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11 de setembro de 2026

Agro Mato Grosso

Nova Série M5 da Valtra sucede a família BH HiTech

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A nova Série M5 da Valtra, que traz os modelos M165, M185 e M205, mantém a ideia de trator multiuso pesado, com foco em potência, tração, transmissão e sistema hidráulico dimensionados para suportar grandes implementos em longos períodos de trabalho

A Valtra atualiza sua oferta no segmento de tratores pesados com a Série M5, composta pelos modelos M165, M185 e M205, direcionados a operações de grãos e arroz e, conforme a configuração, também a rotinas de cana-de-açúcar e transbordo. A linha sucede a proposta técnica da família BH HiTech e mantém a lógica de trator “multiuso pesado”, mantendo características como potência para tração e transporte, arquitetura para suportar implementos de maior massa e um pacote de transmissão e hidráulico dimensionado para ciclos longos de trabalho.

Motor e potência

Os M165 e M185 utilizam mo­tor AGCO Power de 4 cilindros, 4,9 l de cilindrada, já o M205 utliza motor AGCO Power de 6 cilindros, 6,6 l, ambos motores com turbo e interco­oler e sistema de injeção eletrônica common rail. A potência máxima de­clarada é de 165 cv (M165), 185 cv (M185) e 205 cv (M205) a 2.200 rpm. O torque máxi­mo é de 650 Nm (M165), 700 Nm (M185) e 720 Nm (M205) a 1.500 rpm, faixa típica de operação em que o trator passa a trabalhar “cheio” em preparo, seme­adura, operações de arrasto e trans­porte com carga. Para o dimensiona­mento do conjunto, o dado de tor­que em baixa rotação é determi­nante na escolha de implementos e na forma de condução em condi­ções de solo variável.

Transmissão e reversão

A Série M5 adota transmissão PowerShift HiTech3 Plus, agora sincronizada, com 18 marchas à frente e 18 à ré. A lógica do conjunto é permi­tir mudanças com o trator em mo­vimento, com trocas automáticas dentro do grupo powershfit, reduzindo interrupções no fluxo de potência durante variações de carga. A reversão é do tipo Power Shuttle, com acionamento eletro-hidráulico, importante em manobras repetitivas e operações de carregamento e transbordo.

O pacote inclui modos de pro­gramação que automatizam a tro­ca de marchas por carga do motor (Auto 1) ou por rotação (Auto 2), além de um modo que desconecta automaticamente a transmissão (coloca em neutro) quando você pisa no pedal do freio, e assim que você solta o pedal do freio, a transmissão é reativada suavemente e o trator volta a se movimentar, sem a necessidade de acionar o pedal da embreagem ou a alavanca do reversor (Auto N). Na prática, esses recursos influenciam diretamente a produtividade em operações em que velocidade constante e estabilidade do conjunto são mais importantes do que “picos” de potência.

A Série M5 adota transmissão PowerShift sincronizadaHiTech3 Plus, com 18 marchas à frente e 18 à ré 
A Série M5 adota transmissão PowerShift sincronizadaHiTech3 Plus, com 18 marchas à frente e 18 à ré 

TDP e interface com implementos

A tomada de potência é independente, com acionamento eletro-hidráulico, e oferece 540 rpm e 1.000 rpm. O escalonamento de rotação do motor para atingir as velocidades de TDP é um ponto observado por equipes de campo ao casar implementos com exigência de potência na árvore e necessidade de operar em rotação econômica. A capacidade de manter regime estável de TDP, associada à transmissão com trocas sob carga, tende a reduzir variações de desempenho em equipamentos acionados mecanicamente, como distribuidores, roçadoras e implementos de preparo que demandam rotação consistente.

Sistema hidráulico

No sistema hidráulico, a Série M5 trabalha com três arquiteturas, con­forme a configuração: bomba de en­grenagens (C1) ou bomba de vazão variável (C2). A pressão máxima do sistema é de 210 bar. Na configura­ção C1, a vazão indicada é de 91 l/min; na C2, a vazão pode chegar a 150 l/min ou 205 l/min, faixa que atende implementos com alta demanda de fluxo — caso de plantadoras pneumá­ticas e equipamentos com múltiplos atuadores e controle hidráulico mais intensivo.

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A linha pode receber duas ou três válvulas de comando remoto (VCR), e, na versão com bomba de vazão va­riável, o número de válvulas pode ser três ou quatro. A vazão máxima por VCR é indicada em 110 l/min, parâme­tro relevante para evitar “gargalo” em implementos que exigem resposta rá­pida de cilindros e motores hidráuli­cos, na válvula de Power Beyond a vazão chega até 204 l/min.

