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31 de julho de 2026

Sustentabilidade

Na Agrishow, Bayer apresenta soluções que aproximam o produtor da agricultura do futuro – MAIS SOJA

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Foto de capa: Assessoria

Na 31ª edição da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), uma das principais feiras de tecnologia agrícola da América Latina, a Bayer apresenta a sua jornada digital para conectar o produtor ao futuro da agricultura, por meio da assistência inteligente, recomendações agronômicas e sustentabilidade para transformar dados em valor real no campo. Entre as novidades, está a estratégia de integração com empresas do setor de máquinas agrícolas, ampliando a conectividade entre o assistente de agricultura digital FieldView e os equipamentos utilizados no campo, para facilitar o dia a dia do produtor; além do novo hardware dessa ferramenta, mais rápido e ágil do que o dispositivo atual.

No pilar de Assistência Inteligente, o FieldView, que auxilia no gerenciamento das operações agrícolas para dar mais controle e clareza às decisões dos produtores, ganhará um novo hardware com transferência de dados até 12 vezes mais rápida do que a versão atual, o FieldView Drive 2.0. Esse dispositivo, que estará disponível na safra 2026/27, é encaixado no maquinário do produtor para coletar informações do talhão e da máquina para facilitar o mapeamento das operações via aplicativo e a integração dessas informações ao ecossistema digital do agricultor.

“Esse assistente digital da Bayer reúne dados de campo, imagens de satélite, previsões por talhão, mapas e ferramentas de análise de produtividade em uma plataforma simples e segura. A solução ajuda o agricultor a transformar dados em inteligência para a tomada de decisão ao longo da safra. Hoje, temos 31 milhões de hectares conectados ao FieldView. E dados de campo indicam que as propriedades que utilizam essa gestão digital apresentaram médias de produtividade 30% superiores no milho e 20% na soja em comparação com a média nacional da Conab”, afirma o líder de Soluções Agrícolas Digitais da Bayer para a América Latina, Abdalah Novaes.

No eixo de Recomendações Agronômicas, a Bayer tem acelerado a oferta de soluções em seu portfólio que conectam dados e ciência da multinacional à realidade de cada talhão para apoiar decisões personalizadas em diferentes culturas. Exemplo desse ganho de escala é o Bayer Valora Milho, que já amplia a produtividade no campo por meio de recomendações personalizadas de híbridos, população de sementes e aplicação de nitrogênio, consolidando-se como referência de rentabilidade a cada safra.

“Para a safrinha 2026, já são mais de 650 mil hectares inscritos, reunindo agricultores das marcas de sementes de milho, Dekalb, Sementes Agroceres e Agroeste. Nas últimas safras, esses produtores obtiveram resultados expressivos, com um aumento médio de cinco sacas por hectare, o que comprova a competitividade e o potencial das soluções digitais aplicadas à cultura do milho”, explica.

Outra novidade é a estratégia de integração com empresas do setor de máquinas agrícolas, ampliando a conectividade entre o assistente de agricultura digital FieldView. Entre as empresas que passam a fazer parte dessa integração de máquinas agrícolas para conectar decisões agronômicas à operação em campo está a John Deere. A parceria, lançada inicialmente nos EUA, permite transferir prescrições do FieldView diretamente para o centro de operações das máquinas, via conexão sem fio. O recurso elimina etapas manuais e o uso de pen drives, reduzindo riscos de erros e atrasos. Disponível a partir da próxima a safra de verão, a novidade facilita a importação de prescrições do Bayer Valora Milho para o maquinário da John Deere para otimizar a operação em todo o país.

Outra ferramenta, a FieldView Advisor oferece cerca de 70% de Retorno sobre o Investimento (ROI) positivo para soja.  Ela auxilia o produtor no planejamento da safra de soja ao comparar o desempenho de variedades com a biotecnologia Intacta2 Xtend e gerar recomendações personalizadas de posicionamento de sementes para potencializar a produtividade dentro de cada talhão.

