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22 de julho de 2026

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El Niño pode ser vilão para a soja brasileira na próxima safra, aponta consultoria

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Foto: Unsplash/reprodução

Com o plantio da safra 2026/27 dos Estados Unidos em andamento, o mercado acompanha os efeitos do El Niño sobre a produtividade e o comportamento dos preços da soja e do milho. Segundo análise da consultoria Biond Agro, o fenômeno climático pode favorecer a produção norte-americana no curto prazo, mas ampliar os riscos para a safra brasileira nos próximos meses.

Os dados analisados pela consultoria mostram que, em anos de El Niño forte, os Estados Unidos registram ganho de 123% na produtividade, enquanto a Argentina apresenta avanço de 2%. No Brasil, o cenário é inverso, com queda de 9% na produção.

Isabella Pliego, analista de inteligência e estratégia da consultoria, destaca que o mercado acompanha atentamente o impacto climático sobre a safra norte-americana neste momento, já que o plantio está em andamento no país.

“Se o clima favorecer o desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos, especialmente durante a floração e o enchimento de grãos, o mercado pode trabalhar com uma safra maior, cenário que tende a pressionar os preços em Chicago”, afirma.

A atenção do mercado deve se voltar ao Brasil no segundo semestre, período em que começa o plantio da soja, entre setembro e outubro. Segundo a análise, o principal risco está na distribuição irregular das chuvas em importantes regiões produtoras.

“O Sul pode ter mais umidade, mas Mato Grosso, Matopiba e parte do Centro-Oeste podem enfrentar chuva irregular, calor e veranicos no início da safra”, explica Isabella.

Na Argentina, o cenário tende a ser mais favorável. O plantio ganha força entre outubro e dezembro, e um El Niño forte costuma aumentar a umidade no país, contribuindo para a recuperação produtiva da soja e do milho.

O impacto do fenômeno climático sobre os preços pode mudar ao longo da temporada. No curto prazo, uma safra maior nos Estados Unidos tende a pressionar as cotações em Chicago. Mais à frente, porém, eventuais problemas climáticos no Brasil podem alterar a percepção do mercado.

“Se o Mato Grosso for muito afetado por atraso ou irregularidade das chuvas, isso pode virar um fator altista para as cotações, porque o estado é a grande janela do Brasil para o mundo na soja”, destaca a analista.

Segundo Isabella, em um cenário de maior risco climático para a produção brasileira, o mercado tende a incorporar um prêmio climático aos preços, refletindo a preocupação com possíveis perdas na oferta global da commodity.

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Conflito no Oriente Médio segue impactando na produção de MT e custeio da soja 2026/27 dispara mais de 3%

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

O custeio da safra 2026/27 de soja deverá ser 3,35% mais pesado do que o ciclo passado no bolso do produtor mato-grossense. Isso porquê fertilizantes e corretivos tiveram um incremento de 5,74% e operações mecanizadas de 22,74% em relação à safra 2025/26. Com isso, o custeio da temporada que começa a ser cultivada em setembro ficou cotado em média a R$ 4.321,32 por hectare.

A projeção consta no projeto Custo de Produção Agropecuário em Mato Grosso (CPA-MT), realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MT), divulgado nesta semana.

“A elevação desses componentes foi influenciada diretamente pelo conflito no Oriente Médio, que tem pressionado a logística e o preço desses insumos (óleo diesel, para o caso de operações mecanizadas)”, explica o Imea.

De acordo com o Instituto, não é descartada a possibilidade de os produtores em Mato Grosso, diante dos custos elevados em tais insumos, reverem o pacote de fertilizantes a ser utilizado na safra 2026/27, “uma vez que a redução no consumo de óleo diesel é mais restrita”.

Outro ponto de destaque que pode impactar nos custos é o risco climático, com a previsão de do fenômeno El Niño para este ano. Fato que não só eleva a preocupação do produtor de soja no estado quanto a produtividade, como também à margem de rentabilidade.


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Arroz atinge maior preço desde setembro de 2025, diz Cepea

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Foto: Sebastião José de Araújo/Embrapa Arroz e Feijão

O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul manteve a recuperação dos preços nos últimos dias, levando o Indicador Cepea/Irga-RS ao maior patamar desde setembro de 2025. Segundo o Cepea, a oferta restrita dos produtores, a necessidade de recomposição dos estoques pelas indústrias e o aquecimento do mercado externo sustentam as cotações.

