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Clima, atraso e desvalorização reduzem renda na soja e deixam milho sob estresse em Mato Grosso

Em Mato Grosso, o clima segue ditando o ritmo no campo. Entre janelas de plantio apertadas, custos em alta e chuvas irregulares, o produtor rural faz contas e revê estratégias para tentar equilibrar as próximas decisões. A preocupação agora se concentra na safra de soja, que se aproxima em meio a um cenário de incertezas, e também na segunda safra de milho, que já sente os impactos da escassez hídrica em várias regiões do estado.
Um conjunto de fatores comprometeu o desempenho final da produtividade da safra de soja 2025/26 na propriedade de José Almiro Muller, em Nova Xavantina. Ele cultivou 2,6 mil hectares, sendo 1,7 mil em áreas arrendadas, enfrentando atraso no plantio, irregularidade das chuvas e uma forte pressão de pragas.
O produtor relata que encerrou os trabalhos no dia 12 de dezembro, bem fora da janela ideal. O grande problema na região foi a mosca branca, que reduziu o peso do grão e não cedeu mesmo após a aplicação de quatro a cinco tratamentos químicos na lavoura, gerando cerca de 25 sacas a menos por graneleiro de máquinas. Para ele, essa perda “faz toda a diferença porque a gente já tem os custos no fio da navalha, e toda a perda é do produtor”.
Além do prejuízo físico no campo, o setor enfrenta um estrangulamento financeiro severo. A sequência de safras difíceis e o aumento expressivo dos custos operacionais têm asfixiado a capacidade de investimento e até a subsistência dos agricultores.

Endividamento e custos operacionais altos asfixiam produtores
A falta de renda familiar tem obrigado os agricultores locais a controlarem rigidamente os gastos cotidianos. A elevação dos juros bancários e as taxas de arrendamento têm inviabilizado a atividade para quem precisa financiar a produção.
“Eu com a minha família não tive renda nos últimos três anos. Eu não tive nenhum real de salário. Isso está difícil, a gente está controlando gastos, os recursos bancários ficaram muito altos com a elevação dos juros, Taxa Selic a 14,5%, 15% e o arrendamento junto com isso inviabiliza. Eu estou pensando em nem plantar esse ano, porque se é para plantar prejuízo é melhor ficar quieto. E não é só eu assim, está todo mundo”, desabafa José Almiro Muller em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.
O produtor também critica o acesso ao crédito agrícola recente, apontando que o Plano Safra “foi um show, dinheiro que quase não apareceu no mercado” nos últimos dois anos. Com isso, os agricultores precisaram recorrer a recursos especiais com taxas que variaram de 22% a 30% ao ano, acumulando juros sobre o endividamento remanescente de uma seca ocorrida há três anos.
Muitos produtores da região precisaram refazer o replantio das áreas devido à irregularidade das chuvas no início do ciclo da soja. De acordo com o delegado da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) em Nova Xavantina, Bruno Tolotti, embora tenham ocorrido casos isolados de lavouras com bom desempenho, “na média comparado com o ano passado em torno de 8 a 10 sacas a menos de média foram produzidas no município”.
Quebra na safra principal encurta janela do milho safrinha
A colheita tardia da soja empurrou o cultivo do milho segunda safra para períodos de alto risco climático. Com quase um mês de escassez hídrica, altas temperaturas e mais da metade da safra de milho fora da janela ideal de plantio, cresce a preocupação com o desenvolvimento e a produtividade final das lavouras.
O município de Nova Xavantina possui uma altitude mais baixa e um índice pluviométrico menor que outras regiões do estado, o que reduz o tempo hábil para o desenvolvimento do cereal. Bruno Tolotti explica que “a cada tempo que a gente perde no plantio ou um atraso na cultura principal, que é a soja, a segunda safra fica diretamente impactada”.
A falta de umidade já provocou danos visíveis que assustam o setor. Na avaliação do delegado, existem agricultores na região que relatam “entre 30 e 40% de perdas olhando visualmente a planta, pelo prazo que ela está e pela chuva que ela já teria que ter pego”. Sem novas previsões de chuva, o cenário se tornou crítico para as culturas de milho e gergelim.
A redução da área plantada tornou-se uma estratégia de defesa para mitigar os riscos do clima severo. A agricultora Emilly Miranda Castro Dalcin revela que diminuiu o cultivo de milho em pelo menos 700 hectares comparado ao ano passado. “Já está arriscado para a realidade de Xavantina e a gente vendo o milho agora já está perdendo o baixeiro, milhos assim que já estão sentindo mesmo a questão da falta de chuva”, pontua à reportagem sobre o plantio do cereal fora da janela.
Estiagem avança pelo Vale do Araguaia e região sul
O cenário de estiagem também afeta os milharais do município de Querência, outro polo agrícola importante do Vale do Araguaia. Conforme dados do Sindicato Rural local, pelo menos 30% da área cultivada com o cereal na cidade está posicionada dentro da chamada janela de risco climático.
O presidente do Sindicato Rural de Querência, Osmar Frizzo, explica que a expectativa do setor era de que as chuvas se estendessem até o início de maio, o que não se confirmou, cessando por volta do dia 25 de abril. Diante disso, a tendência é de que o rendimento geral sofra baixas significativas.
“Uns 20% da safra de milho vai ser comprometida em função desse plantio fora da janela, e é isso que às vezes tira o lucro do produtor, porque ele colhe bem e depois na hora de fechar a média vai baixar em torno de 100, 110 sacas e isso não fecha a conta”, detalha Frizzo.
A escassez hídrica atinge simultaneamente a região sul de Mato Grosso, onde os milharais sofrem com a falta de umidade no solo. Em propriedades localizadas no município de Campo Verde, produtores já estimam que o estresse hídrico severo compromete o potencial produtivo das plantas.
Rentabilidade do setor depende de chuvas isoladas
O agricultor Fernando Ferri relata danos em áreas de textura mista plantadas no final de fevereiro em Campo Verde. As plantas começaram a secar as folhas do baixeiro e a enrolar justamente no período de pendão, momento em que a cultura mais necessita de água para a formação das espigas.
Ferri projeta que a propriedade tem entre 15% e 30% do potencial produtivo comprometido, destacando que a dependência climática atual transformou a safra em um cenário regionalizado. Em sua análise, “vai ter sorte quem pegar uma manga de chuva aqui ou ali para conseguir salvar as lavouras, mas não vai ser geral essa chuva e também não vai ser todo mundo que vai ter as lavouras salvas”.
Lavouras localizadas em Primavera do Leste, Rondonópolis, Alto Garças e Alto Taquari também necessitam de precipitações urgentes por estarem em estágios mais jovens e atrasados. O volume pluviométrico diminuiu inclusive nas regiões que registravam bons índices climáticos nas semanas anteriores.
O presidente da Aprosoja-MT, Lucas Costa Beber, ressalta que a entidade acompanha com preocupação o recuo das chuvas nas principais regiões produtoras. Ele salienta que “diminuiu bastante inclusive nos lugares que estava chovendo bem. Diminuiu o volume pluviométrico. Temos uma forte preocupação já que o milho tem segurado um pouco da rentabilidade do produtor rural”.
Diante do cenário adverso, o setor produtivo agora monitora a possibilidade de consolidação do fenômeno El Niño para os próximos meses. O delegado Bruno Tolotti conclui que, diante dos sinais da ciência, cabe ao produtor se precaver “e tentar manter o custo mais baixo possível”.
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Nova série de lives do Canal Rural te coloca por dentro do preço das principais commodities do país

