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9 de julho de 2026

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Comissão da CNA debate safra, crédito e cortes no PAP 2026/2027

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A Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) realizou, nesta quinta-feira (9), em Brasília, uma reunião para discutir temas centrais do setor. Entre os assuntos estiveram as perspectivas para a safra e o mercado de grãos, o cenário de crédito e os recursos do Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2026/2027.

O encontro marcou a primeira reunião com o novo presidente da comissão, Endrigo Dalcin, e com a nova assessora técnica, Jerusa Rech. O diretor técnico da comissão, Bruno Lucchi, também participou. Segundo Dalcin, a proposta é ampliar o alcance dos debates da comissão, que representa diversas culturas, e atuar em conjunto com os estados.

A primeira pauta foi a apresentação do consultor da Agroconsult, André Pessoa, sobre as perspectivas para a safra e o mercado de grãos. Na exposição, ele detalhou estimativas de produtividade, o quadro de oferta e demanda e o ritmo dos insumos agropecuários.

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Na avaliação do consultor, o setor enfrenta um ambiente de margens reduzidas, custos elevados e dificuldade de acesso ao crédito. Segundo Pessoa, esse quadro tende a se manter nos próximos anos, principalmente com a permanência dos juros em patamares elevados. Ele afirmou que o cenário não se caracteriza como uma crise aguda, mas como uma crise crônica iniciada em 2023, agravada ao longo do período e com perspectiva de continuidade até 2027 e 2028.

Na sequência, o assessor técnico da CNA, Guilherme Rios, apresentou um panorama do PAP 2026/2027. Ele destacou a nota técnica da entidade com análise das medidas anunciadas e chamou atenção para a redução de recursos em programas considerados prioritários. De acordo com a apresentação, o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) teve cortes entre 24% e 32%, enquanto o Proirriga registrou redução de 39% em relação ao ciclo anterior.

Rios também informou que o volume de recursos equalizados para a safra 2026/2027 será de R$ 141 bilhões, número 10% inferior ao da safra passada. Entre os pontos de preocupação apresentados pela CNA estão a gestão de riscos e o seguro rural, com recursos ainda contingenciados.

A reunião da comissão concentrou as discussões sobre o quadro financeiro e operacional das cadeias de cereais, fibras e oleaginosas, em um contexto de custos elevados, restrição de crédito e redução de recursos em linhas do PAP 2026/2027.

Fonte: cnabrasil.org.br

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Plantio do trigo alcança 87% da área prevista no Rio Grande do Sul

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A semeadura do trigo no Rio Grande do Sul atingiu 87% da área prevista para a safra 2026, ante 83% na semana passada, informou a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater) nesta quinta-feira (9). Segundo a entidade, o avanço do plantio no período foi restrito pela umidade do solo. Nas áreas de maior altitude, os trabalhos devem seguir até o fim de julho.

A Emater projeta área de 814.220 hectares com trigo no Estado em 2026. A produtividade média estimada é de 2.701 quilos por hectare.

De acordo com a entidade, as lavouras já implantadas apresentam estabelecimento e estandes adequados, com desenvolvimento compatível com a época de cultivo. No momento, predominam os estádios de desenvolvimento vegetativo inicial e perfilhamento. Nas áreas semeadas mais cedo, já começou o alongamento do colmo.

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As temperaturas baixas e as geadas de fraca intensidade favoreceram o perfilhamento, sem danos expressivos às plantações. Por outro lado, a nebulosidade e a baixa disponibilidade de radiação solar limitaram temporariamente o crescimento vegetativo.

Em regiões com maior volume de chuva, houve encharcamento, perdas localizadas de solo e necessidade de replantio em áreas com drenagem deficiente. O excesso de umidade também prejudicou o andamento da semeadura e restringiu operações de manejo, como a aplicação de herbicidas e de fertilizantes nitrogenados em cobertura.

Segundo a Emater, a umidade do dossel elevou o potencial de incidência de doenças foliares, o que levou ao aumento do monitoramento fitossanitário nas lavouras.

No mercado, o valor médio da saca de 60 quilos de trigo no Estado recuou 0,11% na semana, de R$ 69,67 para R$ 69,59.

Com 87% da área prevista já semeada, a safra de trigo no Rio Grande do Sul avança sob influência das condições de umidade, com lavouras em desenvolvimento inicial e continuidade do plantio nas áreas de maior altitude até o fim de julho.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Obrigatoriedade de CNPJ rural é adiada para 2027; entenda o que muda para o produtor

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A obrigatoriedade de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) para produtores rurais pessoas físicas foi adiada para janeiro de 2027. A mudança amplia o prazo de adaptação ao novo sistema cadastral, que será utilizado para a emissão de documentos fiscais e para a implementação da reforma tributária, sem alterar a natureza jurídica do produtor.

