Sustentabilidade
CNA orienta produtores sobre renegociação de dívidas – MAIS SOJA

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou um documento com detalhes e informações que vão ajudar os produtores rurais a se organizarem para as novas regras que constam na Medida Provisória (MP 1.376) das dívidas rurais.
Publicada na quarta (15), a MP autoriza a contratação de linhas de crédito para liquidar ou amortizar dívidas rurais e Cédulas de Produto Rural (CPRs) de produtores afetados por perdas de safra, eventos climáticos extremos ou queda dos preços agropecuários.
O Comunicado Técnico (CT) da CNA (acesse) traz, por exemplo, informações detalhadas que constam na MP sobre quem poderá acessar as linhas de crédito, quais dívidas poderão ser incluídas, prazos e alerta os produtores rurais para que organizem documentos e reúnam documentos sobre as perdas.
Quem pode acessar – De acordo com o documento da Confederação, poderão acessar as linhas de crédito:
- produtores rurais;
- cooperativas de produção agropecuária, na condição de produtor rural;
- com perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025;
- com redução mínima de 30% da renda bruta esperada
E os produtores deverão apresentar sempre a comprovação “por laudo de profissional habilitado”.
Dívidas – Já as dívidas que poderão ser incluídas são as seguintes:
- custeio, comercialização e industrialização;
- parcelas de investimentos vencidas ou com vencimento até 31/12/2026;
- operações renegociadas ou prorrogadas;
- CPRs com liquidação financeira emitidas em favor de instituições financeiras.
Justificativa – Ao analisar a MP, a Confederação diz no Comunicado que o produtor poderá justificar as perdas que teve com eventos climáticos extremos, como enxurradas, alagamentos, inundações, chuvas de granizo, chuvas intensas, tornados, ondas de frio, geadas, vendavais, secas ou estiagens; ou redução dos preços de comercialização dos produtos agropecuários.
Prazo – A MP estabelece prazo de até 120 dias após a publicação para contratação das linhas, o que corresponde a 12 de novembro de 2026. A efetiva abertura das contratações dependerá da regulamentação e da disponibilidade de recursos.
Condições – Nas condições gerais, os produtores enquadrados no Pronaf poderão contratar até R$ 400 mil, com juros de 6% ao ano e prazo de até oito anos. Para o Pronamp, o limite é de até R$ 2 milhões, com juros de 9% ao ano e prazo de até oito anos. Para os demais produtores, o limite chega a R$ 4 milhões, com juros de 12% ao ano e prazo de até oito anos.
O Comunicado detalha que, para produtores com perdas climáticas em pelo menos três safras e redução mínima de 40% da renda bruta agropecuária esperada, estão previstas condições excepcionais.
No Pronaf, o limite será de até R$ 500 mil, com juros de 5% ao ano e prazo de até 10 anos. No Pronamp, o limite chega a R$ 2,5 milhões, com juros de 8% ao ano e prazo de até 10 anos. Para os demais produtores, o limite será de até R$ 8 milhões, com juros de 11% ao ano e prazo de até 10 anos.
A primeira parcela de amortização do principal vencerá dois anos após a contratação. Durante esse período, haverá pagamento de juros. As garantias poderão ser reduzidas, quando consideradas excessivas, ou ampliadas, quando insuficientes para a nova operação.
As instituições financeiras também poderão prorrogar, por até 30 dias, determinadas parcelas de principal e juros que atendam aos critérios da MP.
Fonte: CNA
Sustentabilidade
SOJA/CEPEA: Alta do dólar impulsiona preços no Brasil – MAIS SOJA

A forte valorização do dólar frente ao Real na última semana aumentou a competitividade da soja brasileira no mercado internacional, estimulando o interesse de compradores estrangeiros. Segundo o Cepea, esse movimento elevou a liquidez no mercado doméstico e impulsionou os preços, que voltaram aos patamares do início de outubro.
De acordo com pesquisadores do Cepea, o interesse por negócios no spot foi reforçado pelas incertezas quanto ao frete nos próximos meses, sobretudo diante das perspectivas de aumento nos preços do diesel.
O Centro de Pesquisas ressalta que, em contrapartida, agentes brasileiros têm demonstrado menor interesse em contratos a termo, sobretudo para embarques em 2027. Além das incertezas sobre o frete rodoviário, as discussões relacionadas à reforma tributária têm reforçado a cautela. Por isso, parte desses agentes tem preferido manter os estoques remanescentes da safra anterior a comprometer antecipadamente volumes para entrega nos próximos meses.
