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Da porteira para fora, a China dá show: o que o agro brasileiro aprende com os chineses

Brasil e China têm realidades agrícolas muito diferentes, mas compartilham o desafio de produzir mais, utilizar melhor os recursos disponíveis e aumentar a eficiência. Uma viagem técnica levou produtores brasileiros a propriedades, indústrias e centros de pesquisa chineses para conhecer soluções que podem ser adaptadas ao campo nacional.
Enquanto o Brasil conta com grandes extensões de terras agricultáveis, a China convive com maior limitação de áreas e precisa buscar produtividade em espaços menores. Nesse cenário, a tecnologia aparece como uma das principais ferramentas para elevar o desempenho das atividades rurais.
Uma das empresas visitadas desenvolve há mais de uma década soluções de Internet das Coisas (IoT) para o campo. As ferramentas utilizam conexões 4G e 5G para tornar as operações mais precisas e já estão presentes em mais de 30 países.
De acordo com Liu Zongbo, especialista da Kebaiiot Technology, a adoção dessas soluções contribui para reduzir custos e elevar a produtividade. “Os benefícios principais, primeiro é que o custo é muito mais baixo do que anteriormente”, explica. Ele acrescenta que a produtividade total aumentou “uma porcentagem de 10%, especialmente em frutas e legumes”.

Tecnologia aproxima campo, indústria e mercado
A busca por eficiência não fica restrita às propriedades rurais. Em Shuangcheng, no nordeste da China, a comitiva brasileira conheceu uma indústria com cerca de 380 mil metros quadrados e 700 funcionários, com capacidade para processar até 1 milhão de toneladas de milho por ano.
A estrutura mostra como produção agrícola, processamento industrial e mercado consumidor estão conectados. Para João Paulo Schaffer, diretor e analista de derivados e grãos da Agrinvest Commodities, organizadora da expedição na China, essa integração é um dos principais pontos que o Brasil pode observar.
“O que fica de lição para nós é que o campo e a tecnologia no Brasil eles estão realmente muito distantes”, avalia. Na visão dele, é necessário aproximar as duas áreas e ampliar a disponibilidade de informações para melhorar as decisões dentro das propriedades e das empresas.
A experiência chinesa também chama atenção pelo uso de dados e inteligência artificial. Schaffer observa que as ferramentas estão presentes em diferentes etapas da cadeia, desde a obtenção e leitura das informações até a previsão e análise dos dados. “Dados é vida para o produtor e para as empresas”, resume ao Canal Rural Mato Grosso.
Ainda na avaliação dele, o avanço passa por levar essa integração tecnológica para dentro das fazendas brasileiras. A utilização de informações para orientar o planejamento e as operações pode ajudar o produtor a tomar decisões mais precisas e a aproveitar melhor os recursos disponíveis.
Outro aspecto observado durante a viagem foi a transformação pela qual a China passa na área ambiental. O produtor rural Fábio Massao Sakuma compara a realidade atual com a que encontrou em visitas anteriores ao país.
“Há 20 anos atrás quem vinha a China o ar, o céu era poluído, não conseguia ver o sol. Em 2019 eu vim aqui, já é igual hoje”, relata. Ele também destaca o avanço no plantio de árvores e na eletrificação de veículos e máquinas.
Produtividade e qualidade entram no radar brasileiro
As diferenças entre os dois países também aparecem dentro das lavouras. A comparação, porém, não é feita apenas em relação ao volume produzido, mas às condições utilizadas para alcançar bons resultados.
O agricultor Rafael Grimm Marques destaca as características do solo encontrado durante a visita. Segundo ele, a área apresenta elevado teor de matéria orgânica e fertilidade, características que ajudam a explicar o desempenho das culturas observadas.
“Um solo negro que tem um alto teor de matéria orgânica, fertilidade muito alta, N, P, K, muito férteis que entregam boas fertilidades para eles aqui”, descreve à reportagem. Para ele, a condição do solo é diferente do que costuma encontrar no Brasil e chama atenção também pelo manejo adotado.
