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29 de abril de 2026

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Embrapa se une a Equador para evitar que doenças graves da banana cheguem ao Brasil

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Uma carta de intenções para a construção de acordo de cooperação técnica foi assinada por representantes da Embrapa, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca do Equador e da Associação de Exportadores de Banana do Equador (Aebe) no dia 5 de março, no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

O foco da iniciativa é o melhoramento genético preventivo de bananeiras do subgrupo Cavendish (popularmente conhecida por Nanica) resistentes à raça 4 Tropical (Foc R4T), a forma mais grave da murcha de Fusarium, causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. cubense (Foc).

“Esperamos que esse problema se converta em uma grande oportunidade para o governo do Equador e para a Embrapa. São mais de 250 mil famílias trabalhando na produção”, disse o ministro de Agricultura, Pecuária e Pesca do Equador, Juan Carlos Vega Melo, durante a assinatura da carta de intenções.

Doença ocorre em 17 países

A Foc R4T é considerada a mais destrutiva doença da cultura em todo o mundo e já ocorre em 17 países da Ásia, África e Oceania.

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Ainda não identificada no Brasil, está presente na Colômbia desde 2019, no Peru desde 2020 e na Venezuela desde 2023 — países que fazem fronteira com o Brasil — e foi identificada no Equador em 2025, fatores o que deixa a bananicultura nacional em permanente estado de atenção.

A praga faz parte do sistema de vigilância oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Programa Nacional de Prevenção e Vigilância de Pragas Quarentenárias Ausentes.

O fungo é disseminado por solo contaminado a partir de sapatos e ferramentas, mudas de bananeira (visualmente sadias, mas infectadas) e plantas ornamentais hospedeiras.

Panorama da banana no Brasil e no Equador

O Equador é atualmente o maior exportador de bananas do mundo. Em 2023, embarcou quase 4 milhões de toneladas da fruta, conforme dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Atualmente, o país destina 98% de sua produção para o comércio internacional, com destino a 75 países.

Enquanto isso, o Brasil produziu, em 2024, 7 milhões de toneladas, todas direcionadas para o consumo interno, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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A validação de genótipos resistentes sob condições reais de pressão da doença é fundamental para o país e, em especial, para os bananicultores brasileiros que optam por variedades do grupo Cavendish.

“O desenvolvimento de variedades resistentes à Foc R4T e seu plantio em países onde a praga ocorre é uma questão de segurança nacional para o Brasil. Essa estratégia reduz o aumento populacional da praga, bem como o risco de disseminação e de introdução no nosso país”, contextualiza o pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA) e líder do Programa de Melhoramento Genético de Banana e Plátano da Embrapa, Edson Perito Amorim.

Segundo ele, existem apenas duas organizações no mundo que pesquisam o melhoramento de Cavendish, sendo a Embrapa uma delas.

O grupo Cavendish, mais plantado no Equador e exportado para 75 países, à exceção do Brasil, é o mesmo mais plantado no Vale do Ribeira — maior região produtora de banana do Brasil — mas não é maioria no país.

“Apesar de o IBGE não classificar a produção brasileira de banana por variedade, estima-se que 55% sejam de banana tipo Prata, 10% do tipo Maçã e o restante, de outras variedades, incluindo Cavendish e plátanos, também conhecidos como bananas da terra”, salienta Amorim.

Parcerias internacionais

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Foto: Maria Clara Guaraldo

A Embrapa destaca que a parceria com instituições estrangeiras tem sido essencial para o avanço das pesquisas brasileiras em busca de variedades resistentes à doença.

De acordo com a entidade, foi graças ao trabalho com a Corporação Colombiana de Pesquisa Agropecuária (AgroSavia) que o Brasil conseguiu comprovar que duas variedades de banana desenvolvidas pela Embrapa — a BRS Princesa (tipo Maçã) e a BRS Platina (tipo Prata) — são naturalmente resistentes à Foc R4T.

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Com isso, atualmente, o Brasil é o único país das Américas preparado para enfrentá-la. Pesquisas com a Corporação Bananeira Nacional (Corbana), da Costa Rica, também estão em curso, com foco no grupo Cavendish, o mais consumido em todo o mundo.

“Esta é a primeira de várias oportunidades de parceria com o Equador. A cooperação internacional é fundamental para acelerar o desenvolvimento e a validação de tecnologias capazes de proteger a bananicultura mundial”, destacou a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá.

