Sustentabilidade
Manejo do percevejo-marrom: monitoramento, danos e a importância de um bom produto de choque e residual – MAIS SOJA

Considerada uma das principais pragas da soja, o percevejo-marrom, Euschistus heros, destaca-se pelo elevado potencial de causar danos quantitativos e qualitativos à produção, comprometendo tanto a produtividade da cultura quanto a qualidade fisiológica e sanitária das sementes produzidas. Amplamente disseminada em sistemas agrícolas voltados à produção de grãos, essa praga não se restringe à soja, podendo também atacar outras espécies agrícola e outras espécies vegetais.
O percevejo-marrom apresenta grande capacidade de sobrevivência em plantas daninhas como Euphorbia heterophylla, Conyza spp. e Acanthospermum hispidum, que atuam como hospedeiras alternativas e funcionam como “ponte verde”, favorecendo a manutenção e sobrevivência da praga durante os períodos de entressafra (IRAC, s.d.).
Figura 1. Percevejo-marrom (Euschistus heros) adulto.
Conforme observado por Scopel (2012) dependendo da densidade populacional da praga e estádio em que ataca a cultura, as perdas de produtividade podem ser substanciais. Sob a infestação de 1 percevejo/m, as perdas de produtividade em soja podem chegar a 5,9% enquanto para densidades superiores (4 percevejos/m), a redução de produtividade pode chegar a 17,4%. Com relação a qualidade das sementes, germinação e vigor são os atributos fisiológicos mais afetados pelo ataque dos percevejos, o que reforça a necessidade de intensificar o manejo da praga, especialmente em áreas destinadas a produção de sementes.
O período de enchimento de grãos, especialmente entre os estádios R5.1 e R5.3, representa a fase de maior sensibilidade da soja ao ataque de percevejos. De modo geral, a colonização da lavoura pelo percevejo inicia-se a partir de R1, enquanto o início da reprodução ocorre entre R2 e R3 (Embrapa, 2021). Na ausência de um manejo eficiente, a população da praga tende a aumentar progressivamente ao longo do ciclo da cultura, atingindo maiores densidades próximas ao estádio R7, conforme observado por Sangiovo & Basso (2021).
Figura 2. Período crítico da ocorrência de percevejos em soja.

Embora a praga não represente perdas significativas durante a fase vegetativa da soja, quanto mais cedo ocorre a infestação da lavoura, maiores são os danos quantitativos. De forma inversa, quando mais tarde ocorre a infestação, maiores são os danos qualitativos à produção (figura 3).
Figura 3. Proporção de danos quantitativos e qualitativos às plantas de soja em função do momento de ataque por percevejos.

Considerando a elevada importância econômica do percevejo-marrom, e os prejuízos causados à cultura da soja, a adoção de medidas eficientes de manejo ao longo da safra é fundamental para garantir o controle adequado da praga. No entanto, devido ao seu curto ciclo de desenvolvimento e à elevada capacidade de reinfestação das lavouras, o posicionamento assertivo de medidas de controle apenas no início da infestação nem sempre é suficiente para assegurar a eficiência do manejo. Em muitas situações, “explosões” populacionais podem ocorrer ao longo do ciclo da soja, tanto antes quanto após o período de maior sensibilidade da cultura ao ataque de percevejos, exigindo monitoramento contínuo e reforçando a necessidade de estratégias integradas de manejo.
Figura 4. Duração em dias das fases de desenvolvimento do percevejo-marrom (Euschistus heros).

Nesse sentido, o monitoramento frequente da área de produção é indispensável para um manejo estratégico e assertivo do percevejo-marrom. A partir dessas medidas, é possível definir a necessidade de controle, com critérios técnicos e eficientes, garantindo um melhor aproveitamento dos recursos e reduzindo as perdas na produtividade e qualidade dos grãos e/ou sementes produzidas.
Tecnicamente, recomenda-se que o controle químico do percevejo-marrom seja realizado ao observar durante o período de formação de legumes e enchimento de grãos, níveis de ação de 2 percevejos/m para lavouras destinadas a produção de grãos e 1 percevejo/m para lavouras voltadas a produção de sementes (Seixas et al., 2020).
Além do momento de controle quanto ao estádio de desenvolvimento da soja e níveis de infestação do percevejo-marrom, é importante destacar que o horário de pulverização assim como o inseticida utilizado apresentam relação direta com a eficiência no controle da praga. Estudos demonstram que os melhores índices de controle do percevejo-marrom são observados quando as pulverizações de inseticidas são realizadas durante o início da manhã (IRAC-BR, s.d.).
