Sustentabilidade
Vazio sanitário: a prevenção que fortalece a próxima safra – MAIS SOJA

A partir de 03/07, inicia-se o período de vazio sanitário da cultura de soja, que se estende até 30/09 no Rio Grande do Sul. Uma medida nacional que representa uma das principais estratégias de manejo da ferrugem-asiática-da-soja (Phakopsora pachyrhizi).
Durante esses 90 dias, a manutenção de plantas vivas de soja nas áreas agrícolas é proibida com o objetivo de interromper o ciclo da doença, reduzir a quantidade de inóculo disponível no ambiente e contribuir para maior eficácia das medidas de controle.
Neste ano, as condições climáticas favoreceram esse propósito. As sucessivas geadas, registradas em diversas regiões do Estado, eliminaram naturalmente grande parte das plantas voluntárias de soja que emergiram após a colheita, diminuindo significativamente a chamada “ponte verde”. Ainda assim, áreas onde persistem plantas vivas continuam representando risco para a manutenção do patógeno e merecem atenção dos produtores.
É justamente nesses focos remanescentes que se concentra a atenção durante o vazio sanitário. Mesmo em pequena quantidade, essas plantas podem servir de hospedeiras para o patógeno, favorecendo sua sobrevivência e antecipando o aparecimento da doença na safra seguinte. Por isso, o monitoramento e a eliminação das plantas voluntárias continuam sendo indispensáveis para complementar o efeito benéfico proporcionado pelas baixas temperaturas.
A importância dessa medida se torna ainda maior diante dos desafios enfrentados no controle da ferrugem-asiática. Nas últimas safras, tem sido observada menor sensibilidade do fungo a diferentes grupos de fungicidas, tornando o manejo integrado cada vez mais necessário.
Aliado ao uso de cultivares adaptadas, à semeadura dentro do calendário recomendado, ao monitoramento das lavouras e ao emprego de fungicidas com rotação de mecanismos de ação, o vazio sanitário contribui para preservar a eficácia das ferramentas disponíveis e reduzir a pressão de seleção das populações resistentes. Nenhuma tecnologia, isoladamente, é capaz de assegurar o controle da ferrugem-asiática. A combinação de práticas preventivas continua sendo o melhor caminho.
A Emater/RS-Ascar reforça a importância de os produtores aproveitarem este período para vistoriar suas áreas e eliminar eventuais plantas remanescentes. A prevenção realizada durante a entressafra é uma das ações mais eficientes e de menor custo para proteger o potencial produtivo da próxima safra.
Fonte: Emater/RS
Sustentabilidade
Ceema: Trigo recua em Chicago após relatório do USDA e chuvas prejudicam qualidade das lavouras no Brasil – MAIS SOJA

As cotações do trigo em Chicago, para o primeiro mês, chegaram a recuar para US$ 6,69/bushel no dia 13/10, fechando dois dias depois (quinta-feira, 15/10) em US$ 6,70, contra US$ 6,83 uma semana antes. Esse comportamento foi resultado dos números que vieram do relatório de oferta e demanda do USDA, anunciado na sexta-feira, dia 09/10. O mesmo apontou uma safra estadunidense de 41,7 milhões de toneladas para 2026/27, e estoques finais no país em 20,1 milhões, quando o mercado esperava um recuo nestes números em relação a setembro.
Ao mesmo tempo, a produção mundial de trigo não se alterou, ficando estimada em 822,4 milhões de toneladas e os estoques finais globais em 276 milhões. Enquanto isso, o plantio do trigo de inverno, nos EUA, chegou a 51% da área até o dia 11/10, avançando significativamente frente aos 36% registrados na semana anterior, mas ainda abaixo dos 58% da média dos últimos cinco anos. A germinação alcançou 27%, contra 16% na semana passada e 32% na média histórica.
O USDA destacou ainda que não há comparação com o mesmo período de 2025, devido à interrupção do financiamento federal em outubro e novembro do ano passado. Com isso, os relatório do avanço da colheita, referentes às semanas entre 5 de outubro e 9 de novembro de 2025 foram cancelados. Desta forma, para o cálculo da média de cinco anos, o USDA utiliza os dados publicados de 2021 a 2024 e estimativas para 2025.
Já as exportações estadunidenses de trigo, na semana encerrada em 08/10, atingiram a 305.000 toneladas, ficando dentro do esperado pelo mercado. No acumulado do atual ano comercial o total chega a 6,98 milhões de toneladas embarcadas, estando abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior.
