Sustentabilidade
Mercado de soja fecha semana travado no Brasil e Chicago sobe com foco no clima dos EUA

O mercado brasileiro de soja encerrou a semana sem grandes movimentações, em um ambiente de pequenas oscilações nas cotações e pouca disposição para novos negócios. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Rafael Silveira, as melhores ofertas continuaram concentradas em pagamentos mais alongados.
A indústria apresentou demanda um pouco melhor ao longo da sessão, enquanto nos portos o ritmo permaneceu mais calmo. Com o feriado nos Estados Unidos na segunda-feira, a Bolsa de Chicago teve baixo volume de negócios, o que também contribuiu para uma postura mais defensiva dos agentes.
”Ninguém quis se expor”, resume Silveira. Segundo o especialista, tanto os players quanto os produtores seguiram mais afastados, com retenção de ofertas de grandes volumes.
Preços de soja no Brasil
- Passo Fundo (RS): avançou de R$ 123,50 para R$ 124,00
- Santa Rosa (RS): aumento de R$ 124,50 para R$ 125,00
- Cascavel (PR): cotações passaram de R$ 119,00 para R$ 120,00
- Rondonópolis (MT): preços seguiram em R$ 110,00
- Dourados (MS): cotações seguiram em R$ 113,50
- Rio Verde (GO): permaneceu em R$ 112,00
- Paranaguá (PR): manteve em R$ 130,00
- Rio Grande (RS): cotações subiram de R$ 129,50 para R$ 130,00
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja fecharam em leve alta nesta sexta-feira (22) na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), ampliando a alta semanal. Com o feriado da segunda-feira nos Estados Unidos, os participantes optaram por posicionar suas carteiras.
A previsão climática segue indicando condições favoráveis ao avanço do plantio e desenvolvimento das lavouras americanas. Por enquanto, o sentimento é de safra cheia nos Estados Unidos, ampliando a oferta global da oleaginosa. Ao final das temporadas, Brasil e Argentina têm revisado suas estimativas para cima.
Destaque nesta semana para a revisão na projeção para a produção argentina anunciada pela Bolsa de Cereais de Buenos Aires. A estimativa passou de 48,6 milhões para 50,1 milhões de toneladas.
O governo da Argentina anunciou uma possível redução dos direitos de exportação (DEX) para a soja a partir de janeiro de 2027, condicionada ao desempenho da arrecadação e à eventual reeleição presidencial. A proposta prevê uma redução gradual das alíquotas entre 0,25% e 0,50%
ao mês.
Segundo o analista Agustín Geier, da Safras & Mercado, a medida não deve provocar movimentos relevantes nos preços da soja devido a diversos fatores. “O ajuste não está 100% garantido, pois depende do desempenho da economia em geral. Além disso, como se trata de uma alíquota inicial muito baixa, a tradução para valores reais hoje representa uma mudança de apenas US$ 1 por tonelada, afirmou.
Para a próxima semana, além da questão do clima nos Estados Unidos, outros dois fatores seguem no radar dos agentes. O primeiro é a possibildade de um acordo entre Estados Unidos e Irã, visando uma solução no Oriente Médio. O mercado também aguarda mais detalhes sobre o acordo anunciado no início desta semana envolvendo compras de produtos agrícolas americanos pela China.
Contratos futuros de soja
Os contratos da soja em grão com entrega em julho fecharam com alta de 2,25 centavos de dólar, ou 0,18%, a US$ 11,96 1/2 por bushel. A posição agosto teve cotação de US$ 11,95 por bushel, com elevação de 1,50 centavo de dólar ou 0,12%.
Nos subprodutos, a posição julho do farelo fechou com alta de US$ 3,50 ou 1,06% a US$ 331,90 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em julho fecharam a 73,98 centavos de dólar, com ganho de 0,11 centavo ou 0,14%.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,55%, sendo negociado a R$ 5,0283 para venda e a R$ 5,0263 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,9971 e a máxima de R$ 5,0311. Na semana, a moeda recuou 0,75%.