Considerando o posicionamento dos inseticidas no manejo do percevejo-marrom, é fundamental atentar para a eficácia dos produtos, bem como para seu efeito de choque e período residual. O efeito de choque está diretamente relacionado ao rápido controle de insetos presentes na lavoura, após entrarem em contato com o inseticida; enquanto a ação residual, a depender do ingrediente ativo, permite o controle dos insetos durante os dias seguintes da aplicação do produto, seja por ingestão ou contato. Produtos com maior residual tendem a ampliar o período de proteção da cultura, favorecendo o manejo populacional da praga e contribuindo para o planejamento operacional das aplicações.
Com essas características, o ZEUS, desenvolvido pela IHARA, torna-se uma ferramenta estratégica no manejo do percevejo-marrom, especialmente em cenários de elevada pressão populacional da praga. Com ação de contato, translaminar e sistêmica, o inseticida apresenta elevada eficiência no controle de insetos adultos, além de contribuir para a supressão populacional ao longo do ciclo da cultura. Sua ação de contato e ingestão promove rápida paralisação da alimentação, seguida da morte dos insetos, além de apresentar efeito residual prolongado, contribuindo para a mortalidade de ninfas e adultos dos percevejos.
Além da elevada eficácia, o residual prolongado do ZEUS amplia o período de proteção da lavoura, reduzindo o risco de reinfestações em curto intervalo de tempo e proporcionando maior flexibilidade operacional para o posicionamento das aplicações. Dessa forma, o uso do ZEUS representa uma importante ferramenta dentro do manejo integrado de percevejos na soja, contribuindo para a manutenção do potencial produtivo da cultura e da qualidade dos grãos e sementes, proporcionando uma proteção nunca vista no combate aos percevejos.

Referências:
EMBRAPA. COMO MANEJAR PERCEVEJOS NA CULTURA DA SOJA. Embrapa, News, 2021. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-noticias/-/noticia/63509003/como-manejar-percevejos-na-cultura-da-soja#:~:text=O%20percevejo%20verde%2Dpequeno%20%C3%A9,dos%20gr%C3%A3os%20e%20o%20rendimento. >, acesso em: 13/05/2026.
IRAC. MANEJO DA RESISTÊNICA DO PERCEVEJO-MARROM A INSETICIDAS. Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas Brasil, s.d. Disponível em: < https://www.irac-br.org/_files/ugd/6c1e70_23289b96aa09446f8e8a4091352aecaf.pdf >, acesso em: 13/05/2026.
IRAC. MANEJO DA RESISTÊNICA DO PERCEVEJO-MARROM A INSETICIDAS. Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas Brasil. Disponível em: < https://www.irac-br.org/_files/ugd/6c1e70_23289b96aa09446f8e8a4091352aecaf.pdf >, acesso em: 13/05/2026.
IRAC. PERCEVEJO-MARROM: Euschistus heros. Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas: Brasil, s.d. Disponível em: < https://www.irac-br.org/euschistus-heros >, acesso em: 13/05/2026.
SANGIOVO, M. J. R.; BASSO, C. J. ÉPOCA DE SEMEADURA E SUA INFLUÊNICA SOBRE A FLUTUAÇÃO DE PERCEVEJOS NA SOJA. Rev. Terra & Cult., Londrina, v. 37, n. 72, 2021. Disponível em: < https://mail.sumarios.org/artigo/%C3%A9pocas-de-semeadura-e-sua-influ%C3%AAncia-sobre-flutua%C3%A7%C3%A3o-de-percevejos-na-soja >, acesso em: 13/05/2026.
SCOPEL, W. DANOS DO PERCEVEJO MARROM Euschistus heros (F.) (HEMIPTERA: PENTATOMIDAE) EM SOJA. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da UPF, 2012. Disponível em: < https://repositorio.upf.br/server/api/core/bitstreams/675c33fd-5970-438c-bf74-16aa88100858/content >, acesso em: 13/05/2026.
SEIXAS, C. D. S. et al. MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS. Embrapa Soja, Sistemas de Produção, n.17, Tecnologias de produção de soja, cap. 9, 2020. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/223209/1/SP-17-2020-online-1.pdf >, acesso em: 13/05/2026.
Redação: Equipe Mais Soja.
