Sustentabilidade
Em abril, IBGE prevê safra de 348,7 milhões de toneladas para 2026 – MAIS SOJA

A estimativa de abril de 2026 para a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas é de 348,7 milhões de toneladas, 0,7% maior (ou mais 2,6 milhões de toneladas) que a obtida em 2025 (346,1 milhões de toneladas), com variação positiva de 0,1% (ou mais 334.277 mil toneladas) à estimativa de março de 2026.
Estimativa de Abril/2026 348,7 milhões de toneladas
- Variação Abril 2026/Março 2026 (0,1%) +334.277 mil toneladas
- Variação safra 2026/safra 2025 (0,7%) +2,6 milhões de toneladas
A área a ser colhida foi de 83,3 milhões de hectares, com aumento de 2,1% (ou 1,7 milhão de hectares) frente a 2025. Frente à estimativa de março, a área a ser colhida teve variação positiva de 0,2% (aumento 128 572 hectares).
O arroz, o milho e a soja são os três principais produtos deste grupo, que, somados, representaram 92,7% da estimativa da produção e respondem por 87,6% da área a ser colhida. Para a soja, a estimativa de produção foi de 174,1 milhões de toneladas. Quanto ao milho, a estimativa foi de 138,2 milhões de toneladas (29,6 milhões de toneladas de milho na 1ª safra e 108,5 milhões de toneladas de milho na 2ª safra).
A produção do arroz (em casca) foi estimada em 11,3 milhões de toneladas. Para o trigo, a estimativa de produção foi de 7,3 milhões de toneladas. A produção do algodão herbáceo (em caroço) foi estimada em 9,0 milhões de toneladas; e a do sorgo em 5,5 milhões de toneladas.
No que se refere à produção, frente a 2025, ocorrem acréscimos de 4,8% para a soja e de 1,0% para o sorgo. E ocorrem decréscimos de 8,9% para o algodão herbáceo (em caroço); de 10,6% para o arroz em casca; de 2,5% para o milho (crescimento de 15,2% para o milho 1ª safra e declínio de 6,4% para o milho 2ª safra); de 4,6% para o feijão; e de 6,8% para o trigo.
Quanto à área a ser colhida, em relação ao ano anterior, houve acréscimos de 1,2% na da soja; de 3,4% na do milho (aumentos de 11,9% no milho 1ª safra e de 1,3% no milho 2ª safra) e de 8,5% na do sorgo. Houve reduções de 4,3% na do algodão herbáceo (em caroço); de 10,4% na do arroz em casca; e de 3,8% na do feijão.
Centro-Oeste lidera a produção em abril de 2026, com 174,5 milhões de toneladas
Entre as Grandes Regiões, o volume da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresentou a seguinte distribuição: Centro-Oeste, 174,5 milhões de toneladas (50,0%); Sul, 92,1 milhões de toneladas (26,4%); Sudeste, 30,6 milhões de toneladas (8,8%), Nordeste, 29,9 milhões de toneladas (8,6%) e Norte, 21,5 milhões de toneladas (6,2%). A estimativa da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresentou variação anual positiva para as Regiões Sul (6,8%) e a Nordeste (7,8%); e negativas para a Centro-Oeste (-2,3%), a Sudeste (-1,5%) e a Norte (-3,6%). Quanto à variação mensal, apresentaram crescimentos na produção: a Nordeste (2,1%) e a Sudeste (0,4%). A Centro-Oeste apresentou estabilidade (0,0%), enquanto a Norte (-0,4%) e a Sul (-0,4%) apresentaram declínios.
Frente a março, houve aumentos nas estimativas da produção do café canephora (5,2% ou
66 371 t), do cacau (3,8% ou 11 956 t), do algodão herbáceo (3,4% ou 297 168 t), da cevada (3,2% ou 20 876 t), do milho 1ª safra (1,3% ou 380 836 t) e da soja (0,2% ou 371 132 t). Apresentaram declínios: o feijão 2ª safra (-4,7% ou -56 224 t), o feijão 3ª safra (-1,8% ou -13 790 t), a aveia (-1,3% ou -17 792 t), o trigo (-1,1% ou -81 954 t), o feijão 1ª safra (-1,0% ou -9 772 t), o milho 2ª safra (-0,5% ou -490 623 t) e o café arábica (-0,2% ou -4 519 t).
