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Academia de Liderança da Aprosoja MT visita Embrapa Cerrados e conhece pesquisas aplicadas ao campo

Participantes do terceiro módulo da Academia de Liderança da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja MT) visitaram a Embrapa Cerrados, no Distrito Federal, na quarta-feira (14). O grupo, formado por 30 associados e delegados de 18 dos 35 núcleos regionais da entidade, acompanhou palestras e atividades de campo sobre tecnologias desenvolvidas para sistemas produtivos do Cerrado.
A visita integrou um projeto estruturado em nove módulos, voltado à formação de lideranças para o agro mato-grossense. Segundo a Aprosoja MT, o terceiro módulo trata de relações técnicas e governamentais e busca aproximar os participantes do funcionamento de instituições públicas e de políticas que influenciam a produção rural e o ambiente de negócios do agronegócio.
Na abertura, o chefe-geral da Embrapa Cerrados, Jorge Werneck, afirmou que a unidade possui mais de 200 ativos tecnológicos disponíveis para transferência. Entre os exemplos citados, estão o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) e a seleção de estirpes de rizóbios para a Fixação Biológica de Nitrogênio na soja. De acordo com o pesquisador, essa tecnologia representa economia média anual de US$ 17 bilhões em fertilizantes nitrogenados.
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Os participantes também relataram condições de solo, clima e altitude de suas regiões em Mato Grosso, além de desafios como nematoides, podridão de grãos, manejo de fungicidas em solos mistos, recuperação de áreas arenosas e uso de integração lavoura-pecuária. Durante a programação, foram apresentados temas como Bioanálise de Solo, pesquisa em soja no Cerrado, Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), mitigação de gases de efeito estufa com plantas de cobertura, trigo no Cerrado e manejo de água.
Após a exposição técnica, produtores destacaram aplicações práticas das pesquisas em áreas com solos arenosos e em sistemas integrados. O grupo também entregou uma placa em homenagem à Embrapa, em reconhecimento à contribuição da pesquisa para a expansão da agricultura no Cerrado.
A agenda do módulo segue com visitas a outras instituições, como o Congresso Nacional, a Aprosoja Brasil e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), mantendo o foco na relação entre pesquisa, representação institucional e produção agropecuária.
Fonte: embrapa.br
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Lavouras de trigo mantêm boas condições, mas excesso de chuva ameaça produtividade

As chuvas registradas nos últimos dez dias mantiveram a umidade do solo elevada em importantes regiões produtoras brasileiras. Dados de sensoriamento remoto da EarthDaily mostram que os acumulados ficaram acima da média no Sul, em áreas de Mato Grosso do Sul e em partes de São Paulo e do Nordeste.
Os maiores volumes foram observados na região Sul, onde a precipitação superou 100 mm em algumas localidades.
De acordo com Felippe Reis, analista de culturas da empresa, o comportamento das chuvas e das temperaturas merece atenção especialmente nas áreas produtoras de trigo do Sul do país.
“Na comparação entre a primeira e a segunda semana de agosto, houve uma mudança significativa no padrão térmico da região. Enquanto na primeira semana foram registradas temperaturas de até 5°C acima da média, na segunda semana os termômetros passaram a registrar valores de até 5°C abaixo da normalidade”, detalha.
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Ele lembra que no Rio Grande do Sul, uma onda de frio atingiu o estado no último fim de semana, com temperaturas abaixo de 5°C. Apesar dessa queda nos termômetros, as condições não representam, até o momento, motivo de preocupação para o potencial produtivo das lavouras.
Reis lembra que condições semelhantes foram observadas na temporada passada, quando a produtividade foi satisfatória. Além disso, conforme ele, o Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) permanece acima dos níveis registrados no ciclo anterior, sugerindo impactos limitados sobre o potencial produtivo.
Segundo o monitoramento da EarthDaily, no sudoeste do estado o NDVI apresenta boa dinâmica da vegetação e condições satisfatórias das lavouras. Entretanto, o elevado volume de chuvas permanece como ponto de atenção. A persistência de condições úmidas pode aumentar a pressão de doenças nas lavouras e, eventualmente, limitar o potencial produtivo.
Chuva no Paraná e El Niño
No Paraná, as chuvas permanecem também acima da média, especialmente desde julho. O comportamento observado já sinaliza impactos associados ao El Niño, embora os anos utilizados como referência apontam diferenças importantes.
