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3 de novembro de 2026

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Escalada do conflito no Oriente Médio acende sinal de alerta para o milho brasileiro

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Mato Grosso consolida sua posição como o maior produtor de milho do Brasil, com uma estimativa de 51,7 milhões de toneladas para a safra 2025/26. No início deste ano, o estado já exportou 2,53 milhões de toneladas para 28 países, liderando os embarques nacionais. No entanto, o avanço do grão mato-grossense no mercado internacional agora enfrenta o desafio da instabilidade geopolítica no Oriente Médio.

O Irã, um dos destinos estratégicos do cereal, absorveu 9 milhões de toneladas do milho brasileiro em 2024, volume que responde por 20% de toda a exportação nacional. Atualmente, cerca de 80% do milho importado pelos iranianos tem origem no Brasil. A escalada das tensões envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos amplia as incertezas em torno dessa relação estratégica e acende um sinal de alerta no setor produtivo.

Na avaliação do presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Bertolini, a preocupação central reside no impacto sobre o escoamento a partir do segundo semestre, quando o volume de embarques é mais expressivo. Ele destaca que o cenário traz instabilidade para todos os mercados de grãos, especialmente para o milho, que tem no Irã seu principal destino e parceiro comercial.

“A preocupação maior nossa seria no impacto sobre a exportação de milho a partir do segundo semestre, isso traz instabilidade para todos os mercados de grãos em especial o milho que tem o Irã como o seu principal destino e que tem nessa relação comercial o principal produto de troca”, afirma Bertolini. Ele espera que, até o período de pico, o conflito seja resolvido para que se possa “suprir o mercado do Oriente Médio como um todo, com milho brasileiro já conhecido e reconhecido como um milho de qualidade por aquelas nações”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Qualidade e industrialização sustentam mercado

O diferencial competitivo de Mato Grosso é um dos trunfos para manter os mercados ativos mesmo em tempos de crise global. O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Matogrosso (Aprosoja MT), Lucas Costa Beber, explica que o milho do estado possui qualidade superior aos concorrentes da Ucrânia e dos Estados Unidos por ser colhido no período da seca.

Segundo ele, o mercado internacional tem procurado não apenas o grão, mas também o DDG (resíduo sólido com alto teor proteico). “Tem sido a salvação do produtor nesse período em que o produtor enfrenta, principalmente, altos custos na produção da soja e os preços baixos. O milho ainda tem um custo que dá uma certa dignidade ao produtor nesse período de crise”, ressalta Beber ao Canal Rural Mato Grosso.

Além da exportação, o cereal ganha relevância interna através da verticalização para a produção de biocombustíveis. Beber reforça que essa industrialização contribui diretamente para a arrecadação estadual e para o equilíbrio das contas dentro da porteira. Hoje, o estado já lidera a fabricação de etanol de milho, fornecendo energias limpas.

“Hoje, Mato Grosso já é o estado que mais industrializa milho para a produção de etanol de biocombustível, que são combustíveis limpos e renováveis, que tem uma contribuição com o meio ambiente e também com a arrecadação do nosso Estado”, completa o dirigente. Para ele, essa estrutura protege o produtor de oscilações bruscas no mercado externo.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Insumos e logística entram no radar

A logística de suprimentos também entra no radar de riscos, visto que o Irã forneceu ao Brasil cerca de 184 mil toneladas de ureia no último ano. Embora países como China e Rússia liderem o fornecimento de nitrogenados, a proximidade de exportadores como Omã e Catar com a zona de conflito gera apreensão sobre a disponibilidade de fertilizantes.

No curto prazo, a expectativa é de que o mercado se aproveite de especulações para elevar os preços dos insumos. “Eu acredito que no curto prazo pode impactar um pouco sim o custo dos fertilizantes e insumos e o mercado vai se aproveitar de especulações sobre isso”, pondera Lucas Costa Beber.

Ele acredita que, embora as rotas mundiais possam mudar, a demanda pelo alimento deve permanecer firme. Lucas cita que países como Israel também têm potencial para ofertar cloreto de potássio e nitrogenados. “Da mesma maneira que o país tem inteligência para iniciar e atacar durante uma guerra, eles têm inteligência para prepararem a sua produção”, observa o presidente da Aprosoja MT.

