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5 de setembro de 2026

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Com pouca terra, China aposta em genética para produzir mais e desafia o agro brasileiro

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A China é o maior comprador mundial de soja, mas também trabalha para ampliar a produção dentro do próprio território. No nordeste do país, áreas de pesquisa e produção mostram uma estratégia baseada em produtividade, genética e uso mais eficiente das terras disponíveis.

O desafio é produzir mais sem ampliar a fronteira agrícola. Na província de Heilongjiang, uma das principais regiões agrícolas chinesas e maior produtora de soja do país, essa realidade fica evidente.

A região tem como característica o inverno rigoroso, com temperaturas que podem chegar a 30 graus negativos. Durante a curta janela do verão, porém, os campos ganham vida e concentram cultivos como soja, milho e arroz.

Com pouca disponibilidade de terras agricultáveis, a China busca elevar o rendimento das áreas já utilizadas. Para Marcos Araújo, diretor da Agrinvest Commodities, a limitação territorial ajuda a explicar tanto a estratégia chinesa quanto a importância das importações.

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“A área agricultável na China é de apenas 900 metros quadrados por habitante. Então, toda área agricultável da China tem um foco em produção de culturas que têm giros muito rápidos”, afirma.

A soja ocupa cerca de 10 milhões de hectares no país e apresenta produtividade média de aproximadamente 2 mil quilos por hectare, o que resulta em torno de 20 milhões de toneladas anuais. Ao mesmo tempo, o grão produzido na China apresenta teor de proteína elevado, em torno de 40%, enquanto novas variedades brasileiras ficam próximas de 33%.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Terra limitada aumenta pressão por produtividade

A área disponível é apenas parte da explicação. Na China, a escolha do que plantar também está relacionada aos preços, aos subsídios e ao zoneamento agrícola definido para diferentes regiões.

O analista da Agrinvest Commodities Eduardo Vanin explica que a soja está restrita a determinadas áreas, inclusive por características de solo. Segundo ele, o produtor acompanha os preços do milho e da soja na bolsa de Dalian e também considera o preço mínimo estabelecido pelo governo e os subsídios antes de definir o plantio.

“Cada ano o produtor chinês tem essa informação para tomar a sua decisão de, de repente, plantar um pouco mais de soja e um pouco mais de milho”, explica à reportagem do Canal Rural, que acompanhou a expedição da Agrinvest Commodities ao país asiático.

O zoneamento também determina a vocação de cada área. Em uma propriedade de 20 hectares visitada durante a viagem, por exemplo, a sequência de cultivo é concentrada no milho. Outras regiões são destinadas ao trigo, batata, soja e outras culturas.

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Essa organização reforça a necessidade de aproveitar ao máximo o potencial produtivo de cada hectare. Ao mesmo tempo, mantém a importação como parte estratégica do abastecimento chinês.

Mesmo com os avanços internos, a China ainda depende do mercado externo para atender à demanda por soja. De acordo com Marcos Araújo, cerca de 80% da soja importada pelo país tem origem no Brasil.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Solo negro vira aliado da pesquisa chinesa

Na Academia de Ciências Agrícolas de Harbin, a estratégia de aumento da produtividade passa também pelo aproveitamento das características naturais do solo negro do nordeste chinês.

Rico em matéria orgânica e com capacidade de preservar nutrientes, fertilizantes e água, o solo oferece condições favoráveis para culturas como soja, milho e arroz. A pesquisa busca combinar esse potencial com novas práticas de manejo.

A pesquisadora chinesa Zhou Meng destaca a importância do solo negro para a agricultura da região. “O estado está estudando o solo negro desta região. Aqui existe uma grande disponibilidade de solo arável em comparação com outras áreas da China. Esse solo é rico e consegue preservar melhor os nutrientes, os fertilizantes e a água”, pontua à reportagem.

Ela também relaciona as condições climáticas ao desempenho das lavouras. “As manhãs são mais frias e, ao meio-dia, a temperatura sobe. Essa combinação favorece o desenvolvimento das plantas e aumenta a produtividade da soja e do milho”.

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Na soja, a produtividade média chega a 220 quilos por mu, unidade de medida utilizada na China. No milho, chega a 3,3 mil quilos por hectare.

Para os próximos anos, a aposta está principalmente em duas frentes: melhoramento genético e rotação de culturas. A combinação deve permitir que as áreas já utilizadas entreguem mais produção. Conforme Zhou Meng, essas duas tecnologias serão fundamentais para elevar ainda mais a produtividade.