Aqui no Brasil, enquanto a média gaúcha fechou a semana em R$ 74,15/saco, no Paraná os preços se estabilizaram entre R$ 79,00 e R$ 80,00/saco. A colheita no Paraná atingia a 75% da área até o dia 12/10. O clima chuvoso tem provocado perdas importantes, especialmente de qualidade. No Rio Grande do Sul, a qualidade igualmente está comprometida, com a colheita atingindo a 28% da área, enquanto no total do país a mesma chegava a 40,3% no início da presente semana.
Em termos de preços FOB, o trigo da safra anterior, no Rio Grande do Sul tem ofertas ao redor de R$ 1.600,00/tonelada, enquanto compradores oferecem R$ 1.550,00. Já a safra nova apresenta negócios pontuais em apenas R$ 1.400,00/tonelada. Enquanto isso, o triguilho fica a R$ 1.100,00/tonelada no porto. O trigo argentino tem limitado a valorização do produto gaúcho de boa qualidade, que é raro. As indicações para o trigo argentino estão em US$ 305,00/tonelada em Rio Grande e US$ 310,00/tonelada em Canoas (cf. TF Agroeconômica).
Já em Santa Catarina, a preocupação com a qualidade do cereal se soma à expectativa de redução da área cultivada e da produção na safra 2026/27. A área plantada com trigo nesse Estado deve ter diminuído cerca de 35%. A produção está estimada em 243.000 toneladas, volume aproximadamente 37% inferior ao do ano comercial anterior. “Os efeitos já aparecem nos custos de processamento. Moinhos catarinenses relatam reajuste de 11,5% nas tabelas de preços da farinha, em um ambiente de dificuldades para encontrar matéria-prima com as características necessárias”(cf. Epagri).
Enfim, a qualidade do trigo que está sendo colhido será decisiva para o mercado brasileiro do cereal em 2026/27. O cenário é bastante difícil para a comercialização nacional diante da oferta limitada de trigo tipo 1, dos problemas de qualidade identificados em diferentes regiões e da concorrência argentina.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).
Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
Sustentabilidade
Preços agrícolas disparam com alta de soja, milho e arroz, aponta Cepea

Os preços recebidos pelos produtores agropecuários brasileiros registraram alta de 3,62% em setembro, na comparação com agosto, impulsionados principalmente pela valorização dos grãos. Os dados são do Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/Cepea), divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) nesta quinta-feira (15).
O principal destaque do mês foi o grupo dos grãos, que apresentou valorização de 6,58%. Também houve aumento nos preços dos produtos da pecuária, de 2,08%, e do grupo formado por cana-de-açúcar e café, de 0,15%. Em contrapartida, os hortifrutícolas registraram queda de 3,98%.
Entre os produtos que contribuíram para a alta do índice estão algodão, arroz, milho, soja, trigo, boi gordo, frango vivo, suíno vivo, leite, batata, tomate e cana-de-açúcar. Por outro lado, ovos, banana, laranja, uva e café apresentaram recuos, pressionando os resultados de seus respectivos grupos.
Segundo o Cepea, o desempenho dos preços agropecuários em setembro superou o registrado pelos preços industriais. No mesmo período, o Índice de Preços por Atacado – Oferta Global – Disponibilidade Interna (IPA-OG-DI) avançou 1,57%, abaixo da valorização de 3,62% observada no IPPA/CEPEA.
No mercado internacional, os preços dos alimentos em dólares subiram 1,48% em setembro. Entretanto, a valorização de 0,16% do real frente à moeda norte-americana reduziu o impacto desse movimento no mercado brasileiro. Com isso, os preços internacionais dos alimentos convertidos em reais registraram aumento de 1,31%.
Preços agropecuários acumulam queda em 2026
Apesar da recuperação registrada em setembro, os preços recebidos pelos produtores ainda apresentam retração na comparação anual.
Entre janeiro e setembro de 2026, o IPPA/CEPEA acumulou queda de 6,56% em relação ao mesmo período de 2025. Todos os grupos analisados apresentaram variações negativas, com destaque para cana-de-açúcar e café, que registraram a maior retração, de 20,90%.
Os hortifrutícolas acumularam queda de 8,58%, enquanto os grãos apresentaram recuo de 3,49%. Na pecuária, a redução foi de 2,54% na mesma base de comparação.
O desempenho contrasta com o comportamento dos preços industriais, que registraram alta de 1,24% no período, segundo o IPA-OG-DI.
No cenário internacional, os preços dos alimentos acumularam queda de 8,39% quando convertidos em reais, apesar da leve valorização de 0,75% em dólares.
