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21 de outubro de 2026

Sustentabilidade

Como identificar o estádio fenológico da soja? – MAIS SOJA

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A identificação dos estádios fenológicos da soja é fundamental para o planejamento e a tomada de decisões relacionadas ao manejo da cultura. O conhecimento do estágio de desenvolvimento das plantas permite adequar práticas culturais, aplicações de defensivos agrícolas, adubação e outras intervenções às necessidades específicas da lavoura em cada período do ciclo.

Além de orientar o posicionamento das práticas de manejo, a utilização de uma escala fenológica padronizada facilita a comunicação entre produtores, técnicos, pesquisadores e demais profissionais envolvidos na produção. Dessa forma, a identificação precisa dos estádios de desenvolvimento contribui para maior assertividade das recomendações e para a eficiência das operações realizadas no campo.

A escala fenológica proposta por Fehr e Caviness (1977) divide o desenvolvimento da soja em duas fases principais: vegetativa, representada pela letra V, e reprodutiva, representada pela letra R. Cada fase é subdividida em estádios que permitem caracterizar o desenvolvimento da planta ao longo do ciclo.

Na fase vegetativa, os estádios são identificados, com exceção de VE (emergência) e VC (cotiledonar), por uma sequência numérica: V1, V2, V3, V4, V5, V6… Vn. A numeração considera o número de nós da haste principal que apresentam folhas verdadeiras completamente desenvolvidas, permitindo acompanhar de forma objetiva a evolução do crescimento vegetativo da soja (Neumaier et al., 2020).

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Tabela 1. Estádios vegetativos da soja.
Fonte: Neumaier et al. (2020)

Um dos principais desafios na identificação dos estádios vegetativos da soja está na correta interpretação do desenvolvimento da planta, especialmente na determinação de quais nós devem ser considerados na definição do estádio fenológico. Para facilitar essa avaliação, uma regra prática é utilizada para determinar quando uma folha pode ser considerada completamente desenvolvida.

De acordo com esse critério, uma folha é considerada completamente desenvolvida quando está aberta e as bordas dos folíolos da folha localizada no nó imediatamente superior não mais se tocam. Assim, a abertura dos folíolos do último nó permite contabilizar o nó imediatamente abaixo na determinação do estádio vegetativo.

Por outro lado, quando as bordas dos folíolos da folha do nó superior ainda estão em contato, a folha do nó imediatamente abaixo ainda não deve ser considerada completamente desenvolvida. Consequentemente, esse nó não deve ser contabilizado na definição do estádio fenológico da planta. Esse critério é especialmente importante para evitar a superestimação do estádio vegetativo e garantir maior precisão na tomada de decisão quanto ao momento das práticas de manejo.

Figura 1. Folíolos com bordos que não mais se tocam.
Foto: Norman Neumaier. Imagem com qualidade otimizada pelo uso de IA.

Para exemplificar esse critério, considere a Imagem 2. Caso os bordos dos últimos folíolos ainda estivessem se tocando, a folha do nó imediatamente abaixo não seria considerada completamente desenvolvida e, portanto, a planta estaria no estádio V1.

Entretanto, como os bordos dos folíolos do último nó já estão abertos e não mais se tocam, a folha localizada no nó imediatamente abaixo deve ser considerada completamente desenvolvida e incluída na contagem. Dessa forma, a planta apresentada na imagem encontra-se no estádio V2, correspondente ao segundo nó da haste principal.

Figura 2. Soja em estádio V2.
Foto: Norman Neumaier. Imagem com qualidade otimizada pelo uso de IA.

A identificação do período reprodutivo é mais simples. Seu início é definido pela abertura de, pelo menos, uma flor em qualquer nó da planta, caracterizando o estádio R1. A partir desse momento, os estádios reprodutivos subsequentes são determinados de acordo com as características descritas na Tabela 2.

Tabela 2. Estádios reprodutivos da soja.
Fonte: Neumaier et al. (2020)

Conforme destacado por Neumaier et al. (2020), o estádio R5 também pode ser subdividido em subperíodos, conforme a classificação proposta por Ritchie et al. (1977). Essa subdivisão considera o avanço da granação dos grãos, sendo: R5.1, grãos perceptíveis ao tato, correspondendo a aproximadamente 10% de granação; R5.2, de 11% a 25%; R5.3, de 26% a 50%; R5.4, de 51% a 75%; e R5.5, de 76% a 100% de granação (Figura 3).

Figura 3. Subdivisão do estádio R5 da soja na escala de Fehr & Caviness (1977).
Fonte: Tagliapietra et al. (2022). Imagem com qualidade otimizada pelo uso de IA.

Essa subdivisão permite detalhar com maior precisão o desenvolvimento da soja e contribui para o adequado posicionamento das práticas de manejo, especialmente aquelas relacionadas à nutrição e ao manejo fitossanitário. Para determinar corretamente o subestádio de R5, é necessário realizar um corte longitudinal do legume e avaliar o grau de desenvolvimento dos grãos.

