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9 de julho de 2026

Agro Mato Grosso

Setor produtivo leva ao Vice-presidente da República proposta de medida para o crédito rural

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Entidades defendem fundo garantidor capaz de destravar o Plano Safra, reduzir a pressão sobre as garantias dos produtores e criar proteção permanente para períodos de adversidade

Representantes do setor produtivo apresentaram, nesta quarta-feira (8), ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, uma proposta técnica para a estruturação de um Fundo Garantidor de Risco de Crédito do Agro. A medida busca assegurar que os recursos anunciados para o Plano Safra 2026/27 se convertam, efetivamente, em financiamento disponível para o produtor rural.

 

A iniciativa resulta de uma articulação técnica e institucional que reúne entidades representativas do setor produtivo de Mato Grosso e de âmbito nacional: os produtores de soja e milho, por meio da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil; os produtores de algodão, representados pela Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa) e pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa); o sistema sindical rural, representado pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato); e representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Participaram das agendas Fabrício Rosa, Diretor Executivo da Aprosoja Brasil, também representando a Aprosoja MT; Vilmondes Tomain, Presidente da Famato; Dr. Rodrigo Bressane, Assessor Jurídico da Famato; Decio Tocantins, Diretor Executivo da Ampa; Carlos Ernesto Augustin, Conselheiro da Ampa; Marcio Portocarrero, Diretor Executivo da Abrapa; Guilherme Rios, assessor técnico da CNA, além de outros representantes de entidades e autoridades que ajudaram a reforçar o pleito.

 

Além da reunião com o vice-presidente, a proposta foi tratada em agendas com o Ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula e com a Secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Débora Freire.

O setor agropecuário enfrenta uma combinação de compressão de margens, juros elevados, perdas de renda, eventos climáticos, conflitos geopolíticos, maior seletividade bancária e crescente comprometimento das garantias patrimoniais. Mesmo produtores economicamente viáveis e em plena atividade encontram dificuldades para acessar novos recursos. Em muitos casos, o patrimônio já está vinculado a operações anteriores, enquanto as instituições financeiras passaram a exigir garantias adicionais e critérios mais rigorosos de fluxo de caixa e classificação de risco.

 

As entidades destacam que a renegociação e o alongamento das dívidas constituem uma agenda distinta, atualmente em discussão pelo Poder Executivo e pelo Congresso Nacional, por meio da proposta de Medida Provisória e do Projeto de Lei nº 5.122/2023. A proposta apresentada nesta quarta-feira possui um objetivo distinto: assegurar crédito novo para o custeio da próxima safra e, ao mesmo tempo, pavimentar o caminho para a construção de um instrumento permanente e verdadeiramente transformador.

 

“Embora a autorização para a participação do Tesouro em fundos garantidores esteja prevista tanto no PL 5.122 quanto na proposta de Medida Provisória discutida pelo Governo, entendemos que, sem articulação política e institucional, aporte público inicial e regulamentação célere e objetiva, um instrumento altamente promissor como esse pode simplesmente não sair do papel. É justamente para evitar que isso aconteça que as entidades do setor produtivo estão unindo esforços”, destacou Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja Brasil e da Aprosoja MT.

 

Plano Safra pode ser frustrado pela exaustão das garantias

 

Embora o Governo Federal tenha anunciado recursos para custeio e investimento, a disponibilidade nominal de funding não assegura, por si só, que o financiamento chegará ao produtor. A exaustão das garantias pode provocar uma frustração sem precedentes na execução do Plano Safra. Sem acesso ao crédito, produtores poderão reduzir a área plantada, adiar investimentos ou diminuir a utilização de fertilizantes, defensivos, sementes e tecnologias.