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“Independente do regime que prevalece, para um regime se manter forte, ele precisa garantir a segurança alimentar da sua população”, acrescenta em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso. Para a entidade, a necessidade do consumo básico das populações locais impede uma interrupção total das trocas comerciais, mantendo o milho brasileiro no radar dos compradores.

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Foto: Leandro Balbino/ Canal Rural MT

Incertezas atingem cadeia de proteínas

A instabilidade no Oriente Médio projeta sombras sobre o mercado de carnes, uma vez que o milho é o principal componente da ração animal. Frederico Tannure Filho, presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), alerta que o cenário de guerra pode desestimular o investimento em tecnologia nas fazendas, reduzindo a produtividade e, consequentemente, elevando o custo da proteína.

“E isso pode trazer aí uma redução de emprego de tecnologia nas lavouras de milho, onde vai trazer um impacto oriental na redução da produção e da produtividade. Então, consequentemente, vai aumentar o custo da produção da proteína”, explica Tannure. Como a região em conflito é uma grande compradora de carne brasileira, o imbróglio ameaça os fluxos de exportação.

O complexo de proteínas deve sentir os reflexos de forma integrada. Tannure ressalta que a queda na comercialização de um tipo de carne acaba impactando o valor das demais. “Quando uma proteína cai, outras acabam caindo, o preço também, uma impacta na outra, direta ou indiretamente, sempre há um reflexo”, avalia o presidente da Acrismat.

Ele aponta que o cenário gera incertezas para todo o complexo de carnes, incluindo frango e carne bovina. “É uma importante região compradora dessa proteína animal também, o frango por exemplo. Fala-se até numa possível redução também da comercialização da carne bovina”, pontua sobre os riscos para a pecuária mato-grossense.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Energia vira oportunidade no setor

Apesar do tom de alerta, o setor enxerga janelas de oportunidade no mercado de energia e na valorização das commodities agrícolas. Historicamente, a alta do petróleo atrai fundos de investimento para o setor de grãos, o que pode sustentar as cotações em períodos de inflação global e aumentar a demanda por biocombustíveis.

Lucas Costa Beber afirma que há uma tendência natural de busca por biodiesel e etanol de milho quando o combustível fóssil escasseia ou encarece. “Nós precisamos também focar nas energias, sabendo que o Irã e o Oriente Médio são grandes produtores de petróleo também, o que tende a encarecer os nossos custos”, analisa.

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“Mas, por outro lado, tende a valorizar as commodities, já que em períodos de guerra, inflação, os fundos de investimento tendem a migrar para as commodities, o que melhora os preços e também uma maior demanda por biocombustíveis”, completa Beber. Ele vê o Brasil em destaque nessa transição energética durante períodos de crise.

O foco agora se volta para a visão estratégica de mercado para evitar que o mercado especulativo tente elevar custos de forma artificial. “Muitas vezes o mercado tenta se aproveitar dessas notícias para querer elevar os preços e os custos e tentar lucrar com isso. Nós temos que olhar, ter uma visão 360 graus”, conclui o presidente da Aprosoja MT.


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Aprosoja e Abiove vão à Europa tentar evitar barreiras às exportações de soja

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Dirigentes da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) e da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) estão na Europa, acompanhados de representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), para apresentar documentos e informações que demonstrem que a produção brasileira de soja atende às exigências ambientais da União Europeia. A missão busca evitar barreiras comerciais diante da entrada em aplicação da lei antidesmatamento do bloco (EUDR), prevista para 30 de dezembro.

A agenda inclui reuniões com representantes da França, Alemanha, Holanda e Bélgica, com o objetivo de ampliar o diálogo com autoridades e importadores europeus. Entre os instrumentos apresentados está a Plataforma Agro Brasil + Sustentável, que reúne informações sobre as práticas ambientais adotadas na agropecuária brasileira.

Em entrevista ao Canal Rural, o presidente da Aprosoja Brasil, Maurício Buffon, destacou que a iniciativa pretende demonstrar aos parceiros comerciais que o Brasil já adota medidas de preservação ambiental previstas no Código Florestal.

