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23 de outubro de 2026

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Escola agrícola em Orizona recebe máquinas e cisterna para formação de jovens rurais

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A Escola Família Agrícola (EFA) Ori, em Orizona (GO), recebeu nesta quarta-feira (21) três motocultivadores para atividades pedagógicas e produtivas da Unidade de Referência Tecnológica que está em implantação no local. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), a ação também incluiu o início da construção de uma cisterna com capacidade para 30 mil litros e atividades práticas de capacitação para estudantes da unidade.

De acordo com o MDA, o mutirão realizado na escola marcou a primeira atividade de tecnologia social para captação de água da chuva na unidade. Os alunos participaram da montagem dos motocultivadores, em uma etapa voltada ao aprendizado prático sobre operação de máquinas e mecanização adaptada à realidade da agricultura familiar.

A iniciativa é desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG) e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). O foco, segundo os organizadores, é ampliar a formação técnica de jovens rurais por meio de demonstrações de tecnologias sociais, uso de equipamentos agrícolas e participação dos estudantes em processos de implantação e disseminação tecnológica.

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Além dos três motocultivadores já entregues, a unidade deve receber nos próximos dias um microtrator, 10 kits de irrigação e uma casa de farinha móvel. O conjunto de equipamentos está direcionado a atividades de ensino e produção, com aplicação em sistemas de pequena escala, comuns em propriedades familiares.

Outro eixo da ação é a infraestrutura hídrica. A cisterna de 30 mil litros começou a ser construída de forma coletiva por estudantes, equipe técnica do ministério e profissionais da UFG. A estrutura deve apoiar o armazenamento de água de chuva e o uso racional do recurso, tema relevante para áreas sujeitas a variações no regime de precipitação.

Segundo Ana Pupe, coordenadora-geral de Infraestrutura e Superação da Pobreza Rural do MDA, a proposta reúne formação, mecanização adaptada e tecnologias acessíveis. O ministério não informou, no material divulgado, o cronograma completo de implantação da unidade nem o investimento total da ação.

A implantação da Unidade de Referência Tecnológica em Orizona concentra práticas de mecanização, irrigação e armazenamento de água que podem servir de base para formação técnica no meio rural. A dimensão do alcance produtivo da iniciativa dependerá da conclusão da estrutura prevista e do uso continuado dos equipamentos pela escola e pelos estudantes.

Fonte: gov.br

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Crédito restrito e dívidas pressionam produtores e revendas de insumos em Mato Grosso

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O aumento do endividamento rural e a dificuldade para obter novos financiamentos estão reduzindo a capacidade de investimento dos produtores de Gaúcha do Norte, em Mato Grosso. Com despesas elevadas e receitas insuficientes para quitar compromissos anteriores, agricultores recorrem às revendas de insumos para viabilizar o plantio, mas essas empresas também enfrentam limitações para manter as vendas a prazo.

A queda nos preços agrícolas é um dos fatores que ajudam a explicar o problema. O presidente do Sindicato Rural do município, Valdomiro Schulz, relata que muitos produtores deixaram de obter renda suficiente para pagar as prestações e outras dívidas. Para manter a atividade, parte deles passou a comprometer antecipadamente a produção que ainda será colhida.

“Esses preços caíram muito e, devido esses preços caírem, o endividamento aumentou, porque não se teve mais um lucro suficiente para pagar essas prestações, essas dívidas”, relata Schulz ao Canal Rural Mato Grosso.

A alternativa tem sido buscar crédito comercial e negociar a compra de sementes, fertilizantes e defensivos com pagamento em grãos após a colheita. Embora permita financiar a safra sem desembolso imediato, esse modelo transfere parte da necessidade de recursos para as revendas, que precisam honrar seus próprios compromissos mesmo quando os clientes não conseguem pagar.

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A restrição financeira, portanto, não fica limitada às propriedades. Ela alcança empresas fornecedoras, compromete a capacidade de atendimento ao produtor e aumenta a preocupação com os efeitos da atividade rural sobre a economia do município.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Revendas assumem parte do financiamento das lavouras

Dayan Della Justina Vieira conhece essa relação tanto como produtor quanto como sócio de uma revenda de insumos. Na avaliação dele, a dificuldade de acesso ao crédito tornou-se um dos principais desafios da atividade, porque as empresas comerciais passaram a ocupar um espaço maior na intermediação financeira entre fornecedores e agricultores.

“O produtor tem um crédito mais restrito, a revenda tem um papel muito grande nessa intermediação, fornecedor, cliente, e ela acaba assumindo um risco muito grande”, explica Dayan.

O risco está na obrigação de pagar pelos produtos adquiridos mesmo quando o cliente ainda não quitou a compra. Como as vendas são frequentemente vinculadas ao resultado da colheita, eventuais dificuldades na comercialização ou no cumprimento dos compromissos pelo agricultor podem comprometer o caixa da revenda.

Esse cenário também altera as condições de atendimento aos produtores. Adalberto Grando compara a situação atual com a de cerca de dez anos atrás, quando as empresas conseguiam oferecer pacotes de insumos com maior facilidade. Naquele período, o custo de produção citado por ele era de aproximadamente R$ 2 mil por hectare.