Além dela, o Bayer Directo Nematoide possibilita a aplicação localizada do nematicida Verango Prime em áreas com a presença da praga, com base em mapas de infestação e dados de solo para aumentar a eficiência do controle e reduzir o uso de insumos. Estima-se que cerca de 40% das áreas de soja no Brasil estejam sob risco de danos econômicos por nematoides. Ao longo de três safras de resultados, a solução se consolidou como uma ferramenta estratégica para elevar a rentabilidade do agricultor.

Essa capacidade de entregar soluções mais precisas e adequadas à realidade do campo é apoiada pela equipe de desenvolvimento regional da Bayer no Brasil, que é única no mundo, e que desde 2025 trabalha com foco em acelerar a adaptação de tecnologias às necessidades locais. “Nosso trabalho com o produtor começa a partir do mapeamento detalhado de necessidades e oportunidades, passa pelo desenvolvimento de planos de digitalização personalizados e segue com suporte contínuo de especialistas e capacitação das equipes das fazendas. É assim que garantimos agilidade na resposta às mudanças do setor e fazemos com que a tecnologia se converta em resultado real”, explica Abdalah Novaes.

No terceiro pilar, Sustentabilidade Viabilizando Negócios, a Bayer apresenta soluções como PRO Carbono e Barter+, que conectam eficiência, sustentabilidade e competitividade. Atualmente, a plataforma de soluções regenerativas PRO Carbono reúne mais de 3,1 milhões de hectares e integra mais de três mil agricultores na América Latina. Nas fazendas participantes, a adoção de práticas regenerativas, via PRO Carbono, promoveu um ganho médio de 9% na estabilidade produtiva e 11% na produtividade anual, com uma pegada de carbono até 50% menor na soja e 55% no milho em relação à média nacional.

Já o Barter+ utiliza dados históricos de produtividade para apoiar operações de troca dos produtores com a Bayer e ampliar o poder de negociação de insumos.

Sobre a Bayer

Guiada por sua missão “saúde para todos, fome para ninguém”, a Bayer é uma empresa global que atua para desenvolver soluções inovadoras que respondam a alguns dos maiores desafios da humanidade nas áreas de saúde e agricultura. Fundada na Alemanha em 1863 e presente em mais de 80 países, está no Brasil há quase 130 anos, seu segundo maior mercado no mundo, com negócios nos segmentos de Agricultura, Farmacêutico e Saúde do Consumidor. É comprometida com a inovação, a diversidade e a sustentabilidade, investindo continuamente em pesquisa e desenvolvimento para promover avanços que unam produtividade, preservação ambiental e acesso à saúde de qualidade. Mais informações no site.

Fonte: Assessoria



 

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Sustentabilidade

Ceema: compradores estão priorizando o consumo dos estoques de milho ao invés de realizarem novas compras – MAIS SOJA

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A cotação do milho, em Chicago, para o primeiro mês cotado, após atingir a US$ 4,64/bushel no final da semana anterior, fechou a quinta-feira (30) em US$ 4,45.

Por sua vez, as condições das lavouras estadunidenses de milho pioraram um pouco, sendo que no dia 26/07 haviam 12% das mesmas em situação entre ruim a muito ruim. Outras 25% estavam regulares e 63% entre boas a muito boas. E no Brasil, os preços permanecem firmes, porém, sem grandes modificações. A média gaúcha fechou a semana em R$ 58,94/saco, enquanto nas demais praças nacionais os preços oscilaram entre R$ 44,00 e R$ 62,50/saco no balcão.

Dito isso, a colheita do cereal no Mato Grosso, safra 2025/26, atingiu a 91% no dia 24/07. A média é de 92,7% para esta data (cf. Imea). Já no Centro-Sul brasileiro a colheita da sarinha atingia a 60% no dia 23/07 (cf. AgRural), enquanto a colheita da safrinha em todo o Brasil atingia 58,3% da área também até o dia 24/07. Os estados mais adiantados com a colheita eram Tocantins (93%), Maranhão (90%), Mato Grosso (87,9%), Piauí (72%), Goiás (35%), Minas Gerais (27%), Paraná (29%), Mato Grosso do Sul (20%) e São Paulo (10%) (cf. Conab).

