Agro Mato Grosso
Chuvas, estradas precárias e filas nos portos pressionam produtores de soja em MT

No pico da colheita da soja em Mato Grosso, produtores enfrentam na reta final da safra excesso de chuvas, estradas danificadas e dificuldades para escoar a produção até os portos. No extremo norte do estado, agricultores relatam áreas comprometidas e perdas que já chegam a 40% em algumas propriedades.
A colheita da safra 2025/26 de soja já alcançou no último dia 6 de março 89,15% da área cultivada no estado, conforme dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O ritmo está acima da média dos últimos cinco anos, embora ainda abaixo do registrado no mesmo período da safra passada.
Mesmo com o avanço dos trabalhos, ainda há grande volume de soja a ser retirada do campo, principalmente em regiões que enfrentam excesso de chuva. Em Matupá, por exemplo, o acumulado entre janeiro e fevereiro já ultrapassa 1,9 mil milímetros, deixando o solo encharcado, atrasando a colheita e aumentando os registros de grãos avariados.
Perdas nas lavouras
De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Matupá, Fernando Bortolin, parte das perdas já está consolidada e pode aumentar caso as chuvas persistam ao longo de março. Na região, ele relata que já há propriedades com prejuízos expressivos.
“A gente estima entre 5 a 10% já garantido e em algumas propriedades específicas aqui da região de Matupá que está com 30%, 40% de perdas”, diz. Conforme ele, a irregularidade climática ao longo da safra contribuiu para o cenário atual. “Não choveu na região nos meses de setembro e outubro e acumulou agora fluindo de forma negativa”, explica ao Canal Rural Mato Grosso, ao destacar que ainda há muita soja no campo e registros de cargas com grãos avariados.

Em algumas propriedades, as máquinas sequer conseguem entrar nas áreas prontas para colheita. Pontes danificadas, estradas comprometidas e lavouras já maduras ampliam o risco de perdas. O produtor Richelli Cotrim, que nesta safra cultivou cerca de 8,5 mil hectares de soja, conta que parte da área já começa a apresentar problemas de qualidade.
“Estou com 1,5 mil hectare pronto, uns 300 hectare está avariado que eu vou ter que segurar um pouco e vou tentar antecipar os outros para não estragar mais”, relata. De acordo com o produtor, o volume das chuvas tem sido o principal obstáculo. “Não é chuva de 10, 15 milímetros, é 100, 150, 180 milímetros em uma chuva, e aí acaba com tudo, alaga, com isso as máquinas não entram na lavoura”.
Situação semelhante é enfrentada pelo produtor Nelson Lorena Néia Júnior, que cultivou 3,7 mil hectares de soja na mesma região. Segundo ele, o excesso de água tem dificultado até a operação das máquinas, que acabam atolando nas áreas encharcadas. “Atolando máquinas e essas máquinas grandes para desatolar só uma escavadeira”, conta ao Canal Rural Mato Grosso.
O produtor frisa que o cenário tem tirado o sono de quem está no campo, principalmente diante das contas que precisam ser pagas. “As contas chegam, e está difícil fechar as contas com esse preço da soja, os valores dos impostos que a gente paga e do frete subindo”, afirma. A expectativa inicial dele era colher entre 75 e 80 sacas por hectare, mas, as perdas já provocaram frustração na produtividade, com redução estimada entre 8 e 10 sacas por hectare.
Estradas ampliam gargalos logísticos
Além das dificuldades dentro das lavouras, produtores também enfrentam problemas para transportar a produção. A precariedade de algumas estradas estaduais não pavimentadas preocupa agricultores da região. Um dos exemplos citados é a MT-322, apontada como um dos gargalos logísticos.
Nelson Lorena Néia Júnior relata que a situação da estrada tem obrigado produtores a realizarem intervenções por conta própria para manter o tráfego.