Os preços dos derivados também subiram nos últimos dias, conforme apontamento do Cepea. No caso do óleo de soja, a demanda aquecida elevou os prêmios de exportação ao maior patamar desde março deste ano, embora a queda no preço FOB tenha limitado a valorização no mercado nacional.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
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MILHO/CEPEA: Preços reagem; negociações seguem lentas – MAIS SOJA

As cotações do milho voltaram a subir no mercado brasileiro, favorecidas pela valorização do dólar e pelo avanço dos preços nos portos. Segundo o Cepea, a retração de parte dos vendedores também contribuiu para esse movimento, embora as negociações tenham permanecido lentas.
De acordo com pesquisadores do Cepea, parte dos vendedores está atenta às incertezas quanto à reforma tributária, enquanto compradores negociaram apenas lotes pontuais, conforme as necessidades de abastecimento, à espera de oportunidades mais atrativas.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
Sustentabilidade
Perdas na safra de trigo paulista agravam desafios para a cadeia produtiva estadual – MAIS SOJA

As perdas provocadas pelas chuvas em setembro devem comprometer ainda mais a safra de trigo de São Paulo, cuja produção pode ficar abaixo de 20% das 350 mil toneladas inicialmente esperadas. O cenário preocupa o setor e amplia os desafios para as próximas temporadas, em um contexto econômico que pode permanecer desfavorável até 2028. Os impactos climáticos, as perspectivas para o mercado e as medidas para fortalecer a triticultura paulista foram discutidos na quinta-feira (29), durante a terceira e última reunião do ano da Câmara Setorial do Trigo do estado, realizada na Cooperativa Castrolanda, no Entreposto Itaberá (SP), em formato híbrido.
Diante das dificuldades, o Sindicato da Indústria do Trigo no Estado de São Paulo (Sindustrigo) reforçou a importância da aproximação entre produtores e indústria moageira para fortalecer a cadeia produtiva e preservar o mercado para o cereal cultivado no estado. Como destacou o presidente da Câmara Setorial, Ruy Zanardi, a situação se agravou em relação às previsões apresentadas no encontro anterior, quando já havia uma expectativa de redução da produção, mas boas estimativas quanto à qualidade. Agora, além da quebra de produção, a qualidade do trigo colhido também preocupa, pois as fortes chuvas durante o período de colheita prejudicaram o cereal. A estimativa é de que apenas 10% a 15% do volume produzido seja classificado como Tipo 1.
“A previsão de que a safra não seria boa, feita na última reunião da Câmara, se confirmou. Mas, pelos relatos que ouvimos aqui, a situação se agravou e foi pior do que o esperado. A expectativa era colher cerca de 350 mil toneladas, mas não chegaremos nem a 20% desse volume”, detalhou.
O presidente atribuiu as perdas às condições climáticas registradas a partir do início de setembro, quando as chuvas se intensificaram em todo o estado. Em alguns municípios, o volume de precipitação chegou a 629 milímetros no mês, equivalente a 629 litros de água por metro quadrado. A continuidade das chuvas também mantém o risco de perdas sobre as áreas que ainda não foram colhidas.
Apesar do cenário, Ruy Zanardi ressaltou que a indústria moageira continua aberta à compra do trigo paulista e mencionou a notícia recebida na reunião, sobre a edição de uma medida provisória para auxiliar produtores afetados pelos prejuízos da safra. Para ele, a continuidade da produção dependerá da capacidade de superar as dificuldades e manter a articulação entre os elos da cadeia.
O presidente do Sindustrigo, Max Piermartiri, também alertou para os desafios econômicos que devem acompanhar a recuperação da atividade. “O caminho daqui para frente será difícil. Ainda enfrentaremos desafios nesta safra de 2026/2027, em um cenário econômico que pode continuar complicado em 2027 e até 2028. Precisamos fortalecer a aproximação entre a produção agrícola e a indústria moageira”, afirmou.
Anfitrião do encontro e vice-presidente da Câmara Setorial, José Reinaldo avaliou que as perdas representam um desafio excepcional para os produtores, mas destacou a importância de manter os esforços para a recuperação da triticultura paulista.
