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Locação de máquinas agrícolas pode ser impulsionada com Reforma Tributária; entenda

Tradicional na locação de máquinas da linha amarela, a Armac chega à 31ª Agrishow com a promessa de expandir a sua presença no agro ao crescer das atuais 18 lojas para 30 ao longo de 2026 em estados com maior Valor Bruto de Produção (VBP), como Mato Grosso, Goiás, São Paulo e Paraná.
Contudo, para isso, encontra um empecilho que independe do tamanho de seu parque fabril, superior a 12 mil máquinas: a profissionalização do produtor rural.
De acordo com o diretor de Negócios da companhia, Mairon Karr, a ausência de um Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) constituído, condição que afeta dos pequenos aos grandes agricultores, impede o usufruto de um dos principais benefícios do modelo de empréstimo de maquinário: a redução da cobrança de PIS/Cofins.
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O executivo acredita, no entanto, que a Reforma Tributária, que passa a exigir de produtores o Cadastro até 2027, atuantes ou não como pessoa jurídica, tende a impulsionar a locação, ainda que, a princípio, de forma modesta.
“Uma expansão maior depende, também, de uma questão cultural típica do produtor rural brasileiro, já que muitos não abrem mão do sentimento de ter uma máquina própria em sua fazenda, de um bem que passarão para os filhos”, destaca.
Pensando justamente nisso, a Armac entrou no mercado de seminovos há um ano e já percebeu aumento de faturamento, registrado em R$ 2 bilhões em 2025. Para 2026, ainda que não divulguem números prévios, o desempenho superior no primeiro trimestre dá pistas de incremento e, também, de maior participação do agro no negócio, atualmente entre 25% e 30%.
*O jornalista viajou para a Agrishow a convite da organização
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‘Ano que vem será melhor’, crença do produtor pode dificultar sucesso da RJ, diz advogada

O momento em que o pedido de recuperação judicial de um produtor rural chega ao Judiciário é tão relevante quanto o tamanho da dívida. Essa é a análise da advogada Renata Abalém, especializada em Direito do Agronegócio.
Ela ressalta que em atividades sujeitas a ciclos de safra, necessidade constante de financiamento e compromissos assumidos antes da geração da receita, a deterioração financeira costuma deixar sinais muito antes de a operação se tornar inviável.
Para a advogada, o problema é que, especialmente nas estruturas familiares, reconhecer os sinais de que o negócio “não anda bem das pernas” pode significar admitir que uma atividade construída ao longo de gerações precisa ser revista.
“A crise não vem de uma vez. A escassez do crédito também não. No caso do agro, estima-se que, ao menos três anos antes do ponto sem volta, o produtor já começa a perceber os sinais de não recuperabilidade, até porque a atividade é cíclica e minimamente previsível. Por óbvio que os eventos não previsíveis agravam e antecipam a crise, mas, pelo que tenho acompanhado ao longo dos anos, a falta de planejamento e antecipação do diagnóstico é causa preponderante da dificuldade em reorganizar a atividade como um todo”, afirma Renata.
Aumento nos pedidos de recuperação judicial
O Brasil registrou 474 pedidos de recuperação judicial ligados ao agro no primeiro trimestre de 2026, alta de 21,9% em relação aos 389 casos do mesmo período do ano passado, conforme dados da Serasa Experian.
Entre os produtores rurais pessoa jurídica, o crescimento foi ainda maior: 73,5%, passando de 113 para 196 solicitações. Já no universo dos agricultores pessoa física, pequenos proprietários responderam por 44 pedidos e médios por outros 37 no período.
A advogada salienta que a incapacidade de diagnosticar a situação e demorar na busca pela resolução do problema traz situações ainda mais delicadas quando se tratam de pequenos e médios produtores. Isso porque a gestão financeira costuma conviver com relações familiares, patrimônio, tradição e identidade pessoal, o que pode dificultar decisões como venda de ativos, renegociação antecipada, revisão da estrutura de crédito ou procura por assessoria jurídica antes da perda de liquidez.