“Não basta fazer o que o Brasil já faz a respeito de Código Florestal, de reserva legal, todas essas práticas para a sustentabilidade brasileira com agricultura, mas precisa ser mostrado. Cada vez mais precisa ser mostrado aqui fora, aqui na Europa, o que o Brasil já faz”, afirmou.

O dirigente participou de uma reunião realizada em Paris, no último fim de semana, na qual foram apresentadas informações sobre a produção agropecuária brasileira e as ferramentas disponíveis para demonstrar sua sustentabilidade.

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Segundo Buffon, a plataforma permite organizar e apresentar dados sobre o cumprimento da legislação ambiental brasileira, facilitando o diálogo com compradores internacionais.

“Essa plataforma vem justamente mostrar o quanto o Código Florestal brasileiro, por exemplo, protege o meio ambiente, quanto ele é um instrumento para fazer toda essa sustentabilidade”, explicou.

O presidente da Aprosoja ressaltou ainda a importância de preservar o acesso ao mercado europeu, especialmente para as exportações brasileiras de soja e farelo.

“A gente vem trazendo essas informações e buscando mostrar para garantir o mercado que a gente precisa de soja e farelo aqui na Europa também, que é muito importante para o produtor brasileiro”, acrescentou.

Indústria afirma que Brasil está preparado para atender exigências

O presidente da Abiove, André Nassar, também defendeu o reconhecimento dos mecanismos brasileiros de controle ambiental pelas autoridades europeias.

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Para ele, a missão conjunta entre governo, produtores rurais e agroindústrias busca demonstrar que a nova regulamentação não precisa se transformar em um obstáculo às exportações brasileiras.

“Governo, produtores rurais e agroindústrias estão na Europa para provar que não há motivos para a EUDR virar um problema para as exportações de soja e farelo do Brasil. O Brasil está preparado para atender as exigências da legislação e cabe às autoridades europeias reconhecerem nossas políticas e sistemas de controle”, afirmou Nassar.

A declaração reforça a posição das entidades brasileiras de que os mecanismos de monitoramento ambiental e rastreabilidade já existentes no país devem ser considerados na implementação das exigências europeias.

Falta de clareza nas regras preocupa produtores

Apesar da avaliação de que o Brasil está preparado para atender às exigências europeias, representantes do setor produtivo alertam para dúvidas sobre a aplicação da legislação.

Segundo o diretor-executivo da Aprosoja Brasil, Fabrício Rosa, ainda faltam definições sobre critérios e procedimentos que serão utilizados pelas autoridades europeias para verificar o cumprimento das novas regras.

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Na avaliação do dirigente, essa falta de clareza gera insegurança para exportadores brasileiros e importadores europeus, especialmente diante das penalidades previstas para empresas que comercializarem produtos em desacordo com a legislação.

A EUDR estabelece sanções que incluem multas, cuja penalidade máxima definida pelos países-membros deve corresponder a pelo menos 4% do faturamento anual da empresa na União Europeia.

A preocupação do setor é evitar que divergências de interpretação ou dificuldades operacionais comprometam negócios com compradores europeus.

Plataforma Agro Brasil + Sustentável é apresentada na missão

Uma das principais iniciativas apresentadas durante as reuniões é a Plataforma Agro Brasil + Sustentável, desenvolvida para integrar informações sobre a produção agropecuária e facilitar a demonstração de requisitos ambientais e de sustentabilidade.

A ferramenta busca reunir dados sobre produtores e propriedades rurais, contribuindo para dar maior transparência às práticas adotadas no campo.

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Para as entidades brasileiras, a utilização dessas informações pode facilitar o reconhecimento dos mecanismos de controle ambiental já existentes no país e ajudar a preservar as relações comerciais com os compradores europeus.

O que determina a lei antidesmatamento da União Europeia?

A EUDR restringe a comercialização no mercado europeu de produtos associados ao desmatamento ocorrido após 31 de dezembro de 2020, inclusive quando a supressão da vegetação tenha sido legalmente autorizada no país de origem.

Além da soja, a legislação abrange carne bovina, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, bem como determinados produtos derivados.