Na distribuição da produção pelas Unidades da Federação, o Mato Grosso lidera como o maior produtor nacional de grãos, com participação de 30,9%, seguido pelo Paraná (13,5%), Rio Grande do Sul (10,8%), Goiás (10,7%), Mato Grosso do Sul (8,2%) e Minas Gerais (5,4%), que, somados, representaram 79,5% do total.
As principais variações absolutas positivas nas estimativas da produção, em relação ao mês anterior, ocorreram na Bahia (369 212 t), no Ceará (154 028 t), em Pernambuco (108 760 t), em São Paulo (107 224 t), em Rondônia (38 880 t), em Goiás (32 191 t), no Rio Grande do Norte (7 627 t), no Acre (1 259 t), no Rio de Janeiro (352 t) e no Amazonas (3 t). As variações negativas ocorreram no Paraná (-339 200 t), no Tocantins (-129 354 t), no Maranhão (-8 946 t), na Paraíba (-6 969 t), no Amapá (-496 t) e em Roraima
(-294 t).
ALGODÃO HERBÁCEO (em caroço) – A estimativa para a produção de algodão herbáceo (em caroço) foi de 9,0 milhões de toneladas, crescimento de 3,4% em relação ao mês anterior, devido ao aumento de 2,7% na área cultivada. Em relação a 2025, a queda nas estimativas de produção chega a 14,2%, com recuos de 7,5% na área cultivada e 7,2% no rendimento médio. O Mato Grosso, maior produtor nacional, com cerca de 68,4% do total nacional, manteve suas estimativas em abril. Na Bahia, segundo maior produtor do algodão, responsável por 20,5% da safra nacional, a estimativa foi reavaliada para uma produção de 1,8 milhão de toneladas, crescimento de 19,0% em relação ao mês anterior.
CACAU (amêndoa) – A estimativa de abril para a produção brasileira de cacau foi de 324,2 mil toneladas, aumento de 3,8% em relação ao mês anterior, resultado de um maior rendimento médio (7,2%), compensando a redução da área (-3,1%). A estimativa da produção na Bahia aumentou 9,6%, tendo alcançado 137,4 mil toneladas. O Estado deve ser responsável por 42,4% da produção brasileira de amêndoas de cacau em 2026 e por quase 70,0% das áreas de produção. A Região Norte é a principal produtora de cacau do País, sendo o Pará o maior representante nacional, com 162,1 mil toneladas, cerca de 50,0% do total. No comparativo mensal, no entanto, não houve reavaliações para as estimativas paraenses.
FEIJÃO (em grão) – A estimativa de abril para a produção de feijão, considerando-se as três safras, alcançou 2,9 milhões de toneladas, uma redução de 2,7% em relação ao mês anterior e de 4,6% sobre a safra 2025. Essa produção deve atender ao consumo interno brasileiro, em 2026, em princípio, não havendo necessidade da importação do produto. Contudo, a estimativa da produção brasileira de feijão vem caindo nos últimos meses, reflexo, principalmente, dos preços aviltados do produto, o que preocupa os mercados, pois, o atual patamar de produção já se encontra apertado frente às estimativas para o consumo brasileiro em 2026.
A produção da 1ª safra de feijão foi de 989,0 mil toneladas, representando 34,4% de participação nacional dentre as três safras, sendo 1,0% menor que no mês anterior. Neste comparativo, foram verificados declínios de 1,3% no rendimento médio e de 2,0% na área plantada, com um crescimento de 0,3% na área colhida. A 2ª safra de feijão foi estimada em 1,1 milhão de toneladas, correspondendo a 39,4% de participação dentre as três safras. No comparativo com o mês de março, houve redução de 4,7% na estimativa de produção, em decorrência dos declínios de 1,3% na área a ser colhida e de 3,5% no rendimento médio. Para a 3ª safra de feijão, a estimativa de produção de abril foi de 753,6 mil toneladas, declínios de 1,8% em relação ao mês anterior e de 2,5% em relação ao volume produzido em 2025.
