Sustentabilidade
Muito além dos números: o crescimento dos biofertilizantes revela uma nova fase da agricultura brasileira – MAIS SOJA

Foto de capa: Assessoria
Durante muitos anos, falar em biofertilizantes no Brasil significava abordar uma categoria pouco conhecida, com baixa regulamentação e frequentemente confundida com outros tipos de insumos agrícolas. Esse cenário, no entanto, começa a mudar de forma consistente: dados do Ministério da Agricultura (MAPA) mostram que, entre 2019 e junho de 2026, foram registrados 33 biofertilizantes, distribuídos em seis diferentes categorias tecnológicas e desenvolvidos por 17 empresas, evidenciando a consolidação desse segmento no país.
“À primeira vista, os dados podem parecer modestos diante da dimensão do agronegócio brasileiro. No entanto, quando analisados sob a perspectiva regulatória e tecnológica, representam um marco para um segmento que, até poucos anos atrás, praticamente não existia no país. Mais do que indicar o crescimento no número de registros, eles refletem a consolidação de uma nova categoria de insumos voltados à fisiologia vegetal e à eficiência nutricional das culturas”, afirma Anderson Nora Ribeiro, engenheiro agrônomo e sócio-fundador da 5P2R Marketing de Precisão, consultoria estratégica e de inteligência de mercado focada no agronegócio, que participou diretamente do processo de registro de parte desses produtos.
Instrução Normativa nº 61: um divisor de águas para o setor — Um dos principais marcos regulatórios para o mercado de biofertilizantes foi a publicação da Instrução Normativa nº 61, em 2020. Pela primeira vez, o Brasil passou a contar com critérios específicos para o registro desses produtos, conferindo identidade própria a uma categoria que, até então, frequentemente era enquadrada em outras classificações de insumos agrícolas.
“Naturalmente, a criação de uma regulamentação não produz efeitos imediatos. Era necessário que as empresas compreendessem as novas regras, organizassem a documentação técnica, realizassem estudos, estruturassem dossiês e submetessem seus produtos à avaliação do MAPA”, explica Anderson. Segundo ele, esse processo fez com que o crescimento inicial fosse gradual, resultando em apenas cinco registros entre 2019 e 2022.
A partir de 2023, porém, o setor passou a apresentar uma trajetória de crescimento mais consistente. Naquele ano, foram registrados nove biofertilizantes, seguidos por seis em 2024, cinco em 2025 e outros oito apenas no primeiro semestre de 2026, em um contexto onde as empresas passaram a cada vez mais investir na regularização de seus produtos e na geração das evidências necessárias para sustentar tecnicamente seus benefícios.
Muito mais que fertilizantes — Apesar do nome, biofertilizantes não devem ser entendidos como substitutos dos fertilizantes minerais tradicionais. Seu papel é diferente, mas extremamente estratégico: tratam-se de produtos biológicos, obtidos a partir de matérias-primas naturais, como aminoácidos, extratos de algas marinhas, substâncias húmicas e extratos vegetais, capazes de promover respostas fisiológicas positivas nas plantas.
Na literatura científica internacional, essas tecnologias são amplamente conhecidas como biostimulants (bioestimulantes), sendo a terminologia oficialmente adotada pela legislação de diversos países. No Brasil, entretanto, a legislação enquadra esses produtos como biofertilizantes, o que explica a diferença de nomenclatura entre o mercado nacional e o internacional.
Independentemente do nome utilizado, o princípio é o mesmo: aumentar a eficiência biológica das plantas. Na prática, essas tecnologias estimulam o crescimento radicular, favorecem a fotossíntese, melhoram o aproveitamento dos nutrientes presentes no solo e dos fertilizantes aplicados, além de aumentar a tolerância das culturas aos chamados estresses abióticos, como seca, temperaturas elevadas, salinidade e outras condições ambientais desfavoráveis.
“Em outras palavras, esses insumos ajudam a planta a produzir mais utilizando melhor os recursos já disponíveis. Na agricultura moderna, o grande desafio não é apenas disponibilizar nutrientes, mas fazer com que a planta consiga utilizá-los de forma mais eficiente”, continua o engenheiro agrônomo.