Sustentabilidade
Excesso de umidade trava avanço da semeadura do trigo no RS, aponta Emater/RS-Ascar – MAIS SOJA

A semeadura de trigo evoluiu pouco no período em razão da elevada umidade do solo, alcançando em média 87% da área prevista no Estado. A implantação se encontra próxima da conclusão na maior parte das regiões e deverá ser concluída, assim que as condições de solo permitirem. A atividade deve se estender por mais tempo nas áreas de maior altitude, onde o zoneamento de semeadura indica plantios até o final de julho.
As lavouras apresentam estabelecimento e estandes adequados e desenvolvimento compatível com a época de cultivo. Predominam os estádios de desenvolvimento vegetativo
inicial e perfilhamento, e as áreas implantadas mais precocemente iniciaram o alongamento
do colmo.
As temperaturas baixas e as geadas de fraca intensidade favoreceram o perfilhamento, sem causar danos expressivos. Porém, a elevada nebulosidade e a reduzida disponibilidade de radiação solar limitaram temporariamente o crescimento vegetativo. Nas regiões de maior incidência pluviométrica, houve encharcamento, perdas localizadas de solo e necessidade pontual de replantio em áreas com drenagem deficiente. O excesso de umidade, além de dificultar a evolução da semeadura, restringiu a execução de operações de manejo, especialmente das aplicações de herbicidas e de fertilizantes nitrogenados em cobertura. A elevada umidade do dossel também aumentou o potencial de incidência de doenças foliares, intensificando o monitoramento fitossanitário das lavouras. A área projetada pela Emater/RS-Ascar para Safra 2026 é de 814.220 hectares, e a produtividade média de 2.701 kg/ha.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, o plantio está próximo da conclusão na Fronteira Oeste. Em São Borja, 90% dos 18.000 hectares previstos foram implantados; aproximadamente 30% das lavouras semeadas no início da janela do ZARC se encontram em fase de alongamento do colmo. As geadas, registradas no período, não provocaram danos relevantes. Em São Gabriel, as precipitações intensas e localizadas ocasionaram necessidade de replantio em áreas de relevo plano e drenagem naturalmente lenta. Na Campanha, os produtores de Aceguá ainda não iniciaram a semeadura em razão do excesso de umidade do solo. Em Caçapava do Sul, a operação foi concluída.
Na de Caxias do Sul, a semeadura ficou praticamente estagnada durante o período, uma vez que o excesso de precipitações manteve elevada a umidade do solo, impedindo o avanço das operações de implantação nas áreas aptas ao cultivo.
Na de Ijuí, a semeadura atingiu 95% da área projetada, avançando apenas em municípios próximos a Cruz Alta, onde as condições de menor umidade permitiram a realização dos trabalhos. Nos demais municípios, a conclusão depende da melhoria das condições de trafegabilidade do solo. A baixa luminosidade reduziu o ritmo de crescimento das plantas, sem comprometer seu desenvolvimento. Após as precipitações, a umidade do solo favoreceu a realização da adubação nitrogenada em cobertura nas lavouras em início de perfilhamento.
Na de Passo Fundo, foi concluído o plantio, e os cultivos se encontram entre os estágios de germinação e desenvolvimento vegetativo. A baixa insolação retardou temporariamente o crescimento das plantas, embora as demais condições ambientais estejam favoráveis ao desenvolvimento da cultura.
Na de Pelotas, a semeadura alcança aproximadamente 70%, devendo ser concluída até a primeira quinzena de julho, conforme o calendário regional de implantação. Na de Santa Maria, o plantio alcança 85%. Em Tupanciretã, principal município produtor regional, os 10.900 hectares projetados foram implantados. As condições meteorológicas restringiram as aplicações de herbicidas para controle de plantas indesejáveis. Na de Santa Rosa, 91% da área foi plantada. Na Região das Missões, o avanço está inferior ao observado no mesmo período da safra anterior, que era de 94% em 2025, atingindo 86%.
O atraso se concentra nas áreas de baixada, onde o excesso de umidade dificultou a implantação. As lavouras apresentam bom estabelecimento e estandes satisfatórios. Foram observadas perdas localizadas de solo após as chuvas. Parte dos produtores ainda avalia as dosagens de adubação nitrogenada em cobertura devido ao elevado custo dos fertilizantes e à possibilidade de ocorrência de precipitações durante a floração, fator que poderá limitar o potencial produtivo e a qualidade dos grãos, gerando desperdício de recursos.
Na de Soledade, a semeadura não evoluiu em decorrência das precipitações, e a área plantada chegou a 90% da prevista. As lavouras apresentam excelente estabelecimento, estandes uniformes e desenvolvimento vegetativo inicial satisfatório e estão distribuídas entre as fases de germinação e emergência (15%) e desenvolvimento vegetativo inicial (85%).
