Agro Mato Grosso
Produção da pecuária de MT deve movimentar R$ 42,1 bi em 2026

Agro Mato Grosso
Milho deixa de ser complemento de renda e se torna potência econômica em MT

Neste Dia Nacional do Milho, a Aprosoja MT destaca como o grão virou protagonista em Sorriso
Sorriso, a 400 km de Cuiabá, passou de 1,1 milhão de toneladas, na safra 2009/10, para 3,8 milhões, na safra 2024/25, triplicando a produção do grão em apenas 15 anos, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, destacou que os produtores rurais começaram a cultivar milho como complemento de renda, para baratear o custo da soja, e também pelos resíduos de palhada utilizados na cobertura e preservação do solo.
“Antigamente, era comum soja de 130 dias e, com o uso da tecnologia, o ciclo encurtou, começou a sobrar mais tempo de chuva no estado. Então, na região da BR-163, começou-se a plantar milho como uma fonte extra, para consumo da propriedade, principalmente para adicionar palha e melhorar a qualidade do solo. Esse movimento começou a ser cada vez mais intenso, a ponto de que hoje a gente planta variedades, muitas vezes, de 90 dias de ciclo e produz o milho em uma safra cheia. Então, teve uma intensificação da tecnologia, onde o consumo interno dentro do estado, principalmente através da ração animal e das usinas de etanol, tornou-se mais viável e realmente uma fonte importante para o produtor mato-grossense”, explicou.
Essa história de produção mostra o quanto os produtores rurais da região persistiram e confiaram no mercado, aumentando a área de produção de 200 mil hectares, em 2008, para 440 mil hectares, em 2024. Bier conta que o Dia Nacional do Milho destaca o espaço que o grão alcançou ao longo dos anos, principalmente em momentos de crise, ajudando o produtor a fechar as contas no fim do mês. Além disso, ele também avaliou que o mercado do milho está em expansão devido ao crescimento dos setores de biocombustível e biomassa.
“O mercado de biocombustíveis hoje é uma realidade, não é uma promessa, e a gente vê ele em franca expansão. Hoje, temos muitas usinas de etanol de milho a serem construídas e consolidadas dentro do estado, mas os números já impressionam. Atualmente, 13,9 milhões de toneladas de milho são destinadas para a produção de etanol, o que gera 5,6 bilhões de litros de combustível. Para se ter uma ideia, só em imposto são R$ 833,6 milhões de ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços]. Além do etanol de milho, a gente tem outros produtos: por ano, 2,2 bilhões de litros de biodiesel são produzidos dentro do estado, além de 2,7 milhões de toneladas de DDG [Dried Distillers Grains]”, afirmou.
Os valores da produção do município são tão expressivos que representam 6,9% de toda a produção das 142 cidades de Mato Grosso. Sorriso colheu, na safra 2024/25, mais de 3,8 milhões de toneladas de milho, enquanto o estado, no total, produziu 55,4 milhões de toneladas do grão, segundo dados do Imea.
Para o delegado coordenador do núcleo de Sorriso, Rafael Krzyzanski, a força da produção do grão está diretamente ligada ao quanto os agricultores investiram nessa cultura. Krzyzanski afirma que o milho se tornou protagonista da economia local e está presente em diversos setores agropecuários. Rafael também comentou que, além da produção do grão, Sorriso ajuda a impulsionar a economia e é um motor na geração de empregos.
“Realmente, Sorriso tem hoje esse status de maior produtor de milho do país. Isso mostra também a dimensão do agronegócio brasileiro, porque Sorriso hoje é referência nacional em produtividade, tecnologia e manejo. Além disso, a gente sabe que Mato Grosso sozinho responde por cerca de 30% da produção nacional, e Sorriso está no centro dessa potência agrícola, dessa pujança toda. Isso significa, com certeza, mais arrecadação para o estado, mais geração de emprego, mais movimento em transportadoras, armazéns e comércio. Então, tem muito dinheiro circulando por conta disso”, destacou.
O sucesso de Sorriso está ligado ao protagonismo dos produtores rurais. Rafael destaca que o município é resultado da dedicação dos agricultores que persistiram e apostaram na região.
Assim como Rafael, a delegada do núcleo de Sorriso, Joana Triches, explicou como a cultura do milho exige dedicação dos produtores rurais e se tornou essencial para a economia do estado. Segundo ela, além da geração de renda, o milho também tem papel importante na criação de empregos e na sustentabilidade financeira das propriedades rurais.
“Trabalhar com a cultura do milho aqui em Mato Grosso, especialmente na cidade de Sorriso, onde eu resido, é de grande responsabilidade e importância para o nosso estado, porque além de gerar renda, gera também emprego. É uma segunda cultura de bastante valia, que exige muita dedicação. Então, acaba sendo tão importante quanto a cultura da soja hoje no nosso estado, diante da representatividade que essa cultura tem”, destacou.
Joana também ressaltou que a evolução tecnológica transformou a produção do milho em Mato Grosso e fez com que a cultura deixasse de ocupar apenas pequenas áreas nas propriedades rurais. Atualmente, segundo ela, o milho já representa uma segunda safra consolidada no estado, exigindo planejamento, gestão e acompanhamento constante no campo.
“A produção do milho evoluiu bastante. Hoje, muita tecnologia é aplicada no campo, desde agricultura de precisão, mapeamentos e escolha de híbridos mais tecnológicos. Isso exige mais dos produtores, principalmente em planejamento e gestão. Mas é uma cultura que hoje ocupa praticamente 100% da área em muitas regiões e deixou de ser apenas uma pequena segunda safra”, afirmou.
Neste Dia Nacional do Milho, a data reforça a importância do grão para Mato Grosso, estado que lidera a produção nacional e transformou o milho em uma das principais forças do agronegócio. Entre tecnologia, geração de renda e crescimento econômico, a cultura segue impulsionando o desenvolvimento das propriedades rurais e dos municípios mato-grossenses.
Bruna Cardoso
Agro Mato Grosso
Chave genética mantém micorriza ativa em solos fosfatados

