Sustentabilidade
Chicago em Recuo: Vetos da China e Relatório do USDA Pressionam o Milho – MAIS SOJA

As cotações do milho, em Chicago, após subirem durante a semana, chegando a bater em US$ 4,67/bushel no dia 12, recuaram na sequência, com o fechamento da quinta feira (14) ficando em US$ 4,51/bushel, contra US$ 4,52 uma semana antes. O motivo de tal recuo igualmente foi a notícia de que a China não compraria novas quantidades de grãos em relação àquilo que já foi acertado em 2025.
Enquanto isso, o relatório de oferta e demanda do USDA, anunciado no dia 12/05,indicou, para o ano 2026/27, uma produção estadunidense do cereal em 406,3 milhões de toneladas, contra 432,3 milhões um ano antes. O rendimento médio esperado é de 191,4 sacos por hectare, enquanto a área semeada recua em 3,5% em relação ao ano anterior. Já os estoques finais de milho, nos EUA, para o novo ano comercial, ficariam em 49,7 milhões de toneladas, contra 54,4 milhões um ano antes.
Por sua vez, a produção mundial de milho fica projetada em 1,295 bilhão de toneladas, contra 1,313 bilhão no ano anterior, enquanto os estoques finais mundiais, para 2026/27, chegariam a 277,5 milhões de toneladas, contra 297 milhões no ano anterior. A produção brasileira está projetada em 139 milhões de toneladas e a da Argentina em 55 milhões.
Dito isso, o plantio do milho nos EUA, no dia 10/05, chegou a 57% da área esperada, contra 52% na média. Do total semeado, 23% estava germinado, contra 19% na média. E no Brasil, os preços permaneceram estáveis, agora com leve viés de baixa em alguns locais. No Rio Grande do Sul, as principais praças continuaram com R$ 57,00/saco, enquanto no restante do país os preços oscilaram entre R$ 47,00 e R$ 61,00/saco.
Por sua vez, conforme revisão de analista privado, a colheita total do Brasil, em 2025/26, pode chegar a 140,1 milhões de toneladas. Houve ajuste para baixo em função de problemas climáticos observados em alguns estados, caso de Goiás. Com isso, a safrinha deverá fechar em 99,1 milhões de toneladas, abaixo do resultado do ano anterior que foi de 100,8 milhões. A área total com milho no Brasil, no atual ano comercial, seria de 21,9 milhões de hectares, enquanto a produtividade média estimada alcançaria 6.400 quilos/hectare (cf. Safras & Mercado).
Enfim, segundo a Secex, nos primeiros cinco dias úteis de maio o Brasil exportou 100.395 toneladas de milho, representando 983% acima da média diária de maio do ano passado. O mercado vem notando que os produtores estariam preferindo vender omilho ao invés da soja, pois estariam esperando um prêmio melhor para a oleaginosa mais adiante. Mas, isso está longe de ser garantido, embora a entrada da safrinha permita imaginar isso no segundo semestre.
Porém, continua havendo muita incerteza quanto ao futuro das nossas exportações de milho, especialmente se o Irã, devido à guerra, continuar com dificuldades de importação. Já o preço recebido por tonelada exportada recuou 41,8%, passando a US$ 271,80 contra US$ 467,10 em maio do ano passado.
Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
Sustentabilidade
Como o sistema de produção condiciona o sucesso da lavoura de soja – MAIS SOJA

