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UE endurece regras e canetas emagrecedoras abrem nova frente para o agro; ASSISTA

A suspensão das exportações brasileiras de carne bovina, aves, equinos e mel para a União Europeia dominou os debates do novo episódio do videocast Radar Rural. A medida, anunciada pelo bloco europeu e prevista para entrar em vigor em setembro, levantou preocupações no setor produtivo e reacendeu discussões sobre protecionismo comercial.
O episódio também detalha o adiamento das regras do Prodes para o crédito rural e mostra como a nova fase do Desenrola Rural pode garantir o fôlego financeiro necessário para a Safra 2026/27. Outro destaque é o crescimento global do uso de canetas emagrecedoras e o impacto no agronegócio.
Brasil já proibiu antimicrobianos criticados pela UE
Durante o episódio, foi lembrado que o Brasil publicou, no fim de abril, uma portaria que proíbe o uso de antimicrobianos considerados relevantes para a saúde humana e animal como melhoradores de desempenho na pecuária.
Também foi destacado que medicamentos veterinários utilizados para tratamento de doenças seguem protocolos sanitários e exigem período de carência antes do abate dos animais.
A estimativa é de que as restrições possam provocar prejuízos bilionários às exportações brasileiras caso avancem, mas entidades do setor e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) trabalham para reverter a medida.
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Desenrola Rural ganha nova etapa
Outro tema debatido foi a nova fase do Desenrola Rural, incluída no pacote do Desenrola Brasil 2.0. A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, afirmou ao Canal Rural que o objetivo é ampliar a renegociação de dívidas de produtores rurais antes do lançamento do Plano Safra 2026/27.
Cerca de 500 mil agricultores e trabalhadores rurais renegociaram débitos na primeira fase da iniciativa. Grande parte das dívidas ficava abaixo de R$ 10 mil. Além disso, a expectativa do governo é recuperar aproximadamente 200 mil produtores até o próximo Plano Safra.
Apesar da ampliação do programa, especialistas em crédito rural avaliam que as medidas ajudam momentaneamente, mas não resolvem o problema estrutural do endividamento no campo.
Exigências do Prodes para crédito rural são adiadas
O episódio também abordou o adiamento das exigências ambientais ligadas ao Prodes para concessão de crédito rural na Amazônia Legal.
Desde abril, bancos passaram a enfrentar dificuldades para validar informações de monitoramento ambiental por satélite exigidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O problema gerou uma série de falsos positivos envolvendo áreas rurais.
Com isso, o governo decidiu escalonar a obrigatoriedade da checagem ambiental entre 2027 e 2028, conforme o tamanho das propriedades rurais.
Canetas emagrecedoras impactam o agro
Na reta final do programa, o Radar Rural discutiu os impactos das chamadas canetas emagrecedoras no agronegócio mundial.
Nesse cenário, um estudo da Cogo Inteligência em Agronegócio projeta crescimento no consumo global desses medicamentos até 2030, impulsionado pela quebra de patentes e aumento da oferta.
A avaliação é que o movimento pode abrir oportunidades para o Brasil ampliar exportações de proteínas animais e também elevar a demanda por milho e farelo de soja, principais insumos da ração animal.
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Prêmio pagará R$ 230 mil por melhor iniciativa agropecuária

