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9 de julho de 2026

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IBGE realiza encontro administrativo com foco na preparação do Censo Agropecuário

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realiza entre domingo (25) e terça-feira (27), no Rio de Janeiro, o Encontro Administrativo 2026. A agenda reunirá servidores das áreas de recursos humanos, recursos materiais, planejamento e gestão, além de orçamento e finanças. Segundo o instituto, o objetivo é alinhar procedimentos internos e preparar as equipes para os próximos desafios institucionais, com destaque para a operação do Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola.

De acordo com o IBGE, o encontro será fechado e contará com a participação de equipes da sede e das Superintendências Estaduais (SES) em todo o país. A programação prevê integração entre as áreas administrativas, capacitação técnica, troca de experiências e padronização de procedimentos operacionais.

O primeiro dia terá abordagem comum a todas as áreas envolvidas e transmissão pelo IBGE Digital. Os dois dias seguintes serão dedicados a temas específicos de cada coordenação, com oficinas voltadas a processos técnicos e operacionais. A orientação do instituto é que os participantes retornem às suas unidades para replicar os conteúdos tratados.

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A diretora-executiva do IBGE, Flávia Vinhaes, afirmou que esta é a segunda vez, na atual gestão, que a instituição promove um encontro entre as áreas administrativas da sede e das superintendências. Segundo ela, a iniciativa busca preparar as equipes para os próximos censos e ampliar a integração entre servidores. Bruno Malheiros, coordenador de Recursos Humanos, também destacou que a estrutura administrativa é necessária para viabilizar as operações do órgão.

Para o setor agropecuário, a preparação do Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola tem relevância porque o levantamento produz dados sobre estabelecimentos rurais, uso da terra, produção, rebanhos e perfil produtivo. Essas informações costumam servir de base para políticas públicas, planejamento setorial e acompanhamento das cadeias produtivas. No material divulgado, o IBGE não informou detalhes adicionais sobre o cronograma da operação censitária nem sobre etapas futuras de campo.

O encontro administrativo tem caráter interno, mas integra a etapa de organização institucional para futuras operações estatísticas do IBGE. Sem informações adicionais sobre calendário, orçamento ou execução do Censo Agropecuário, a dimensão prática dos próximos passos ainda depende de novos comunicados oficiais do instituto.

Fonte: agenciadenoticias.ibge.gov.br

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Obrigatoriedade de CNPJ rural é adiada para 2027; entenda o que muda para o produtor

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A obrigatoriedade de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) para produtores rurais pessoas físicas foi adiada para janeiro de 2027. A mudança amplia o prazo de adaptação ao novo sistema cadastral, que será utilizado para a emissão de documentos fiscais e para a implementação da reforma tributária, sem alterar a natureza jurídica do produtor.

Em entrevista ao Mercado & Cia, a especialista em tributação do agronegócio Viviane Morales explicou que a principal mudança será apenas cadastral. Segundo ela, o produtor continuará sendo pessoa física, mas deixará de utilizar o CPF como identificação da atividade rural, passando a operar com um CNPJ vinculado à sua inscrição estadual.

“Não é para mudar nada na rotina do produtor. O que muda é o cadastro. Antes ele utilizava o CPF em conjunto com a inscrição estadual de produtor rural. Agora, necessariamente, utilizará um CNPJ e a inscrição estadual”, afirmou.

Segundo a especialista, a exigência está diretamente ligada à reforma tributária, que prevê uma plataforma única para todos os contribuintes do país.

“Todos os contribuintes precisarão estar dentro da mesma plataforma para que os novos tributos possam ser operacionalizados. Por isso, os produtores rurais também precisarão ter um CNPJ”, explicou.

Medida valerá para todos os produtores

De acordo com Viviane Morales, a obrigatoriedade alcançará todos os produtores rurais pessoas físicas do país, independentemente do porte da propriedade.

Ela afirma que circulam informações de que pequenos produtores poderiam ser dispensados da exigência, mas ressalta que esse entendimento não tem respaldo nas orientações da Receita Federal.