Pesquisadores do Cepea afirmam que os vendedores seguem seletivos, à espera de novas altas, enquanto parte das indústrias elevou pontualmente as ofertas. Outras, porém, limitam as compras diante da dificuldade de repassar ao mercado de beneficiados o aumento dos custos da matéria-prima. Com isso, a liquidez permanece moderada.

No fechamento de terça-feira (21), o Indicador Cepea/Irga-RS do arroz em casca foi de R$ 65,59 por saca de 50 kg, com alta de 2,07% no dia. No acumulado do mês, o indicador registra avanço de 8,90%.

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Tarifaço dos EUA: setor de máquinas pede saída diplomática ao governo

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Foto: Divulgação Mapa

O governo federal iniciou nesta terça-feira (21) uma rodada de reuniões com representantes dos setores afetados pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Entre os primeiros encontros esteve o da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que levou ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, um pacote de medidas para reduzir os impactos da decisão americana.

Segundo o presidente-executivo da entidade, José Velloso, o setor de máquinas e equipamentos está entre os mais expostos ao mercado norte-americano. Antes da elevação das tarifas, as exportações para os Estados Unidos somavam cerca de US$ 4 bilhões.

“O setor de máquinas e equipamentos é um dos que mais exportam para os Estados Unidos. Com essa nova tarifa de 25%, será altamente afetado”, afirmou.

Pacote de propostas

A Abimaq dividiu as sugestões apresentadas ao governo em dois eixos: medidas para preservar a competitividade das exportações e aperfeiçoamentos no programa Brasil Soberano.

Na área tributária, a entidade defende a retomada do Reintegra e a criação de mecanismos de compensação de tributos indiretos acumulados ao longo da cadeia produtiva. Segundo Velloso, essas medidas ajudariam a reduzir, na prática, o impacto da tarifa adicional sobre os produtos brasileiros.

Outra proposta é o diferimento temporário de tributos federais, como Imposto de Renda, CSLL, PIS, Cofins e contribuição previdenciária patronal.

De acordo com a Abimaq, a medida daria fôlego ao capital de giro das empresas, repetindo soluções já adotadas durante a pandemia de Covid-19 e após as enchentes no Rio Grande do Sul. A entidade também pediu reforço ao trabalho da ApexBrasil para ampliar a abertura de novos mercados.

Apesar da perda de competitividade nos Estados Unidos após o primeiro tarifaço, Velloso afirmou que as exportações do setor cresceram cerca de 13% graças à diversificação dos destinos.

“Estamos batendo recorde de exportações. Devemos exportar mais de US$ 14,5 bilhões neste ano. O objetivo é buscar novos mercados, sem deixar de trabalhar o mercado norte-americano”, disse.

Outro pedido foi a prorrogação dos atos concessórios do drawback, regime que suspende tributos sobre insumos importados destinados à produção de bens para exportação. Segundo a entidade, muitos compradores americanos passaram a adiar entregas, o que pode comprometer empresas que utilizam esse mecanismo.

Mudanças no Brasil Soberano

No eixo de crédito, a Abimaq propôs ajustes no programa Brasil Soberano para ampliar o acesso das empresas.

Entre as sugestões estão a flexibilização dos critérios de elegibilidade, ampliação do número de beneficiários, mudança do período de referência utilizado para enquadramento das empresas e redução das taxas de juros.

Segundo Velloso, os financiamentos atualmente oferecidos, entre 15% e 17% ao ano, ainda são caros para empresas que enfrentam perda de mercado externo.

A entidade também defendeu a isenção do IOF nas operações de crédito ligadas ao programa, a retirada da exigência de manutenção de empregos como condição para acesso aos recursos e o fortalecimento dos mecanismos de garantia e seguro de crédito.

Solução diplomática

Após a reunião, Velloso afirmou que a prioridade da indústria continua sendo uma solução negociada entre Brasil e Estados Unidos. Segundo ele, a adoção de medidas de retaliação não seria o melhor caminho diante da atual crise comercial.

O executivo também disse que o governo demonstrou preocupação com os impactos das tarifas e informou que novas reuniões estão previstas com outras entidades representativas da indústria. A expectativa é que, após ouvir os setores afetados, a equipe econômica defina o alcance das medidas de apoio.

A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos entra em vigor nesta quarta-feira (22). Entre os produtos atingidos estão máquinas agrícolas, etanol, roupas e calçados. Já itens do agronegócio, como café, carne bovina, mel, laranja e suco de laranja, ficaram fora da cobrança adicional.

*Com informações do repórter Bruno Amorim, de Brasília

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