O Canal Rural começou uma nova série de lives com foco nos preços da soja, do milho, do boi gordo e de outras commodities que movimentam o agronegócio brasileiro.
O Commodities em Foco acontece todas as segundas e sextas-feiras, sempre às 18h10, para você começar e fechar a semana por dentro dos principais movimentos do mercado agrícola.
A primeira transmissão foi com o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias. Ele destacou os motivos de a arroba estar em alta, se o mercado futuro continuará operando contratos com até R$ 20 de diferença em relação ao disponível e o que esperar das cotações para o restante do ano. Assista abaixo:
Para o episódio de hoje, o editor Victor Faverin conversa com o especialista Rafael Silveira, também da consultoria Safras & Mercado, sobre o mercado de soja.
Ele vai explicar se a Bolsa de Chicago já reflete possíveis perdas da safra 2026/27 do grão em vista da presença cada vez mais intensa do fenômeno El Niño. Para não perder essa live, acione a notificação no player abaixo:
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‘Existe saída’, diz advogado sobre leilões de imóveis rurais terem crescido mais de 30%

O endividamento de produtores que atravessaram safras afetadas por eventos climáticos, custos maiores e redução das margens fez com que, em 2025, 14,1 mil imóveis rurais fossem levados a leilão no Brasil, montante que envolveu o total de R$ 78,6 bilhões em operações, conforme dados da plataforma Leilão Imóvel.
Os números representam aumentos de 30,6% na quantidade de propriedades e de 88,9% no valor em relação ao ano anterior.
Para o advogado da HBS Advogados, Frederico Buss, uma dívida vencida não significa que o produtor tenha como únicas alternativas aceitar as condições apresentadas pelo credor ou submeter o patrimônio aos procedimentos de cobrança.
“A definição dos caminhos possíveis depende de uma análise individualizada da operação, das garantias constituídas e das circunstâncias que levaram à dificuldade de pagamento”, salienta.
De acordo com ele, entre os pontos que precisam ser examinados estão a natureza e a finalidade do financiamento, a origem dos recursos, os encargos cobrados e a incidência das normas do crédito rural.
Segundo Buss, também é necessário documentar perdas provocadas por estiagem, excesso de chuvas, enchentes ou outros eventos adversos e verificar a regularidade dos procedimentos de cobrança extrajudicial e judicial.
O tratamento jurídico varia conforme o tipo de obrigação assumida pelo produtor. Operações de crédito rural, Cédulas de Produto Rural (CPRs), Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), contratos com fornecedores e dívidas com cooperativas possuem características próprias, e os mecanismos previstos para o crédito rural não se aplicam automaticamente a todas essas situações.
O advogado lembra que o Manual de Crédito Rural (MCR) prevê hipóteses de prorrogação diante de frustração de safra por fatores adversos, dificuldades de comercialização e problemas de fluxo de caixa decorrentes do acúmulo de perdas em safras anteriores.
De acordo com ele, a medida exige a comprovação da dificuldade temporária para pagamento, a demonstração da necessidade do alongamento e a capacidade do mutuário de cumprir a obrigação nas novas condições.
Prorrogação da dívida
A possibilidade de prorrogação também aparece na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A Súmula 298 estabelece que o alongamento de dívida originada de crédito rural constitui direito do devedor quando preenchidos os requisitos legais, mas isso não significa que qualquer inadimplência gere automaticamente o direito à extensão do prazo.
Com o aumento das propriedades levadas a leilão, Buss aponta que a análise do passivo antes do avanço da cobrança pode ampliar as alternativas disponíveis.
“A atuação nessa fase permite verificar eventual direito à prorrogação ou renegociação, revisar encargos e garantias, reunir documentos sobre perdas de safra e estruturar uma negociação com os credores antes da consolidação da garantia fiduciária, do ajuizamento da execução ou da designação do leilão”, observa o advogado.
