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Produtores buscam alternativas aos insumos importados e investem em sustentabilidade

Com o aumento no custo dos insumos agrícolas e a forte dependência de produtos importados, produtores rurais têm buscado alternativas para manter a rentabilidade no campo.
Entre as principais estratégias está a adoção da agricultura regenerativa e de modelos biossustentáveis, que prometem reduzir custos, preservar o meio ambiente e garantir produtividade.
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Na cidade de Chapecó, em Santa Catarina, a família Geller aposta na diversificação de culturas e no uso de práticas sustentáveis após enfrentar queda na produtividade com o sistema convencional.
A propriedade conta com cerca de 20 estufas de cultivo protegido e produção a céu aberto, só de morango, são aproximadamente 10 mil pés em sistema semi-hidropônico. Já nas hortaliças, a produção semanal de alface e rúcula varia entre 5 mil e 8 mil pés, além de outras culturas como couve, repolho e temperos.
Há 18 anos atuando na olericultura, a família decidiu investir em um modelo baseado na agricultura biossustentável. A mudança veio da necessidade de reduzir custos e buscar alternativas menos agressivas à saúde e ao solo.
“Com uma parceria entre faculdade e empresas privadas, estamos tentando buscar algo que seja menos impactante, primeiramente, para nós mesmos, para a saúde e para o bolso”, explica o produtor rural, Lucas Miotto Gheller.
A solução que está em fase de implantação na propriedade prioriza o uso de recursos biológicos com redução de insumos químicos e foco na saúde do solo.
“Nós trabalhamos exatamente o equilíbrio, 14 nutrientes adicionados para equilibrar esse solo. E o principal ácidos úmicos e fúlvicos. Você trabalha uma fórmula de nutrientes mais complemento, o famoso enchimento, um solo extremamente duro, com baixa absorção de água, seco e muito salino”, destaca Wanderlei Enderle.
“Se colocar isso aqui na boca, você vai achar que se colocou um grão de de cloreto de sódio, de sal, mas de verdade é cloreta de potássio e algum afloramento até de fósforo, fosfatos”, completa.
Aplicação
Em outra propriedade acompanhada por pesquisadores, o uso de fertilizantes produzidos dentro da própria fazenda apresentou desempenho superior ao sistema convencional. No cultivo de milho, a média de produtividade em quatro anos chegou a 163 sacas por hectare com manejo biológico, frente a 143 sacas no modelo tradicional.
Além da redução de custos, a produção dentro da fazenda diminui a dependência de insumos externos e aumenta a eficiência econômica. Segundo especialistas, esse é um dos pilares da agricultura regenerativa, que pode ser adotada de forma total ou combinada com o uso de insumos químicos.
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IBGE destaca novo Censo Agropecuário em homenagem pelos 90 anos em Sergipe

A Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) realizou nesta sexta-feira (22), em Aracaju, uma sessão especial em homenagem aos 90 anos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Durante a cerimônia, o presidente do órgão, Marcio Pochmann, afirmou que o instituto prepara o planejamento para o período de 2026 a 2032 e citou, entre os próximos desafios, a realização do Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola.
A solenidade ocorreu no plenário do Palácio Governador João Alves Filho e reuniu mais de 200 participantes, segundo a Agência de Notícias da Alese. Estiveram presentes o presidente do IBGE, Marcio Pochmann; o superintendente do instituto em Sergipe, Fabio Albuquerque; além de representantes de servidores aposentados, efetivos e contratados.
Em sua fala, Pochmann disse que o IBGE se prepara para ampliar as investigações estatísticas além de suas atividades tradicionais. Entre os levantamentos mencionados, destacou o Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola, ao lado de novos projetos, como o censo da população em situação de rua e o levantamento de brasileiros que vivem fora do país.
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A referência ao próximo censo do setor rural tem relevância para produtores, cooperativas, pesquisadores e formuladores de políticas públicas, porque esse tipo de levantamento reúne informações sobre estrutura produtiva, uso da terra, perfil dos estabelecimentos, produção animal e vegetal e características da atividade no campo. Esses dados são usados como base para análises de mercado, programas de crédito, planejamento logístico e desenho de políticas para cadeias produtivas.