“Até o momento, a Receita tem sinalizado que a medida será aplicada a todos os produtores do Brasil.”

Principal impacto será burocrático

Na avaliação da especialista, o maior desafio estará na abertura do novo cadastro. Por isso, ela recomenda que os produtores contem com orientação técnica para evitar erros que possam comprometer o histórico cadastral da atividade rural.

“O produtor precisa tomar cuidado para não cancelar sua inscrição estadual e abrir uma nova. O correto é fazer a abertura do CNPJ mantendo todo o histórico cadastral já existente”, alertou.

Segundo ela, essa preocupação é especialmente importante porque bancos e instituições financeiras costumam exigir o histórico da atividade na análise de crédito. A perda desse registro pode dificultar futuras operações financeiras.

Viviane acredita que a prorrogação do prazo, inicialmente previsto para julho deste ano, foi justamente uma forma de permitir maior preparação dos produtores e simplificar a implantação do novo sistema.

CNPJ não transforma produtor em empresa

A especialista também fez questão de esclarecer uma das principais dúvidas sobre a mudança: a inscrição no CNPJ não transforma automaticamente o produtor rural em pessoa jurídica.

“O CNPJ será apenas um cadastro nacional que dará mais transparência à atividade rural. O produtor continuará sendo pessoa física”, destacou.

Segundo ela, a nova identificação permitirá separar de forma mais clara a atividade rural das finanças pessoais, reunindo em um único cadastro todas as receitas e despesas relacionadas à produção.

Além disso, o novo modelo tende a facilitar o relacionamento com fornecedores, clientes e instituições financeiras, já que torna mais transparente a identificação da atividade econômica exercida pelo produtor.

Orientação é preservar o histórico da atividade

Como a obrigatoriedade só entrará em vigor em janeiro de 2027, a recomendação é que os produtores aproveitem o prazo adicional para se preparar e buscar orientação especializada antes de realizar o cadastro.

Viviane reforça que a abertura do CNPJ deve preservar toda a trajetória da atividade rural, incluindo alterações cadastrais já realizadas, como mudanças em áreas arrendadas, evitando a necessidade de encerrar inscrições anteriores.

“Não é para ser um problema. É possível fazer essa abertura de forma tranquila e sem mudar praticamente nada na vida do produtor rural”, concluiu.

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Economia brasileira entre juros, gastos e baixo crescimento

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Foto: Canal Rural Mato Grosso

A combinação entre juros elevados, política fiscal expansionista e um cenário internacional de incertezas continua impondo desafios à economia brasileira. Embora o país mantenha indicadores positivos de emprego, o ritmo de crescimento segue abaixo de outras economias da América Latina e o custo do crédito ainda restringe investimentos, tanto no setor produtivo quanto no consumo.

Na avaliação do pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), José Eustáquio, parte desse cenário está relacionada às mudanças na condução da política fiscal adotadas nos últimos anos. Segundo ele, o aumento das despesas públicas acima da arrecadação ampliou as dificuldades para reduzir a taxa básica de juros.

Após atingir 2% durante a pandemia, a Selic voltou a subir como resposta ao avanço da inflação provocado pela desorganização das cadeias globais de suprimentos. Mesmo com a recente redução para 14,25%, o pesquisador considera que o mercado ainda enxerga com cautela os próximos movimentos da política monetária.

“Mesmo que eu tenha tido essa redução moderada agora, as expectativas futuras aumentaram”, afirma ao programa Direto ao Ponto ao comentar as projeções para os juros nos próximos anos.

Crescimento abaixo da média

Embora a economia brasileira continue crescendo, o desempenho ainda é considerado modesto quando comparado ao de países vizinhos. José Eustáquio destaca que o Brasil registra expansão próxima de 1,8%, enquanto economias como a do Paraguai avançam em torno de 4,5%.

Para ele, os indicadores do mercado de trabalho também precisam ser analisados com cautela. Apesar da taxa de desemprego estar entre as menores da série histórica, parte significativa das vagas está concentrada em atividades informais e em plataformas digitais.

