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Plantio do trigo alcança 87% da área prevista no Rio Grande do Sul

A semeadura do trigo no Rio Grande do Sul atingiu 87% da área prevista para a safra 2026, ante 83% na semana passada, informou a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater) nesta quinta-feira (9). Segundo a entidade, o avanço do plantio no período foi restrito pela umidade do solo. Nas áreas de maior altitude, os trabalhos devem seguir até o fim de julho.
A Emater projeta área de 814.220 hectares com trigo no Estado em 2026. A produtividade média estimada é de 2.701 quilos por hectare.
De acordo com a entidade, as lavouras já implantadas apresentam estabelecimento e estandes adequados, com desenvolvimento compatível com a época de cultivo. No momento, predominam os estádios de desenvolvimento vegetativo inicial e perfilhamento. Nas áreas semeadas mais cedo, já começou o alongamento do colmo.
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As temperaturas baixas e as geadas de fraca intensidade favoreceram o perfilhamento, sem danos expressivos às plantações. Por outro lado, a nebulosidade e a baixa disponibilidade de radiação solar limitaram temporariamente o crescimento vegetativo.
Em regiões com maior volume de chuva, houve encharcamento, perdas localizadas de solo e necessidade de replantio em áreas com drenagem deficiente. O excesso de umidade também prejudicou o andamento da semeadura e restringiu operações de manejo, como a aplicação de herbicidas e de fertilizantes nitrogenados em cobertura.
Segundo a Emater, a umidade do dossel elevou o potencial de incidência de doenças foliares, o que levou ao aumento do monitoramento fitossanitário nas lavouras.
No mercado, o valor médio da saca de 60 quilos de trigo no Estado recuou 0,11% na semana, de R$ 69,67 para R$ 69,59.
Com 87% da área prevista já semeada, a safra de trigo no Rio Grande do Sul avança sob influência das condições de umidade, com lavouras em desenvolvimento inicial e continuidade do plantio nas áreas de maior altitude até o fim de julho.
Fonte: Estadão Conteúdo
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O agricultor e o publicitário

O que os agricultores fazem de bem-feito nos solos e mares cabe aos publicitários divulgar para o mundo. Amazônia, a marca da Marca do Brasil!
Todo agricultor tem um pouco de publicitário, pois, desde os primórdios, precisava levar seus produtos às feiras dos feudos e usar sua voz e a demonstração de suas batatas, legumes e carnes para atrair a preferência pelas suas mercadorias.
E todo publicitário tem um pouco de agricultor, pois precisa extrair do invisível das sementes das razões fortes impactos que emocionem e conquistem corações.
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Agronegócio, tradução de agribusiness — conceito desenvolvido por Dr. Ray Goldberg, de Harvard —, nos ensinou que não existe mais uma atividade isolada, que se realizava inteiramente como na época dos ancestrais, quando agricultores produziam as próprias sementes, criavam suas ferramentas manuais, colhiam com as mãos e iam às feiras promover e vender.
Um complexo científico e tecnológico está no antes das porteiras das fazendas, e um sistema agroindustrial de comércio e serviços está no pós-porteira das fazendas.
Dessa forma, a disputa pela preferência, simpatia e paixão por produtos e marcas, derivadas da produção agropecuária com agregação de valor e velocidade competitiva na sua adoção, se estabelece em um conhecimento novo, desenvolvido no século XX, que chamamos de marketing.
E, dentro desse conceito administrativo, que conecta o consumidor final com seu coração e sua mente no centro das mesas dos negócios, ocorre a arte publicitária.
A estratégia da propaganda também é milenar. Desde as construções monumentais de castelos e prédios religiosos, passando pelas praças de espetáculos, pelos shows terríveis nos coliseus, tambores, berrantes, figurinos e bandeiras, até os menestréis com a arte da palavra e seus alaúdes, a música e outros recursos atraíam e engajavam as populações em seus pontos de vista e percepções.
Dessa forma, ao falar de agronegócio sem a arte publicitária, ficaríamos somente com o lado do “agro”, sem eficácia na realização, hoje veloz, dos negócios.
