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8 de julho de 2026

Agro Mato Grosso

TCE promete auditoria após denúncias de falta d’água e irregularidades em obras

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O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, recebeu denúncias sobre falhas no abastecimento de água e suspeitas de irregularidades em obras e contratações feitas pela prefeitura de Alta Floresta.

Os apontamentos foram feitos por vereadores do município nesta quarta-feira (8), ocasião em que o presidente apresentou os sistemas de monitoramento do Tribunal e garantiu que todas as situações relatadas serão analisadas.

Segundo os parlamentares, mesmo com reajustes anuais de tarifa, a população sofre com desabastecimento recorrente. No episódio mais recente, a cidade ficou sem água por cinco dias, sob a justificativa de manutenção do equipamento.

“Deixar uma cidade cinco dias sem abastecimento é de uma incompetência fora do comum. A empresa tem que ter um sistema sobressalente para operar a distribuição quando houver manutenção”, afirmou Sérgio Ricardo. “Todas essas informações já viraram documentos, e nós vamos, no momento certo, fazer com que todas essas entidades prestem contas e se expliquem sobre essas denúncias”, acrescentou.

De acordo com o vereador Dida Pires, como o contrato vigora até 2032, a preocupação é que o atendimento ruim se mantenha até o fim da concessão. Diante disso, ele solicitou auditoria na empresa responsável pelo serviço. “Não é justo continuar prestando um serviço de má qualidade. Pedimos ao presidente uma equipe do TCE para fazer a auditoria e ajudar para que a empresa cumpra o contrato e atenda bem a população.”

Ele também chamou a atenção para a compra de energia fotovoltaica. “Já se pagou R$ 7,5 milhões e o sistema não foi instalado, porque o formato adquirido pelo município não tem condições, e a Energisa se nega a fazer a implantação. Achamos a situação extremamente irregular”, declarou.

Foram citados ainda questionamentos sobre os gastos com transporte escolar, a compra de livros e a construção de salas modulares. Neste contexto, o vereador Darlan Trindade destacou as dificuldades em fiscalizar a gestão municipal.

“Não temos uma assessoria tão grande, com capacidade técnica para ir mais a fundo nessas denúncias. Por isso, é muito importante que o TCE faça uma auditoria e uma análise técnica para verificar se existe sobrepreço, porque, se existe, quem é penalizada é a população”, pontuou.

Por sua vez, o vereador Luciano Silva ressaltou a importância da abertura do TCE-MT para as demandas dos municípios. “A valorização do dinheiro público está sendo demonstrada de forma clara através desse tipo de trabalho. Eu nunca tinha visto uma atuação dessa magnitude. Essa abertura vai fazer com que quem gere o dinheiro público tenha mais cuidado e mais eficiência, para que o recurso que sai do pagamento de imposto seja aplicado de forma adequada”, acrescentou.

Ferramentas de fiscalização

Na reunião, o presidente apresentou dados levantados por meio do Platão, inteligência artificial do TCE-MT voltada à análise de dados e leitura automatizada de diários oficiais e editais, e dos sistemas Geobras e Radar, detalhando informações de setores como saúde e infraestrutura.

“Os vereadores ficaram admirados porque aqui tem mais informação que na própria Câmara. Cada vez mais estamos popularizando esse acesso, trazendo os gestores aqui e mostrando como está a situação da cidade deles”, disse ele.

Foi apontado por exemplo que a receita prevista atualizada de Alta Floresta para 2026 é de quase R$ 500 milhões. As despesas empenhadas do município somavam R$ 183 milhões e as liquidadas, R$ 140 milhões. Na área da saúde, a despesa paga por habitante aparece em R$ 568.

Sérgio Ricardo reforçou o papel do Legislativo na fiscalização e o compromisso do TCE com a população. “As informações são prestadas pelos vereadores, que são os fiscais do município. O vereador é o fiscal da cidade. Espero que outros vereadores de outras cidades venham trazer ao Tribunal as informações de como está a gestão e de como está sendo investido o dinheiro público. O Tribunal está sempre de portas abertas para a sociedade e para os agentes públicos”, concluiu.