A Fundación Mapfre, organização sem fins lucrativos da companhia global de seguros, está com inscrições abertas até o dia 25 de maio para a quarta edição de seu Prêmio à Melhor Iniciativa Agropecuária.
Os vencedores pelo projeto ganhador nos âmbitos social, ambiental e de relevância econômica local recebem 40 mil euros (R$ 233,5 mil, na cotação atual).
De caráter bienal e com âmbito mundial, a premiação busca reconhecer e estimular empresários, produtores e profissionais do setor agropecuário a inovar em suas organizações com consequente melhora na rentabilidade.
O regulamento estipula que podem concorrer os produtores agropecuários ou agroindustriais, independentemente de sua organização e/ou forma jurídica, de projetos individuais ou familiares, de cooperativas e associações, que se destacam pela criação e implementação de iniciativas inovadoras, seja na produção, transformação e/ou comercialização de seus produtos durante os dois últimos anos.
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De acordo com a Fundación Mapfre, a iniciativa também é voltada a quem tenha aprimorado os padrões de controle de qualidade e segurança em sua cadeia produtiva; bem como aos atores que otimizaram o uso de recursos, garantindo sua sustentabilidade a longo prazo; e que contribuam para o desenvolvimento de um modelo econômico mais competitivo, sustentável e territorialmente equilibrado.
Os critérios de seleção para escolha do melhor candidato são:
- Contribuição do projeto para a atividade econômica do território onde é desenvolvido;
- Contribuição do projeto para a digitalização do setor agropecuário;
- Sustentabilidade do projeto nos aspectos econômico, ambiental e sociocultural;
- Contribuição para a empregabilidade, incluindo pessoas de grupos em risco de exclusão social ou qualquer tipo de discriminação;
- Existência de um plano de gestão de riscos;
- Apoio de instituições locais, regionais ou nacionais que respaldem a candidatura.
O prêmio será entregue em uma cerimônia pública, prevista para o último trimestre de 2026. As inscrições podem ser feitas aqui.
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Juros americanos ligam o ímã de dólares

Nos últimos meses, o debate econômico no Brasil parece resumido a uma eterna queda de braço política. De um lado, acusa-se o governo de gastar demais. De outro, critica-se o Banco Central pelos juros altos.
Embora a responsabilidade fiscal doméstica seja vital, focar apenas no cenário interno é um erro. Explicar a recente desvalorização do Real apenas por Brasília é olhar para a gota d’água e ignorar o oceano.
A verdade sobre o dólar alto está bem longe do Brasil. Ela nasce em Nova York e se espalha por um planeta afogado em dívidas.
O ímã do dinheiro global: entenda por que a alta dos juros nos Estados Unidos suga os dólares de países como o Brasil, forçando a desvalorização do Real
Para entender a raiz do problema, precisamos olhar para as chamadas Treasuries de 10 anos. Esses papéis são os títulos da dívida pública do governo dos Estados Unidos.
Considerados o investimento mais seguro do mundo, esses títulos viram sua rentabilidade disparar para a faixa de 4,60%. Esse é o maior patamar registrado desde 2007.
Quando o governo americano decide pagar mais juros, um magnetismo financeiro global entra em ação. O mecanismo por trás disso é puramente matemático.
Imagine um investidor estrangeiro que mantém seu dinheiro no Brasil, correndo os riscos naturais de um mercado emergente. De repente, a maior potência econômica do planeta oferece um retorno historicamente alto e garantido em dólares.
O resultado é imediato. O capital internacional arruma as malas e viaja de volta para a segurança da economia americana.
A debandada do agro: além do efeito dos juros, a forte queda no preço das commodities agrícolas faz o investidor abandonar os grãos e correr para os papéis de curto prazo mais fortes
Para piorar esse cenário de fuga, presenciamos uma forte queda no preço das commodities agrícolas. Percebendo a perda de fôlego desse mercado, os investidores deixam os contratos de grãos e alimentos para trás e correm exatamente em busca de papéis mais fortes e seguros.
Como consequência direta dessa dupla debandada, há muito menos dólares circulando no mercado brasileiro. Pela lei da oferta e da procura, a moeda americana encarece e o Real desvaloriza.
A bomba-relógio de US$ 350 trilhões: o planeta nunca esteve tão endividado, e o custo para manter essa montanha de compromissos viva disparou
A situação ganha contornos dramáticos quando adicionamos o ingrediente mais perigoso da atualidade: o endividamento global. O planeta acumula hoje uma dívida astronômica na casa dos US$ 350 trilhões.
Esse valor equivale a assustadores 310% de tudo o que a humanidade consegue produzir em um ano. Nós nunca estivemos tão alavancados financeiramente.
Para entender onde está o perigo, precisamos olhar a anatomia exata desse endividamento. O bolo é liderado pelos Governos, com cerca de US$ 106 trilhões, seguidos de perto pelas empresas não financeiras, que respondem por cerca de US$ 100 trilhões.
As famílias globais carregam cerca de US$ 65 trilhões em compromissos, enquanto o Setor financeiro responde pelo restante desse total. Essa expansão recente tem motores muito claros e potentes: os Estados Unidos, a China e a Europa.
O grande risco reside no custo de manutenção de todas essas fatias juntas. Governos, corporações e cidadãos mundiais contraíram grande parte dessas dívidas quando os juros globais estavam perto de zero.
Agora, com o referencial americano na casa de 4,60%, a “rolagem” das dívidas se tornará proibitivamente cara para todos os setores. Rolar a dívida significa renovar os empréstimos antigos que estão vencendo hoje.
O dinheiro de estados, corporações e indivíduos que deveria ir para investimentos, infraestrutura e consumo muda de rota. Ele passa a ser drenado exclusivamente para o pagamento desses juros mais altos.
O choque de realidade: a desvalorização cambial não é culpa do debate partidário doméstico, mas sim de uma força gravitacional macroeconômica
Portanto, quando testemunhamos que o Real perdeu valor frente ao dólar neste momento, estamos diante de um choque de realidade sistêmico. Trata-se de uma força gravitacional da macroeconomia.
Esse movimento é provocado pelo encarecimento do crédito no epicentro do capitalismo financeiro. Ele é amplificado pelo pânico de um mercado global superendividado em todas as suas esferas.
Reduzir a flutuação do câmbio atual a meras declarações políticas ou picuinhas partidárias locais é um equívoco didático. O Brasil não está isolado do resto do mundo.
O Real está apanhando não porque o cenário interno mudou drasticamente de ontem para hoje. A moeda sofre porque o mundo inteiro está recalculando a rota para se proteger de uma tempestade global que começou lá fora.