Para Renata, a expectativa de que uma safra futura seja suficiente para recompor as perdas pode consumir justamente o período em que ainda existiriam alternativas à judicialização.
“É muito difícil para o pequeno ou médio produtor ter um olhar técnico, financeiro e jurídico sobre a sua atividade, que na maioria das vezes está na sua história há gerações. A crença de que ‘vai dar certo’, ‘ano que vem será melhor’, ‘na próxima safra resolvemos’ é o maior entrave para um diagnóstico precoce e para se traçar estratégias jurídicas de sucesso”, comenta.
Assim, quem olha para a atividade com olhar técnico e longe de paixão acaba por ter mais condições de traçar planejamento e estratégias realmente efetivas.
Problema se estende por toda a cadeia
O efeito de uma atividade agropecuária em apuros tende a ser mais relevante em municípios cuja força econômica está intimamente ligada à produção rural.
Quando um produtor reduz compras, atrasa pagamentos ou interrompe investimentos, o impacto pode chegar a revendas de insumos, transportadores, armazenadores, oficinas, prestadores de serviços e fornecedores que dependem do mesmo ciclo de produção.
“A saída judicial não atinge somente produtores rurais, mas empresas de apoio direto ao agronegócio, como armazéns gerais e holdings familiares ligadas à atividade rural, impactando de fornecedores locais a prestadores de serviços. Não é possível olhar para o agro problemático sem observar os problemas que dele orbitam”, pontua Renata.
Nesse contexto, a advogada salienta que a recuperação judicial pode preservar uma operação economicamente viável ao permitir a reorganização de determinadas obrigações, mas sua capacidade de cumprir esse papel depende das condições existentes no momento do pedido.
Desta forma, se o produtor já perdeu capital de giro, deteriorou a relação com fornecedores e comprometeu sua capacidade de financiar uma nova safra, o processo judicial passa a enfrentar uma limitação prática: suspender ou reorganizar dívidas não gera, por si só, os recursos necessários para continuar produzindo.
“Quanto mais tardio o pedido e mais fragilizada a relação com fornecedores no momento do protocolo da recuperação judicial, menor a chance de ela efetivamente sustentar a continuidade da produção e maior o risco de o instrumento se tornar apenas uma sobrevida temporária, sem resolver de fato o problema estrutural que levou à crise”, afirma a advogada.
Por isso, conforme a especialista, a discussão sobre recuperação judicial no campo precisa começar antes do processo. A avaliação deve considerar a capacidade futura de geração de caixa, o capital necessário para manter a atividade, o nível de comprometimento das receitas e as alternativas disponíveis para reorganizar as obrigações.
“A recuperação judicial deve servir para preservar a atividade, mas precisa ser intentada antes que o produtor tenha esgotado o capital de giro necessário para continuar plantando ou operando. É preciso olhar com tecnicidade e dureza para o binômio necessidade e efetividade. E esse momento é o quanto antes: ontem, mês passado, ano passado”, conclui.
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Colheita de café arábica atinge 99% na área da Expocacer

A colheita de café arábica no Cerrado Mineiro alcançou 99% na área de atuação da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer) até sexta-feira (11). Segundo a cooperativa, cerca de 90% da produção já foi beneficiada, com rendimento médio de 455 litros por saca de 60 quilos beneficiada. O encerramento dos trabalhos ocorre em ritmo mais lento nesta etapa final, com poucas áreas ainda em finalização.
A Expocacer informou que a maior parte das propriedades monitoradas já concluiu a colheita. Em 2025, as operações haviam sido encerradas neste mesmo período.
De acordo com os técnicos de campo da cooperativa, cerca de 30% do volume total da safra corresponde ao café de chão, dos quais aproximadamente 80% já foram recolhidos. O índice médio de catação está em torno de 21%, influenciado principalmente pela maior participação desse café.
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O avanço da colheita foi interrompido entre os dias 5 e 9 de setembro por causa das chuvas, que elevaram a umidade do solo e inviabilizaram o tráfego de máquinas e as operações mecanizadas.
