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Em fevereiro, IBGE estima que a safra nacional chegará a 344,1 milhões de toneladas em 2026 – MAIS SOJA

A estimativa de fevereiro de 2026 para a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas é de 344,1 milhões de toneladas, 0,6% menor (dois milhões de toneladas a menos) que a obtida em 2025 (346,1 milhões de toneladas). A estimativa de fevereiro foi 0,4% maior que a de janeiro (aumento de 1,4 milhão de toneladas). Os dados estão no Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), produzido pelo IBGE.
A área a ser colhida foi de 82,9 milhões de hectares, com aumento de 1,6% (ou 1,3 milhão de hectares) frente a 2025. Em relação à estimativa de janeiro, a área a ser colhida cresceu 0,3% (aumento de 213.075 hectares).
A soja, o arroz e o milho e a soja são os três principais produtos deste grupo, que, somados, representaram 92,8% da estimativa da produção e respondem por 87,5% da área a ser colhida. Para a soja, a estimativa de produção foi de 173,3 milhões de toneladas (4,3% de alta em relação a 2025); para o arroz (em casca) a estimativa foi de 11,6 milhões (8,0% inferior) e para o milho a estimativa foi de 134,3 milhões de toneladas (5,3% menor). A estimativa do milho foi de 28,9 milhões para a primeira safra (12,2% acima de 2025) e 105,4 milhões na segunda (9,1% menor).
Para o trigo, a estimativa de produção para 2026 em fevereiro foi de 7,7 milhões de toneladas (1,6% de baixa em relação a 2025). A produção do algodão herbáceo (em caroço) foi estimada em 8,8 milhões de toneladas (10,5% menor que no ano passado). O sorgo teve a safra estimada em 4,9 milhões de toneladas (9,5% menor) enquanto para o feijão, estima-se 3,0 milhões (0,2% a menos).
Quanto à área a ser colhida, em relação ao ano anterior, em fevereiro, estimou-se crescimentos de 0,8% na área da soja; de 2,4% na do milho (aumentos de 9,5% no milho 1ª safra e de 0,6% no milho 2ª safra) e de 0,5% na do sorgo, ocorrendo declínios de 5,8% na área a ser colhida do algodão herbáceo (em caroço); de 6,3% na do arroz em casca; e de 2,5% na do feijão.
Centro-Oeste lidera a produção em fevereiro de 2026, com 167,9 milhões de toneladas
Entre as Grandes Regiões, o volume da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresentou a seguinte distribuição: Centro-Oeste, 167,9 milhões de toneladas (48,8%); Sul, 95,2 milhões de toneladas (27,7%); Sudeste, 30,5 milhões de toneladas (8,9%), Nordeste, 28,9 milhões de toneladas (8,4%) e Norte, 21,5 milhões de toneladas (6,2%).
Em relação à produção de 2025, a estimativa da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas variou positivamente para as regiões Sul (10,3%) e Nordeste (4,2%), e negativamente para as regiões Centro-Oeste (-6,0%), Norte (-3,5%) e Sudeste (-1,9%). Quanto à variação mensal da estimativa, em fevereiro cresceu o esperado na produção das regiões Nordeste (2,3%), Sudeste (1,1%), Centro-Oeste (0,3%) e Norte (0,2%). No Sul a estimativa de fevereiro foi 0,1% menor que a de janeiro.
Na distribuição da produção pelas unidades da Federação, o Mato Grosso lidera como o maior produtor nacional de grãos, com participação de 30,2% na safra nacional, seguido por Paraná (13,9%), Rio Grande do Sul (11,7%), Goiás (10,7%), Mato Grosso do Sul (7,6%) e Minas Gerais (5,5%). Juntos, estes estados representaram 79,6% da estimativa de produção brasileira para 2026.
As principais variações positivas nas estimativas da produção, em relação a janeiro, ocorreram na Bahia (alta de 652.211 toneladas), em Goiás (424.068 t), em Minas Gerais (321.243 t), no Paraná (306.400 t), em Rondônia (49.323 t), no Maranhão (6.474 t) e no Ceará (42 t). Já as variações negativas maiores ocorreram no Rio Grande do Sul (-359.430 t), no Amapá (-124 t), no Rio de Janeiro (-84 t) e em Roraima (-65 t).