O levante traseiro é classificado como categoria CAT 2, com capacidade de elevação de 8.500 kgf no olhal e 6.000 kgf no eixo do olhal. Para a revenda, esse conjunto de números é o que efetivamente determina a compatibilidade segura com implementos mais pesados, o comportamento do trator no transporte do implemento em cabeceiras e a necessidade de lastro e distribuição de massa.

A Série M5 apresenta uma estética robusta e moderna, evidenciada pelo novo capô com design da 5ª geração
A Série M5 apresenta uma estética robusta e moderna, evidenciada pelo novo capô com design da 5ª geração

Estrutura, dimensões e capacidades

VEJA; VIDEO:

Os tratores possuem entre-eixos de 2.716 mm e comprimento total de 5.962 mm, com vão livre do solo de 474 mm. A altura total indicada é de 3.521 mm. O peso máximo admissível é de 11.275 kg para o modelo M205., valor que deve ser considerado em conjunto com a seleção de pneus, lastros e exigências de tração em solos mais leves. A capacidade do tanque de combustível é de 365 l, com tanque hidráulico máximo 170 litros, combinação que favorece autonomia em jornadas longas, desde que a operação esteja corretamente dimensionada em consumo e regime de trabalho.

Em bitolas, há faixa ampla de ajustes: dianteira com eixo padrão de 2.226 mm a 1.600 mm; dianteira com eixo de 3 m (configuração voltada ao uso canavieiro) de 3.025 mm a 2.400 mm; e traseira padrão de 3.041 mm a 1.974 mm. Esses intervalos importam para estabilidade lateral, adequação a linhas de cultivo e compatibilidade com equipamentos de transbordo e trafegabilidade em áreas de cana e arroz irrigado, onde o controle de bitola e o comportamento do conjunto em sulcos e carreadores têm impacto direto sobre perdas, patinagem e eficiência.

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O sistema de freios foi totalmente redesenhado em relação ao antecessor, é multidisco em banho de óleo, com novo acionamento hidráulico que aumentou em 28% a eficiência de frenagem, e freio de estacionamento por alavanca manual. Na direção, o conjunto é hidrostático, com bomba dedicada. Em operações de transbordo e transporte, principalmente com reboques e implementos articulados, o conjunto de frenagem e direção é um dos pontos que definem segurança operacional e constância de velocidade em ciclos repetitivos.

Cabina e posto de operação

O posto de operação é baseado em cabina HiComfort Plus. A atualização de interior inclui novos revestimentos e assentos, com foco em ergonomia de comandos e repetibilidade de operação ao longo do dia. Um elemento funcional incorporado ao ambiente de cabina é a caixa refrigeradora integrada (cooler box), item simples, mas relevante para quem opera por longas horas em janelas críticas de plantio e colheita, em especial em regiões de alta temperatura.

O posto de operação é baseado em cabina HiComfort Plus
O posto de operação é baseado em cabina HiComfort Plus

Configuração canavieira e aplicação em transbordo

A Série M5 mantém possibilidade de configuração voltada ao setor sucroenergético, com kit específico que inclui eixo dianteiro de 3 metros, freio pneumático e barra de tração pino-bola. Na prática, esses itens conversam com requisitos típicos de transbordo: estabilidade do conjunto em carreadores, acoplamento e desacoplamento rápidos, e segurança em deslocamentos com carga. Para concessionárias que atendem regiões com cana, essa versão muda o perfil de entrega do produto e aproxima o trator de rotinas de alta severidade operacional.

Tecnologias embarcadas, orientação e conectividade

A Série M5 incorpora recursos de agricultura de precisão e gestão. O pacote contempla piloto automático e orientação Valtra Guide, em configurações que podem operar com precisão decimétrica ou centimétrica, além de telemetria via Valtra Connect. Para operadores tecnificados, esses sistemas deixam de ser “adicional” e passam a integrar a forma de trabalhar: padronização de passadas, redução de sobreposições, rastreabilidade e suporte à manutenção por dados. Para a revenda, a discussão deixa de ser apenas potência e passa a envolver compatibilidade de implementos, treinamento do operador e integração do trator ao planejamento operacional da fazenda.

Em resumo, a nova série M5 pode ser traduzida por quatro critérios objetivos: potência e torque disponíveis para tração e transporte; transmissão PowerShift com 18×18 e reversão eletro-hidráulica para ciclos com alta exigência de manobra; hidráulica escalonável até 205 l/min para implementos de alto consumo de fluxo; e opções estruturais e de bitola que permitem adequar o trator a grãos, arroz e, quando configurado, cana e transbordo. Trabalhando em conjunto, esse pacote — motor, transmissão, hidráulico, estrutura, cabina e tecnologia — definirá o desempenho real no campo.

