Agro Mato Grosso
Nova Série M5 da Valtra sucede a família BH HiTech
A nova Série M5 da Valtra, que traz os modelos M165, M185 e M205, mantém a ideia de trator multiuso pesado, com foco em potência, tração, transmissão e sistema hidráulico dimensionados para suportar grandes implementos em longos períodos de trabalho
A Valtra atualiza sua oferta no segmento de tratores pesados com a Série M5, composta pelos modelos M165, M185 e M205, direcionados a operações de grãos e arroz e, conforme a configuração, também a rotinas de cana-de-açúcar e transbordo. A linha sucede a proposta técnica da família BH HiTech e mantém a lógica de trator “multiuso pesado”, mantendo características como potência para tração e transporte, arquitetura para suportar implementos de maior massa e um pacote de transmissão e hidráulico dimensionado para ciclos longos de trabalho.
Motor e potência

Os M165 e M185 utilizam motor AGCO Power de 4 cilindros, 4,9 l de cilindrada, já o M205 utliza motor AGCO Power de 6 cilindros, 6,6 l, ambos motores com turbo e intercooler e sistema de injeção eletrônica common rail. A potência máxima declarada é de 165 cv (M165), 185 cv (M185) e 205 cv (M205) a 2.200 rpm. O torque máximo é de 650 Nm (M165), 700 Nm (M185) e 720 Nm (M205) a 1.500 rpm, faixa típica de operação em que o trator passa a trabalhar “cheio” em preparo, semeadura, operações de arrasto e transporte com carga. Para o dimensionamento do conjunto, o dado de torque em baixa rotação é determinante na escolha de implementos e na forma de condução em condições de solo variável.
Transmissão e reversão
A Série M5 adota transmissão PowerShift HiTech3 Plus, agora sincronizada, com 18 marchas à frente e 18 à ré. A lógica do conjunto é permitir mudanças com o trator em movimento, com trocas automáticas dentro do grupo powershfit, reduzindo interrupções no fluxo de potência durante variações de carga. A reversão é do tipo Power Shuttle, com acionamento eletro-hidráulico, importante em manobras repetitivas e operações de carregamento e transbordo.
O pacote inclui modos de programação que automatizam a troca de marchas por carga do motor (Auto 1) ou por rotação (Auto 2), além de um modo que desconecta automaticamente a transmissão (coloca em neutro) quando você pisa no pedal do freio, e assim que você solta o pedal do freio, a transmissão é reativada suavemente e o trator volta a se movimentar, sem a necessidade de acionar o pedal da embreagem ou a alavanca do reversor (Auto N). Na prática, esses recursos influenciam diretamente a produtividade em operações em que velocidade constante e estabilidade do conjunto são mais importantes do que “picos” de potência.

TDP e interface com implementos
A tomada de potência é independente, com acionamento eletro-hidráulico, e oferece 540 rpm e 1.000 rpm. O escalonamento de rotação do motor para atingir as velocidades de TDP é um ponto observado por equipes de campo ao casar implementos com exigência de potência na árvore e necessidade de operar em rotação econômica. A capacidade de manter regime estável de TDP, associada à transmissão com trocas sob carga, tende a reduzir variações de desempenho em equipamentos acionados mecanicamente, como distribuidores, roçadoras e implementos de preparo que demandam rotação consistente.
Sistema hidráulico
No sistema hidráulico, a Série M5 trabalha com três arquiteturas, conforme a configuração: bomba de engrenagens (C1) ou bomba de vazão variável (C2). A pressão máxima do sistema é de 210 bar. Na configuração C1, a vazão indicada é de 91 l/min; na C2, a vazão pode chegar a 150 l/min ou 205 l/min, faixa que atende implementos com alta demanda de fluxo — caso de plantadoras pneumáticas e equipamentos com múltiplos atuadores e controle hidráulico mais intensivo.
A linha pode receber duas ou três válvulas de comando remoto (VCR), e, na versão com bomba de vazão variável, o número de válvulas pode ser três ou quatro. A vazão máxima por VCR é indicada em 110 l/min, parâmetro relevante para evitar “gargalo” em implementos que exigem resposta rápida de cilindros e motores hidráulicos, na válvula de Power Beyond a vazão chega até 204 l/min.
O levante traseiro é classificado como categoria CAT 2, com capacidade de elevação de 8.500 kgf no olhal e 6.000 kgf no eixo do olhal. Para a revenda, esse conjunto de números é o que efetivamente determina a compatibilidade segura com implementos mais pesados, o comportamento do trator no transporte do implemento em cabeceiras e a necessidade de lastro e distribuição de massa.

