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8 de julho de 2026

Business

Operações de barter precisarão se adaptar ao uso de novo código fiscal; entenda

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Foto: Pixabay

A Reforma Tributária não vai alterar apenas a forma como o produtor rural recolhe impostos, mas também a dinâmica de compra, venda, investimentos e gestão tributária dentro da propriedade.

Nessa esfera, também serão impactadas as operações de barter. O sócio da área tributária do Santos Neto Advogados, Henrique Erbolato, chama atenção para a entrada em vigor, no dia 3 de agosto, do uso da finalidade “6 – Nota de débito”, inclusa no texto da Reforma, nas notas fiscais emitidas pelas empresas que recebem o pagamento antes de entregar a mercadoria.

Hoje, o barter funciona como uma forma de financiamento em que o produtor garante insumos sem desembolso imediato de valores e o fornecedor assegura recebimento em grãos, reduzindo exposição da mercadoria ao risco de preço.

Até agora essas operações tinham natureza financeira e de garantia comercial, sem a imediata ocorrência do fato gerador do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias (ICMS) ou do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), que ficava para o momento da efetiva circulação/saída da mercadoria.

Segundo o advogado, essa medida não cria um novo documento fiscal, mas sim uma parametrização obrigatória nas notas já existentes. “Quando essa operação é analisada sob a ótica das novas regras, identificam-se desafios operacionais e econômicos. De imediato, enxergo dois pontos: o caráter de função rastreadora que a mudança traz e a quebra da Neutralidade do Adiantamento”, diz.

De acordo com ele, o objetivo principal dessa alteração é preparar o ecossistema do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) e a plataforma de arrecadação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS) para o modelo de tributação que entrará em vigor a partir de 2027.

“Além disso, a partir do próximo ano, o recebimento antecipado de valores deixará de ser neutro. O IBS e CBS passarão a incidir já na data do recebimento financeiro, deslocando a carga tributária para o início do ciclo comercial”, detalha Erbolato.

Para o advogado, existem outros impactos diretos na tributação do produtor:

  • Fluxo de Caixa: essa inversão altera profundamente o capital de giro das empresas, afetando tanto o vendedor, que recolhe imposto antes da entrega, quanto o comprador, que pode ter dificuldades no aproveitamento de créditos.
  • Operações de barter em risco: com a nova regra, operações fechadas em 2026 e liquidadas em 2027 estarão sujeitas a regimes distintos, exigindo cláusulas contratuais de reajuste e rateio de ônus tributário.
  • Complexidade na antecipação de recebíveis: empresas de insumos que antecipam recebíveis para obter liquidez enfrentarão maior custo financeiro, já que o imposto incidirá antes da entrega física da produção, aumentando o deságio desses títulos.
  • Risco de travamento de créditos: erros na emissão da nota com finalidade “6” ou inconsistências contratuais podem impedir o aproveitamento de créditos, gerando passivos expressivos e travando o fluxo de operações no setor.

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Business

Queda na importação de fertilizantes é oportunidade à indústria nacional, diz StoneX

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Foto: Daniel Popov/Canal Rural

As importações das principais matérias-primas de fertilizantes recuaram 8,6% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, conforme levantamento da consultoria StoneX.

Em 2025, o Brasil adquiriu de fora 45,5 milhões de toneladas do insumo, o maior volume da série, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A retração nos primeiros seis meses do ano foi puxada por produtos essenciais à nutrição das lavouras. As compras externas de ureia caíram 32% no período, enquanto o MAP (Fosfato Monoâmonico) decaiu 24% e o nitrato de amônio e o enxofre registraram quedas de 42% cada.

Na contramão, o cloreto de potássio e o TSP avançou, com a migração da demanda diante da oferta restrita de MAP e DAP (Fosfato Diamônico) no mercado internacional.

Para a StoneX, esse movimento reflete a cautela dos compradores diante das incertezas no cenário internacional e de relações de troca entre as mais desfavoráveis dos últimos anos, o que tem levado produtores e importadores a postergar negociações.

