Sustentabilidade
Em abril, IBGE prevê safra de 348,7 milhões de toneladas para 2026 – MAIS SOJA

A estimativa de abril de 2026 para a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas é de 348,7 milhões de toneladas, 0,7% maior (ou mais 2,6 milhões de toneladas) que a obtida em 2025 (346,1 milhões de toneladas), com variação positiva de 0,1% (ou mais 334.277 mil toneladas) à estimativa de março de 2026.
Estimativa de Abril/2026 348,7 milhões de toneladas
- Variação Abril 2026/Março 2026 (0,1%) +334.277 mil toneladas
- Variação safra 2026/safra 2025 (0,7%) +2,6 milhões de toneladas
A área a ser colhida foi de 83,3 milhões de hectares, com aumento de 2,1% (ou 1,7 milhão de hectares) frente a 2025. Frente à estimativa de março, a área a ser colhida teve variação positiva de 0,2% (aumento 128 572 hectares).
O arroz, o milho e a soja são os três principais produtos deste grupo, que, somados, representaram 92,7% da estimativa da produção e respondem por 87,6% da área a ser colhida. Para a soja, a estimativa de produção foi de 174,1 milhões de toneladas. Quanto ao milho, a estimativa foi de 138,2 milhões de toneladas (29,6 milhões de toneladas de milho na 1ª safra e 108,5 milhões de toneladas de milho na 2ª safra).
A produção do arroz (em casca) foi estimada em 11,3 milhões de toneladas. Para o trigo, a estimativa de produção foi de 7,3 milhões de toneladas. A produção do algodão herbáceo (em caroço) foi estimada em 9,0 milhões de toneladas; e a do sorgo em 5,5 milhões de toneladas.
No que se refere à produção, frente a 2025, ocorrem acréscimos de 4,8% para a soja e de 1,0% para o sorgo. E ocorrem decréscimos de 8,9% para o algodão herbáceo (em caroço); de 10,6% para o arroz em casca; de 2,5% para o milho (crescimento de 15,2% para o milho 1ª safra e declínio de 6,4% para o milho 2ª safra); de 4,6% para o feijão; e de 6,8% para o trigo.
Quanto à área a ser colhida, em relação ao ano anterior, houve acréscimos de 1,2% na da soja; de 3,4% na do milho (aumentos de 11,9% no milho 1ª safra e de 1,3% no milho 2ª safra) e de 8,5% na do sorgo. Houve reduções de 4,3% na do algodão herbáceo (em caroço); de 10,4% na do arroz em casca; e de 3,8% na do feijão.
Centro-Oeste lidera a produção em abril de 2026, com 174,5 milhões de toneladas
Entre as Grandes Regiões, o volume da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresentou a seguinte distribuição: Centro-Oeste, 174,5 milhões de toneladas (50,0%); Sul, 92,1 milhões de toneladas (26,4%); Sudeste, 30,6 milhões de toneladas (8,8%), Nordeste, 29,9 milhões de toneladas (8,6%) e Norte, 21,5 milhões de toneladas (6,2%). A estimativa da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresentou variação anual positiva para as Regiões Sul (6,8%) e a Nordeste (7,8%); e negativas para a Centro-Oeste (-2,3%), a Sudeste (-1,5%) e a Norte (-3,6%). Quanto à variação mensal, apresentaram crescimentos na produção: a Nordeste (2,1%) e a Sudeste (0,4%). A Centro-Oeste apresentou estabilidade (0,0%), enquanto a Norte (-0,4%) e a Sul (-0,4%) apresentaram declínios.
Frente a março, houve aumentos nas estimativas da produção do café canephora (5,2% ou
66 371 t), do cacau (3,8% ou 11 956 t), do algodão herbáceo (3,4% ou 297 168 t), da cevada (3,2% ou 20 876 t), do milho 1ª safra (1,3% ou 380 836 t) e da soja (0,2% ou 371 132 t). Apresentaram declínios: o feijão 2ª safra (-4,7% ou -56 224 t), o feijão 3ª safra (-1,8% ou -13 790 t), a aveia (-1,3% ou -17 792 t), o trigo (-1,1% ou -81 954 t), o feijão 1ª safra (-1,0% ou -9 772 t), o milho 2ª safra (-0,5% ou -490 623 t) e o café arábica (-0,2% ou -4 519 t).