 

Esse cenário compromete a produtividade, agrava a crise econômica no campo e pode produzir reflexos sobre a oferta e o preço dos alimentos no mercado. “Não basta anunciar recursos se o crédito não consegue chegar ao produtor. Hoje, parte relevante do problema está na percepção de risco e na exaustão das garantias. O fundo garantidor atua exatamente nesse ponto, sem eliminar a análise bancária e sem transferir integralmente o risco ao Poder Público”, destacou Lucas Costa Beber.

 

Proposta em duas etapas

 

A proposta prevê implementação em duas etapas. Como medida imediata, as entidades defendem a criação de uma carteira ou patrimônio segregado no âmbito do FGI-PEAC, administrado pelo BNDES, com aporte inicial de R$ 8 bilhões pelo Tesouro Nacional.

 

A expectativa é que esse patrimônio permita alavancar até R$ 80 bilhões em novas operações de custeio rural. O produtor contribuirá com 1% do valor de cada operação garantida. O crédito terá como referência o custo médio de custeio por hectare da cultura efetivamente explorada, limitado a R$ 25 milhões por tomador. As operações garantidas pelo fundo terão prazo de até oito anos, com dois anos de carência.

 

O fundo poderá cobrir parcialmente o risco das operações, preservando a análise de crédito, a capacidade de pagamento e a retenção de parcela relevante do risco pelas instituições financeiras. A cobertura deverá produzir redução proporcional das garantias adicionais exigidas do produtor. O mecanismo será destinado exclusivamente a crédito novo para implantação, condução e colheita da safra. Não será utilizado para garantir dívidas antigas, operações inadimplentes ou renegociações já deterioradas.

 

A segunda etapa prevê, a partir de 2027, a criação de um fundo garantidor permanente, com participação da União, dos estados e dos municípios.

 

Solução estruturante

 

Especialistas consultados pelas entidades avaliam que os fundos garantidores representam uma evolução necessária para a política agrícola brasileira. Em vez de concentrar esforços apenas na oferta de recursos e na equalização de juros, o Plano Safra poderá avançar progressivamente para uma política mais robusta de gestão e compartilhamento de riscos.

 

Fundos garantidores são instrumentos já testados. Quando adequadamente estruturados, combinam cobertura parcial por operação, limite de perdas por carteira, contribuição dos beneficiários, remuneração do patrimônio e recuperação dos créditos honrados.

 

Esse desenho assegura maior longevidade e eficiência ao mecanismo. Ao longo do tempo, o fundo funciona como um colchão financeiro capaz de absorver períodos de adversidade sem exigir, a cada crise, novas e severas pressões sobre o orçamento público.

 

A participação de estados e municípios no fundo permanente também permitirá construir uma política federativa, inspirada na lógica de responsabilidade compartilhada do Garantia-Safra, com maior capacidade de atendimento às realidades produtivas regionais. O fundo garantidor apresenta ainda um importante efeito multiplicador: o aporte público não substitui o crédito concedido pelo sistema financeiro, mas serve de base para mobilizar volume muito superior de financiamento.

 

Para as entidades, esse é o momento de construir soluções que não apenas respondam à crise atual, mas reduzam, ano após ano, a necessidade de medidas emergenciais, renegociações extraordinárias e novos desembolsos públicos.

 

A estruturação de uma política permanente de garantias poderá representar um legado para o financiamento agropecuário, ao preservar o acesso ao crédito, fortalecer a gestão de riscos e assegurar condições para que produtores economicamente viáveis continuem plantando, produzindo e abastecendo o país.

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Agro Mato Grosso

Colheita do algodão começa em MT com alta produtividade

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Os produtores de algodão de Mato Grosso começam a movimentar as máquinas no campo com boas expectativas para a safra. Segundo boletim da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), entre 28 de junho e 3 de julho, a colheita avançou de forma gradual, alcançando cerca de 3% da área plantada. Em várias regiões, a expectativa de produtividade varia entre 280 e 330 arrobas por hectare, patamar considerado bastante positivo pelo setor.