Ao longo da sessão, representantes do instituto destacaram o papel do IBGE na produção de dados estatísticos e geocientíficos sobre população, economia e território. O superintendente em Sergipe, Fabio Albuquerque, afirmou que o órgão percorre todo o país para levantar informações em diferentes pesquisas. Já o deputado Georgeo Passos, que presidiu a cerimônia, ressaltou a credibilidade institucional do IBGE.
A programação comemorativa dos 90 anos do instituto pode ser acompanhada em portal oficial. O conteúdo divulgado informa ainda que a matéria original estava em atualização, sem detalhamento adicional sobre cronograma, metodologia ou data de realização do novo Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola.
A menção ao novo censo indica que o IBGE pretende ampliar a base de informações para o planejamento nacional nos próximos anos. Até o momento, porém, não foram apresentados na cerimônia detalhes operacionais, orçamento ou calendário do levantamento voltado ao setor agropecuário.
Fonte: agenciadenoticias.ibge.gov.br
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Conab aponta melhora pontual no milho, mas seca mantém risco em áreas tardias

As chuvas registradas entre 1º e 21 de maio melhoraram as condições de parte das lavouras no Brasil, mas não foram suficientes para reverter o quadro de risco no milho segunda safra plantado mais tarde no centro do país e no Matopiba. Em boletim divulgado nesta quinta-feira (22), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou que a safra 2025/26 apresenta comportamento regional desigual, com recuperação em alguns estados e manutenção da pressão hídrica em outros.
Segundo a Conab, os maiores volumes de chuva ocorreram no norte da Região Norte, no leste do Nordeste e em parte da Região Sul. O cenário beneficiou o milho segunda safra no Pará e no Paraná, além de permitir o início da semeadura do feijão e do milho terceira safra no Sealba, região que abrange áreas de Sergipe, Alagoas e nordeste da Bahia.
Em Mato Grosso do Sul, parte de Mato Grosso e São Paulo, chuvas mais intensas em alguns períodos, combinadas com temperaturas mais baixas, ajudaram a preservar a umidade do solo e o desenvolvimento das lavouras. Em Mato Grosso, a maior parte das áreas teve precipitações suficientes para o enchimento de grãos, embora regiões do leste do estado, com plantio mais tardio, já apresentem redução de potencial produtivo.
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O quadro mais restritivo permanece em Goiás, Minas Gerais e no Matopiba. Em Goiás, a Conab informou que grande parte das lavouras entrou em fase reprodutiva sob redução ou ausência de precipitações, condição que já compromete o potencial da cultura no estado. Em Minas Gerais, chuvas fracas e irregulares também reduziram o potencial produtivo, e parte das áreas em desenvolvimento vegetativo não deverá ser colhida.
A análise por imagens de satélite mostra que o índice de vegetação ficou próximo ao da safra passada na maior parte das áreas monitoradas, com melhora em Mato Grosso do Sul e Paraná. Já em Goiás, Minas Gerais e no Matopiba, houve deterioração do indicador. No Matopiba, o boletim registra atraso no plantio, possível redução de área e antecipação do ciclo nas lavouras tardias.
Na soja, a colheita está praticamente encerrada, com 97% da área colhida no Rio Grande do Sul. No trigo, Paraná e Mato Grosso do Sul apresentam boas condições iniciais, enquanto Goiás e Minas Gerais seguem em atenção no cultivo de sequeiro. No algodão, Mato Grosso e Bahia mantêm desenvolvimento considerado satisfatório.
O boletim da Conab indica que a regularidade das chuvas nas próximas semanas seguirá como fator decisivo para consolidar ou limitar o potencial produtivo das áreas mais tardias, especialmente no milho segunda safra de sequeiro. Sem novos volumes consistentes, a recuperação tende a permanecer regionalizada.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Feijão entra em fase de volatilidade extrema e baixa previsibilidade

O mercado brasileiro do feijão atravessa um momento raro de convergência altista entre fundamentos estruturais, risco climático e forte deterioração da oferta disponível.
