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Com pouca terra, China aposta em genética para produzir mais e desafia o agro brasileiro

A China é o maior comprador mundial de soja, mas também trabalha para ampliar a produção dentro do próprio território. No nordeste do país, áreas de pesquisa e produção mostram uma estratégia baseada em produtividade, genética e uso mais eficiente das terras disponíveis.
O desafio é produzir mais sem ampliar a fronteira agrícola. Na província de Heilongjiang, uma das principais regiões agrícolas chinesas e maior produtora de soja do país, essa realidade fica evidente.
A região tem como característica o inverno rigoroso, com temperaturas que podem chegar a 30 graus negativos. Durante a curta janela do verão, porém, os campos ganham vida e concentram cultivos como soja, milho e arroz.
Com pouca disponibilidade de terras agricultáveis, a China busca elevar o rendimento das áreas já utilizadas. Para Marcos Araújo, diretor da Agrinvest Commodities, a limitação territorial ajuda a explicar tanto a estratégia chinesa quanto a importância das importações.
“A área agricultável na China é de apenas 900 metros quadrados por habitante. Então, toda área agricultável da China tem um foco em produção de culturas que têm giros muito rápidos”, afirma.
A soja ocupa cerca de 10 milhões de hectares no país e apresenta produtividade média de aproximadamente 2 mil quilos por hectare, o que resulta em torno de 20 milhões de toneladas anuais. Ao mesmo tempo, o grão produzido na China apresenta teor de proteína elevado, em torno de 40%, enquanto novas variedades brasileiras ficam próximas de 33%.
Terra limitada aumenta pressão por produtividade
A área disponível é apenas parte da explicação. Na China, a escolha do que plantar também está relacionada aos preços, aos subsídios e ao zoneamento agrícola definido para diferentes regiões.
O analista da Agrinvest Commodities Eduardo Vanin explica que a soja está restrita a determinadas áreas, inclusive por características de solo. Segundo ele, o produtor acompanha os preços do milho e da soja na bolsa de Dalian e também considera o preço mínimo estabelecido pelo governo e os subsídios antes de definir o plantio.
“Cada ano o produtor chinês tem essa informação para tomar a sua decisão de, de repente, plantar um pouco mais de soja e um pouco mais de milho”, explica à reportagem do Canal Rural, que acompanhou a expedição da Agrinvest Commodities ao país asiático.
O zoneamento também determina a vocação de cada área. Em uma propriedade de 20 hectares visitada durante a viagem, por exemplo, a sequência de cultivo é concentrada no milho. Outras regiões são destinadas ao trigo, batata, soja e outras culturas.
Essa organização reforça a necessidade de aproveitar ao máximo o potencial produtivo de cada hectare. Ao mesmo tempo, mantém a importação como parte estratégica do abastecimento chinês.
Mesmo com os avanços internos, a China ainda depende do mercado externo para atender à demanda por soja. De acordo com Marcos Araújo, cerca de 80% da soja importada pelo país tem origem no Brasil.
Solo negro vira aliado da pesquisa chinesa
Na Academia de Ciências Agrícolas de Harbin, a estratégia de aumento da produtividade passa também pelo aproveitamento das características naturais do solo negro do nordeste chinês.
Rico em matéria orgânica e com capacidade de preservar nutrientes, fertilizantes e água, o solo oferece condições favoráveis para culturas como soja, milho e arroz. A pesquisa busca combinar esse potencial com novas práticas de manejo.
A pesquisadora chinesa Zhou Meng destaca a importância do solo negro para a agricultura da região. “O estado está estudando o solo negro desta região. Aqui existe uma grande disponibilidade de solo arável em comparação com outras áreas da China. Esse solo é rico e consegue preservar melhor os nutrientes, os fertilizantes e a água”, pontua à reportagem.
Ela também relaciona as condições climáticas ao desempenho das lavouras. “As manhãs são mais frias e, ao meio-dia, a temperatura sobe. Essa combinação favorece o desenvolvimento das plantas e aumenta a produtividade da soja e do milho”.
Na soja, a produtividade média chega a 220 quilos por mu, unidade de medida utilizada na China. No milho, chega a 3,3 mil quilos por hectare.
Para os próximos anos, a aposta está principalmente em duas frentes: melhoramento genético e rotação de culturas. A combinação deve permitir que as áreas já utilizadas entreguem mais produção. Conforme Zhou Meng, essas duas tecnologias serão fundamentais para elevar ainda mais a produtividade.