O início dos trabalhos exigiu paciência devido às chuvas recentes. De acordo com o relatório, a umidade provocou danos pontuais em algumas propriedades, derrubando parte das maçãs de algodão e causando o apodrecimento de algumas cápsulas da planta. Por outro lado, as precipitações contribuíram para aumentar o peso do algodão que completou seu desenvolvimento mais tardiamente, ajudando a equilibrar os resultados.

A tendência é de aceleração do ritmo da colheita, impulsionada pela volta do tempo firme e pelas usinas já preparadas para processar a fibra. Paralelamente, o combate ao bicudo-do-algodoeiro, identificado em áreas próximas a matas nativas, continua. O monitoramento e o controle da mosca-branca e de lagartas também seguem intensificados.

Mesmo com os contratempos provocados pelo clima recente e a necessidade de um controle rigoroso de pragas na reta final da safra, a avaliação do setor é positiva. Com a previsão de condições climáticas favoráveis, o cenário em Mato Grosso permanece promissor para uma boa colheita, à medida que os trabalhos avançam em todo o estado.

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Agro Mato Grosso

Apro360 recebe deputada federal Gisela para debater desafios do agro em MT

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A entrevista completa está disponível nos canais oficiais da Aprosoja Mato Grosso

O podcast Apro360, da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), iniciou o segundo semestre com a participação, excepcionalmente nesta terça-feira (07.07), da deputada federal Gisela Simona. Durante o bate-papo, foram discutidos temas estratégicos para o agronegócio, o desenvolvimento de Mato Grosso e as principais pautas em tramitação no Congresso Nacional que impactam diretamente o setor produtivo.

Ao longo da entrevista, a parlamentar destacou a importância do agronegócio para a economia mato-grossense e afirmou que compreender as demandas do setor é essencial para construir políticas públicas mais eficientes e alinhadas à realidade do campo.

“Os desafios da Embrapa foi algo que me chamou muita atenção. A gente vê esse órgão com potencial gigante de pesquisa para o nosso estado, mas com baixíssimo investimento público. A gente sabe que ela sobrevive com ajuda privada. A gente vê que a tecnologia mais avançada é um desafio do agro e é algo que nós precisamos estar atentos para o que podemos fazer de melhor”, salientou.

Entre os assuntos debatidos, Gisela Simona destacou que o endividamento dos produtores rurais, o fortalecimento do seguro agrícola e a segurança jurídica no campo estão entre as pautas prioritárias que precisam avançar no Congresso Nacional para garantir mais estabilidade ao setor.

“Das pautas mais atuais, a questão do endividamento é algo muito preocupante. Esse processo de renegociação das dívidas do setor é algo preocupante. Nós precisamos desse projeto aprovado o quanto antes. Eu briguei muito na Câmara dos Deputados no sentido de termos a “falência da pessoa física”, porque com a taxa de juros alta, infelizmente, cada vez é mais comum ter pessoas devendo mais do que tem, por isso ter parâmetros melhores para renegociação é algo importante. Então esse refinanciamento é algo positivo e que o nosso parlamento precisa entregar essa pauta para o Brasil. Outra pauta, que precisamos avançar é sobre o seguro agrícola para dar uma proteção maior quanto aos riscos e intempéries que junto ao banco. Nós temos também a questão da segurança jurídica das propriedades em Mato Grosso, inclusive com o Programa Tolerância Zero para as invasões de terras, o que eu considero extremamente relevante”, citou.

Outro tema abordado durante o episódio foi a permanência dos jovens no campo. Para a deputada, investir em escolas públicas de tempo integral na zona rural pode contribuir para a formação de novas gerações de produtores e ampliar as oportunidades de desenvolvimento nas comunidades rurais.

“Nós precisamos fazer com que os nossos jovens e adolescentes fiquem no campo. Nós sabemos que é um grande desafio da modernidade. Incentivarmos os nossos jovens a estarem à frente da agricultura. E a escola em tempo integral daria essa oportunidade de ter o ensino regular, mas ao mesmo tempo, ter esse incentivo ora com capacitação, ora com pequenas atividades, como por exemplo a produção de uma horta que fomenta a questão no campo. Vejo que é um desafio, mas relevante visto que vir buscar uma vida melhor na cidade já não é a melhor opção. Então acredito que nós precisamos construir isso”, disse.