Uma nova lógica para a adubação — Os últimos anos transformaram profundamente o mercado mundial de fertilizantes: primeiro, a pandemia de COVID-19 expôs a fragilidade das cadeias globais de suprimento; depois, a guerra entre Rússia e Ucrânia provocou forte alta nos preços dos fertilizantes minerais, enquanto outros conflitos geopolíticos continuaram pressionando os custos logísticos e a disponibilidade de matérias-primas.
Esse cenário reforçou uma discussão que já ganhava força no agronegócio: o aumento da produtividade dependerá menos da aplicação crescente de insumos e mais da capacidade das plantas de aproveitar melhor os recursos disponíveis.
É nesse contexto que os biofertilizantes ganham protagonismo — não para substituir a adubação mineral, mas para atuar de forma complementar, potencializando o aproveitamento dos nutrientes, aumentando a eficiência fisiológica das plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais resilientes e sustentáveis.
“Essa combinação representa uma oportunidade importante para o agricultor brasileiro, que busca elevar a produtividade sem ampliar, na mesma proporção, os custos de produção”, afirma o engenheiro agrônomo.
As tendências da nova geração de biofertilizantes — Os registros concedidos pelo MAPA também revelam para onde a inovação tem avançado nesse segmento. Hoje, o mercado é liderado pelos produtos à base de aminoácidos, que lideram o mercado regulado com 13 registros, o equivalente a 39% do total. Em seguida aparecem os formulados com extratos de algas, que somam 10 registros e representam cerca de 30%. Juntas, essas duas categorias concentram aproximadamente 70% dos biofertilizantes atualmente registrados no país.
Também cresce o número de formulações compostas, que combinam diferentes ingredientes biológicos, especialmente aminoácidos e substâncias húmicas, para ampliar os efeitos fisiológicos sobre as plantas. Essa categoria acompanha uma tendência internacional de desenvolvimento de tecnologias multifuncionais, capazes de atuar simultaneamente em diferentes processos fisiológicos e aumentar a eficiência das culturas.
Um mercado ainda em expansão — Embora os números indiquem um crescimento consistente, Anderson ressalta que eles representam apenas uma fração do potencial desse segmento.
“Hoje existem centenas de produtos comercializados no Brasil à base de aminoácidos, extratos de algas, substâncias húmicas e outros compostos naturais que ainda não possuem registro oficial como biofertilizantes. Muitos continuam enquadrados em categorias regulatórias que não refletem adequadamente sua função fisiológica. Com isso, as empresas deixam de comunicar ao mercado atributos e benefícios que poderiam ser oficialmente reconhecidos dentro da classificação mais adequada”, afirma.
Na avaliação do especialista, a ampliação desses registros tende a fortalecer todo o ecossistema do setor: as empresas passam a contar com maior segurança jurídica para posicionar suas tecnologias; distribuidores trabalham com categorias mais bem definidas; pesquisadores encontram um ambiente regulatório mais organizado; e os produtores rurais têm acesso a informações mais claras e confiáveis para embasar suas decisões.
O futuro já começou — O avanço dos registros observado desde 2023 vai além de um indicador regulatório, mas sinaliza uma mudança estrutural na forma como a agricultura brasileira passa a enxergar a nutrição vegetal e o papel das tecnologias biológicas na construção de sistemas produtivos mais eficientes.
Nas próximas décadas, em que o desafio será produzir mais alimentos com melhor aproveitamento dos recursos naturais, reduzindo desperdícios, elevando a eficiência do uso de fertilizantes e tornando a produção agrícola mais resiliente às mudanças climáticas, os biofertilizantes deixam, cada vez mais, de ocupar um papel apenas complementar para se consolidarem como ferramentas estratégicas para a agricultura.
Para Anderson, essa transformação reflete uma nova forma de pensar a produção agrícola, ao aliar o potencial da própria natureza ao conhecimento científico para desenvolver tecnologias biológicas capazes de aumentar a eficiência das plantas, impulsionar a produtividade e tornar os sistemas produtivos mais sustentáveis, competitivos e preparados para os desafios do futuro.
“Mais do que um crescimento no número de registros, o que estamos presenciando é o amadurecimento de um mercado com potencial para colocar o Brasil entre as principais referências mundiais em tecnologias biológicas voltadas à nutrição de plantas”, conclui.