Estrutura, dimensões e capacidades
VEJA; VIDEO:
Os tratores possuem entre-eixos de 2.716 mm e comprimento total de 5.962 mm, com vão livre do solo de 474 mm. A altura total indicada é de 3.521 mm. O peso máximo admissível é de 11.275 kg para o modelo M205., valor que deve ser considerado em conjunto com a seleção de pneus, lastros e exigências de tração em solos mais leves. A capacidade do tanque de combustível é de 365 l, com tanque hidráulico máximo 170 litros, combinação que favorece autonomia em jornadas longas, desde que a operação esteja corretamente dimensionada em consumo e regime de trabalho.
Em bitolas, há faixa ampla de ajustes: dianteira com eixo padrão de 2.226 mm a 1.600 mm; dianteira com eixo de 3 m (configuração voltada ao uso canavieiro) de 3.025 mm a 2.400 mm; e traseira padrão de 3.041 mm a 1.974 mm. Esses intervalos importam para estabilidade lateral, adequação a linhas de cultivo e compatibilidade com equipamentos de transbordo e trafegabilidade em áreas de cana e arroz irrigado, onde o controle de bitola e o comportamento do conjunto em sulcos e carreadores têm impacto direto sobre perdas, patinagem e eficiência.
O sistema de freios foi totalmente redesenhado em relação ao antecessor, é multidisco em banho de óleo, com novo acionamento hidráulico que aumentou em 28% a eficiência de frenagem, e freio de estacionamento por alavanca manual. Na direção, o conjunto é hidrostático, com bomba dedicada. Em operações de transbordo e transporte, principalmente com reboques e implementos articulados, o conjunto de frenagem e direção é um dos pontos que definem segurança operacional e constância de velocidade em ciclos repetitivos.

Cabina e posto de operação
O posto de operação é baseado em cabina HiComfort Plus. A atualização de interior inclui novos revestimentos e assentos, com foco em ergonomia de comandos e repetibilidade de operação ao longo do dia. Um elemento funcional incorporado ao ambiente de cabina é a caixa refrigeradora integrada (cooler box), item simples, mas relevante para quem opera por longas horas em janelas críticas de plantio e colheita, em especial em regiões de alta temperatura.

Configuração canavieira e aplicação em transbordo
A Série M5 mantém possibilidade de configuração voltada ao setor sucroenergético, com kit específico que inclui eixo dianteiro de 3 metros, freio pneumático e barra de tração pino-bola. Na prática, esses itens conversam com requisitos típicos de transbordo: estabilidade do conjunto em carreadores, acoplamento e desacoplamento rápidos, e segurança em deslocamentos com carga. Para concessionárias que atendem regiões com cana, essa versão muda o perfil de entrega do produto e aproxima o trator de rotinas de alta severidade operacional.
Tecnologias embarcadas, orientação e conectividade
A Série M5 incorpora recursos de agricultura de precisão e gestão. O pacote contempla piloto automático e orientação Valtra Guide, em configurações que podem operar com precisão decimétrica ou centimétrica, além de telemetria via Valtra Connect. Para operadores tecnificados, esses sistemas deixam de ser “adicional” e passam a integrar a forma de trabalhar: padronização de passadas, redução de sobreposições, rastreabilidade e suporte à manutenção por dados. Para a revenda, a discussão deixa de ser apenas potência e passa a envolver compatibilidade de implementos, treinamento do operador e integração do trator ao planejamento operacional da fazenda.
Em resumo, a nova série M5 pode ser traduzida por quatro critérios objetivos: potência e torque disponíveis para tração e transporte; transmissão PowerShift com 18×18 e reversão eletro-hidráulica para ciclos com alta exigência de manobra; hidráulica escalonável até 205 l/min para implementos de alto consumo de fluxo; e opções estruturais e de bitola que permitem adequar o trator a grãos, arroz e, quando configurado, cana e transbordo. Trabalhando em conjunto, esse pacote — motor, transmissão, hidráulico, estrutura, cabina e tecnologia — definirá o desempenho real no campo.
Agro Mato Grosso
MT é o único estado brasileiro onde homens são maioria entre solteiros

Impulsionado pela força do agronegócio e pela migração de trabalhadores de várias regiões do país, Mato Grosso registra 102,5 solteiros para cada 100 solteiras, segundo o Censo 2022.
Mato Grosso ocupa uma posição única no mapa demográfico brasileiro. Segundo dados do Censo 2022, é o único estado do país onde há mais homens solteiros do que mulheres solteiras: são 102,5 solteiros para cada 100 solteiras.