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Comissão Eleitoral da Aprosoja MT toma posse e inicia processo para eleição de 2027-2029

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A Comissão Eleitoral, responsável pela condução do pleito, tomou posse no dia 19 de agosto

A Associação de Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja MT) deu início ao processo eleitoral que irá definir os representantes da entidade para o triênio 2027-2029. A Comissão Eleitoral, responsável pela condução do pleito, tomou posse no dia 19 de agosto, na sede da associação, em Cuiabá.

A comissão é formada por Endrigo Dalcin, que assume a presidência; Glauber Silveira da Silva, como vice-presidente; e José Rogério Salles, que ocupa a função de secretário.

A partir da posse, a Comissão Eleitoral passa a acompanhar e coordenar as diferentes etapas do processo, conforme as regras estabelecidas pela entidade. O trabalho envolve a organização dos procedimentos necessários para garantir a regularidade e a transparência da eleição.

O recebimento das candidaturas para o pleito terá início no dia 15 de setembro. Ao longo do período eleitoral, a Aprosoja MT também divulgará os comunicados, orientações e informações referentes ao processo, incluindo os prazos e procedimentos que devem ser observados pelos associados.

A votação para escolha da nova diretoria e dos delegados da Aprosoja MT está marcada para o dia 9 de novembro de 2026.

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Clique aqui e confira Ata de Constituição e Posse da Comissão Eleitoral

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Mercado identifica redução no potencial produtivo das lavouras na Dakota do Sul

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Avaliação realizada pela equipe da Aprosoja MT aponta impactos da menor disponibilidade de chuvas e perdas pontuais no milho provocadas por vendavais

O América Clima e Mercado 2026, da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), avançou pela Dakota do Sul, nos Estados Unidos, e identificou redução no potencial produtivo das lavouras de soja e milho em relação à safra anterior. Durante o percurso entre a região de Nebraska e Chamberlain, no centro-sul do estado, a equipe avaliou diferentes áreas e conversou com produtores sobre as condições climáticas e as perspectivas para a colheita.

Participam do trajeto o presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber, o produtor rural do núcleo de Canarana, Lino Costa e o delegado coordenador do núcleo de Itanhangá, Ivam Franceschet.

Segundo Lino Costa, as avaliações realizadas ao longo do trajeto indicaram grande diferença entre as áreas, com potenciais produtivos de soja estimados entre 48 e 55 sacas por hectare em alguns pontos. Uma das lavouras observadas em Chamberlain, favorecida pelo regime de chuvas, apresentou desempenho superior ao encontrado nas demais áreas visitadas.

“Estamos aqui em uma lavoura que nós vimos o melhor potencial produtivo até agora aqui na Dakota do Sul. De longe, um dos melhores potenciais produtivos. Esse lugar deve ter sido mais privilegiado com chuva”, relatou o produtor.

Apesar do destaque pontual, a avaliação geral é de que grande parte das lavouras apresenta potencial inferior. De acordo com a equipe, muitas áreas de soja visitadas devem ficar abaixo de 50 sacas por hectare, enquanto o milho também apresenta potencial produtivo inferior ao observado em outras regiões norte-americanas.

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Antes de chegar à Dakota do Sul, a equipe também observou os efeitos de um evento climático severo na região norte de Nebraska. Produtores consultados durante o trajeto relataram que um vendaval atingiu áreas de milho e provocou tombamento das plantas.

“Nós conversamos com dois produtores e eles relataram que, em uma faixa de aproximadamente 38 mil a 45 mil hectares, houve perda estimada de 50% na produtividade de milho. Isso ocorreu em uma região onde as lavouras estavam boas e bem conduzidas, mas o vendaval ocasionou essas perdas”, relata o presidente da Aprosoja MT.

Apesar dos danos observados na cultura, os produtores relataram que as lavouras de soja conseguiram se recuperar e, até o momento da avaliação, não havia expectativa de perdas significativas na colheita.

Outra diferença percebida pela equipe foi o contraste entre as áreas agrícolas do norte de Nebraska e as da Dakota do Sul. Enquanto a região de Nebraska visitada apresenta forte presença de áreas irrigadas e lavouras com maior potencial produtivo, na Dakota do Sul o padrão observado foi de plantas de menor porte.