A correta identificação dos estádios de desenvolvimento da soja é fundamental não apenas para o posicionamento adequado das práticas de manejo, mas também para estabelecer uma comunicação mais precisa entre técnicos e produtores. A utilização de uma classificação padronizada facilita a interpretação do desenvolvimento da cultura e contribui para a tomada de decisões mais assertivas ao longo do ciclo da soja.

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O material completo desenvolvido por Neumaier e colaboradores (2020), com mais informações sobre a ecofisiologia da soja pode ser acessado clicando aqui!



Referências:

NEUMAIER, N. et al. ECOFISIOLOGIA DA SOJA. Embrapa, Sistemas de Produção, n.17, Tecnologias de Produção de Soja, cap. 2, 2020. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1123928/1/SP-17-2020-online-1.pdf >, acesso em: 04/09/2026.

TAGLIAPIETRA, E. L. et al. ECOFISIOLOGIA DA SOJA: VISANDO ALTAS PRODUTIVIDADES. Santa Maria, ed. 2, 2022.

ZANON, A. J. et al. ECOFISIOLOGIA DA SOJA: VISANDO ALTAS PRODUTIVIDADES. Santa Maria, ed. 1, 2018.

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Sustentabilidade

Soja/MT: custo da safra 26/27 sobe 6,96% enquanto Conab prevê menor produtividade no estado – MAIS SOJA

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Segundo o projeto Custo de Produção Agropecuária em Mato Grosso (Senar-MT e Imea), o custo total da safra 26/27 de soja no estado em out/26, foi consolidado em R$ 8.210,31/ha, aumento de 6,96% frente a safra 25/26.

Esse movimento foi impulsionado, principalmente, pela alta no investimento com operações
mecanizadas, que cresceu 23,85% em relação à safra anterior, reflexo dos conflitos no Oriente Médio, somado à valorização de 10,10% nos preços dos defensivos agrícolas. Com isso, o custeio do ciclo fechou em R$ 4.324,87/sc, aumento de 3,43% (R$ 143,61/ha) no comparativo entressafras. A alta só não foi mais expressiva em razão da queda de 21,96% no preço das sementes, item que aliviou parte da pressão sobre o orçamento do produtor. Com isso, a alta no custo de produção e a perspectiva de menor produtividade em virtude dos riscos associados ao El Niño tendem a reduzir a receita bruta do produtor, que deve focar especialmente no valor de venda da produção.

Confira os principais destaques do boletim:
  • AVANÇO: com a melhora nas condições climáticas no estado, a semeadura recuperou o atraso inicial, fechando em 51,86% da área prevista para a temporada.
  • REDUÇÃO: com avanço da colheita da safra 26/27 da soja norte-americana, o preço da oleaginosa na CME fechou a semana com queda de 1,90%, encerrando na média de US$ 12,75/bu.
  • RETRAÇÃO: pressionado pela colheita dos EUA somado à moagem abaixo do esperado, o óleo de soja em MT recuou 1,16% frente à semana passada, fechando em média de R$ 6.268,22/t.
1ª estimativa da safra 26/27 de soja indica queda na produtividade frente à safra 25/26 (Conab).

Diante dos riscos climáticos associados ao El Niño, o rendimento da soja em MT foi revisado para baixo em relação à temporada 25/26. A produtividade projetada foi de 64,82 sc/ha (-2,02%), levando a uma produção total de 50,89 mi de t (-1,43%). Esse recuo ocorre apesar da elevação de 0,60% na área cultivada (o menor crescimento de toda a série histórica), que deve atingir 13,08 mi de ha.

Em contraste, o cenário nacional é de alta: a produção brasileira de soja para a safra 26/27 foi estimada em 181,62 mi de t (+0,67%), impulsionada pela expansão de 1,43% na área total do país, que deve somar 49,31 mi de ha. Já a demanda deve crescer 2,07% (185,51 mi de t), impulsionada pela perspectiva de maior esmagamento para o aumento do B16 e pela procura externa, especialmente pela China.

Com isso, a relação estoque/uso indica um balanço mais ajustado para a safra 26/27, exigindo atenção ao equilíbrio do mercado ao longo do ciclo.

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Fonte: IMEA



 

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Sustentabilidade

Arroz/BR: semeadura atinge 33,2% da área, mas excesso de chuva desacelera trabalhos no Sul – MAIS SOJA

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Arroz/BR: 33,2% semeado. No RS, a semeadura ocorreu, mas em ritmo lento. As precipitações ao longo da semana, inclusive com episódios de chuvas intensas, levaram a um excesso de umidade em muitas áreas, o que dificultou as operações de plantio. Ainda assim, quase 40% da área prevista está semeada, com bom desenvolvimento inicial da cultura.