Contudo, a atual escalada de preços não nasce de um único fator isolado, mas sim da soma entre redução contundente de área, atraso de colheita, quebra qualitativa, estoques apertados, dificuldades logísticas e um ambiente climático extremamente adverso para uma cultura reconhecidamente sensível.
O resultado é um mercado físico em evidente estado de estresse. O produto superior praticamente desapareceu, enquanto compradores operam sob forte pressão de reposição. Mesmo com liquidez mínima, os preços seguem renovando máximas, num ambiente em que poucos negócios acabam redefinindo toda a referência de mercado.
Mais do que um aperto quantitativo, o feijão vive hoje um aperto qualitativo. E talvez este seja o principal diferencial deste ciclo.
O avanço dos preços do feijão carioca já pode ser classificado como um dos movimentos mais agressivos dos últimos anos. No FOB, o interior paulista passou a testar R$ 500, enquanto o noroeste mineiro trabalha próximo de R$ 470.
Velocidade de valorização
O dado mais importante, porém, talvez não seja apenas o preço absoluto, mas a velocidade da valorização. Em poucas semanas, o mercado saiu de uma faixa considerada relativamente confortável para um ambiente de disputa intensa por mercadoria pronta.
Historicamente, movimentos dessa magnitude costumam ocorrer quando o mercado percebe risco concreto de desabastecimento relativo entre safras. E este parece ser exatamente o caso atual.
O Paraná, principal origem da segunda safra, sofreu uma redução extremamente severa de área. A segunda safra paranaense perdeu cerca de 24% da área total, enquanto algumas leituras do mercado apontam retrações ainda mais expressivas nas áreas efetivamente comerciais de feijão superior. Na primeira safra, a queda ultrapassou 32% no estado.
Em termos nacionais, o Brasil também recuou área tanto na primeira quanto na segunda safra, reduzindo ainda mais a margem de segurança do abastecimento interno. O agravante é que o ganho de produtividade não foi suficiente para compensar a perda estrutural de área. O clima transformou um mercado ajustado em um mercado explosivo.
Até o início de maio, o mercado já operava firme. Mas a sequência climática ocorrida no Sul do país alterou completamente a percepção de risco. As geadas registradas na primeira quinzena de maio no Paraná funcionaram como um gatilho psicológico e fundamentalista ao mesmo tempo. Regiões importantes para a segunda safra, como Campos Gerais, sudoeste e áreas de baixada, registraram temperaturas próximas de zero, além de episódios de congelamento superficial e paralisação metabólica das plantas.
O problema não está apenas na possibilidade de quebra de produtividade. O mercado teme principalmente a deterioração da qualidade física do grão. No feijão, qualidade vale prêmio. E neste momento, vale muito prêmio.
A sequência de frio intenso seguida por umidade e chuvas elevou o temor sobre perda de peneira, escurecimento precoce, manchamento, abortamento de flores, redução de peso e maior incidência de defeitos visuais.
O feijão de escurecimento lento virou praticamente uma categoria rara dentro do mercado brasileiro. A estabilidade visual passou a ser um fator central de precificação, principalmente para empacotadoras e grandes marcas.
Se o Paraná já preocupa pela quebra estrutural de área e pelo risco climático, Minas Gerais deixou de ser a válvula de escape esperada pelo mercado. O excesso de chuvas no início do ano comprometeu a janela ideal de plantio da safrinha mineira, atrasou o desenvolvimento das lavouras e reduziu o potencial produtivo em diversas regiões.
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Além disso, boa parte do volume produzido permanece dentro do próprio estado para abastecimento regional, reduzindo ainda mais a disponibilidade interestadual. O mercado, portanto, perdeu simultaneamente duas importantes origens de alívio.
Durante boa parte do primeiro trimestre, o feijão preto operou relativamente pressionado diante da forte valorização do carioca. Porém, a diferença excessiva entre os dois mercados acabou acelerando o efeito substituição. E o mercado percebeu isso rapidamente.
Feijão preto ganhou tração
Com o consumidor buscando alternativas mais acessíveis, o feijão preto ganhou tração no varejo e começou a reduzir estoques de maneira acelerada. O que inicialmente parecia apenas um movimento de migração temporária começa agora a assumir características estruturais.
