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30 de junho de 2026

Sustentabilidade

Soja sob Pressão: Montanha-russa em Chicago e o “Balde de Água Fria” Chinês – MAIS SOJA

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As cotações da soja voltaram a romper o teto dos US$ 12,00/bushel nesta semana, porém, um forte tombo ocorreu na quinta-feira (14), quando o primeiro mês cotado fechou em US$ 11,74, contra US$ 11,77 uma semana antes.

Se por um lado, a falta de um acordo de paz entre EUA e Irã manteve as cotações do óleo de soja firmes, apesar de leve recuo, o que puxou o grão, enquanto ao mesmo tempo, apesar de confirmar um aumento na área a ser semeada com soja nos EUA, o relatório de maio apontou baixa nos estoques finais daquele país para 2026/27, e mais a especulação dos Fundos, ajudou a manter firme a cotação do grão, por outro lado o mercado esteve atento aos resultados da reunião entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, nos dias 14 e 15 de maio, pois a mesma também trataria da retirada de barreiras comerciais, atingindo inclusive a soja.

Ora, no dia 14 veio um balde de água fria sobre o mercado quando circulou a notícia de que não haverá compras adicionais da China para além do acordo feito em 2025. Com isso, nesse dia, o bushel despencou para o menor nível desde o dia 28/04. Assim se nãotiver mais nenhum novo acordo adicional, Chicago ainda tem espaço para continuar caindo. E se vier acordo adicional Chicago volta a subir.

Em relação ao relatório de oferta e demanda do USDA, divulgado no dia 12/05, o mesmo apontou uma projeção de produção de soja, nos EUA, em 120,7 milhões detoneladas, contra 116 milhões na safra anterior. A produtividade média seria de 59,4 sacos/hectare naquele país, enquanto a área semeada cresce 4,3%, passando a 34,28 milhões de hectares. Quanto aos estoques finais estadunidenses, os mesmos ficariam em 8,4 milhões de toneladas, contra 9,2 milhões no anterior e 9,9 milhões nas expectativas do mercado. O relatório indicou, igualmente, uma produção mundial de 441,5 milhões de toneladas para 2026/27, após 427,6 milhões no ano anterior, e estoques finais mundiais em 124,8 milhões de toneladas, contra 125,1 milhões um ano antes.

A futura produção brasileira seria de 186 milhões de toneladas, enquanto a da Argentina ficaria em 50 milhões. As importações chinesas de soja subiriam para 114 milhões. Com isso, o preço médio aos produtores estadunidenses, para este novo ano comercial, seria de US$ 11,40/bushel, contra US$ 10,40 no atual ano comercial.

Dito isso, o plantio da nova safra estadunidense avança muito bem, a partir de um clima positivo, atingindo, no dia 10/05, a 49% da área esperada, contra a média histórica de 36% para esta data. Do total já plantado, 20% havia germinado, contra 12% na média.

Pelo lado da demanda, as importações chinesas de soja aumentaram em abril, na comparação com o mesmo mês do ano passado. As mesmas atingiram a 8,48 milhões de toneladas, contra 4,02 milhões em março e 40% acima do registrado em abril/25. De janeiro a abril, a China recebeu 25,2 milhões de toneladas de soja, contra 23,19 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado. E aqui no Brasil, o descolamento, para baixo, dos preços nacionais em relação a Chicago continua, com o saco de soja evoluindo especialmente ao sabor do câmbio que, nesta semana, acabou voltando à casa dos R$ 5,00 por dólar, embora o movimento tenha durado pouco tempo. Com isso, no Rio Grande do Sul as principais praças praticaram R$ 113,00 a R$ 114,00/saco, enquanto no restante do país os valores ficaram entre R$ 100,00 e R$ 114,00/saco.