O produtor rural Eduardo Antônio Scopel, um dos produtores integrantes da expedição, chama atenção justamente para essa característica. “O que nós vimos na China é que ela está limitada à área, então ela não tem condição de expandir essa área”, observa.

Segundo ele, o que mais chamou atenção foi o potencial produtivo observado na região. “Os padrões de plantas muito bem estabelecidos, soja muito bem carregada, é impressionante isso aí”, relata ao Canal Rural Mato Grosso.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Genética pode reduzir dependência de importações

Para os produtores brasileiros que acompanharam a visita, o melhoramento genético é um dos pontos que mais chamam atenção. Em uma lavoura de soja, o número de vagens com quatro grãos por planta despertou a atenção do produtor rural Cesar Paludo.

“Me chamou a atenção, como sou plantador de soja, que essa variedade tem muitas vagens de quatro grãos na mesma planta”, comenta.

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Paludo compara o material observado na China com a realidade encontrada em sua região no Brasil e avalia que a busca por produtividade é uma necessidade diante da impossibilidade de ampliar a área cultivada. “Eles precisam aumentar a produtividade por hectare porque terra para ampliar a produção não tem mais. O caminho deles vai ter que ser por área plantada”, afirma.

Ao mesmo tempo, ele considera que a China continuará dependente da soja produzida por outros países. “Eles vão precisar de muita soja ainda para os próximos anos”, acrescenta.

A estratégia chinesa, portanto, não elimina a importância do Brasil no fornecimento de soja, mas sinaliza que os ganhos de produtividade podem alterar, gradualmente, o tamanho dessa demanda. Para o produtor brasileiro, acompanhar esse movimento se torna necessário.

A busca por genética também se estende a outras culturas. O arroz produzido na região utiliza sistemas de irrigação por inundação, enquanto a China e o Japão são apontados como referências em melhoramento genético e bancos de germoplasma.

“China junto com o Japão são referências no melhoramento genético para o arroz, para o trigo, banco genético esse que serviu de referência para vários órgãos de pesquisa no mundo”, destaca Marcos Araújo.

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Província de Heilongjiang, China. Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Milho mostra impacto direto para o Brasil

O avanço chinês no melhoramento genético ganha ainda mais importância quando o assunto é milho. A cultura ocupa uma área muito maior que a soja no país e já apresenta produção próxima do consumo interno.

A China cultiva atualmente cerca de 44 milhões de hectares de milho, com produtividade média nacional de 6,5 mil quilos por hectare. A produção chega a aproximadamente 307 milhões de toneladas, diante de um consumo estimado em 325 milhões de toneladas.

É justamente nessa diferença que o ganho de produtividade pode provocar mudanças importantes no mercado internacional. De acordo com Marcos Araújo, um aumento de 2 mil quilos por hectare acrescentaria 88 milhões de toneladas à produção chinesa anual.

Esse volume seria suficiente para tornar o país autossuficiente e reduzir ainda mais a necessidade de compras externas. O movimento já começou a aparecer nas importações: depois de chegar a importar cerca de 30 milhões de toneladas de milho alguns anos atrás, a China reduziu esse volume para menos de 2 milhões de toneladas nas últimas temporadas.

Para o produtor brasileiro, o cenário exige atenção na definição dos mercados. Na avaliação de Araújo, apostar exclusivamente na China como destino do milho pode não ser uma estratégia adequada diante da evolução da produção doméstica chinesa. “Principalmente, o Brasil tem que estar focado no programa de biocombustível, no etanol a partir do milho”, avalia.

A transformação do milho em etanol abre uma alternativa para absorver parte da produção brasileira e reduz a dependência de um único mercado externo. Enquanto isso, a China segue investindo em produtividade e também no aumento da produção de proteína animal.

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Esse movimento amplia o desafio para o agronegócio brasileiro. Além de continuar como grande comprador de commodities, a China pode fortalecer a própria produção e, em algumas cadeias, tornar-se menos dependente das importações.

*O repórter do Canal Rural Mato Grosso, Pedro Silvestre. viajou para a China à convite da Agrinvest Commodities.


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Preços apresentam positividade, mas negócios desaceleram para a soja; confira as cotações

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Foto: Pixabay

O mercado brasileiro de soja encerrou a semana sem movimentos expressivos na comercialização, com poucas alterações nas cotações do físico. O analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, destaca que os preços seguem nos melhores níveis do ano, embora a sexta-feira tenha sido marcada por ritmo lento de negócios.

