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Com investimento de R$ 4 milhões, novo CAPS 24 horas entra na reta final de obras em Cuiabá

Unidade no bairro Verdão terá acolhimento noturno para crises e capacidade para 2,4 mil atendimentos mensais, sem internação asilar
A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), está na fase final de implantação do CAPS III Verdão, unidade que tem previsão de entrega para novembro de 2026 e vai ampliar a oferta de atendimento especializado em saúde mental na Capital. O espaço recebe aproximadamente R$ 4 milhões em investimentos, considerando a execução da obra e a estruturação do serviço.
O CAPS III Verdão integrará a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) como um serviço especializado de base territorial e comunitária, destinado ao acompanhamento de pessoas que necessitam de cuidado psicossocial intensivo e contínuo. A unidade contará com equipe multiprofissional e terá funcionamento 24 horas, inclusive aos finais de semana e feriados, com possibilidade de acolhimento noturno.
Apesar do funcionamento ininterrupto, o CAPS III não será uma UPA, pronto atendimento ou hospital psiquiátrico de longa permanência. A proposta do serviço é oferecer cuidado especializado em saúde mental dentro da rede territorial, com acompanhamento contínuo, acolhimento de crises e estratégias terapêuticas definidas de acordo com as necessidades de cada usuário.
De acordo com o Ministério da Saúde, os CAPS são serviços de atendimento contínuo e acompanhamento singularizado que também podem realizar acolhimento de crises. No caso dos CAPS III, o funcionamento é 24 horas, inclusive nos finais de semana e feriados, com acolhimento noturno. A rede também prevê a articulação desses serviços com UBSs, hospitais gerais, UPAs, SAMU e outros pontos de atenção, conforme a necessidade de cada caso.
A diferença é importante: o CAPS III não substitui os serviços de urgência e emergência nem funciona como hospital de internação prolongada. Na RAPS, o cuidado é organizado de forma integrada, buscando manter o usuário no território e ampliar sua autonomia e seus vínculos sociais sempre que possível.
Esse modelo está alinhado às orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que defendem o fortalecimento de serviços de saúde mental de base comunitária, centrados na pessoa e fundamentados na proteção dos direitos humanos. A OMS destaca a importância de sistemas integrados e de serviços que favoreçam o cuidado na comunidade, em vez da institucionalização como resposta predominante ao sofrimento psíquico.
No Brasil, essa lógica também está prevista na Lei Federal nº 10.216/2001, que estabelece, em seu artigo 4º, que a internação somente deve ser indicada quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes. A legislação determina ainda que o tratamento tenha como finalidade permanente a reinserção social do paciente em seu meio e veda a internação em instituições com características asilares.
É nesse contexto que se encaixa o funcionamento 24 horas do CAPS III. O acolhimento noturno não significa transformar a unidade em um hospital de longa permanência. Trata-se de um recurso terapêutico destinado a situações em que o usuário necessita de acompanhamento mais intensivo e contínuo, inclusive durante a noite, dentro de seu projeto de cuidado.
O próprio Ministério da Saúde estabelece que, nos CAPS III, o acolhimento noturno integra as possibilidades terapêuticas do serviço. A permanência durante a noite e nos finais de semana pode ser utilizada em situações de maior comprometimento psíquico e como estratégia para evitar o agravamento de crises e internações psiquiátricas.
O CAPS III Verdão terá capacidade para realizar cerca de 2.400 atendimentos por mês. O parâmetro assistencial prevê atendimento de até 40 usuários por turno, com limite de 60 usuários por dia em regime intensivo, além da oferta de acolhimento noturno conforme as necessidades estabelecidas no Projeto Terapêutico Singular (PTS).
O PTS é construído de acordo com as necessidades de cada usuário e orienta as formas de acompanhamento, que podem envolver atendimentos individuais, grupos, atividades terapêuticas, ações comunitárias e, nos casos mais complexos, acolhimento noturno. Segundo o Ministério da Saúde, quando o usuário não é inserido no CAPS, a equipe deve articular o cuidado em outro ponto da RAPS.
Enquanto o CAPS III Verdão não entra em funcionamento, os usuários continuam sendo acompanhados normalmente pelo CAPS II Verdão, localizado a poucos metros da nova unidade.
Atualmente, o CAPS II Verdão possui 312 pacientes ativos, que seguem recebendo atendimento normalmente pela equipe. Dessa forma, a implantação da nova estrutura não representa interrupção da assistência aos usuários que já fazem acompanhamento pela rede municipal.
A obra do CAPS III Verdão havia sido iniciada anteriormente, mas acabou paralisada em 2024. Com a retomada pela atual gestão, o espaço está sendo concluído e estruturado para receber o novo serviço.
A ampliação da estrutura ocorre diante da demanda crescente por atendimento especializado. Desde 2025, os CAPS municipais de Cuiabá registraram cerca de 30 mil atendimentos. Somente entre janeiro e maio de 2026, 1.360 novos usuários acessaram esses serviços.
Com a entrega prevista para novembro, o CAPS III Verdão deverá ampliar a capacidade assistencial da rede municipal e oferecer uma modalidade de cuidado intensivo e contínuo, integrada aos demais serviços da RAPS.
A proposta, portanto, não é criar mais uma estrutura hospitalar, mas fortalecer a rede territorial de saúde mental, oferecendo atendimento especializado, acolhimento de crises e acompanhamento contínuo, com cuidado organizado de acordo com a necessidade de cada usuário e articulado aos demais pontos da rede de saúde.
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“Está a serviço de grupo que tentou dar golpe nesse país”, Alexandre de Moraes bate boca com Mendonça