“Nos impressiona essa lavoura pelo perfilhamento de plantas, estão bem robustas e produtivas. Porém, as lavouras de soja que vimos são de produtividade baixa, a maioria abaixo de 50 sacas por hectares e o milho dificilmente chega às 100 sacas por hectare nessa região que percorremos”, afirma Lucas Costa Beber.

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A percepção observada em campo acompanha uma estimativa de redução da produtividade no estado. Conforme os números apresentados durante a missão, a produtividade da soja, que teria alcançado 52,7 sacas por hectare no ano anterior, está estimada em aproximadamente 46 sacas por hectare nesta safra. No milho, a projeção apresentada é de 158 sacas por hectare, contra 178,9 sacas registradas anteriormente.

“Segundo o USDA, a estimativa de produtividade desse ano apresenta uma redução em torno de 12% a 13% tanto para a soja quanto para o milho. A Dakota do Sul é um estado significativo na produção norte-americana, ficando em oitavo lugar no ranking de produção de soja e quinto lugar na produção de milho”, relata Ivam Franceschet.   De acordo com a avaliação apresentada durante a missão, a chuva registrada na região neste ano foi igual ou inferior à do ano passado. O impacto é especialmente relevante neste momento do ciclo, quando parte das lavouras se aproxima da colheita e outras ainda estão na fase final de enchimento de grãos.

Apesar da redução do potencial produtivo, a missão também identificou um aspecto considerado positivo: a evolução genética das cultivares utilizadas pelos produtores norte-americanos.

Lucas Costa Beber destacou que, embora algumas regiões tenham enfrentado períodos de baixa pluviosidade, as plantas demonstram maior capacidade de suportar condições adversas quando comparadas a anos anteriores.

“Se analisarmos o período de 2012 e 2014, houve secas muito mais severas com danos maiores para as lavouras, mas com o avanço genético e o melhoramento, as lavouras têm suportado mais as estiagens”, destacou Lucas.

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Após a passagem pela Dakota do Sul, a equipe do América Clima e Mercado segue para o norte do estado, avançando em direção a Fargo, na Dakota do Norte. Na sequência, o roteiro passa pela divisa com Minnesota até chegar a Iowa, importante polo da produção norte-americana de milho e soja.

A Aprosoja MT continua acompanhando as condições das lavouras, o clima e o potencial produtivo da safra norte-americana, levando aos produtores de Mato Grosso informações observadas diretamente no campo.

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Comunicação química abre caminho para ampliar controle biológico

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Análise reúne semioquímicos, receptores e lacunas para uso de inimigos naturais no manejo integrado de pragas

Compostos químicos liberados por plantas, insetos e microrganismos podem orientar parasitoides e predadores na localização de suas presas e hospedeiros. O conhecimento acumulado sobre esses sinais cria perspectivas para novas estratégias de controle biológico. Porém, a aplicação prática ainda enfrenta obstáculos. A maior parte dos estudos permanece concentrada na identificação de compostos, em bioensaios de laboratório e em experimentos de campo de pequena escala.

Pesquisadores chineses analisaram trabalhos publicados entre 1971 e 2025 (doi 10.1127/entomologia/3525). O levantamento concentrou-se nas relações entre plantas, insetos herbívoros e inimigos naturais. Também incluiu estudos sobre receptores envolvidos na percepção química de parasitoides, joaninhas, crisopídeos e outros artrópodes benéficos.

Voláteis induzidos por herbivoria

Um dos principais grupos de sinais envolve os voláteis vegetais induzidos pela herbivoria, conhecidos pela sigla HIPVs. A alimentação do inseto altera o metabolismo da planta e induz a liberação de compostos orgânicos voláteis. Parasitoides e predadores usam parte desses compostos durante a busca pelo hospedeiro. Entre as substâncias estudadas aparecem salicilato de metila, (Z)-3-hexenol, (Z)-3-hexenil acetato, linalol, octanal, alfa-pineno e indol.

A resposta depende da espécie envolvida e da composição do odor. Em milho atacado por Spodoptera frugiperda, octanal e 2-heptanona atraíram o parasitoide Cotesia ruficrus. A combinação dos dois compostos aumentou o parasitismo de larvas da praga em experimentos. Em outro sistema, cis-jasmona e (Z)-3-hexenil acetato atraíram Campoletis chlorideae, parasitoide associado a Helicoverpa armigera.

Isolados e misturas

Misturas também podem produzir respostas distintas em relação aos componentes isolados. O besouro predador Stethorus punctum picipes apresentou resposta mais forte a uma combinação de salicilato de metila, (Z)-3-hexenol e benzaldeído. Os cientistas destacam ainda diferenças entre espécies. Um mesmo composto pode atrair um inimigo natural e repelir outro. Esse comportamento dificulta o desenvolvimento de formulações de uso amplo.

