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Mercado de inoculantes mantém crescimento mesmo com produtor sem margem

O mercado brasileiro de inoculantes tem mantido trajetória de crescimento em 2026, mas passa por uma dinâmica diferente da observada durante os períodos de expansão mais acelerada do segmento. A avaliação é do diretor comercial da Agrocete, Guilherme de Figueiredo.
Para ele, tecnologias já consolidadas, como as baseadas em Bradyrhizobium e Azospirillum, enfrentam maior competição e pressão sobre os preços, enquanto a adoção de novas soluções ocorre de maneira gradual.
Segundo o executivo, mesmo diante de um cenário onde o produtor enfrenta margens mais apertadas, a expectativa do setor é de que os investimentos em inoculação sejam mantidos. A leitura é acompanhada pela própria projeção da companhia para 2026, de crescimento de aproximadamente 10% em seus negócios de inoculantes em relação ao ano anterior.
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“O cenário sucede um período de forte expansão do setor e, embora esse mercado siga em crescimento, os produtos à base de Bradyrhizobium e Azospirillum passam por uma nova dinâmica. Nesse ambiente de maior pressão sobre preços e competitividade, o produtor deve dar maior importância ao planejamento, à escolha de tecnologias confiáveis e à busca por resultados no campo”, avalia Figueiredo.
Mercado de biológicos

Dados da Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (Anpii Bio), compilados pela Scot Consultoria, mostram que as empresas associadas à entidade entregaram 205,6 milhões de doses em 2024, ante 148 milhões em 2023, crescimento de 28,1%.
Em valor, as vendas chegaram a R$ 527,5 milhões, alta de 10,5% sobre o ano anterior. Para 2025, a entidade estimava crescimento de 12,4% nas vendas.
Na análise por microrganismos, em 2024 os produtos à base de Bradyrhizobium responderam por 57% das vendas e 77% das doses entregues, enquanto os formulados com Azospirillum representaram 29% das comercializações e 21% das doses.
Para o executivo da Agrocete, a concentração nessas tecnologias demonstra o grau de consolidação alcançado pelo mercado, que passa a operar sob maior pressão competitiva e redução de preços.
De acordo com ele, entre os fatores que explicam esse movimento estão a antecipação de vendas em campanhas comerciais, a necessidade das empresas de manter o crescimento em volume, a entrada de novos players e estratégias de composição de portfólio.
Outro movimento observado neste ano é a manutenção de um comportamento de compra próximo ao registrado em 2025, com decisões concentradas no período que antecede o plantio, o que pode pressionar o abastecimento de determinados produtos.
“Caso os produtores não antecipem suas programações, há risco de falta de produtos nas próximas três semanas. Como a disponibilidade de determinados inoculantes é limitada, o planejamento passa a ser importante para garanti-los dentro da janela adequada de utilização”, alerta o executivo.
O cenário de margens mais apertadas também coloca em discussão a racionalização dos investimentos no campo. Para Figueiredo, porém, a inoculação tende a ser preservada, diante da relação entre o custo da tecnologia e sua contribuição para o estabelecimento da cultura.
A expectativa de manutenção dos investimentos em inoculação, mesmo em um cenário de margens mais apertadas, sustenta a perspectiva de continuidade do crescimento do mercado nos próximos anos.
O diretor da Agrocete acredita que esse avanço, porém, tende a assumir novas formas à medida que as tecnologias tradicionais se consolidam, com espaço crescente para soluções biológicas que agreguem diferentes funções e ampliem suas aplicações no manejo.
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ENAPecan será realizado em novembro após safra de recuperação da noz-pecã no RS

O III Encontro Nacional da Pecanicultura (ENAPecan) será realizado nos dias 12 e 13 de novembro, na Fundação Casa das Artes, em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. A apresentação do evento ocorreu nesta quarta-feira (21), durante a celebração do 8º aniversário do Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan). A programação será realizada em um momento de recuperação da safra de noz-pecã no estado.
Durante a apresentação, a vice-presidente do Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan), Maria Teresa De Carli, destacou que os encontros anteriores ocorreram em Encruzilhada do Sul e Cachoeira do Sul, em realidades diferentes da produção gaúcha. Segundo ela, a pecanicultura reúne desde a agricultura familiar até grandes produtores.
Maria Teresa afirmou que a integração entre os elos da cadeia é um dos objetivos centrais do encontro. A proposta é reunir produtores, agroindústria e demais participantes do setor para ampliar a troca de conhecimento e fortalecer a busca por políticas públicas voltadas à atividade.
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O extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Antônio Borba, apresentou os números da produção de noz-pecã no Rio Grande do Sul. De acordo com ele, o estado soma mais de 7,2 mil hectares cultivados e mais de 5,6 mil hectares colhidos na safra 2025/2026. A produção neste ciclo ficou entre 6 mil e 7 mil toneladas, com rendimento entre 1 mil e 1,2 mil quilos por hectare.
Borba classificou o resultado como uma safra de recuperação pós-enchente. Já o pesquisador da Embrapa, Carlos Martins, informou que os painéis e palestras do ENAPecan terão como eixos centrais mercado, qualidade, produtividade e apresentação de cases de sucesso na pecanicultura. Segundo ele, o eixo 5 será voltado à inovação técnica de alternativas de cultivo e produtividade.
A programação será encerrada com visita à propriedade da família Cantelli.
O ENAPecan é promovido pelo IBPecan, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Emater/RS-Ascar e Prefeitura de Bento Gonçalves, com correalização da Pecantelli, Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) Campus Bento Gonçalves e Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), por meio do Pró-Pecã, além de apoio do Sebrae e Senac. As inscrições estão disponíveis no site do evento.
Fonte: agricultura.rs.gov.br
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Escassez de ofertas nos portos e distância entre preços limitam negócios