Ao longo da semana, houve reporte de negociações, com os portos permanecendo bastante aquecidos. Os prêmios seguem firmes e estabilizados, enquanto Chicago trabalha em níveis fortes.

“Fechamos a sexta-feira com o mercado bem lento, poucos players ofertando lotes e cotações praticamente estabilizadas”, resume Silveira.

Preços de soja

  • Passo Fundo (RS): manteve em R$ 155,00
  • Santa Rosa (RS): manteve em R$ 156,00
  • Cascavel (PR): manteve em R$ 150,50
  • Rondonópolis (MT): subiu de R$ 143,00 para R$ 144,00
  • Dourados (MS): manteve em R$ 143,00
  • Rio Verde (GO): manteve em R$ 144,00
  • Paranaguá (PR): manteve em R$ 161,50
  • Rio Grande (RS): manteve em R$ 163,00

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja fecharam em baixa na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), nesta sexta-feira, reduzindo os ganhos semanais. A sessão foi marcada por um movimento de realização de lucros, com os agentes posicionando suas carteiras frente ao final de semana prolongado. Segunda-feira, feriado pelo Dia do Trabalho nos Estados Unidos, não haverá sessão.

Mas o resultado semanal ainda foi positivo, reflexo do cenário fundamental. Pelo lado da demanda, as compras por parte da China no mercado americano seguem consistentes. Já em relação à oferta, há preocupação com o clima seco e de temperaturas elevadas no Meio Oeste, que poderia comprometer o potencial produtivo das lavouras. A posição novembro, a mais negociada, teve valorização de 1,7%.

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Exportadores privados dos Estados Unidos informaram ao Departamento de Agricultura norte-americano uma operação envolvendo 250.600 toneladas de soja recebidas no período coberto pelo relatório para destinos não revelados na temporada comercial 2026/27.

Contratos futuros de soja

Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com baixa de 6,50 centavos de dólar ou 0,49%, a US$ 13,09 3/4 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 13,25 por bushel, com retração de 6,50 centavos de dólar ou 0,48%.

Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com baixa de US$ 0,40 ou 0,11% a US$ 355,10 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 69,27 centavos de dólar, com perda de 0,77 centavo ou 1,09%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,49%, sendo negociado a R$ 5,1286 para venda e a R$ 5,1266 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,1011 e a máxima de R$ 5,1421. Na semana, a desvalorização ficou em 1,3%.

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Da porteira para fora, a China dá show: o que o agro brasileiro aprende com os chineses

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Brasil e China têm realidades agrícolas muito diferentes, mas compartilham o desafio de produzir mais, utilizar melhor os recursos disponíveis e aumentar a eficiência. Uma viagem técnica levou produtores brasileiros a propriedades, indústrias e centros de pesquisa chineses para conhecer soluções que podem ser adaptadas ao campo nacional.

Enquanto o Brasil conta com grandes extensões de terras agricultáveis, a China convive com maior limitação de áreas e precisa buscar produtividade em espaços menores. Nesse cenário, a tecnologia aparece como uma das principais ferramentas para elevar o desempenho das atividades rurais.

Uma das empresas visitadas desenvolve há mais de uma década soluções de Internet das Coisas (IoT) para o campo. As ferramentas utilizam conexões 4G e 5G para tornar as operações mais precisas e já estão presentes em mais de 30 países.

De acordo com Liu Zongbo, especialista da Kebaiiot Technology, a adoção dessas soluções contribui para reduzir custos e elevar a produtividade. “Os benefícios principais, primeiro é que o custo é muito mais baixo do que anteriormente”, explica. Ele acrescenta que a produtividade total aumentou “uma porcentagem de 10%, especialmente em frutas e legumes”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Tecnologia aproxima campo, indústria e mercado

A busca por eficiência não fica restrita às propriedades rurais. Em Shuangcheng, no nordeste da China, a comitiva brasileira conheceu uma indústria com cerca de 380 mil metros quadrados e 700 funcionários, com capacidade para processar até 1 milhão de toneladas de milho por ano.

A estrutura mostra como produção agrícola, processamento industrial e mercado consumidor estão conectados. Para João Paulo Schaffer, diretor e analista de derivados e grãos da Agrinvest Commodities, organizadora da expedição na China, essa integração é um dos principais pontos que o Brasil pode observar.