MILHO (em grão) – A estimativa da produção do milho foi de 138,2 milhões de toneladas, declínio de 2,5% em relação ao volume produzido em 2025 e de 0,1% em relação a março de 2026.
O milho 1ª safra apresentou estimativa de produção de 29,6 milhões de toneladas, crescimento de 1,3% em relação ao mês anterior. A Região Sul, maior produtora de milho 1ª safra, com 43,6% do total nacional, obteve um aumento mensal de 0,9%, assim como, a Região Nordeste, que participa com 21,3% da produção nacional, tendo crescido 3,4%. O Estado do Rio Grande do Sul, maior produtor nacional de milho 1ª safra, com a participação de 21,7% do total na safra, obteve uma estimativa de 6,4 milhões de toneladas, aumento de 21,8% em relação à safra anterior. No segundo maior produtor nacional, Minas Gerais, com participação de 17,0% no total da safra, a estimativa foi de 5,0 milhões de toneladas, crescimento de 13,8% em relação ao volume produzido no ano anterior. Em relação a março de 2026, não ocorreram alterações. Paraná, terceiro maior produtor com participação de 13,3% no total da safra nacional, estimou produção de 3,9 milhões de toneladas, crescimento de 3,1% em relação ao mês anterior.
A estimativa da produção do milho 2ª safra foi de 108,5 milhões de toneladas, 0,4% inferior a março de 2026 e 6,4% menor quando comparado ao ano anterior. Na Região Centro-Oeste, que representa 71,2% da produção nacional, houve redução de 0,1% em relação ao mês anterior, semelhante à Região Sul, onde houve declínio de 0,9%. Nas Regiões Norte e Sudeste, ocorreram reduções de 3,5% e 0,9%, respectivamente. O Estado que mais produz milho na 2ª safra no Brasil é o Mato Grosso, com participação de 47,9% na produção, tendo sido estimado 52,0 milhões de toneladas para o ano de 2026, queda de 4,7% em relação volume produzido no ano anterior. Paraná, segundo maior produtor nacional com 16,0% de participação estimou uma produção de 17,4 milhões de toneladas, 0,9% inferior ao mês anterior. Goiás é o terceiro maior produtor do milho 2ª safra, com participação nacional de 12,3%, tendo estimado uma produção de 13,3 milhões de toneladas, declínio de 0,7% em relação a março de 2026.
SOJA (em grão) – A estimativa da produção brasileira de soja em grão foi novamente revisada para cima e alcançou 174,1 milhões de toneladas, novo recorde da série histórica do IBGE, com aumento de 0,2% em relação a março e de 4,8% frente ao volume obtido em 2025 (166,1 milhões de toneladas). O Mato Grosso, maior produtor nacional, manteve a estimativa de 50,5 milhões de toneladas, estável em relação a março e 0,7% acima do colhido em 2025. Goiás deve colher 19,8 milhões de toneladas, conservando a previsão de março e permanecendo 2,6% abaixo do volume produzido em 2025. No Mato Grosso do Sul, a produção foi estimada em 15,6 milhões de toneladas, mantendo a informação anterior, mas com crescimento de 19,1% em relação ao volume produzido em 2025. O Paraná, com 21,9 milhões de toneladas, mantém a segunda maior produção do País, apresentando leve recuo de 0,7% em relação a março, mas crescimento de 2,6% frente a 2025. No Rio Grande do Sul, a estimativa de abril indicou produção de 18,4 milhões de toneladas, mantendo o forte incremento de 34,6% em relação à safra do ano anterior.