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
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Conab inicia processo de transformação institucional para ampliar atividades

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aprovou nesta semana a sua autodeclaração como Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT).
A medida representa a primeira etapa de um processo institucional que visa ampliar a capacidade da entidade de transformar conhecimento em soluções reais para o abastecimento e para a gestão de estoques públicos.
Além disso, a pretenção também é a de aumentar a logística agrícola, a inteligência agropecuária do país e a formulação e operacionalização de políticas públicas agrárias.
Caracterização aprovada em lei
Prevista na Lei nº 10.973/2004 e regulamentada pelo Decreto nº 9.283/2018, a caracterização como ICT contempla órgãos públicos que executam atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), incluindo estudos técnicos, produção de conhecimento científico e desenvolvimento de soluções voltadas a produtos, serviços e processos.
O enquadramento institucional está alinhado às atribuições já previstas no Estatuto Social da Conab, que incluem o desenvolvimento de pesquisas sobre agropecuária nacional, estudos de oferta e demanda e ações de intercâmbio com universidades, centros de pesquisa e organismos internacionais ligados ao setor de abastecimento.
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De acordo com comunicado da Companhia, nesta nova fase, além de fortalecer instrumentos relacionados a projetos de PD&I, a instituição também passa a se lançar em um ecossistema de inovação robusto que possibilita parcerias e trocas com universidades, institutos federais e centros de pesquisa de excelência, acesso a editais e linhas de financiamento nacionais e internacionais – como Finep, CNPq, Capes, Embrapii – e fundos setoriais destinados a projetos estratégicos de inovação.
O objetivo é trazer mais agilidade administrativa e segurança jurídica na celebração de instrumentos de cooperação técnica, como é o caso da consagração de Termos de Execução Descentralizada (TEDs), Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) e demais instrumentos.
Agora, a próxima etapa prevê a consolidação da Política de Inovação da Conab, prevista
para julho deste ano. Em seguida, a instituição deverá avançar na criação do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), estrutura voltada à gestão de projetos e instrumentos de PD&I, com previsão de implementação até o fim de 2026.
Com essa última etapa, a Conab afirma que já será possível a submissão de projetos, captação de recursos e a execução das ações de PD&I junto a fundações credenciadas pela estatal.
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