O produtor rural Eduardo Antônio Scopel, um dos produtores integrantes da expedição, chama atenção justamente para essa característica. “O que nós vimos na China é que ela está limitada à área, então ela não tem condição de expandir essa área”, observa.
Segundo ele, o que mais chamou atenção foi o potencial produtivo observado na região. “Os padrões de plantas muito bem estabelecidos, soja muito bem carregada, é impressionante isso aí”, relata ao Canal Rural Mato Grosso.
Genética pode reduzir dependência de importações
Para os produtores brasileiros que acompanharam a visita, o melhoramento genético é um dos pontos que mais chamam atenção. Em uma lavoura de soja, o número de vagens com quatro grãos por planta despertou a atenção do produtor rural Cesar Paludo.
“Me chamou a atenção, como sou plantador de soja, que essa variedade tem muitas vagens de quatro grãos na mesma planta”, comenta.
Paludo compara o material observado na China com a realidade encontrada em sua região no Brasil e avalia que a busca por produtividade é uma necessidade diante da impossibilidade de ampliar a área cultivada. “Eles precisam aumentar a produtividade por hectare porque terra para ampliar a produção não tem mais. O caminho deles vai ter que ser por área plantada”, afirma.
Ao mesmo tempo, ele considera que a China continuará dependente da soja produzida por outros países. “Eles vão precisar de muita soja ainda para os próximos anos”, acrescenta.
A estratégia chinesa, portanto, não elimina a importância do Brasil no fornecimento de soja, mas sinaliza que os ganhos de produtividade podem alterar, gradualmente, o tamanho dessa demanda. Para o produtor brasileiro, acompanhar esse movimento se torna necessário.
A busca por genética também se estende a outras culturas. O arroz produzido na região utiliza sistemas de irrigação por inundação, enquanto a China e o Japão são apontados como referências em melhoramento genético e bancos de germoplasma.
“China junto com o Japão são referências no melhoramento genético para o arroz, para o trigo, banco genético esse que serviu de referência para vários órgãos de pesquisa no mundo”, destaca Marcos Araújo.

Milho mostra impacto direto para o Brasil
O avanço chinês no melhoramento genético ganha ainda mais importância quando o assunto é milho. A cultura ocupa uma área muito maior que a soja no país e já apresenta produção próxima do consumo interno.
A China cultiva atualmente cerca de 44 milhões de hectares de milho, com produtividade média nacional de 6,5 mil quilos por hectare. A produção chega a aproximadamente 307 milhões de toneladas, diante de um consumo estimado em 325 milhões de toneladas.
É justamente nessa diferença que o ganho de produtividade pode provocar mudanças importantes no mercado internacional. De acordo com Marcos Araújo, um aumento de 2 mil quilos por hectare acrescentaria 88 milhões de toneladas à produção chinesa anual.
Esse volume seria suficiente para tornar o país autossuficiente e reduzir ainda mais a necessidade de compras externas. O movimento já começou a aparecer nas importações: depois de chegar a importar cerca de 30 milhões de toneladas de milho alguns anos atrás, a China reduziu esse volume para menos de 2 milhões de toneladas nas últimas temporadas.
Para o produtor brasileiro, o cenário exige atenção na definição dos mercados. Na avaliação de Araújo, apostar exclusivamente na China como destino do milho pode não ser uma estratégia adequada diante da evolução da produção doméstica chinesa. “Principalmente, o Brasil tem que estar focado no programa de biocombustível, no etanol a partir do milho”, avalia.
A transformação do milho em etanol abre uma alternativa para absorver parte da produção brasileira e reduz a dependência de um único mercado externo. Enquanto isso, a China segue investindo em produtividade e também no aumento da produção de proteína animal.
Esse movimento amplia o desafio para o agronegócio brasileiro. Além de continuar como grande comprador de commodities, a China pode fortalecer a própria produção e, em algumas cadeias, tornar-se menos dependente das importações.
*O repórter do Canal Rural Mato Grosso, Pedro Silvestre. viajou para a China à convite da Agrinvest Commodities.
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Boi gordo tem altas pontuais nesta terça-feira; confira os dados do mercado

O mercado físico do boi gordo apresenta movimentos mais moderados de alta nesta terça-feira (20), mas a oferta restrita de animais continua sustentando as cotações nas principais regiões produtoras. Apesar da menor intensidade dos reajustes, as escalas de abate não apresentam evolução e permanecem concentradas entre cinco e seis dias úteis na maioria das praças pesquisadas.
Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o cenário mantém os frigoríficos ativos nas compras e ainda permite avanços pontuais nos preços, principalmente nas regiões com menor disponibilidade de boiadas.
Em São Paulo, a referência média para a arroba do boi gordo ficou em R$ 384,13, na modalidade a prazo. Já em Goiás, a cotação média foi de R$ 369,46. Em Minas Gerais, o preço médio chegou a R$ 375,29, enquanto no Mato Grosso do Sul a arroba foi indicada a R$ 372,95. Já no Mato Grosso, a referência ficou em R$ 357,09.
Carne bovina tem reajustes pontuais no atacado
No mercado atacadista de carne bovina, os preços registraram altas pontuais nesta terça-feira. Em São Paulo, o quarto dianteiro avançou R$ 0,30 por quilo, passando a ser negociado a R$ 22,30. O quarto traseiro permaneceu cotado a R$ 29,50 por quilo, enquanto a ponta de agulha subiu R$ 0,25, alcançando R$ 20,75 por quilo.
Apesar dos reajustes, a expectativa é de maior acomodação da demanda durante a segunda quinzena do mês. O período costuma apresentar menor apelo ao consumo, além de redução dos efeitos associados à entrada dos salários na economia.
De acordo com Iglesias, a carne bovina também enfrenta forte concorrência das carnes de frango e suína, fator que limita movimentos mais expressivos de valorização no atacado.
Dólar encerra em queda
No mercado cambial, o dólar comercial encerrou a sessão em baixa de 0,57%, cotado a R$ 5,0177 para venda e R$ 5,0147 para compra.
Durante o pregão, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0046 e a máxima de R$ 5,0441.
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riscos climáticos sustentam preços apesar de perspectiva favorável no Brasil

A perspectiva de oferta de café para a safra 2027/28 no Brasil é favorável, mas os riscos climáticos associados ao El Niño continuam sustentando os preços internacionais. Segundo relatório da Hedgepoint Global Markets, a boa florada e as condições climáticas atuais favorecem o desenvolvimento das lavouras brasileiras. No entanto, possíveis ondas de calor no fim de 2026 e períodos de chuvas abaixo da média no início de 2027 podem comprometer o rendimento das plantações.
O cenário combina fatores de pressão sobre as cotações, como o avanço das exportações brasileiras e a perspectiva de uma safra positiva, com preocupações sobre a produção em importantes regiões cafeeiras do mundo. Os baixos estoques nos países consumidores também deixam o mercado mais sensível a notícias sobre a disponibilidade do produto.
Exportações brasileiras aumentam oferta no mercado
As exportações brasileiras de café verde somaram 3,58 milhões de sacas em setembro, alta de 3,2% em relação ao mesmo mês de 2025. Considerando também o café industrializado, os embarques chegaram a 3,8 milhões de sacas, avanço de 3,1% na comparação anual.
Os dados são do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), citados no relatório da Hedgepoint.
O aumento dos embarques, combinado com as perspectivas para a safra 2027/28, exerce pressão de baixa sobre os preços. Após recuarem entre agosto e meados de setembro, os contratos futuros de arábica e robusta voltaram a encontrar sustentação diante das preocupações climáticas e da valorização do real.
De acordo com a consultoria, o fortalecimento da moeda brasileira tende a reduzir o interesse dos produtores em vender café. A menor participação de agentes comerciais no mercado futuro também contribui para oscilações mais intensas das cotações.
El Niño aumenta riscos para o conilon
No Brasil, a florada da safra 2027/28 foi positiva e o clima segue favorável às lavouras, segundo Laleska Moda, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets.
“No Brasil, a florada da safra 2027/28 foi boa e as condições climáticas seguem favoráveis ao desenvolvimento das lavouras”, afirma a analista no relatório.
A previsão citada no estudo indica chuvas abundantes na maior parte das regiões produtoras ao longo de outubro, com temperaturas ligeiramente acima da média.
A atenção se volta para os próximos meses. Ondas de calor entre o quarto trimestre de 2026 e períodos de redução das chuvas no primeiro trimestre de 2027 podem prejudicar o enchimento dos grãos e reduzir o rendimento das lavouras. O risco é relevante para o contrato futuro de arábica com vencimento em março de 2027.