Mesmo partindo de condições distintas, a produtividade observada serve de referência para produtores brasileiros. Gabriel Kirnev, também produtor rural, pontua o desempenho de culturas como milho, soja e arroz. “Isso aí serve de inspiração para nós brasileiros”, considera. Para ele, a experiência mostra que ainda há espaço para melhorar tanto a produtividade quanto a execução das operações no campo.
A qualidade também aparece como um dos pontos de atenção para o produtor brasileiro que busca ampliar sua presença no mercado chinês. Éricles Paulo avalia que a viagem ajudou a mudar a percepção que tinha sobre o país e mostra um consumidor mais exigente. “A gente vinha com uma visão de China totalmente diferente. É um país muito evoluído, uma riqueza muito grande em infraestrutura”, observa ao Canal Rural Mato Grosso.
Na avaliação dele, o Brasil precisa olhar para a qualidade desde a produção até a comercialização. “Da porteira para dentro a gente precisa priorizar isso. Entregar um produto de mais qualidade para eles, porque eles pagam mais, querem qualidade”, acrescenta.
A relação comercial entre os dois países também é vista como estratégica. Thiago Oliveira, representante comercial da NK Sementes, destaca o tamanho do mercado consumidor chinês e a importância que o Brasil ocupa no fornecimento de produtos agrícolas.
“Um poder de consumo muito grande, e nós temos o nosso lugar para ficar, para marcar. O Brasil tem a sua importância muito grande para China”, aponta. Para ele, empresas chinesas visitadas durante a viagem reforçam a relevância brasileira como fornecedor.
O que está além da porteira
A experiência também mostra que as diferenças entre Brasil e China não estão apenas na agricultura. Ao deixar as propriedades e as unidades industriais, a comitiva encontra uma estrutura urbana e logística que chama a atenção dos produtores.
A percepção é de que os países desenvolvem soluções diferentes a partir de suas próprias condições. Por isso, a comparação não é tratada como uma disputa para definir qual modelo é melhor, mas como uma oportunidade de identificar práticas que possam ser aproveitadas no Brasil.
Para o agricultor Adelar Marafon, essa é uma das principais conclusões da viagem. “O produtor brasileiro da porteira para dentro ele está melhor do que a China, mas quando sai da porteira para fora a China dá show”, avalia.
Ele cita principalmente logística, infraestrutura e processos como áreas em que o Brasil pode avançar. “Tem algumas coisas que a gente precisa levar daqui para o Brasil pra gente melhorar essa questão a nível Brasil”, acrescenta.
A produtora rural Marisa Brunetta também frisa a dimensão tecnológica alcançada pelos chineses, mas lembra que o Brasil possui uma vantagem importante na relação comercial: a disponibilidade de terras.
“A China está crescendo em proporções imensas a nível mundo, é um celeiro em termos de tecnologia para a gente estar aqui aprendendo”, observa. Ao mesmo tempo, ela lembra que existe uma limitação nas áreas agrícolas chinesas.
Nesse cenário, os dois países acabam ocupando posições complementares. Enquanto a China se destaca como mercado consumidor e fornecedor de insumos, especialmente produtos químicos e fertilizantes, o Brasil tem na produção de matérias-primas agrícolas uma de suas principais vantagens.
A soja é um dos exemplos dessa relação. “O Brasil acaba sendo um parceiro muito forte, a China como um parceiro fornecedor de insumos, na parte de químicos e fertilizantes, e nós a matéria-prima principal para eles aqui, que é a soja”, explica Marisa.
A agenda da expedição também incluiu momentos de contato com a cultura chinesa. Entre as visitas estão a Cidade Proibida, a Grande Muralha e estruturas construídas para os Jogos Olímpicos de 2008. Em Xangai, o roteiro terminou com um cruzeiro noturno diante dos arranha-céus da cidade.
E até a gastronomia entrou na experiência. Os tradicionais espetinhos associados a animais considerados exóticos fizeram parte do roteiro turístico, mas não representam a alimentação cotidiana da maior parte da população chinesa.