Na distribuição da produção pelas Unidades da Federação, o Mato Grosso lidera como o maior produtor nacional de grãos, com participação de 30,9%, seguido pelo Paraná (13,5%), Rio Grande do Sul (10,8%), Goiás (10,7%), Mato Grosso do Sul (8,2%) e Minas Gerais (5,4%), que, somados, representaram 79,5% do total.
As principais variações absolutas positivas nas estimativas da produção, em relação ao mês anterior, ocorreram na Bahia (369 212 t), no Ceará (154 028 t), em Pernambuco (108 760 t), em São Paulo (107 224 t), em Rondônia (38 880 t), em Goiás (32 191 t), no Rio Grande do Norte (7 627 t), no Acre (1 259 t), no Rio de Janeiro (352 t) e no Amazonas (3 t). As variações negativas ocorreram no Paraná (-339 200 t), no Tocantins (-129 354 t), no Maranhão (-8 946 t), na Paraíba (-6 969 t), no Amapá (-496 t) e em Roraima
(-294 t).
ALGODÃO HERBÁCEO (em caroço) – A estimativa para a produção de algodão herbáceo (em caroço) foi de 9,0 milhões de toneladas, crescimento de 3,4% em relação ao mês anterior, devido ao aumento de 2,7% na área cultivada. Em relação a 2025, a queda nas estimativas de produção chega a 14,2%, com recuos de 7,5% na área cultivada e 7,2% no rendimento médio. O Mato Grosso, maior produtor nacional, com cerca de 68,4% do total nacional, manteve suas estimativas em abril. Na Bahia, segundo maior produtor do algodão, responsável por 20,5% da safra nacional, a estimativa foi reavaliada para uma produção de 1,8 milhão de toneladas, crescimento de 19,0% em relação ao mês anterior.
CACAU (amêndoa) – A estimativa de abril para a produção brasileira de cacau foi de 324,2 mil toneladas, aumento de 3,8% em relação ao mês anterior, resultado de um maior rendimento médio (7,2%), compensando a redução da área (-3,1%). A estimativa da produção na Bahia aumentou 9,6%, tendo alcançado 137,4 mil toneladas. O Estado deve ser responsável por 42,4% da produção brasileira de amêndoas de cacau em 2026 e por quase 70,0% das áreas de produção. A Região Norte é a principal produtora de cacau do País, sendo o Pará o maior representante nacional, com 162,1 mil toneladas, cerca de 50,0% do total. No comparativo mensal, no entanto, não houve reavaliações para as estimativas paraenses.
FEIJÃO (em grão) – A estimativa de abril para a produção de feijão, considerando-se as três safras, alcançou 2,9 milhões de toneladas, uma redução de 2,7% em relação ao mês anterior e de 4,6% sobre a safra 2025. Essa produção deve atender ao consumo interno brasileiro, em 2026, em princípio, não havendo necessidade da importação do produto. Contudo, a estimativa da produção brasileira de feijão vem caindo nos últimos meses, reflexo, principalmente, dos preços aviltados do produto, o que preocupa os mercados, pois, o atual patamar de produção já se encontra apertado frente às estimativas para o consumo brasileiro em 2026.
A produção da 1ª safra de feijão foi de 989,0 mil toneladas, representando 34,4% de participação nacional dentre as três safras, sendo 1,0% menor que no mês anterior. Neste comparativo, foram verificados declínios de 1,3% no rendimento médio e de 2,0% na área plantada, com um crescimento de 0,3% na área colhida. A 2ª safra de feijão foi estimada em 1,1 milhão de toneladas, correspondendo a 39,4% de participação dentre as três safras. No comparativo com o mês de março, houve redução de 4,7% na estimativa de produção, em decorrência dos declínios de 1,3% na área a ser colhida e de 3,5% no rendimento médio. Para a 3ª safra de feijão, a estimativa de produção de abril foi de 753,6 mil toneladas, declínios de 1,8% em relação ao mês anterior e de 2,5% em relação ao volume produzido em 2025.
MILHO (em grão) – A estimativa da produção do milho foi de 138,2 milhões de toneladas, declínio de 2,5% em relação ao volume produzido em 2025 e de 0,1% em relação a março de 2026.
