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Suspensão da UE ameaça prêmio pago por carne bovina de MT

A suspensão das exportações de carne bovina para a União Europeia coloca em alerta um grupo específico de pecuaristas de Mato Grosso: aqueles que investem em protocolos e controles para atender às exigências de mercados que pagam mais pela produção. O desafio agora é encontrar compradores para essa carne sem perder a valorização obtida na Europa.
Os dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) ajudam a dimensionar o impacto. De janeiro a julho de 2026, o bloco europeu comprou 20,37 mil toneladas equivalente carcaça (TEC) de Mato Grosso, o equivalente a 3,43% de tudo o que o estado exporta em carne bovina.
A participação é pequena quando comparada ao volume destinado a outros mercados, mas muda de peso quando a análise considera o faturamento. A União Europeia responde por US$ 130,51 milhões, ou 4,65% da receita obtida por Mato Grosso com as exportações de carne bovina no período.
A diferença está principalmente no preço. A tonelada comercializada com os europeus alcança, em média, US$ 6.407,87. Na China, principal destino da carne bovina mato-grossense em volume, o valor médio fica em US$ 4.756,10.
De acordo com o superintendente do Imea e da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Cleiton Gauer, a interrupção representa uma perda relevante justamente para quem fez investimentos para acessar esse mercado.
“Num estado exportador, perder essa oportunidade, um mercado que remunera muito bem, é realmente um estalo relevante”, diz.
Carne precisa encontrar novo destino
A preocupação do setor não está apenas em escoar o volume que deixa de ser comprado pela União Europeia. O ponto central é evitar que uma carne produzida sob exigências específicas seja direcionada para mercados que pagam menos.
A Coreia do Sul é apontada como uma alternativa em discussão, mas a entrada da carne brasileira ainda depende da abertura daquele mercado. Para Gauer, essa possibilidade poderia ajudar a absorver parte da produção e preservar a valorização.
“O desafio realmente é os frigoríficos conseguirem encaixar isso em outros mercados”, destaca.
A tarefa, neste momento, está principalmente nas mãos das indústrias, que precisam avaliar os mercados disponíveis e definir comercialmente onde colocar o produto. O setor produtivo, por sua vez, deve atuar na ampliação das possibilidades de acesso.
A articulação com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) é considerada importante para abrir novos destinos e criar condições para que a carne consiga chegar a esses compradores. A logística e as parcerias comerciais também entram nessa equação.
“É muito mais um posicionamento que eles vão precisar trabalhar com os mercados comerciais”, afirma Gauer.
A suspensão pode gerar algum reflexo sobre a arroba, especialmente entre os pecuaristas que recebem prêmio pela produção destinada ao mercado europeu. Uma pressão mais significativa, entretanto, não deve ser determinada apenas por esse movimento.
O comportamento dos preços no longo prazo continua relacionado principalmente ao ciclo pecuário. Por isso, a avaliação é de que o efeito sobre o mercado como um todo tende a ser limitado, embora possa ser mais sentido pelos produtores diretamente ligados ao nicho europeu.
Exigências aumentam desafio para produtores
Além da perda de um comprador de maior valor, existe ainda o desafio documental. As exigências da União Europeia envolvem, entre outros pontos, a comprovação de que determinados antimicrobianos não são utilizados na produção.
Conforme o superintendente, cumprir essas regras exige uma estrutura que envolve produtor, indústria e governo. “É um processo não só por parte do produtor, mas um processo da cadeia como um todo e, principalmente, do Mapa”, explica.
Mesmo diante da suspensão, a expectativa do setor é que o mercado europeu volte a receber a carne brasileira. A possibilidade de retomada é considerada importante justamente porque o bloco remunera melhor um perfil específico de produção. “A expectativa do mercado realmente é que isso retorne no curto/médio prazo”.
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Boi gordo tem altas pontuais nesta terça-feira; confira os dados do mercado

O mercado físico do boi gordo apresenta movimentos mais moderados de alta nesta terça-feira (20), mas a oferta restrita de animais continua sustentando as cotações nas principais regiões produtoras. Apesar da menor intensidade dos reajustes, as escalas de abate não apresentam evolução e permanecem concentradas entre cinco e seis dias úteis na maioria das praças pesquisadas.
Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o cenário mantém os frigoríficos ativos nas compras e ainda permite avanços pontuais nos preços, principalmente nas regiões com menor disponibilidade de boiadas.
Em São Paulo, a referência média para a arroba do boi gordo ficou em R$ 384,13, na modalidade a prazo. Já em Goiás, a cotação média foi de R$ 369,46. Em Minas Gerais, o preço médio chegou a R$ 375,29, enquanto no Mato Grosso do Sul a arroba foi indicada a R$ 372,95. Já no Mato Grosso, a referência ficou em R$ 357,09.
Carne bovina tem reajustes pontuais no atacado
No mercado atacadista de carne bovina, os preços registraram altas pontuais nesta terça-feira. Em São Paulo, o quarto dianteiro avançou R$ 0,30 por quilo, passando a ser negociado a R$ 22,30. O quarto traseiro permaneceu cotado a R$ 29,50 por quilo, enquanto a ponta de agulha subiu R$ 0,25, alcançando R$ 20,75 por quilo.
Apesar dos reajustes, a expectativa é de maior acomodação da demanda durante a segunda quinzena do mês. O período costuma apresentar menor apelo ao consumo, além de redução dos efeitos associados à entrada dos salários na economia.
De acordo com Iglesias, a carne bovina também enfrenta forte concorrência das carnes de frango e suína, fator que limita movimentos mais expressivos de valorização no atacado.
Dólar encerra em queda
No mercado cambial, o dólar comercial encerrou a sessão em baixa de 0,57%, cotado a R$ 5,0177 para venda e R$ 5,0147 para compra.
Durante o pregão, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0046 e a máxima de R$ 5,0441.
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riscos climáticos sustentam preços apesar de perspectiva favorável no Brasil

A perspectiva de oferta de café para a safra 2027/28 no Brasil é favorável, mas os riscos climáticos associados ao El Niño continuam sustentando os preços internacionais. Segundo relatório da Hedgepoint Global Markets, a boa florada e as condições climáticas atuais favorecem o desenvolvimento das lavouras brasileiras. No entanto, possíveis ondas de calor no fim de 2026 e períodos de chuvas abaixo da média no início de 2027 podem comprometer o rendimento das plantações.
O cenário combina fatores de pressão sobre as cotações, como o avanço das exportações brasileiras e a perspectiva de uma safra positiva, com preocupações sobre a produção em importantes regiões cafeeiras do mundo. Os baixos estoques nos países consumidores também deixam o mercado mais sensível a notícias sobre a disponibilidade do produto.
Exportações brasileiras aumentam oferta no mercado
As exportações brasileiras de café verde somaram 3,58 milhões de sacas em setembro, alta de 3,2% em relação ao mesmo mês de 2025. Considerando também o café industrializado, os embarques chegaram a 3,8 milhões de sacas, avanço de 3,1% na comparação anual.
Os dados são do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), citados no relatório da Hedgepoint.
O aumento dos embarques, combinado com as perspectivas para a safra 2027/28, exerce pressão de baixa sobre os preços. Após recuarem entre agosto e meados de setembro, os contratos futuros de arábica e robusta voltaram a encontrar sustentação diante das preocupações climáticas e da valorização do real.
De acordo com a consultoria, o fortalecimento da moeda brasileira tende a reduzir o interesse dos produtores em vender café. A menor participação de agentes comerciais no mercado futuro também contribui para oscilações mais intensas das cotações.
El Niño aumenta riscos para o conilon
No Brasil, a florada da safra 2027/28 foi positiva e o clima segue favorável às lavouras, segundo Laleska Moda, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets.
“No Brasil, a florada da safra 2027/28 foi boa e as condições climáticas seguem favoráveis ao desenvolvimento das lavouras”, afirma a analista no relatório.
A previsão citada no estudo indica chuvas abundantes na maior parte das regiões produtoras ao longo de outubro, com temperaturas ligeiramente acima da média.
A atenção se volta para os próximos meses. Ondas de calor entre o quarto trimestre de 2026 e períodos de redução das chuvas no primeiro trimestre de 2027 podem prejudicar o enchimento dos grãos e reduzir o rendimento das lavouras. O risco é relevante para o contrato futuro de arábica com vencimento em março de 2027.