De forma geral, os compradores estão priorizando o consumo dos estoques ao invés de realizarem novas compras, pois acreditam que os preços possam voltar a recuar assim que a colheita da safrinha se aproximar do final já que os produtores têm limitações de estocagem e necessidade de caixa (cf. Cepea). De fato, a expectativa era de que o aumento da oferta já tivesse provocado uma queda nos preços do milho, mas por enquanto isso ainda não ocorreu.

Por outro lado, as exportações brasileiras de milho, nos primeiros 18 dias úteis de julho, atingiram a 1,35 milhão de toneladas, com recuo de 29,2% abaixo da média diária de todo o mês de julho do ano passado.

E são as exportações que assumem, agora, um papel importante para a definição dos preços. No momento sabe que havia demanda externa para embarcar um pouco mais de 3 milhões de toneladas, porém, não havia esse milho colhido. Espera-se que em agosto essas vendas se realizem. Aliás, agosto já inicia com cerca de 2,5 milhões de toneladas nomeadas para exportação. E já há indicativos de que as exportações começam a disputar milho com o mercado interno brasileiro. Vale destacar que a Espanha surge, neste ano, como um grande comprador do milho nacional. Além disso, no mercado interno a demanda das usinas de etanol tende a fazer a diferença.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

FONTE

Autor:Prof. Dr. Argemiro Luís Brum

Site: CEEMA

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Sustentabilidade

Possibilidade de “Super El Niño” acende alerta no campo e exige planejamento antecipado para safra 2026/27 – MAIS SOJA

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A possibilidade da formação de um “Super El Niño” neste ano já acende o sinal de alerta no setor produtivo, especialmente para a agricultura em Mato Grosso. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, pode provocar mudanças significativas no regime de chuvas, elevar as temperaturas e influenciar diretamente o desenvolvimento das lavouras no estado.

Com base em dados e projeções apresentados no relatório do consultor da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Clyde Fraisse, o cenário climático exige atenção redobrada por parte dos produtores rurais, uma vez que pode afetar desde o planejamento do plantio da safra 2026/27 até a definição das estratégias de manejo ao longo do ciclo produtivo.

Na avaliação do consultor, embora ainda existam incertezas quanto à intensidade do fenômeno, o cenário indica probabilidade de alterações climáticas no Centro-Oeste, exigindo planejamento antecipado e estratégias voltadas à redução dos riscos na próxima safra.

“Os impactos do El Niño sobre a safra 2026/27 dependerão não apenas da intensidade do aquecimento do Oceano Pacífico, mas também da interação com outros sistemas climáticos, especialmente o Atlântico Tropical e os padrões atmosféricos sobre a América do Sul. Entretanto, o consenso entre os principais centros meteorológicos internacionais indica que o fenômeno aumenta significativamente a probabilidade de atrasos no início da estação chuvosa no Brasil Central. Para os produtores de Mato Grosso, isso reforça a necessidade de uma estratégia preventiva baseada na redução de riscos”, afirmou o consultor.

Diante desse cenário, Clyde Fraisse destaca que o monitoramento constante das previsões climáticas e a adoção de práticas de manejo são fundamentais para reduzir os impactos de possíveis atrasos das chuvas e garantir maior estabilidade ao sistema produtivo.

“O monitorar continuamente as previsões climáticas de médio e longo prazo; evitar a semeadura após precipitações isoladas, aguardando a consolidação da estação chuvosa; manter elevada cobertura do solo por meio do Sistema Plantio Direto e de plantas de cobertura; realizar escalonamento da semeadura para reduzir a exposição ao risco climático; utilizar cultivares adaptadas às diferentes janelas de plantio e revisar o planejamento da segunda safra considerando possíveis atrasos da soja; intensificar o monitoramento fitossanitário, uma vez que mudanças no regime de temperatura e umidade podem alterar a dinâmica de doenças e pragas”, aconselhou Clyde Fraisse.

