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Crédito problemático em Mato Grosso se aproxima de 20% e pressiona sustentabilidade financeira no campo

O maior estado produtor de grãos do país também enfrenta um desafio crescente fora da porteira. Levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostra que o crédito rural considerado problemático já representa 18,22% da carteira de financiamentos em Mato Grosso, o maior percentual da série histórica.
Até abril deste ano, o volume de operações inadimplentes, renegociadas e prorrogadas chegou a R$ 21,79 bilhões. Em 2022, esse índice correspondia a apenas 2,08% da carteira estadual, evidenciando a deterioração das condições financeiras enfrentadas pelos produtores nos últimos anos.
O estudo compara dois momentos distintos da agropecuária brasileira. Entre 2017 e 2021, o setor viveu um ciclo favorável, marcado por maior rentabilidade e capacidade de investimento. Já entre 2022 e 2026, a combinação de custos elevados, juros mais altos e preços menos favoráveis passou a pressionar as margens das propriedades.
A preocupação não está apenas no cenário atual, mas também na capacidade de investimento para os próximos ciclos. Para o superintendente da Famato, Imea e AgriHub, Cleiton Gauer, o aumento do crédito problemático passou a ser uma discussão estratégica para o setor. “É um ponto de grande relevância, que traz preocupação para o desenvolvimento da próxima safra e também para a perpetuidade da agropecuária mato-grossense e brasileira”.

Crédito cresceu, mas ficou mais caro
O volume de recursos utilizados pelos produtores rurais em Mato Grosso praticamente triplicou nos últimos anos. O crédito rural passou de R$ 15,58 bilhões na safra 2016/17 para R$ 47,43 bilhões em 2023/24.
Somente o custeio das lavouras de soja e milho avançou de R$ 5,65 bilhões para R$ 15 bilhões no mesmo período. O crescimento acompanhou a expansão da produção agrícola no estado, mas veio acompanhado de uma elevação no custo do financiamento.
As taxas de juros dos programas de crédito aumentaram gradualmente e a taxa Selic chegou a 14,25% ao ano, elevando o custo financeiro das operações e reduzindo a capacidade de novos investimentos por parte dos produtores.
O cenário atual é diferente do ciclo positivo vivido entre 2017 e 2021. Nos últimos anos, o produtor passou a lidar com uma combinação de menor rentabilidade e maior necessidade de capital para manter a atividade.
Inadimplência representa parte do cenário
Apesar do avanço dos indicadores, o setor destaca que os números precisam ser analisados considerando as características do financiamento agrícola em Mato Grosso.
A inadimplência superior a 90 dias chegou a 4,98% da carteira estadual, equivalente a R$ 5,25 bilhões em operações atrasadas. O percentual representa um dos sinais de pressão sobre o crédito rural, mas não mostra toda a exposição financeira dos produtores.
Isso ocorre porque parte dos recursos utilizados no campo vem de operações realizadas fora do sistema oficial de crédito rural, por meio do mercado financeiro e de outros mecanismos de financiamento.
Gauer explica ao Canal Rural Mato Grosso que essa característica faz com que o retrato da dívida rural seja mais amplo do que os dados registrados oficialmente. “O produtor se financia de outras formas, principalmente com o mercado financeiro, e nem todo esse crédito passa por dentro do Banco Central”.

Dívidas pressionam capacidade de investimento
O avanço do endividamento começa a refletir diretamente na capacidade de planejamento das propriedades. Com parte da receita comprometida com obrigações financeiras, produtores passam a ter menos margem para realizar investimentos, renovar equipamentos, ampliar tecnologias ou absorver novos custos de produção.
Esse cenário também aparece no aumento dos pedidos de recuperação judicial no agronegócio. Desde 2023, Mato Grosso lidera o ranking nacional, conforme dados da Serasa Experian. Somente em 2025, foram registrados 332 pedidos no estado, acima de Goiás, com 296, e Paraná, com 248.
Para o setor, o movimento mostra que a dificuldade financeira deixou de estar apenas relacionada ao acesso ao financiamento e passou a envolver a própria estrutura de capital das propriedades.
Produzir bem já não garante resultado financeiro
A eficiência dentro da porteira continua sendo um dos pilares do agronegócio mato-grossense, mas deixou de ser suficiente para garantir equilíbrio financeiro.
O aumento dos custos de produção e a redução dos preços recebidos pelos produtores mudaram o desafio da gestão rural. Além da produtividade, o planejamento financeiro passou a ter um peso maior nas decisões das propriedades.
Na avaliação de Gauer, o produtor precisa lidar com uma equação mais complexa, que envolve custos, preços e eficiência operacional. “Não basta somente produzir bem, como ele tem feito, porque isso não tem se traduzido em resultado financeiro”.
O superintendente destaca que o momento exige maior controle da operação para atravessar o período de pressão sobre as margens. “Conseguir equilibrar todos os pratos, tornar a operação cada vez mais eficiente e conquistar resultados tem sido o dever de casa para todos, principalmente para conseguir atravessar os momentos que temos atravessado nos últimos anos”.
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Colheita de café da Cooxupé avança para 30,9% até sexta-feira (3)