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A variedade da planta e a identidade do herbívoro também modificam os sinais emitidos. Microplitis tuberculifer mostrou preferência pelos voláteis de algodão Bt atacado por Spodoptera exigua em comparação com algodão não Bt. O mesmo parasitoide respondeu aos voláteis induzidos por Spodoptera exigua, mas não apresentou resposta equivalente aos sinais produzidos após ataque de Helicoverpa armigera. Esses resultados reforçam a necessidade de avaliar cada combinação entre cultura, praga e inimigo natural.

Inimigos naturais

Os inimigos naturais também exploram feromônios produzidos pelas próprias pragas. Feromônios sexuais, de alarme e de agregação podem funcionar como cairomônios. O (E)-beta-farneseno, conhecido como componente do feromônio de alarme de várias espécies de afídeos, atrai diferentes parasitoides, sirfídeos, joaninhas e besouros predadores. A resposta não ocorre de forma uniforme. Chrysopa pallens, por exemplo, apresentou forte repelência ao composto em um dos trabalhos reunidos pelos pesquisadores.

Fezes e hidrocarbonetos cuticulares fornecem outras pistas. Compostos presentes nas fezes de larvas podem atuar na localização do hospedeiro a curta ou longa distância. O parasitoide Cotesia rubecula apresentou maior atração pelas fezes de Pieris rapae em comparação com material de outras espécies avaliadas. A idade da larva também influenciou a resposta. Hidrocarbonetos presentes na cutícula oferecem sinais adicionais para reconhecimento específico do hospedeiro.

Ação de microrganismos

Microrganismos ampliam essa rede química. Bactérias e leveduras presentes no néctar alteram odores, açúcares, aminoácidos e outras características do recurso alimentar. O parasitoide Aphidius ervi apresentou preferência inata por néctar fermentado pela levedura Metschnikowia reukaufii. Estudos apontaram efeitos microbianos sobre longevidade, sobrevivência e comportamento de inimigos naturais. Os pesquisadores consideram esse componente ainda pouco estudado.

Avanços em genômica e transcriptômica também permitiram mapear genes ligados à quimiorrecepção. Os grupos incluem receptores de odor, receptores gustativos, receptores ionotrópicos, proteínas ligadoras de odorantes e proteínas quimiossensoriais. O número desses genes varia entre espécies. Em parasitoides himenópteros, algumas linhagens apresentam centenas de receptores de odor.

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A caracterização funcional começa a revelar a ligação entre moléculas específicas e comportamento. Em Campoletis chlorideae, um receptor responde à cis-jasmona. Em Hippodamia variegata, diferentes receptores reconhecem compostos associados às plantas e às presas. Em Eupeodes corollae, um receptor participa da percepção de (E)-beta-farneseno. A alteração do correceptor Orco nessa espécie eliminou a preferência pelo composto e reduziu parâmetros ligados ao acasalamento, postura e eclosão.

Ligantes conhecidos

Apesar do avanço molecular, grande parte dos receptores identificados ainda não possui ligantes conhecidos. Também faltam evidências sistemáticas sobre os mecanismos neurais envolvidos na codificação do olfato e do paladar dos inimigos naturais.

Os cientistas identificam outro gargalo para o uso agrícola. Ensaios já comprovaram atração de inimigos naturais por vários HIPVs em condições experimentais e alguns trabalhos testaram armadilhas no campo. Mesmo assim, os pesquisadores não registraram aplicação prática desses voláteis para atrair inimigos naturais com finalidade de controle de pragas na produção agrícola. O ambiente de campo contém numerosas fontes de odor. Esses compostos podem competir com o atrativo, inibir a resposta ou produzir sinergias.

Os pesquisadores defendem estudos sobre combinações de HIPVs e feromônios. A avaliação de misturas pode apoiar estratégias como “push-pull”, com repelência da praga em determinadas áreas e atração de inimigos naturais em outras. Também recomendam ampliar a investigação sobre microrganismos benéficos ou prejudiciais e identificar os mecanismos moleculares envolvidos na percepção dos produtos da fermentação.

A identificação dos ligantes dos receptores quimiossensoriais completa essa agenda. Conforme os cientistas, esse conhecimento pode orientar o desenvolvimento de atrativos mais seletivos para parasitoides e predadores. Antes da adoção em escala agrícola, porém, há necessidade de compreender as interações dentro do sistema ecológico completo, com planta, herbívoro, inimigo natural e microbiota considerados em conjunto.

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