Culturas
Frente a janeiro, houve aumentos nas estimativas da produção do café arábica (+5,6% ou +140.318 t), do sorgo (+5,1% ou +238.602 t), do feijão 1ª safra (+2,6% ou +25.511 t), do milho 1ª safra (+0,8% ou +240.531 t), da soja (+0,4% ou +718.684 t), do café canephora (+0,4% ou +4.447 t) e do milho 2ª safra (+0,2% ou +221.757 t). Houve queda nas estimativas para o feijão 2ª safra (-4,5% ou -57.775 t) e para a cana-de-açúcar (-0,9% ou -6.581.058 t).
CAFÉ (em grão) – A produção brasileira, considerando-se as duas espécies, arábica e canephora, foi estimada em 3,8 milhões de toneladas (64,1 milhões de sacas de 60 kg), acréscimos de 3,9% em relação a janeiro e de 11,5% em relação ao volume produzido em 2025, um recorde na série histórica da pesquisa, comparável desde 2002.
Para o café arábica, a produção estimada foi de 2,6 milhões de toneladas (43,9 milhões de sacas), alta de 5,6% em relação a janeiro. Na safra de 2026, aguarda-se um crescimento natural da produção em função das características da espécie, que nos anos pares tende a produzir mais. O clima tem beneficiado as lavouras do Centro-Sul e os problemas climáticos nas principais unidades da Federação produtoras, por enquanto, mostraram-se pontuais.
Em fevereiro, Minas Gerais reavaliou suas estimativas, elevando em 5,5% o rendimento médio e em 2,6% na área plantada. Em relação a 2025, o rendimento médio foi elevado em 18,4% e a área a ser colhida em 5,3%. Preços compensadores nos últimos anos incentivam os produtores a ampliarem as áreas de plantio, os investimentos e os tratos nos cafeeiros. O Estado é o maior produtor de café arábica, com 1,9 milhão de toneladas (31,9 milhões de sacas), alta de 8,2% em relação a janeiro e de 24,7% em relação a 2025, devendo participar com 72,6% da produção nacional dessa espécie.
Para o café canephora, a estimativa da produção foi de 1,2 milhão de toneladas (20,2 milhões de sacas), acréscimo de 0,4% em relação a janeiro e queda de 3,7% em relação ao produzido em 2025. A área a ser colhida avançou 1,3% e o rendimento médio caiu 4,9% frente o ano passado. Embora o clima esteja favorecendo as lavouras, a base comparativa impacta na variação, já que a produção do café canephora, em 2025, foi recorde da série histórica do IBGE. Todavia, incertezas em relação ao volume e à frequência das chuvas no primeiro quadrimestre do ano ainda permanecem.
Em fevereiro, houve crescimentos de 1,4% na estimativa da produção em Rondônia e de 6,8% em Minas Gerais, devido aos crescimentos da área colhida (3,7%) e do rendimento médio (3,1%). Em Rondônia, a produção estimada foi de 182,6 mil toneladas (3,0 milhões de sacas), e a participação deve ser de 15,1% do total produzido no Brasil. Em Minas Gerais, a produção deve alcançar 31,6 mil toneladas (526,0 mil sacas), 7,4% maior que em 2025. O maior produtor do conilon, com participação estimada em 69,4% do total, é o Espírito Santo, com 841,3 mil toneladas esperadas para 2026 (14,0 milhões de sacas).
CANA-DE-AÇÚCAR – A estimativa da produção foi de 700,4 milhões de toneladas, redução de 0,9% em relação a janeiro. Em relação a 2025, a produção deve ser 0,4% menor. As estimativas iniciais apontam para uma maior produtividade esse ano (1,6%), atingindo 74.717 kg/ha.
O clima chuvoso deve favorecer os canaviais. São Paulo, responsável por metade da produção nacional, não reavaliou suas estimativas em fevereiro (352,1 milhões de toneladas). A maior reavaliação no mês foi em Goiás, com queda 6,7% na produção, devido a menor área plantada (-10,1%). Mesmo assim, a produtividade no estado deve crescer 3,8%, com as condições climáticas melhores. Na Região Nordeste, as maiores variações mensais de produção ocorreram em Alagoas (-2,7%) – redução de 2,5% na área plantada – e no Maranhão (-1,0%), que apontou queda de 2,6% na produtividade.