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Sustentabilidade
Lavouras de milho mantém bom potencial produtivo em Mato Grosso do Sul; colheita da segunda safra alcança 2,8% da área – MAIS SOJA

O monitoramento realizado pelo Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS com recursos do Fundems/Semadesc, aponta que que 70,8% das lavouras de milho segunda safra 2025/2026 apresentam boas condições de desenvolvimento. Outros 18,3% estão em condição regular e 10,9% foram classificados como ruins. O levantamento também aponta que, até 3 de julho, a colheita começou de forma gradual no Estado e atingiu 2,8% da área acompanhada, o equivalente a aproximadamente 46 mil hectares.
As regiões Norte e Nordeste concentram os melhores índices de qualidade das lavouras. Na Região Norte, 92,1% das áreas são classificadas como boas, enquanto na Região Nordeste esse percentual chega a 82,9%. Também apresentam predominância de boas condições as regiões Oeste (79,4%), Sudoeste (73,6%) e Sudeste (72,8%).
Na região Centro, 57,9% das lavouras estão em boas condições, enquanto 23,8% foram classificadas como ruins, reflexo principalmente dos riscos climáticos registrados ao longo do ciclo. Já na região Sul, 64,1% das áreas apresentam boas condições e 31% são consideradas regulares. Na região Sul-Fronteira, 62,3% das lavouras permanecem em boas condições, embora haja preocupação com os efeitos das geadas registradas entre os dias 24 e 26 de junho.
De acordo com o coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, o cenário ainda é favorável para a cultura, mas a atenção permanece voltada para as condições climáticas durante a reta final do ciclo e o avanço da colheita.
“Continuamos monitorando os impactos localizados provocados pela estiagem e pelas geadas, especialmente na região Sul-Fronteira. Neste momento, o acompanhamento técnico é fundamental para avaliar possíveis reflexos sobre a produtividade”.
Colheita avança lentamente
O levantamento do SIGA-MS mostra que a colheita ocorre de forma mais avançada nas regiões Centro e Sul, ambas com média de 3,1% da área colhida. Na região Norte, os trabalhos ainda estão no início, com apenas 0,2% das áreas colhidas.
“As chuvas acima da média em importantes regiões produtoras retardaram o início da colheita. Além disso, historicamente o milho apresenta umidade mais elevada nesse período, o que naturalmente posterga a entrada das máquinas no campo. A expectativa é que os trabalhos ganhem intensidade a partir da segunda quinzena de julho”, afirma Gabriel.
A estimativa da Aprosoja/MS para a segunda safra 2025/2026 permanece em 2,206 milhões de hectares cultivados, com produtividade média projetada de 84,2 sacas por hectare e produção estimada em 11,139 milhões de toneladas.
O monitoramento do Projeto SIGA-MS segue acompanhando semanalmente a evolução das lavouras e da colheita em todas as regiões produtoras de Mato Grosso do Sul, fornecendo informações técnicas para produtores, mercado e demais agentes do setor.
Mais informações sobre as lavouras podem ser obtidas clicando aqui.
Fonte: Aprosoja/MS
Autor:Crislaine Oliveira (Assessoria de Comunicação da Aprosoja/MS)
Site: Aprosoja/MS
Sustentabilidade
Próxima safra exige mais gestão de riscos diante de crédito caro e clima extremo – MAIS SOJA

O agronegócio brasileiro inicia o planejamento da próxima safra diante de um cenário cada vez mais complexo. Embora o Brasil mantenha posição de destaque entre os maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo, produtores rurais convivem com uma combinação de fatores que eleva a incerteza sobre os investimentos no campo, a exemplo do crédito com juros altos, eventos climáticos extremos e dificuldades de acesso ao Seguro Rural.
Especialistas avaliam que esse conjunto de desafios deverá influenciar diretamente as decisões sobre aquisição de máquinas, expansão das áreas cultivadas, adoção de novas tecnologias e estratégias de gestão de risco nos próximos meses. O planejamento agrícola passou a incorporar, além dos preços das commodities, variáveis econômicas, climáticas e financeiras que impactam diretamente a rentabilidade das propriedades.
Crédito cresce, mas investimentos perdem ritmo
Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), elaborados com base nas informações do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central, mostram que as contratações de crédito rural para a agricultura empresarial continuam em expansão. Apesar do crescimento no volume contratado, o próprio governo observa uma desaceleração nas operações destinadas a investimentos, reflexo do aumento do custo do financiamento e da maior cautela dos produtores diante do cenário econômico.