Essa diferença está relacionada ao comportamento do câmbio. Na comparação entre janeiro e setembro de 2026 e o mesmo intervalo do ano anterior, o real apresentou valorização de 8,96% frente ao dólar, contribuindo para reduzir os preços internacionais dos alimentos quando expressos na moeda brasileira.
Assim, embora setembro tenha sido marcado pela recuperação das cotações agropecuárias, especialmente dos grãos, o balanço dos nove primeiros meses do ano ainda aponta preços inferiores aos registrados em 2025.
Sustentabilidade
Colheita da canola avança no RS marcada por perdas de qualidade e custos de secagem – MAIS SOJA

As lavouras de canola estão predominantemente em maturação e colheita. O encerramento do ciclo em um período de excesso de precipitações e de elevada umidade impactou negativamente as operações de colheita, aumentando os riscos de germinação dos grãos ainda nas síliquas e os custos de secagem.
Há diferenças expressivas entre lavouras e municípios, relacionadas às condições ambientais, ao nível de investimento e ao manejo adotado. Em algumas áreas severamente
atingidas, a produtividade projetada pode não compensar os custos de colheita, enquanto outras mantêm rendimentos próximos das expectativas iniciais.
A área cultivada no Estado está estimada em 353.397 hectares, e a produtividade média projetada em 1.619 kg/ha. Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, o início de um período sem chuvas permitiu a realização dos trabalhos de colheita em pequenas áreas em Itaqui, Maçambará, Manoel Viana, Itacurubi e São Gabriel. Em São Borja, 5% dos 13.500 hectares cultivados já foram colhidos, com produtividades apresentando variação significativa.
Essas diferenças estão relacionadas às condições meteorológicas ao longo do ciclo, ao nível de investimento e ao manejo adotado. Como 75% das lavouras do município estão em fase de maturação, há grande apreensão devido à previsão de precipitações volumosas para os próximos dias, o que eleva os riscos de perdas por debulha natural e redução da qualidade dos grãos. Em Manoel Viana, pequenas áreas colhidas apresentaram rendimento dentro das expectativas iniciais.
Na de Erechim, 65% dos cultivos se encontram em fase de formação de síliquas e em enchimento de grãos, e 35% já foram colhidos. Na de Frederico Westphalen, estão 10% em enchimento de grãos, 40% em maturação e 50% colhidos. Na de Ijuí, a colheita alcança 16% da área e está sendo realizada com teor de umidade muito acima do adequado a fim de evitar o aumento de perdas por debulha e por germinação de sementes nas síliquas.
Em Tenente Portela, onde há uma pequena área plantada como primeira experiência dos produtores com a cultura, a colheita foi concluída. O rendimento das lavouras ficou abaixo do esperado, variando entre 1.140 a 1.620 kg/ha. Porém, apesar das condições climáticas adversas, os produtores avaliaram positivamente a cultura em comparação ao trigo. Nos demais municípios com área mais expressiva, a colheita está apenas se iniciando.
Na de Passo Fundo, as lavouras se distribuem em formação de síliquas e enchimento de grãos (10%), maturação de colheita (40%) e colhidas (50%). Na de Santa Rosa, os cultivos se distribuem nas fases de enchimento de grãos (11%), maduros(54%) e colhidos(35%). Nas regiões mais atingidas pela ocorrência de granizo, além da deiscência das síliquas maduras, observaram-se danos severos nos caules e nos ramos das plantas, comprometendo as síliquas mais verdes que não haviam sido atingidas diretamente. Os produtores avaliam que parte das áreas não possui viabilidade econômica para a realização da colheita, uma vez que a produtividade não cobrirá os custos da operação. Em lavouras com síliquas intactas, a colheita será realizada para mitigar prejuízos e fracionar a palha da cultura, favorecendo a operação de semeadura do próximo cultivo.
Na de Soledade, 10% das lavouras se encontram em enchimento de grãos, 30% em maturação fisiológica, 40% em maturação de colheita e 20% colhidas. A rápida evolução dos estádios finais de desenvolvimento se deve ao uso da dessecação para acelerar e uniformizar a maturação.
Comercialização (saca de 60 quilos)
Na região de Ijuí, o preço médio praticado é de R$ 141,00, com variação entre R$ 135,00 e R$ 150,00. Em Santa Rosa, a cotação média praticada foi R$ 144,53. O preço praticado em Bagé e Dom Pedrito é de R$ 143,00.
Fonte: Emater/RS
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