Com a aproximação da época de semeadura da soja, chega o momento de escolher a cultivar ideal que melhor se adapte às condições de cada produtor. A primeira etapa para determinar a cultivar está relacionada ao conhecimento do ambiente (temperatura, radiação solar e fotoperíodo) e do sistema de produção. Um sistema intensificado de cultivos impede o produtor semear a soja na época ideal, demonstrando como o sistema de produção frequentemente condiciona a época de semeadura. No Sul do Brasil, por exemplo, uma análise em 853 lavouras de soja apontou que há uma perda de 995 kg ha-1 pela escolha incorreta do GMR ou época de semeadura (Winck et al., 2023).
A época de semeadura influencia diretamente o comportamento fenológico e o potencial de produtividade de cada lavoura. O fator biofísico que mais explica o potencial de produtividade de uma lavoura (sem limitações hídricas, nutricionais ou bióticas) é o coeficiente fototérmico (razão entre a radiação solar incidente e a temperatura do ar) durante a fase entre os estágios R3 (início da formação dos legumes) e R7 (maturidade fisiológica) da soja (Fehr & Caviness, 1977; Zanon et al., 2016).
Para exemplicar essa dinâmica, a Figura 1 apresenta o momento de ocorrência de cada fase fenológica de cultivares com diferentes GMRs em relação ao fotoperíodo do local de semeadura. Compreender essas relações permite alinhar o período crítico da cultura com a maior oferta ambiental (maior coeficiente fototérmico), além de evidenciar como esse posicionamento é influenciado pela época de semeadura e pelo GMR da cultivar.

Referências:
FEHR, W.R. and CAVINESS, C.E. Stages of soybean development. Special Report 80, Iowa Agricultural Experiment Station, Iowa Cooperative External Series, Iowa State University, Ames, 1977.
WINCK, J. E. M. et al. Decomposition of yield gap of soybean in environment × genetics × management in Southern Brazil. European Journal of Agronomy, v. 145, p. 126795, 2023. Disponível em: < https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1161030123000631 >, acesso: 21/07/2026.
WINCK, J.E.M et al. Ecofisiologia da soja visando altas produtividades. 3era Edição, 2025.
ZANON, A.J; STRECK, N.A; GRASSINI, P. Climate and Management Factors Influence Soybean Yield Potential in a Subtropical Environment. Agronomy Journal, v. 108, n. 4, p. 1447-1454, 2016. Disponível em: < https://acsess.onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.2134/agronj2015.0535 >, acesso 22/07/2026.

Sustentabilidade
Soja mantém protagonismo nas exportações de MS – MAIS SOJA

A soja manteve a liderança entre os produtos exportados por Mato Grosso do Sul em julho de 2026. Segundo levantamento da Aprosoja/MS, com dados do ComexStat, soja e resíduos representaram 35,6% da pauta de exportações do Estado no sétimo mês do ano. Na sequência aparecem celulose, com 30,6%, e carne bovina, com 15,5%.
O desempenho contribuiu para o resultado positivo da balança comercial sul-mato-grossense, que encerrou julho com saldo de US$ 1,084 bilhão. As exportações somaram US$ 1,264 bilhão, enquanto as importações totalizaram US$ 180 milhões.
Outro destaque foi o óleo de soja, que aparece entre os principais produtos comercializados pelo Estado.
“A participação da soja confirma a força da cadeia produtiva sul-mato-grossense no comércio exterior, mas o avanço de itens processados também merece atenção. É um movimento que amplia as possibilidades de geração de valor dentro do próprio Estado”, avalia o analista de Economia da Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho.
Nas importações, o gás natural permaneceu na primeira colocação, respondendo por 39,3% do total. O cobre ficou em segundo lugar, seguido por equipamentos elétricos. A via férrea, que representou 3,6% das importações, apareceu na quinta posição.
A presença da via férrea entre os principais itens importados, segundo a análise do boletim, está relacionada à execução do projeto de curta extensão do ramal ferroviário de Inocência.
O resultado da balança comercial reforça, ainda, a diferença entre os fluxos de comércio registrados no mês: o valor exportado foi aproximadamente sete vezes superior ao importado.
Para Linneu, acompanhar a composição desses fluxos é importante para compreender não apenas o resultado mensal, mas também os movimentos estruturais da economia estadual.
“Os dados permitem enxergar onde estão os principais vetores de geração de divisas e quais setores vêm ganhando espaço na composição do comércio exterior. Essa leitura é importante para orientar decisões e avaliar os efeitos dos investimentos produtivos e logísticos no Estado”, conclui.
O boletim completo pode ser acessado clicando aqui.
Fonte: Aprosoja/MS
Autor:Crislaine Oliveira (Assessoria de Comunicação da Aprosoja/MS)
Site: Aprosoja MS
Sustentabilidade
Trigo: Monitoramento da lavoura ajuda no controle de doenças – MAIS SOJA

