que a inadimplência ainda é uma realidade que pesa no bolso do consumidor cuiabano e mato-grossense, mas o recuo mensal é um indício importante de que as famílias estão conseguindo se reorganizar. Do lado do comércio, isso significa reforçar o diálogo com o cliente, oferecer condições de negociação viáveis e ajudar quem quer voltar a comprar e a pagar em dia. A CDL Cuiabá segue acompanhando esses indicadores para orientar o lojista sobre a melhor forma de negociar com o consumidor”, observou o presidente da CDL Cuiabá, Júnior Macagnam.
CDL Cuiabá – Com 53 anos de história e cerca de 10 mil empresas associadas, a CDL Cuiabá tem como missão transformar a Capital em um dos melhores lugares para empreender e morar. Com origem no comércio varejista, hoje a entidade representa empresários e empresárias de diferentes setores, oferecendo facilidades como economia operacional, certificação digital, inteligência para concessão de crédito, telefonia móvel, redução de custos com energia e proteção de crédito em parceria com o SPC Brasil.
Fonte: Assessoria de imprensa
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