CAFÉ (em grão) – A produção brasileira, considerando-se as duas espécies, arábica e canephora, foi estimada em 4,0 milhões de toneladas, ou 66,1 milhões de sacas de 60 kg, acréscimos de 1,6% em relação ao mês anterior e de 14,9% em relação ao volume produzido em 2025, sendo um recorde na série histórica da pesquisa, considerando a partir de 2002, quando houve mudança na unidade de medida e passou-se a divulgar café em grão. Em relação ao mês anterior, a área está declinando 0,1% e o rendimento médio, crescendo 1,7%. Em relação ao ano anterior, a área apresenta crescimento de 3,1% e o rendimento médio, 11,6%.
Para o café arábica, a produção estimada foi de 2,6 milhões de toneladas ou 43,9 milhões de sacas de 60 kg. Para o café canephora, a estimativa da produção foi de 1,3 milhão de toneladas ou 22,2 milhões de sacas de 60 kg, acréscimos de 5,2% em relação ao mês anterior e de 6,0% em relação ao volume produzido em 2025, com aumentos de 3,7% na área a ser colhida e de 2,3% no rendimento médio, nesse último comparativo. A produção estimada para o café canephora, em 2026, é recorde da série histórica do IBGE. Até o presente momento, o clima tem favorecido as lavouras e os preços do produto acompanharam os do café arábica, em 2025, que também subiram, incentivando os produtores a investirem mais nas lavouras.
CEREAIS DE INVERNO (em grão) – Os principais cereais de inverno produzidos no Brasil são o trigo, a aveia branca e a cevada.
Para o trigo (em grão), a produção estimada alcançou 7,3 milhões de toneladas, declínios de 1,1% em relação ao mês anterior e de 6,8% em relação a 2025. O declínio da área cultivada do trigo na safra de 2026 deve-se aos preços do cereal, que estão apresentando baixa rentabilidade, bem como ao desânimo dos produtores, que tiveram perdas de produção e na qualidade do cereal, nas últimas safras, em função dos problemas climáticos na Região Sul, notadamente no Rio Grande do Sul. A Região Sul deve responder por 83,4% da produção tritícola brasileira em 2026. No Rio Grande do Sul, principal produtor do País, com 45,3% do total nacional, a produção estimada foi de 3,3 milhões de toneladas, declínio de 4,7% em relação ao volume colhido em 2025.
A produção da aveia (em grão) foi estimada em 1,3 milhão de toneladas, declínios de 1,4% em relação ao mês anterior e de 3,7% em relação ao volume produzido em 2025. Os maiores produtores do cereal são o Rio Grande do Sul, com 922,3 mil toneladas, declínio de 1,4% em relação ao volume colhido em 2025; e Paraná, com 249,7 mil toneladas, declínios de 5,8% em relação a março e de 3,0% em relação ao volume colhido em 2025.
Para a cevada (em grão), a produção estimada foi de 667,0 mil toneladas, aumentos de 3,2% em relação ao mês anterior e de 5,4% em relação ao volume produzido em 2025. Os maiores produtores brasileiros da cevada são o Paraná, com 540,9 mil toneladas, crescimentos de 3,9% em relação a março e de 9,7% em relação ao volume produzido em 2025, devendo participar com 81,1% na safra brasileira em 2026; e o Rio Grande do Sul, com uma produção de 100,4 mil toneladas, declínio de 13,4% em relação ao volume produzido em 2025.
Fonte: IBGE

Autor:IBGE
Site: IBGE
Sustentabilidade
Projeto de renegociação das dívidas dos agricultores retorna à Câmara dos Deputados – MAIS SOJA

O Senado Federal aprovou o Projeto de Lei (PL 5.122/2023), que cria mecanismos para auxiliar produtores rurais endividados em todo o país por meio da renegociação de dívidas. A proposta prevê instrumentos para facilitar a repactuação dos débitos, entre eles a criação de uma linha especial de crédito com recursos do Fundo Social do Pré-Sal e dos fundos constitucionais para produtores das regiões Norte e Nordeste.
O projeto já havia sido aprovado anteriormente pela Câmara dos Deputados, mas, como recebeu alterações no Senado, precisará retornar à Câmara para nova votação antes de seguir para sanção presidencial.