“O Brasil encontra-se com taxas de desemprego muito baixas, mas é um emprego que precisa ser melhor qualificado”, observa.

O pesquisador ressalta ainda que o elevado desembolso com seguro-desemprego, mesmo diante da baixa taxa oficial de desocupação, revela um aparente paradoxo e indica elevada rotatividade no mercado de trabalho.

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Foto: Canal Rural Mato Grosso

Juros elevados afetam investimentos

José Eustáquio pontua que o atual patamar da Selic favorece aplicações financeiras, mas reduz o interesse por investimentos produtivos. “Juros mais elevados significam menos investimento produtivo. São cenários futuros para uma menor produção, menor emprego e menor renda”.

Ele também chama a atenção para o impacto das taxas elevadas sobre as contas públicas. Conforme o pesquisador, manter juros nesse nível amplia o custo da dívida do governo e dificulta o equilíbrio fiscal. “O governo precisa reduzir gastos”, defende.

Ainda de acordo com o especialista, a estratégia adotada até agora priorizou o aumento da arrecadação por meio da tributação, mas as despesas cresceram em ritmo ainda maior.

“O governo priorizou um ajuste fiscal aumentando receita, ou seja, tributando mais o setor privado e aumentando gastos. Só que o gasto aumentou de forma maior ainda, ou seja, o déficit cresceu bastante”.

Para José Eustáquio, a redução das despesas públicas seria o caminho para diminuir a pressão sobre os juros e criar um ambiente mais favorável aos investimentos privados.

Geopolítica amplia pressão sobre custos

Além dos fatores internos, o pesquisador avalia que o cenário geopolítico internacional continua trazendo reflexos para a economia brasileira.

O conflito no Oriente Médio, especialmente na região do Estreito de Ormuz, aumenta custos de frete marítimo e seguros, enquanto a guerra entre Rússia e Ucrânia mantém pressão sobre o mercado global de fertilizantes. Como aproximadamente um terço da economia brasileira está ligado ao agronegócio, esses custos acabam sendo incorporados à atividade econômica e influenciam diferentes cadeias produtivas.

Apesar disso, José Eustáquio observa que a inflação brasileira apresenta comportamento diferente do registrado em outros países. “Nos Estados Unidos, o índice inflacionário está sendo pressionado principalmente pela energia, petróleo. Aqui no Brasil, o IPCA está aumentando bastante no item alimentos”.

Segundo ele, programas de redistribuição de renda ampliam o consumo de alimentos e acabam contribuindo para a pressão sobre esse grupo de produtos, enquanto os preços da energia permanecem relativamente contidos.

Plano Safra perde força em valores reais

Ao analisar os números do Plano Safra, José Eustáquio pondera que parte dos recursos anunciados inclui instrumentos como as Cédulas de Produto Rural (CPRs), o que, em sua avaliação, amplia artificialmente os valores divulgados.

Após corrigir monetariamente os quatro últimos planos, ele concluiu que o Plano Safra 2025/26 representou o maior volume de recursos em termos reais, enquanto o programa atual apresentou redução para o segmento empresarial.

“O Plano Empresarial foi anunciado em R$ 525 bilhões. O valor do plano passado corrigido estaria hoje em R$ 539,3 bilhões, ou seja, nós tivemos uma redução”.

Mesmo com linhas de financiamento entre 8% e 9%, o pesquisador considera que o crédito continua caro diante da atual taxa básica de juros.

“Com taxas de juros de 14,25%, ou até de 8% e 9% dentro do Plano Safra, também são taxas muito elevadas. Isso diminui o ímpeto para captar crédito”, salienta ao programa do Canal Rural Mato Grosso.

Na avaliação dele, o cenário econômico continuará exigindo atenção nos próximos anos. Juros elevados, incertezas fiscais e tensões internacionais permanecem entre os principais fatores que influenciam o crescimento, os investimentos e o ambiente de negócios no Brasil.