A elevada umidade relativa do ar favoreceu a incidência de manchas foliares, exigindo monitoramento fitossanitário constante. O excesso de umidade dificultou o acesso às lavouras, mas não há atraso significativo na realização dos tratos culturais. Nas áreas de maior altitude, a semeadura ainda pode ser realizada até o final de julho.
Comercialização (saca de 60 quilos)
O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RSAscar no Estado, reduziu 0,11%, passando de R$ 69,67 para R$ 69,59.
Fonte: Emater/RS
Sustentabilidade
Canola/RS: Desenvolvimento satisfatório e bom potencial produtivo marcam o início do período reprodutivo – MAIS SOJA

As lavouras de canola apresentam desenvolvimento satisfatório e potencial produtivo compatível com as expectativas iniciais da safra. Predomina o estádio de desenvolvimento vegetativo, embora as áreas implantadas mais precocemente iniciem a transição para a fase reprodutiva, em que se observa o florescimento das primeiras lavouras. A variabilidade
fenológica reflete o amplo período de semeadura desta safra.
As temperaturas baixas e as geadas de fraca intensidade não ocasionaram danos significativos, apenas eventuais efeitos a algumas áreas em estádios mais sensíveis. A elevada umidade, associada à reduzida disponibilidade de radiação solar, desacelerou o crescimento vegetativo e limitou a execução de parte dos tratos culturais, especialmente a adubação nitrogenada em cobertura e o controle de plantas daninhas.
Apesar dessas restrições, as lavouras apresentam bom padrão de sanidade, e não há registros expressivos de pragas ou doenças. No entanto, as condições de elevada umidade têm reforçado a necessidade de monitoramento fitossanitário, sobretudo em função da aproximação do período reprodutivo.
A área cultivada de canola está estimada em 353.397 hectares, e a produtividade média em 1.619 kg/ha.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, as condições de desenvolvimento e potencial produtivo das lavouras estão dentro das expectativas, exceto nas áreas pontuais com falhas de estande decorrentes das condições de implantação. Predomina o estágio de desenvolvimento vegetativo. As geadas, registradas durante o período, causaram danos apenas em algumas áreas semeadas mais tardiamente, ainda em estádio de plântula. Em São Borja, as primeiras lavouras semeadas estão em início de florescimento, fase de maior sensibilidade às geadas. Entretanto, a baixa intensidade do evento ocorrido em 03/07 não deve ocasionar impactos expressivos.
Na de Ijuí, os cultivos apresentam ampla variação fenológica, variando entre estádio de roseta e início da floração, o qual corresponde a aproximadamente 5% das áreas. Essa disparidade é resultado do escalonamento da semeadura entre o início de abril e a segunda
quinzena de junho, com maior concentração em maio. O desenvolvimento vegetativo é considerado muito satisfatório, com plantas vigorosas e bom potencial produtivo.
Na de Santa Maria, as condições meteorológicas dificultaram a realização dos tratos culturais, principalmente a aplicação de herbicidas para o controle de plantas daninhas e a adubação nitrogenada em cobertura. A elevada umidade do solo e a sequência de dias nublados, com baixa disponibilidade de radiação solar, reduziram o ritmo de desenvolvimento vegetativo.
Na de Santa Rosa, nas áreas implantadas mais tardiamente, prosseguiram as aplicações de fertilizantes nitrogenados em cobertura. Nas lavouras semeadas em maio, observa-se o início da floração em plantas isoladas, indicando a entrada gradual da cultura no estádio reprodutivo. A sanidade está satisfatória, sem registros relevantes de pragas ou doenças. Embora a baixa luminosidade ainda não tenha comprometido o desempenho dos cultivos, persiste a preocupação com essa condição durante a floração devido aos possíveis reflexos sobre a polinização e a formação dos grãos. Os produtores continuam o controle de plantas daninhas e o monitoramento fitossanitário, com atenção especial às doenças fúngicas favorecidas pela elevada umidade. As perspectivas de produtividade estão positivas, sustentadas pelo bom estabelecimento das lavouras.
Na de Soledade, apesar da redução do ritmo de crescimento, as lavouras apresentam bom aspecto geral, com plantas vigorosas, refletindo as condições climáticas favoráveis durante a implantação e o adequado manejo adotado pelos produtores. Na maior parte das áreas, foram concluídos o controle de plantas daninhas e a adubação nitrogenada em cobertura. Essas operações seguem apenas nas lavouras de implantação mais tardia. As primeiras áreas semeadas se aproximam da emissão da haste floral, marcando a transição para o estádio reprodutivo.
