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27 de julho de 2026

Sustentabilidade

Passado o anúncio formal, Plano Safra tem seus desdobramentos analisados em meio ao tarifaço – MAIS SOJA

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Por Marcelo Sá – jornalista/editor e produtor literário

 Ausência de seguro rural e juros altos repercutiram

Com o tarifaço anunciado por Donald Trump e a votação do novo marco para o licenciamento ambiental, que mobilizaram as atenções nas últimas semanas, alguns dos desdobramentos do Plano Safra ficaram em segundo plano nas análises de mercado. Ainda não há indicações de que o pacote passará por mudanças, caso a alíquota de 50%, anunciada pelo presidente americano para todos os produtos brasileiros, de fato vigore. Mas o Portal SNA traz agora as principais manifestações do setor e as perspectivas de cada avaliação, ora críticas, ora reconhecendo certos avanços.

 Vencida a etapa do anúncio oficial, dividido em duas cerimônias, o Plano Safra 2025/2026 teve seus números assimilados por produtores, empresários, entidades de representação e bancadas parlamentares. Conforme o Portal SNA mostrou, a Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) reservou palavras duras ao pacote, na figura de seu presidente, deputado federal Pedro Lupion (PP – PR).

A entidade criticou a distorção de certos aportes divulgados, tais como as Cédulas de Produto Rural (CPR). Para a FPA, a inclusão desse tipo de lastro dá a impressão de que o governo arca com a subvenção, quando na verdade são instrumentos privados já usados pelos produtores como garantia de recursos. A FPA também mirou na taxa de contratação das linhas de crédito disponíveis no Plano Safra anterior, encerrado em 30 de junho. Segundo a bancada, houve queda mais significativa na procura pelos recursos, além de menor equalização de juros e maior inadimplência. O seguro rural sequer foi formalmente anunciado, com o Ministro da Agricultura Carlos Fávaro prometendo uma solução até setembro, no máximo.

Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também se manifestou, avaliando que os recursos anunciados estão abaixo das necessidades do setor e não acompanham a inflação do período. A expectativa da CNA para 2025 é de que o PIB do agronegócio alcance 29% do PIB total do Brasil. A entidade também lamentou a ausência do seguro rural no pacote, e afirmou que a conjuntura complexa preocupa, com crises geopolíticas, aumento nos custos de produção, fertilizantes, combustíveis e fretes internacionais.

A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) emitiu comunicado de tom pessimista, ressaltando, além das preocupações levantadas por FPA e CNA, a má condução da política econômica do país, que contribuem para a alta taxa de juros e, com efeito, para a dificuldade na contratação do crédito. Em contrapartida, alguns dos pontos considerados positivos são os aumentos do teto para contratação de financiamentos para médios produtores pelo Pronamp e as mudanças no programa para construção de armazéns, o PCA.

Sociedade Rural Brasileira (SRB) fez eco tanto às críticas quanto ao reconhecimento de boas notícias. A SRB reconheceu o crescimento nominal do crédito, de 1,5% para a agricultura empresarial e 3% para os produtores familiares. Apesar disso, a entidade lembrou que esses valores ficam abaixo da inflação acumulada (IPCA de 5,2%), fato que reduz o poder real de compra e o impacto efetivo do financiamento, segundo a entidade.

Governo na defensiva

Nas cerimônias de anúncio do Plano, realizadas semana passada, jornalistas e convidados notaram o tom destoante de certos discursos, como do Ministro da Fazenda Fernando Haddad. Ele teceu fortes críticas à gestão federal anterior, que terminou há dois anos e meio. O Banco Central, cujo atual presidente foi indicado pelo governo e vem mantendo a tendência de alta na taxa básica de juros, também não foi poupado. As autoridades presentes culparam a Selic (atualmente em 15%) pelos reflexos negativos na economia em geral e no agronegócio em particular.

Pressionado, o Ministro da Agricultura Carlos Fávaro classificou os juros como “desproporcionais”, e vem insistindo num novo modelo para o seguro rural, objeto de críticas do setor por não ter sido formalmente abordado no Plano Safra. Em entrevista à Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), ele disse que estudos técnicos estão em curso para basear mudanças no programa de subvenção pública das apólices.

Estamos com estudos técnicos sendo desenvolvidos pelo Ministério da Agricultura. Ficam prontos em 15 a 20 dias, para que possamos, em agosto ou setembro, antes do início da safra de verão, estar ofertando aos produtores um novo modelo de seguro rural brasileiro, que eu espero que seja mais eficiente e tranqüilizador”, disse o Ministro.