“Já tivemos um ano muito difícil o ano passado, estrada muito ruim e a gente tendo que colocar máquina nossa para fazer o serviço e os tapa buracos”, diz. Para ele, a situação demonstra falta de atenção com uma região que tem forte participação na geração de riqueza. “Quanto a gente emprega, quanto a gente gera de riqueza, temos que comover alguém, de alguma forma para nos ajudar aqui porque estamos esquecidos”.
Richelli Cotrim também critica a falta de avanço nas obras de infraestrutura. O produtor pontua à reportagem que há contratos e recursos previstos, mas os resultados ainda não chegaram ao campo. “Se não tivesse nada, tudo bem, mas existe uma empreiteira com a licitação ganha, com recurso, com verba, e nós estamos sofrendo”, afirma.
Para o produtor, a falta de pavimentação mantém a região dependente de estradas precárias. “É um descaso tão grande e essas empreiteiras estão acostumada a fazer qualquer servicinho e ir embora e nós ficamos sempre a ver navios, e não tem o que fazer, nós precisamos de asfalto”.
Gargalos no Arco Norte
Outro fator que tem preocupado os agricultores mato-grossenses é o escoamento da safra pelo Arco Norte, uma das principais rotas de exportação da produção do estado. De acordo com o setor produtivo, as chuvas intensas, as condições das estradas e as longas filas nos terminais portuários, especialmente em Miritituba (PA), têm elevado custos e reduzido a rentabilidade.
O agricultor Alexandre Falchetti explica que o tempo de espera nos portos pode comprometer a qualidade da soja transportada.
“A soja é perecível e se você deixar ela três dias dentro de um caminhão em uma fila lá, acaba estragando, você perde qualidade, perde peso, perde dinheiro”, diz. Segundo ele, quando o caminhão fica parado, toda a operação logística também fica comprometida.
O presidente do Sindicato Rural de Sinop, Ilson José Redivo relata que o tempo de viagem até Miritituba aumentou significativamente. Conforme ele, um trajeto que poderia ser feito em poucos dias passou a levar mais de uma semana.
“Os caminhões que poderiam fazer de Sinop a Miritituba em dois, três dias levam uma semana para ir e voltar ou mais de uma semana”, explica. O impacto aparece diretamente no custo do frete. “Hoje para trazer um saco de soja de Sinop a Miritituba o frete gira em torno de R$ 20 a saca de soja e o produtor vende uma saca de soja a menos de R$ 100, então a conta não fecha”.
Para o presidente do Sindicato Rural de Nova Mutum, Paulo Zen, a falta de armazenagem no estado também contribui para a pressão sobre o transporte.
“O caminhão hoje é o silo. É a armazenagem desse lugar aqui”, ressalta Zen ao Canal Rural Mato Grosso. Segundo ele, o produtor acaba absorvendo os prejuízos ao receber menos pela soja. “Quem paga para isso somo nós lá, ganhando R$ 10, R$ 15 a menos na saca de soja para aguentar tudo isso que está acontecendo aqui”.
O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Lucas Costa Beber, defende investimentos estruturais para reduzir os gargalos logísticos do estado. De acordo com ele, a ferrovia Ferrogrão poderia aliviar o fluxo nas rodovias e reduzir significativamente o custo do frete.
“Se nós tivéssemos a Ferrogrão ligando Mato Grosso, ligando ao Porto de Miritituba, além de desafogar todas essas rodovias e evitar essas filas e deterioração de asfalto, o frete diminuiria de 30% a 40%”, destaca. Ele também pontua a necessidade de ampliar a capacidade de armazenagem no estado para garantir maior competitividade ao setor.
Agro Mato Grosso
Ponte de rodovia em MT é interditada após caminhão cair em córrego

A orientação aos motoristas é usar rotas alternativas, com desvio por Ipiranga do Norte ou por Lucas do Rio Verde.
Uma ponte na MT-560, em Sorriso, a 420 km de Cuiabá, foi interditada após um caminhão capotar e cair em um córrego nesta quarta-feira (29). Segundo a prefeitura, o motorista não ficou ferido.
A Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec) ficou responsável pelo bloqueio na área.
Segundo a Defesa Civil do município, não há condições de manutenção do tráfego no sentido Sorriso–Tapurah.
A orientação aos motoristas é utilizar rotas alternativas, com desvio por Ipiranga do Norte ou por Lucas do Rio Verde. A prefeitura não divulgou prazo para a liberação do trecho.
Agro Mato Grosso
Vídeo: motorista perde freio de caminhão e cai no Lago do Manso em MT