O consultor ressalta ainda que eventos climáticos dessa magnitude podem provocar reflexos em diferentes etapas da produção, afetando desde a implantação das lavouras até a logística e a comercialização dos grãos. Por isso, o uso de informações técnicas e de estudos climáticos torna-se uma ferramenta importante para orientar decisões dentro da propriedade.

“Para Mato Grosso, esses fatores representam risco elevado principalmente durante a emergência da soja, fase em que a disponibilidade hídrica é determinante para a formação do estande de plantas. A resposta climática depende da interação entre diversos modos de variabilidade climática. A climatologia baseada em eventos históricos constitui uma das ferramentas mais robustas para estimar riscos agrícolas. Estudos conduzidos pela Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, Instituto Nacional de Meteorologia e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária demonstram que existe elevada recorrência de determinados padrões regionais. Esses padrões permitem orientar decisões relacionadas ao calendário de plantio, escolha de cultivares, manejo da cobertura do solo, escalonamento da semeadura e estratégias de mitigação do risco climático”, disse.

Diante desse cenário, produtores rurais já começam a avaliar possíveis ajustes no planejamento da próxima safra. A antecipação dessas decisões pode ser determinante para minimizar perdas e garantir maior segurança produtiva. Para o vice-presidente Leste da Aprosoja MT, Diego Dall Asta, acompanhar de perto as projeções meteorológicas é indispensável para que o produtor tome decisões mais assertivas diante de um cenário de maior incerteza climática e custos elevados de produção.

“Todo produtor acompanha as projeções climáticas com muita atenção, porque elas são fundamentais para o planejamento da próxima safra. Em um ano como este, em que os custos de fertilizantes químicos e sementes estão em patamares historicamente elevados, o produtor precisa, mais do que nunca, fazer um plantio assertivo. A forma como ele vai se adaptar para a próxima safra depende muito dessas projeções. A tendência é de um plantio com mais cautela, reduzindo, por exemplo, a área plantada no início do calendário, quando ainda há pouca umidade. O produtor não vai arriscar plantar com solo seco, chuvas esparsas ou precipitações muito antecipadas”, afirmou.

Segundo Diego Dall Asta, diante das projeções climáticas, o planejamento da próxima safra passa a exigir ainda mais atenção, desde a escolha das variedades até o momento adequado para iniciar o plantio, buscando reduzir riscos e preservar o potencial produtivo das lavouras.

“O planejamento precisa ser geral: plantar apenas com umidade suficiente para garantir uma boa germinação e um estabelecimento seguro da lavoura, pensando em um intervalo de duas a três semanas em que a planta possa suportar a falta de chuva. Além disso, é fundamental escolher materiais adaptados aos veranicos, que podem ocorrer entre outubro, novembro e dezembro. A tendência é de um ano com menos umidade, principalmente no início da safra, e com temperaturas mais altas. Então, o caminho é se adaptar: escolher bem as variedades, evitar plantar em condição de risco e trabalhar sempre com maior segurança”, orienta o vice-presidente Leste da Aprosoja MT.

A Aprosoja Mato Grosso, juntamente com especialistas, reforça que diante da possibilidade de alterações climáticas expressivas na próxima safra, o planejamento antecipado será um dos principais aliados do produtor rural.

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Sustentabilidade

Produzir mais ou gerar mais valor? O novo desafio da soja brasileira

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Colheitadeiras de soja em fazenda no oeste da Bahia. Foto: Jefferson Aleffe

O Brasil precisa mesmo produzir muito mais soja ou precisa gerar mais valor com a soja que já produz?

Essa talvez seja a pergunta mais importante para entender a próxima safra brasileira. Enquanto boa parte das análises se concentra no aumento da área plantada e no tamanho da produção, uma transformação silenciosa vem alterando a dinâmica do mercado nacional.

A soja continua sendo uma das principais commodities do agronegócio brasileiro. Mas, cada vez mais, ela deixa de ser apenas um produto de exportação para se transformar em matéria-prima de uma indústria que cresce dentro do próprio país.

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Uma expansão marcada pela cautela

As primeiras projeções para a safra 2026/27 apontam para um crescimento modesto da área cultivada. A decisão não representa falta de confiança do produtor, mas uma leitura realista do cenário.

