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25 de maio de 2026

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Clima ameaça produtividade do milho safrinha, aponta Cepea

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O desenvolvimento da segunda safra de milho segue satisfatório na maior parte das regiões produtoras do Brasil, mas problemas climáticos pontuais já começam a preocupar produtores em estados importantes para a produção nacional.

Segundo pesquisadores do Cepea, áreas de Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul enfrentam impactos de geadas e do tempo seco, cenário que pode comprometer a produtividade das lavouras.

Diante das incertezas climáticas, parte dos vendedores adota postura cautelosa nas negociações e mantém firmeza nos preços, aguardando uma definição mais clara sobre o tamanho da safra.

Produtores seguram vendas diante de incertezas

De acordo com o Cepea, a preocupação com possíveis perdas na produção tem reduzido o interesse de alguns produtores em avançar nas vendas neste momento.

Por outro lado, há agentes mais flexíveis nas negociações, principalmente aqueles que buscam liberar espaço nos armazéns e reforçar o caixa neste período de colheita.

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No lado da demanda, compradores seguem atuando de forma pontual, aproveitando oportunidades em momentos de preços mais baixos. Ainda segundo o Cepea, muitos consumidores possuem estoques suficientes para abastecimento nas próximas semanas, o que reduz a necessidade de aquisições mais agressivas no mercado neste momento.

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Data destaca 10,1 milhões de trabalhadores da agricultura familiar no Brasil

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O Dia da Trabalhadora e do Trabalhador Rural, celebrado neste domingo (25), recoloca em evidência a participação da agricultura familiar na produção de alimentos no Brasil. Segundo o Anuário Estatístico da Agricultura Familiar 2026, citado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), cerca de 10,1 milhões de trabalhadores e trabalhadoras rurais atuam nesse segmento, com presença em todas as regiões do país.

De acordo com o material divulgado pelo MDA, a agricultura familiar concentra parte relevante da produção de itens básicos do abastecimento interno, como arroz, feijão, leite, frutas, legumes e verduras. O ministério relaciona esse desempenho à atuação de políticas públicas voltadas à produção de pequena escala, à organização das famílias rurais e à ampliação de renda no campo.

Entre as iniciativas mencionadas está o programa Quintais Produtivos, voltado ao incentivo da produção agroecológica, do cultivo de plantas medicinais e da geração de renda por famílias rurais. A pasta destaca ainda que a ação busca ampliar a autonomia econômica das mulheres do campo, tema recorrente em políticas para agricultura familiar.

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Em relato divulgado pela assessoria do ministério, a agricultora Josefa Ataídes, de São Sebastião (DF), afirmou que a produção em quintal passou a responder pela renda da família. Segundo ela, a atividade também alterou a percepção sobre o trabalho feminino na comunidade rural.

Embora o conteúdo oficial aponte avanços em autonomia produtiva e segurança alimentar, o material não detalha, até o momento, volume de recursos, número de famílias atendidas, metas do programa ou recorte regional de execução. Esses dados são centrais para medir alcance, eficiência e impacto econômico das iniciativas sobre a agricultura familiar.

Do ponto de vista produtivo, programas desse tipo podem influenciar diversificação de culturas, oferta local de alimentos e permanência de famílias no campo, especialmente em sistemas de base agroecológica e de menor escala.

A data reforça o peso da mão de obra rural na produção de alimentos e recoloca no debate a efetividade das políticas públicas para agricultura familiar. Sem informações completas sobre orçamento, cobertura e resultados consolidados, a avaliação técnica dos programas depende de detalhamento adicional por parte do MDA.

Fonte: gov.br

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Fórum Técnico Mais Milho discute geopolítica e oportunidades para o agro

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Foto: Canal Rural Mato Grosso

O município de Água Boa recebe no próximo dia 28 de maio o Fórum Técnico Mais Milho para discutir os impactos diretos da geopolítica mundial sobre a produção e o comércio do grão no Brasil. O encontro presencial ocorre no Sindicato Rural da cidade, a partir das 8h (horário de Brasília), com transmissão ao vivo pelo canal do Canal Rural no YouTube. O debate centraliza as análises na transformação dos mercados globais diante de conflitos internacionais e novas barreiras comerciais.

A iniciativa que integra a décima temporada do projeto Mais Milho — uma das mais relevantes plataformas de conteúdo voltadas à cadeia produtiva do milho no Brasil.