Em SC, pouco mais da área total prevista está semeada com a cultura. Porém, o avanço das operações tem sido diminuto por conta das chuvas e do excesso de umidade nos solos.
No MA, a semeadura do arroz irrigado está em fase final, com concentração no Norte e Centro. No PR, as precipitações recentes interromperam o plantio, uma vez que as áreas se encontram com excesso de umidade, limitando as atividades no campo.

Fonte: Conab



 

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FONTE

Autor:Conab

Site: Conab

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Sustentabilidade

Vigor das sementes: o atributo fisiológico que pode estar limitando a produtividade da sua lavoura – MAIS SOJA

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O número de plantas por área é um dos principais componentes de rendimento da soja. No entanto, além de definir a população adequada para a semeadura, é preciso utilizar sementes com boa qualidade fisiológica, genética, física e sanitária, que possibilitem um bom estabelecimento do estante de plantas. Nessas circunstâncias, um o vigor de sementes figura como um dos atributos fisiológicos mais importantes para a obtenção de altas produtividades de soja.

Ainda que que a germinação das sementes desempenhe um papel fundamental no estabelecimento da lavoura, estudos demonstram uma interação positiva entre vigor das sementes e produtividade da soja, destacando a importância desse atributo para a obtenção de boas produtividades. O vigor está relacionado a habilidade das sementes em germinarem sob condições não necessariamente adequadas. Sendo assim, o vigor das sementes afeta diretamente a capacidade de estabelecimento da lavoura.

Ao avaliar o desempenho produtivo de culturas de soja, em resposta ao uso de lotes de sementes com níveis crescentes de vigor, Bagateli et al. (2019) observaram que os lotes de sementes com alto nível de vigor formam comunidades de plantas com maior taxa de crescimento, resultando em uma melhor estrutura da lavoura ao final do ciclo da cultura.

De acordo com Bagateli et al. (2019), o desempenho produtivo das plantas de soja aumenta à medida que se eleva o vigor dos lotes de sementes, sendo que, para cada ponto percentual de aumento no nível de vigor de um lote de sementes de soja, a produtividade de grãos pode aumentar em 28,0 kg por hectare. No entanto, os autores destacam que o impacto do vigor das sementes sobre a produtividade da soja pode variar de acordo com a cultivar.

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Figura 1. A – Produtividade de plantas de soja cultivadas a partir de lotes de sementes de dois genótipos, com níveis crescentes de vigor, avaliados pelo teste de envelhecimento acelerado. Safra 2014/2015. B – Produtividade de plantas de soja cultivadas a partir de lotes de sementes do genótipo Syn 1158RR, com níveis crescentes de vigor, avaliados pelo teste de envelhecimento acelerado. Safra 2015/2016.
Adaptado: Bagateli et al. (2019)

Resultados similares reforçando a influência do vigor das sementes sobre a produtividade da soja também foram observados em ensaios realizados pela Cooperativa Central Gaúcha Ltda – CCGL. Conforme destacado por Corassa & Seidel (2019), a análise de 70 amostras de sementes cultivadas na safra 2018/2019, demonstrou que para cada percentual de vigor reduzido, deixaram de ser acrescidos cerca de 24 kg haˉ¹ sobre a produtividade final.

Ou seja, entre uma lavoura cultivada com sementes com 90% de vigor e outra com 70% de vigor poderão ser deixados de colher, apenas em virtude da qualidade das sementes, aproximadamente 480 kg haˉ¹ ou 8 sacos de soja por hectare (Corassa & Seidel, 2019).

Figura 2. Relação entre a produtividade de grãos na cultura da soja (kg haˉ¹) e o vigor de sementes (%) obtida a partir de 70 amostras cultivadas na safra 2018/2019. CCGL – Cooperativa Central Gaúcha Ltda, Cruz Alta, RS.
Fonte: Corassa & Seidel (2019)

Esses resultados demonstram a relação entre o vigor das sementes e a produtividade da soja, e reforçam a necessidade da utilização de sementes de alta qualidade para a obtenção de altos rendimentos de soja. Vale destacar que além de elevado vigor, sementes de alta qualidade devem apresentam bons atributos fisiológicos, sanitários físicos e genético.

 


Veja mais: O que os dados de lavouras de soja nos dizem sobre lucratividade?


Referências:

BAGATELI, J. R. et al. PRODUCTIVE PERFORMANCE OF SOYBEAN PLANTS ORIGINATED FROM SEED LOTS WITH INCREASING VIGOR LEVELS. Journal of Seed Science, 2019. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/jss/a/G9f467vnfW7cL4NzMsQPkZS/?format=pdf&lang=en&ilang=pt_BR >, acesso em: 20/10/2026.

CORASSA, G. M.; SEIDEL, G. VIGOR DE SEMENTES X PRODUTIVIDADE DE SOJA. Mais Soja, 2019. Disponível em: < https://maissoja.com.br/vigor-de-sementes-x-produtividade-de-soja/ >, acesso em: 20/10/2026.

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