Em 2015, os acumulados de chuva já eram significativamente superiores aos atuais nesta mesma fase do ciclo. Em 2023, por outro lado, as precipitações permaneceram mais contidas durante a primeira metade do período e aumentaram de maneira mais expressiva posteriormente.
A divergência entre esses anos análogos mostra que o sinal do El Niño sobre a precipitação no Paraná é menos consistente do que no Rio Grande do Sul, reforçando a necessidade de acompanhar a evolução das chuvas nos próximos meses.
Avanço da colheita da cana
Nas regiões produtoras de cana-de-açúcar, o cenário é diferente. Em agosto, até o momento, as chuvas permaneceram muito baixas na maior parte da zona canavieira brasileira. O predomínio do tempo seco tem favorecido o avanço das operações de campo.
“Houve, entretanto, interrupções pontuais. No Paraná, em Mato Grosso do Sul e no sul de São Paulo, foram registradas chuvas superiores a 11 milímetros em 7 de agosto, condição que pode ter limitado temporariamente a colheita da cana-de-açúcar. Nos demais dias do mês, porém, a precipitação permaneceu baixa, permitindo a continuidade das operações”, salienta o analista.
Novas chuvas nos próximos dias
Nos próximos dias, tanto o modelo europeu ECMWF quanto o norte-americano GFS indicam volumes expressivos de chuva para a região Sul. No entanto, os acumulados previstos deverão ser menores do que os registrados nas últimas semanas.
Os dois modelos também projetam o fortalecimento de um padrão de temperaturas acima da média, com valores que poderão ficar entre 3°C e 7°C acima da normalidade.
Na comparação entre os últimos dez dias e os próximos dez dias, a tendência é de que a umidade do solo continue acima da média na maior parte das regiões produtoras de trigo. Segundo a EarthDaily, o cenário mantém condições hídricas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras, mas o excesso de umidade exige acompanhamento.
A permanência de solos úmidos, combinada à ocorrência frequente de chuvas, pode favorecer o desenvolvimento de doenças nas áreas de trigo. Assim, Reis salienta que embora os indicadores de vegetação apontem atualmente condições satisfatórias, a evolução das precipitações e da umidade continuará sendo um dos principais fatores de atenção para o potencial produtivo da cultura nas próximas semanas.
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Carne bovina de Mato Grosso amplia destinos e aumenta valor obtido por tonelada exportada

A carne bovina de Mato Grosso atravessa 2026 com dois movimentos simultâneos no mercado internacional: mais países comprando e maior valor obtido pelas vendas. No primeiro semestre, os embarques alcançaram 88 destinos e movimentaram US$ 2,4 bilhões, com preço médio de US$ 6,1 mil por tonelada.
A comparação com o mesmo período de 2025 mostra que não foi apenas a quantidade de mercados que aumentou. Naquele ano, eram 77 países, receita de US$ 1,47 bilhão e preço médio de US$ 5,1 mil por tonelada.
O avanço do valor médio é um dos pontos que ajudam a explicar o crescimento da receita. A tonelada exportada passou a valer, em média, cerca de US$ 1 mil a mais do que no primeiro semestre do ano passado.
Mesmo com a abertura de novos destinos, a China continua sendo o principal mercado para a carne mato-grossense. Foram 282,4 mil toneladas destinadas ao país asiático no período, volume muito superior ao registrado pelos Estados Unidos, segundo maior comprador, com 41 mil toneladas.
“A diversificação dos destinos das exportações é um fator estratégico para a competitividade da pecuária mato-grossense”, avalia o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade.
Mais compradores mudam o perfil do mercado
Depois de China, Estados Unidos e Chile, que recebeu 31 mil toneladas, aparecem mercados como Rússia, Filipinas, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Itália e Países Baixos entre os dez principais destinos.
Há ainda compradores com volumes menores, como Cabo Verde, Azerbaijão, Cazaquistão, Iraque, Porto Rico, Catar, Albânia e Líbia. A presença nesses países amplia as alternativas de comercialização para a indústria frigorífica.
Para a pecuária, uma base maior de compradores pode diminuir a exposição às oscilações de demanda ou às condições comerciais de determinados mercados.
“Quanto maior o número de mercados compradores, menor é a exposição da cadeia produtiva a oscilações econômicas. Essa pulverização dos mercados proporciona maior previsibilidade para a indústria e para os pecuaristas”, afirma Andrade.