A experiência rendeu reações bem-humoradas entre os integrantes da comitiva. Thiago Oliveira contou à reportagem do Canal Rural Mato Grosso que decidiu experimentar o espetinho de escorpião. “Não tem como vir à China e não experimentar o espetinho de escorpião. Provar pelo menos um… Frita tanto ele que você nem sente”, brinca.
Mais do que comparar modelos agrícolas, a viagem deixa como principal aprendizado a necessidade de olhar para toda a cadeia. Tecnologia, dados, produtividade e qualidade aparecem como oportunidades dentro da porteira, enquanto logística, infraestrutura e integração entre produção e mercado estão entre os pontos que os produtores identificam como lições chinesas para o Brasil.
*O repórter do Canal Rural Mato Grosso, Pedro Silvestre, viajou para a China à convite da Agrinvest Commodities.
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Business
demanda fraca da indústria limita preços, apesar da retomada das exportações

Os preços do arroz em casca seguem praticamente estáveis no Rio Grande do Sul, mesmo com a retomada das compras destinadas à exportação. Segundo análise divulgada nesta quarta-feira (21) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a demanda enfraquecida da indústria brasileira tem limitado a valorização do cereal.
De acordo com os pesquisadores, as aquisições voltadas ao mercado externo deram sustentação principalmente aos lotes de arroz com menor rendimento de beneficiamento. Entretanto, as negociações apresentam comportamentos distintos entre as regiões produtoras e os padrões de qualidade do grão.
No mercado interno, as indústrias demonstram pouco interesse em ampliar as compras diante da baixa saída do arroz beneficiado. Em alguns casos, compradores relatam queda nos preços do fardo, o que reduz as margens para reajustes na matéria-prima.
Outro fator que limita as negociações é o nível de abastecimento das empresas. Parte das indústrias ainda conta com estoques adquiridos nas semanas anteriores e, mesmo diante de necessidades pontuais de reposição, evita elevar as ofertas.
Segundo o Cepea, os compradores preferem aguardar uma definição mais clara do comportamento do mercado antes de ampliar as aquisições.
Plantio da nova safra influencia negociações
Do lado da oferta, parte dos produtores de arroz está concentrada na implantação da nova safra, o que também influencia o ritmo de comercialização.
De acordo com o Cepea, as vendas têm ocorrido principalmente para cobrir despesas correntes das propriedades e os custos relacionados ao plantio.
Já os produtores com maior disponibilidade financeira demonstram resistência em negociar nos atuais patamares de preços, optando por manter o produto armazenado.
Com isso, o mercado gaúcho segue marcado pela baixa movimentação da demanda doméstica, enquanto as compras para exportação oferecem sustentação a determinados lotes, sem provocar uma valorização generalizada das cotações.
Agro Mato Grosso
Fungicida para soja promete ganhos de até 12 sacas por hectare e mira ferrugem asiática

O controle da ferrugem asiática e de outras doenças da soja ganha uma nova opção com a chegada ao mercado do Cortina Gold, fungicida lançado pela Sipcam Nichino Brasil. A empresa apresenta o produto como uma mistura pronta de protioconazole e clorotalonil, desenvolvida para proteger a lavoura contra diferentes doenças que podem comprometer o rendimento da cultura.
Nos ensaios de rede citados pela companhia, foram registrados ganhos de produtividade de até 12 sacas por hectare em comparação com áreas sem aplicação de fungicida. Os resultados variam conforme as condições avaliadas e não representam uma garantia de desempenho para todas as lavouras.
A tecnologia foi submetida a avaliações de consultorias agrícolas em diferentes regiões produtoras, incluindo áreas do Rio Grande do Sul, de Mato Grosso e do Oeste da Bahia. Entre os aspectos analisados estão o controle de doenças foliares e a resposta das plantas em condições de pressão de patógenos.
Ferrugem asiática e manchas foliares exigem atenção
O pesquisador Carlos Eduardo Valente, engenheiro agrônomo e coordenador de fitopatologia da consultoria Multcrop, relatou resultados positivos nos ensaios acompanhados pela equipe. Segundo ele, a comparação com tratamentos sem fungicida mostrou ganhos de até 12 sacas por hectare.