A 5P2R Marketing de Precisão:
A 5P2R Marketing de Precisão é uma empresa brasileira de consultoria em Inteligência de Mercado e Marketing Estratégico focada exclusivamente no agronegócio. Com atuação em projetos para empresas nacionais e multinacionais, desenvolve análises setoriais, estudos de mercado, posicionamento estratégico e suporte ao lançamento de novas tecnologias agrícolas.
A empresa, fundada por Anderson Nora Ribeiro e Marco Antônio Raymundo, tem participado ativamente, nos últimos anos, de projetos relacionados ao mercado de bioinsumos, incluindo levantamentos estatísticos, análises regulatórias e processos de registro de biofertilizantes junto ao MAPA, contribuindo para o fortalecimento da inteligência de mercado e da comunicação técnica do setor.
Anderson Nora Ribeiro é engenheiro agrônomo pela UFPR, especialista em Gestão Empresarial pela FGV e em Marketing pela USP/ESALQ. Possui mais de 20 anos de experiência em marketing estratégico, gestão de portfólio, inteligência de mercado e desenvolvimento de negócios no agronegócio, com atuação em empresas como Yara International, Microquímica, Tradecorp e Adubos Trevo. Foi diretor e conselheiro da ABISOLO, liderando projetos de comunicação e inteligência de mercado que contribuíram para o desenvolvimento do setor de fertilizantes especiais no Brasil. Atualmente, como sócio-fundador da 5P2R Marketing de Precisão, atua em projetos de inteligência de mercado, posicionamento estratégico, desenvolvimento de novos mercados e processos regulatórios para bioinsumos e fertilizantes especiais.
Marco Antônio Raymundo é engenheiro agrônomo pela USP/ESALQ, com pós-graduação em Marketing e especialização em Publicidade pela ESPM. Acumula mais de 30 anos de experiência em marketing, planejamento estratégico e gestão comercial em empresas como Norsk Hydro, Yara International, BMS Micro-Nutrients, GTS Química, Galvani Fertilizantes e Itafos. Participou de projetos estratégicos que marcaram a expansão do mercado brasileiro de fertilizantes especiais, com forte atuação em posicionamento de marcas, gestão de portfólio e desenvolvimento de negócios. Na 5P2R Marketing de Precisão, o também sócio-fundador atua no assessoramento de empresas do agronegócio em inteligência de mercado, planejamento estratégico e fortalecimento de marcas e estratégias de crescimento.
Fonte: Assessoria de imprensa
Sustentabilidade
Quando e por que fracionar a adubação nitrogenada no milho? – MAIS SOJA

A adubação nitrogenada é uma das principais práticas de manejo da cultura do milho, pois visa suprir a demanda de nitrogênio (N) das plantas e contribuir para o alcance de elevadas produtividades. Entretanto, a dose de fertilizante nitrogenado a ser utilizada deve ser ajustada de acordo com fatores como o sistema de produção, a cultura antecessora, a expectativa de produtividade e a capacidade de resposta do híbrido cultivado.
Sendo assim, definir o período de aplicação do fertilizante bem como a necessidade de fracionar ou não a adubação é crucial para assegurar a manutenção do potencial produtivo do milho e potencializar a formação dos componentes de produtividade. No sistema plantio direto, recomenda-se aplicar entre 20 e 40 kg/ha de N na semeadura, quando esta for feita sobre resíduos de gramíneas, e entre 10 e 20 kg/ha de N, quando a semeadura for sobre resíduos de leguminosas (Eicholz et al., 2024). Quando a adubação em cobertura for realizada em dose única na pós-emergência do milho, recomenda-se que a aplicação dos fertilizantes nitrogenados ocorra entre os estádios de três a cinco folhas (V3 a V6).
Quando fracionar a adubação nitrogenada no milho?
O fracionamento da adubação nitrogenada é recomendado quando a dose do nutriente a aplicar é elevada, podendo-se aplicar 50% da dose quando as plantas estiverem nos estádios fenológicos V4 a V6 e os 50% restantes, nos estádios V8 a V9 (Eicholz et al., 2024). O fracionamento da adubação nitrogenada no milho deve ser realizado quando a dose a ser aplicada de nitrogênio na cultura for maior que 120 kg/ha, e/ou em solos de textura arenosa ou áreas sujeitas a chuva de alta intensidade (Cruz et al., 2011).
Por que fracionar a adubação nitrogenada de cobertura?