No FOB, o interior paulista já rompeu R$ 260 por saca. O Paraná já trabalha com negócios acima de R$ 250, enquanto pedidas já chegam a R$ 300. Santa Catarina também entrou em forte valorização, buscando os R$ 240 por saca.
A questão mais relevante é que o feijão preto possui elevada dependência produtiva justamente das regiões que sofreram cortes de área e eventos climáticos recentes. Ou seja: o mercado começa a precificar não apenas a escassez atual, mas principalmente o risco de escassez futura.
Mesmo com preços historicamente elevados, não existe pressão real de venda. A indústria segue comprando apenas necessidades imediatas, numa estratégia defensiva clássica de mercado travado. Isso reduz liquidez, mas aumenta perigosamente a sensibilidade do mercado. Em ambientes assim, qualquer problema climático adicional, atraso logístico ou ausência pontual de lotes superiores pode provocar novas disparadas.
Ao mesmo tempo, o varejo começa a testar seus próprios limites. A grande dúvida do setor passa a ser a elasticidade do consumo. Até que ponto o consumidor conseguirá absorver um feijão carioca premium trabalhando próximo ou acima de R$ 10 por quilo na gôndola?
Essa talvez seja hoje a principal trava para movimentos ainda mais agressivos. A terceira safra deixou de ser complementar e virou estratégica. Outro ponto extremamente importante é a mudança estrutural de importância da terceira safra 2025/26. Historicamente vista como complementar, ela passa agora a assumir papel central no abastecimento brasileiro do segundo semestre.
Com produção potencial próxima de 700 mil toneladas, qualquer problema climático nessa etapa pode alterar completamente o equilíbrio nacional de oferta e demanda. E o mercado sabe disso!
As preocupações envolvendo possível consolidação de El Niño e excesso de umidade no Sul ampliam ainda mais o grau de incerteza para arroz e feijão irrigado. Neste momento, o mercado trabalha praticamente no curtíssimo prazo, avaliando semana a semana o avanço da colheita, qualidade física, comportamento do varejo, intensidade das geadas, capacidade de repasse, reposição da indústria, evolução do consumo e formação dos estoques.
Embora o ambiente seja claramente altista, também é importante evitar leituras simplistas ou excessivamente emocionais. Mercados de feijão historicamente possuem forte componente psicológico e elevada volatilidade. Movimentos abruptos de alta podem ser seguidos por períodos de travamento comercial, redução de liquidez e acomodação temporária do consumo.
Além disso, preços excessivamente elevados acabam incentivando: substituição alimentar; migração entre padrões; retração do varejo; postergação de compras; maior seletividade das empacotadoras. Ou seja, o mercado também começa a enfrentar seus próprios limites naturais de sustentação.
Ainda assim, olhando os fundamentos atuais, é difícil enxergar uma reversão consistente no curto prazo enquanto persistirem: oferta física extremamente curta; baixa disponibilidade de produto superior; cortes relevantes de área; risco climático elevado; estoques apertados; atraso de colheita e retenção por parte do produtor.
Mudança de lógica
O feijão brasileiro deixou de operar apenas sob lógica de sazonalidade e passou a trabalhar sob lógica de escassez estratégica. O que está em jogo agora não é apenas quantidade, mas principalmente qualidade, regularidade de abastecimento e capacidade de reposição.
O mercado entra nos próximos meses extremamente dependente da evolução climática, da consolidação da terceira safra e da resistência do consumo diante dos preços atuais. No curto prazo, o viés ainda permanece firme, principalmente para lotes superiores. O feijão preto também parece ter mudado definitivamente de patamar, deixando para trás o papel secundário observado em outros ciclos.
A grande questão daqui para frente será entender se o mercado conseguirá sustentar preços historicamente elevados sem destruir demanda em velocidade suficiente para provocar acomodação. Até lá, o setor continuará operando em um ambiente de elevada sensibilidade, baixa margem de erro e volatilidade extrema — exatamente o tipo de cenário em que poucos lotes disponíveis acabam definindo todo o mercado.

*Evandro Oliveira é graduado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e especialista de Safras & Mercado para as culturas de arroz e feijão
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