Agro Mato Grosso
Pedágio ‘free flow’ está em fase de teste em rodovia de MT

A concessionária Rota dos Grãos aguarda autorização da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) para iniciar a operação do sistema de pedágio eletrônico sem cancelas (Free Flow) na MT-130. A tecnologia, já instalada ao longo dos 140 quilômetros que ligam Primavera do Leste a Paranatinga (231 e 373 km de Cuiabá, respectivamente), visa dar mais fluidez ao escoamento da produção agrícola na região e ao trânsito. O método está em fase de teste e ainda não há cobranças.
O modelo substituirá as paradas tradicionais por uma cobrança automática baseada no trecho efetivamente percorrido. Quando a operação for liberada, as praças de pedágio atuais passarão a funcionar com as cancelas abertas.
Como vai funcionar
O sistema conta com pórticos instalados em seis pontos estratégicos da rodovia:
Veículos com TAG: A leitura é feita automaticamente ao passar pelos pórticos, sem necessidade de reduzir a velocidade.
Veículos sem TAG: A placa é identificada por câmeras. O motorista tem até 30 dias para efetuar o pagamento pelo site oficial (rotadosgraos130.com.br) ou pelo aplicativo da concessionária.
Para apoiar a transição, a Rota dos Grãos disponibilizará totens de autoatendimento na sede em Primavera do Leste e na Base de Serviços Operacionais, além de vans itinerantes para orientação ao longo da pista.
Impactos operacionais e ambientais
Segundo a concessionária, o fim das paradas e arranques nas praças de pedágio reduz o tempo de viagem e o consumo de combustível, diminuindo a emissão de CO₂ e a poluição sonora.
“O Free Flow oferece uma cobrança mais justa, já que o usuário paga apenas pelo trecho percorrido. É uma tecnologia que traz fluidez e eficiência para uma rota estratégica do agronegócio”, afirmou o CEO da Rota dos Grãos, Luiz Sette.
Para o CFO da concessionária, Wagner Fernandes, a medida alia inovação e sustentabilidade: “Nosso objetivo é oferecer uma viagem mais segura e ágil, mantendo a excelência dos serviços prestados na rodovia.”
Agro Mato Grosso
Relatório técnico do TCE é entregue à ALMT e reforça investigações da CPI da Saúde

O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, entregou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa (ALMT) um relatório técnico que reúne a análise detalhada dos contratos firmados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) entre 2019 e 2023.
Ao destacar o apoio do órgão à investigação, o presidente afirmou que o trabalho evidencia o compromisso da instituição com o controle dos recursos públicos e o fortalecimento da fiscalização.
“A CPI investiga a destinação dos recursos da saúde, então, logo após o pedido da Assembleia para que o TCE contribuísse com a investigação, nossos auditores prontamente iniciaram os estudos e passaram três meses analisando todos os contratos da Secretaria de Saúde do Estado, de 2019 a 2023. Todas as informações foram reunidas e agora estamos entregando ao deputado Wilson Santos e às representantes do deputado Beto Dois a Um, que não pôde estar presente. As informações do relatório não podem ser divulgadas, mas os achados revelam uma situação importante”, declarou Sérgio Ricardo.
Na ocasião, o conselheiro também entregou ao parlamentar o relatório final da CPI da Saúde presidida por ele quando era deputado. Sérgio Ricardo relembrou alguns achados marcantes da época. “Entre 2009 e 2010, existia uma fila com três mil pessoas para realizar o exame que antecede o cateterismo, mas muitas morreram, pois a saúde não pode esperar. Outro caso que me chocou foi o de um jovem que havia sofrido um acidente de trânsito meses antes, mas permaneceu na enfermaria do Pronto Socorro de Várzea Grande sem passar por cirurgia.”
O presidente da CPI da Saúde da ALMT, Wilson Santos, agradeceu a disponibilidade e parabenizou aos auditores envolvidos. “Nós fizemos 12 reuniões da CPI e os auditores designados estiveram presentes em todas pontualmente, sendo assíduos. Tenho certeza de que esse documento é fruto desse trabalho constante que conta com uma chefia que sabe comandar e estimular. Está de parabéns a equipe que foi a melhor possível”, disse.
