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China: quem está do outro lado da soja brasileira?

A China deixou de ser apenas o principal destino de produtos importantes do agronegócio brasileiro. O país asiático passou a influenciar o fluxo das exportações, a movimentação de portos e ferrovias e até as referências de preços que chegam ao produtor rural. Entender o que acontece do outro lado dessa cadeia se tornou, portanto, estratégico para quem produz no Brasil.
Em pouco mais de sete décadas, a China saiu de um cenário marcado pela pobreza para se consolidar como uma das maiores potências econômicas do mundo. Em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) chinês chegou a 140,2 trilhões de yuans, crescimento de aproximadamente 5% em relação ao ano anterior, conforme o Escritório Nacional de Estatísticas da China.
A transformação econômica também ampliou a participação chinesa no comércio internacional e estreitou a relação com o agronegócio brasileiro. Na soja, essa conexão é especialmente forte: milhões de toneladas atravessam o oceano todos os anos para abastecer a indústria chinesa, enquanto o Brasil depende do mercado asiático para uma parcela expressiva de suas exportações.
Para produtores brasileiros que participaram de uma expedição à China, a viagem também serviu para enxergar uma cadeia que, apesar da distância geográfica, está cada vez mais integrada. “Em se tratando de mercado da soja, Brasil e China só tem uma coisa que nos separa: é o oceano. Cinquenta dias de viagem. Na verdade, nós somos o mesmo mercado”, resume Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest Commodities.

Uma relação que vai além da soja
A dependência, porém, não funciona em apenas uma direção. Enquanto o Brasil abastece a China principalmente com produtos agrícolas, o país asiático tem papel importante no fornecimento de insumos utilizados pelas lavouras brasileiras.
A China é uma das principais fornecedoras de defensivos agrícolas e de produtos utilizados na produção de fertilizantes para o Brasil.
Na avaliação de Jeferson Souza, analista de fertilizantes da Agrinvest Commodities, essa relação faz da China um dos principais protagonistas também no mercado de insumos. “Nós vendemos para eles a nossa soja, vendemos proteína e compramos deles os nossos insumos”, destaca ao Canal Rural Mato Grosso.
O cenário ganha ainda mais peso diante da dependência brasileira das importações. O país produz menos de 20% dos fertilizantes que consome, o que deixa o produtor exposto às mudanças na oferta internacional e às decisões tomadas pelos grandes fornecedores.
Souza aponta que, nos últimos anos, questões relacionadas a patentes e às próprias políticas chinesas contribuíram para mudanças expressivas nos preços de determinados produtos. Na prática, as decisões tomadas na China podem chegar ao campo brasileiro antes mesmo de o produtor perceber a origem desse movimento.

O destino da soja brasileira
A força da China como compradora fica ainda mais evidente quando se observa o destino da soja exportada pelo Brasil. Em 2025, os chineses compraram 87 milhões de toneladas do produto brasileiro, volume equivalente a cerca de 80% das exportações brasileiras de soja naquele ano, de acordo com os dados apresentados durante a expedição acompanhada pela reportagem do Canal Rural Mato Grosso.
Depois de desembarcar no país asiático, a maior parte dessa soja segue para processamento. O farelo é destinado principalmente à produção de ração animal, enquanto o óleo abastece a indústria de alimentos e outros segmentos.
A China também possui produção própria, estimada em aproximadamente 20 milhões a 21 milhões de toneladas. Diferentemente da soja importada em grandes volumes para processamento, a produção local é convencional, ou seja, não transgênica, e tem parte relevante destinada ao consumo humano.
Cerca de 14 milhões de toneladas da soja produzida internamente são consumidas no próprio país. O grão está presente em alimentos tradicionais da dieta chinesa, como tofu e shoyu, além de outros produtos alimentícios. “Essa soja produzida na China é 100% não GMO, então é soja convencional”, pontua Vanin.
O consumo também aparece no cotidiano. Júlio Guan, guia turístico que acompanhou a expedição, conta que produtos derivados da soja fazem parte de sua alimentação. “No meu café da manhã eu como frango, suíno e leite de soja e tofu também. Produtor brasileiro que produz muita soja vende para a China, a gente come bastante”, relata.

