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31 de outubro de 2026

Agro Mato Grosso

No campo, proteger a floresta significa evitar que o fogo chegue até ela

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No Dia de Proteção às Florestas, produtores rurais reforçam que conservar a vegetação nativa faz parte da rotina nas propriedades e que o combate aos incêndios começa muito antes das chamas aparecerem

O Brasil abriga uma das maiores riquezas ambientais do planeta. Suas florestas ocupam posição estratégica na conservação da biodiversidade, na regulação do clima, na proteção dos recursos hídricos e na produção de alimentos. Não por acaso, o país é reconhecido mundialmente pela dimensão de seus biomas e pela extensa cobertura vegetal nativa que ainda preserva.

Mas, durante o período de estiagem, essa riqueza natural passa a enfrentar um dos seus maiores desafios: os incêndios florestais. Com meses de baixa umidade, altas temperaturas e vegetação seca, qualquer foco de calor pode se transformar rapidamente em um incêndio de grandes proporções, ameaçando não apenas áreas de preservação, mas também lavouras, animais, infraestrutura e comunidades rurais.

É justamente nesse cenário que o produtor rural assume um papel que muitas vezes passa despercebido por quem vive distante do campo. Além de produzir alimentos, ele também atua diariamente como guardião das florestas existentes dentro de sua propriedade, investindo em prevenção, monitoramento e combate ao fogo para impedir que as chamas avancem sobre a vegetação nativa.

Em Mato Grosso, essa responsabilidade ganha ainda mais relevância. O estado concentra algumas das maiores áreas de produção agrícola do país e, ao mesmo tempo, abriga importantes porções dos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal. A convivência entre produção e conservação faz parte da realidade das propriedades rurais e é respaldada pelo Código Florestal Brasileiro, que determina a manutenção de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais.

Segundo o vice-coordenador da Comissão de Sustentabilidade da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Nathan Belusso, os números ajudam a demonstrar a importância do produtor rural na conservação ambiental do estado.  “Mato Grosso possui cerca de 60% do seu território com vegetação nativa preservada e, desse total, aproximadamente 50% está dentro de propriedades privadas. Isso significa que o produtor rural também exerce o papel de protetor dessas áreas”, explica.

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Nathan Belusso explica que, justamente nas regiões onde predominam a agricultura e o manejo constante das propriedades, os índices de incêndios costumam ser menores. Isso ocorre porque existe monitoramento permanente, abertura de aceiros, manutenção de equipamentos e rápida mobilização sempre que um foco de incêndio é identificado.

“Todos os anos enfrentamos um período de quatro ou cinco meses praticamente sem chuva, com temperaturas elevadas. Essas condições favorecem o surgimento de incêndios. Nesses casos, o produtor é quase sempre o primeiro a chegar ao local e iniciar o combate ao fogo, protegendo tanto as áreas de vegetação nativa quanto as áreas produtivas”, afirma.

A preocupação vai além da preservação ambiental. Um incêndio pode destruir a palhada que protege o solo, comprometer a fertilidade da área, danificar máquinas, cercas, estruturas e reduzir significativamente a produtividade da safra seguinte.

Ao contrário da percepção de que apenas a floresta sofre com os incêndios, o produtor rural figura entre os maiores prejudicados quando o fogo invade uma propriedade. Nathan Belusso lembra que o proprietário é considerado o guardião da vegetação existente dentro de sua fazenda e precisa agir imediatamente diante de qualquer ocorrência.

“Quando um incêndio acontece dentro da propriedade, o produtor é o primeiro responsável pelo combate. Além dos prejuízos financeiros, ele pode responder administrativamente ou até criminalmente caso não consiga comprovar que o incêndio foi acidental ou provocado por terceiros”, explica.

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Por isso, a orientação é que toda ocorrência seja registrada por meio de boletim de ocorrência e documentação técnica, especialmente quando houver indícios de origem criminosa.

A produtora rural e delegada coordenadora do núcleo da Aprosoja MT em Sorriso, Aline Beledelli, conta que a preservação das áreas nativas faz parte da rotina da propriedade e segue rigorosamente o que determina o Código Florestal Brasileiro.

“As Áreas de Preservação Permanente, como as margens dos rios, são preservadas conforme estabelece a legislação. Dependendo da região e da tipologia da vegetação, existem propriedades que preservam 20%, 35% e até 80% de sua área.”

Apesar de nunca ter enfrentado um incêndio dentro da própria fazenda, ela afirma que já participou da mobilização para combater focos em propriedades vizinhas. Segundo Aline, existe uma verdadeira rede de apoio entre produtores durante o período mais crítico do ano.