CANOLA (em grão) – A produção da canola foi estimada em 298,9 mil toneladas, crescimento de 13,0% em relação a janeiro. O Rio Grande do Sul é a única unidade da Federação que produz comercialmente o grão no Brasil. O IBGE passou a levantar as estimativas da canola em 2026, já que a produção cresceu muito no estado nos últimos anos, substituindo cultivos tradicionais, como trigo, aveia e coberturas vegetais, consolidando-se como uma cultura de inverno estratégica. Na região noroeste do estado, alguns produtores acumulam mais de sete anos de experiência com o cultivo.
FEIJÃO (em grão) – A estimativa de fevereiro para as três safras do feijão alcançou 3,0 milhões de toneladas, redução de 1,1% em relação a janeiro e de 0,2% em relação a 2025. A produção deve ser suficiente para o abastecimento interno, dispensando a importação. O Paraná, maior produtor nacional de feijão, prevê 688,4 mil toneladas (22,9% de participação), seguido por Minas Gerais com 514,1 mil toneladas (17,1% de participação), Goiás com 364,9 mil toneladas e Mato Grosso com 363,4 mil toneladas.
A estimativa da produção da primeira safra de feijão cresceu 2,6% em fevereiro e chegou a 1,0 milhão toneladas, representando 33,3% de participação no ano. Em relação às regiões geográficas, em fevereiro houve queda na estimativa da primeira safra nas regiões Norte (-1,1%) e Centro-Oeste (-0,7%), que tiveram redução na área a ser colhida de 0,6% e 0,2%, respectivamente. As regiões Nordeste e Sul apresentaram aumento de 4,7% e 3,6% na produção estimada. No Sul, que concentra 30,3% da produção estimada para a 1ª safra, houve aumento de 3,3% na estimativa do rendimento médio. Na Região Sudeste não houve variação significativa.
A segunda safra de feijão foi estimada em 1,2 milhão de toneladas, o que corresponde a 41,2% do total. Em fevereiro, a estimativa caiu 4,5%, reflexo da menor produção esperada na região Sul (-9,3%), que detém 45,4% da segunda safra. O Paraná, maior produtor do Brasil, espera 496,1 mil toneladas, 40% do total da safra. Os preços em baixa estão desestimulando os produtores paranaenses.
Em relação à terceira safra de feijão, a estimativa de fevereiro foi de 766,7 mil toneladas, mesmo volume de janeiro. Frente a 2025, espera-se retração de 0,8% na produção em função das reduções na área (-0,3%) e do rendimento médio (-0,6%). Os maiores produtores da terceira safra são Goiás (258,5 mil toneladas), Minas Gerais (177,2 mil toneladas), Mato Grosso (176,3 mil toneladas) e São Paulo (122 mil toneladas).
MILHO (em grão) – A estimativa de produção foi de 134,3 milhões de toneladas em fevereiro, crescimento de 0,3% em relação a janeiro. A região Sul, segunda maior produtora nacional, obteve um crescimento na produção de 377 mil toneladas (1,3%), o que influenciou os dados nacionais, enquanto a região Centro-Oeste, maior produtora do Brasil, manteve relativamente estável sua estimativa.
O milho primeira safra apresentou uma estimativa de produção de 28,9 milhões de toneladas, aumento de 0,8% em relação ao mês anterior e 12,2% em relação a 2025. A produção no Rio Grande do Sul (22,5% da produção nacional) deve ser de 6,5 milhões de toneladas (22,5% maior que em 2025). No segundo maior produtor nacional, Minas Gerais (17,4% da produção), a estimativa manteve-se estável em 5,0 milhões de toneladas (13,8% acima de 2025).
A estimativa da segunda safra foi de 105,4 milhões de toneladas, 9,1% menor que a safra de 2025. Em comparação com janeiro, houve crescimento de 0,2% na produção e de 0,1% na área e no rendimento médio. As regiões Nordeste, Sudeste e Centro Oeste, mantiveram estabilidade em relação ao mês anterior, e as regiões Norte e Sul apresentaram crescimento de 1,4% e 0,6%, respectivamente. Em relação à safra anterior, todas as regiões apresentaram retrações significativas, associadas às quedas na produtividade.