Cobrança já em curso
Quando a cobrança judicial já começou, a avaliação passa a considerar também o título executivo, a exigibilidade da obrigação, os encargos aplicados, as garantias e a regularidade dos atos de execução e expropriação.
Para o especialista, o tratamento do endividamento precisa considerar de forma conjunta os aspectos jurídicos, financeiros, agronômicos e patrimoniais de cada produtor.
Segundo o advogado, a análise não deve ter como objetivo apenas adiar o pagamento das obrigações. “O trabalho deve buscar uma reestruturação do passivo compatível com a capacidade de pagamento e com a continuidade da atividade produtiva, observando os direitos do devedor e do credor”, conclui.
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nova regra muda corte de laranjeiras conforme nível da doença

São Paulo adota novas regras para o corte de laranjas contaminadas pelo greening; trata-se de um controle de pragas que incide na plantação conforme a presença da doença em cada município. Nos lugares mais afetados, a eliminação somente é obrigatória às plantas que estejam infectadas e com até três anos de idade. Em locais cuja enfermidade ainda é baixa, todas as árvores devem ser cortadas.
As áreas mais impactadas são Limeira (82,1%), Porto Ferreira (72,43%) e Avaré (69,5%). Diante do levantamento mais recente do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), a regulamentação tem ganhado cada vez mais relevância.
Neste ano (2026), o greening atingiu 48% das plantações de laranja do cinturão formado por São Paulo e pelo Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. Em 2025, havia uma presença de 47,63% nas lavouras.
O crescimento (0,45) foi o menor da última década, o que significa que a disseminação do inseto se tornou morosa, permitindo ao agricultor a renovação dos pomares.
A doença ainda está presente na maior parte das árvores, tornando-se mais severa nas plantas que estão no campo. Contudo, a severidade e a letalidade de tal ocorrência subiu de 22,7% para 27%, de um ano a outro (2025-2026). Nas áreas produtivas, passou de 25,9% para 31%. Isso mostra que, apesar do avanço, parte da safra contaminada apresenta comprometimento maior da copa e da capacidade produtiva.
Manejo
Para o CEO da GiroAgro, Leonardo Sodré, o uso de fertilizantes líquidos de alta concentração é uma das chaves para garantir a competitividade da citricultura brasileira.
“O manejo adequado por meio da utilização de fertilizantes líquidos é o ponto de partida para obter produtividade, qualidade e rentabilidade. Quando aplicados de forma eficiente, os fertilizantes melhoram o desempenho das plantas e ajudam a controlar problemas fitossanitários, garantindo frutos de excelência e fortalecendo a imagem do Brasil como líder mundial na produção de cítricos”, afirma o executivo.
Nas frutíferas com mais de dez anos, a incidência é ainda maior: de 58,43% para 63,27%. Já entre as unidades que têm entre três e cinco anos, caiu de 39,18% para 29,5%. Ou seja, o resultado é mais efetivo em pomares jovens do que nos antigos, devido à eliminação de plantas doentes e ao controle do inseto transmissor.
A regra considera de baixa incidência os municípios cuja plantação apresente até 10% de contaminação. Sendo assim, respeitando a norma paulista, todas as árvores do recinto devem ser arrancadas, impedindo novas brotações.
Em locais cuja incidência é superior a 10%, a eliminação compulsória alcança apenas as plantas sintomáticas que chegam a três anos. Anteriormente, a obrigação se estendia a plantas de até oito anos. Isso aumentava o potencial de perdas econômicas em regiões cujos pomares já apresentavam a doença.
O monitoramento do inseto ainda deve ser realizado a cada 15 dias. Portanto, o agricultor ainda terá de registrar as inspeções, bem como os produtos utilizados, a dosagem e as aplicações.
E a documentação deverá estar disponível para órgão fiscal durante cinco anos. As unidades retidas da lavoura serão custeadas pelo próprio produtor, sem haver indenização pela perda.
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