“Essa foi uma safra bem diferente das demais, com grandes desafios pela frente, mas seguimos firmes com nossos propósitos e confiantes na capacidade de recuperação da triticultura do estado de São Paulo”, afirmou. Ele acrescentou que a expectativa é de que as próximas safras apresentem melhores resultados.
Pesquisa aponta avanço na avaliação do trigo paulista 2025/2026
Durante a reunião, Zanardi também apresentou os resultados da pesquisa sobre o trigo paulista na safra 2025/2026. O levantamento mostrou crescimento de 45,3% nas compras do cereal pelos associados do Sindustrigo, que passaram de 403.566 toneladas para 586.330 toneladas no período.
A satisfação geral dos associados com a utilização do trigo paulista também avançou. A nota média passou de 7,9, em 2025, para 8,9, em 2026. Entre os atributos avaliados, a cor registrou melhora de 6,6 para 7,9, enquanto a homogeneidade passou de 6,5 para 7,3. A avaliação da sanidade também evoluiu, de 8,0 para 8,6.
As principais aplicações do trigo paulista por volume no último ano-safra foram a fabricação de pães, com 48,9%, o uso doméstico, com 33,8%, e a produção de massas, com 11,5%. Também foram mencionados os pães industriais (7,6%), os biscoitos (5,5%) e os pães congelados (2,9%).
“Na comparação entre os anos, é importante destacar que há uma evolução consistente na percepção de qualidade do trigo paulista. Houve melhora na avaliação dos quesitos, especialmente cor, homogeneidade e sanidade. Ainda há espaço para melhorias, porém a mudança positiva tem sido consistente”, explicou Zanardi.
Na comparação com o trigo argentino, o cereal paulista apresentou melhor percepção de qualidade em todos os atributos avaliados, com exceção da homogeneidade. Segundo Zanardi, o resultado reflete tanto a evolução na avaliação do produto local quanto a piora na percepção sobre o trigo argentino.
Ao comentar os resultados, ele também ressaltou a importância do trabalho conjunto para o desenvolvimento da cadeia produtiva e parabenizou os produtores da região.
Mercado internacional e abastecimento brasileiro
A conjuntura nacional e internacional do trigo foi apresentada por Fabio Cruz, da StoneX. Segundo os dados expostos, a produção mundial está estimada em 882 milhões de toneladas, enquanto o consumo deve alcançar 824 milhões de toneladas.
“No mercado internacional, as perspectivas para Rússia e Ucrânia, assim como o ritmo das exportações norte-americanas, permanecem entre os fatores de atenção. A expectativa de recuperação dos embarques russos e ucranianos influencia as cotações, enquanto o ritmo mais lento das exportações dos Estados Unidos exerce pressão sobre os preços”, contextualizou o especialista.
Para a Argentina, a expectativa apresentada é de que as exportações do país não alcancem 19 milhões de toneladas, volume que ainda deverá complementar a oferta mundial. Apesar das chuvas, a safra argentina apresentava boas condições até o momento da análise, e seu resultado será importante para o equilíbrio global, a depender também dos desdobramentos da situação no Mar Negro.
Para o Brasil, a avaliação é de que tanto as importações quanto as exportações deverão crescer. As variações cambiais elevaram os patamares de referência para as duas operações, reforçando a importância do acompanhamento do mercado internacional para o planejamento do abastecimento.
Câmaras setoriais e planejamento da cadeia
Outro tema da reunião foi a proposta de funcionamento das câmaras setoriais, apresentada pelo Coordenador das Câmaras Setoriais e Temáticas, Felipe Camargo, que abordou o diagnóstico do modelo atual e as mudanças propostas para institucionalizar a agenda de trabalho. A iniciativa busca ampliar o planejamento, estabelecer metas, mensurar resultados e fortalecer a participação dos setores produtivos na definição das prioridades da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
A proposta prevê a construção conjunta das pautas anuais, alinhando as demandas das cadeias produtivas à agenda da secretaria. A intenção é estruturar ações com objetivos definidos, acompanhar sua execução e dar transparência aos resultados alcançados.
“A mensagem que trazemos é de resiliência: o momento não é fácil, mas, quando temos um propósito, e o triticultor paulista tem essa característica, acredito que vamos fazer com que se organize a cadeia e que ela seja cada vez mais resiliente. Esse é o papel da Câmara, construir um planejamento que seja adequado ao desenvolvimento da cadeia”, afirmou.
Fonte: Assessoria de imprensa
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