Sustentabilidade
Fertilizantes mantêm preços elevados e podem pressionar custo da próxima safra

O produtor rural de Mato Grosso do Sul segue enfrentando um cenário de forte pressão nos custos de produção. De acordo com boletim econômico publicado pela Aprosoja/MS, os preços dos principais fertilizantes utilizados no campo continuam elevados em 2026, impactando a rentabilidade do produtor e acendendo o alerta para o planejamento da próxima safra.
De janeiro a março deste ano, Mato Grosso do Sul importou mais de 23 mil toneladas de fertilizantes, uma retração de 23,28% em comparação ao mesmo período do ano passado. Apesar da queda no volume total, houve alteração no perfil dos produtos adquiridos, com destaque para o avanço nas importações de potássicos, que passaram de 220 toneladas para 7,22 mil toneladas no comparativo anual.
No mercado nacional, o Brasil ampliou em 9,03% as importações de fertilizantes no primeiro trimestre, indicando recomposição de estoques e movimentação antecipada do setor produtivo. Ainda assim, a relação de troca tem se tornado menos favorável ao produtor, exigindo maior volume de grãos para aquisição da mesma quantidade de insumos.
Ainda de acordo com o documento publicado pela Aprosoja/MS, os preços seguem em níveis considerados altos. O formulado NPK 04-30-10 apresentou valorização de 39% em março deste ano frente ao mesmo período de 2025, enquanto matérias-primas estratégicas, como o MAP, permanecem acima de R$ 5,4 mil por tonelada.
A conjuntura internacional também continua sendo um dos principais fatores de sustentação dos preços. A dependência global de grandes fornecedores como Rússia, Belarus e China, somada aos custos energéticos, especialmente do gás natural, que é base para nitrogenados, mantém o mercado sensível a oscilações geopolíticas e logísticas.
“A safra 2025/2026 reforça que não basta produzir mais, é preciso que preço e custo estejam alinhados. A soja conseguiu compensar parte da pressão com ganho de produtividade, mas o milho segue mais exposto, com custos elevados, principalmente com fertilizantes, e preços que não reagiram na mesma intensidade. Esse cenário exige atenção desde já no planejamento da próxima safra”, avalia o analista de Economia da Aprosoja/MS, Mateus Fernandes.
A análise reforça que o momento exige atenção, já que, com margens mais estreitas e maior volatilidade no mercado internacional, decisões relacionadas à compra e ao uso de insumos tendem a ser cada vez mais determinantes para o resultado financeiro da atividade agrícola.
Sustentabilidade
Ídolo do futebol argentino também é produtor de soja. Você sabe quem é?

Conhecido mundialmente pelos gols com a camisa da Argentina, Gabriel Batistuta também encontrou no campo uma forma de investir e diversificar o patrimônio. O ex-jogador administra uma propriedade rural de 20 mil hectares no país vizinho, onde mantém atividades de produção de soja, milho e pecuária.
Uma área rural de aproximadamente 20 mil hectares na província argentina de Santa Fé tornou-se o centro da vida profissional de Gabriel Batistuta depois do encerramento de sua carreira no futebol. Aos 57 anos, o antigo atacante administra uma fazenda dedicada à agricultura e à pecuária, participa de discussões sobre o setor e utiliza no campo parte da disciplina que desenvolveu durante décadas enfrentando jogos decisivos e competições internacionais.
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Batistuta, um dos maiores artilheiros da história da seleção argentina, levou para o agronegócio a mesma visão de longo prazo que marcou sua carreira no futebol. A propriedade reúne diferentes atividades produtivas e mostra como o agro também passou a fazer parte da estratégia de investimento de grandes nomes do esporte.
Além da soja, o argentino mantém áreas destinadas ao cultivo de milho e à criação de gado. A diversificação permite distribuir os investimentos entre diferentes atividades do campo e aproveitar oportunidades em mercados distintos.
O caso de Batistuta chama atenção justamente por mostrar um lado pouco conhecido da vida do ex-jogador. Hoje, longe dos gramados, ele também construiu uma trajetória ligada à produção rural.
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Agro Mato Grosso
BASF escolhe bancos para preparar IPO da Agricultural Solutions

A BASF anunciou a contratação de Citi, Deutsche Bank, Goldman Sachs e J.P. Morgan como coordenadores globais da preparação da oferta pública inicial de ações da Agricultural Solutions. A companhia prevê alcançar prontidão para o IPO até meados de 2027 e planeja listar o negócio na Bolsa de Frankfurt.
A operação integra a estratégia “Winning Ways” da BASF. O plano prevê transformar a Agricultural Solutions em uma empresa agrícola independente, com atuação em proteção de cultivos, sementes, características genéticas, soluções biológicas e ferramentas digitais.
A separação jurídica e operacional do negócio segue em andamento. Cerca de 80% das operações globais da Agricultural Solutions já migraram para entidades jurídicas próprias. Essas estruturas utilizam um novo sistema de gestão empresarial específico para o setor agrícola.
Segundo a BASF, a mudança busca ampliar a capacidade de resposta às demandas dos mercados agrícolas, dar mais agilidade à operação e aproximar a empresa dos clientes. A Agricultural Solutions também desenvolve estruturas de governança e competências necessárias para uma companhia com ações negociadas em bolsa.
A BASF apresentará uma visão estratégica e operacional do negócio durante seu Capital Markets Day, marcado para 24 de novembro de 2026. Os quatro integrantes do conselho de administração da BASF Agricultural Solutions participarão do evento.
A empresa ainda não decidiu pela execução do IPO nem definiu sua data. A decisão dependerá, entre outros fatores, das condições do mercado de capitais.
Sustentabilidade
El Niño, dólar e geopolítica: os desafios da safra 26/27 de soja