Desde o pau-brasil, utilizado na coloração do vermelho mais nobre nas roupas de fidalgos do passado, atravessando as demonstrações de banquetes em que um rei exercia sua superioridade pela presença, em suas mesas, de produtos que eram plantados e criados muito distante de seus reinos, geravam-se “power brands”, associando algodão ao Egito, sedas à Índia, flores aos Países Baixos, vinhos ao Porto português etc.
A arte publicitária sempre esteve presente na atividade agroalimentar. A partir da Revolução Industrial, ela se transporta para o que Marx chamou de “fetiche das mercadorias”. As marcas, com agregação de valor, embalagens, apresentações e poder de distribuição em distintos canais, fazem uso da arte publicitária para, por exemplo, criar um espetáculo mundial de soft drink como a Coca-Cola, exaltar o hábito de mascar chicletes, gerar fast foods em sistemas de franquia internacionais e transformar a vida dos pets em um mercado de consumidores de saudáveis e finas rações.
Dessa forma, a arte publicitária criava sentidos pelos quais as pessoas se entusiasmavam, adotavam visões de mundo e as mercadorias adquiriam vida própria. Foi assim que surgiu a expressão: “a propaganda é a alma do negócio”.
Hoje temos um desafio agro tropical e ambiental brasileiro: implantá-lo na consciência do cidadão do mundo inteiro.
Temos a oportunidade espetacular de contar com a maior marca mundial, a Amazônia. Uma agência de branding, a FutureBrand, de São Paulo, participando do Festival Publicitário de Cannes, ganhou três Leões de Ouro com o design da marca Amazônia e fez a doação dessa marca para o Consórcio da Amazônia.
Temos realidades geradas no Brasil nos últimos 50 anos que estão carentes de uma estratégia publicitária. Existem ações competentes de vendas com a Apex, os adidos agrícolas e associações, como destaco a Abrapa, do algodão, e o Cecafé, onde até provoquei Marcos Antônio Matos, CEO da entidade, sobre por que não usarmos a nossa campeã olímpica, com saltos magistrais, Rebeca, elevando a percepção do café do Brasil, o campeão olímpico do mundo nessa arte.
A propaganda existe para encantar as massas, segmentos de consumidores e públicos. Como todo conhecimento humano, pode ser usada para o bem ou para o mal.
Usar a arte publicitária, o conhecimento da propaganda, para uma causa nobre, como dar percepção e conquistar mentes e corações humanos do mundo inteiro com aquilo que o Brasil faz de bem-feito, é um dever e uma obrigação de líderes do complexo agroindustrial nacional.
O agricultor tropical amazônico do Brasil merece ter ao seu lado o publicitário, utilizando as artes, a poesia das palavras, a música, os insights de força e de emoção que caracterizam a propaganda.
E, dentro da estratégia publicitária, reunir todo o mix de mídia, com todas as mídias, desde a nobreza do papel até o invisível digital, porém com a convicção de que, sem essa arte, não poderemos transformar os atuais cerca de US$ 600 bilhões do movimento somado das cadeias produtivas agrobrasileiras em uma genuína e obrigatória meta de US$ 1 trilhão nos próximos 10 anos.
Sem a orquestração da propaganda, não faremos sinfonia e teremos apenas cacofonia. Não temos mais 40 anos para, de forma silenciosa, chegarmos ao posto de maior agroexportador mundial.
Está na hora de conquistar corações e mentes, do “gene ao meme”. Temos ótimos publicitários no país, sempre tivemos. Vamos reunir produtoras e produtores rurais com publicitárias e publicitários.
Não se trata mais de mostrar o Brasil para o mundo, e sim de mostrar o quanto, no Brasil, o mundo ficou mais brasileiro.
Share of mind, o termo que antecede share of market e que permite segurança estratégica para todos os negócios.

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
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Caroço de açaí vira nanofertilizante e eleva crescimento do sorgo em 164%

Pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveram um nanofertilizante a partir do caroço do açaí, capaz de estimular o crescimento de milho e sorgo. Em testes experimentais, a aplicação de baixas doses do produto (10 miligramas por litro) aumentou o crescimento relativo das plantas em 24% no milho e 164% no sorgo.