O evento traz como tema central “Do conflito à oportunidade: como a geopolítica redesenha o agro mundial”. O objetivo do painel é avaliar as variáveis externas que fogem do controle do produtor, mas determinam a rentabilidade dentro da porteira. Entre os principais tópicos mapeados para a discussão estão a oscilação nos custos dos fertilizantes, o encarecimento do frete marítimo, a segurança alimentar global e a transição energética.

A composição do painel de especialistas reflete a urgência em alinhar a análise macroeconômica à realidade técnica do campo. Estão confirmadas as participações do pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), Mauro Osaki; do superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Cleiton Gauer; dos presidentes dos sindicatos rurais de Água Boa, Geraldo Delai, e de Nova Xavantina, Endrigo Dalcin; e do diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Glauber Silveira. A mediação do debate será do jornalista Luiz Patroni, editor-chefe do Canal Rural Mato Grosso.

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Geopolítica e o bolso do produtor

A necessidade de ampliar a visão estratégica do agricultor baseia-se no cenário de instabilidade macroeconômica. As disputas comerciais entre grandes potências e os gargalos logísticos internacionais alteram as rotas de exportação e mexem nos preços das commodities de forma abrupta, exigindo maior eficiência gerencial na cadeia produtiva do milho.

As decisões políticas tomadas fora do país interferem no fornecimento de insumos essenciais e na energia necessária para o escoamento da safra.

O fórum técnico funciona como ambiente de convergência entre a pesquisa científica, os dados de mercado e a liderança setorial. Diante de margens de lucro mais estreitas na atual safra, o entendimento sobre o fluxo dos estoques mundiais de passagem e a concorrência com o milho norte-americano tornam-se determinantes para as estratégias de comercialização futura.

Ao longo de dez temporadas, o projeto Mais Milho consolidou-se como uma importante vitrine de informação, tecnologia, mercado e debates estratégicos ligados à cultura do milho, conectando produtores, pesquisadores, lideranças e empresas em diferentes regiões do país.

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Agro Mato Grosso

Milho deixa de ser complemento de renda e se torna potência econômica em MT

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Neste Dia Nacional do Milho, a Aprosoja MT destaca como o grão virou protagonista em Sorriso

O milho, uma das principais culturas do agronegócio brasileiro, tem papel fundamental na economia de Mato Grosso e no abastecimento de diferentes cadeias produtivas do país. Mas nem sempre foi assim. A cultura do milho teve início no estado para complementar a renda dos produtores rurais e, com o passar do tempo, deixou de ser conhecida como “safrinha”, consolidando-se como segunda safra. Neste Dia Nacional do Milho, celebrado em 24 de maio, produtores rurais e representantes do setor destacam a relevância do grão, os desafios enfrentados no campo e a força do município de Sorriso, reconhecido como o maior produtor de milho do Brasil.

Sorriso, a 400 km de Cuiabá, passou de 1,1 milhão de toneladas, na safra 2009/10, para 3,8 milhões, na safra 2024/25, triplicando a produção do grão em apenas 15 anos, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, destacou que os produtores rurais começaram a cultivar milho como complemento de renda, para baratear o custo da soja, e também pelos resíduos de palhada utilizados na cobertura e preservação do solo.

“Antigamente, era comum soja de 130 dias e, com o uso da tecnologia, o ciclo encurtou, começou a sobrar mais tempo de chuva no estado. Então, na região da BR-163, começou-se a plantar milho como uma fonte extra, para consumo da propriedade, principalmente para adicionar palha e melhorar a qualidade do solo. Esse movimento começou a ser cada vez mais intenso, a ponto de que hoje a gente planta variedades, muitas vezes, de 90 dias de ciclo e produz o milho em uma safra cheia. Então, teve uma intensificação da tecnologia, onde o consumo interno dentro do estado, principalmente através da ração animal e das usinas de etanol, tornou-se mais viável e realmente uma fonte importante para o produtor mato-grossense”, explicou.

Essa história de produção mostra o quanto os produtores rurais da região persistiram e confiaram no mercado, aumentando a área de produção de 200 mil hectares, em 2008, para 440 mil hectares, em 2024. Bier conta que o Dia Nacional do Milho destaca o espaço que o grão alcançou ao longo dos anos, principalmente em momentos de crise, ajudando o produtor a fechar as contas no fim do mês. Além disso, ele também avaliou que o mercado do milho está em expansão devido ao crescimento dos setores de biocombustível e biomassa.