Na ocasião, o deputado ainda solicitou ao TCE-MT um novo relatório, desta vez abrangendo informações contratuais até 2025. “Nossa equipe vai se debruçar sobre esse trabalho, mas já pedimos ao presidente Sérgio Ricardo que amplie esse estudo, porque vários deputados sugeriram novas investigações que estavam fora do escopo cronológico inicial, que terminava em dezembro de 2023, como demandas referentes ao Hospital Regional de Cáceres e ao Hospital Central, além de pagamentos indenizatórios, mas não há contratos.”
Presente na reunião, a chefe de Gabinete do deputado estadual e relator da CPI, Beto Dois a Um, ressaltou a disponibilidade da equipe técnica do Tribunal de Contas. “Recebemos o relatório em nome do relator e iremos analisar pelo ponto de vista técnico juntamente com nosso corpo jurídico e, caso necessário, solicitaremos novamente o apoio dessa honrosa casa que tem nos ajudado tanto.”
Atuação Técnica
O relatório técnico foi produzido pelos auditores público externos Ednei Eckel e Lidiane Bortoluzzi, do Núcleo de Políticas Públicas (NPP) do TCE-MT, designados para atuarem na Comissão Parlamentar. Sob a supervisão do responsável pela área de Saúde e Meio Ambiente no NPP, auditor Denisvaldo Mendes Ramos e da secretária de Controle Externo, Karisia Cardoso.
“Esse trabalho foi essencial, porque uma análise dessa natureza exige muita técnica e conhecimento. Os auditores do Tribunal de Contas são os profissionais mais preparados para realizar uma análise tão aprofundada. Conseguimos analisar tudo o que nos foi solicitado e disponibilizado, sempre separando e fundamentando as responsabilizações com base em evidências e nas normas, prezando pelo rigor técnico que orienta o trabalho do Tribunal de Contas”, destacou Karisia.
Agro Mato Grosso
Aprosoja MT celebra o protagonismo do produtor no desenvolvimento, social do Brasil

A data reforça a importância do agro no campo para a produção de alimentos, geração de empregos e fortalecimento da economia brasileira
Neste 28 de julho, quando são celebrados o Dia do Produtor Rural e o Dia Nacional do Agricultor, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) destaca a relevância dos homens e mulheres do campo para o desenvolvimento do país. Eles são responsáveis por exercer papel estratégico na segurança alimentar, na geração de empregos, na movimentação da economia e no fortalecimento das comunidades onde estão inseridos.
Em Mato Grosso, estado líder nacional na produção de soja, milho e outras commodities agrícolas, o trabalho do produtor rural impulsiona o crescimento econômico, promove inovação tecnológica e contribui para consolidar o Brasil como uma das principais potências agropecuárias do mundo.
Para o vice-presidente Leste da Aprosoja MT, Lauri Pedro Jantsch, a data representa um momento de reconhecimento à dedicação de milhares de produtores que, diariamente, enfrentam desafios para garantir alimentos de qualidade à população e manter a competitividade do setor.
“Hoje, o produtor precisa ter muita resiliência e estar preparado para se adaptar a cada momento e a cada dificuldade. A cada ano surgem novos desafios, por isso é fundamental estar sempre se atualizando e buscando informações sobre mercado, clima e tudo o que envolve a atividade. Cada safra traz uma realidade diferente, e o produtor precisa estar preparado para enfrentar esses novos desafios”, destacou.
Lauri destaca ainda que o produtor rural moderno alia tecnologia, sustentabilidade e gestão para produzir cada vez mais em áreas já consolidadas, demonstrando que desenvolvimento econômico e preservação ambiental caminham lado a lado no campo.
“Ao longo da minha trajetória, as mudanças que mais impactaram a forma de produzir estão relacionadas, principalmente, à tecnologia embarcada no maquinário. Hoje, temos máquinas cada vez mais autônomas e eficientes. Isso proporciona um ganho operacional muito grande, facilita o trabalho e contribui diretamente para a rentabilidade do produtor. Outra mudança muito importante foi o desenvolvimento de novas biotecnologias aplicadas às sementes, que permitem alcançar uma produtividade muito maior na mesma área, favorecendo diretamente o produtor rural. Também temos observado um avanço significativo no uso de produtos biológicos, que estão cada vez mais eficientes, aliados ao monitoramento e ao controle de pragas. Então, hoje, essas são algumas das principais mudanças e tecnologias que vêm contribuindo para o desenvolvimento e o fortalecimento do setor”, exemplificou o vice-presidente Leste da Aprosoja Mato Grosso.