Após perceber a falha no freio ainda na estrada, o motorista desviou para a água ao perceber o risco de um acidente mais grave na pista.
Um caminhão que transportava areia caiu no Lago do Manso, em Chapada dos Guimarães, a 65 km de Cuiabá, nessa segunda-feira (28), após o motorista perder o controle dos freios em uma descida que antecede a travessia de balsa. O condutor, que não foi identificado, não ficou ferido após o acidente.
Em vídeo gravado no local, é possível ver que o caminhão avançou alguns metros dentro do lago e ficou submerso (assista abaixo).
Segundo relatos de testemunhas, após perceber a falha no freio ainda na estrada, o motorista desviou para a água ao perceber o risco de um acidente mais grave na pista.
O veículo é de uma empresa particular de Cuiabá e fazia frete. O caminhão permaneceu no local e foi retirado após a descarga da carga de areia.
VIDEO:
Ver essa foto no Instagram
Agro Mato Grosso
Fazendeiro é ‘escoltado’ por onça-pintada em lavoura de MT; veja vídeo

Valdecir Baggio, gerente de uma fazenda em Campo Novo do Parecis, saiu de carro pela propriedade quando foi surpreendido pelo felino, que passou a correr ao lado do veículo até fugir para mata.
A volta de carro que o gerente de fazenda Valdecir Baggio costuma fazer todos os dias foi marcada por uma “escolta” de uma onça-pintada, nessa terça-feira (28), em Campo Novo do Parecis, a 397 km de Cuiabá. Vídeos registrados pelo próprio fazendeiro mostram o animal correndo ao lado do veículo (veja abaixo).
Em entrevista à imprensa, Valdecir contou que havia saído de casa para buscar uma máquina quando avistou o animal atravessando a lavoura. A cena chamou atenção pela proximidade e tranquilidade do felino.
“Não senti medo em nenhum momento. Ela não fez ameaças. A única coisa que deu foi uma adrenalina inexplicável. É um momento único. Fantástico. No momento em que ela contornou o carro e levantou a cabeça, esse momento foi marcante. Foi uma cena inesquecível”, relatou.
Segundo ele, a região possui áreas de mata onde é comum a presença de onças, o que pode ser percebido pelas marcas de pegadas no solo.
VIDEO:
Apesar de já fazer esse percurso diariamente, Valdecir disse que nunca havia vivido uma situação parecida.
“Foi por volta de 9h da manhã. Eu fui me aproximando dela, a adrenalina foi tomando conta. Cheguei a ficar próximo de uns dois metros e meio, andando lado a lado”, disse.
https://www.youtube.com/watch?v=MZ0FjhSAkvU
Após alguns instantes de corrida pela lavoura, a onça contornou o carro e seguiu em direção à mata, desaparecendo entre a vegetação.

Featured21 horas agoCuiabá tem novo alerta de chuvas fortes e ventania de até 60 km/h I MT
Agro Mato Grosso3 horas agoFazendeiro é ‘escoltado’ por onça-pintada em lavoura de MT; veja vídeo
Agro Mato Grosso29 minutos agoPonte de rodovia em MT é interditada após caminhão cair em córrego
Agro Mato Grosso1 hora agoVídeo: motorista perde freio de caminhão e cai no Lago do Manso em MT
Featured21 horas agoEscrivão recém-empossado da PC-MT é investigado por atuar como garoto de programa em Cuiabá
Sustentabilidade22 horas agoSoja/BR: Colheita avança e se aproxima do fim no Brasil, com irregularidade de chuvas no RS – MAIS SOJA
Business22 horas agoSeguro rural ganha protagonismo na Agrishow e assume papel importante no planejamento do produtor
Featured22 horas agoGoverno de MT paga salários de abril nesta quarta-feira e injeta R$ 776 milhões na economia

















