Sustentabilidade
‘A pesquisa vem do intuito de transformar o agro em algo sustentável’, diz sojicultor da BA

A expansão da agricultura brasileira em regiões desafiadoras só foi possível graças à pesquisa científica. No oeste da Bahia, o engenheiro agrônomo e pesquisador Ricardo Andrade, indicado ao Prêmio Personagem Soja Brasil 2025/26, atua no desenvolvimento de tecnologias que dão permissão à soja produzir bem mesmo em condições climáticas difíceis.
Nascido em uma família de pequenos produtores rurais, Andrade sempre teve proximidade com o campo. Desde 2007 ele vive em Luís Eduardo Magalhães (BA), onde trabalha com pesquisas voltadas principalmente ao manejo e à fisiologia das plantas, com foco na mitigação de estresses como a seca.
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Segundo o pesquisador, as mudanças climáticas têm imposto novos desafios à produção agrícola e exigido avanços tecnológicos para manter os níveis de produtividade. “A mudança climática e as intempéries dos últimos anos têm demandado novas tecnologias para adaptar a cultura da soja e outras culturas a esse ambiente, que é muito diverso, mas ainda precisa entregar altas produtividades.”
Nesse cenário, o trabalho da fisiologia vegetal busca entender como as plantas reagem ao ambiente e como podem se adaptar a condições mais difíceis. “O papel do fisiologista e do pesquisador é justamente criar técnicas que façam com que a planta consiga se adaptar a essas mudanças constantes que a gente vem enfrentando.”
Ao longo da carreira, Andrade também passou a enxergar a educação como parte essencial do processo de transformação do agro. “Um dos principais pontos para mudar uma sociedade é a educação. Por isso, além do trabalho técnico no campo, também precisamos levar esse conhecimento para a academia e formar a próxima geração de pesquisadores e agrônomos.”
Ele ressalta que o avanço do setor é resultado de uma cadeia que envolve diferentes profissionais, mas que começa no produtor rural. “O produtor é quem utiliza toda essa tecnologia. Dentro da pesquisa, cada profissional contribui com uma parte desse processo para melhorar a produção.”
A busca por uma agricultura mais sustentável também está no centro das pesquisas conduzidas pela equipe. “A pesquisa vem do intuito de transformar o agronegócio em algo mais sustentável, que contribua com o planeta e que desenvolva técnicas que façam bem tanto para o consumidor quanto para o produtor. Tudo isso precisa estar atrelado a uma boa relação de custo-benefício.”
Entre os trabalhos desenvolvidos, um dos que mais se destacam envolve o uso de bioestimulantes para ajudar as plantas a enfrentar condições adversas. “Aqui na pesquisa, junto com a nossa equipe, desenvolvemos vários trabalhos, mas um que temos levado adiante ao longo dos anos é a adoção de técnicas com bioestimulantes, principalmente para aumentar a tolerância à seca, reduzir estresses causados por produtos químicos e elevar o potencial produtivo da cultura.”
Para o pesquisador, um dos momentos mais marcantes da profissão é ver a tecnologia sair do centro de pesquisa e chegar ao campo. “Às vezes passamos uma década desenvolvendo uma tecnologia. O momento mais gratificante é quando você chega em uma fazenda e vê o produtor usando algo que foi criado dentro de um centro de pesquisa.”
Grande parte dos estudos conduzidos por Andrade parte justamente da realidade mais difícil enfrentada pelos produtores. “Diferentemente de pesquisar para condições ótimas, nós estamos pesquisando para as condições imperfeitas.”
A votação para o Prêmio Personagem Soja Brasil 2025/26 será aberta no dia 10 de março. Acompanhe!
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Sustentabilidade
RS tem 64% da área de milho colhida – MAIS SOJA