Dentre os porquês, então, de os preços brasileiros da soja caminharem na direção contrária a Chicago, algo pouco comum, está o câmbio. Efetivamente, em meados de maio do ano passado o câmbio, no Brasil, registrava R$ 5,68 por dólar, enquanto no mesmo período de 2026 tem-se R$ 4,89. Ou seja, temos uma valorização do Real, em 12 meses, de 13,9%. Soma-se a isso a safra recorde que o país está terminando de colher (algo entre 178 e 181 milhões de toneladas), na medida em que as perdas no Rio Grande do Sul foram compensadas por maior produção em outras regiões do país, e o quadro explica em grande parte o descolamento dos preços.

Para se ter uma ideia dessa relação, aos valores de hoje em Chicago, se o câmbio fosse o mesmo de um ano atrás, o saco do produto, no Rio Grande do Sul, estaria ao redor de R$ 130,00. Ou seja, 18 reais a mais.

Dito isso, tem-se que o mercado de sementes de soja deve enfrentar mais um ano de margens apertadas. A dívida do setor da soja passou de R$ 60 bilhões, antes da pandemia, para R$ 180 bilhões atualmente. Em tal contexto, o mercado terá queproteger os clientes que ainda conseguem permanecer no mercado, enquanto a disputa pelos melhores compradores ficará ainda mais intensa.

A safra atual deverá registrar menor disponibilidade de sementes, além de possíveis problemas de qualidade em algumas regiões produtoras, embora o excedente de produto tenda a ser menor do que o observado na temporada passada, quando o excesso pressionou fortemente os resultados do setor. Isso pode ajudar um pouco no resultado final, mas as margens continuarão bastante apertadas.

A competição comercial deve se intensificar em função da restrição de crédito e do aumento do risco financeiro dentro da cadeia do agronegócio. O momento exige maior disciplina financeira e rigor na concessão de crédito, sendo que a mensagem final é de que será um ano difícil na parte comercial e com muita atenção na avaliação de risco dos clientes. Hoje, cerca de 80% do financiamento do setor ocorre via mercado privado, com taxas de juro bem mais elevadas (cf. Agroconsult).

Enfim, em abril o Brasil exportou 16,8 milhões de toneladas de soja, recorde da série da Secex, com aumentos de 15,4% frente ao volume de março e de 9,6% em relação ao verificado no mesmo mês de 2025. Os embarques à China, especificamente, avançaram 17,6% de março para abril.

No acumulado de janeiro a abril, as vendas externas somaram 40,2 milhões de toneladas, também o maior volume já registrado para o período. Já para maio, a Anec espera que o país exporte 16 milhões de toneladas da oleaginosa. Enquanto isso, a exportação de farelo de soja brasileiro foi projetada em recorde de 2,88 milhões de toneladas em maio, contra 2,12 milhões em maio do ano passado.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).


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FONTE

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ

Site: Ceema/Unijuí

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Sustentabilidade

Brasil constrói caminho regulatório para soluções agrícolas à base de RNA – MAIS SOJA

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O Brasil não tem atualmente uma legislação específica para produtos agrícolas à base de RNA. Ainda assim, o país avança na construção desse caminho, e os passos dados nos últimos meses mostram que o ambiente regulatório brasileiro está mais preparado do que parece para receber essa tecnologia.

Em abril de 2026, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) publicou o Ato nº 62, incluindo pela primeira vez um produto à base de RNA na lista de prioridades de análise para registro no país. O produto é o ES43, da GreenLight Biosciences, submetido ao órgão em outubro de 2025 e que será comercializado sob a marca OIFIRAX. “É um avanço bastante positivo, pois demonstra o alinhamento do Ministério no sentido de levar ao campo novas tecnologias com maior inovação e sustentabilidade”, afirma Juliana Pelegrino, gerente de Assuntos Regulatórios Latam da GreenLight Biosciences.

O peso histórico do momento vai além da empresa. Ao submeter o primeiro produto de RNA para uso agrícola no Brasil a GreenLight Biosciences não apenas busca autorização para comercializar um produto. Está trilhando, pela primeira vez, um caminho que ainda não existia. Cada etapa cumprida, cada critério negociado com os órgãos reguladores, estabelece um precedente técnico que valerá para toda a categoria no futuro.