O consumidor que o produtor brasileiro precisa conhecer
A dimensão dessa relação faz com que conhecer a China vá além de visitar o principal comprador da soja brasileira. Para quem está no campo, compreender os hábitos de consumo, as exigências e as transformações do mercado podem ajudar a antecipar mudanças que chegarão à produção.
Essa aproximação também permite entender como a soja brasileira é incorporada à cadeia de alimentos chinesa e quais produtos são gerados a partir dela. Para Vanin, conhecer esse processo é uma forma de ampliar a visão sobre o mercado e acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas no país asiático.
A percepção de quem participou da viagem é de que ainda existe uma distância entre a imagem que muitos brasileiros têm da China e a realidade encontrada no país. O agricultor Adelar José Marafon participou da expedição justamente para conhecer esse cenário de perto.
“A China na verdade é um tabu muito grande quando se fala dela, porque ela muita coisa é fechada. A gente ouve muitas versões daqui de dentro da China. Então eu estou aqui para realmente tirar as minhas conclusões, para ver o que realmente se fala e o que realmente acontece”, relata.

Parceria deve continuar estratégica
Para a China, a parceria com o Brasil também é considerada estratégica. Yin Ruifeng, vice-presidente de dados, analista e representante do Ministério da Agricultura da China, avalia que o país pretende manter uma relação estável com o Brasil nos próximos anos.
Ruifeng aponta que a China continuará demandando grandes volumes de produtos agrícolas brasileiros, especialmente commodities como soja, algodão e açúcar. O país considera o Brasil sua principal fonte de importação desses produtos a granel e espera manter essa participação em níveis elevados.
A representante chinesa também deixou uma mensagem aos produtores brasileiros: manter a qualidade e avançar em práticas sustentáveis será importante para preservar o espaço conquistado pelo Brasil no mercado chinês.
“Continuem produzindo produtos de alta qualidade para aumentar e manter essa boa relação entre a China e o Brasil, e sempre mantenham o desenvolvimento sustentável, uma agricultura e proteção ao meio ambiente”, ressalta Ruifeng.
A recomendação mostra que, além de volume e competitividade, atributos ligados à qualidade e à sustentabilidade tendem a ganhar importância na relação comercial. Para o produtor brasileiro, isso significa acompanhar não apenas os preços e a demanda, mas também as mudanças no perfil do consumidor e nas exigências do mercado.
A expedição também buscou aproximar quem produz de quem está na outra ponta da cadeia. Para Marcos Araújo, diretor da Agrinvest Commodities, essa conexão ajuda o produtor a compreender melhor o destino da produção brasileira.
“Isso nos deixa muito gratificante dessa nossa missão, pela vida também dessa conectividade, trazer a produção com o consumidor, cada vez mais próximo”, avalia. Ele acrescenta que conhecer esse mercado permite ao produtor saber onde a soja chega e quem está por trás da demanda.
A distância entre Brasil e China continua sendo de milhares de quilômetros, mas, na prática, os dois países estão cada vez mais conectados pelo agronegócio. A soja que sai das propriedades brasileiras abastece uma indústria gigantesca do outro lado do mundo, enquanto as decisões tomadas na China podem retornar ao campo na forma de preços, demanda e custos de produção.
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AgResource projeta safra recorde de soja do Brasil em 184,1 milhões de toneladas

A AgResource Brasil estima a safra nacional de soja 2026/27 em 184,1 milhões de toneladas. A projeção foi divulgada nesta terça-feira (1º), em São Paulo, e representa um recorde, com alta de 3,6 milhões de toneladas, ou 2,0%, sobre as 180,5 milhões de toneladas estimadas para 2025/26. O cálculo considera área estável na comparação entre as duas temporadas.
Segundo a consultoria, a projeção fica 1,9 milhão de toneladas abaixo das 186 milhões de toneladas projetadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A diferença, de acordo com a AgResource, decorre de duas premissas centrais: ausência de expansão de área em 2026/27 e desconto climático de 4,9 milhões de toneladas atribuído ao El Niño.
Com área estável, todo o crescimento estimado para a próxima safra viria de produtividade, e não de aumento de hectares cultivados. A consultoria afirma que a manutenção da área não está associada a uma leitura climática. Segundo a empresa, se a área não avançar em 2026/27, a explicação está em margem, custo e crédito.
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Do total descontado pelo efeito climático, o Matopiba responde por cerca de 3,9 milhões de toneladas, Mato Grosso por 2,7 milhões e Goiás por 1,0 milhão. Parte dessas perdas seria compensada por ganho de aproximadamente 2,5 milhões de toneladas no Rio Grande do Sul, no Paraná e em Santa Catarina.
Em nota, a AgResource afirmou que o El Niño não reduz a safra brasileira de forma linear, mas desloca a produção entre regiões do País. A consultoria também citou estudo anterior segundo o qual a expansão da soja ocorreu nos sete plantios sob eventos fortes de El Niño dentro de uma amostra de 47 safras.
A empresa destacou ainda que a primeira estimativa de safra deve ser tratada como uma faixa. No histórico de 18 safras, o erro absoluto médio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) frente ao resultado final foi de 5,5% em dezembro, 2,5% em março e 1,1% em maio.
A AgResource informou que revisará a projeção de 184,1 milhões de toneladas à medida que o plantio avance e conforme se confirme o regime de chuvas entre janeiro e março.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Greening registra menor avanço em 9 anos em cinturão citrícola