Segundo ela, a colaboração permitirá avançar em soluções que beneficiem produtores de diferentes países. “A Embrapa tem um histórico sólido de pesquisa em melhoramento genético e de desenvolvimento de cultivares adaptadas a diferentes condições tropicais. Ao unir esforços com o Equador e com o setor produtivo representado pela Aebe, ampliamos nossa capacidade de gerar e validar variedades mais resistentes, contribuindo para a sustentabilidade da produção e para a segurança alimentar”, afirmou.

Massruhá ressaltou ainda que a parceria tem caráter estratégico para o Brasil e para a agricultura global. “Doenças como a raça 4 Tropical do Fusarium representam uma ameaça concreta à produção mundial de bananas. Trabalhar de forma colaborativa com países que já convivem com a praga é essencial para antecipar soluções, reduzir riscos e garantir que os produtores tenham acesso a materiais genéticos mais resilientes”, disse.

Praga quarentenária

O chefe-geral da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Francisco Laranjeira, confirma a relevância do trabalho com países com a presença da Foc, já que a R4T é uma das 20 pragas prioritárias quarentenárias para o Brasil.

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“Nunca é demais reforçar a importância desse futuro acordo de cooperação com a Aebe. São dois parceiros que se complementam: a Embrapa com o aporte científico e tecnológico, e a Aebe com a avaliação de características de mercado e de comercialização dos frutos”, diz Laranjeira.

De acordo com ele, a Embrapa pretende resolver um problema real dos plantios do Equador, que deve proporcionar que frutos de cultivares resistentes da Embrapa sejam utilizadas em mais de 75 mercados no mundo todo e diminuam a chance de que os problemas do R4T e do moko cheguem ao Brasil”, ressalta.

Moko da bananeira

Outra doença que faz parte do escopo conjunto de pesquisas é o moko da bananeira, causado pela bactéria Ralstonia solanacearum. Altamente destrutivo, o moko gera sintomas em todos os órgãos da planta que podem levar à perda total da produção.

Por enquanto, não existem medidas de controle eficientes ou cultivares de bananeiras resistentes ao moko, já presente no Equador. “O projeto discutido com o Equador, que já perdeu 3 mil hectares devido à doença, pretende também desenvolver tecnologias que podem auxiliar os produtores brasileiros num eventual aumento da disseminação dessa doença, que hoje está restrita ao Norte do Brasil, ou uma migração para outras regiões produtoras”, complementa Amorim.

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Encontro Mulheres do Agro em Ação reúne 600 produtoras e 3 pré-candidatos à Presidência da República

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Foto: reprodução

A quarta edição do Encontro Mulheres do Agro em Ação reuniu cerca de 600 mulheres na 31ª Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), nesta quarta-feira (29), de acordo com a organização do evento.

Além de produtoras rurais e de palestrantes, a ação promovids pelo Sistema Faesp/Senar-SP contou com a presença de três pré-candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026: o ex-ministro Aldo Rebelo, do partido Democracia Cristã; o psiquiatra e escritor Augusto Cury, do Avante; e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, do Partido Social Democrático (PSD).

Foto: Canal Rural

Os pré-candidatos abordaram temas como a segurança da mulher e seu papel na produção de alimentos.

“Mais de 80% dos feminicídios acontecem dentro de casa. É importante que a assistente social, que o agente comunitário de saúde, que a defensora pública, que o ministério público possam também avisar as autoridade para que eles tomem providências. Aí sim, você identifica o risco e aí não haverá omissão da polícia”, declarou Caiado.

“Precisamos dobrar a produção de alimentos, até porque, se a FAO [Fundo das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura] estiver correta, em 2050 nós precisaremos aumentar em 70% a produção agrícola. isso vai dar mais ou menos ‘seis Brasis’, o que não fecha a conta. Se a FAO estiver correta, vai haver problemas gravíssimos internacionais”, disse Cury.

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Milho fora da janela ideal eleva riscos e acende alerta no campo em MT

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Imagem: Paulo Kurtz /Embrapa

O<a href="http://<iframe width="1334" height="750" src="https://www.youtube.com/embed/m_mGnmfqfqI" title="Atraso do plantio do milho em MT já começa a ter reflexos no campo | Mais Milho" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen> atraso no plantio do milho em Mato Grosso já começa a mostrar reflexos nas lavouras. Em diferentes regiões do estado, a falta de chuva compromete o desenvolvimento das plantas, enquanto o aumento dos custos de produção e a queda nos preços ampliam a preocupação dos produtores. A combinação desses fatores acende um alerta para a produtividade e reforça um desafio cada vez mais presente no agro, que é produzir com eficiência, reduzir riscos e manter a sustentabilidade.