O milho 1ª safra apresentou estimativa de produção de 29,6 milhões de toneladas, crescimento de 1,3% em relação ao mês anterior. A Região Sul, maior produtora de milho 1ª safra, com 43,6% do total nacional, obteve um aumento mensal de 0,9%, assim como, a Região Nordeste, que participa com 21,3% da produção nacional, tendo crescido 3,4%. O Estado do Rio Grande do Sul, maior produtor nacional de milho 1ª safra, com a participação de 21,7% do total na safra, obteve uma estimativa de 6,4 milhões de toneladas, aumento de 21,8% em relação à safra anterior. No segundo maior produtor nacional, Minas Gerais, com participação de 17,0% no total da safra, a estimativa foi de 5,0 milhões de toneladas, crescimento de 13,8% em relação ao volume produzido no ano anterior. Em relação a março de 2026, não ocorreram alterações. Paraná, terceiro maior produtor com participação de 13,3% no total da safra nacional, estimou produção de 3,9 milhões de toneladas, crescimento de 3,1% em relação ao mês anterior.
A estimativa da produção do milho 2ª safra foi de 108,5 milhões de toneladas, 0,4% inferior a março de 2026 e 6,4% menor quando comparado ao ano anterior. Na Região Centro-Oeste, que representa 71,2% da produção nacional, houve redução de 0,1% em relação ao mês anterior, semelhante à Região Sul, onde houve declínio de 0,9%. Nas Regiões Norte e Sudeste, ocorreram reduções de 3,5% e 0,9%, respectivamente. O Estado que mais produz milho na 2ª safra no Brasil é o Mato Grosso, com participação de 47,9% na produção, tendo sido estimado 52,0 milhões de toneladas para o ano de 2026, queda de 4,7% em relação volume produzido no ano anterior. Paraná, segundo maior produtor nacional com 16,0% de participação estimou uma produção de 17,4 milhões de toneladas, 0,9% inferior ao mês anterior. Goiás é o terceiro maior produtor do milho 2ª safra, com participação nacional de 12,3%, tendo estimado uma produção de 13,3 milhões de toneladas, declínio de 0,7% em relação a março de 2026.
SOJA (em grão) – A estimativa da produção brasileira de soja em grão foi novamente revisada para cima e alcançou 174,1 milhões de toneladas, novo recorde da série histórica do IBGE, com aumento de 0,2% em relação a março e de 4,8% frente ao volume obtido em 2025 (166,1 milhões de toneladas). O Mato Grosso, maior produtor nacional, manteve a estimativa de 50,5 milhões de toneladas, estável em relação a março e 0,7% acima do colhido em 2025. Goiás deve colher 19,8 milhões de toneladas, conservando a previsão de março e permanecendo 2,6% abaixo do volume produzido em 2025. No Mato Grosso do Sul, a produção foi estimada em 15,6 milhões de toneladas, mantendo a informação anterior, mas com crescimento de 19,1% em relação ao volume produzido em 2025. O Paraná, com 21,9 milhões de toneladas, mantém a segunda maior produção do País, apresentando leve recuo de 0,7% em relação a março, mas crescimento de 2,6% frente a 2025. No Rio Grande do Sul, a estimativa de abril indicou produção de 18,4 milhões de toneladas, mantendo o forte incremento de 34,6% em relação à safra do ano anterior.
CAFÉ (em grão) – A produção brasileira, considerando-se as duas espécies, arábica e canephora, foi estimada em 4,0 milhões de toneladas, ou 66,1 milhões de sacas de 60 kg, acréscimos de 1,6% em relação ao mês anterior e de 14,9% em relação ao volume produzido em 2025, sendo um recorde na série histórica da pesquisa, considerando a partir de 2002, quando houve mudança na unidade de medida e passou-se a divulgar café em grão. Em relação ao mês anterior, a área está declinando 0,1% e o rendimento médio, crescendo 1,7%. Em relação ao ano anterior, a área apresenta crescimento de 3,1% e o rendimento médio, 11,6%.
Para o café arábica, a produção estimada foi de 2,6 milhões de toneladas ou 43,9 milhões de sacas de 60 kg. Para o café canephora, a estimativa da produção foi de 1,3 milhão de toneladas ou 22,2 milhões de sacas de 60 kg, acréscimos de 5,2% em relação ao mês anterior e de 6,0% em relação ao volume produzido em 2025, com aumentos de 3,7% na área a ser colhida e de 2,3% no rendimento médio, nesse último comparativo. A produção estimada para o café canephora, em 2026, é recorde da série histórica do IBGE. Até o presente momento, o clima tem favorecido as lavouras e os preços do produto acompanharam os do café arábica, em 2025, que também subiram, incentivando os produtores a investirem mais nas lavouras.