O maior produtor de milho na segunda safra, o Mato Grosso (47,4% da produção nacional), estimou 50,0 milhões de toneladas, queda de 8,5% em relação a 2025; com retração de 9,9% no rendimento médio (6.732 kg/ha). O Paraná (16,6% de participação), segundo maior produtor nacional, manteve a redução de 0,8% na estimativa anual, apesar do crescimento de 1,6% na área, totalizando 17,5 milhões de toneladas e um rendimento médio de 6 125 kg/ha (-2,3%). Goiás (12,7% de participação), é o terceiro maior produtor nacional do milho segunda safra. A produção mensal teve aumento de 0,2%, alcançando 13,4 milhões de toneladas, associada ao crescimento de 1,4% no rendimento médio (6.171 kg/ha).
SOJA (em grão) – A estimativa da produção alcançou novo recorde na série histórica em 2026, totalizando 173,3 milhões de toneladas, 0,4% acima de janeiro 4,3% maior que o produzido em 2025. A área cultivada deve crescer 0,8% e alcançar 48,2 milhões de hectares, enquanto o rendimento médio, de 3 600 kg/ha, deve crescer 3,5% em relação ao ano anterior.
As projeções indicam uma safra histórica, impulsionada por condições climáticas favoráveis na maior parte das unidades da Federação produtoras e pela recuperação da safra gaúcha. Maior produtor nacional, o Mato Grosso estimou safra de 48,5 milhões de toneladas, queda de 3,3% em relação a 2025, sendo que a área plantada apresentou um crescimento de 1,9% e o rendimento médio caiu em 5,0%. Goiás deve produzir 19,5 milhões de toneladas, queda de 3,8% em relação a 2025, com alta de 0,9% na área e decréscimo de 4,7% no rendimento médio.
O Mato Grosso do Sul aguarda uma produção de 15,0 milhões de toneladas, crescimento de 14,0% em relação ao volume colhido em 2025, havendo crescimentos de 3,2% na área a ser colhida e de 10,5% no rendimento médio. O Paraná, com 22,3 milhões de toneladas, deve ter o segundo maior volume colhido do País, com crescimento de 4,3% em relação ao volume colhido em 2025, havendo declínio de 0,2% na área plantada e crescimento de 4,5% no rendimento médio. O Rio Grande do Sul estimou uma produção de 20,8 milhões de toneladas, declínio de 2,1% em relação ao mês anterior, em decorrência da queda de 2,0% no rendimento médio. Em 2025, a produção gaúcha foi prejudicada pelo clima, notadamente pela falta de chuvas durante o ciclo da cultura, o que faz da safra de 2026, uma recuperação.
SORGO (em grão) – A estimativa da produção do sorgo para fevereiro foi de 4,9 milhões de toneladas, aumento de 5,1% sobre janeiro, com a área plantada 3,4% maior, assim como o rendimento médio, 1,6% maior. No comparativo anual, espera-se por queda de 9,5% na produção. A área plantada pelo sorgo deve ficar em torno de 1,5 milhão de hectares ou 1,9% do total ocupado com cereais, leguminosas e oleaginosas, representando 1,4% da produção desse grupo. O rendimento médio deve alcançar 3.162 kg/ha, indicando aumento de 1,6% sobre janeiro de 2026.
No comparativo mensal com janeiro de 2026, as variações de produção foram alavancadas pelo Sudeste com incremento de 12,4%, ocorrido sobretudo em Minas Gerais, o segundo estado em importância. A produção mineira deve ser de 1,4 milhão de toneladas, aumento de 17,8% no mês. São Paulo, com participação de 10,4% no total nacional manteve as estimativas em fevereiro em 508,0 mil toneladas. No Sul, o Rio Grande do Sul mantém o ritmo de recuperação de suas lavouras, com expectativa de aumento de 5,2%. No Centro-Oeste, responsável por mais da metade da produção nacional, a produção deve aumentar 1,1%, vindo essa variação de Goiás, o maior produtor de sorgo, com cerca de 1,7 milhão de toneladas do produto. O incremento produtivo deve ser de 1,6%, praticamente vindo do ganho de áreas, uma vez que o rendimento médio deve cair marginalmente. As Regiões Norte e Nordeste não variaram ou variaram pouco as estimativas no mês. Restam as expectativas quanto ao clima e domínio do El Niño, previsto para 2026, o que pode afetar as lavouras de soja e de milho de forma diferenciada nas regiões produtoras, tendo impactos também sobre a decisão de plantio do sorgo.