Contudo, a consultoria lembra que janela logística se estreita, já que, historicamente, a maior parte das compras de fosfatados ocorre entre abril e agosto, para garantir a disponibilidade no plantio da safra de verão, enquanto o pico de aquisição dos nitrogenados se estende de junho a dezembro, com foco na segunda safra.

Fragilidade estrutural

O cenário atual dos fertilizantes expõe a fragilidade estrutural do agronegócio brasileiro, visto que o país compra de fora mais de 85% do insumo que consome, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), sendo, atualmente, o maior importador do mundo.

Ao mesmo tempo, de acordo com a Conab, os fertilizantes representaram, em média, 23% dos custos totais nas culturas de soja, milho e algodão. Já em Mato Grosso, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) calcula que a oleaginosa deve responder por 46,7% do custeio na safra 2026/27.

Diante desse quadro, a StoneX pontua que o setor pode estar passando por uma das maiores oportunidades da história no fortalecimento da indústria nacional de fertilizantes.

A produção brasileira passa a ganhar relevância estratégica em duas frentes: o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) prevê que cerca de 50% da demanda interna de fertilizantes seja atendida pela indústria doméstica até 2050, com movimentos já em curso, como a retomada de fábricas de nitrogenados.

No curto prazo, o segmento de fertilizantes líquidos, foliares e produtos para fertirrigação já oferece resposta imediata: o setor faturou R$ 26,9 bilhões em 2024, alta de 18,9% sobre o ano anterior, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo), com destaque para o crescimento de 23,2% dos foliares e de 36,1% dos produtos via fertirrigação e hidroponia.

No cenário nacional, o estado de Minas Gerais concentra cerca de 70% das reservas nacionais de potássio, abrigando a maior mina em operação no Brasil, em São Gotardo, no Triângulo Mineiro. A capacidade produtiva atual, de 3 milhões de toneladas por ano, tem planos de expansão que podem chegar a 23 milhões e, posteriormente, a 50 milhões de toneladas anuais, quase o equivalente ao consumo total do país, hoje em torno de 60 milhões de toneladas.

O especialista em fertilizantes Fellipe Parreira, da GiroAgro, uma das únicas empresas de fertilizantes de capital 100% nacional, acredita que é necessária uma abordagem integrada, com mais jazidas nacionais e validação científica para mitigar riscos geopolíticos sem comprometer yields recordes.

Para ele, o momento exige maior planejamento dentro de um contexto de uma indústria nacional de nutrição vegetal que cresce dois dígitos ao ano e oferece ao agricultor alternativas produzidas no país, com menor exposição cambial e logística mais previsível.

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Agro Mato Grosso

Como Campo Verde se tornou o maior polo têxtil de Mato Grosso

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Crédito problemático em Mato Grosso se aproxima de 20% e pressiona sustentabilidade financeira no campo

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

O maior estado produtor de grãos do país também enfrenta um desafio crescente fora da porteira. Levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostra que o crédito rural considerado problemático já representa 18,22% da carteira de financiamentos em Mato Grosso, o maior percentual da série histórica.

Até abril deste ano, o volume de operações inadimplentes, renegociadas e prorrogadas chegou a R$ 21,79 bilhões. Em 2022, esse índice correspondia a apenas 2,08% da carteira estadual, evidenciando a deterioração das condições financeiras enfrentadas pelos produtores nos últimos anos.

O estudo compara dois momentos distintos da agropecuária brasileira. Entre 2017 e 2021, o setor viveu um ciclo favorável, marcado por maior rentabilidade e capacidade de investimento. Já entre 2022 e 2026, a combinação de custos elevados, juros mais altos e preços menos favoráveis passou a pressionar as margens das propriedades.