As regiões produtoras de conilon no Espírito Santo e na Bahia também exigem monitoramento, devido à maior suscetibilidade aos efeitos do El Niño. O fenômeno climático pode afetar ainda a produção no Sudeste Asiático, com possíveis reflexos sobre os contratos futuros de robusta com vencimento em janeiro e março de 2027.
Vietnã e Indonésia também preocupam
No Vietnã, o tempo seco favoreceu o avanço da colheita da safra 2026/27, embora algumas regiões tenham registrado pequenas perdas. A preocupação está na possibilidade de prolongamento da estação seca até 2027, o que pode prejudicar o desenvolvimento inicial da safra seguinte.
“Os baixos níveis dos reservatórios e a possível extensão da estação seca para 2027 podem prejudicar o desenvolvimento inicial da safra 2027/28”, destaca Laleska.
Na Indonésia, a safra de robusta 2027/28 já está em desenvolvimento. A expectativa de chuvas abaixo da média aumenta os riscos para a produção do país.
Na Colômbia, as precipitações ficaram abaixo da média nos últimos meses, mas ainda não há efeitos significativos relatados sobre a safra principal 2026/27. Os riscos podem aumentar na safra Mitaca, a segunda colheita do ciclo colombiano, cuja fase crítica de desenvolvimento deve coincidir com o período de maior intensidade esperada do El Niño.
Estoques baixos deixam mercado mais sensível
Além das condições climáticas, a entressafra em países produtores e os baixos estoques nos mercados consumidores mantêm as preocupações com a disponibilidade imediata de café.
Embora a colheita da safra 2026/27 deva avançar nas próximas semanas em diferentes países, os maiores volumes costumam chegar ao mercado entre dezembro e fevereiro. Até lá, eventuais problemas de produção podem provocar reações mais intensas nos preços.
A Hedgepoint também avalia que uma possível redução na produção de robusta pode aumentar a demanda por cafés arábica de menor qualidade, usados como alternativa, e diminuir a diferença de preços entre as duas variedades.
A expansão da produção brasileira de conilon nos últimos anos, porém, ampliou a oferta global de robusta. Por isso, a consultoria considera improvável que a diferença de preços volte aos níveis extremos observados em 2024 e no início de 2025.
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Tocantins decreta emergência por seca em todo o estado por 180 dias

O governo do Tocantins decretou situação de emergência em todo o estado por 180 dias em razão da estiagem prolongada. O Decreto nº 7.251 foi divulgado nesta terça-feira (20). Segundo o governo estadual, os levantamentos feitos por órgãos públicos poderão servir de base para que produtores atingidos solicitem apoio financeiro, mais prazo para cumprir obrigações ou renegociação de dívidas, desde que atendidas as exigências legais.
O decreto considera prejuízos à agropecuária e riscos de queimadas e incêndios florestais. Dados do Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) indicam que, em agosto, cerca de 95% do território tocantinense apresentava algum grau de seca. A área classificada como seca moderada passou de 33,57% em julho para 57,44% em agosto.
A coordenação da resposta ficará com o Corpo de Bombeiros Militar, por meio da Defesa Civil. O órgão vai articular o atendimento a municípios e famílias afetadas, inclusive com abastecimento emergencial de água. No campo, a Secretaria da Agricultura e Pecuária (Seagro), com apoio do Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins), será responsável por contabilizar as perdas e orientar os produtores sobre os instrumentos de apoio disponíveis.
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O cenário ocorre no início do plantio da soja 2026/27 no estado. A semeadura está liberada desde 1º de outubro, mas ainda era pontual, segundo avaliação divulgada em 14 de outubro pela Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado do Tocantins (Aprosoja-TO). De acordo com o vice-presidente da entidade, Thiago Facco, houve chuva suficiente para o plantio em algumas microrregiões, principalmente no Vale do Araguaia, enquanto parte dos produtores seguia aguardando novas precipitações.
Segundo a Aprosoja-TO, com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a soja ocupa cerca de 1,6 milhão de hectares no Tocantins. A entidade espera pequeno aumento de área nesta temporada. Facco também citou taxa de juros elevada, dificuldade de crédito e nível de endividamento entre produtores como fatores de cautela neste ciclo.
Com a emergência decretada, o governo estadual passa a organizar a resposta à estiagem e o levantamento dos prejuízos no campo, enquanto a safra de soja avança de forma pontual em parte do Tocantins.
Fonte: Estadão Conteúdo
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