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5 de outubro de 2026

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Juros americanos ligam o ímã de dólares

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Imagem feita com IA

Nos últimos meses, o debate econômico no Brasil parece resumido a uma eterna queda de braço política. De um lado, acusa-se o governo de gastar demais. De outro, critica-se o Banco Central pelos juros altos.

Embora a responsabilidade fiscal doméstica seja vital, focar apenas no cenário interno é um erro. Explicar a recente desvalorização do Real apenas por Brasília é olhar para a gota d’água e ignorar o oceano.

A verdade sobre o dólar alto está bem longe do Brasil. Ela nasce em Nova York e se espalha por um planeta afogado em dívidas.

O ímã do dinheiro global: entenda por que a alta dos juros nos Estados Unidos suga os dólares de países como o Brasil, forçando a desvalorização do Real

Para entender a raiz do problema, precisamos olhar para as chamadas Treasuries de 10 anos. Esses papéis são os títulos da dívida pública do governo dos Estados Unidos.

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Considerados o investimento mais seguro do mundo, esses títulos viram sua rentabilidade disparar para a faixa de 4,60%. Esse é o maior patamar registrado desde 2007.

Quando o governo americano decide pagar mais juros, um magnetismo financeiro global entra em ação. O mecanismo por trás disso é puramente matemático.

Imagine um investidor estrangeiro que mantém seu dinheiro no Brasil, correndo os riscos naturais de um mercado emergente. De repente, a maior potência econômica do planeta oferece um retorno historicamente alto e garantido em dólares.

O resultado é imediato. O capital internacional arruma as malas e viaja de volta para a segurança da economia americana.

A debandada do agro: além do efeito dos juros, a forte queda no preço das commodities agrícolas faz o investidor abandonar os grãos e correr para os papéis de curto prazo mais fortes

Para piorar esse cenário de fuga, presenciamos uma forte queda no preço das commodities agrícolas. Percebendo a perda de fôlego desse mercado, os investidores deixam os contratos de grãos e alimentos para trás e correm exatamente em busca de papéis mais fortes e seguros.

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Como consequência direta dessa dupla debandada, há muito menos dólares circulando no mercado brasileiro. Pela lei da oferta e da procura, a moeda americana encarece e o Real desvaloriza.

A bomba-relógio de US$ 350 trilhões: o planeta nunca esteve tão endividado, e o custo para manter essa montanha de compromissos viva disparou

A situação ganha contornos dramáticos quando adicionamos o ingrediente mais perigoso da atualidade: o endividamento global. O planeta acumula hoje uma dívida astronômica na casa dos US$ 350 trilhões.

Esse valor equivale a assustadores 310% de tudo o que a humanidade consegue produzir em um ano. Nós nunca estivemos tão alavancados financeiramente.

Para entender onde está o perigo, precisamos olhar a anatomia exata desse endividamento. O bolo é liderado pelos Governos, com cerca de US$ 106 trilhões, seguidos de perto pelas empresas não financeiras, que respondem por cerca de US$ 100 trilhões.

As famílias globais carregam cerca de US$ 65 trilhões em compromissos, enquanto o Setor financeiro responde pelo restante desse total. Essa expansão recente tem motores muito claros e potentes: os Estados Unidos, a China e a Europa.

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O grande risco reside no custo de manutenção de todas essas fatias juntas. Governos, corporações e cidadãos mundiais contraíram grande parte dessas dívidas quando os juros globais estavam perto de zero.

Agora, com o referencial americano na casa de 4,60%, a “rolagem” das dívidas se tornará proibitivamente cara para todos os setores. Rolar a dívida significa renovar os empréstimos antigos que estão vencendo hoje.

O dinheiro de estados, corporações e indivíduos que deveria ir para investimentos, infraestrutura e consumo muda de rota. Ele passa a ser drenado exclusivamente para o pagamento desses juros mais altos.

O choque de realidade: a desvalorização cambial não é culpa do debate partidário doméstico, mas sim de uma força gravitacional macroeconômica

Portanto, quando testemunhamos que o Real perdeu valor frente ao dólar neste momento, estamos diante de um choque de realidade sistêmico. Trata-se de uma força gravitacional da macroeconomia.