O produtor rural do núcleo de Sinop, Evandro Pellenz, vivencia diariamente a rotina de ser produtor rural em Mato Grosso e ressalta que a profissão exige dedicação, resiliência e capacidade de enfrentar desafios que vão desde questões climáticas até gargalos logísticos e oscilações do mercado.
“Ser produtor rural em Mato Grosso, hoje, é ser um verdadeiro guerreiro. Enfrentamos inúmeros desafios diariamente, principalmente relacionados à logística. Hoje, muita coisa evoluiu e parece estar bem estruturada, mas quem viveu o passado sabe o quanto sofremos para produzir e escoar a safra. Por isso, posso dizer que o produtor mato-grossense é, acima de tudo, um guerreiro”, ressaltou Evandro.
Na avaliação do produtor, embora a agricultura brasileira tenha avançado significativamente nas últimas décadas, ainda há obstáculos importantes que impactam o setor, bem como maior reconhecimento da sociedade ao trabalho desenvolvido pelos produtores.
“Acredito que o que mais precisa ser reconhecido e valorizado pela sociedade é o papel do produtor rural na produção de alimentos. Muitas vezes, ainda existe uma visão equivocada de que o produtor apenas degrada o meio ambiente, quando, na realidade, fazemos justamente o contrário. Produzimos alimentos com responsabilidade e preservamos uma parte significativa das nossas propriedades, como determina a legislação. Em Mato Grosso, especialmente nas áreas do bioma Amazônico, essa preservação é ainda mais evidente. Esse compromisso com a produção e com o meio ambiente precisa ser mais conhecido e valorizado pela sociedade”, avaliou Evandro.
Neste Dia do Produtor Rural e Dia Nacional do Agricultor, a Aprosoja MT reforça seu reconhecimento aos produtores que, com trabalho, inovação e compromisso, contribuem diariamente para o desenvolvimento de Mato Grosso e do Brasil.
Agro Mato Grosso
Legado que atravessa gerações: a história da família Giacomolli no campo

Entre desafios, trabalho e paixão pela agricultura, pais, filhos e netos mantêm viva uma história construída há mais de cinco décadas em Mato Grosso
Toda propriedade rural guarda uma história. Algumas começam com um pedaço de terra, outras com uma oportunidade. A história da família Giacomolli começou com uma decisão que exigiu a coragem de deixar o Sul do país para recomeçar a vida em uma região onde quase tudo ainda estava por ser construído.
Mais de 50 anos depois, essa escolha continua produzindo frutos. O que antes era apenas o sonho de uma família transformou-se em um legado que hoje une três gerações em torno da paixão por produzir alimentos e dar continuidade a uma história construída com trabalho, resiliência e amor pelo campo.
Foi em 1972 que o pai de Valmor Giacomolli decidiu investir em terras no então norte de Mato Grosso. Na época, a região ainda dava os primeiros passos no desenvolvimento agrícola e oferecia poucas das facilidades encontradas atualmente. Valmor acompanhou de perto esse processo. Ainda jovem, veio para o estado junto com a mudança da família e participou dos primeiros trabalhos na propriedade. Alguns anos depois, retornou ao Sul para se casar, mas não demorou a voltar definitivamente para Mato Grosso, onde decidiu construir sua própria trajetória.
“Meu pai veio para cá em 1972 e eu acompanhei toda essa mudança. Comecei a trabalhar nas terras com eles e, depois que casei, em 1977, voltei de vez. Nesse período consegui comprar minha própria área e começamos nossa caminhada. Não foi fácil, foi um grande sacrifício, mas valeu a pena.”