O volume das raízes também cresceu 23% e 59%, respectivamente, em comparação com os controles não tratados.
O caroço do açaí é um coproduto pouco aproveitado no processamento agroindustrial. Para cada tonelada de frutos utilizada na extração da polpa, são gerados cerca de 700 quilos de caroços, que normalmente são descartados ou usados como combustível em caldeiras.
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Foram utilizadas nos testes, as variedades de milho BRS-Gorutuba e sorgo 2502, ambas com ciclo curto de produção e recomendadas para o plantio no semiárido. O aumento das raízes, especialmente no sorgo, permite que as plantas explorem o solo com maior eficiência, favorecendo sua sobrevivência.
O novo nanofertilizante é produzido a partir do pó de semente do açaí em um processo chamado síntese hidrotermal. O resultado são nanopartículas fluorescentes, conhecidas como pontos quânticos de carbono (carbon quantum dots), que medem aproximadamente quatro nanômetros.
Essas partículas penetram com grande eficiência nos tecidos das folhas. Dentro da planta, além de entregar nutrientes minerais essenciais, funcionam como antenas que captam a radiação ultravioleta e, a partir dela, emitem uma luz azul capaz de estimular o sistema fotoquímico da planta e aumentar a eficiência da fotossíntese.
Aumento da eficiência
O pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical (CE), Cláudio Carvalho explica que, devido ao tamanho reduzido das partículas, os nanofertilizantes penetram com eficiência nos tecidos vegetais e entregam nutrientes diretamente no nível celular, aumentando a absorção em relação aos fertilizantes foliares convencionais.
Carvalho acrescenta que os nanofertilizantes podem alcançar resultados superiores com doses menores, reduzindo custos de aplicação e possíveis impactos ao meio ambiente.
“Em comparação com os fertilizantes convencionais, os nanofertilizantes geralmente resultam em menos escoamento superficial e menor contaminação dos solos e corpos d’água, tornando-os potencialmente mais sustentáveis”, completa.
De resíduo a riqueza
De acordo com Carvalho, apesar de existirem poucos estudos sobre o uso do caroço de açaí em pequena escala como biochar (biocarvão), produção de bioenergia ou desenvolvimento de materiais compósitos, esse resíduo geralmente se acumula nos centros urbanos das regiões produtoras e em grandes cidades.
Ele explica que a semente do açaí é um “kit de sobrevivência natural” contendo nutrientes necessários para a planta se estabelecer em ambientes hostis. Essa riqueza torna o caroço do açaí o precursor ideal para o nanofertilizante.
“Esse é um destino nobre, que agrega valor à biomassa e, ao mesmo tempo, devolve pelo menos parte dos nutrientes minerais, principalmente micronutrientes, às áreas de produção, economizando em fertilizantes”, afirma.
Conforme o cientista, o grupo pretende testar o produto em outras espécies como feijão, batata doce, abóbora, hortaliças, além de mudas de açaizeiro.
“Após a finalização e escalonamento do processo de produção, o nanofertilizante poderá se tornar uma grande e segura oportunidade de retorno dos nutrientes ao sistema produtivo, quer na própria cultura do açaizeiro, nos viveiros de mudas, em cultivo protegido, e em outras aplicações”, complementa.
“No Brasil são geradas grandes quantidades de resíduos agroindustriais, especialmente na região amazônica, o que representa uma matéria-prima abundante e de baixo custo”, observa o professor Pierre Fechine, coordenador do Laboratório do Grupo de Química de Materiais Avançados (GQMat) da UFC, parceiro nesse trabalho.
Ele acrescenta que também será necessário avançar nos estudos regulatórios e de segurança para uso agrícola em larga escala.
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Deriva de herbicidas causa prejuízos de R$ 210 milhões, mostra pesquisa

Um levantamento inédito realizado no Rio Grande do Sul dimensionou o impacto econômico da deriva de herbicidas utilizados principalmente em lavouras de grãos sobre a produção de uvas. Segundo o estudo, os prejuízos provocados pelo problema ultrapassaram R$ 210 milhões entre 2018 e 2025, considerando perdas de produção, aumento dos custos de manejo e necessidade de renovação antecipada dos vinhedos.