Um enquadramento construído do zero

O RNA aplicado à agricultura permite desenvolver soluções altamente específicas para determinados alvos biológicos, como pragas e fungos, sem afetar organismos não alvo. A tecnologia se degrada rapidamente no ambiente e responde a uma demanda crescente por defensivos mais precisos e sustentáveis. O ES43, especificamente, foi desenvolvido para controle do oídio em videiras.

O desafio regulatório, no entanto, é real. As legislações brasileiras foram estruturadas antes do surgimento do RNA como ferramenta comercial de proteção de cultivos, o que exigiu da GreenLight Biosciences, desde o início, a construção de um enquadramento adequado. O primeiro passo foi uma consulta à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), que concluiu que seus produtos à base de RNA não envolvem organismos geneticamente modificados, parecer determinante para que o processo seguisse pelas vias regulatórias convencionais, envolvendo MAPA, Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e Ibama Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

“Quando não há categoria específica prevista em lei, o processo exige diálogo técnico estruturado com as autoridades. É necessário apresentar dados científicos robustos, discutir critérios de avaliação e construir, de forma responsável, o enquadramento adequado para uma inovação sem precedentes”, explica Juliana, que coordena o processo de registro no país.

O dossiê regulatório exigido é extenso e precisa conter estudos de eficácia agronômica conduzidos em campo, avaliações toxicológicas, análises ecotoxicológicas em organismos como abelhas, peixes e microcrustáceos, além de dados sobre destino ambiental e caracterização molecular. Parte dos estudos segue padrões internacionais de Boas Práticas de Laboratório (GLP), permitindo o uso de dados gerados fora do Brasil desde que conformes com os requisitos dos órgãos nacionais.

O arcabouço legislativo acelera o processo

No plano legislativo, o cenário também evoluiu. Em dezembro de 2024, o Brasil sancionou a Lei de Bioinsumos (Lei 15.070/2024), que estabelece as bases para um novo enquadramento de produtos biológicos e de baixo impacto ambiental. A regulamentação por decreto e as normativas específicas por categoria ainda estão em elaboração, mas a lei representa um avanço estrutural que deverá trazer mais clareza para o registro de tecnologias como o RNA. Em 2026, o MAPA lançou ainda o SISPA (Sistema Unificado de Informação, Petição e Avaliação Eletrônica) que promete reduzir prazos e aumentar a transparência nos processos de registro.

“A evolução regulatória acompanha a evolução tecnológica, e depende dela. Esse período de transição exige participação ativa do setor privado nos fóruns técnicos e diálogo constante com as autoridades”, avalia Juliana.

Para a especialista, a abertura técnica dos órgãos reguladores brasileiros é um diferencial que distingue o Brasil nesse cenário. Uma postura determinante para que o país continue entre os líderes em inovação agrícola. “O caminho aberto agora pelo ES43 tende a ter consequências que ultrapassam o produto em si, os critérios técnicos estabelecidos ao longo desse processo inédito devem pavimentar a entrada de toda uma nova geração de defensivos à base de RNA no mercado brasileiro”.

Sobre a GreenLight Biosciences

Fundada em 2008, a GreenLight Biosciences está na vanguarda da pesquisa com RNA na agricultura. Ao oferecer soluções baseadas em RNA eficazes e fáceis de usar para agricultores em todo o mundo, a GreenLight Biosciences está viabilizando uma produção de alimentos mais resiliente e ambientalmente protegida. Como líder em RNA para agricultura, a empresa é a única com soluções RNA registradas e aprovadas, no mundo. Inúmeras patentes protegem a plataforma de fabricação da empresa.

Fonte: Assessoria de imprensa


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Sustentabilidade

Line-up prevê embarques de 14,053 mi de t de soja pelo Brasil em junho – MAIS SOJA

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 O line-up, a programação de embarques nos portos brasileiros, projeta a exportação de 14,053 milhões de toneladas de soja em grão para junho, conforme levantamento realizado por Safras & Mercado. No mesmo mês do ano anterior, exportações somaram 13,931 milhão de toneladas segundo a estimativa.