A colheita do milho no Rio Grande do Sul atinge 64% da área cultivada, e 17% das lavouras em maturação. Os 19% remanescentes se distribuem entre desenvolvimento vegetativo e enchimento de grãos, estágios ainda dependentes de precipitações regulares, mesmo que as perdas estejam consolidadas em diversas regiões. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (05/03), o déficit hídrico entre meados de janeiro e a primeira quinzena de fevereiro impactou as lavouras, de forma diferenciada, conforme a época de semeadura e a disponibilidade hídrica.
Nesse sentido, áreas implantadas no cedo, que atravessaram o período crítico em final de ciclo, apresentaram menor comprometimento relativo. Já nos cultivos em floração e em granação, há reduções de rendimento associadas à deficiência de umidade. As chuvas do período favoreceram de forma parcial as lavouras ainda em enchimento de grãos, especialmente nas regiões com maior concentração de área, mas não alteram o quadro de perdas nos cultivos sob estresse na fase crítica.
Em relação ao aspecto fitossanitário das lavouras de milho, destaca-se a elevada incidência de cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis), levando à intensificação de monitoramento e do controle químico. Em áreas específicas, há registros pontuais de lagarta-do-cartucho. Para esta safra, a Emater/RS-Ascar estima o cultivo de 785.030 hectares e produtividade de 7.370 kg/ha. Nova projeção da Safra de Verão 2025/2026 será divulgada na próxima terça-feira (10/03), durante a Expodireto Cotrijal, que acontece de 09 a 13 de março, em Não-Me-Toque.
Milho silagem – As condições climáticas foram parcialmente favoráveis, com chuvas leves e clima estável em várias regiões do Estado. O desempenho das lavouras apresenta elevada variabilidade, refletindo diferenças de época de implantação, disponibilidade hídrica durante o período reprodutivo e nível tecnológico empregado. Nas áreas implantadas mais cedo, a colheita da silagem está em andamento ou concluída; o rendimento de massa verde é adequado, em razão do elevado porte das plantas favorecido pelas chuvas registradas até o início de janeiro. Entretanto, em diversas situações, a proporção de grãos na massa ensilada foi limitada pela restrição de umidade durante o período de pendoamento, polinização e início do enchimento de grãos. Conforme estimativa da Emater/RS-Ascar, a área destinada ao milho para silagem deve atingir 366.067 hectares, e a produtividade estimada é de 38.338 kg/ha.
Soja – A cultura da soja está majoritariamente em estágios reprodutivos, com predomínio das fases de floração (18%) e enchimento de grãos (67%), as quais são determinantes para a consolidação do rendimento. A área em maturação totaliza 11%, e a colhida está restrita a lavouras pontuais, ainda sem expressão estatística. As precipitações ocorridas promoveram a recuperação parcial das lavouras em restrição hídrica mais intensa, sobretudo nas regiões do Estado de maior área cultivada. Ainda assim, a reposição da umidade foi insuficiente em parcelas expressivas, especialmente em solos de menor profundidade (neossolos), onde persistem problemas no enchimento de grãos e redução do peso específico. A Emater/RS-Ascar indica área de soja cultivada de 6.742.236 hectares.
Feijão 1ª safra – A semeadura está finalizada no RS. As áreas remanescentes estão nas fases de enchimento de grãos e maturação. A Emater/RS-Ascar projetou área de 26.096 hectares e produtividade média de 1.779 kg/ha para esta Safra. Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, a falta de chuvas e as altas temperaturas resultaram em plantas de menor estatura e redução no número de vagens e grãos, ocasionando redução no potencial produtivo. Na região de Ijuí, a colheita foi finalizada.
Feijão 2ª safra – A semeadura está finalizada no Estado, com área inferior à planejada, devido à falta de umidade em algumas regiões, durante a época de plantio, e insatisfação com as cotações do produto no mercado. A maioria das lavouras ainda se encontra em desenvolvimento vegetativo, e o seu crescimento pode sofrer atraso onde as chuvas foram insuficientes. O aspecto sanitário está adequado, mas a baixa precipitação pode favorecer pragas, como ácaros e tripes, em alguns locais, exigindo atenção dos produtores. A Emater/RS-Ascar projeta área de 11.690 hectares e produtividade média de 1.401 kg/ha.
Arroz – A cultura do arroz evolui para a fase final do ciclo, com avanço gradual da colheita, embora ainda predominem lavouras nas fases de granação e maturação. As condições meteorológicas, como a alternância entre momentos de instabilidade e de dias ensolarados, favoreceram a redução da umidade dos grãos e a intensificação da colheita. A radiação solar elevada, ao longo de janeiro e fevereiro, contribuiu para o adequado enchimento de grãos e para a consolidação do potencial produtivo. De modo geral, o quadro produtivo é considerado normal, e há expectativa de safra cheia em importantes regiões orizícolas. De acordo com o Instituto Riograndense do Arroz (Irga), a área cultivada com arroz no RS é de 891.908 hectares. A produtividade está projetada em 8.752 kg/ha, segundo a Emater/RS-Ascar.
Fonte: Emater/RS
Sustentabilidade
Ferrugem asiática avança nas lavouras de soja e já ultrapassa 320 casos no Brasil