“O mercado de biocombustíveis hoje é uma realidade, não é uma promessa, e a gente vê ele em franca expansão. Hoje, temos muitas usinas de etanol de milho a serem construídas e consolidadas dentro do estado, mas os números já impressionam. Atualmente, 13,9 milhões de toneladas de milho são destinadas para a produção de etanol, o que gera 5,6 bilhões de litros de combustível. Para se ter uma ideia, só em imposto são R$ 833,6 milhões de ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços]. Além do etanol de milho, a gente tem outros produtos: por ano, 2,2 bilhões de litros de biodiesel são produzidos dentro do estado, além de 2,7 milhões de toneladas de DDG [Dried Distillers Grains]”, afirmou.

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Os valores da produção do município são tão expressivos que representam 6,9% de toda a produção das 142 cidades de Mato Grosso. Sorriso colheu, na safra 2024/25, mais de 3,8 milhões de toneladas de milho, enquanto o estado, no total, produziu 55,4 milhões de toneladas do grão, segundo dados do Imea.

Para o delegado coordenador do núcleo de Sorriso, Rafael Krzyzanski, a força da produção do grão está diretamente ligada ao quanto os agricultores investiram nessa cultura. Krzyzanski afirma que o milho se tornou protagonista da economia local e está presente em diversos setores agropecuários. Rafael também comentou que, além da produção do grão, Sorriso ajuda a impulsionar a economia e é um motor na geração de empregos.

“Realmente, Sorriso tem hoje esse status de maior produtor de milho do país. Isso mostra também a dimensão do agronegócio brasileiro, porque Sorriso hoje é referência nacional em produtividade, tecnologia e manejo. Além disso, a gente sabe que Mato Grosso sozinho responde por cerca de 30% da produção nacional, e Sorriso está no centro dessa potência agrícola, dessa pujança toda. Isso significa, com certeza, mais arrecadação para o estado, mais geração de emprego, mais movimento em transportadoras, armazéns e comércio. Então, tem muito dinheiro circulando por conta disso”, destacou.

O sucesso de Sorriso está ligado ao protagonismo dos produtores rurais. Rafael destaca que o município é resultado da dedicação dos agricultores que persistiram e apostaram na região.

Assim como Rafael, a delegada do núcleo de Sorriso, Joana Triches, explicou como a cultura do milho exige dedicação dos produtores rurais e se tornou essencial para a economia do estado. Segundo ela, além da geração de renda, o milho também tem papel importante na criação de empregos e na sustentabilidade financeira das propriedades rurais.

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“Trabalhar com a cultura do milho aqui em Mato Grosso, especialmente na cidade de Sorriso, onde eu resido, é de grande responsabilidade e importância para o nosso estado, porque além de gerar renda, gera também emprego. É uma segunda cultura de bastante valia, que exige muita dedicação. Então, acaba sendo tão importante quanto a cultura da soja hoje no nosso estado, diante da representatividade que essa cultura tem”, destacou.

Joana também ressaltou que a evolução tecnológica transformou a produção do milho em Mato Grosso e fez com que a cultura deixasse de ocupar apenas pequenas áreas nas propriedades rurais. Atualmente, segundo ela, o milho já representa uma segunda safra consolidada no estado, exigindo planejamento, gestão e acompanhamento constante no campo.

“A produção do milho evoluiu bastante. Hoje, muita tecnologia é aplicada no campo, desde agricultura de precisão, mapeamentos e escolha de híbridos mais tecnológicos. Isso exige mais dos produtores, principalmente em planejamento e gestão. Mas é uma cultura que hoje ocupa praticamente 100% da área em muitas regiões e deixou de ser apenas uma pequena segunda safra”, afirmou.

Neste Dia Nacional do Milho, a data reforça a importância do grão para Mato Grosso, estado que lidera a produção nacional e transformou o milho em uma das principais forças do agronegócio. Entre tecnologia, geração de renda e crescimento econômico, a cultura segue impulsionando o desenvolvimento das propriedades rurais e dos municípios mato-grossenses.

Bruna Cardoso

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