A proposta foi discutida com o Ministério da Fazenda, mas, segundo parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), não houve acordo com a equipe econômica do governo.
Durante a votação, a vice-presidente da FPA no Senado, senadora Tereza Cristina (MS), afirmou que houve diversas tentativas de diálogo, mas que o governo não se sensibilizou com a situação enfrentada pelos produtores. Ela ressaltou, no entanto, que ainda há possibilidade de aperfeiçoamentos no texto durante a nova análise pela Câmara dos Deputados.
“Nós tentamos esgotar todos os pontos que eram preocupantes e hoje não estamos falando de um problema eleitoral. Estamos falando de um segmento que carrega o Brasil, que é a agricultura brasileira. Ela passa por um momento terrível: commodities em baixa, juros em alta, plantamos uma safra com dólar a R$ 6 e estamos colhendo com dólar a R$ 5. Isso é mortal para os preços dos agricultores, além dos problemas climáticos enfrentados pelo Rio Grande do Sul”, declarou a senadora.
Entre as condições previstas no projeto estão juros variando entre 3,5% e 7,5% ao ano, conforme o porte do produtor; limite de até R$ 10 milhões por beneficiário e de até R$ 50 milhões para cooperativas e associações; prazo de pagamento de até 10 anos, com até três anos de carência, podendo chegar a 15 anos em situações especiais.
Segundo o coordenador da Comissão Trabalhista da FPA, deputado Afonso Hamm (RS), a aprovação representa um importante avanço para o setor.
“Mais uma batalha vencida. Avançamos cerca de 80%, graças aos colegas deputados, senadores e ao movimento de quem vive esse drama, que são os produtores rurais. Esta é uma vitória importante, construída por muitas mãos.”
O senador Luiz Carlos Heinze (RS) lembrou que, no Rio Grande do Sul, quatro das últimas sete safras foram prejudicadas pela seca e uma pelas enchentes, agravando a situação financeira dos agricultores.
“É difícil pagar as contas diante de juros elevados, custos altos e preços baixos na comercialização. Pedimos ao governo que compreenda a realidade de um setor extremamente importante para o país.”
A deputada federal Daniela Reinehr (SC) afirmou que o projeto agora precisa ser novamente aprovado pela Câmara dos Deputados para seguir à sanção presidencial. Ela também criticou a postura do Governo Federal em relação à proposta, defendendo a necessidade de uma solução para os produtores que acumulam dívidas em razão das sucessivas frustrações de safra.
Fonte: Fecoagro com informações do Senado
Autor:Fecoagro com informações do Senado
Site: Fecoagro/SC
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El Niño 2026/27: foi dada a largada! – MAIS SOJA

Por Jossana Ceolin Cera, Consultora Técnica do Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA). Meteorologista (CREA-RS 244228)
Condições meteorológicas ocorridas em maio de 2026 no estado do Rio Grande do Sul (RS)
A maior parte do RS teve acumulados de precipitação abaixo dos 120 mm. As exceções foram algumas áreas no Centro e no extremo Norte, que superaram os 160 mm (Figura 1A). Em boa parte da Metade Sul, as anomalias de precipitação foram negativas, com exceção do setor Nordeste (Figura 1B). Embora o aquecimento no Pacífico já tenha iniciado, a atmosfera demora um tempo para responder, estando ela ainda refletindo às condições de transição entre a La Niña e a Neutralidade.
Precipitação pluvial total (mm) e anomalia de precipitação (mm) previstas para julho, agosto e setembro de 2026 no estado do RS
Os eventos de chuva ocorreram, basicamente, nos primeiros 10 dias de maio. Já ao redor do dia 25, houve chuva, mas em volumes muito baixos (Figura 2). Na média mensal, a temperatura do ar ficou com anomalia negativa, segundo dados do INMET. Houve alguns dias com temperaturas mais altas, em torno dos 30°C, mas que não caracterizaram um veranico. No restante do mês, as temperaturas máximas e mínimas ficaram, na maior parte dos dias, abaixo dos valores da Normal Climatológica (NC).