Na avaliação da cooperativa, uma nova florada já foi observada no Cerrado Mineiro e corresponde, em média, a 33% do potencial total de floração. Nas lavouras de carga baixa ou safra zero, a intensidade e a uniformidade foram maiores. Já nas áreas com cargas produtivas elevadas, a florada teve menor intensidade.
Os técnicos apontam que a continuidade das precipitações poderá favorecer a abertura de outra florada, também com potencial médio de 33%, enquanto o restante deverá ocorrer entre outubro e novembro. Como essas primeiras floradas ocorreram de forma precoce, a recomendação é adiantar o planejamento dos manejos nutricionais, com atenção à distribuição de corretivos e ao início das adubações. Também foi indicada a intensificação do monitoramento da broca-do-café e o acompanhamento da desuniformidade de maturação na próxima safra.
Em Patrocínio (MG), o acumulado de chuva em setembro chegou a 43,1 milímetros até o dia 11, acima dos 35,9 mm registrados no mesmo período da safra 2025/26. A previsão para os próximos dias indica baixos volumes de precipitação e manutenção da irregularidade das chuvas, com oscilação de temperaturas.
Segundo a Expocacer, a reta final da colheita no Cerrado Mineiro coincide com o retorno das chuvas e com a antecipação da florada, cenário que amplia a necessidade de acompanhamento meteorológico e de planejamento das operações agrícolas nas lavouras de café.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Mato Grosso amplia acesso à Indonésia com carne bovina e miúdos entre novas habilitações

A abertura de novos estabelecimentos brasileiros para a Indonésia amplia as possibilidades de negócios para duas frentes da pecuária: carne e miúdos bovinos. Entre os estados contemplados pelas novas habilitações está Mato Grosso, que já tem participação relevante nos embarques ao país asiático.
Em 2025, Mato Grosso enviou 5.880 toneladas de carne bovina para a Indonésia, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Neste ano, o estado já soma 3.176 toneladas destinadas ao mercado indonésio.
As novas habilitações foram anunciadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em 10 de setembro, após auditoria presencial realizada pela autoridade sanitária da Indonésia entre 27 de junho e 5 de julho de 2026. O Ministério, contudo, não informa quantas das unidades aprovadas estão localizadas em cada estado.
No total, 21 novos estabelecimentos brasileiros foram autorizados a exportar carne e miúdos bovinos para a Indonésia. As unidades estão distribuídas por Acre, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo e Tocantins.
Com as novas autorizações, o número de frigoríficos brasileiros habilitados a atender o mercado indonésio passou de 52 para 73. A ampliação ocorre em um momento de avanço dos embarques brasileiros para o país, que tem mais de 280 milhões de habitantes.
Indonésia ganha espaço para carne e miúdos brasileiros
Em 2025, o Brasil exportou 31.511 toneladas de carne bovina para a Indonésia. O mercado manteve ritmo de crescimento em 2026: somente nos primeiros seis meses do ano, foram embarcadas 17.461 toneladas.
Além da carne bovina, os miúdos passaram a ganhar espaço nas relações comerciais com o país asiático. A abertura desse mercado é recente, mas os embarques já alcançaram 21.191 toneladas no primeiro semestre de 2026, conforme o Mapa.
Com esse volume, a Indonésia já aparece como o segundo maior mercado para os miúdos bovinos brasileiros. A expansão das habilitações, portanto, ocorre em duas frentes de produtos da pecuária, ampliando o número de estabelecimentos que podem disputar esse mercado.
A aprovação das unidades brasileiras, de acordo com o Ministério, também reforça a relação entre as autoridades sanitárias dos dois países. A avaliação dos estabelecimentos ocorreu presencialmente e envolveu o sistema de defesa agropecuária brasileiro.
A habilitação de frigoríficos em dez estados é apontada pelo Ministério como estratégica para a geração de emprego e renda. Para Mato Grosso, que já possui fluxo de carne bovina para a Indonésia, a inclusão entre os estados contemplados amplia o potencial de participação no mercado asiático.
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