Comercialização (saca de 60 quilos)
O preço médio praticado nas regiões de Ijuí e Santa Maria foi de R$ 130,00; na de Santa Rosa, R$ 128,37.
Fonte: Emater/RS
Sustentabilidade
MP de dívida rural foca em perdas climáticas, diz Durigan – MAIS SOJA

O Congresso Nacional e o governo federal estão prestes a concluir o debate em torno da proposta de renegociação das dívidas do setor agropecuário, segundo informou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta quinta-feira (9).
“Temos discutido a questão da dívida rural com representantes do setor no Congresso Nacional, deputados e senadores de diferentes comissões, já há algum tempo. Eu diria que há mais de um ano”, disse Durigan, em entrevista à Rádio Gaúcha.
“Entendo e tenho dito que chegamos ao ponto final. E que, finalizadas as negociações, vamos editar uma medida provisória (MP), equilibrando a proposta do Congresso Nacional e o limite orçamentário do país”, acrescentou o ministro.
Segundo Durigan, o texto deve ser editado e publicado no Diário Oficial da União até a próxima semana. Por lei, qualquer medida provisória entra em vigor assim que é publicada, mas precisa ser posteriormente apreciada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, que têm até 120 dias para aprovar ou rejeitar a proposta.
Durante a entrevista, o ministro antecipou alguns pontos que o Poder Executivo, o Congresso Nacional e representantes do setor agropecuário vêm discutindo, como o estabelecimento de um prazo de dez anos para os produtores rurais afetados por crises climáticas saldarem suas dívidas.
“Eu sempre propus seis anos para a renegociação com o agricultor inadimplente, porque teve problemas. A bancada ruralista sempre demandou dez anos. Chegamos em oito anos e agora estamos estudando estender o prazo para dez anos, em caso de perdas climáticas mais graves.”
Durigan explicou que, nesses casos, o produtor terá que comprovar que sofreu perdas graves por repetidas safras, devido a fenômenos climáticos severos como inundações e estiagem.
“Não podemos admitir que dinheiro público sirva de auxílio para quem não comprove perdas”, destacou, acrescentando que a negociação prevê que os produtores prejudicados por fenômenos climáticos terão até dois anos de carência para começar a pagar as dívidas renegociadas e que a MP deve estabelecer um limite de até R$ 8 milhões por CPF em caso de grandes produtores.
A MP também deve contemplar os agricultores prejudicados pela volatilidade do mercado, ou seja, pela extrema variação de preços. Estes, quando grandes produtores, poderão renegociar dívidas até o limite de R$ 4 milhões, caso o texto venha a ser aprovado conforme as mais recentes negociações.
Entre os aspectos ainda por definir estão as taxas de juros. De acordo com Durigan, umas das propostas em debate prevê taxa de 6% ao ano para o pequeno agricultor; 9% para o médio agricultor e, no máximo, 12% para o grande agricultor.
“Estamos fazendo as últimas contas, mas certamente estamos falando de taxas anuais sem precedentes no país”, disse o ministro.
Segundo ele, se aprovadas, as mudanças em debate vão representar mais R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões ao ano de custos ao pacote que, no geral, exigirá pouco mais de R$ 100 bilhões dos cofres públicos.
Durigan também comentou que há uma sugestão de criar de um fundo garantidor do agro, nos moldes do FGC usado pelo setor bancário.
“Para estruturar o setor, estamos prevendo [a possibilidade de] um fundo garantidor que o governo, os bancos e o setor privado possam capitalizar para que, no futuro, sirva como um fundo [de reparação] de primeiras perdas para o setor [agrícola].”
Por fim, o ministro disse que o governo federal defende a inclusão, na medida provisória, de novas regras para as instituições financeiras.
“Um dispositivo [legal, em debate] determina que [nas renegociações] os bancos deverão aceitar garantias dadas [pelos produtores] inadimplentes em operações anteriores. A outra determinação aos bancos é a proporcionalidade do tamanho da garantia. Várias pessoas me relataram que há bancos exigindo duas, três vezes, o valor da operação como garantia”, disse o ministro, defendendo a urgência da MP.
“[Representantes de] bancos com quem eu falo têm me reportado, nos últimos meses, um aumento da inadimplência por risco moral. “Olha, as regras devem mudar, então, não pague agora sua prestação”. Isto é muito ruim e vai prejudicar o crédito do agro no futuro”, concluiu Durigan.
Fonte: Agência Brasil
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