Em entrevista ao Mercado & Cia, a especialista em tributação do agronegócio Viviane Morales explicou que a principal mudança será apenas cadastral. Segundo ela, o produtor continuará sendo pessoa física, mas deixará de utilizar o CPF como identificação da atividade rural, passando a operar com um CNPJ vinculado à sua inscrição estadual.

“Não é para mudar nada na rotina do produtor. O que muda é o cadastro. Antes ele utilizava o CPF em conjunto com a inscrição estadual de produtor rural. Agora, necessariamente, utilizará um CNPJ e a inscrição estadual”, afirmou.

Segundo a especialista, a exigência está diretamente ligada à reforma tributária, que prevê uma plataforma única para todos os contribuintes do país.

“Todos os contribuintes precisarão estar dentro da mesma plataforma para que os novos tributos possam ser operacionalizados. Por isso, os produtores rurais também precisarão ter um CNPJ”, explicou.

Medida valerá para todos os produtores

De acordo com Viviane Morales, a obrigatoriedade alcançará todos os produtores rurais pessoas físicas do país, independentemente do porte da propriedade.

Ela afirma que circulam informações de que pequenos produtores poderiam ser dispensados da exigência, mas ressalta que esse entendimento não tem respaldo nas orientações da Receita Federal.

“Até o momento, a Receita tem sinalizado que a medida será aplicada a todos os produtores do Brasil.”

Principal impacto será burocrático

Na avaliação da especialista, o maior desafio estará na abertura do novo cadastro. Por isso, ela recomenda que os produtores contem com orientação técnica para evitar erros que possam comprometer o histórico cadastral da atividade rural.

“O produtor precisa tomar cuidado para não cancelar sua inscrição estadual e abrir uma nova. O correto é fazer a abertura do CNPJ mantendo todo o histórico cadastral já existente”, alertou.

Segundo ela, essa preocupação é especialmente importante porque bancos e instituições financeiras costumam exigir o histórico da atividade na análise de crédito. A perda desse registro pode dificultar futuras operações financeiras.

Viviane acredita que a prorrogação do prazo, inicialmente previsto para julho deste ano, foi justamente uma forma de permitir maior preparação dos produtores e simplificar a implantação do novo sistema.

CNPJ não transforma produtor em empresa

A especialista também fez questão de esclarecer uma das principais dúvidas sobre a mudança: a inscrição no CNPJ não transforma automaticamente o produtor rural em pessoa jurídica.

“O CNPJ será apenas um cadastro nacional que dará mais transparência à atividade rural. O produtor continuará sendo pessoa física”, destacou.

Segundo ela, a nova identificação permitirá separar de forma mais clara a atividade rural das finanças pessoais, reunindo em um único cadastro todas as receitas e despesas relacionadas à produção.

Além disso, o novo modelo tende a facilitar o relacionamento com fornecedores, clientes e instituições financeiras, já que torna mais transparente a identificação da atividade econômica exercida pelo produtor.

Orientação é preservar o histórico da atividade

Como a obrigatoriedade só entrará em vigor em janeiro de 2027, a recomendação é que os produtores aproveitem o prazo adicional para se preparar e buscar orientação especializada antes de realizar o cadastro.

Viviane reforça que a abertura do CNPJ deve preservar toda a trajetória da atividade rural, incluindo alterações cadastrais já realizadas, como mudanças em áreas arrendadas, evitando a necessidade de encerrar inscrições anteriores.

“Não é para ser um problema. É possível fazer essa abertura de forma tranquila e sem mudar praticamente nada na vida do produtor rural”, concluiu.

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Economia brasileira entre juros, gastos e baixo crescimento

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Foto: Canal Rural Mato Grosso

A combinação entre juros elevados, política fiscal expansionista e um cenário internacional de incertezas continua impondo desafios à economia brasileira. Embora o país mantenha indicadores positivos de emprego, o ritmo de crescimento segue abaixo de outras economias da América Latina e o custo do crédito ainda restringe investimentos, tanto no setor produtivo quanto no consumo.

Na avaliação do pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), José Eustáquio, parte desse cenário está relacionada às mudanças na condução da política fiscal adotadas nos últimos anos. Segundo ele, o aumento das despesas públicas acima da arrecadação ampliou as dificuldades para reduzir a taxa básica de juros.

Após atingir 2% durante a pandemia, a Selic voltou a subir como resposta ao avanço da inflação provocado pela desorganização das cadeias globais de suprimentos. Mesmo com a recente redução para 14,25%, o pesquisador considera que o mercado ainda enxerga com cautela os próximos movimentos da política monetária.