O greening registrou em 2026 a menor taxa de avanço dos últimos nove anos no cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro, conforme levantamento do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus).
O estudo mostra que a incidência passou de 47,63%, em 2025, para 48,08% neste ano, elevação de 0,45 ponto percentual, significativamente abaixo dos 3,28 pontos percentuais registrados anteriormente.
Mesmo com a pontual desaceleração, o cenário ainda exige cuidado. Principal doença dos citros no mundo, causa o amarelamento das folhas, a deformação e a queda prematura dos frutos em plantas cítricas, além de levar à morte da árvore afetada.
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Maior produtor individual de laranja do mundo, o estado de São Paulo responde por 80% de tudo o que o Brasil colhe e tem buscado manter uma estrutura permanente de enfrentamento ao greening. A ideia é reunir defesa agropecuária, assistência técnica, pesquisa e crédito para apoiar os produtores no manejo da doença, na renovação dos pomares e, quando necessário, na mudança de cultura.
Em 2025, o grupo de sucos foi o terceiro principal segmento das exportações do agronegócio do estado, com US$ 2,98 bilhões em vendas externas, dos quais 97,9% corresponderam ao suco de laranja.
“Estamos falando de uma das cadeias mais importantes do agro paulista, de uma atividade em que São Paulo exerce uma liderança absoluta e que tem peso significativo na nossa balança comercial, geração de empregos e desenvolvimento regional. Esse resultado é positivo, mas aumenta ainda mais a nossa responsabilidade de manter uma política permanente de sanidade, pesquisa e apoio ao produtor”, afirma o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho.
Em 2025, a Defesa Agropecuária inspecionou aproximadamente 222,7 milhões de plantas e eliminou cerca de 4,42 milhões.
As equipes fiscalizam propriedades, acompanham a situação sanitária dos pomares, atuam no controle da produção e comercialização de mudas e verificam o cumprimento das medidas destinadas à eliminação de plantas contaminadas e ao controle do psilídeo, inseto vetor da bactéria causadora do greening.
“O enfrentamento do greening exige atuação permanente e integrada. Entre 2024 e 2025, o avanço da doença desacelerou, refletindo os resultados das ações de manejo e fiscalização. Em parceria com o Instituto BioSistêmico (IBS), a Defesa Agropecuária utiliza ferramentas de inteligência e análise territorial para priorizar áreas de maior risco, otimizar as inspeções e fortalecer a proteção da citricultura paulista”, relata a diretora da Defesa Agropecuária, Erika Ramos Mello.
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96% da área de cacau no Brasil está apta a exportar para a UE, diz Abicab

A crescente demanda por rastreabilidade e comprovação da origem sustentável da matéria-prima tende a ampliar a competitividade do cacau brasileiro no mercado europeu. A avaliação é do presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab), Jaime Recena.
A fala do executivo aconteceu durante a ExpoCacau 2026, realizada entre 25 e 27 de agosto, na Bahia.
Segundo ele, 96% da área atual de cacau no Brasil está apta a produzir para exportação à União Europeia, reforçando o potencial do país em ampliar sua presença no mercado internacional.
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“O Brasil tem condições únicas de atender às exigências de sustentabilidade e rastreabilidade do mercado europeu. Isso nos coloca em posição estratégica para ampliar nossa participação e transformar a sustentabilidade em vantagem competitiva”, afirmou Recena.
O tema foi discutido no episódio “Cacau do futuro: ciência, sustentabilidade e bioeconomia para gerar valor no campo”, parte da programação do podcast da Nestlé na ExpoCacau 2026.
Entre os destaques da cacauicultura nacional estão a capacidade de rastreabilidade da produção e o potencial de expansão do cultivo em áreas já degradadas. No Pará, por exemplo, 80% da área plantada com a amêndoa está localizada em áreas desmatadas até 1998, contribuindo para a recuperação da paisagem, melhoria da estrutura do solo, aumento da matéria orgânica e sequestro de carbono.
Nesse cenário, Recena enfatizou que a sustentabilidade ganha também uma dimensão comercial: além de contribuir para a conservação ambiental e geração de renda no campo, práticas de produção e rastreabilidade se tornam diferenciais estratégicos para o acesso a mercados internacionais.
Em 2025, o Brasil exportou 90,3 mil toneladas de produtos da cadeia do cacau, movimentando US$ 804,9 milhões, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
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