Nesse contexto, instrumentos privados como a Cédula de Produto Rural (CPR) vêm ganhando importância como alternativa para complementar o financiamento da atividade agropecuária, reduzindo a dependência exclusiva do crédito oficial.
Seguro Rural torna-se um dos principais obstáculos
Além do crédito, outro fator que preocupa o setor é o acesso ao Seguro Rural. O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, subsidia parte do custo da contratação das apólices e é considerado um dos principais instrumentos de gestão de risco da atividade agropecuária brasileira.
Embora o programa seja estratégico para proteger a renda dos produtores, entidades do setor têm alertado que os recursos disponíveis frequentemente não são suficientes para atender toda a demanda nacional, especialmente em anos de maior risco climático. O próprio Mapa disponibiliza, por meio do Atlas do Seguro Rural, dados públicos sobre a contratação das apólices, valores subvencionados e indenizações pagas.
Em 2026, o orçamento destinado ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural sofreu bloqueio de R$ 461,7 milhões, equivalente a 45,7% dos recursos inicialmente previstos para a política pública, aumentando a preocupação de produtores, seguradoras e cooperativas quanto à disponibilidade de cobertura para a próxima safra.
Sem uma cobertura adequada, muitos produtores acabam assumindo integralmente os prejuízos provocados por secas, geadas, enchentes, granizo ou ondas de calor, comprometendo sua capacidade de investimento na safra seguinte e elevando o risco de endividamento.
Clima amplia riscos
As mudanças climáticas vêm aumentando a frequência de eventos extremos em diversas regiões produtoras, tornando o planejamento agrícola cada vez mais dependente de informações meteorológicas, manejo conservacionista, irrigação e tecnologias de adaptação.
Tecnologia ganha protagonismo
Com margens de lucro mais pressionadas, cresce a adoção de tecnologias como agricultura de precisão, drones, inteligência artificial, sensores e softwares de gestão para otimizar o uso de insumos, reduzir desperdícios e aumentar a produtividade. Nesse cenário, startups especializadas em gestão de riscos ganham espaço, como a Agroboard, startup Premium do SNASH (SNA Startup Hub), cuja plataforma integra informações comerciais, financeiras e operacionais, permitindo o monitoramento de contratos, precificação, operações de hedge e indicadores de mercado em tempo real.
“Considero muito importante o produtor entender, principalmente, que gestão de riscos é um processo. Ela é uma cultura; uma atividade que o produtor precisa fazer todo santo dia. Ele deve revisar dados, olhar mercado e suas posições de forma agregada, debater com um consultor ou alguém que também possa auxiliar dentro desse processo e monitorar dentro da Agroboard”, afirmou Danilo Lombardi, CEO da Agroboard. Segundo ele, decisões baseadas em dados, custos de produção e tendências de mercado são fundamentais. “O mais importante para o produtor é que lucro bom é lucro no bolso.”
Lombardi explica que a plataforma oferece ferramentas para formação de preços, acompanhamento de compras, vendas, operações de barter e rentabilidade, permitindo proteger os resultados do negócio. “Num momento que o mercado está, principalmente com um ano que tem se confirmado um ano de super El Niño, que vai se estender até o ano que vem, ou seja, a gente tem um risco climático muito grande. Além disso, ainda estamos passando por turbulências geopolíticas mundiais e muitas incertezas”, ressaltou, destacando que a gestão de riscos precisa fazer parte da rotina do produtor para enfrentar um cenário cada vez mais desafiador.
Competitividade dependerá da capacidade de adaptação
Mesmo diante dos desafios, especialistas avaliam que o Brasil continuará ocupando posição estratégica no abastecimento global de alimentos. Entretanto, a competitividade do agronegócio dependerá cada vez mais da combinação entre acesso ao crédito, fortalecimento do seguro rural, inovação tecnológica e capacidade de adaptação às mudanças climáticas, fatores que deverão orientar o planejamento das próximas safras.
Fonte: SNA – Por Larissa Machado / larissamachado@sna.agr.br
Sustentabilidade
Mercado brasileiro de milho deve ter mais um dia de preços estáveis – MAIS SOJA

O mercado brasileiro de milho deve ter um dia de estabilidade nos preços. Os consumidores e produtores seguem aguardando o avanço das colheitas da safrinha, deixando pouca margem para uma evolução consistente na comercialização doméstica do cereal. No cenário internacional, a Bolsa de Chicago opera em baixa, enquanto o dólar cai frente ao real.