As empresas sujeitas às exigências deverão demonstrar que as mercadorias não estão vinculadas ao desmatamento posterior à data de corte e que foram produzidas conforme a legislação aplicável no país de origem. A comprovação envolve procedimentos de rastreabilidade, incluindo informações sobre a localização das áreas de produção. Consilium+1

As principais obrigações começam a ser aplicadas em 30 de dezembro de 2026, para empresas de grande e médio porte. Para a maioria das micro e pequenas empresas, o prazo será 30 de junho de 2027. Environment

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Com a proximidade da implementação, governo e representantes do agronegócio brasileiro procuram demonstrar a capacidade do setor de atender às novas exigências e evitar que a regulamentação provoque dificuldades nas exportações de soja e farelo para a Europa.

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Artesã do interior de SP presenteia Ana Hickmann com bolsa, viraliza e conquista clientes no exterior

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Um presente produzido durante a madrugada mudou a trajetória da artesã Lívia Coelho, de Sales Oliveira, no interior de São Paulo. Após entregar uma peça exclusiva à apresentadora Ana Hickmann durante um evento voltado às mulheres do agronegócio, a empreendedora ganhou mais de 50 mil seguidores nas redes sociais em apenas 24 horas e viu a procura por seus produtos disparar.

O encontro aconteceu durante o Encontro Estadual de Mulheres do Agro, promovido pelo Sistema Faesp/Senar em Ribeirão Preto, no interior paulista. Na ocasião, Lívia presenteou Ana Hickmann com uma peça de sua marca, a Ponto a Ponto, confeccionada às pressas na madrugada anterior.

O registro do momento nas redes sociais ampliou a visibilidade do trabalho da artesã. Em apenas um dia, ela conquistou mais de 50 mil novos seguidores. Atualmente, sua comunidade digital reúne cerca de 340 mil pessoas.

De 20 peças por mês a pedidos internacionais

A repercussão nas redes sociais também impulsionou as vendas. Antes do encontro, Lívia produzia cerca de 20 peças por mês. Com o aumento da demanda, a produção chegou a 60 unidades mensais, o triplo do volume anterior.

O interesse pelos produtos ultrapassou as fronteiras brasileiras. A artesã passou a receber encomendas de outros países, com peças enviadas para Estados Unidos, Espanha, Portugal e Nova Zelândia.

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A procura foi tão grande que Lívia encerrou a agenda de encomendas do ano com mais de 2 mil clientes na lista de espera.

Capacitação ajudou a administrar o crescimento

Com a expansão repentina do negócio, a empreendedora precisou reorganizar sua rotina para atender à nova demanda.

Para administrar o crescimento, Lívia colocou em prática os conhecimentos adquiridos em um curso de informática oferecido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de São Paulo (Senar-SP), realizado por meio do Sindicato Rural de sua cidade.

A presidente da entidade, Beatriz Schmidt, destaca a importância da capacitação para ampliar as oportunidades de negócios de pequenos empreendedores.

“Nosso foco é conectar quem produz a novas vitrines, capacitar e gerar oportunidades reais de negócio”, afirma.

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A trajetória de Lívia mostra como a exposição nas redes sociais, associada à capacitação, pode ampliar o alcance de pequenos negócios e abrir oportunidades no mercado internacional.

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Combate ao excesso de NPK gera R$ 62,47 mi de economia em SC

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Há 20 anos, a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) identificou um uso excessivo (e prejudicial) de fertilizantes pelos produtores de cebola, motivados pela pressão da concorrência internacional. Na última segunda-feira (26), foram divulgados os resultados da campanha que auxilia os agricultores a ajustar as doses.

A Empresa explica que a competição com a cebola argentina no início dos anos 2000 fez com que produtores catarinenses exagerassem no uso de fertilizantes para tentar alcançar a produtividade do país vizinho. Mas a medida acarretou em um problema maior: o excesso de nitrogênio provocou o aparecimento de doenças foliares, prejudicando a qualidade da cebola e aumentando as perdas em pós-colheita.

A partir disso, os pesquisadores elaboraram a recomendação adequada de nitrogênio, fósforo e potássio (NPK) para obter o máximo rendimento e qualidade e ainda diminuir os custos de produção. Já faz 10 anos que são promovidos materiais de divulgação, eventos e visitas de extensionistas a propriedades.