As regiões produtoras de conilon no Espírito Santo e na Bahia também exigem monitoramento, devido à maior suscetibilidade aos efeitos do El Niño. O fenômeno climático pode afetar ainda a produção no Sudeste Asiático, com possíveis reflexos sobre os contratos futuros de robusta com vencimento em janeiro e março de 2027.
Vietnã e Indonésia também preocupam
No Vietnã, o tempo seco favoreceu o avanço da colheita da safra 2026/27, embora algumas regiões tenham registrado pequenas perdas. A preocupação está na possibilidade de prolongamento da estação seca até 2027, o que pode prejudicar o desenvolvimento inicial da safra seguinte.
“Os baixos níveis dos reservatórios e a possível extensão da estação seca para 2027 podem prejudicar o desenvolvimento inicial da safra 2027/28”, destaca Laleska.
Na Indonésia, a safra de robusta 2027/28 já está em desenvolvimento. A expectativa de chuvas abaixo da média aumenta os riscos para a produção do país.
Na Colômbia, as precipitações ficaram abaixo da média nos últimos meses, mas ainda não há efeitos significativos relatados sobre a safra principal 2026/27. Os riscos podem aumentar na safra Mitaca, a segunda colheita do ciclo colombiano, cuja fase crítica de desenvolvimento deve coincidir com o período de maior intensidade esperada do El Niño.
Estoques baixos deixam mercado mais sensível
Além das condições climáticas, a entressafra em países produtores e os baixos estoques nos mercados consumidores mantêm as preocupações com a disponibilidade imediata de café.
Embora a colheita da safra 2026/27 deva avançar nas próximas semanas em diferentes países, os maiores volumes costumam chegar ao mercado entre dezembro e fevereiro. Até lá, eventuais problemas de produção podem provocar reações mais intensas nos preços.
A Hedgepoint também avalia que uma possível redução na produção de robusta pode aumentar a demanda por cafés arábica de menor qualidade, usados como alternativa, e diminuir a diferença de preços entre as duas variedades.
A expansão da produção brasileira de conilon nos últimos anos, porém, ampliou a oferta global de robusta. Por isso, a consultoria considera improvável que a diferença de preços volte aos níveis extremos observados em 2024 e no início de 2025.
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Tocantins decreta emergência por seca em todo o estado por 180 dias

O governo do Tocantins decretou situação de emergência em todo o estado por 180 dias em razão da estiagem prolongada. O Decreto nº 7.251 foi divulgado nesta terça-feira (20). Segundo o governo estadual, os levantamentos feitos por órgãos públicos poderão servir de base para que produtores atingidos solicitem apoio financeiro, mais prazo para cumprir obrigações ou renegociação de dívidas, desde que atendidas as exigências legais.
O decreto considera prejuízos à agropecuária e riscos de queimadas e incêndios florestais. Dados do Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) indicam que, em agosto, cerca de 95% do território tocantinense apresentava algum grau de seca. A área classificada como seca moderada passou de 33,57% em julho para 57,44% em agosto.
A coordenação da resposta ficará com o Corpo de Bombeiros Militar, por meio da Defesa Civil. O órgão vai articular o atendimento a municípios e famílias afetadas, inclusive com abastecimento emergencial de água. No campo, a Secretaria da Agricultura e Pecuária (Seagro), com apoio do Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins), será responsável por contabilizar as perdas e orientar os produtores sobre os instrumentos de apoio disponíveis.
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O cenário ocorre no início do plantio da soja 2026/27 no estado. A semeadura está liberada desde 1º de outubro, mas ainda era pontual, segundo avaliação divulgada em 14 de outubro pela Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado do Tocantins (Aprosoja-TO). De acordo com o vice-presidente da entidade, Thiago Facco, houve chuva suficiente para o plantio em algumas microrregiões, principalmente no Vale do Araguaia, enquanto parte dos produtores seguia aguardando novas precipitações.
Segundo a Aprosoja-TO, com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a soja ocupa cerca de 1,6 milhão de hectares no Tocantins. A entidade espera pequeno aumento de área nesta temporada. Facco também citou taxa de juros elevada, dificuldade de crédito e nível de endividamento entre produtores como fatores de cautela neste ciclo.
Com a emergência decretada, o governo estadual passa a organizar a resposta à estiagem e o levantamento dos prejuízos no campo, enquanto a safra de soja avança de forma pontual em parte do Tocantins.
Fonte: Estadão Conteúdo
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