Fonte: IBGE

Autor:IBGE
Site: IBGE
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Aprosoja-GO e Faeg possibilitam antecipação do plantio de soja em Goiás

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Goiás (Aprosoja-GO) e A Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) conseguiram a antecipação do calendário de semeadura da soja em Goiás para a safra 2026/2027. O pedido foi encaminhado à Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), que autorizou, em caráter excepcional, o início da presença de plântulas de soja no campo a partir de 20 de setembro.
A autorização foi oficializada nesta quarta-feira (16), com a publicação da Instrução Normativa nº 5/2026, da Agrodefesa. Até então, o calendário estabelecia 25 de setembro como data inicial para a semeadura. A data limite permanece em 2 de janeiro de 2027.
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Segundo a Faeg, a solicitação levou em consideração avaliações técnicas e as condições climáticas previstas para o período. A análise identificou a possibilidade de ocorrência de janelas pontuais de umidade do solo em diferentes regiões produtoras do Estado.
“Na prática, uma janela de umidade é um período curto em que o solo apresenta condições adequadas de umidade, geralmente após chuvas, que podem favorecer o início da semeadura. Essas condições não ocorrem necessariamente ao mesmo tempo em todo o Estado e podem durar poucos dias. Por isso, a antecipação permite que o produtor aproveite uma oportunidade de plantio quando houver chuva e umidade suficientes em sua região, sem precisar esperar até 25 de setembro”, explica Edson Novaes, gerente de Estudos Técnicos da Faeg.
Outro aspecto considerado pelas entidades foi a diferença entre os calendários de Goiás e de estados vizinhos, como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde o período de vazio sanitário da soja termina antes. A antecipação pode aproximar os períodos de plantio entre as principais regiões produtoras do Centro-Oeste.
A medida é excepcional e temporária e vale para a safra 2026/2027. Isso significa que não altera de forma permanente o calendário estabelecido pela Instrução Normativa Agrodefesa nº 6/2024.
Os produtores que realizarem a semeadura entre 20 e 24 de setembro deverão cumprir as obrigações fitossanitárias já estabelecidas, como o registro e a comunicação das áreas cultivadas e o monitoramento das lavouras.
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Cuidados essenciais para o estabelecimento da lavoura de soja – MAIS SOJA

O estabelecimento da lavoura de soja constitui uma das etapas mais decisivas para a obtenção de elevadas produtividades. Embora a premissa de que “uma boa lavoura começa com uma boa semente” seja amplamente reconhecida, o potencial das sementes depende também de condições adequadas para a germinação e a emergência das plântulas. Dessa forma, além da qualidade fisiológica das sementes, fatores relacionados à semeadura e às condições do ambiente são fundamentais para a formação de uma lavoura uniforme e com bom potencial produtivo.
Durante a instalação da lavoura, é definido um dos principais componentes do rendimento da soja: o número de plantas por unidade de área. Apesar da conhecida capacidade de plasticidade da cultura, que permite certo grau de compensação diante de falhas no estande, essa capacidade é limitada. Assim, falhas, plantas duplas ou distribuição inadequada podem comprometer a uniformidade da lavoura e, consequentemente, refletir negativamente sobre a produtividade.
Figura 1. Esquerda: resultado de semeadura de soja bem feita, com sementes de alta qualidade e vigor: plântulas com emergência uniforme, bem espaçadas e sem falhas; Direita: resultado de semeadura mal feita, resultando em falhas e aglomerados de plântulas.
Logo, além da utilização de sementes de alta qualidade, cuidados relacionados à semeadura, à plantabilidade e às exigências fisiológicas das sementes devem ser considerados para a formação de um estande adequado e uniforme. Da mesma forma, o planejamento da implantação da lavoura exerce importante influência sobre o potencial produtivo da soja, especialmente quanto à definição da época e da densidade de semeadura.
A época de semeadura da soja deve ser definida com base nas recomendações técnicas estabelecidas pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), que considera as características de solo e as condições ambientais de cada região de cultivo, buscando minimizar os riscos associados às adversidades climáticas. Além disso, é fundamental respeitar os períodos de vazio sanitário e os calendários de semeadura estabelecidos para as diferentes regiões produtoras do país.