Situação atual do fenômeno ENOS (El Niño – Oscilação Sul) e perspectivas
Segundo a atualização da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), de 11 de junho de 2026, o sistema acoplado oceano-atmosfera, no Oceano Pacífico Equatorial, refletiu o início das condições do El Niño.
O mapa da anomalia da temperatura da superfície do mar mostra o avanço das águas mais quentes em direção ao Oceano Pacífico Equatorial, já abrangendo toda a região Equatorial (Figura 3). No boletim mensal divulgado pela NOAA, a anomalia na região do Niño 3.4, considerando a metodologia antiga (ONI) foi de +0,9°C e, considerando a metodologia nova (RONI), foi de +0,45°C, para o mês de maio. Aliás, pela metodologia antiga, o aquecimento começou em 15 de abril, já pelo novo método começou em 20 de maio, ambos em 2026. A região mais próxima à costa da América do Sul, o Niño 1+2, esteve com anomalia de +1,8°C considerando o ONI e com ~+1,4°C, considerando o RONI. A anomalia trimestral (Mar-Abr-Mai/2026), segundo o método RONI foi de -0,1°C, caracterizando a fase neutra do ENOS; já pela metodologia antiga (ONI), a anomalia foi de +0,5°C, caracterizando o primeiro trimestre em limiar de El Niño. Apenas para lembrar, a NOAA mudou a metodologia de cálculo, de ONI para RONI, tema já debatido em boletins anteriores. Só que, ao analisar a Figura 3, ela parece representar os dados do método antigo.

A NOAA prevê, com 46% de probabilidade, que o El Niño atingirá a intensidade forte (anomalias entre +1,5 e +1,9°C) nesse próximo trimestre (Jul-Ago-Set/2026). Há 63% de probabilidade do evento chegar à intensidade muito forte (anomalias superiores a +2,0°C) durante o trimestre Nov-Dez/2026-Jan/2027. Lembrando que, eventos mais intensos nem sempre resultam em impactos meteorológicos e climáticos maiores. Mas, eles podem aumentar a probabilidade de ocorrência de determinados impactos.
O bolsão de águas subsuperficiais, com anomalias positivas de temperatura, segue ativo, e em intensificação, ao longo dos últimos meses na região equatorial (Figura 4). Há áreas com anomalias acima dos 6°C desde maio, ou seja, essas águas estão aflorando em superfície e darão sustentação e intensidade ao El Niño que está em desenvolvimento.

Previsão de precipitação – trimestre junho, julho e agosto de 2026 no RS
Para esse trimestre, o consenso do IRI (International Research Institute for Climate Society) indica precipitação próxima aos valores da Normal Climatológica (NC) na Metade Sul, com aumento da probabilidade de chuvas no Norte do Estado. Já o modelo CFSv2 (Climate Forecast System), da NOAA, prevê precipitações abaixo da NC, em todo o RS, em julho; dentro da NC em agosto e com tendência de ficar dentro da NC em setembro. Por sua vez, o modelo do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) prevê precipitações acima da NC durante os próximos três meses, com destaque para setembro (Figura 5). Analisando um conjunto maior de modelos, mas que não estão expostos aqui, a convergência entre eles é de que as precipitações fiquem acima da NC a partir de agosto.

O El Niño foi declarado pela NOAA e, agora, a expectativa fica por conta do início das chuvas mais frequentes no RS. É importante ressaltar que o principal efeito do El Niño é no aumento da frequência e volume das precipitações durante a primavera do primeiro ano (2026) e, em um segundo momento, durante o outono do ano seguinte (2027). Em anos de El Niño, além do aumento da nebulosidade, com consequente diminuição da radiação solar, além da temperatura média do ar sem mais alta, mas sem extremos, e umidade relativa do ar também mais elevada.