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Produtores de Mato Grosso contestam descontos por milho avariado e alertam para crise de rentabilidade

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

As reclamações sobre os descontos aplicados na comercialização do milho ganharam força entre produtores de Mato Grosso nesta reta final da segunda safra. Em regiões onde o excesso de chuvas favoreceu o aumento de grãos avariados, agricultores afirmam que os critérios de classificação adotados pelas empresas variam e acabam ampliando os prejuízos no campo.

O cenário preocupa porque os problemas de qualidade se somam à desvalorização do cereal. Com a colheita em andamento e aproximadamente metade da produção já comercializada no estado, muitos produtores dizem que a rentabilidade da safra vem sendo comprometida tanto pelas perdas provocadas pelo clima quanto pelos descontos aplicados na entrega dos grãos.

Em Santa Rita do Trivelato, o agricultor Enéas Glaucio Batistela conta que a lavoura se desenvolveu dentro do esperado durante boa parte do ciclo. Os investimentos em manejo foram mantidos e a expectativa era de uma boa produtividade, até que as chuvas mudaram o cenário. “A safra vinha sendo conduzida perfeitamente. A gente investiu bem, cuidou bem, e acabou chovendo bastante fora do normal”, relata.

Para Batistela, o problema não está apenas no milho avariado, mas na forma como ele vem sendo classificado. O produtor observa que as reclamações se multiplicam entre agricultores da região e acredita que os critérios poderiam ser mais uniformes. “As empresas estão forçando muito as réguas de classificação. Isso prejudica demais e tem relatos de produtores reclamando bastante aqui na nossa região”, comenta ao Patrulheiro Agro.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Critérios de classificação dividem produtores e empresas

Na propriedade de Batistela, foram cultivados 1.410 hectares de milho nesta temporada. Ao acompanhar a entrega da produção, ele percebeu diferenças na avaliação feita pelas empresas compradoras, situação que, na visão dele, aumenta a insegurança durante a comercialização. “Muda muito de empresa para empresa, então tem que ficar de olho”, resume.

A preocupação também faz parte da realidade do produtor Silvésio de Oliveira, em Tapurah. Na propriedade, o milho ocupa 1.330 hectares, mas parte da área acabou sendo afetada pelas chuvas registradas entre abril e junho. Ele explica que algumas variedades resistiram bem às condições climáticas, enquanto outras apresentaram problemas com fungos e maior índice de grãos avariados.

Em uma área de 214 hectares, a expectativa é que o percentual de avarias fique entre 15% e 18%. Silvésio atribui esse resultado às quatro chuvas registradas em um intervalo de apenas uma semana, com volumes entre 10 e 15 milímetros, suficientes para provocar o acamamento de parte das plantas.

Mesmo reconhecendo os impactos causados pelo clima, o agricultor acredita que o maior prejuízo ocorre no momento da classificação. Ele explica que uma carga com percentual elevado de avarias pode influenciar diretamente o resultado financeiro da safra. “Você pode colher 100 mil sacas de milho padrão, com 1% ou até zero de avariado. A primeira carga chega com avariado, tem um desconto total e isso acaba afetando bem o lucro do produtor”, afirma.

Sem alternativa para recuperar parte da produção, os 214 hectares mais comprometidos serão destinados à fabricação de ração para o gado. Ainda assim, Silvésio considera que a forma como os descontos são aplicados agrava as perdas enfrentadas pelos agricultores. “Tivemos muito milho acima de 20% de avariado. O desconto é muito grande e, na entrega do produto, sempre quem perde é o produtor”, diz.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Classificação em debate

As divergências na classificação do milho também preocupam o presidente do Sindicato Rural de Tapurah, Dirceu Luiz Dezem. Para ele, o aumento do percentual de grãos avariados nesta safra é resultado de um cenário climático que fugiu do controle do produtor, mas a forma como parte das empresas aplicam os descontos acaba ampliando as perdas.