A preocupação não está apenas no cenário atual, mas também na capacidade de investimento para os próximos ciclos. Para o superintendente da Famato, Imea e AgriHub, Cleiton Gauer, o aumento do crédito problemático passou a ser uma discussão estratégica para o setor. “É um ponto de grande relevância, que traz preocupação para o desenvolvimento da próxima safra e também para a perpetuidade da agropecuária mato-grossense e brasileira”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Crédito cresceu, mas ficou mais caro

O volume de recursos utilizados pelos produtores rurais em Mato Grosso praticamente triplicou nos últimos anos. O crédito rural passou de R$ 15,58 bilhões na safra 2016/17 para R$ 47,43 bilhões em 2023/24.

Somente o custeio das lavouras de soja e milho avançou de R$ 5,65 bilhões para R$ 15 bilhões no mesmo período. O crescimento acompanhou a expansão da produção agrícola no estado, mas veio acompanhado de uma elevação no custo do financiamento.

As taxas de juros dos programas de crédito aumentaram gradualmente e a taxa Selic chegou a 14,25% ao ano, elevando o custo financeiro das operações e reduzindo a capacidade de novos investimentos por parte dos produtores.

O cenário atual é diferente do ciclo positivo vivido entre 2017 e 2021. Nos últimos anos, o produtor passou a lidar com uma combinação de menor rentabilidade e maior necessidade de capital para manter a atividade.

Inadimplência representa parte do cenário

Apesar do avanço dos indicadores, o setor destaca que os números precisam ser analisados considerando as características do financiamento agrícola em Mato Grosso.

A inadimplência superior a 90 dias chegou a 4,98% da carteira estadual, equivalente a R$ 5,25 bilhões em operações atrasadas. O percentual representa um dos sinais de pressão sobre o crédito rural, mas não mostra toda a exposição financeira dos produtores.

Isso ocorre porque parte dos recursos utilizados no campo vem de operações realizadas fora do sistema oficial de crédito rural, por meio do mercado financeiro e de outros mecanismos de financiamento.

Gauer explica ao Canal Rural Mato Grosso que essa característica faz com que o retrato da dívida rural seja mais amplo do que os dados registrados oficialmente. “O produtor se financia de outras formas, principalmente com o mercado financeiro, e nem todo esse crédito passa por dentro do Banco Central”.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Dívidas pressionam capacidade de investimento

O avanço do endividamento começa a refletir diretamente na capacidade de planejamento das propriedades. Com parte da receita comprometida com obrigações financeiras, produtores passam a ter menos margem para realizar investimentos, renovar equipamentos, ampliar tecnologias ou absorver novos custos de produção.

Esse cenário também aparece no aumento dos pedidos de recuperação judicial no agronegócio. Desde 2023, Mato Grosso lidera o ranking nacional, conforme dados da Serasa Experian. Somente em 2025, foram registrados 332 pedidos no estado, acima de Goiás, com 296, e Paraná, com 248.

Para o setor, o movimento mostra que a dificuldade financeira deixou de estar apenas relacionada ao acesso ao financiamento e passou a envolver a própria estrutura de capital das propriedades.

Produzir bem já não garante resultado financeiro

A eficiência dentro da porteira continua sendo um dos pilares do agronegócio mato-grossense, mas deixou de ser suficiente para garantir equilíbrio financeiro.

O aumento dos custos de produção e a redução dos preços recebidos pelos produtores mudaram o desafio da gestão rural. Além da produtividade, o planejamento financeiro passou a ter um peso maior nas decisões das propriedades.

Na avaliação de Gauer, o produtor precisa lidar com uma equação mais complexa, que envolve custos, preços e eficiência operacional. “Não basta somente produzir bem, como ele tem feito, porque isso não tem se traduzido em resultado financeiro”.

O superintendente destaca que o momento exige maior controle da operação para atravessar o período de pressão sobre as margens. “Conseguir equilibrar todos os pratos, tornar a operação cada vez mais eficiente e conquistar resultados tem sido o dever de casa para todos, principalmente para conseguir atravessar os momentos que temos atravessado nos últimos anos”.


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