“Quando alguém identifica fumaça ou um foco de incêndio, os vizinhos se comunicam imediatamente. Existem grupos de mensagens específicos para isso. Caminhões-pipa permanecem abastecidos, grades e equipamentos ficam prontos para uso e todos se mobilizam porque ninguém sabe onde será o próximo incêndio.”

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Essa cooperação faz com que a resposta aos incêndios seja rápida, muitas vezes evitando que pequenas ocorrências se transformem em grandes desastres ambientais. No município de Diamantino, o delegado coordenador do núcleo da Aprosoja MT, Flávio Kroling, afirma que o trabalho de prevenção começa muito antes da chegada da estiagem. Uma das principais medidas adotadas nas propriedades é a construção e manutenção dos aceiros.

“A gente procura proteger as florestas de todas as formas. Toda a propriedade possui aceiros e realizamos constantemente ações preventivas para evitar que o fogo alcance a vegetação nativa.”

Kroling já enfrentou incêndios tanto em propriedades próprias quanto em fazendas vizinhas e destaca que o setor agropecuário está cada vez mais preparado para agir nessas situações. “Hoje o produtor dispõe de equipamentos, caminhões, implementos e equipes treinadas para fazer o combate inicial aos incêndios. Todos sabem que quem mais perde quando há fogo somos nós.”

Segundo ele, os prejuízos vão muito além da safra. “Uma floresta leva muitos anos para se recuperar depois de um incêndio. O mesmo acontece com a lavoura e com a palhada que protege o solo. Por isso, o maior interessado em impedir que o fogo aconteça é o próprio agricultor.”

A preservação ambiental não representa um obstáculo à agricultura, ela é um dos fatores que tornam possível a produção de alimentos em larga escala. Solo protegido, disponibilidade de água, equilíbrio climático, polinização e conservação da biodiversidade são elementos diretamente ligados à manutenção das áreas de vegetação nativa.
Para Aline Beledelli, produção e conservação são duas faces da mesma realidade. “A agricultura depende diretamente dos recursos naturais. Solo, água e clima são essenciais para produzir alimentos com qualidade. Desenvolvimento e conservação ambiental não são objetivos opostos; são complementares.”

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Essa também é a visão de Flávio Kroling. “É impossível pensar em agricultura sem cuidar das florestas. Se não preservarmos nossas áreas nativas, também não teremos boas colheitas. Está tudo interligado.”

Nathan Belusso reforça que essa relação de equilíbrio faz parte da própria atividade rural. “É da natureza que o produtor tira seu sustento. Quanto melhores forem as práticas de manejo e de preservação ambiental, maior será a eficiência da produção. O produtor vive em harmonia com o meio ambiente e colhe os frutos dessa convivência.”

No Dia de Proteção às Florestas, a mensagem que vem do campo é de que preservar não significa apenas manter áreas de vegetação em pé, mas agir diariamente para que elas permaneçam protegidas.

A abertura de aceiros, o monitoramento constante durante a estiagem, a manutenção de equipamentos de combate, a união entre vizinhos e o respeito à legislação ambiental fazem parte de uma rotina silenciosa, mas essencial para conservar o patrimônio natural brasileiro.

Enquanto as florestas garantem água, equilíbrio climático e biodiversidade, os produtores rurais ajudam a garantir que elas continuem existindo. Afinal, para quem vive da terra, proteger a floresta não é apenas uma obrigação legal, é uma condição indispensável para continuar produzindo hoje e para as próximas gerações.

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Fazenda de 101 hectares vai a leilão em MT com lance inicial de R$ 10,5 milhões

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Uma fazenda de 101 hectares, será leiloada por valores a partir de R$ 3 milhões localizada em Primavera do Leste, a 239 km de Cuiabá. A propriedade, chamada Fazenda Belo Horizonte, terá a primeira etapa do leilão nesta sexta-feira (30), com lance mínimo de R$ 10,5 milhões. Caso não seja vendida, uma nova tentativa será realizada no dia 6 de novembro, com valor inicial de R$ 3 milhões.

O leilão extrajudicial será realizado pela Mega Leilões, sob condução do leiloeiro oficial Fernando José Cerello G. Pereira. Na primeira etapa, marcada para as 15h, o lance mínimo será de R$ 10.576.242,48. Já na segunda fase, também às 15h, o valor será reduzido para R$ 3.078.792,00, correspondente à dívida garantida, acrescida das despesas e dos encargos previstos no edital.