Ao falar pela primeira vez na sessão, ministro afirmou que colega tentou incluí-lo em investigações e desafiou: “Quem tem medo da Polícia Federal?”
O ministro Alexandre de Moraes falou pela primeira vez durante a sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15) e partiu para o confronto direto com André Mendonça. Em tom duro, Moraes acusou o colega de atuar em favor de interesses políticos.
“Mendonça está a serviço de um grupo político que tentou dar um golpe neste país”, declarou Moraes durante o julgamento que analisa se será aberta uma investigação contra ele por supostas mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Ao dirigir-se diretamente a Mendonça, Moraes também questionou: “Quem tem medo da Polícia Federal?”. Em seguida, afirmou possuir testemunhas para sustentar suas acusações contra o colega.
“Vamos chamar aqui as testemunhas que vão indicar. Eu tenho testemunhas de que o ministro André chamou a Polícia Federal para me incluir nas investigações”, afirmou.
Moraes disse ainda que as apurações contra ele teriam sido construídas de forma irregular. “Essa investigação fraudulenta que começou contra mim começou lá atrás”, declarou. Em outro momento, acrescentou: “Não há como julgar hoje sem julgar terça”.
As declarações elevaram a temperatura da sessão e expuseram publicamente o conflito entre os dois ministros. Mendonça foi responsável por levar à Corte as informações que deram origem ao pedido de investigação contra Moraes. Até o momento das declarações, ele não havia respondido às acusações feitas pelo colega durante o julgamento.
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Clima pode detonar e retardar plantio da soja em diferentes regiões do Brasil; veja quais estados estão na mira

O clima pode virar um dos principais obstáculos para o avanço do plantio da soja da safra 2026/27 em diferentes regiões do Brasil. Em Mato Grosso, maior produtor nacional, o início da semeadura exige atenção redobrada às chuvas e à umidade do solo, segundo boletim semanal do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).
O vazio sanitário terminou em 6 de setembro, liberando os produtores para iniciar os trabalhos no campo. No entanto, a largada não significa avanço imediato. Para que as máquinas consigam entrar e a semeadura ganhe ritmo, é necessário que as chuvas se regularizem e garantam umidade suficiente no solo.
Enquanto isso, o Paraná já apresenta avanço mais acelerado no plantio. Em Mato Grosso e nas regiões do Matopiba, que reúne Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia, os trabalhos ainda acontecem de maneira mais gradual e em ritmo inicial.
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E é justamente aí que o clima pode fazer toda a diferença. Para os próximos dez dias, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê acumulados de 30 a 50 milímetros em grande parte de Mato Grosso. Se as chuvas realmente aparecerem dentro desse volume, o cenário pode favorecer a continuidade da semeadura.
O problema está no que vem depois. A previsão de redução das chuvas no período seguinte pode colocar em xeque áreas que já tiverem recebido sementes. Ou seja, o produtor pode conseguir plantar, mas depois enfrentar condições menos favoráveis para a germinação e o estabelecimento inicial das lavouras.
E o alerta climático não para por aí. O Imea também destaca a atuação de um El Niño de forte intensidade. O fenômeno aumenta a necessidade de monitoramento das condições de chuva ao longo da primavera e pode se tornar um dos principais pontos de atenção para o desenvolvimento da safra 2026/27.
Com o plantio apenas começando em parte importante do país, o clima pode ser decisivo para definir se a semeadura vai ganhar velocidade ou se ficará travada em determinadas regiões. Para o produtor, acompanhar a previsão de chuva e a umidade do solo será fundamental nas próximas semanas.
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Agro Mato Grosso
Cacique Raoni é diagnosticado com câncer aos 94 anos e recebe cuidados paliativos em MT