Os preços internacionais seguem pressionados pela expectativa de uma oferta mundial elevada. Ao mesmo tempo, os custos de produção continuam elevados, os juros permanecem em níveis que dificultam novos investimentos e o comportamento do clima ainda adiciona uma dose importante de incerteza ao planejamento da safra.

Nesse ambiente, ampliar a área significa assumir um risco maior. E o produtor brasileiro, que já enfrentou margens bastante apertadas nas últimas temporadas, demonstra que está priorizando a preservação da rentabilidade.

O mercado interno ganha importância

Enquanto muitos observam apenas o volume exportado para a China, outro movimento merece atenção.

O Brasil vem ampliando o processamento doméstico da soja. Uma parcela crescente da produção é destinada ao esmagamento, processo que gera dois produtos estratégicos: o farelo, utilizado principalmente na alimentação animal, e o óleo, cada vez mais direcionado à produção de biodiesel.

Essa mudança altera a lógica do mercado.

Quanto maior o processamento interno, maior é a agregação de valor dentro do país. Em vez de exportar apenas o grão, o Brasil fortalece sua indústria, amplia a geração de empregos e cria novas alternativas de comercialização para a produção agrícola.

Essa transformação reduz parte da dependência exclusiva das exportações de soja em grão e torna o mercado interno um componente cada vez mais relevante para o equilíbrio da cadeia produtiva.

O biodiesel passou a ser uma peça estratégica

O avanço da política de biocombustíveis ajudou a consolidar uma demanda doméstica importante pelo óleo de soja.

Na prática, isso significa que uma safra maior não precisa necessariamente encontrar espaço apenas no mercado internacional. Uma parcela crescente dessa produção pode ser absorvida pela própria indústria brasileira.

Esse processo fortalece toda a cadeia produtiva, aumenta a geração de valor agregado e reduz parte da exposição às oscilações do comércio internacional.

Não elimina a importância das exportações, mas amplia as opções para o produtor e para a indústria nacional.

A China continuará decisiva

É verdade que a China vem investindo para ampliar sua produção agrícola e reduzir sua dependência externa.

Esse movimento precisa ser acompanhado de perto.

No entanto, também é preciso reconhecer que o consumo chinês cresce em ritmo superior à sua capacidade de expansão agrícola. As limitações de área disponível, água e produtividade fazem com que o país continue dependente de grandes volumes de importação.

O desafio para o Brasil, portanto, não é imaginar um cenário em que a China deixe de comprar soja brasileira, mas entender que o mercado poderá ficar cada vez mais competitivo e sensível aos preços.

Quem produzir com menor custo terá vantagem.

O verdadeiro desafio continua sendo a margem

O produtor brasileiro não precisa provar que sabe produzir.

Os sucessivos recordes de safra demonstram isso.

O desafio agora é outro: produzir com rentabilidade.

Se os custos continuarem avançando acima dos preços recebidos pelo produtor, a eficiência operacional passará a ser tão importante quanto a produtividade obtida na lavoura.

Nesse contexto, decisões relacionadas ao manejo, ao financiamento, à comercialização e à gestão de riscos terão peso crescente sobre o resultado econômico da atividade.

O debate precisa evoluir

Discutir apenas o tamanho da próxima safra é olhar apenas uma parte da fotografia.

O Brasil construiu uma das agriculturas mais eficientes do mundo e continuará sendo protagonista no mercado internacional da soja. Mas o próximo passo será ampliar sua capacidade de transformar matéria-prima em produtos de maior valor agregado.

A expansão do esmagamento, da produção de farelo, do óleo e do biodiesel mostra que esse caminho já começou.

A boa notícia é que isso fortalece a indústria nacional e reduz parte da dependência exclusiva das exportações de grãos.

A preocupação, porém, permanece a mesma: sem rentabilidade no campo, recordes de produção deixam de representar prosperidade. O futuro da soja brasileira será definido não apenas pelo volume colhido, mas pela capacidade de transformar produção em valor e produtividade em lucro.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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