CEREAIS DE INVERNO (em grão) – Os principais cereais de inverno produzidos no Brasil são o trigo, a aveia branca e a cevada.
Para o trigo (em grão), a produção estimada alcançou 7,3 milhões de toneladas, declínios de 1,1% em relação ao mês anterior e de 6,8% em relação a 2025. O declínio da área cultivada do trigo na safra de 2026 deve-se aos preços do cereal, que estão apresentando baixa rentabilidade, bem como ao desânimo dos produtores, que tiveram perdas de produção e na qualidade do cereal, nas últimas safras, em função dos problemas climáticos na Região Sul, notadamente no Rio Grande do Sul. A Região Sul deve responder por 83,4% da produção tritícola brasileira em 2026. No Rio Grande do Sul, principal produtor do País, com 45,3% do total nacional, a produção estimada foi de 3,3 milhões de toneladas, declínio de 4,7% em relação ao volume colhido em 2025.
A produção da aveia (em grão) foi estimada em 1,3 milhão de toneladas, declínios de 1,4% em relação ao mês anterior e de 3,7% em relação ao volume produzido em 2025. Os maiores produtores do cereal são o Rio Grande do Sul, com 922,3 mil toneladas, declínio de 1,4% em relação ao volume colhido em 2025; e Paraná, com 249,7 mil toneladas, declínios de 5,8% em relação a março e de 3,0% em relação ao volume colhido em 2025.
Para a cevada (em grão), a produção estimada foi de 667,0 mil toneladas, aumentos de 3,2% em relação ao mês anterior e de 5,4% em relação ao volume produzido em 2025. Os maiores produtores brasileiros da cevada são o Paraná, com 540,9 mil toneladas, crescimentos de 3,9% em relação a março e de 9,7% em relação ao volume produzido em 2025, devendo participar com 81,1% na safra brasileira em 2026; e o Rio Grande do Sul, com uma produção de 100,4 mil toneladas, declínio de 13,4% em relação ao volume produzido em 2025.
Fonte: IBGE

Autor:IBGE
Site: IBGE
Sustentabilidade
Mais grãos, menos espaço: painel revela desafio da armazenagem em MS – MAIS SOJA

De acordo com informações do Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS com recursos do Fundems/Semadesc, na safra 2025/2026, Mato Grosso do Sul produzirá 27,9 milhões de toneladas de soja e milho.
Um levantamento realizado pela Aprosoja/MS, identificou um déficit de aproximadamente 12 milhões de toneladas na capacidade de armazenagem do Estado. O diagnóstico considera a média das cinco últimas safras.
Para atender à recomendação técnica da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) seriam necessários 29,22 milhões de toneladas de espaço para armazenamento. Atualmente, a capacidade é de 17,19 milhões de toneladas. Isso significa que a estrutura disponível corresponde a 58,8% da capacidade recomendada.
O Painel de Armazenagem, disponibilizado gratuitamente pela Aprosoja/MS, mostra que o problema é crônico: dos 78 municípios produtores de grãos de Mato Grosso do Sul, 71 apresentam déficit de armazenagem. Dois grandes produtores de grãos de MS: Ponta Porã e Maracaju apresentam juntos, cerca de 2,43 milhões de toneladas de déficit de armazenagem .
“A análise da capacidade de armazenamento em Mato Grosso do Sul revela um cenário de grande contraste. Embora o Estado possua uma infraestrutura robusta em algumas regiões, a análise detalhada dos dados, cruzando a capacidade estática com a produção agrícola e as recomendações da FAO, evidencia um déficit estrutural significativo que pode comprometer a competitividade do agronegócio sul-mato-grossense a médio e longo prazo”, aponta o analista de Economia da Aprosoja/MS, Raphael Gimenes.
Atualmente, o Estado possui 17,19 milhões de toneladas de capacidade estática instalada, distribuída em 799 complexos armazenadores presentes em 65 municípios.
Dourados é o município com maior capacidade, com aproximadamente 2,42 milhões de toneladas, e figura entre os sete municípios que apresentam saldo positivo entre a estrutura disponível e a necessidade calculada. Também estão nessa condição Bataguassu, Batayporã, Porto Murtinho, Sidrolândia, Brasilândia e Três Lagoas.