Tabela 1. Períodos de vazio sanitário e de calendário de semeadura para a cultura da soja na safra 2026/2027.

Já com relação a densidade de semeadura, além das recomendações técnicas para a cultivar, é preciso compreender que quando a lavoura é instalada com densidade de plantas acima da indicada para a cultivar, a região e a época de semeadura, há alta competição entre plantas. Nessa situação, a redução de produção de grãos por planta pode ser mais expressiva do que o aumento da quantidade de plantas por área, reduzindo a produtividade de grãos por hectare (Balbinot Junior et al.,2020). Logo, é fundamental trabalhar com densidades de semeadura dentro do estabelecido para a cultivar e região de cultivo.
Tabela 2. Densidade de plantas por hectare, de acordo com o espaçamento entre as fileiras e o número de plantas por metro linear.

Após a definição da época e da densidade de semeadura, é fundamental atentar para as condições ambientais no momento da implantação da lavoura, de modo a garantir que as exigências fisiológicas das sementes sejam atendidas durante a germinação. Para que esse processo ocorra adequadamente, a semente de soja necessita de três fatores fundamentais: água, oxigênio e temperatura adequada. A semente precisa absorver, no mínimo, 50% do seu peso em água para assegurar uma boa germinação (Farias; Neumaier; Nepomuceno, 2009).
Quando a quantidade de água absorvida é insuficiente, a semente pode até iniciar o processo germinativo, mas dificilmente consegue completar adequadamente suas três fases: absorção de água, ativação metabólica e crescimento. Além da disponibilidade hídrica, a temperatura exerce papel fundamental nesse processo. Para a soja, a faixa de temperatura do solo considerada adequada para a germinação situa-se entre 20 °C e 30 °C, enquanto temperaturas inferiores a 20 °C podem prejudicar a germinação e a emergência das plântulas (Neumaier et al., 2020).
Outro aspecto fundamental para o estabelecimento da lavoura é a regulagem da semeadora. O correto ajuste do equipamento, visando reduzir a ocorrência de falhas e plantas duplas, contribui para a formação de um estande adequado e uniforme. Da mesma forma, a regulagem da profundidade de deposição das sementes é essencial para favorecer a emergência das plântulas. Para a soja, recomenda-se posicionar as sementes, em condições adequadas, entre 3 e 5 cm de profundidade (Balbinot Junior et al., 2020).
Veja mais: Plantabilidade – Atenção com falhas e duplas

Referências:
BALBINOT JUNIOR, A. A. et al. INSTALAÇÃO DA LAVOURA. Embrapa Soja, Tecnologias de Produção de Soja, Sistemas de Produção, n. 17, cap. 4, 2020. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1123928/1/SP-17-2020-online-1.pdf >, acesso em: 18/09/2026.
FARIAS, J. R. B.; NEUMAIER, N.; NEPOMUCENO, A. L. Agrometeorologia dos Cultivos: O fator meteorológico na produção agrícola: Soja. INMET, 2009. Disponível em: < https://www.embrapa.br/documents/1355291/37056285/Bases+climatol%C3%B3gicas_G.R.CUNHA_Livro_Agrometeorologia+dos+cultivos.pdf/13d616f5-cbd1-7261-b157-351eaa31188d?version=1.0 >, acesso em: 18/09/2026.
FRANÇA-NETO, J. B.; et al. TECNOLOGIAS DA PRODUÇÃO DE SEMENTES DE SOJA DE ALTA QUALIDADE. Embrapa Soja, Documentos, n. 380, 2016. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1057882/1/Documentos380OL1.pdf >, acesso em: 18/09/2026.
MAPA. PORTARIA SDA/MAPA Nº 1.579, DE 9 DE ABRIL DE 2026. Diário Oficial da União, 2026. Disponível em: < https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-sda/mapa-n-1.579-de-9-de-abril-de-2026-698696654 >, acesso em: 18/09/2026.
NEUMAIER, N. et al. ECOFISIOLOGIA DA SOJA. Tecnologias de Produção de Soja, cap. 2, Embrapa, Soja, Sistemas de Produção, n. 17, 2020. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/223209/1/SP-17-2020-online-1.pdf >, acesso em: 18/09/2026.