O mercado brasileiro de soja apresentou poucas alterações nesta quarta-feira (21), com negociações lentas e pequenas oscilações nas cotações do mercado físico. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a sessão foi marcada pela participação reduzida de compradores e vendedores, pela escassez de ofertas nos portos e pelo afastamento dos produtores da comercialização.
Segundo Silveira, houve maior presença de ofertas de compra por parte das indústrias, mas os valores indicados permaneceram abaixo das expectativas dos vendedores, dificultando a realização de negócios. “As indústrias apareceram mais na ponta compradora, mas os bids ficaram abaixo do que o vendedor espera”, observa o analista.
Os prêmios de exportação permaneceram sem mudanças relevantes, enquanto o mercado físico registrou estabilidade na maior parte das praças, com recuos pontuais no Rio Grande do Sul. Sem maior participação dos produtores, a movimentação seguiu limitada ao longo do dia.
Confira os preços da soja no Brasil:
- Passo Fundo (RS): recuou de R$ 145,00 para R$ 144,00
- Santa Rosa (RS): recuou de R$ 146,00 para R$ 145,00
- Cascavel (PR): manteve em R$ 140,00
- Rondonópolis (MT): manteve em R$ 139,00
- Dourados (MS): manteve em R$ 139,00
- Rio Verde (GO): manteve em R$ 138,00
- Paranaguá (PR): manteve em R$ 151,00
- Rio Grande (RS): recuou de R$ 152,00 para R$ 151,00
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja fecharam em baixa na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) nesta quarta-feira. Esta foi a oitava sessão consecutiva de perdas, levando as cotações ao menor nível desde agosto. O principal fator de pressão foi o avanço da colheita nos Estados Unidos, favorecido pela previsão de clima favorável.
A perspectiva de entrada da maior safra da história norte-americana no mercado superou até mesmo o bom ritmo das vendas dos Estados Unidos. Nesta quarta-feira, exportadores privados comunicaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 134 mil toneladas de soja para a China e de 165 mil toneladas para a Espanha.
Ainda no mercado chinês, a estatal Sinograin anunciou que realizará um leilão de 512 mil toneladas de soja importada em 27 de outubro.
Contratos futuros de soja
Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com baixa de 3,00 centavos de dólar, ou 0,24%, a US$ 12,45 1/4 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 12,58 1/4 por bushel, com retração de 5,25 centavos de dólar, ou 0,41%.
Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com baixa de US$ 0,40, ou 0,11%, a US$ 348,30 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 65,97 centavos de dólar por libra-peso, com perda de 0,76 centavo, ou 1,13%.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,17%, negociado a R$ 5,0265 para venda e a R$ 5,0245 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0115 e a máxima de R$ 5,0425.
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Bancos podem tomar safra sem ação judicial com mudança de cédula rural, alerta Federarroz

A Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Federarroz) emitiu nota nesta quarta-feira (21) em que orienta os produtores rurais a redobrar a atenção aos contratos de financiamento da produção agrícola.
O alerta se dá pela substituição da tradicional Cédula Rural Pignoratícia pela Cédula de Crédito Bancário com alienação fiduciária da safra. A entidade manifesta preocupação com a mudança nas garantias exigidas pelas instituições financeiras.
Segundo o Departamento Jurídico da Federação, a alteração já foi identificada em inúmeros casos e modifica a posição jurídica do agricultor na relação com o agente financeiro. Na avaliação da entidade, a principal diferença está na transferência da propriedade dos grãos oferecidos como garantia, em substituição ao modelo tradicional de penhor rural.
O documento alerta que, em caso de atraso no pagamento do financiamento, a instituição credora poderá se apropriar da produção sem necessidade de ação judicial.
Conforme a interpretação apresentada pela Federarroz, o procedimento pode ocorrer mediante a consolidação da propriedade dos grãos no Cartório de Registro de Títulos e Documentos, permitindo posteriormente a venda da safra a terceiros, sem realização de leilão ou avaliação prévia.
A orientação da Federação é para que os agricultores examinem as condições dos contratos antes da assinatura, especialmente as cláusulas relacionadas às garantias e às consequências de eventual inadimplência.
Na nota, assinada pelo presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, pelo vice-presidente Roberto Fagundes Ghigino e pelo diretor jurídico Anderson Belloli, considera-se que a utilização da alienação fiduciária altera de maneira significativa os direitos do produtor sobre a safra vinculada à operação de crédito.
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