“Dourados, Sidrolândia, Maracaju, Ponta Porã e São Gabriel do Oeste concentram 49,9% da capacidade de armazenagem identificada no Estado, embora respondam por 37,6% da produção considerada no estudo”, explica o coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta.
Logística
Além de dimensionar a capacidade instalada, o painel permite observar a relação entre armazenagem e infraestrutura logística. Cerca de 41% da capacidade de armazenagem de Mato Grosso do Sul está concentrada em unidades localizadas em um raio de até 30 quilômetros da BR-163. Considerando as rodovias federais, o percentual chega a 88,6%.
De acordo com o analista técnico da Aprosoja/MS, Lucas Santana, na ferrovia, o cenário é diferente. “Embora Mato Grosso do Sul possua 1.581 quilômetros de malha ferroviária, apenas 378 quilômetros apresentam circulação regular. O levantamento identificou 306 unidades de armazenagem em um raio de até 30 quilômetros das ferrovias existentes, correspondendo a 41,6% da capacidade estadual. Próximo à Malha Norte, única com operação regular, estão apenas 7,9% da capacidade”.
As hidrovias também apresentam participação reduzida. Apenas 3,9% da capacidade de armazenagem do Estado está localizada em um raio de até 30 quilômetros dos corredores hidroviários analisados.
“A maior utilização do transporte hidroviário pode trazer benefícios significativos para a logística do Estado. Esses corredores ampliam as alternativas de escoamento da produção agrícola e podem reduzir a pressão sobre o transporte rodoviário, especialmente em períodos de maior movimentação da safra. Entretanto, a utilização das hidrovias está condicionada às condições de navegabilidade dos rios, que podem variar ao longo do ano em função dos níveis hidrológicos, impondo limitações à capacidade e à regularidade do transporte. Nesse contexto, a disponibilidade de unidades armazenadoras próximas aos corredores hidroviários pode contribuir para a formação e consolidação de cargas, aumentando a flexibilidade logística e favorecendo um fluxo de escoamento mais regular”, aponta Gabriel Balta.
Rota Bioceânica
A Rota Bioceânica representa uma grande oportunidade de diversificação das rotas logísticas de Mato Grosso do Sul, ao conectar o estado aos portos do norte do Chile, estabelecendo uma nova conexão do Centro-Oeste ao Oceano Pacífico. O novo corredor permitirá acesso a mercados internacionais, principalmente asiáticos, reduzindo prazos de entrega e a dependência das rotas tradicionais.
Nesse contexto, a expansão da infraestrutura de armazenagem deverá acompanhar a consolidação do novo corredor logístico. A disponibilidade de unidades armazenadoras estrategicamente localizadas pode contribuir para maior flexibilidade no planejamento do escoamento e melhor aproveitamento das diferentes alternativas de transporte. Porto Murtinho, na ponta brasileira da rota, já apresenta superávit de armazenagem; a expansão da capacidade no Oeste e no Sudoeste precisa acompanhar a consolidação do corredor.
Descompasso
Os dados do painel revelam um cenário de crescimento descompassado entre a expansão da infraestrutura de armazenagem e o aumento da produção agrícola, evidenciando que o problema atual não é conjuntural, mas resultado de uma tendência consolidada ao longo de mais de uma década.
O ano de 2023, por exemplo, marca um ponto crítico na série histórica, registrando o maior déficit do período, de 21,53 milhões de toneladas. Esse pico coincide com a maior produção de grãos do Estado, quando a necessidade de armazenagem alcançou 35,07 milhões de toneladas. Esse déficit expõe a vulnerabilidade do sistema de armazenagem sul-mato-grossense diante de safras com altas produtividades, situação que tende a se tornar mais frequente com os avanços tecnológicos e a expansão das áreas cultivadas.
O Painel
O painel reúne informações da base nacional de armazenagem da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do levantamento de campo do SIGA-MS.
O estudo considera exclusivamente a produção de soja e milho. Para a soja, foi utilizada a média das safras de 2021/22 a 2025/26. Para o milho, foram consideradas as cinco últimas safras encerradas, de 2020/21 a 2024/25.