Esse movimento é provocado pelo encarecimento do crédito no epicentro do capitalismo financeiro. Ele é amplificado pelo pânico de um mercado global superendividado em todas as suas esferas.

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Reduzir a flutuação do câmbio atual a meras declarações políticas ou picuinhas partidárias locais é um equívoco didático. O Brasil não está isolado do resto do mundo.

O Real está apanhando não porque o cenário interno mudou drasticamente de ontem para hoje. A moeda sofre porque o mundo inteiro está recalculando a rota para se proteger de uma tempestade global que começou lá fora.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Umidade do solo melhora em Mato Grosso no início de outubro, diz EarthDaily

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A umidade do solo em Mato Grosso, que ficou abaixo da média durante praticamente todo setembro, deve se recuperar rapidamente no início de outubro, segundo análise da EarthDaily divulgada nesta segunda-feira (5). O indicador pode superar 31% e se aproximar da média histórica, em um movimento relevante para o plantio e o estabelecimento da soja 2026/27.

A EarthDaily informou que a melhora das condições hídricas está associada às chuvas registradas entre 22 de setembro e 1º de outubro em boa parte do Centro-Sul do país. No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul e partes de Mato Grosso e Goiás tiveram volumes acima da média, favorecendo a recuperação da umidade do solo e o início da safra de soja e milho verão. Em outras áreas de Mato Grosso e Goiás, os volumes foram menores, mantendo um quadro heterogêneo.

Segundo o analista de culturas da EarthDaily, Felippe Reis, a recuperação prevista em Mato Grosso é relevante para o avanço da safra, mas a nova queda projetada para a sequência do mês mantém a necessidade de chuvas regulares ao longo de outubro. Para terça-feira (7), o modelo europeu ECMWF indica melhora expressiva das condições hídricas no Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul.

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Para os próximos dez dias, os modelos ECMWF e GFS apontam chuvas acima da média em grande parte do Centro-Sul, incluindo áreas relevantes de soja e milho. De acordo com a EarthDaily, esse cenário tende a favorecer o avanço do plantio da soja no Centro-Oeste.

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Os modelos divergem, porém, em relação às temperaturas. O ECMWF indica marcas próximas ou abaixo da média em grande parte das regiões produtoras, enquanto o GFS projeta anomalias positivas mais expressivas no Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso. Segundo Reis, temperaturas mais amenas favoreceriam o aproveitamento das chuvas previstas, enquanto um cenário mais quente elevaria a demanda hídrica das lavouras.

No Matopiba, o ECMWF projeta cerca de 49 milímetros de chuva nas próximas duas semanas, perto da média histórica de 51 milímetros, enquanto o GFS prevê cerca de 29 milímetros. No Sul, Paraná e partes do Rio Grande do Sul apresentam umidade do solo acima da média, condição favorável à safra de verão, mas com risco para o trigo em maturação e colheita. No Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, o acumulado desde o início de agosto já está acima da média histórica, e o ECMWF indica volumes próximos de 600 milímetros até meados de outubro.

O monitoramento da EarthDaily mostra um cenário de melhora hídrica no Centro-Oeste no início de outubro, com reflexos sobre o plantio de soja e milho, enquanto o Sul segue com excesso de umidade e o Matopiba ainda depende da consolidação das chuvas previstas nas próximas duas semanas.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Bioenergia movimenta R$ 586,6 milhões em salários em Mato Grosso

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A indústria de bioenergia colocou R$ 586,6 milhões em salários na economia de Mato Grosso em 2025. O valor equivale a 9% de toda a massa salarial da indústria estadual e ajuda a dimensionar o impacto das usinas de etanol e açúcar para além das unidades onde a produção acontece.

O efeito da atividade também aparece no mercado de trabalho. No ano passado, 10.760 pessoas estavam empregadas formalmente nas indústrias do setor, o equivalente a 5,3% dos postos formais de toda a indústria mato-grossense.

Quando entram na conta os empregos indiretos e induzidos pela cadeia, a estimativa supera 151 mil postos relacionados à bioenergia. O levantamento foi realizado pelo Observatório de Mato Grosso, ligado ao Sistema FIEMT, em parceria com o Bioind-MT.