“Mesmo que eu tenha tido essa redução moderada agora, as expectativas futuras aumentaram”, afirma ao programa Direto ao Ponto ao comentar as projeções para os juros nos próximos anos.

Crescimento abaixo da média

Embora a economia brasileira continue crescendo, o desempenho ainda é considerado modesto quando comparado ao de países vizinhos. José Eustáquio destaca que o Brasil registra expansão próxima de 1,8%, enquanto economias como a do Paraguai avançam em torno de 4,5%.

Para ele, os indicadores do mercado de trabalho também precisam ser analisados com cautela. Apesar da taxa de desemprego estar entre as menores da série histórica, parte significativa das vagas está concentrada em atividades informais e em plataformas digitais.

“O Brasil encontra-se com taxas de desemprego muito baixas, mas é um emprego que precisa ser melhor qualificado”, observa.

O pesquisador ressalta ainda que o elevado desembolso com seguro-desemprego, mesmo diante da baixa taxa oficial de desocupação, revela um aparente paradoxo e indica elevada rotatividade no mercado de trabalho.

josé eustáquio pesquisador do ipea foto canal rural mato grosso
Foto: Canal Rural Mato Grosso

Juros elevados afetam investimentos

José Eustáquio pontua que o atual patamar da Selic favorece aplicações financeiras, mas reduz o interesse por investimentos produtivos. “Juros mais elevados significam menos investimento produtivo. São cenários futuros para uma menor produção, menor emprego e menor renda”.

Ele também chama a atenção para o impacto das taxas elevadas sobre as contas públicas. Conforme o pesquisador, manter juros nesse nível amplia o custo da dívida do governo e dificulta o equilíbrio fiscal. “O governo precisa reduzir gastos”, defende.

Ainda de acordo com o especialista, a estratégia adotada até agora priorizou o aumento da arrecadação por meio da tributação, mas as despesas cresceram em ritmo ainda maior.

“O governo priorizou um ajuste fiscal aumentando receita, ou seja, tributando mais o setor privado e aumentando gastos. Só que o gasto aumentou de forma maior ainda, ou seja, o déficit cresceu bastante”.

Para José Eustáquio, a redução das despesas públicas seria o caminho para diminuir a pressão sobre os juros e criar um ambiente mais favorável aos investimentos privados.

Geopolítica amplia pressão sobre custos

Além dos fatores internos, o pesquisador avalia que o cenário geopolítico internacional continua trazendo reflexos para a economia brasileira.

O conflito no Oriente Médio, especialmente na região do Estreito de Ormuz, aumenta custos de frete marítimo e seguros, enquanto a guerra entre Rússia e Ucrânia mantém pressão sobre o mercado global de fertilizantes. Como aproximadamente um terço da economia brasileira está ligado ao agronegócio, esses custos acabam sendo incorporados à atividade econômica e influenciam diferentes cadeias produtivas.

Apesar disso, José Eustáquio observa que a inflação brasileira apresenta comportamento diferente do registrado em outros países. “Nos Estados Unidos, o índice inflacionário está sendo pressionado principalmente pela energia, petróleo. Aqui no Brasil, o IPCA está aumentando bastante no item alimentos”.

Segundo ele, programas de redistribuição de renda ampliam o consumo de alimentos e acabam contribuindo para a pressão sobre esse grupo de produtos, enquanto os preços da energia permanecem relativamente contidos.

Plano Safra perde força em valores reais

Ao analisar os números do Plano Safra, José Eustáquio pondera que parte dos recursos anunciados inclui instrumentos como as Cédulas de Produto Rural (CPRs), o que, em sua avaliação, amplia artificialmente os valores divulgados.

Após corrigir monetariamente os quatro últimos planos, ele concluiu que o Plano Safra 2025/26 representou o maior volume de recursos em termos reais, enquanto o programa atual apresentou redução para o segmento empresarial.

“O Plano Empresarial foi anunciado em R$ 525 bilhões. O valor do plano passado corrigido estaria hoje em R$ 539,3 bilhões, ou seja, nós tivemos uma redução”.

Mesmo com linhas de financiamento entre 8% e 9%, o pesquisador considera que o crédito continua caro diante da atual taxa básica de juros.

“Com taxas de juros de 14,25%, ou até de 8% e 9% dentro do Plano Safra, também são taxas muito elevadas. Isso diminui o ímpeto para captar crédito”, salienta ao programa do Canal Rural Mato Grosso.

Na avaliação dele, o cenário econômico continuará exigindo atenção nos próximos anos. Juros elevados, incertezas fiscais e tensões internacionais permanecem entre os principais fatores que influenciam o crescimento, os investimentos e o ambiente de negócios no Brasil.

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