A atualização do painel amplia a capacidade de visualização sobre um dos principais gargalos da cadeia de grãos no Estado. Mais do que apontar quanto falta armazenar, os dados permitem identificar onde a infraestrutura está concentrada, quais regiões apresentam maior necessidade e quais áreas podem ter potencial para novos investimentos em armazenagem.
O acesso é gratuito, clique aqui.
Fonte: Aprosoja/MS
Autor:Crislaine Oliveira (Assessoria de Comunicação da Aprosoja/MS)
Site: Aprosoja MS
Sustentabilidade
Soja trava com queda em Chicago enquanto produtor se atenta com o plantio; como ficaram os preços no Brasil?

O mercado brasileiro de soja apresentou cotações predominantemente mais baixas nesta segunda-feira (28), refletindo as perdas registradas pela soja na Bolsa de Chicago. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, as fortes quedas na Bolsa deixaram o mercado físico basicamente travado.
Silveira afirma que não houve registro de movimentos firmes de negócios, com os players fora do mercado e os produtores também afastados das negociações. Segundo ele, houve alta do dólar e prêmios praticamente neutros, sem movimentações agressivas. “Tivemos altas no dólar e prêmios praticamente neutros, sem movimentações agressivas. Houve queda geral de preços e o mercado segue com pouquíssima liquidez, com ofertas escassas”, comentou.
O analista concluiu que o foco do produtor agora deve estar no plantio da nova safra de soja.
No mercado físico, as cotações ficaram assim:
- Passo Fundo (RS): caiu de R$ 156,00 para R$ 155,00
- Santa Rosa (RS): caiu de R$ 157,00 para R$ 156,00
- Cascavel (PR): caiu de R$ 151,00 para R$ 150,00
- Rondonópolis (MT): subiu de R$ 147,00 para R$ 148,00
- Dourados (MS): caiu de R$ 148,00 para R$ 147,00
- Rio Verde (GO): caiu de R$ 147,00 para R$ 145,00
- Paranaguá (PR): caiu de R$ 162,00 para R$ 161,00
- Rio Grande (RS): caiu de R$ 164,00 para R$ 163,00
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a segunda-feira com preços bem mais baixos. O dia foi bastante negativo, marcado por um movimento de liquidação de posições compradas. A frustração com a exclusão da soja da proposta de redução de tarifas sobre produtos agrícolas, após a cúpula entre Estados Unidos e China realizada na semana passada, abriu espaço para a correção dos preços.
A China deve reduzir as tarifas sobre uma ampla variedade de produtos agrícolas dos Estados Unidos, incluindo milho, trigo, carnes e laticínios. No entanto, a soja, principal produto agrícola importado pelo país asiático, foi excluída da lista de redução tarifária divulgada conjuntamente pelo Ministério do Comércio da China e pela Casa Branca.
Além disso, os investidores se posicionam diante do relatório de estoques trimestrais norte-americanos de soja, referente à posição de 1º de setembro. A expectativa é de que os estoques fiquem levemente abaixo do registrado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) no mesmo período do ano anterior.
A projeção de analistas e corretores entrevistados por agências internacionais aponta para estoques trimestrais de 323 milhões de bushels. O relatório será divulgado às 13 horas, no horário de Brasília, desta quarta-feira (30). Em igual período do ano anterior, os estoques eram de 325 milhões de bushels. Em 1º de junho, data do relatório anterior, os estoques de soja estavam em 1,061 bilhão de bushels.
Contratos futuros de soja
Os contratos da soja em grão com entrega em novembro de 2026 fecharam com baixa de 30,75 centavos de dólar por bushel, ou 2,33%, a US$ 12,88 1/4 por bushel. A posição janeiro de 2027 teve cotação de US$ 13,03 por bushel, com recuo de 29,50 centavos de dólar por bushel, ou 2,21%.
Nos subprodutos, a posição dezembro de 2026 do farelo fechou com perda de US$ 11,60 por tonelada, ou 3,12%, a US$ 359,40 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro de 2026 fecharam a 67,66 centavos de dólar por libra-peso, com retração de 0,18 centavo, ou 0,26%.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,78%, negociado a R$ 5,2256 para venda e a R$ 5,2236 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,1915 e a máxima de R$ 5,2266.