Em função disso, o produtor do RS deve ficar atento, na safra 2026/27, para alguns aspectos importantes:
- Aproveitar os períodos secos para fazer o preparo das áreas para a semeadura do arroz irrigado e das culturas de sequeiro, para viabilizar a semeadura dentro do período recomendado;
- Maior risco de enchentes em áreas próximas de rios. Logo, recomenda-se evitar grandes investimentos nessas áreas;
- Para as lavouras de soja e milho em rotação, nas áreas baixas, priorizar um eficiente sistema de drenagem;
- Com a primavera mais chuvosa, as janelas de semeadura serão menores e, possivelmente, haverá atraso na época de semeadura (arroz e soja). Semeaduras muito tardias devem ser evitadas, primeiro devido à redução de produtividade, em decorrência da menor disponibilidade de radiação solar e, segundo, devido ao impacto secundário do El Niño durante o outono de 2027, que poderá prejudicar a operação de colheita dessas culturas;
- A brusone, principal doença fúngica do arroz, ocorre sob condições de temperaturas em torno dos 28°C, alta umidade relativa do ar (>90%), maior nebulosidade e molhamento foliar, conforme recomendações da Comissão Técnica do Arroz (CTAR, 2025). Em anos sob El Niño, essas condições ocorrem com maior frequência. Dentre as práticas de controle dessa doença, atenção deve ser dada para a escolha de cultivares mais resistentes a doenças e da adoção do manejo preventivo;
- E, por último, mas não menos importante, é ficar atento ao sistema de irrigação para as culturas de sequeiro, como a soja, pois mesmo com El Niño, durante o verão há o risco de ocorrer algum período de 10 a 15 dias sem chuvas, com redução da produtividade de grãos.
Mantem-se a recomendação do acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas de curto prazo (sete a 15 dias) como estratégia para aumentar a eficiência na execução das atividades agrícolas e apoiar a tomada de decisão no manejo das lavouras, assim como da previsão climática, para saber como o Oceano Pacífico irá se comportar e impactar nas chuvas do RS nos próximos meses.
Fonte: IRGA

Autor:Jossana Ceolin Cera, Consultora Técnica do Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA). Meteorologista (CREA-RS 244228)
Site: IRGA
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Eficácia de fungicidas no controle da mancha-alvo na safra 2025/2026 – MAIS SOJA

Considerada uma das principais doenças da soja, a mancha-alvo (Corynespora cassiicola) apresenta ampla distribuição geográfica, ocorrendo em praticamente todas as regiões produtoras do Brasil. Embora práticas integradas de manejo, como o uso de cultivares menos suscetíveis, rotação de culturas e adoção de boas práticas agronômicas, contribuam para reduzir a pressão da doença, o controle químico com fungicidas permanece como uma das principais estratégias utilizadas em lavouras comerciais para minimizar os danos e preservar o potencial produtivo da cultura. Dependendo da suscetibilidade da cultivar, das condições ambientais e da severidade da doença, perdas de produtividade de até 40% podem ocorrer quando medidas adequadas de manejo não são adotadas (Godoy et al., 2023).
Figura 1. Sintomas típicos de mancha-alvo (Corynespora cassiicola) em soja.
Sobretudo, para maximizar a eficiência no controle da mancha-alvo na soja, além do correto posicionamento dos fungicidas quanto aos momentos de aplicação, é fundamental estabelecer um programa fitossanitário baseado em produtos com maior eficácia e desempenho no manejo da doença. Essa definição permite não apenas um controle mais eficiente da mancha-alvo, mas também contribui para a manutenção do potencial produtivo da lavoura.
Nesse contexto, conhecer a eficácia dos fungicidas disponíveis para o manejo da mancha-alvo é essencial para orientar o posicionamento desses produtos ao longo do ciclo da soja. Atualmente, existem 203 produtos registrados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para o controle da mancha-alvo na cultura da soja (Agrofit, 2026). Entretanto, essa ampla disponibilidade de produtos pode dificultar a escolha das melhores ferramentas e a definição do programa fitossanitário. Assim, informações sobre a performance dos principais fungicidas utilizados no controle da doença auxiliam na tomada de decisão e no aprimoramento das estratégias de manejo.