“O que fica de lição para nós é que o campo e a tecnologia no Brasil eles estão realmente muito distantes”, avalia. Na visão dele, é necessário aproximar as duas áreas e ampliar a disponibilidade de informações para melhorar as decisões dentro das propriedades e das empresas.

A experiência chinesa também chama atenção pelo uso de dados e inteligência artificial. Schaffer observa que as ferramentas estão presentes em diferentes etapas da cadeia, desde a obtenção e leitura das informações até a previsão e análise dos dados. “Dados é vida para o produtor e para as empresas”, resume ao Canal Rural Mato Grosso.

Ainda na avaliação dele, o avanço passa por levar essa integração tecnológica para dentro das fazendas brasileiras. A utilização de informações para orientar o planejamento e as operações pode ajudar o produtor a tomar decisões mais precisas e a aproveitar melhor os recursos disponíveis.

Outro aspecto observado durante a viagem foi a transformação pela qual a China passa na área ambiental. O produtor rural Fábio Massao Sakuma compara a realidade atual com a que encontrou em visitas anteriores ao país.

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“Há 20 anos atrás quem vinha a China o ar, o céu era poluído, não conseguia ver o sol. Em 2019 eu vim aqui, já é igual hoje”, relata. Ele também destaca o avanço no plantio de árvores e na eletrificação de veículos e máquinas.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Produtividade e qualidade entram no radar brasileiro

As diferenças entre os dois países também aparecem dentro das lavouras. A comparação, porém, não é feita apenas em relação ao volume produzido, mas às condições utilizadas para alcançar bons resultados.

O agricultor Rafael Grimm Marques destaca as características do solo encontrado durante a visita. Segundo ele, a área apresenta elevado teor de matéria orgânica e fertilidade, características que ajudam a explicar o desempenho das culturas observadas.

“Um solo negro que tem um alto teor de matéria orgânica, fertilidade muito alta, N, P, K, muito férteis que entregam boas fertilidades para eles aqui”, descreve à reportagem. Para ele, a condição do solo é diferente do que costuma encontrar no Brasil e chama atenção também pelo manejo adotado.

Mesmo partindo de condições distintas, a produtividade observada serve de referência para produtores brasileiros. Gabriel Kirnev, também produtor rural, pontua o desempenho de culturas como milho, soja e arroz. “Isso aí serve de inspiração para nós brasileiros”, considera. Para ele, a experiência mostra que ainda há espaço para melhorar tanto a produtividade quanto a execução das operações no campo.

A qualidade também aparece como um dos pontos de atenção para o produtor brasileiro que busca ampliar sua presença no mercado chinês. Éricles Paulo avalia que a viagem ajudou a mudar a percepção que tinha sobre o país e mostra um consumidor mais exigente. “A gente vinha com uma visão de China totalmente diferente. É um país muito evoluído, uma riqueza muito grande em infraestrutura”, observa ao Canal Rural Mato Grosso.

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Na avaliação dele, o Brasil precisa olhar para a qualidade desde a produção até a comercialização. “Da porteira para dentro a gente precisa priorizar isso. Entregar um produto de mais qualidade para eles, porque eles pagam mais, querem qualidade”, acrescenta.

A relação comercial entre os dois países também é vista como estratégica. Thiago Oliveira, representante comercial da NK Sementes, destaca o tamanho do mercado consumidor chinês e a importância que o Brasil ocupa no fornecimento de produtos agrícolas.

“Um poder de consumo muito grande, e nós temos o nosso lugar para ficar, para marcar. O Brasil tem a sua importância muito grande para China”, aponta. Para ele, empresas chinesas visitadas durante a viagem reforçam a relevância brasileira como fornecedor.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

O que está além da porteira

A experiência também mostra que as diferenças entre Brasil e China não estão apenas na agricultura. Ao deixar as propriedades e as unidades industriais, a comitiva encontra uma estrutura urbana e logística que chama a atenção dos produtores.

A percepção é de que os países desenvolvem soluções diferentes a partir de suas próprias condições. Por isso, a comparação não é tratada como uma disputa para definir qual modelo é melhor, mas como uma oportunidade de identificar práticas que possam ser aproveitadas no Brasil.

Para o agricultor Adelar Marafon, essa é uma das principais conclusões da viagem. “O produtor brasileiro da porteira para dentro ele está melhor do que a China, mas quando sai da porteira para fora a China dá show”, avalia.