Embora exija uma operação agrícola adicional, o parcelamento da adubação nitrogenada no milho busca reduzir as perdas de nitrogênio por lixiviação e aumentar o aproveitamento do nutriente pelas plantas, disponibilizando-o em períodos estratégicos para a formação dos componentes de produtividade da cultura.
Durante os estádios vegetativos iniciais, o milho passa por etapas decisivas para a definição do potencial produtivo. Em V3, ocorre a formação das estruturas que darão origem às folhas e espigas, influenciando o número potencial de grãos (Magalhães & Durães, 2006). Em V4, o desenvolvimento foliar torna a fase estratégica para o manejo da adubação nitrogenada, enquanto em V6 começa a definição do número de fileiras por espiga. Entre V8 e V10, ocorre a diferenciação dos óvulos e, após V10, intensificam-se o crescimento, o acúmulo de nutrientes e a formação de massa seca, preparando a planta para a fase reprodutiva (Ribeiro et al., 2020).
Figura 1. À esquerda, planta de milho em estádio de seis folhas completamente desenvolvidas. À direita, planta no estádio V6, mostrando o ponto de crescimento acima da superfície do solo. Imagem com qualidade otimizada pelo uso de IA.
Sendo assim, o fracionamento da adubação nitrogenada, nas fases supracitadas, especialmente se tratando de altas doses de N, contribui não só para reduzir as perdas do nutriente no sistema de produção, como também para otimizar a formação de componentes de produtividade do milho, e aumentar o rendimento da cultura.
Referências:
CRUZ, J. C. et al. BOAS PRÁTICAS AGRÍCOLAS: MILHO. Embrapa Milho e Sorgo, Documentos, n. 119, 2011. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/908225/1/doc119.pdf >, acesso em: 16/10/2026.
EICHOLZ, E. D. et al. INFORMAÇÕES TÉCNICAS PARA O CULTIVO DE MILHO E SORGO NA REGIÃO SUBTROPICAL DO BRASIL: SAFRAS 2023/24 E 2024/25. Associação Brasileira de Milho e Sorgo: MISOSUL, Reunião Técnica Sul-Brasileira de Pesquisa de Milho e Sorgo, 2024. Disponível em: < https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1168111/1/Reuniao-tecnica-sul-brasileira-de-pesquisa-de-milho-e-sorgo-Eberson-Diedrich-Eicholz.pdf >, acesso em: 16/10/226.
MAGALHÃES, P. C.; DURÃES, F. O. M. FISIOLOGIA DA PRODUÇÃO DE MILHO. Embrapa, Circular Técnica, n. 76, 2006. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/CNPMS/19620/1/Circ_76.pdf >, acesso em: 16/10/2026.
RIBEIRO, B. S. M. R. et al. ECOFISIOLOGIA DO MILHO: VISANDO ALTAS PRODUTIVIDADES. Santa Maria, ed. 1, 2020.

Sustentabilidade
Chuvas castigam estado e deixam plantio de soja praticamente parado; veja onde

A semeadura da soja da safra 2026/27 segue em ritmo lento no Rio Grande do Sul, prejudicada pelas chuvas frequentes, pela elevada umidade do solo e pela redução das janelas operacionais para a entrada de máquinas nas lavouras. As informações são do relatório semanal da Emater-RS, divulgado nesta quinta-feira (15).
Na maior parte das regiões produtoras, os agricultores têm priorizado a dessecação de plantas de cobertura e o preparo das áreas, enquanto aguardam condições mais favoráveis para iniciar ou ampliar o plantio.
De acordo com a Emater, a cautela também está relacionada ao risco de necessidade de ressemeadura após precipitações intensas, o que pode elevar os custos de implantação da cultura.
As primeiras áreas semeadas estão concentradas, em parte, em locais que receberam autorização para o plantio antecipado ou que não estão sujeitos às restrições de financiamento relacionadas às normas do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).
A Emater/RS-Ascar estima uma área de 6,64 milhões de hectares destinada à soja no estado, com produtividade projetada em 3.183 quilos por hectare.
Preço da soja no Rio Grande do Sul
Além das dificuldades no campo, o mercado gaúcho registrou queda nas cotações. Segundo o levantamento semanal da Emater/RS-Ascar, o preço médio da soja no estado recuou 0,99%, passando de R$ 139,71 para R$ 138,32.