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Agro Mato Grosso

Como Campo Verde se tornou o maior polo têxtil de Mato Grosso

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‘O sojicultor está descapitalizado. A prioridade não é investir, mas conseguir produzir’, afirma Ilson Redivo

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Vice-presidente regional da Aprosoja MT avalia que o Plano Safra não atende às necessidades do setor, critica redução dos recursos e alerta para a dificuldade financeira

O presidente do Sindicato Rural de Sinop e vice-presidente regional da Aprosoja MT da região Norte, Ilson Redivo, avaliou ao Soja News que o Plano Safra 2026/27 ficou abaixo das necessidades do setor produtivo. Segundo ele, embora o governo tenha anunciado um aumento nominal dos recursos, o valor disponibilizado não acompanhou a inflação, reduzindo o poder de compra do crédito rural.

Na avaliação da entidade, os R$ 525 bilhões anunciados são insuficientes para atender à demanda dos produtores. Além disso, Redivo criticou a redução dos recursos destinados ao custeio e à comercialização da produção, justamente a modalidade de crédito considerada mais importante para o atual momento do setor.

“O Plano Safra teve um aumento de recursos, mas esse aumento não cobriu a inflação. Os bilhões anunciados não são suficientes para atender à demanda do produtor”, afirmou. “O principal gargalo hoje é a redução dos recursos para custeio e comercialização. É justamente onde o produtor mais precisa de apoio neste momento”, complementou.

'O Plano Safra 26/27 não corresponde à demanda do produtor rural', diz Redivo

Segundo Redivo, o setor atravessa um período de forte descapitalização após três anos consecutivos de preços baixos das commodities, somados ao aumento dos custos de produção. A alta dos fertilizantes, dos insumos e do óleo diesel, aliada aos reflexos do cenário internacional, reduziu significativamente a margem de lucro dos produtores.

“O produtor está descapitalizado. Após três anos de preços baixos das commodities e aumento dos custos de produção, a prioridade não é investir, mas conseguir produzir”, comentou. “Muitos produtores estão com financiamentos atrasados e sem recursos para cobrir seus compromissos. A alta dos fertilizantes, dos insumos e do óleo diesel reduziu a margem de lucro da atividade.”

O diretor afirmou que, diante desse cenário, muitos agricultores enfrentam dificuldades para manter a atividade e honrar seus financiamentos. Para ele, ampliar os recursos para investimentos, enquanto se reduz o crédito para custeio, não atende à realidade vivida no campo.

“O produtor é eficiente da porteira para dentro, mas fica vulnerável às ações governamentais e ao cenário internacional, que impactam diretamente os custos de produção e a rentabilidade da atividade”, concluiu.

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DDG ganha espaço no mercado e amplia oportunidades para a cadeia do milho em MT

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O subproduto avança como alternativa para fortalecimento da sustentabilidade no agronegócio

Os grãos secos de destilaria ou também conhecidos como “Distillers Dried Grains” (DDG), subproduto gerado a partir da produção de etanol de milho, têm ganhado cada vez mais relevância no cenário agroindustrial brasileiro ao agregar valor à cadeia do milho e fortalecer a economia dentro do agronegócio.

O crescimento do DDG acompanha a expansão da indústria do etanol de milho no estado, que hoje concentra grande parte das usinas em operação no país. Esse movimento fortalece a integração entre agricultura e pecuária, oferecendo aos produtores uma alternativa estratégica de alimentação animal com alto valor proteico e energético, ao mesmo tempo em que amplia a competitividade da cadeia produtiva.

Para o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Lucas Costa Beber, a abertura de novos mercados e a consolidação do DDG como produto comercial reforçam a tendência de valorização desse coproduto nos próximos anos.