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Ele cita principalmente logística, infraestrutura e processos como áreas em que o Brasil pode avançar. “Tem algumas coisas que a gente precisa levar daqui para o Brasil pra gente melhorar essa questão a nível Brasil”, acrescenta.

A produtora rural Marisa Brunetta também frisa a dimensão tecnológica alcançada pelos chineses, mas lembra que o Brasil possui uma vantagem importante na relação comercial: a disponibilidade de terras.

“A China está crescendo em proporções imensas a nível mundo, é um celeiro em termos de tecnologia para a gente estar aqui aprendendo”, observa. Ao mesmo tempo, ela lembra que existe uma limitação nas áreas agrícolas chinesas.

Nesse cenário, os dois países acabam ocupando posições complementares. Enquanto a China se destaca como mercado consumidor e fornecedor de insumos, especialmente produtos químicos e fertilizantes, o Brasil tem na produção de matérias-primas agrícolas uma de suas principais vantagens.

A soja é um dos exemplos dessa relação. “O Brasil acaba sendo um parceiro muito forte, a China como um parceiro fornecedor de insumos, na parte de químicos e fertilizantes, e nós a matéria-prima principal para eles aqui, que é a soja”, explica Marisa.

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A agenda da expedição também incluiu momentos de contato com a cultura chinesa. Entre as visitas estão a Cidade Proibida, a Grande Muralha e estruturas construídas para os Jogos Olímpicos de 2008. Em Xangai, o roteiro terminou com um cruzeiro noturno diante dos arranha-céus da cidade.

E até a gastronomia entrou na experiência. Os tradicionais espetinhos associados a animais considerados exóticos fizeram parte do roteiro turístico, mas não representam a alimentação cotidiana da maior parte da população chinesa.

A experiência rendeu reações bem-humoradas entre os integrantes da comitiva. Thiago Oliveira contou à reportagem do Canal Rural Mato Grosso que decidiu experimentar o espetinho de escorpião. “Não tem como vir à China e não experimentar o espetinho de escorpião. Provar pelo menos um… Frita tanto ele que você nem sente”, brinca.

Mais do que comparar modelos agrícolas, a viagem deixa como principal aprendizado a necessidade de olhar para toda a cadeia. Tecnologia, dados, produtividade e qualidade aparecem como oportunidades dentro da porteira, enquanto logística, infraestrutura e integração entre produção e mercado estão entre os pontos que os produtores identificam como lições chinesas para o Brasil.

*O repórter do Canal Rural Mato Grosso, Pedro Silvestre, viajou para a China à convite da Agrinvest Commodities.

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Tempo mais seco favorece trigo e plantio de milho no Rio Grande do Sul

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O período de menor precipitação e maior radiação solar no Rio Grande do Sul favorece o desenvolvimento das lavouras de trigo e o avanço do plantio de milho, informou a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). Nas semanas anteriores, a sequência de dias chuvosos estimulou a ocorrência de doenças fúngicas no trigo, com registros de manchas foliares, ferrugens, oídio e maior incidência de giberela em áreas em fase reprodutiva.

Segundo a Emater, 50% da área de trigo no Estado está no período final de desenvolvimento vegetativo. As parcelas mais adiantadas se distribuem entre as fases de floração, com 33%, formação e enchimento de grãos, com 16%, e maturação, com 1%.

Para a safra 2026, a área projetada de trigo no Rio Grande do Sul é de 814.220 hectares, com produtividade média estimada em 2.701 quilos por hectare. O cenário combina condições mais favoráveis ao desenvolvimento das lavouras neste momento com a pressão sanitária observada após o excesso de umidade registrado anteriormente.

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No milho, a Emater informa que as lavouras apresentam germinação e emergência satisfatórias, com predominância de áreas em estágios iniciais de desenvolvimento vegetativo. A estimativa para o Estado é de plantio em 896.401 hectares, área 7,42% superior à da safra anterior.

A produtividade média projetada para o milho é de 7.711 quilos por hectare, com produção aproximada de 6,91 milhões de toneladas. O volume representa incremento de 7,18%. Na safra 2025/2026, a área cultivada de milho no Rio Grande do Sul alcançou 812,5 mil hectares, com colheita de 5,98 milhões de toneladas.

No Rio Grande do Sul, o quadro atual reúne melhora das condições climáticas para trigo e milho e atenção sanitária nas áreas de trigo, enquanto as projeções da Emater indicam expansão de área e aumento de produção na cultura do milho.

Fonte: Estadão Conteúdo

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