A explicação passa pela forte expansão do agronegócio. O estado atrai trabalhadores de diferentes partes do Brasil para atuar nas lavouras de soja, milho e algodão, gerando uma migração predominantemente masculina em busca de oportunidades profissionais.
Migração e trabalho no campo
Nas fazendas mato-grossenses, histórias parecidas ajudam a explicar os números. Muitos trabalhadores deixam suas cidades de origem ainda jovens para buscar crescimento profissional.
É o caso de Alan Augusto da Silva Weinch, de 20 anos, operador de máquinas agrícolas. Natural de Novo Machado (RS), ele deixou a casa dos pais para trabalhar no estado.
“Foi preciso coragem, né? Bastante coragem. Se não tem coragem, não vem não”, contou.
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Mato Grosso é o único estado do Brasil onde homens solteiros são maioria, aponta IBGE — Foto: Reprodução/TV Globo
Casamento ficou para depois
A trajetória dos trabalhadores do campo acompanha uma tendência observada em todo o país: os brasileiros estão se casando mais tarde.
Segundo dados do IBGE citados na reportagem, as mulheres se casam, em média, aos 29 anos, enquanto os homens chegam ao casamento aos 31.
Nesse cenário, a prioridade costuma ser a construção da carreira, da estabilidade financeira e dos projetos pessoais antes da formação de uma união.
Willian Balen, técnico em agropecuária vindo de Santa Catarina, também priorizou a carreira. Aos 27 anos, ele afirma que a meta de formar uma família ficou para mais tarde.
“Meu foco principal é o agro, o trabalho”, disse. “Minha meta é ter um casamento a partir dos 30 anos.”
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Mato Grosso é o único estado do Brasil onde homens solteiros são maioria, aponta IBGE — Foto: Reprodução/TV Globo
Entre a liberdade e a solidão
Para muitos dos trabalhadores que vivem longe da família, a solteirice é marcada por sentimentos contraditórios.
Ao ser questionado sobre as vantagens de não estar em um relacionamento, Willian citou a autonomia: “Sai a hora que quer, volta a hora que quer e não depende de ninguém”.
Mas ele também reconhece o lado mais difícil da rotina. “A desvantagem é um pouco a solidão, né? Que ela bate.”
Já Erisom Marinho de Barros, operador de máquina agrícola que deixou Alagoas para trabalhar em Mato Grosso, afirma que a busca por melhores condições de vida teve um custo emocional.
“Abri mão de muita coisa”, disse. “De estar perto da minha família, da minha filha, para estar em busca da realização dos sonhos.”
Mesmo assim, ele não desistiu da vida amorosa. No ritmo das safras, acredita que os relacionamentos podem surgir nos períodos de entressafra, quando há mais tempo para sair e conhecer pessoas.
Retrato raro no país
O caso de Mato Grosso chama atenção porque vai na contramão da realidade nacional. A população brasileira tem mais mulheres do que homens, resultado de uma mortalidade masculina mais elevada ao longo da vida, segundo especialistas ouvidos pelo programa.
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O novo retrato dos solteiros no Brasil — Foto: Reprodução/TV Globo
Agro Mato Grosso
Por que Cuiabá ficou mais quente? Estudo aponta perda de árvores, antigas obras do VLT

Área desmatada corresponde a cerca de 2,5 vezes a extensão da atual zona urbana da capital.
Entre 1988 e 2017, Cuiabá perdeu 55.763 hectares de vegetação nativa, o equivalente a 17% da cobertura vegetal do município. Segundo um estudo do Instituto Centro de Vida (ICV), a área desmatada corresponde a cerca de 2,5 vezes a extensão da atual zona urbana da capital.
O levantamento aponta que a expansão urbana e grandes obras de infraestrutura, como a antiga tentativa de implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), estão entre os principais fatores que contribuíram para a redução das áreas verdes.
Para a professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Flávia Maria de Moura Santos, a retirada de árvores em cidades de clima quente, como Cuiabá, agrava diretamente o calor e reduz a qualidade de vida da população. Segundo ela, a vegetação tem papel essencial na regulação da temperatura por meio do sombreamento e da evapotranspiração, processo em que as plantas liberam umidade para a atmosfera.
“A vegetação contribui de forma direta para a redução da temperatura do ar. Primeiro pelo sombreamento e também por meio da evapotranspiração, que ajuda a aumentar a umidade e torna o clima menos seco”, afirmou.