Fávaro tem defendido uma integração do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) com o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), mas ainda não apresentou detalhes.

Naturalmente, todas essas avaliações passaram a contabilizar o tarifaço de Donald Trump e o impacto gerado na agropecuária brasileira, antes mesmo do início de sua vigência, programada para 1 de agosto. Produtores, autoridades e entidades de representação refazem diariamente seus cálculos, estimando prejuízos dos embarques já cancelados enquanto alimentam a esperança de um recuo por parte dos americanos. Sem definição, diversas cadeias produtivas têm sua sobrevivência ameaçada, como o Portal SNA vem mostrando, e podem precisar muito mais do que os estímulos habituais do Plano Safra para se recuperarem no curto, médio e logo prazo.

Além dos órgãos já mencionados na matéria, colaboraram com informações complementares o Banco Central e a Agência FPA.

Fonte: SNA



 

FONTE

Autor:Marcelo Sá/SNA

Site: SNA

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Sustentabilidade

Forrageiras: o investimento mais estratégico para agricultura moderna – MAIS SOJA

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Por: Marcelo Ayres Carvalho, Pesquisador da Embrapa Cerrados

A eficiência no uso da terra e o controle dos custos de produção são fatores essenciais para a gestão das propriedades rurais. Em um cenário de variações nos preços das commodities agrícolas, do custo dos insumos e das taxas de juros, a eficiência do sistema produtivo impacta diretamente a estabilidade financeira das atividades rurais. Neste contexto, as plantas forrageiras deixam de ser apenas um componente da pecuária para assumir um papel estratégico na agricultura moderna.

Mais do que culturas de cobertura, elas contribuem para a saúde do solo, reduzem riscos de produção, aumentam a produtividade e fortalecem a rentabilidade das lavouras, especialmente em períodos de instabilidade econômica e climática.

O risco da safrinha e a armadilha do custo fixo

Historicamente, a “safrinha” de grãos (em geral, com milho ou sorgo) foi utilizada para diluir os custos fixos da propriedade. No entanto, em anos de crise financeira e instabilidade climática, essa estratégia pode se transformar em uma perigosa armadilha. Implantar uma segunda safra de grãos exige investimentos elevados em sementes, fertilizantes e defensivos. Quando o clima ou os preços forem desfavoráveis, a safrinha deixa de gerar receita e passa a representar um passivo financeiro.

A busca por eficiência operacional exige que o produtor repense o uso da terra. A exposição ao risco em janelas marginais de plantio tem levado à adoção de alternativas que demandam menor desembolso inicial e oferecem maior proteção ao sistema produtivo.

No entanto, a redução da dependência de safrinhas de alto risco não significa deixar a terra em pousio — o que seria um erro agronômico grave no Sistema Plantio Direto (SPD). A opção é a adoção de culturas que preparem o sistema para a safra principal com um custo significativamente menor.

As forrageiras como ferramentas estratégicas

O cultivo de espécies forrageiras, especialmente gramíneas e leguminosas tropicais, representa uma estratégia eficiente para aumentar a resiliência dos sistemas produtivos. Ao contrário de uma cultura de grãos, a forrageira implantada após a safra de verão, atua como um “seguro biológico”. Ela não exige os mesmos investimentos em operações agrícolas, insumos e gestão, e entrega um retorno para o sistema que poucas tecnologias conseguem superar.

As forrageiras vão além da cobertura do solo. Seus sistemas radiculares promovem descompactação, infiltração de água, oxigenação do perfil, ciclagem de nutrientes, supressão de plantas invasoras, nematoides, pragas e doenças, além de favorecer o sequestro de carbono.
Em um cenário de crise, onde o produtor precisa extrair o máximo de cada quilo de fertilizante aplicado, ter um solo estruturado e saudável é fundamental para evitar perdas de produtividade e aumento de custos de produção.

Evidências técnicas e econômicas: o valor da saúde do solo

Estudos científicos demonstram que substituir a safrinha de grãos por forrageiras melhora o desempenho do sistema produtivo. Pesquisas têm demonstrado que a soja cultivada após o uso de forrageiras apresenta um incremento médio de 15% na produtividade, o que representa cerca de 515 quilos por hectare adicionais (ou mais de 8,5 sacas por hectare). O ganho está associado à melhora dos bioindicadores da saúde do solo, com aumento da atividade enzimática e da ciclagem de nutrientes.