A margem da safra 2026/27 de soja está mais apertada para o produtor. Para Mauro Osaki, pesquisador do Cepea, três fatores devem ter peso importante no resultado financeiro da temporada: o comportamento do câmbio, os efeitos do El Niño sobre o clima e os impactos dos conflitos geopolíticos sobre os custos de produção.
“Poderíamos colocar esses três como os de maior peso hoje”, afirma.
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O câmbio aparece como uma das principais variáveis para a formação do preço da soja no mercado brasileiro. Hoje, a referência trabalhada pelo mercado está próxima de R$ 5,20, mas há projeções de R$ 5,30. Para o pesquisador, no entanto, a trajetória da moeda ainda está diretamente ligada ao cenário político e econômico após as eleições de outubro.
“Se for um governo mais austero, a tendência é que o mercado fique mais calmo. Agora, se continuar um governo perdulário e inconsequente, a taxa de câmbio pode explodir”, diz.
El Niño: o ‘calcanhar de Aquiles’ do produtor
Além do câmbio, o clima volta ao radar do produtor. O El Niño previsto para esta safra é apontado por Osaki como um dos principais riscos para a produção. “É o nosso calcanhar de Aquiles, a pedra no nosso sapato”, resume.
Segundo o pesquisador, o comportamento do fenômeno pode ser diferente do observado em anos anteriores. A expectativa é de excesso de chuva no Sul e maior irregularidade no Centro-Oeste, o que aumenta o risco para a produção nacional.
O histórico também exige atenção. No ciclo 2015/16, um El Niño forte contribuiu para perdas no Centro-Oeste. Já em 2023/24, as altas temperaturas afetaram lavouras e provocaram problemas como a escaldadura. De acordo com Osaki, anos de El Niño costumam estar associados a perdas de 7% a 14% na produção. “Se o produtor tiver que replantar, esse custo vai se somar”, alerta.
Nesse cenário, uma das estratégias recomendadas por Osaki é evitar a concentração do plantio em um único período. “O produtor deve escalonar o plantio, para não deixar tudo concentrado numa época só”, afirma.
Diesel e fertilizantes também entram na conta
Outro ponto de atenção está no mercado internacional de energia. Os conflitos geopolíticos e os ataques a estruturas de refino aumentam a pressão sobre a oferta de derivados de petróleo, com reflexos principalmente sobre o diesel.
Para o produtor de soja, o momento é especialmente sensível porque o combustível é demandado em duas etapas importantes da safra. “São dois períodos de maior demanda: o plantio agora, e a colheita, de dezembro até março/abril”, explica Osaki.
A pressão não fica restrita ao diesel. O mercado de enxofre e ácido sulfúrico também pode ser afetado, aumentando os custos de produção de fertilizantes fosfatados, como MAP, superfosfato triplo e superfosfato simples.
Com isso, a relação entre custo e preço da soja fica ainda mais importante para o produtor.
Em Sorriso (MT), por exemplo, a quantidade de soja necessária para cobrir o custo operacional efetivo deve passar de 52 para 56 sacas por hectare entre as safras 2025/26 e 2026/27. No oeste do Paraná, o indicador sobe de 41,8 para 45 sacas por hectare.
Conforme dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o custo de produção em Mato Grosso é estimado em R$ 4.315,29 por hectare, alta de 3,21%. Já o ponto de equilíbrio avança 9,13%.
“É um ano com custo operacional efetivo e relação de troca bastante apertados”, resume o pesquisador.
Plantio começa com ritmo acima do ano passado
A semeadura da soja 2026/27 já começou em algumas regiões. Paraná e São Paulo abriram o calendário em 1º de setembro. Em Mato Grosso, maior produtor nacional, o plantio foi liberado em 7 de setembro. Mato Grosso do Sul inicia em 16 de setembro, Goiás em 25 de setembro e Minas Gerais e Distrito Federal em 1º de outubro.
Segundo dados apresentados por Osaki, o plantio da nova safra começou mais acelerado que a temporada anterior. Na semana em que os trabalhos em campo iniciaram, 0,05% da área projetada estava plantada. No mesmo período do ano passado, o índice era de 0,02%.
O avanço, porém, ocorre em um cenário de atenção com as condições climáticas. Enquanto Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul podem registrar volumes mais elevados, a regularização das chuvas no Matopiba é esperada apenas para novembro.
Consultorias projetam nova safra recorde
Mesmo com os riscos no radar, as primeiras projeções das consultorias privadas apontam para uma nova safra recorde de soja.
A StoneX estima produção de 183,5 milhões de toneladas. Já a Datagro trabalha com 185,6 milhões, enquanto a Hedgepoint tem uma projeção mais conservadora, de 181,7 milhões de toneladas.
A primeira estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra 2026/27 está prevista somente para o começo de outubro.
Outubro será mês decisivo
É justamente a partir de outubro que o cenário deve começar a ficar mais claro para o produtor, de acordo com a avaliação do pesquisador odo Cepea. Ele aponta que o mês reúne três pontos importantes: o resultado das eleições, o avanço do plantio no Centro-Oeste diante das condições climáticas e a evolução do cenário internacional de combustíveis e fertilizantes.
Até lá, a orientação de Osaki é trabalhar com planejamento e evitar comprometer a margem antes de ter maior clareza sobre o mercado.
“O melhor que ele tem é fazer esse planejamento cadenciado, proteger ao máximo sua produção com as oportunidades que surgem no mercado, e não se comprometer tanto”, afirma.
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