Considerada uma das doenças mais agressivas da cultura da soja, a ferrugem asiática segue avançando nas lavouras brasileiras. De acordo com dados do Consórcio Antiferrugem, já são 325 casos confirmados no país, com destaque para o Paraná, que lidera o ranking ao concentrar 156 ocorrências.
Na sequência aparecem Mato Grosso do Sul (69 casos), Rio Grande do Sul (58), São Paulo (19), Goiás (6), Minas Gerais (5) e Mato Grosso (5). Também há registros na Bahia (3), Santa Catarina (2) e em Rondônia (2).
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A ferrugem asiática
A ferrugem asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, pode causar perdas de até 90% na produtividade quando não controlada adequadamente. Por isso, especialistas reforçam a importância de um manejo preventivo e integrado nas lavouras.
Entre as principais medidas recomendadas estão o cumprimento rigoroso do vazio sanitário, a semeadura dentro da janela indicada e o uso de cultivares resistentes ou tolerantes. O manejo correto de fungicidas também é considerado essencial, com a combinação de produtos sítio-específicos e multissítios para aumentar a eficiência do controle e reduzir riscos de resistência.
Outras estratégias importantes incluem a eliminação de plantas voluntárias durante a entressafra, a adoção de cultivares de ciclo precoce e a semeadura no início da janela recomendada, como forma de escapar do período de maior pressão da doença.
Diante desse cenário, especialistas destacam que planejamento, monitoramento constante das lavouras e adoção de boas práticas de manejo são fundamentais para reduzir perdas e garantir a sustentabilidade da produção de soja no Brasil.
Plataforma identifica doença
Com o objetivo de otimizar a identificação da ferrugem asiática, uma nova plataforma desenvolvida por pesquisadores da Embrapa Instrumentação, em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), utiliza inteligência artificial para antecipar o risco da doença na soja. A tecnologia integra o projeto “Ferramenta Digital Avançada para o Gerenciamento de Riscos Agrícolas”, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
O sistema reúne diferentes tipos de informações, como dados climáticos, imagens digitais das folhas da planta e parâmetros agronômicos, incluindo cultivar, espaçamento e calendário de plantio, para avaliar a probabilidade de ocorrência do fungo nas lavouras. Hospedada em nuvem, a ferramenta gera relatórios e recomendações técnicas de manejo, permitindo acompanhar a evolução da doença e indicar o momento mais adequado para o controle.
Com isso, a tecnologia pode aumentar a precisão no diagnóstico e evitar aplicações desnecessárias de fungicidas, reduzindo custos e impactos ambientais. Além disso, ajuda o produtor a agir de forma preventiva, antes que a ferrugem atinja níveis mais severos nas lavouras.
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Sustentabilidade
Atualizações climáticas indicam pouca chuva para março no RS – MAIS SOJA

Nos últimos dois meses, volumes expressivos de chuva foram registrados especialmente nas regiões Norte, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, garantindo boa disponibilidade hídrica nos solos dessas áreas. Em contraste, na região Sul, sobretudo no Rio Grande do Sul, as baixas precipitações registradas em janeiro e fevereiro reduziram drasticamente o conteúdo de água no solo, afetando negativamente culturas de verão como soja e milho.
Figura 1. Armazenamento de água no solo, durantes os meses de janeiro e fevereiro de 2026.
Para o mês de março, a previsão indica bons volumes de chuva nas regiões Norte e Centro-Oeste, enquanto a região Sul, em especial o Rio Grande do Sul, deve registrar precipitações menores. De acordo com o modelo do INMET, os volumes previstos para o estado gaúcho tendem a ficar ligeiramente abaixo da média histórica do período.
Figura 2. Precipitação total prevista (mm) para março de 2026.

Embora os prognósticos climáticos possam variar conforme o modelo meteorológico utilizado, há convergência entre as previsões de que o Rio Grande do Sul deve apresentar anomalias negativas de precipitação em março, com chuvas abaixo da média. Esse cenário pode impactar negativamente as culturas de verão, principalmente aquelas semeadas mais tardiamente e que se encontram em pleno desenvolvimento durante esse período.
Figura 3. Previsão de anomalias das precipitações (mm) para o mês de março de 2026.

Em relação às temperaturas, os modelos também indicam tendência de valores acima da média a partir de março, o que pode intensificar as condições de estresse nas lavouras quando associado ao déficit hídrico. Confira abaixo as atualizações completas apresentadas por Fábio Marin no Boletim do Sistema TempoCampo de março de 2026.
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Referências:
INMET. CLIMA. Instituto Nacional de Meteorologia, 2026. Disponível em: < https://clima.inmet.gov.br/progp/0 >, acesso em: 05/03/2026.

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