Os resultados

“Observando também as curvas de crescimento e absorção de nutrientes dos principais cultivares, definimos a melhor época de adubação e de forma parcelada. Os problemas com bacterioses e as perdas em pós colheita foram minimizados e hoje quase 90% dos produtores seguem as recomendações”, afirma Claudinei Kurtz, pesquisador da Estação Experimental da Epagri em Ituporanga (EEItu).

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Segundo o Relatório de avaliação dos impactos das tecnologias/ações geradas pela Epagri de 2025, em 20 anos, verificou-se uma redução de 40% no uso de fertilizante, diminuindo o custo de produção médio da cebola no Estado em 10%, e as perdas no pós-colheita em 21,4%.

Em todo o estado, os benefícios econômicos trazidos pela adoção da tecnologia, impulsionados pela redução de custos, incremento da produtividade e diminuição das perdas em pós-colheita, chegaram a R$62,47 milhões, segundo o Balanço Social 2025.

A Epagri destaca o caso de Vanderlei Schmitt, 42 anos, de Aurora. Ele planta cebola em quatro hectares e passou a seguir as recomendações de adubação em 2021, após assistir a uma palestra do Claudinei. O resultado foi tão positivo que, na safra seguinte, seu irmão Leandro, 35, aderiu ao manejo adequado de NPK em sua lavoura.

“A gente fazia do nosso jeito, comprando tudo que a agropecuária oferecia, jogando mais produto na hora de ‘encabeçar’ a cebola. Mas, depois de seguir as recomendações da Epagri, percebi que a planta ficou mais forte e não sofre tanto com o herbicida. Sem falar que a qualidade da cebola no galpão continua boa até maio, quando o preço de venda dobra, já que não tem mais tanto produto no mercado”, explica.

O produtor conta que a boa relação com extensionistas e pesquisadores da Epagri tem relação direta com os bons resultados obtidos em sua propriedade, que na safra 2025/26 alcançou 176 toneladas. “Sempre que surge algum problema na roça, faço uma foto e mando para o Claudinei analisar, como da última vez que ele recomendou corrigir com dose adicional de ureia e deu certo”, relata.

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Qual era o tamanho do problema?

“Os produtores estavam utilizando quase 300% a mais de fertilizante em relação aos anos 1990. Essa adubação descontrolada acarretou em doenças bacterianas e fúngicas, além de prejudicar o solo; por isso concentramos esforços para estabelecer parâmetros em relação à dose, épocas e forma de aplicação de macro e micronutrientes e difundir o conhecimento entre os produtores”, revela Claudinei

O pesquisador trabalhou na elaboração do “Manual de Adubação e Calagem” para a cultura da cebola em SC e RS (2016) e, dois anos depois, lançou o boletim técnico “Fertilidade do solo, Adubação e Nutrição da Cultura da Cebola” (2018), se tornando uma referência no assunto.

A Epagri destaca que o trabalho de pesquisa e difusão das recomendações técnicas é um processo contínuo e, muitas vezes, leva tempo até o agricultor se convencer a mudar a forma de produção. Foi o caso de Renato da Silva, 45, produtor de Ituporanga. Ele planta sete hectares de cebola na localidade de Chapadão Santana, a 600m de altitude.

Produtor de Ituporanga aderiu às recomendações técnicas quando o custo de produção saiu do controle (Foto: Aquivo Pessoal/Divulgação)

“Eu já nasci plantando cebola, e mesmo quando os irmãos foram trabalhar na cidade, eu fiquei, nunca fiz outra coisa na vida”, revela. Por causa da experiência de décadas na roça, ele via com ceticismo as orientações de extensionistas e pesquisadores, mas quando o preço dos fertilizantes disparou, ele percebeu que estava na hora de ouvir a ciência.

“Antigamente, nem análise de solo a gente fazia. E para adubar se usava uma mistura de esterco com NPK, mas que acabava dando muita podridão. Aí apareceram os vendedores de agropecuária dizendo que o produto deles era melhor que as recomendações da Epagri. Fiquei nessa até 2022, quando o gasto com fertilizante saiu do controle”, relata.

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Após adotar as recomendações, a quantidade de fertilizante utilizada em sua lavoura caiu de 150 sacas (50kg) para 90. Na última safra, ele colheu 273 toneladas, uma produtividade de 39 ton/ha, bem acima da média estadual (28,841 ton/ha) na safra 2024/25.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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