A pesquisadora explicou que a substituição da vegetação por asfalto e concreto altera o comportamento térmico da cidade. Esses materiais absorvem mais calor ao longo do dia e o devolvem para a atmosfera, aumentando a temperatura do ambiente. Segundo ela, o problema é agravado pelo aumento da circulação de veículos, favorecendo a formação das chamadas ilhas de calor.
“Esses materiais absorvem muito calor, armazenam essa energia e a devolvem para a atmosfera, aquecendo o ambiente ao redor […] Essa substituição da cobertura vegetal por pavimentos impermeáveis intensifica a ilha de calor. Lugares com mais concreto e asfalto tendem a registrar temperaturas mais altas”, explicou.
O coordenador do Núcleo de Inteligência Territorial do Instituto Centro de Vida (ICV), Vinícius Silgueiro, afirma que a perda de vegetação em Cuiabá tem se intensificado nas últimas décadas em razão da expansão urbana e das obras de infraestrutura. Segundo ele, o estudo publicado pelo instituto em 2019 identificou que, entre 1988 e 2017, o município perdeu 55 mil hectares de vegetação nativa, o equivalente a 17% da cobertura vegetal do território.
“Na época, também analisamos o impacto da retirada de cerca de 2.500 árvores para as obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), projeto da Copa do Mundo de 2014 que nunca foi concluído”, afirmou.
Silgueiro destaca ainda que uma nova análise, focada apenas na área urbana de Cuiabá, mostra que a cidade perdeu 7.211 hectares de vegetação nativa entre 1985 e 2024.
“Isso significa que, em 40 anos, Cuiabá perdeu 52% das áreas verdes da sua zona urbana, principalmente em decorrência de novos loteamentos e obras de infraestrutura”, disse.
🌳 Exemplos da perda de vegetação
Ao analisar imagens de satélite e a expansão urbana, os pesquisadores identificaram diferentes situações que contribuíram para a redução da cobertura vegetal em Cuiabá.
- Implantação do VLT
Cerca de 2,5 mil árvores foram retiradas ao longo do trajeto previsto para a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), em Cuiabá e Várzea Grande. As obras do modal foram interrompidas e, posteriormente, substituídas pelo projeto do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT).
Em nota, o Consórcio Integra BRT informou que atua apenas como executor da obra e afirmou que informações sobre o cronograma, as medidas de compensação ambiental e outros detalhes do empreendimento devem ser prestadas pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT), responsável pelo contrato.
Já a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) informou que o licenciamento ambiental autorizou a retirada de árvores apenas nas áreas necessárias para a execução das obras. Segundo a pasta, a compensação ambiental prevê a reposição florestal das espécies suprimidas, com replantio previsto para ocorrer durante a implantação do parque linear, entre o 10º e o 20º mês do cronograma da obra.
O Horto Florestal de Cuiabá informou que não há registros de recebimento de árvores doadas pelo Consórcio VLT após a retirada da vegetação, em 2014. De acordo com a instituição, a remoção, a destinação e o eventual replantio das árvores eram de responsabilidade do consórcio, conforme estabelecido no processo de licenciamento ambiental.l replantio da vegetação eram de responsabilidade do consórcio, conforme previsto no licenciamento ambiental.
- Avenida Professora Edna Affi (Avenida das Torres)
A abertura da via impulsionou a expansão urbana da região, com a substituição de áreas de vegetação nativa por loteamentos, condomínios e novos empreendimentos.
- Margens do Rio Cuiabá
O estudo identificou redução da vegetação ciliar devido ao avanço da ocupação urbana e de construções em Áreas de Preservação Permanente (APPs), comprometendo a proteção do rio.
- Região do bairro Porto
Imagens comparativas mostram que áreas verdes foram substituídas pela urbanização ao longo dos anos, reduzindo a cobertura vegetal.
- Expansão de loteamentos e novos bairros
A abertura de áreas para ocupação urbana é apontada como uma das principais causas da supressão da vegetação nativa em diferentes regiões da capital.
🌳 Reflorestamento
Para minimizar os impactos, Flávia defende o incentivo ao plantio de árvores, mas ressalta que a reposição da vegetação deve ocorrer com planejamento. Segundo a pesquisadora, a escolha das espécies é determinante para garantir benefícios ambientais. Ela alerta que, sem políticas de arborização e preservação da cobertura vegetal, Cuiabá tende a registrar temperaturas cada vez mais elevadas, impulsionadas pelo crescimento urbano e pelo aumento da frota de veículos.
“Não basta plantar qualquer árvore. Algumas espécies, como as palmeiras, têm valor paisagístico, mas oferecem pouca sombra e pouca contribuição para a redução da temperatura. É preciso escolher espécies adequadas para cada local”, explicou.