Estudo mostra como a redução da atividade do gene VIH2 pode manter a associação entre raízes e fungos e ampliar a absorção de nutrientes
Pesquisadores identificaram a enzima VIH2 como um regulador da micorriza arbuscular em Lotus japonicus. A redução da atividade desse gene ampliou a colonização das raízes por fungos micorrízicos e aumentou a absorção de fósforo e outros nutrientes, mesmo em condições nas quais o fosfato costuma inibir a simbiose.
A descoberta liga a percepção de fosfato pela planta ao controle da associação com fungos do solo. O estudo aponta os pirofosfatos de inositol como sinais reguladores dessa resposta. Essas moléculas de baixa abundância integram a resposta à deficiência de fosfato, a aquisição de nutrientes e a endossimbiose radicular.
Micorriza arbuscular
A micorriza arbuscular favorece a aquisição de fosfato, nitrogênio, enxofre, micronutrientes e água por meio da rede de hifas do fungo. Em troca, a planta fornece carbono ao simbionte. O custo da associação ajuda a explicar a redução da colonização em solos com níveis moderados ou altos de fosfato.
O grupo de pesquisadores usou Lotus japonicuscomo planta modelo. A inoculação ocorreu com Rhizophagus irregularis em vasos com areia lavada. As plantas receberam soluções com 25, 250, 750, 1.500 ou 2.500 micromoles de fosfato. Após quatro semanas e meia, os autores avaliaram a colonização radicular, a expressão de genes marcadores e os teores de nutrientes na parte aérea.
As linhagens mutantes vih2 apresentaram maior colonização total das raízes, maior abundância de arbúsculos e maior formação de vesículas em ampla faixa de fosfato externo, de 25 a 1.500 micromoles. A expressão do gene marcador PT4 acompanhou esse aumento. Os arbúsculos mantiveram morfologia comparável à observada nas plantas selvagens.
O efeito também apareceu na nutrição mineral. Em plantas colonizadas por micorriza, os mutantes vih2 acumularam mais fósforo na parte aérea. O estudo também registrou aumentos em nitrogênio, potássio, magnésio e cobre, conforme o nutriente e a condição de cultivo.
Estabilidade dos arbúsculos
Os cientistas também avaliaram a estabilidade dos arbúsculos. A linhagem vih2-1 apresentou 452 arbúsculos por sistema radicular, contra 283 nas plantas selvagens. A proporção de arbúsculos em degradação caiu nos mutantes. O resultado indica manutenção da colonização, sem degeneração precoce das estruturas fúngicas.
Em solo superficial coletado em campo, com disponibilidade moderada de nitrogênio, fósforo e potássio, as plantas vih2 também receberam maior colonização por fungos micorrízicos naturais. Não houve defeitos visíveis de crescimento. A massa fresca da parte aérea permaneceu comparável à das plantas selvagens. Nessas condições, os mutantes acumularam mais fosfato, nitrogênio, magnésio, enxofre, molibdênio e cálcio.
Experimentos de enxertia indicaram controle local e sistêmico da micorrização por VIH2. A colonização aumentou quando brotos vih2 foram enxertados sobre raízes selvagens. O aumento também ocorreu quando brotos selvagens foram enxertados sobre raízes vih2. A resposta apareceu sob baixa e alta disponibilidade de fosfato.
A enzima VIH2 atua como uma quinase ligada à síntese de InsP8. Esse composto funciona como sinal do estado de fosfato em plantas. Nos mutantes vih2, a menor síntese de InsP8 ativou respostas típicas de deficiência de fosfato e favoreceu a micorrização.
Os cientistas apontam potencial uso em melhoramento de plantas com maior eficiência no uso de nutrientes. A estratégia ainda exige validação em culturas agrícolas e em condições agronômicas.
Outras informações em doi.org/10.1126/sciadv.aec5607
Agro Mato Grosso
Empreiteiro matinha trabalhadores em situação análoga à escravidão em MT

Um homem de 39 anos, que se apresentava como empreiteiro, foi preso em Alta Floresta (803 km de Cuiabá) acusado de manter dois trabalhadores gaúchos em regime de trabalho análogo à escravidão em uma fazenda, às margens da rodovia estadual MT208. As vítimas eram agredidas e não recebiam os salários combinados.
Conforme o registro da ocorrência, registrado na última sexta-feira (22), a Polícia Militar foi acionada por uma das vítimas, que informou ter sido agredido pelo empregador. No local, as vítimas, dois homens com 19 e 33 anos, contaram que vieram do Rio Grande do Sul para Mato Grosso junto com o acusado para trabalhar.
Alojados em casa que pertence ao empreiteiro, eles contaram que o empregador vinha reclamando do seu rendimento no serviço e ameaçou os trabalhadores dizendo que os deixaria sem dinheiro para voltar ao seu estado de origem.
O combinado entre eles era que as duas vítimas ficariam em Mato Grosso por três meses mediante o pagamento de um valor combinado entre os três. Contudo, o acusado só pagava metade desse salário com a promessa de que a diferença seria paga após os três meses.
Na data da denúncia, o empreiteiro acusou as vítimas de terem furtado uma caixa de som da sua residência. Um dos trabalhadores negou ter cometido o crime e foi agredido com tapas e chutes.
O acusado não estava na fazenda, mas foi encontrado em uma estrada próxima e recebeu voz de prisão e foi encaminhado para unidade policial para as providências cabíveis.
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