“Ano passado, a China abriu o mercado para a importação do DDG brasileiro, e eu tenho uma visão de que ele vai ganhar espaço ao lado do farelo de soja. Existe uma discussão sobre qual será o principal produto brasileiro nesse cenário, e eu acredito que essa mudança é inevitável. Também não há como deixar de considerar o aspecto mercadológico e de sustentabilidade”, salientou.

O presidente também destacou que o sistema produtivo brasileiro, especialmente em Mato Grosso, reúne características que tornam a cadeia do milho e seus derivados uma das mais sustentáveis do mundo.

“Pesquisas mostram que, no sistema soja-milho em sucessão, há um balanço positivo, com sequestro médio de cerca de 1,9 tonelada de carbono. Além disso, a soja, por ser uma leguminosa, realiza a fixação biológica de nitrogênio, e cerca de um terço do nitrogênio aproveitado pela cultura vem desse processo. No caso do milho, grande parte do nitrogênio utilizado também é beneficiado por essa dinâmica, o que torna a produção, incluindo o etanol de milho, uma das mais sustentáveis do mundo, assim como a produção de carnes de frango e suína. Diante dessa concorrência e evolução do mercado, a tendência é que, no futuro, o milho ganhe ainda mais relevância, especialmente na produção de combustíveis mais limpos e de alta qualidade”, explicou Lucas Costa Beber.

O setor já consome cerca de 20 milhões de toneladas de milho por ano para a produção de aproximadamente 10 bilhões de litros de etanol, volume que representa cerca de um quarto de toda a produção nacional do biocombustível. Somente em Mato Grosso, as usinas consomem aproximadamente 13,5 milhões de toneladas de milho anualmente, demonstrando a importância dessa indústria para a economia regional.

Na avaliação do conselheiro fiscal da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Luiz Otavio Tatim, o avanço do DDG representa uma oportunidade importante para diversificar a cadeia produtiva do milho e ampliar a geração de valor dentro da propriedade rural.

“O crescimento das usinas de etanol de milho e da produção de DDG no Brasil é muito positivo, principalmente para Mato Grosso. Esse movimento ampliou significativamente a demanda pelo grão, contribuindo para maior estabilidade dos preços recebidos pelos produtores e reduzindo a dependência exclusiva das exportações. Em vez de exportarmos apenas matéria-prima, transformamos o milho em combustível renovável, proteína animal e desenvolvimento regional, gerando empregos, renda e investimentos no interior do país. O etanol de milho contribui para uma matriz energética mais sustentável e para a redução das emissões, mostrando que é possível conciliar segurança alimentar, competitividade do produtor e transição energética em benefício de toda a sociedade”, avaliou.

Hoje, Mato Grosso já produz cerca de 3 milhões de toneladas de DDG por ano e as usinas consomem aproximadamente 13,5 milhões de toneladas de milho, consolidando uma nova dinâmica econômica para o setor. Segundo o conselheiro da Abramilho, o DDG pode ampliar a competitividade da cadeia do milho e consolidar o estado como referência nacional nesse mercado.

“Esse modelo agrega valor dentro do próprio estado, gera empregos, atrai investimentos e reduz a necessidade de transportar insumos por longas distâncias. A integração entre lavoura, pecuária e bioenergia é uma das grandes vantagens competitivas do Brasil. O produtor deixa de depender exclusivamente da venda do grão e passa a participar de uma cadeia mais diversificada, resiliente e sustentável. Acreditamos que Mato Grosso reúne todas as condições para se consolidar como referência nacional nesse modelo, mostrando que é possível produzir alimentos, proteína animal e energia renovável de forma complementar e com geração de riqueza para o interior do país”, pontuou Luiz Otavio Tatim.

Com a crescente demanda por coprodutos voltados à alimentação animal, o DDG se consolida como uma alternativa estratégica para o agronegócio mato-grossense. Além de agregar valor ao milho, o produto fortalece a integração entre lavoura e pecuária, amplia mercados e posiciona Mato Grosso como protagonista em uma cadeia cada vez mais alinhada à eficiência produtiva e à sustentabilidade.

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