🌳 Iniciativas
Para auxiliar nesse processo, o Governo de Mato Grosso lançou o Guia para Identificação de Espécies Arbóreas Produtoras de Madeira. O material foi elaborado para auxiliar empresas do setor florestal e profissionais do manejo na identificação correta das principais espécies comercializadas no estado.
O guia reúne informações botânicas, fotografias e características morfológicas e anatômicas da madeira para reduzir erros de identificação e aumentar a segurança na comercialização dos produtos florestais.
O material foi desenvolvido a partir de coletas realizadas em áreas de manejo florestal de 10 municípios mato-grossenses. Ao todo, os pesquisadores analisaram 433 árvores, associando nomes populares e científicos das espécies, além de registrar amostras de folhas, madeira e estruturas vegetais que serviram de base para a publicação.
A obra reúne informações sobre 51 espécies de maior importância para o mercado madeireiro de Mato Grosso e apresenta critérios para o reconhecimento das árvores durante os inventários florestais e nos pátios de madeira, além de orientar a identificação de grupos de espécies com características semelhantes.
Rua Baltazar Navarro: antes e depois
Um vídeo divulgado nas redes sociais em maio deste ano, mostra o antes e depois da Rua Baltazar Navarro, no bairro Bandeirantes, em Cuiabá, após a retirada de árvores no local em um intervalo de um ano. O vídeo repercutiu e gerou um debate sobre arborização urbana na capital.
Na época, a Prefeitura de Cuiabá emitiu uma nota informando que a retirada de cinco árvores da espécie figueira (Ficus benjamina), localizadas em um imóvel da rua, foi autorizada pela Empresa Cuiabana de Zeladoria e Serviços Urbanos (Limpurb). Segundo o município, a autorização prevê o replantio imediato de cinco árvores nativas no mesmo terreno, como medida compensatória prevista na legislação ambiental.
“A autorização para retirada das árvores foi emitida após avaliação técnica que identificou risco potencial à segurança da população e à infraestrutura urbana. Conforme o laudo, os exemplares apresentavam porte elevado, raízes expostas e avançado estado de senescência, além da presença de cupins e apodrecimento do caule, fatores que comprometem a estabilidade estrutural das árvores e aumentam o risco de queda”, diz trecho da nota.
Em nota, o Governo de Mato Grosso afirmou na época que a retirada foi realizada com autorização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano de Cuiabá.
Agro Mato Grosso
MT amplia consumo interno de milho e reduz dependência das exportações

Uma safra recorde de milho não significa, necessariamente, que haverá excesso de oferta em Mato Grosso. O crescimento das usinas de etanol e o aumento do consumo interno têm feito uma parcela cada vez maior da produção permanecer no próprio estado, reduzindo a dependência das exportações.
De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a demanda pela safra 2024/25 foi revisada para 54,98 milhões de toneladas em agosto, alta de 0,85% em relação à estimativa anterior. O principal fator para a revisão foi o aumento da moagem nas usinas de etanol, que ampliou o consumo de milho dentro do estado.
Com maior volume sendo absorvido pelo mercado estadual, a projeção de estoques finais da safra foi reduzida para 974,03 mil toneladas, queda de 32,14% em relação ao levantamento anterior.
A tendência deve ganhar força na safra 2025/26. A estimativa aponta consumo interno de 22,10 milhões de toneladas, aumento de 9,12% em relação ao ciclo anterior. O avanço é atribuído principalmente à expansão da capacidade das usinas de etanol produzido a partir do milho.
A demanda também deve crescer fora de Mato Grosso. A menor produção projetada em outros estados contribuiu para elevar a estimativa de consumo interestadual para 11 milhões de toneladas, alta de 6,18% na comparação com a safra anterior.
Exportações perdem espaço
Com o avanço do consumo interno, as exportações devem representar uma parcela menor da produção mato-grossense. Para a safra 2025/26, o Imea estima que Mato Grosso deverá embarcar 24,10 milhões de toneladas de milho para o mercado internacional, redução de 1,09% em relação ao ciclo anterior.
A queda, segundo o cenário projetado, não está relacionada à falta de produção, mas ao aumento da quantidade de milho destinada ao mercado brasileiro.
Mesmo com a maior absorção interna, a projeção de estoques finais para a próxima safra é de 1,17 milhão de toneladas, crescimento de 19,99% em relação ao ano anterior.
O cenário reflete a expectativa de uma produção recorde, que deverá ser suficiente para atender ao crescimento da demanda dentro de Mato Grosso, abastecer outros estados e ainda garantir volumes relevantes para o mercado internacional.
Fonte: MidiaJur
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