O clima úmido, com baixa luminosidade e temperaturas amenas, pode favorecer a presença de fungos nas lavouras de cereais de inverno. Para reduzir o impacto, a Embrapa Trigo recomenda algumas estratégias de manejo das lavouras.
De acordo com a fitopatologista Cheila Sbalcheiro, da Embrapa Trigo, a ocorrência ou mesmo a intensidade das doenças depende da resistência ou suscetibilidade da cultivar escolhida e das condições climáticas em cada fase de desenvolvimento da cultura. Por isso, o monitoramento das lavouras permite fazer o melhor controle das doenças fúngicas como manchas foliares, oídio, ferrugens e giberela, especialmente em anos de El Niño.
“Após dias consecutivos de chuva as manchas foliares exigem maior atenção do produtor na fase inicial do trigo, já que estas doenças evoluem muito rápido e, caso não controladas, certamente vão impactar no rendimento final da lavoura”, diz Cheila. Ela explica que as plantas precisam de tecido verde para garantir a produtividade, mas como os fungos causam lesões nas folhas, tendem a comprometer a área de fotossíntese.
Outro risco para a produção de grãos de inverno em anos de El Niño é a giberela, já que chuva em dias consecutivos e temperatura entre 24 e 30ºC potencializam a ocorrência de epidemias. O fungo causador da giberela pode atacar as espigas a partir do espigamento até a fase final de enchimento de grãos, ocasionando perdas de até 25% no rendimento, além do potencial de contaminação dos grãos por micotoxinas, que prejudicam a saúde humana e animal.
“Sempre orientamos o produtor a monitorar a lavoura para fazer o manejo de doenças em trigo, mas no caso da giberela a recomendação é monitorar as previsões climáticas para fazer o controle preventivo e evitar que o fungo chegue à espiga”, explica Cheila Sbalcheiro, destacando que, para o melhor controle da doença, é preciso fazer a proteção antecipada da espiga: “Por exemplo, com previsão de chuva nas próximas 24h a 72h, a orientação é aplicar o fungicida antes da chuva e repetir a operação após 7 a 10 dias se houver nova previsão de chuva”.
Adubação assertiva
A adubação nitrogenada pode ajudar na sanidade da lavoura, evitando que a planta fique debilitada, com pouca energia para reagir a entrada de vírus, fungos e bactérias que podem causar doenças.
Em anos de El Niño, para o melhor aproveitamento da adubação nitrogenada, considerando possíveis perdas causadas pelo excesso de chuva, a estratégia indicada pela pesquisa é parcelar as aplicações de N em três momentos: na semeadura; entre duas folhas e o início do perfilhamento; e na fase reprodutiva (entre o perfilhamento e o início do alongamento).
Em teoria, o ideal é que, antes ou após a aplicação do nitrogênio em cobertura, ocorra uma chuva de 5 a 10 milímetros. Mas como isso nem sempre é possível, o produtor deve observar as condições climáticas para definir o momento da aplicação, dando preferência aos dias ensolarados com grande disponibilidade de radiação.
Em caso de volumes elevados de chuva após a aplicação de N, ocasionando lixiviação ou escoamento superficial no talhão, o produtor deve fazer a compensação da dose na próxima aplicação.
Fonte: Embrapa
Autor:Joseani M. Antunes (MTb 9693/RS) Embrapa Trigo
Site: Embrapa
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