A evolução do emprego ajuda a explicar esse peso crescente. Entre 2019 e 2025, os postos formais na produção de biocombustíveis e açúcar aumentaram 87% no estado, mais que o dobro do crescimento de 34% registrado nos demais segmentos industriais.

Usinas mudam dinâmica econômica de municípios

A presença das indústrias tem impacto especialmente forte em municípios onde a atividade passou a ocupar uma parcela expressiva do mercado de trabalho. Em Alto Taquari, 90% dos empregos industriais formais estão ligados à fabricação de etanol e açúcar. Em Nova Olímpia, são 85%.

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Em Tapurah, os reflexos ultrapassam o ambiente industrial. Uma usina de etanol de milho começou a operar no município em outubro de 2025 e, segundo o presidente da Associação Comercial e Empresarial local, Flávio Anderson Breitenbach, já provocou aumento nas vendas de diferentes segmentos.

“A instalação da indústria foi algo muito positivo para o comércio da cidade, movimentou setores como aluguéis, mercados e serviços. São setores que tiveram um incremento nas vendas de cerca de trinta por cento”.

O impacto econômico acompanha uma expansão que ganhou força com o etanol de milho. Desde 2017, quando entrou em operação a primeira usina dedicada ao produto em Mato Grosso, o setor acumulou R$ 27 bilhões em investimentos. Atualmente, são 19 unidades em operação em 17 municípios.

Outras três usinas estão em construção e duas passam por ampliação, com cerca de R$ 6,8 bilhões em investimentos em andamento. Para o presidente do Bioind-MT, José Fernando Mazuca Filho, a distribuição das unidades ajuda a interiorizar os efeitos da atividade. “Essa capilaridade industrial, próxima das áreas produtoras, é um diferencial importante para Mato Grosso”, destaca.

Apesar do avanço, Mazuca ressalta que as indústrias operam em um cenário de pressão sobre as margens, diante de juros elevados, volatilidade das commodities e custos que nem sempre foram acompanhados pelos preços. “Ainda assim, a indústria continua se estruturando, investindo e buscando competitividade”, afirma.

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Agro Mato Grosso

ANTT atualiza piso mínimo do frete rodoviário MT

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Revisão considera diesel S10 a R$ 7,33 por litro e novos coeficientes já entraram em vigor em 30 de setembro

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atualizou os coeficientes do piso mínimo do frete rodoviário de cargas. A medida consta da Portaria Suroc nº 22, publicada em 29 de setembro pela Superintendência de Serviços de Transporte Rodoviário e Multimodal de Cargas (Suroc), e passou a valer a partir de 30 de setembro de 2026.

A revisão foi motivada pela variação do preço do diesel S10, que atingiu o limite previsto na legislação para a atualização extraordinária dos valores. O combustível passa a ter preço de referência de R$ 7,33 por litro, correspondente à média nacional registrada entre 20 e 26 de setembro, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A atualização está prevista no § 3º do artigo 5º da Lei nº 13.703/2018, que determina a revisão dos pisos mínimos sempre que o preço do diesel variar mais de 5%. Portanto, a medida não corresponde à revisão semestral ordinária dos coeficientes, mas a uma atualização extraordinária acionada pela oscilação do combustível.

Novos coeficientes

Os valores atualizados para as operações de carga lotação, com contratação de composição veicular ou caminhão simples, estão reunidos na Tabela A do anexo da Portaria Suroc nº 22.

As demais tabelas da norma apresentam os coeficientes aplicáveis às diferentes operações e configurações de transporte. As células sem valores correspondem a configurações de eixos que não são utilizadas para os tipos de carga considerados no mercado brasileiro.

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Vigência

A portaria entrou em vigor em 30 de setembro, um dia após sua publicação. A partir dessa data, os cálculos do piso mínimo do frete devem considerar os novos coeficientes e o preço de referência atualizado do diesel S10.

A fiscalização por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) permanece como um dos mecanismos utilizados para verificar o cumprimento do piso mínimo nas operações de transporte rodoviário de cargas.

Consulta

A íntegra da Portaria Suroc nº 22, de 28 de setembro de 2026, com as Tabelas A, B, C e D e os respectivos coeficientes, está disponível no link abaixo.

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