O mercado brasileiro de milho teve uma quarta-feira de cotações estáveis mais uma vez. Segundo o analista de Safras & Mercado, Paulo Molinari, o mercado esteve um pouco mais calmo com a baixa do cereal na Bolsa de Chicago e no câmbio. A expectativa segue pelo avanço da colheita da safrinha.
No Porto de Santos, o preço ficou entre R$ 65,00/69,00 a saca (CIF). Já no Porto de Paranaguá, cotação entre R$ 64,50/68,00 a saca.
No Paraná, a cotação ficou em R$ 58,00/60,00 a saca em Cascavel. Em São Paulo, preço de R$ 57,00/58,00 na Mogiana. Em Campinas CIF, preço de R$ 65,00/66,00 a saca.
No Rio Grande do Sul, preço ficou em R$ 67,00/69,00 a saca em Erechim. Em Minas Gerais, preço em R$ 58,00/60,00 a saca em Uberlândia. Em Goiás, preço esteve em R$ 54,00/55,00 a saca em Rio Verde – CIF. No Mato Grosso, preço ficou a R$ 54,00/56,00 a saca em Rondonópolis.
CHICAGO
* Os contratos com entrega em dezembro operam com recuo de 5,00 centavos de dólar, ou 1,09%, cotados a US$ 4,51 1/4 por bushels.
* O mercado é pressionado pela melhora das condições climáticas no Meio-Oeste dos Estados Unidos e pelo movimento de realização de lucros após a forte valorização registrada nas últimas sessões. As previsões indicam chuvas mais abrangentes e temperaturas moderadas durante a fase de polinização das lavouras, reduzindo as preocupações com possíveis perdas de produtividade e, consequentemente, o prêmio de risco climático incorporado aos preços.
* Além disso, os investidores ajustam posições antes da divulgação do relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), prevista para sexta-feira (10), às 13h. O documento poderá trazer revisões para a produção, os estoques e a demanda da temporada 2026/27.
* De acordo com a média das estimativas de analistas consultados por agências internacionais, o USDA deverá projetar a safra norte-americana em 15,967 bilhões de bushels, ligeiramente abaixo dos 15,995 bilhões estimados em junho. Os estoques finais da safra 2026/27 também são esperados em 1,855 bilhão de bushels, ante 1,957 bilhão na projeção anterior, fatores que mantêm o mercado atento à divulgação dos números oficiais.
* Ontem (8), os contratos de milho com entrega em setembro fecharam a US$ 4,35, com recuo de 9,75 centavos, ou 1,97% em relação ao fechamento anterior. A posição dezembro fechou a sessão a US$ 4,56 por bushel, com baixa de 8,00 centavos, ou 1,72% em relação ao fechamento anterior.
CÂMBIO
* O dólar comercial registra baixa de 0,16%, a R$ 5,1381. O Dollar Index registra recuo de 0,06%, a 100.93 pontos.
INDICADORES FINANCEIROS
* As principais bolsas na Europa operam com índices mistos. Paris, +0,49%. Frankfurt, +0,39%. Londres, -0,52%.
* As principais bolsas da Ásia operaram altas. Xangai, +1,65%. Japão, +1,38%.
* O petróleo opera com alta. Agosto do WTI em NY: US$ 73,88 o barril (+0,48%).
AGENDA
15:00 – Relatório de condições das lavouras da Argentina – Ministério da Agricultura.
15:00 – Dados de desenvolvimento das lavouras argentinas – Bolsa de Cereais de Buenos Aires.
16:00 – Dados de desenvolvimento das lavouras no RS – Emater, na parte da tarde.
—–Sexta-feira (10/07)
03:00 – Alemanha: Índice de Preços ao Consumidor (CPI, junho).
09:00 – IPCA e INPC de junho/IBGE.
13:00 – Relatório de junho de oferta e demanda mundial e dos EUA de grãos (Wasde)/USDA.
16:00 – Dados de evolução das lavouras do Mato Grosso – IMEA.
Autor/Fonte: Pedro Carneiro (pedro.carneiro@safras.com.br) / Safras News
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