Ao lado dele estava Neusa Giacomolli, que também precisou deixar para trás a vida que conhecia para enfrentar os desafios de uma região que ainda estava sendo desbravada. Ela lembra que a decisão aconteceu ainda durante o namoro e que, apesar das dificuldades, nunca houve arrependimento.
“Foi um susto. A gente estava namorando quando surgiu a oportunidade de vir para Mato Grosso. Como ele gostou da região e nós já tínhamos planos de construir uma vida juntos, resolvemos encarar. Naquela época era muita chuva, estrada de chão, muito barro. Era de assustar, mas mesmo assim nós viemos.”
As lembranças daquele período revelam uma realidade muito diferente da atual. Estradas precárias, longas distâncias, pouca infraestrutura e inúmeras incertezas faziam parte do cotidiano dos primeiros produtores que chegaram à região. Ainda assim, desistir nunca foi uma opção.
Com o passar dos anos, o trabalho realizado pela família permitiu consolidar a propriedade e construir um ambiente em que a agricultura passou a ser muito mais do que uma atividade econômica. Foi nesse ambiente que cresceu César Anderson Giacomolli. Desde a infância, acompanhar os pais na lavoura fazia parte da rotina. Enquanto outras crianças passavam o tempo brincando, ele observava cada etapa do trabalho na fazenda, curioso para entender como tudo funcionava.
“Desde que me conheço por gente estou ligado ao agronegócio. Cresci dentro da fazenda acompanhando meus pais. Sempre admirei muito o trabalho deles e tinha aquele olhar curioso de quem queria aprender. Ver uma colheita acontecendo era algo que me encantava.”
O interesse surgiu cedo. Ainda criança, César já fazia questão de participar das atividades da propriedade e, antes mesmo da adolescência, começou a assumir pequenas responsabilidades no dia a dia da fazenda.
“Com 11 ou 12 anos eu já dirigia trator e ajudava no preparo do solo. Eu acredito que ser agricultor é uma vocação, assim como qualquer outra profissão. Desde pequeno me identifiquei com isso e hoje posso dizer, com muito orgulho, que sou agricultor.”
Mais do que ensinar o trabalho na lavoura, Valmor e Neusa transmitiram ao filho uma maneira de enxergar a atividade rural. Entre os ensinamentos que ficaram marcados, César destaca um valor que considera essencial para quem vive da agricultura: a capacidade de seguir em frente, independentemente das dificuldades.
“O que mais me marcou foi a determinação dos meus pais. Quando uma safra não era boa, eles sempre diziam que a próxima seria melhor. Esse otimismo faz parte da vida do agricultor e é isso que nos mantém firmes.”
Essa visão também influencia a forma como ele enxerga a sucessão familiar. Para César, assumir responsabilidades na propriedade nunca significou ocupar o lugar dos pais, mas continuar uma história que começou muito antes da sua geração.
“Eu estou nessa função de sucessor, mas, para mim, sucessão não significa substituir ninguém. Significa dar continuidade ao que eles construíram. Hoje nós trabalhamos juntos e seguimos construindo essa história como família.”
Valmor observa com satisfação o interesse do neto pela atividade rural e vê na terceira geração a continuidade do legado iniciado ainda na década de 1970. “Eu também nasci e me criei na roça. Hoje vejo meu neto vindo para a fazenda, gostando desse ambiente e aprendendo a trabalhar com as máquinas. Isso dá muito orgulho.”
Mais do que preservar um patrimônio, a família Giacomolli acredita que o maior legado está nos valores transmitidos entre as gerações: responsabilidade, dedicação, respeito à terra e confiança no futuro.
Por isso, César faz questão de deixar uma reflexão para os jovens que também se preparam para assumir o comando das propriedades rurais. “É importante que a nossa geração trabalhe da melhor forma possível para que as próximas também tenham condições de continuar essa história. O legado que recebemos precisa ser fortalecido todos os dias para seguir adiante.”
Cinco décadas depois da mudança que levou a família ao Mato Grosso, a propriedade continua sendo palco da mesma história iniciada por Valmor e Neusa, uma história construída com coragem para recomeçar, disposição para enfrentar os desafios do campo e a certeza de que o verdadeiro legado não está apenas na terra cultivada, mas nas pessoas preparadas para continuar cuidando dela.
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