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Com o encarecimento da atividade, as revendas precisam de mais capital para atender cada cliente e ficam mais expostas quando há atrasos nos pagamentos. Grando relata que empresas do setor também passaram a enfrentar dificuldades financeiras e processos de recuperação judicial.

“Muitos grupos grandes acabaram fechando, então elas estão enfrentando impactos diretos também dessa situação. A gente viu revendas aí em situação pior do que os agricultores”, conta o produtor à reportagem.

Custo da soja supera R$ 8,2 mil por hectare

Os números do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) dimensionam a pressão sobre o caixa das propriedades. O custo total de produção da soja para a safra 2026/27 supera R$ 8,2 mil por hectare, alta próxima de 7% em relação ao ciclo anterior.

Entre os componentes que mais encareceram estão as operações mecanizadas, com aumento de quase 24%, e os defensivos agrícolas, que ficaram cerca de 10% mais caros. A redução de aproximadamente 22% no custo das sementes ajudou a conter parte das despesas, mas não compensou a alta dos demais itens.

O avanço dos custos exige mais recursos para implantar e conduzir as lavouras, justamente quando parte dos produtores ainda precisa pagar dívidas de safras anteriores. A combinação reduz a margem disponível para novos investimentos e aumenta a dependência de crédito para manter a produção.

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Dayan cultiva 1,5 mil hectares de soja nesta temporada e antecipou o plantio em 15 dias. Neste início de ciclo, a prioridade é garantir o estabelecimento das plantas, em uma safra que ele considera desafiadora diante do valor dos insumos e da necessidade de controlar os gastos.

Para reduzir os riscos, a revenda procura acompanhar a utilização dos produtos nas propriedades e orientar os clientes sobre a aplicação dos recursos. O objetivo é melhorar o retorno do investimento por hectare, em vez de ampliar as despesas sem avaliar o resultado econômico.

“Estamos juntos com o produtor no campo, inclusive na gestão dos insumos dele, para ele ter uma maior eficiência econômica. Não só gastar mais por gastar, ou seja, investir melhor para ter a rentabilidade”, afirma Dayan.

custos elevados renda foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Juros e negativas dificultam a renegociação

A busca por recursos não se limita ao financiamento da safra atual. Produtores que acumularam dívidas também tentam renegociar os compromissos para reorganizar o fluxo de caixa, mas encontram obstáculos nas instituições financeiras.

Grando relata que procurou bancos para renegociar débitos com base na medida provisória voltada a essa finalidade. As solicitações, porém, não tiveram o resultado esperado. “Os bancos para quem a gente encaminhou simplesmente nos disseram: ‘Não, não vamos fazer’”, afirma.

Em outra tentativa, o produtor recebeu uma proposta com juros de 3,63% ao mês para renegociar uma dívida. Ele considera a taxa incompatível com a situação financeira de quem já enfrenta dificuldades para equilibrar os pagamentos e financiar a produção.

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“E aí o produtor fica refém de um ciclo que não gera prosperidade nenhuma”, avalia Grando.

Sem condições consideradas viáveis para reorganizar os débitos, o agricultor continua pressionado por compromissos anteriores enquanto precisa investir no novo ciclo. Ao mesmo tempo, a limitação do crédito bancário amplia a dependência das revendas, que também precisam preservar recursos para manter suas operações.

Dificuldades no campo preocupam a economia local

Os efeitos da restrição financeira podem ultrapassar as propriedades rurais e chegar às contas públicas municipais. O prefeito de Gaúcha do Norte, Ari do Prado, afirma que a arrecadação ainda se mantém, mas demonstra preocupação com a possibilidade de queda no próximo ano caso a atividade agropecuária movimente menos recursos.

“Hoje, ainda, por enquanto, a arrecadação do nosso município vem se mantendo, mas eu tenho certeza que para o ano que vem ela pode cair”, declara.

A preocupação envolve a circulação de renda gerada pela produção rural e seus reflexos sobre o comércio e os serviços. Quando produtores reduzem investimentos ou enfrentam dificuldades para honrar compromissos, os efeitos podem alcançar empresas que fornecem insumos e outros segmentos ligados à movimentação econômica do município.

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Grando associa a capacidade de investimento no campo à geração de empregos e renda também fora das propriedades. Para ele, as condições de financiamento da atividade têm reflexos sobre as oportunidades econômicas disponíveis à população.

“O governo precisa levar o agro a sério, investir em tudo que vai beneficiar a própria sociedade. A gente vai gerar mais emprego, vai gerar mais riqueza, vai gerar mais condições da cidade se desenvolver”, conclui o produtor.


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Preço do café recua e deve fechar semana em queda no Brasil

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O mercado físico brasileiro de café deve encerrar a semana com preços mais baixos nesta sexta-feira (23). A expectativa é da consultoria Safras & Mercado, que aponta a desvalorização dos contratos futuros na Bolsa de Nova York como um dos principais fatores de pressão sobre as cotações domésticas.