A propriedade tem 101,4818 hectares e está registrada sob a matrícula nº 22.664 no Cartório de Registro de Imóveis de Primavera do Leste. Segundo o edital, a área é georreferenciada e certificada pelo Sistema de Gestão Fundiária (SIGEF), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Atualmente, o imóvel está ocupado pelo devedor, que desenvolve atividades agrícolas no local. Conforme as regras do leilão, a responsabilidade pela desocupação será do comprador, assim como outras obrigações relacionadas à regularização documental e às condições físicas da propriedade.

Os interessados poderão participar presencialmente ou pela internet. Para disputar os lances online, é necessário realizar cadastro e habilitação prévia no site da plataforma Mega Leilões.

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Cuiabá tem previsão de chuva e máxima de 34°C em fim de semana com alerta amarelo em MT

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Cuiabá deve ter um fim de semana de calor e pancadas de chuva, enquanto Mato Grosso está sob alerta amarelo para chuvas intensas, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O aviso de perigo potencial vale para este sábado (31), até as 23h59, e prevê chuva de até 50 milímetros por dia e ventos de até 60 km/h.

Na capital, a previsão para sábado é de muitas nuvens, com pancadas de chuva e trovoadas isoladas durante a manhã e a tarde. À noite, também pode chover. Os termômetros devem variar entre 23°C e 33°C.

No domingo (1º), o cenário deve ser semelhante, com muitas nuvens, pancadas de chuva e trovoadas isoladas. A temperatura mínima prevista é de 25°C e a máxima, de 34°C.

Alerta amarelo

O aviso do Inmet engloba 141 municípios de Mato Grosso e prevê chuva entre 20 e 30 milímetros por hora ou até 50 mm por dia, além de ventos intensos, com velocidades entre 40 e 60 km/h.

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Segundo o instituto, há baixo risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas.

O que fazer em caso de tempestades

Durante o período de alerta, o Inmet recomenda:

  • Não se abrigar debaixo de árvores durante rajadas de vento, devido ao risco de queda e de descargas elétricas.
  • Não estacionar veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda.
  • Evitar usar aparelhos eletrônicos ligados à tomada.
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Venda de alimentos cresce até 400% após fim das bets I MT

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Mato Grosso registraram crescimento de até 400% em alguns estabelecimentos após a proibição das apostas on-line, conhecidas como bets, constata a Associação de Supermercados de Mato Grosso (Asmat). O aumento varia conforme o estabelecimento e o produto, com registros de incrementos a partir de 2,5%, pontua o presidente da Asmat, Alessandro Morbeck. O dirigente ressalta que os percentuais mais elevados também podem estar associados a lojas novas que ainda não possuem um volume de vendas estabilizado.

“Realmente aumentou o consumo de alimentos mais básicos porque o pessoal está com mais dinheiro disponível e acaba sempre priorizando, felizmente, a alimentação para a família”, afirma Morbeck.

A percepção do setor em Mato Grosso acompanha o desempenho nacional do varejo alimentar. Levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) aponta alta de 6,5% nas vendas entre 5 e 11 de outubro de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Na semana seguinte, de 12 a 18 de outubro, o crescimento foi de 6,3% na mesma base de comparação. As duas semanas analisadas são posteriores à publicação da Medida Provisória (MP) nº 1.394/2026, em 25 de setembro, que proibiu as bets no país e determinou a devolução dos saldos aos apostadores.

Para a Abras, a mudança contribui para ampliar o consumo das famílias, especialmente de produtos essenciais. Segundo a entidade, houve crescimento nas compras de itens como arroz, óleo, macarrão e café. O avanço foi observado em diferentes formatos do varejo alimentar, incluindo supermercados, atacarejos e mercearias. Na 1ª semana analisada, o Centro-Oeste registrou alta de 3,6% nas vendas, abaixo da média nacional de 6,5%.

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O maior crescimento foi observado nas regiões Sul e Sudeste, ambas com 10,6%, com destaque para estados como Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo (5,6%). No Nordeste o avanço foi de 6,5%. Na semana de 12 a 18 de outubro, o Centro-Oeste apresentou crescimento de 3,5%, abaixo do resultado nacional (6,3%). A região Sul liderou (9%). A Abras também relaciona o comportamento do consumo a dados do Banco Central (BC) que indicam redução nas transações realizadas por PIX após a proibição das apostas.

De acordo com a Abras, a queda chegou a 10% e, posteriormente, passou a 7%.

 

DEBATE

Supremo Tribunal Federal (STF) realizará audiência pública na próxima terça-feira, 3 de novembro, para discutir a MP que proibiu as bets no Brasil. Convocado pelo ministro Luiz Fux, o encontro reunirá 28 entidades, incluindo clubes de futebol, órgãos públicos e representantes do setor. A discussão integra ação que questiona a constitucionalidade da medida.

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