A pesquisa foi realizada pelo Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado (ConceVitis-RS) e pela Fundação Empresa-Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
O levantamento analisou mais de 400 ocorrências de deriva registradas no estado, além de entrevistas realizadas em diferentes regiões vitivinícolas e análises territoriais. Ao todo, foram identificados pelo menos 700 hectares de vinhedos afetados.
Os pesquisadores alertam, porém, que a área atingida pode ser ainda maior, já que o estudo considerou os registros oficiais disponíveis.
Deriva reduz produtividade e antecipa renovação de vinhedos
Os impactos não se limitam à perda imediata da produção. Quando atingidas por herbicidas hormonais, as videiras apresentam sintomas característicos, como deformações nas folhas, além de redução da produtividade.
O problema também pode comprometer os ciclos seguintes. Uma videira afetada pode apresentar menor vida útil, fazendo com que o produtor precise antecipar a renovação do vinhedo e, consequentemente, aumentar os investimentos na propriedade.
De acordo com o estudo, caso o cenário persista, os prejuízos podem ultrapassar R$ 150 milhões em cinco anos, considerando os impactos sobre a atividade vitivinícola.
Regiões produtoras são afetadas
Foram identificados registros de deriva em importantes regiões produtoras do Rio Grande do Sul, como Campanha Gaúcha, região Central, Serra do Sudeste, Campos de Cima da Serra, Planalto e Missões. Também foram registrados casos, de forma mais pontual, na Serra Gaúcha.
Para o setor vitivinícola, o problema pode representar um obstáculo aos investimentos e à expansão da atividade no estado.
Representantes do setor ressaltam, no entanto, que a intenção não é impedir o cultivo de grãos, mas buscar condições para que as duas atividades possam coexistir sem que uma provoque prejuízos à outra.
Herbicidas hormonais estão no centro do debate
A deriva de herbicidas é uma discussão antiga no Rio Grande do Sul. Entre os produtos envolvidos está o 2,4-D, herbicida hormonal utilizado no controle de plantas daninhas.
O produto já esteve no centro de disputas judiciais envolvendo entidades dos setores de uva, vinho e maçã. Segundo os produtores, a deriva pode provocar deformações em folhas e flores e comprometer a produtividade das culturas atingidas.
Treinamento busca reduzir casos de deriva
Diante do problema, a Emater-RS desenvolveu o programa de treinamento Inspea-RS, voltado a agricultores e aplicadores de defensivos.
Já foram realizados mais de 1 mil treinamentos, com cerca de 24 mil aplicadores capacitados. O objetivo é melhorar a eficiência das aplicações, reduzir os casos de deriva e também evitar desperdícios de defensivos.
Aplicação correta pode reduzir risco em mais de 40%
Entre as principais medidas para reduzir a deriva está a escolha adequada das pontas de pulverização.
De acordo com o engenheiro agrônomo da Emater-RS, Wilder Dalprá, no caso de herbicidas hormonais, a recomendação é utilizar pontas que produzam gotas grossas, muito grossas ou extremamente grossas.
Somente a utilização de uma ponta adequada pode reduzir o risco de deriva em mais de 40%, segundo a orientação apresentada na reportagem.
Pontas que produzem gotas finas e muito finas, como as de jato cone, aumentam o potencial de deriva. Nesses equipamentos, aproximadamente 40% das gotas podem ser consideradas deriváveis. Com pontas que produzem gotas muito grossas ou extremamente grossas, esse percentual pode cair para uma faixa de 3% a 7%.
Condições climáticas também são decisivas
Além da regulagem dos equipamentos, as condições meteorológicas no momento da aplicação são fundamentais.
A recomendação é evitar aplicações com temperaturas excessivamente altas e observar a velocidade do vento. Segundo a Emater-RS, o vento deve ficar entre 3 km/h e 10 km/h.
Também é necessário considerar a umidade relativa do ar, que não deve ficar abaixo de 55% durante a aplicação.
A adoção dessas medidas, equipamentos adequados, regulagem e calibração corretas e respeito às condições meteorológicas pode contribuir para reduzir a deriva e tornar a aplicação de herbicidas mais eficiente e sustentável.
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