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Com o recuo dos preços internacionais e a leve valorização do dólar frente ao real, os produtores brasileiros tendem a adotar uma postura mais cautelosa, realizando vendas apenas conforme necessidades pontuais.

Na quinta-feira (22), o mercado físico registrou pouca movimentação. Segundo a consultoria, a queda dos preços afastou vendedores, resultando em negócios isolados e sem volumes expressivos.

Confira os preços do café nas principais regiões

No sul de Minas Gerais, o café arábica de bebida boa, com 15% de catação, foi negociado entre R$ 1.700 e R$ 1.705 por saca, abaixo dos R$ 1.720 a R$ 1.725 registrados anteriormente.

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No Cerrado Mineiro, o arábica de bebida dura, também com 15% de catação, recuou para a faixa de R$ 1.710 a R$ 1.715 por saca, ante R$ 1.730 a R$ 1.735 na cotação anterior.

Na Zona da Mata mineira, o arábica rio tipo 7, da safra 2026, com 20% de catação, passou a ser cotado entre R$ 1.170 e R$ 1.175 por saca, contra R$ 1.180 a R$ 1.185 anteriormente.

No Espírito Santo, o café conilon também apresentou desvalorização. Em Vitória, o tipo 7 foi cotado entre R$ 950 e R$ 955 por saca, abaixo da faixa anterior de R$ 960 a R$ 965.

Já o conilon tipo 7/8 recuou para R$ 940 a R$ 945 por saca, ante R$ 950 a R$ 955 registrados anteriormente.

Café recua na Bolsa de Nova York

No mercado internacional, os contratos futuros de café arábica operavam em baixa na manhã desta sexta-feira.

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Na Bolsa de Nova York (ICE Futures), o contrato com vencimento em dezembro de 2026 registrava queda de 0,83%, cotado a 309,85 centavos de dólar por libra-peso.

Na quinta-feira (22), a mesma posição havia encerrado o pregão a 312,45 centavos de dólar por libra-peso, com desvalorização de 1,2%.

Enquanto isso, o dólar comercial apresentava leve alta de 0,13%, negociado a R$ 5,0453.

Estoques certificados de café diminuem

Os estoques certificados de café nos armazéns credenciados pela Bolsa de Nova York também apresentaram redução.

Segundo dados da ICE Futures, o volume disponível em 22 de outubro somava 234.433 sacas de 60 quilos, queda de 5.315 sacas em comparação ao dia anterior.

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Apesar da redução dos estoques, o mercado internacional segue pressionado pelas perdas recentes nas cotações, refletindo no comportamento dos preços pagos aos produtores brasileiros.

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Cruz Alta abre colheita do trigo no Rio Grande do Sul

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Cruz Alta sediou, nesta quinta-feira (22/10), a abertura da colheita do trigo no Rio Grande do Sul. O evento reuniu representantes do setor agrícola e contou com a participação do secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Márcio Madalena. A cerimônia marcou o início de uma etapa acompanhada de perto pelos produtores em meio às condições climáticas e aos custos de produção.

A realização do evento em Cruz Alta reforçou o papel do município na triticultura estadual. De acordo com os dados de área plantada de 2026, a cidade ocupa a segunda posição entre os municípios gaúchos com maior área cultivada de trigo, atrás apenas de Palmeira das Missões. A região tem participação relevante na produção do cereal, matéria-prima da indústria moageira e da cadeia de alimentos.

Durante a abertura, Márcio Madalena afirmou que a escolha de Cruz Alta reconhece a contribuição dos produtores e da cadeia do trigo para a economia do Rio Grande do Sul. Segundo ele, o momento também permite acompanhar as perspectivas da cultura diante das condições climáticas e dos custos de produção.

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A prefeita de Cruz Alta, Paula Rubin Librelotto, destacou a importância do setor primário para a economia local, os investimentos e a manutenção dos serviços públicos. Ela também citou a perspectiva de novos empreendimentos ligados ao biodiesel no município.

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Conforme a Emater/RS-Ascar, a área de trigo no Rio Grande do Sul está projetada em 763 mil hectares em 2026, com produtividade média estimada em 2.833 quilos por hectare. A produção estadual é calculada em aproximadamente 2,2 milhões de toneladas, em volume inferior ao de 2025.

No cenário nacional, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção brasileira de trigo em 5,73 milhões de toneladas em 2026, ante 7,87 milhões de toneladas no ano anterior. Segundo a companhia, a variação decorre principalmente da redução da área semeada e de mudanças na produtividade média.

No Rio Grande do Sul, chuvas frequentes e baixa incidência de radiação solar têm influenciado o ritmo de maturação das lavouras e o avanço da colheita. A umidade também exige atenção à sanidade das plantas e à qualidade comercial dos grãos.

Além do clima, custos de produção, crédito e preços de comercialização seguem no centro do planejamento dos agricultores para as próximas safras, em um cenário que mantém o trigo entre as culturas estratégicas da agricultura gaúcha.

Fonte: agricultura.rs.gov.br

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