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Com 88% da área em floração e enchimento de grãos, cultura de canola avança no Rio Grande do Sul – MAIS SOJA

A cultura de canola avança para as fases finais do ciclo. Predominam lavouras em floração e enchimento de grãos (88%), e aumentam as áreas em maturação (9%). A colheita ainda se limita a pequenas extensões de implantação precoce (1%).
As condições de maior luminosidade, de temperaturas favoráveis e de menor umidade relativa do ar, observadas em parte do período, contribuíram para o avanço fenológico, para o desempenho das plantas e, nas áreas em floração, para maior atividade de polinizadores.
Eventos de geada atingiram as lavouras em diferentes estádios, provocando efeitos variáveis conforme o relevo e o desenvolvimento das plantas. Em lavouras que estavam em formação e enchimento de grãos, há possibilidade de comprometimento parcial do enchimento das síliquas e redução do peso de mil grãos, mas ainda sem quantificação definitiva das perdas.
O estado fitossanitário está, em geral, satisfatório, mas continua o monitoramento de pragas e doenças, sendo observada incidência de traça-das-crucíferas e de mofo-branco. A área cultivada de canola está estimada em 353.397 hectares, e a produtividade média em 1.619 kg/ha.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, as primeiras lavoura simplantadas em abril alcançam a maturação: em São Borja (10% de 13.500 ha), em Maçambará (5% de 13.868 ha) e em Santa Margarida do Sul (10% de 600 ha). As condições ambientais favoreceram as áreas em floração devido à maior atividade de polinizadores e as lavouras em enchimento de grãos. Contudo, em Manoel Viana, a redução da umidade do solo em áreas de textura predominantemente arenosa aumentou a necessidade de reposição hídrica via precipitações.
Na de Frederico Westphalen, as lavouras apresentam desenvolvimento satisfatório. Estão 2% em florescimento, 65% em enchimento de grãos, 25% em maturação e 8% colhidos. A produtividade atual está estimada em cerca de 2.000 kg/ha. Na de Ijuí, 80% dos cultivos estão em fase final de enchimento de grãos, e 10% em maturação. No Alto Jacuí, em Ibirubá, as primeiras lavouras colhidas apresentaram rendimentos entre 1.500 e 1.800 kg/ha. Nas áreas atingidas por geada, não foram observados sintomas externos de queimadura das síliquas, mas houve interrupção do desenvolvimento dos grãos na porção terminal.
Na de Passo Fundo, as lavouras estão nos estágios de formação de vagens e de enchimento de grãos, com boa condição sanitária. Os impactos causados pelos episódios de granizo em alguns municípios ainda dependem de avaliação nas áreas atingidas.
Na de Pelotas, as lavouras apresentam estande adequado. Estão 74% da área em florescimento e 26% em enchimento de grãos. Na de Santa Maria, em Tupanciretã, município com a maior área de canola no Estado, estimada em 29 mil hectares, 75% das lavouras estão em formação e enchimento de grãos e 25% em maturação. As geadas ocorridas não provocaram prejuízos significativos.
Na de Santa Rosa, a distribuição fenológica aponta 6% das lavouras em floração, 74% em enchimento de grãos, 19% em maturação e 1% colhido. As geadas, registradas no início do período, podem ter afetado o potencial produtivo, sobretudo em baixadas e áreas sujeitas ao acúmulo de ar frio. As lavouras apresentam bom desenvolvimento vegetativo e potencial
produtivo, mas há incidência de traça-das-crucíferas em diferentes áreas.
Na de Soledade, as temperaturas e a radiação solar foram elevadas para a época, favorecendo a evolução do ciclo. Estão 2% da área em florescimento e formação de síliquas, e 98% em enchimento de grãos. As lavouras apresentam plantas vigorosas, bem ramificadas e com elevada densidade de síliquas. O monitoramento concentra-se em doenças e pragas, especialmente mofo-branco e traça-das-crucíferas.
Comercialização (saca de 60 quilos)
O preço médio praticado na região de Ijuí é de R$ 134,00; na de Santa Maria, R$ 139,00; na de Santa Rosa, R$ 136,35; em Santana do Livramento, R$ 135,00.
Fonte: Emater/RS
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