Atualmente, Raoni Metuktire está em casa, próximo da família, onde recebe acompanhamento médico com uma estrutura de assistência domiciliar.
O cacique Raoni Metuktire, de 94 anos, foi internado três vezes ao longo de 2026 antes de receber o diagnóstico de câncer no sistema digestório, divulgado pelo Instituto Raoni nessa segunda-feira (14). Atualmente, ele recebe cuidados paliativos na aldeia onde mora com a família em Peixoto de Azevedo (MT).
Na última internação, o líder indígena precisou ser transferido de avião de Mato Grosso para São Paulo para tratar uma obstrução intestinal e uma hemorragia digestiva.
Desde a alta médica, Raoni está próximo da família, do seu povo, além de contar com acompanhamento médico e uma estrutura de assistência domiciliar.
Veja a sequência das internações:
Em maio deste ano, Raoni foi internado pela primeira vez no Hospital Dois Pinheiros, em Sinop, a 503 km de Cuiabá, após apresentar fortes dores abdominais. Na ocasião, a equipe médica avaliou que o desconforto estava relacionado a uma hérnia antiga. Ele recebeu alta dois dias depois.
Ainda em maio, o cacique voltou a ser internado, desta vez na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do mesmo hospital, para tratar um quadro de pneumonia. Após sete dias, recebeu alta.
Em junho, Raoni foi novamente levado ao hospital em estado grave e precisou ser internado na UTI. Os exames iniciais apontaram alterações na função renal e indicadores compatíveis com um processo infeccioso grave.
A principal hipótese diagnóstica naquele momento era de sepse com foco pulmonar, causada por uma pneumonia broncoaspirativa associada a episódios de vômito.
Diante da gravidade do quadro, o cacique foi transferido de avião para o Hospital São Paulo, onde passou por uma cirurgia para desobstrução intestinal e manutenção do trânsito intestinal. Também foram realizados dois procedimentos para conter uma hemorragia digestiva.
Após cerca de um mês de internação, Raoni recebeu alta e retornou a Mato Grosso.
Outras internações

Cacique Raoni se recupera da Covid e tem alta do hospital
Raoni também já havia sido internado em anos anteriores. Em setembro de 2022, ele ficou cinco dias internado em um hospital de Sinop após ser diagnosticado com um problema cardíaco. Na ocasião, passou por uma cirurgia para implantação de um marcapasso. Depois, permaneceu alguns dias em Colíder antes de retornar à aldeia.
Em julho de 2020, o cacique foi internado em um hospital de Colíder após passar mal. Ele precisou ser transferido de avião para Sinop devido a complicações gastrointestinais e desidratação.
Em setembro daquele mesmo ano, Raoni foi novamente internado após apresentar um quadro de pneumonia diagnosticado pela equipe médica de sua aldeia, no Parque Indígena do Xingu. Ele recebeu alta nove dias depois.
Naquele período, Raoni também apresentou um quadro depressivo após a morte da mulher dele, Bekwyjkà Metuktire.
Cuidados paliativos
O Instituto Raoni destacou que a indicação de cuidados paliativos não significa ausência de tratamento. A assistência é voltada ao controle da dor e de outros sintomas, prevenção de complicações e manutenção da qualidade de vida.
O acompanhamento inclui alimentação, hidratação, atendimento médico, enfermagem e fisioterapia.
Depois de retornar a Peixoto de Azevedo, Raoni passou a receber assistência domiciliar organizada pela família e pelo Instituto Raoni, com participação de serviços públicos de saúde, profissionais parceiros e equipes especializadas.
O tratamento também considera a dimensão espiritual e cultural do cacique. Raoni é pajé e continua recebendo a presença e os cuidados de outros pajés de sua confiança.
Segundo o instituto, a assistência busca respeitar a cultura Mẽbêngôkre, a língua, as escolhas e as referências espirituais do líder indígena.
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