Sustentabilidade
Farsul reforça cobrança à ANP sobre diesel no RS – MAIS SOJA

A Farsul protocolou, nesta sexta-feira (25/9), dois novos ofícios junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para reforçar a cobrança por medidas urgentes diante da crise no abastecimento de diesel no Rio Grande do Sul. O protocolo ocorre um dia depois de o presidente do Sistema Farsul, Domingos Velho Lopes, ter se reunido novamente com representantes da agência para tratar do tema, que já se arrasta desde os preparativos para o início do plantio da safra de verão.
A entidade vem denunciando o problema desde o dia 11 de setembro, quando alertou para restrições e atrasos na entrega de diesel aos produtores, em um cenário semelhante ao vivido no início de 2026, durante a colheita de arroz e soja. Na ocasião, Domingos ponderou que “o plantio tem uma janela que não pode ser adiada indefinidamente. Sem diesel, o produtor perde o momento adequado, pode reduzir a área plantada e comprometer a produtividade”, e cobrou que o subsídio federal de R$ 1 por litro anunciado em 9 de setembro se traduzisse em preço e em combustível de fato disponível no campo.
Em 15 de setembro, a Farsul protocolou o primeiro ofício sobre o tema junto ao diretor-geral da ANP, Artur Watt Neto, pedindo fiscalização imediata das distribuidoras no Estado, divulgação regionalizada de estoques e entregas, esclarecimento dos critérios de alocação de volumes e um plano de contingência. Dias depois, em 23 de setembro, o presidente esteve em Brasília onde intensificou as tratativas com a agência, resumindo a urgência do problema, “Precisamos da solução para ontem”.
Os novos documentos, Ofício nº 100/2026 e Ofício nº 101/2026, foram assinados por Domingos e endereçados respectivamente a Artur Watt Neto, diretor-geral da ANP, e a Diogo Valério, superintendente de Distribuição e Logística do órgão. Ambos tratam do mesmo assunto, a atualização sobre restrições no abastecimento e a elevação dos preços do óleo diesel no Rio Grande do Sul, e trazem um levantamento coletado na própria sexta-feira junto a produtores rurais, sindicatos rurais e agentes de diferentes regiões do Estado.
Segundo a Farsul, os relatos confirmam que persistem restrições relevantes na oferta de diesel, sobretudo do tipo S500, além de limitação nas quantidades comercializadas, atrasos nas entregas e forte elevação de preços. Um quadro que, segundo os ofícios, permanece disseminado em diferentes regiões do estado, com empresas sem produto, entregas parciais e prazos incertos.
Entre os casos listados nos ofícios estão Girúá, sem disponibilidade de S500 há mais de 15 dias; Cruz Alta e Santa Maria, com ausência do produto e forte restrição até do S10; e São Vicente do Sul, onde pedidos de dez mil litros têm sido atendidos com apenas cinco mil. Em Tupanciretã, um produtor relatou ter recebido somente 4.500 litros do volume solicitado, sem disponibilidade de S500 para entrega na propriedade. Candelária e Pelotas também aparecem entre os relatos mais recentes, com TRRs sem previsão de fornecimento ou sem S500 disponível.
Os preços informados variam de R$ 6,09 a R$ 8,00 por litro conforme a região e o tipo de diesel. No agregado, a Farsul aponta que o litro do combustível passou de R$ 5,60 em agosto para R$ 7,15 em setembro (alta de aproximadamente 27,7% em um único mês) e de R$ 5,77 em maio, o que representa aumento de cerca de 23,9% no período.
Diante do cenário, a Farsul solicita à ANP a verificação imediata das condições de abastecimento de diesel no Rio Grande do Sul, com foco especial na disponibilidade do S500, nos volumes disponibilizados a TRRs e postos revendedores e nas razões para as restrições verificadas nas diferentes regiões do Estado. A entidade pede ainda manifestação da agência sobre as condições atuais de estoques, produção e distribuição, as perspectivas de normalização do abastecimento e a adoção das providências de fiscalização que a ANP entender cabíveis.
“A Farsul permanece à disposição para fornecer informações adicionais e colaborar com o acompanhamento da situação”, registram os ofícios, “reiterando a urgência de medidas que assegurem regularidade e previsibilidade no fornecimento de combustível aos produtores rurais gaúchos”. Com a safra de verão já em plantio, a entidade deve manter a cobrança junto à ANP e ao governo federal nos próximos dias, à espera de uma resposta concreta sobre a normalização do fornecimento.
Fonte: Farsul
Autor:Farsul
Site: Farsul
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