Em áreas cultivadas fora da janela considerada ideal, o cenário é preocupante. Talhões desuniformes, falhas no estande de plantas e um grande número de espigas mal desenvolvidas refletem a falta de umidade. Em Nova Mutum, no médio-norte do estado, produtores relatam que entre 35% e 40% das áreas foram plantadas fora do período adequado.

“Trata-se de um desafio, pois seriam necessários pelo menos mais 15 dias de chuva para recuperar parte dessas lavouras. Há regiões em que as precipitações ocorreram de forma irregular, com áreas onde choveu e outras onde a estiagem se antecipou”, explica Paulo Zen, presidente do Sindicato Rural de Nova Mutum (MT).

As perdas já começam a ser contabilizadas, embora ainda dependam das condições climáticas nos próximos dias. “As estimativas iniciais indicam perdas de seis a sete sacas por hectare em função do atraso no plantio. A evolução da produtividade dependerá diretamente do volume de chuvas nas próximas semanas”, relata. Segundo o sindicato rural, o atraso foi provocado pelo excesso de chuvas durante a colheita de soja, o que comprometeu o calendário do milho.

A irregularidade das lavouras também chama atenção. Em uma mesma propriedade, é possível observar diferentes estágios de desenvolvimento das plantas. “Há áreas com colheita prevista para 35 a 40 dias, enquanto outras ainda apresentam milho em estágio inicial de desenvolvimento. Trata-se de um cenário bastante heterogêneo”, explica Zen.

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Produtores já contabilizam prejuízos. Em uma fazenda com 1.600 hectares, cerca de 30% a 40% da área foi plantada fora da janela ideal. “As perdas já se aproximam de 5% e podem atingir ao menos 10%, caso não ocorram chuvas regulares até o fim de abril”, pontua Marcos Beber.

Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária indicam que mais de 1 milhão de hectares de milho foram plantados fora da janela ideal na safra 2025/26, o que eleva o risco para o desenvolvimento da cultura. Além disso, o cenário de mercado agrava a situação. Com a saca do milho em torno de R$ 43 para os próximos meses, os preços são considerados pouco atrativos.

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Comissão da Câmara aprova parecer que prevê restrição temporária à importação de arroz

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A Comissão de Desenvolvimento Econômico (CDE) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (29), o parecer do deputado Rodrigo da Zaeli (PL-MT) ao projeto de lei 690/2026. A proposta autoriza restrições temporárias à importação de arroz em situações nas quais o preço de mercado esteja abaixo do custo de produção nacional. Pelo texto, a medida só poderá ser adotada se houver estoque suficiente para garantir o abastecimento interno.

De autoria da deputada Geovania de Sá (PSDB-SC), o projeto cria um instrumento de defesa comercial voltado ao setor orizícola. A lógica da proposta é condicionar a suspensão temporária das importações a um cenário de desequilíbrio de mercado, com preservação da oferta doméstica.

No parecer aprovado, Rodrigo da Zaeli afirma que o mecanismo busca assegurar condições de concorrência para o produtor brasileiro. Segundo o deputado, a proposta “contribui para a estabilidade do setor agrícola” ao evitar desorganização da cadeia produtiva em momentos de preços abaixo do custo.

Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!

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A tramitação ocorre em caráter conclusivo nas comissões. Antes de seguir ao Senado, a matéria ainda será analisada pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC).

O projeto já recebeu aval em outros colegiados. Na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS), o relator Junio Amaral (PL-MG) classificou a proposta como necessária para aperfeiçoar a legislação agrícola. Na Comissão de Indústria, Comércio e Serviços (CICS), o relator Daniel Agrobom (PL-GO) defendeu medidas de fortalecimento da produção nacional e de estímulo à competitividade do agro.

Na prática, o texto busca criar uma salvaguarda para momentos em que o arroz importado entre no mercado brasileiro com preços inferiores aos custos internos. O conteúdo apresentado, no entanto, não detalha critérios operacionais como prazo máximo de restrição, metodologia de cálculo do custo de produção ou órgão responsável pela eventual execução da medida.

Fonte: agencia.fpagropecuaria.org.br

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