A estratégia, segundo o diretor do Imac, também pode favorecer a busca por mercados dispostos a pagar mais por determinados atributos da proteína. “Além de criar oportunidades para acessar nichos que remuneram melhor pela qualidade da carne”, acrescenta.
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Mato Grosso lidera focos de calor no país e já soma 1.094 registros em agosto

Mato Grosso lidera o número de focos de calor registrados no Brasil em agosto e também mantém a primeira posição no acumulado do ano. Dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram 1.094 ocorrências no estado até o dia 13 deste mês, enquanto o Pará aparece em segundo lugar, com 718.
A diferença aumenta quando considerado o acumulado de 2026. Mato Grosso contabiliza 4.838 focos de calor desde janeiro, seguido por Tocantins, com 4.214, Bahia, com 3.264, Pará, com 3.250, e Maranhão, com 3.130. Somente em agosto, Tocantins registrou 440 ocorrências, Maranhão 422 e Minas Gerais 356.
O avanço dos registros ocorre durante a fase mais crítica da estiagem em Mato Grosso, período marcado pela redução das chuvas, temperaturas elevadas e queda da umidade relativa do ar. Em diferentes pontos do estado, os índices já ficam abaixo de 30%, enquanto a vegetação seca aumenta a disponibilidade de material combustível.
O comportamento dos focos também mudou ao longo dos últimos meses. Junho teve o maior volume de ocorrências até agora, com 1.440 registros. Em julho foram 746, número que já foi superado em apenas 13 dias de agosto.
Para o coronel da reserva do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT), Aluisio Metelo, a combinação das condições meteorológicas é determinante para que o fogo encontre um ambiente mais favorável. “Com o avanço da estiagem, diminuem as chuvas e a umidade dos combustíveis vegetais, gramíneas, folhas, galhos e outras biomassas tornam-se mais disponíveis para a combustão”, explica.
Fogo ganha força com vegetação mais seca
A redução da umidade não apenas facilita o início das queimadas, mas também contribui para que as chamas avancem com maior intensidade. O efeito é potencializado quando há temperaturas elevadas e vento, condições que podem acelerar a propagação do fogo por áreas de vegetação.
“Quando isso se combina com altas temperaturas e vento, aumenta significativamente o potencial de propagação e de intensidade do fogo”, acrescenta Metelo.
Os efeitos desse cenário já podem ser observados em diferentes regiões de Mato Grosso. Em Nova Santa Helena, no norte do estado, um incêndio atingiu quase 15 mil hectares em dez dias, enquanto Barra do Garças registrava outro fogo de grandes proporções, com pouco mais de 13 mil hectares afetados.
A duração também chama atenção. Em Paranatinga, há ocorrência de queimadas que persiste há 44 dias. Em Água Boa, os registros de fogo se estendem por pouco mais de um mês, mostrando que nem sempre a maior duração está associada aos incêndios que atingem as maiores áreas.
Em Nova Santa Helena, o combate mobiliza equipes do CBMMT desde o dia 6 de agosto, inclusive com o uso de uma aeronave. A fumaça também alcançou municípios próximos, como Cláudia e Sinop.
Os biomas Amazônia e Cerrado concentram parte importante das ocorrências. O Cerrado possui características que favorecem a propagação do fogo durante a estiagem, mas, segundo o especialista, essa predisposição natural não elimina a influência humana na origem dos incêndios.
Maioria das ignições tem relação com ação humana
A ocorrência de condições favoráveis ao fogo não significa, portanto, que os incêndios tenham origem natural. De acordo com Metelo, cerca de 90% das ignições estão relacionadas a ações humanas.
“Cerca de 90% das ignições são associadas a ações humanas. O fogo pode começar por uso inadequado do fogo, queimadas que escapam do controle, ocorrências em margens de rodovias, equipamentos e máquinas, redes elétricas, atividades diversas e também por ações criminosas”, afirma.
O coronel ressalta que diferentes situações podem provocar o início de um incêndio, especialmente durante a estiagem, quando a vegetação está mais seca. Por isso, a identificação da origem precisa considerar as circunstâncias de cada ocorrência.
“A responsabilidade por um incêndio não deve ser presumida apenas pelo local onde o fogo está queimando; determinar causa exige investigação”, pontua.
Em Mato Grosso, o uso do fogo para limpeza e manejo de áreas rurais está proibido desde 1º de julho nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal. A restrição segue até 30 de novembro de 2026 e pode ser prorrogada. Nas áreas urbanas, a proibição vigora durante todo o ano.
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