Na avaliação de Dezem, há situações em que apenas uma parcela da carga apresenta problemas, mas o impacto financeiro é maior do que o esperado pelo agricultor. “Existe milho avariado, existe. Saiu fora do controle do produtor”, observa. O dirigente acredita, porém, que é preciso buscar um equilíbrio na classificação. “Tem aqueles que se aproveitam da situação. Eu acho que tinha que encontrar alguma maneira de equilibrar isso”.

Outro fator pesa contra o produtor no momento da comercialização. Com déficit de armazenagem em diversas regiões e contratos já firmados, muitos agricultores acabam sem alternativa para negociar a entrega da produção. “Hoje nós temos poucos armazéns. O produtor tem que se livrar daquele grão, às vezes tem contrato e é obrigado a entregar e aceitar essa injustiça”, lamenta.

Quando há dúvidas sobre o resultado da classificação, o produtor pode recorrer ao Programa Classificador Legal, da Aprosoja Mato Grosso. A iniciativa disponibiliza profissionais habilitados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para realizar auditorias em cargas de milho e soja, tanto nas propriedades quanto nos armazéns.

O presidente da Aprosoja Brasil e Mato Grosso, Luiz Costa Beber, defende que os impactos provocados pelo clima sejam considerados durante a comercialização. Para ele, o produtor não pode arcar sozinho com prejuízos causados por fatores que escaparam ao seu controle. “Nós precisamos que as empresas também sejam compreensivas, flexibilizem, porque muitas vezes isso acontece além daquilo que está ao alcance do produtor”, pontua.

Beber destaca que o objetivo do programa é garantir segurança ao agricultor sempre que houver divergência na classificação. A auditoria é realizada por um classificador da entidade e, caso não haja consenso entre as partes, ainda é possível solicitar uma arbitragem com um segundo profissional habilitado. “O objetivo é sempre garantir que haja uma classificação justa e mostrar que a Aprosoja está sempre vigilante na defesa do produtor”, ressalta.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Preço pressiona a rentabilidade

Se os descontos aplicados sobre o milho avariado já preocupam os produtores, a desvalorização do cereal tornou o cenário ainda mais desafiador nesta reta final da colheita em alguns municípios. Agricultores relatam dificuldades para fechar as contas e demonstram preocupação com os investimentos para o próximo ciclo.

A necessidade de fazer caixa tem levado muitos produtores a vender a produção mesmo diante de preços considerados insuficientes para cobrir os custos. Para o presidente do Sindicato Rural de Tapurah, Dirceu Luiz Dezem, a situação é mais delicada para quem depende da comercialização imediata para manter as atividades da propriedade. “O produtor que está descapitalizado, que precisa comprar o diesel, manter os funcionários ou a oficina, é obrigado a vender abaixo do preço de custo”, afirma à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Em Tapurah, o agricultor Régis Adriano Desordi Porazzi já comercializou cerca de 50% da produção e colheu mais de 60% dos 800 hectares cultivados nesta safra. Para ele, a queda das cotações agravou um cenário que já vinha sendo pressionado pelo aumento dos custos de produção.

Porazzi calcula que o preço recebido hoje está cerca de 50% abaixo do registrado anteriormente e avalia que essa redução compromete diretamente o caixa das propriedades. “Caiu muito. Caiu 50% do preço. É uma prática selvagem, destrói o caixa do produtor”, diz. Na avaliação dele, muitos agricultores acabam comercializando o milho por falta de alternativa, mesmo sabendo que os valores não remuneram a atividade.

Segundo o produtor, a conta não fecha com os preços praticados atualmente. “Nesses preços não paga a conta. Mais uma vez trocamos dinheiro. Não dá mais para trabalhar desse jeito”, afirma.

Porazzi alerta que, se o cenário de custos elevados e preços deprimidos persistir, os reflexos poderão ir além das propriedades rurais. “O agricultor está sendo excluído da atividade se continuar nesses patamares de preços de soja e milho”, observa. Na visão dele, a redução do número de produtores representa um risco para toda a cadeia de produção de alimentos e exige atenção de todos os setores envolvidos com o agronegócio.

+Confira todos os episódios da série Patrulheiro Agro


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