Sustentabilidade
Semeadura do milho chega a 76% no RS em meio ao excesso de chuvas e pouca luminosidade – MAIS SOJA

A semeadura de milho avançou apenas em algumas regiões e alcançou 76% da área projetada. As chuvas frequentes, a elevada umidade do solo, a baixa luminosidade e as temperaturas amenas têm restringido o acesso das máquinas e retardado o desenvolvimento inicial das lavouras na maior parte do Estado. A baixa disponibilidade de radiação solar limitou o crescimento das plantas, e os elevados volumes de precipitação podem favorecer a lixiviação de nutrientes.
Os temporais com granizo e ventos fortes provocaram danos em lavouras estabelecidas, comprometendo o estande no Noroeste do Estado. Contudo, parte dos cultivos apresenta recuperação satisfatória após os danos iniciais.
Os tratos culturais se concentram na adubação nitrogenada de cobertura e no manejo de plantas daninhas e insetos. Embora as capturas de cigarrinhas estejam baixas em alguns pontos de monitoramento, a presença do vetor tem sido acompanhada em função da suscetibilidade da cultura às doenças transmitidas por esses insetos.
A Emater/RS-Ascar estima o plantio de 896.401 hectares e produtividade projetada de 7.711 kg/ha.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a baixa disponibilidade de radiação solar limitou o desenvolvimento dos cultivos. Os tratos culturais das áreas mais adiantadas estão, em geral, em dia, mas a manutenção da umidade do solo pode atrasar o controle de plantas daninhas e a aplicação de nitrogênio em cobertura nas lavouras emergidas na segunda quinzena de setembro.
Na de Caxias do Sul, a elevada umidade do solo dificultou o avanço da semeadura. As temperaturas baixas têm prolongado a germinação, podendo provocar emergência desuniforme e falhas no estande.
Na de Frederico Westphalen, cerca de 90% da área prevista foi semeada, e as lavouras estão integralmente em desenvolvimento vegetativo. O crescimento está abaixo do esperado devido à baixa luminosidade e à lixiviação de nutrientes, especialmente nitrogênio, reduzindo a eficiência da adubação de base e de cobertura. O manejo de plantas daninhas foi prejudicado em algumas áreas pelas dificuldades de acesso aos cultivos.
Na de Ijuí, a semeadura continua em 92% da área. Apesar da baixa luminosidade e do predomínio de tempo encoberto, as lavouras apresentam bom desenvolvimento. As plantas atingidas por granizo se recuperaram, com emissão de folhas novas bem expandidas e coloração verde intensa. A umidade tem favorecido a aplicação de nitrogênio em cobertura antes das chuvas. Também foram registrados ataques de lesmas em lavouras com maior quantidade de palhada, exigindo controle em alguns talhões. As capturas de cigarrinhas estão baixas.
Na de Pelotas, o plantio alcança 7% da intenção. O avanço dos trabalhos deverá ocorrer de forma escalonada, uma vez que a semeadura do arroz irrigado e da soja constitui prioridade operacional na região.
Na de Santa Rosa, as lavouras, que apresentavam bom desenvolvimento antes dos temporais com granizo e vendaval em 29/09, sofreram falhas significativas de estande e, em algumas áreas, poderá ser necessária a ressemeadura ou a substituição por outras culturas.
As plantas em estádios iniciais apresentam maior capacidade de rebrota, mas os impactos finais sobre a produtividade ainda não foram quantificados. A umidade elevada e os solos encharcados restringiram as operações de manejo, mantendo parte dos produtores concentrada na avaliação da recuperação das lavouras atingidas. Na de Soledade, a área semeada alcança 62% do previsto, e os plantios mais precoces já foram encerrados. Os cultivos se encontram integralmente em germinação, emergência ou desenvolvimento vegetativo inicial. O excesso de umidade e as temperaturas amenas, especialmente durante as noites e manhãs, têm desacelerado o crescimento, embora os impactos sejam considerados leves até o momento. Não há relatos de lavouras danificadas por granizo na região.
Comercialização (saca de 60 quilos)
O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, reduziu 0,37%, passando de R$ 62,67 para R$ 62,44. Bolsa de Cereais de Cruz Alta R$ 75,00 para produto disponível.
Fonte: Emater/RS
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