Do ponto de vista financeiro, o retorno sobre o investimento (ROI) é bastante expressivo. Enquanto o custo de implantação de uma cobertura forrageira varia entre US$ 9 e US$ 30 por hectare em sementes, o retorno financeiro apenas em ganho de produtividade da soja subsequente é estimado em US$ 198 por hectare.

Forrageiras, uma poupança para o solo e para o produtor 

Em tempos de insumos caros, as forrageiras funcionam como uma poupança de nutrientes. Cultivares de Brachiaria recuperam potássio e fósforo das camadas profundas do solo e os devolvem à superfície por meio da biomassa. Após a dessecação da forragem, esses nutrientes são liberados de forma gradual, reduzindo a dependência imediata de fertilizantes químicos de alta solubilidade e custo elevado.

Além disso, a palhada persistente sobre o solo reduz a temperatura superficial e mantém a umidade, mitigando os efeitos do estresse hídrico — um problema recorrente que tem dizimado margens de lucro em diversas regiões.

O uso de leguminosas forrageiras contribui também para a melhoria dos atributos físicos e biológicos do solo, promovendo o aporte de nitrogênio no sistema pela fixação biológica. Estudos mostram que leguminosas forrageiras podem fixar entre 50 e mais de 250 quilos de nitrogênio por hectare ao ano.

Elas podem ser utilizadas isoladamente ou em consórcio com gramíneas. As forrageiras também podem ser pastejadas, diversificando a renda. Estudos em fazendas mostram aumento de 18% na produtividade da soja em áreas pastejadas.

Essa estratégia amplia a competitividade do produtor brasileiro. A sustentabilidade aqui não é um conceito abstrato, mas uma ferramenta de resiliência econômica que permite produzir mais com menos interferência externa.

A maturidade do sistema de produção

O crescimento do mercado de sementes forrageiras mostra que investir na saúde do solo reduz riscos e aumenta a eficiência da safra principal. A adoção de sistemas integrados – a Integração Lavoura-Pecuária (ILP) – ou o uso estratégico de forrageiras como plantas de cobertura para o sistema de plantio direto marca a maturidade do sistema de produção brasileiro.

O produtor que compreende a forrageira como um investimento em infraestrutura biológica estará, ao final dessa crise, em uma posição de liderança, com custos de produção mais baixos, solos mais férteis e uma operação significativamente menos vulnerável às oscilações climáticas e do mercado de commodities e insumos.

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Sustentabilidade

SOJA/CEPEA: Demanda por soja do BR eleva prêmio de exportação e sustenta cotação interna – MAIS SOJA

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O recente aumento das tensões no Oriente Médio impulsionou as cotações internacionais do petróleo, sustentando os preços internacionais da soja. No Brasil, de acordo com o Cepea, a valorização dos prêmios de exportação, somada à influência do cenário geopolítico e ao aquecimento da demanda pela oleaginosa brasileira, reforçou a alta no mercado spot.

Além disso, segundo pesquisadores do Cepea, a previsão de intensificação do fenômeno climático El Niño ao longo da safra 2026/27 vem aumentando as preocupações quanto aos possíveis impactos sobre a produção global de soja. Nesse contexto, parte dos consumidores antecipam as aquisições como estratégia de mitigação de riscos, enquanto vendedores reduzem a oferta de grandes volumes, à espera de condições mais favoráveis de comercialização.

Fonte: Cepea



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Autor:Cepea

Site: Cepea

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MILHO/CEPEA: Com vendedores retraídos, preços sobem no Brasil – MAIS SOJA

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Embora a colheita avance em todas as regiões produtoras de milho de segunda safra, o volume disponível para negócios segue limitado no mercado interno.

De acordo com o Cepea, além de a média nacional da área já colhida estar inferior à das temporadas anteriores, produtores se mantêm afastados das negociações nos últimos dias, atentos às altas nos preços internacionais, o que pode elevar a paridade de exportação. Assim, os preços do cereal subiram em boa parte das praças acompanhadas pelo Cepea.

Na ponta compradora, pesquisadores do Cepea destacam que agentes têm priorizado o consumo dos estoques em detrimento das novas efetivações. Esses consumidores acreditam que os preços possam voltar a cair assim que o volume colhido aumentar e houver necessidade de novas vendas, devido a limitações da capacidade dos armazéns ou à necessidade de caixa.

Fonte: Cepea



FONTE

Autor:Cepea

Site: Cepea

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