Com o objetivo de avaliar a eficácia de fungicidas no controle da mancha-alvo em soja, ensaios cooperativos foram conduzidos na safra 2025/2026, envolvendo 17 experimentos (Tabela 1), realizados por 15 instituições de pesquisa em seis estados brasileiros (GO, MT, MS, BA, SP e PA). De acordo com Godoy et al. (2026), os resultados apresentados no Comunicado Técnico nº 5 da Rede Fitossanitária Tropical contemplam avaliações de diferentes estratégias de manejo, incluindo formulações prontas, misturas em tanque com mancozebe e programas baseados na rotação de fungicidas.
Tabela 1. Instituições, locais, datas da semeadura e cultivares de soja.

As aplicações dos fungicidas foram iniciadas aos 41 dias após a semeadura e as reaplicações em intervalos de 14 dias. De acordo com os resultados obtidos, a menor severidade da mancha-alvo e a maior porcentagem de controle foi observada no tratamento com metiltetraprole + protioconazole Manfil (T14 – 74% decontrole) e na sequência, nos tratamentos com metiltetraprole + difenoconazol e Tróia (T12 – 67%), metiltetraprole + protioconazol (T13 – 65%), Fox Ultra e Milcozeb (T6 – 64%), Fox Xpro e Milcozeb (T4 – 64%), metiltetraprole + difenoconazol (T11 – 62%) e difenoconazol + protioconazol + oxicloreto de cobre (T18 – 60%) (Godoy et al., 2026).
Tabela 2. Severidade da mancha–alvo (SEV MA %), porcentagem de controle em relação à testemunha sem fungicida (C %), fitotoxicidade média (FITO %), produtividade (PROD kg/ha) e porcentagem de redução de produtividade (RP %) em relação ao tratamento com a maior produtividade. Média de 15 experimentos para severidade de mancha–alvo (1 a 5, 7 a 15 e 17), 7 locais para fitotoxicidade (1, 5, 7, 10, 12 a 14) e 8 locais para produtividade (1, 5, 7, 9, 10, 12 a 14). Safra 2025/2026 (Godoy et al., 2026).

Segundo Godoy et al. (2026), embora todos os tratamentos com fungicidas tenham apresentado resultados superiores à testemunha (sem fungicidas), as maiores produtividades foram observadas no tratamentos com metiltetraprole + protioconazol e Manfil (T14 – 4.752kg/ha) e metiltetraprole + difenoconazol e Tróia (T12 – 4.603kg/ha), seguidos de Fox Ultra e Milcozeb (T6 – 4.572kg/ha), Fox Xpro e Milcozeb (T4 – 4.555kg/ha) e metiltetraprole + protioconazol (T13 – 4.520kg/ha).
Esses resultados reforçam a importância do adequado posicionamento de fungicidas para o controle da mancha-alvo, bem como a necessidade de integrar estratégias que contribuam para o manejo da resistência do fungo a fungicidas, devendo-se atuar de forma proativa no controle da doença.
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Referências:
AGROFIT. CONSULTA ABERTA. Ministério da Agricultura e Pecuária, 2026. Disponível em: < https://agrofit.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons >, acesso em: 29/06/2026.
GODOY, C. V. et al. EFICÁCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA MANCHA-ALVO, Corynespora cassiicola, NA CULTURA DA SOJA, NA SAFRA2025/2026: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Rede Fitossanidade Tropical, Comunicado Técnico, n. 5, 2026. Disponível em: < https://periodicos.ufv.br/STFT/article/view/24309/12452 >, acesso em: 29/06/2026.
GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA MANCHA-ALVO, Corynespora cassiicola, NA CULTURA DA SOJA, NA SAFRA 2022/2023: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa Soja, Circular Técnica, n. 194, 2023. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1154756/1/Circ-Tec-194.pdf >, acesso em: 29/06/2026.
Foto de capa: Foto: Maurício Stefanelo.

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