Para julho de 2026, estão previstas 9,491 milhões de toneladas. Em maio, foram programadas 15,304 milhões de toneladas.

De janeiro a julho de 2026, o line-up projeta o embarque de 82,130 milhões de toneladas. Pelo Secex, de janeiro a junho de 2025 foram embarcadas 64,947 milhões de toneladas.

Fonte: Agência Safras


FONTE

Autor:Rodrigo Ramos (rodrigo@safras.com.br) / Safras News

Site: Agência Safras

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Sustentabilidade

Projeto de renegociação das dívidas dos agricultores retorna à Câmara dos Deputados – MAIS SOJA

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O Senado Federal aprovou o Projeto de Lei (PL 5.122/2023), que cria mecanismos para auxiliar produtores rurais endividados em todo o país por meio da renegociação de dívidas. A proposta prevê instrumentos para facilitar a repactuação dos débitos, entre eles a criação de uma linha especial de crédito com recursos do Fundo Social do Pré-Sal e dos fundos constitucionais para produtores das regiões Norte e Nordeste. 

O projeto já havia sido aprovado anteriormente pela Câmara dos Deputados, mas, como recebeu alterações no Senado, precisará retornar à Câmara para nova votação antes de seguir para sanção presidencial. 

A proposta foi discutida com o Ministério da Fazenda, mas, segundo parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), não houve acordo com a equipe econômica do governo. 

Durante a votação, a vice-presidente da FPA no Senado, senadora Tereza Cristina (MS), afirmou que houve diversas tentativas de diálogo, mas que o governo não se sensibilizou com a situação enfrentada pelos produtores. Ela ressaltou, no entanto, que ainda há possibilidade de aperfeiçoamentos no texto durante a nova análise pela Câmara dos Deputados. 

“Nós tentamos esgotar todos os pontos que eram preocupantes e hoje não estamos falando de um problema eleitoral. Estamos falando de um segmento que carrega o Brasil, que é a agricultura brasileira. Ela passa por um momento terrível: commodities em baixa, juros em alta, plantamos uma safra com dólar a R$ 6 e estamos colhendo com dólar a R$ 5. Isso é mortal para os preços dos agricultores, além dos problemas climáticos enfrentados pelo Rio Grande do Sul”, declarou a senadora. 

Entre as condições previstas no projeto estão juros variando entre 3,5% e 7,5% ao ano, conforme o porte do produtor; limite de até R$ 10 milhões por beneficiário e de até R$ 50 milhões para cooperativas e associações; prazo de pagamento de até 10 anos, com até três anos de carência, podendo chegar a 15 anos em situações especiais. 

Segundo o coordenador da Comissão Trabalhista da FPA, deputado Afonso Hamm (RS), a aprovação representa um importante avanço para o setor. 

“Mais uma batalha vencida. Avançamos cerca de 80%, graças aos colegas deputados, senadores e ao movimento de quem vive esse drama, que são os produtores rurais. Esta é uma vitória importante, construída por muitas mãos.” 

O senador Luiz Carlos Heinze (RS) lembrou que, no Rio Grande do Sul, quatro das últimas sete safras foram prejudicadas pela seca e uma pelas enchentes, agravando a situação financeira dos agricultores. 

“É difícil pagar as contas diante de juros elevados, custos altos e preços baixos na comercialização. Pedimos ao governo que compreenda a realidade de um setor extremamente importante para o país.” 

A deputada federal Daniela Reinehr (SC) afirmou que o projeto agora precisa ser novamente aprovado pela Câmara dos Deputados para seguir à sanção presidencial. Ela também criticou a postura do Governo Federal em relação à proposta, defendendo a necessidade de uma solução para os produtores que acumulam dívidas em razão das sucessivas frustrações de safra. 

Fonte: Fecoagro com informações do Senado



FONTE

Autor:Fecoagro com informações do Senado

Site: Fecoagro/SC

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