A infraestrutura logística também esteve entre os assuntos discutidos. Segundo Gisela Simona, a burocracia envolvendo licenciamentos ambientais e questões fundiárias ainda representa um dos principais entraves para a realização de obras estruturantes em Mato Grosso.

“Esse período de três anos dentro da Câmara dos Deputados para tentar destravar as obras de Mato Grosso por conta da questão ambiental e indigena. É um desafio gigante que nós temos. É algo que tem travado bastante o desenvolvimento do nosso estado. Eu sou uma pessoa que sou adaptada a defesa ambiental, mas acredito que exista um limite para não travarmos o desenvolvimento do nosso estado. É respeitar as culturas, mas também respeitar a necessidade de avançar de forma sustentável e sadia. Seja ferrovia, seja novas vias terrestres que precisamos implementar, mas que muitas vezes estão travadas. O nosso grande gargalo é a burocracia que enfrentamos com os travamentos, ora de licenciamento ambiental e de autorização para que a gente avance”, destacou Gisela Simona.

Durante a conversa, a deputada também ressaltou o crescimento da participação feminina no agronegócio e a importância de fortalecer iniciativas que ampliem o protagonismo das mulheres em diferentes segmentos da produção rural.

“É fundamental dar destaque a quantidade de mulheres que participam do agro hoje. É uma pauta que eu vejo que é fundamental, desde a agricultura familiar e em vários municípios de Mato Grosso, o evento da mulher rural desde a simples produção até grandes empresárias. É de extrema relevância, pois gera emprego, riqueza e faz circular o dinheiro de alguma forma. Vejo que o agronegócio, na medida que avança, tem essa preocupação com projetos sociais e a participação das mulheres”, pontua.

O episódio reforça o compromisso do Apro360 em promover debates sobre temas estratégicos para o agronegócio, aproximando produtores rurais, especialistas e representantes do poder público das discussões que influenciam diretamente o desenvolvimento do setor. A entrevista completa com a deputada federal Gisela Simona está disponível nos canais oficiais da Aprosoja MT no YouTube e no Spotify.

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UPL nomeia Déborah Cavalcante como gerente de comunicação

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Executiva tem passagem por empresas como Rainbow Agro, Bayer e Syngenta

Déborah Cavalcante foi nomeada para o cargo de gerente de comunicação da UPL. A profissional soma mais de dez anos de experiência em comunicação e branding estratégico, com atuação na América Latina, Europa e Ásia.

Antes da UPL, Déborah atuou como gerente de branding e comunicação da Rainbow Agro, entre abril de 2024 e junho de 2026. Na empresa, estruturou e expandiu a comunicação corporativa, com ações em relações públicas, eventos, campanhas digitais e comunicação interna. Também liderou a primeira campanha institucional da companhia, com implementação em países da América Latina e da Europa.

Entre dezembro de 2020 e abril de 2024, trabalhou como coordenadora de comunicação de marketing e branding na Bayer Crop Science. No período, gerenciou a comunicação de marca de biotecnologia no segmento de sementes e participou do lançamento de uma iniciativa estratégica no setor de biotecnologia.

A executiva também passou pelo Sindiveg, onde atuou como coordenadora de marketing, comunicação e relações públicas em 2020. Antes disso, trabalhou no Grupo ECI, na Synapse, na Syngenta e na Uni Design e Comunicação.

Sua trajetória inclui projetos de marketing digital e tradicional, storytelling corporativo, relações públicas, comunicação interna, planejamento de eventos e arquitetura de marca. Déborah também colaborou com equipes multiculturais em diferentes continentes, com foco em estratégias alinhadas a objetivos globais e impacto local.

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