A colheita de café nas áreas de atuação da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé) atingiu 30,9% até sexta-feira (3), informou a entidade nesta quarta-feira (8). Na semana anterior, o percentual era de 24,9%. Segundo a cooperativa, os trabalhos seguem em ritmo mais lento na comparação com anos anteriores.
A Cooxupé acompanha semanalmente o andamento da safra em sua área de atuação, que abrange 370 municípios nas regiões do sul de Minas, Cerrado Mineiro, Matas de Minas e média mogiana do estado de São Paulo.
Na comparação histórica para o mesmo período, o avanço da colheita está abaixo dos percentuais registrados nos últimos anos. Nesta mesma época, o índice era de 40,4% em 2025, 51,6% em 2024, 42,7% em 2023, 33,3% em 2022, 35,6% em 2021 e 43,9% em 2020.
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Por região produtora, o maior avanço até sexta-feira (3) foi registrado no sul de Minas Gerais, com 36,6% da área colhida. Em seguida aparecem as Matas de Minas, com 35%, São Paulo, com 31,5%, e o Cerrado Mineiro, com 21,3%.
A cooperativa reúne cerca de 22 mil cafeicultores e mantém o monitoramento dos trabalhos no campo ao longo da safra. Os números mostram avanço semanal da colheita, mas ainda em patamar inferior ao observado no mesmo intervalo dos anos anteriores nas regiões acompanhadas.
Até sexta-feira (3), a colheita de café da Cooxupé somava 30,9%, com avanço sobre os 24,9% da semana anterior e desempenho abaixo do histórico recente nas principais regiões produtoras monitoradas pela cooperativa.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Esalq lançará portal com 30 mil documentos históricos digitalizados

A Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), em Piracicaba (SP), lançará em outubro o Portal Luiz de Queiroz, uma plataforma digital com cerca de 30 mil documentos históricos digitalizados. O acervo reúne registros sobre a formação do ensino agronômico brasileiro e será apresentado durante a Semana Luiz de Queiroz.
Segundo a Esalq/USP, o projeto reúne documentos inéditos de cinco acervos da instituição. A proposta é organizar e disponibilizar esse material em ambiente digital, ampliando o acesso a registros históricos ligados à trajetória do ensino superior agronômico no país.
O Portal Luiz de Queiroz foi aprovado no Ministério da Cultura por meio da Lei de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet, sob o número 243545 no Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac).
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O projeto conta com patrocínio da Usina São Martinho, Caterpillar, John Deere, Rabobank e Itaú BBA. Também recebe apoio da Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq) e da Associação dos Ex-Alunos da Esalq (Adealq).
De acordo com a instituição, a iniciativa também teve patrocínio coletivo de egressos e de repúblicas de alunos, que adquiriram réplicas em bronze do Edifício Central da Esalq. Atualmente, uma equipe de 25 pessoas atua no desenvolvimento da plataforma.
O portal ainda trará depoimentos de nomes ligados ao ensino superior e à pesquisa no Brasil. Entre eles estão o ex-aluno e ex-ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa) Roberto Rodrigues, o ex-reitor e professor da Universidade de São Paulo (USP) Jacques Marcovitch e a engenheira agrônoma e pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Soja Mariangela Hungria da Cunha.
Com lançamento previsto para outubro, o Portal Luiz de Queiroz concentrará documentos históricos digitalizados e depoimentos relacionados à formação do ensino agronômico brasileiro em uma nova plataforma da Esalq/USP.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Agro Mato Grosso
‘O sojicultor está descapitalizado. A prioridade não é investir, mas conseguir produzir’, afirma Ilson Redivo

Vice-presidente regional da Aprosoja MT avalia que o Plano Safra não atende às necessidades do setor, critica redução dos recursos e alerta para a dificuldade financeira
O presidente do Sindicato Rural de Sinop e vice-presidente regional da Aprosoja MT da região Norte, Ilson Redivo, avaliou ao Soja News que o Plano Safra 2026/27 ficou abaixo das necessidades do setor produtivo. Segundo ele, embora o governo tenha anunciado um aumento nominal dos recursos, o valor disponibilizado não acompanhou a inflação, reduzindo o poder de compra do crédito rural.
“O Plano Safra teve um aumento de recursos, mas esse aumento não cobriu a inflação. Os bilhões anunciados não são suficientes para atender à demanda do produtor”, afirmou. “O principal gargalo hoje é a redução dos recursos para custeio e comercialização. É justamente onde o produtor mais precisa de apoio neste momento”, complementou.
Segundo Redivo, o setor atravessa um período de forte descapitalização após três anos consecutivos de preços baixos das commodities, somados ao aumento dos custos de produção. A alta dos fertilizantes, dos insumos e do óleo diesel, aliada aos reflexos do cenário internacional, reduziu significativamente a margem de lucro dos produtores.
“O produtor está descapitalizado. Após três anos de preços baixos das commodities e aumento dos custos de produção, a prioridade não é investir, mas conseguir produzir”, comentou. “Muitos produtores estão com financiamentos atrasados e sem recursos para cobrir seus compromissos. A alta dos fertilizantes, dos insumos e do óleo diesel reduziu a margem de lucro da atividade.”
O diretor afirmou que, diante desse cenário, muitos agricultores enfrentam dificuldades para manter a atividade e honrar seus financiamentos. Para ele, ampliar os recursos para investimentos, enquanto se reduz o crédito para custeio, não atende à realidade vivida no campo.
“O produtor é eficiente da porteira para dentro, mas fica vulnerável às ações governamentais e ao cenário internacional, que impactam diretamente os custos de produção e a rentabilidade da atividade”, concluiu.
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