Já o fitopatologista Carlos Forcelini, da Agro Techno Research, avaliou o desempenho da solução diante de doenças como ferrugem asiática, manchas foliares e oídio. De acordo com o pesquisador, o produto apresentou resposta favorável em condições de elevada pressão de doenças e superou alguns padrões comerciais incluídos nas avaliações.
O controle depende de fatores como a doença presente, o nível de infestação, as condições meteorológicas e o momento da aplicação. Por isso, os resultados experimentais precisam ser considerados dentro das condições em que os testes foram conduzidos.
El Niño pode influenciar o calendário de aplicações
As condições climáticas previstas para a safra também entram na discussão sobre o manejo fitossanitário. Forcelini alerta que períodos favoráveis ao desenvolvimento de doenças podem antecipar o aparecimento de sintomas e aumentar a pressão sobre as lavouras.
Na avaliação do pesquisador, anos associados ao El Niño podem exigir atenção antecipada ao manejo, especialmente quando há umidade e condições favoráveis à evolução de doenças. A recomendação é acompanhar o desenvolvimento da cultura e as condições da região para definir o momento adequado das aplicações.
O cenário não é igual em todas as áreas produtoras. Enquanto regiões do Sul podem enfrentar períodos de chuva mais intensa, áreas do Cerrado também precisam monitorar doenças como a mancha-alvo, que pode sobreviver em restos culturais e afetar a nova safra.
Produto combina ação sistêmica e de contato
De acordo com Eric Ono, gerente de portfólio de produtos e cultivos extensivos da Sipcam Nichino, o Cortina Gold reúne ação sistêmica e de contato, com os ingredientes ativos protioconazole e clorotalonil. A empresa afirma que a combinação foi avaliada em ensaios de rede e apresentou controle de doenças em patamar semelhante ao de misturas triplas utilizadas como referência nos testes.
A companhia também destaca a formulação como um diferencial para uso em condições climáticas do Cerrado e afirma ter observado baixo nível de fitotoxicidade nas avaliações realizadas. Essas características são informações divulgadas pela fabricante e devem ser consideradas conforme os resultados experimentais e as condições de uso previstas para o produto.
Segundo a empresa, a tecnologia pode integrar o manejo durante fases como a floração e a formação das vagens, períodos importantes para a proteção do potencial produtivo. A escolha do tratamento, porém, deve levar em conta o diagnóstico das doenças, o histórico da área e as orientações técnicas aplicáveis.
Manejo integrado continua sendo decisivo
A entrada de novas ferramentas amplia as alternativas disponíveis ao produtor, mas o controle de doenças da soja exige planejamento ao longo de toda a safra. O monitoramento da lavoura, a identificação correta dos sintomas e o acompanhamento das condições meteorológicas ajudam a orientar decisões sobre o manejo.
O uso de fungicidas também deve seguir o registro e as instruções de bula, com atenção às doses, aos intervalos e às medidas de segurança. A definição do programa de aplicações precisa considerar a recomendação de um profissional habilitado e as estratégias de manejo da resistência para preservar a eficácia das tecnologias disponíveis.
Para produtores de Mato Grosso, onde a soja ocupa posição central na atividade agrícola, o acompanhamento de doenças como ferrugem asiática e mancha-alvo é parte importante da gestão da safra. O desempenho de qualquer produto depende, entre outros fatores, da pressão de doenças, do ambiente e da condução do manejo em cada propriedade.
Empresa atua no mercado de proteção de cultivos
A Sipcam Nichino Brasil foi criada em 1979 e reúne a italiana Sipcam Oxon, fundada em 1946, e a japonesa Nihon Nohyaku, conhecida como Nichino. As empresas atuam no desenvolvimento e na comercialização de soluções para proteção de cultivos.
O lançamento do Cortina Gold amplia o portfólio da companhia para o manejo de doenças da soja. Os resultados divulgados nos ensaios apontam potencial de controle e produtividade, mas a resposta em campo deve ser avaliada conforme as condições específicas de cada lavoura.
Agro Mato Grosso
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