Business
Escalada do conflito no Oriente Médio acende sinal de alerta para o milho brasileiro

Mato Grosso consolida sua posição como o maior produtor de milho do Brasil, com uma estimativa de 51,7 milhões de toneladas para a safra 2025/26. No início deste ano, o estado já exportou 2,53 milhões de toneladas para 28 países, liderando os embarques nacionais. No entanto, o avanço do grão mato-grossense no mercado internacional agora enfrenta o desafio da instabilidade geopolítica no Oriente Médio.
O Irã, um dos destinos estratégicos do cereal, absorveu 9 milhões de toneladas do milho brasileiro em 2024, volume que responde por 20% de toda a exportação nacional. Atualmente, cerca de 80% do milho importado pelos iranianos tem origem no Brasil. A escalada das tensões envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos amplia as incertezas em torno dessa relação estratégica e acende um sinal de alerta no setor produtivo.
Na avaliação do presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Bertolini, a preocupação central reside no impacto sobre o escoamento a partir do segundo semestre, quando o volume de embarques é mais expressivo. Ele destaca que o cenário traz instabilidade para todos os mercados de grãos, especialmente para o milho, que tem no Irã seu principal destino e parceiro comercial.
“A preocupação maior nossa seria no impacto sobre a exportação de milho a partir do segundo semestre, isso traz instabilidade para todos os mercados de grãos em especial o milho que tem o Irã como o seu principal destino e que tem nessa relação comercial o principal produto de troca”, afirma Bertolini. Ele espera que, até o período de pico, o conflito seja resolvido para que se possa “suprir o mercado do Oriente Médio como um todo, com milho brasileiro já conhecido e reconhecido como um milho de qualidade por aquelas nações”.

Qualidade e industrialização sustentam mercado
O diferencial competitivo de Mato Grosso é um dos trunfos para manter os mercados ativos mesmo em tempos de crise global. O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Matogrosso (Aprosoja MT), Lucas Costa Beber, explica que o milho do estado possui qualidade superior aos concorrentes da Ucrânia e dos Estados Unidos por ser colhido no período da seca.
Segundo ele, o mercado internacional tem procurado não apenas o grão, mas também o DDG (resíduo sólido com alto teor proteico). “Tem sido a salvação do produtor nesse período em que o produtor enfrenta, principalmente, altos custos na produção da soja e os preços baixos. O milho ainda tem um custo que dá uma certa dignidade ao produtor nesse período de crise”, ressalta Beber ao Canal Rural Mato Grosso.
Além da exportação, o cereal ganha relevância interna através da verticalização para a produção de biocombustíveis. Beber reforça que essa industrialização contribui diretamente para a arrecadação estadual e para o equilíbrio das contas dentro da porteira. Hoje, o estado já lidera a fabricação de etanol de milho, fornecendo energias limpas.
“Hoje, Mato Grosso já é o estado que mais industrializa milho para a produção de etanol de biocombustível, que são combustíveis limpos e renováveis, que tem uma contribuição com o meio ambiente e também com a arrecadação do nosso Estado”, completa o dirigente. Para ele, essa estrutura protege o produtor de oscilações bruscas no mercado externo.
Insumos e logística entram no radar
A logística de suprimentos também entra no radar de riscos, visto que o Irã forneceu ao Brasil cerca de 184 mil toneladas de ureia no último ano. Embora países como China e Rússia liderem o fornecimento de nitrogenados, a proximidade de exportadores como Omã e Catar com a zona de conflito gera apreensão sobre a disponibilidade de fertilizantes.
No curto prazo, a expectativa é de que o mercado se aproveite de especulações para elevar os preços dos insumos. “Eu acredito que no curto prazo pode impactar um pouco sim o custo dos fertilizantes e insumos e o mercado vai se aproveitar de especulações sobre isso”, pondera Lucas Costa Beber.
Ele acredita que, embora as rotas mundiais possam mudar, a demanda pelo alimento deve permanecer firme. Lucas cita que países como Israel também têm potencial para ofertar cloreto de potássio e nitrogenados. “Da mesma maneira que o país tem inteligência para iniciar e atacar durante uma guerra, eles têm inteligência para prepararem a sua produção”, observa o presidente da Aprosoja MT.
“Independente do regime que prevalece, para um regime se manter forte, ele precisa garantir a segurança alimentar da sua população”, acrescenta em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso. Para a entidade, a necessidade do consumo básico das populações locais impede uma interrupção total das trocas comerciais, mantendo o milho brasileiro no radar dos compradores.
Incertezas atingem cadeia de proteínas
A instabilidade no Oriente Médio projeta sombras sobre o mercado de carnes, uma vez que o milho é o principal componente da ração animal. Frederico Tannure Filho, presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), alerta que o cenário de guerra pode desestimular o investimento em tecnologia nas fazendas, reduzindo a produtividade e, consequentemente, elevando o custo da proteína.
“E isso pode trazer aí uma redução de emprego de tecnologia nas lavouras de milho, onde vai trazer um impacto oriental na redução da produção e da produtividade. Então, consequentemente, vai aumentar o custo da produção da proteína”, explica Tannure. Como a região em conflito é uma grande compradora de carne brasileira, o imbróglio ameaça os fluxos de exportação.
O complexo de proteínas deve sentir os reflexos de forma integrada. Tannure ressalta que a queda na comercialização de um tipo de carne acaba impactando o valor das demais. “Quando uma proteína cai, outras acabam caindo, o preço também, uma impacta na outra, direta ou indiretamente, sempre há um reflexo”, avalia o presidente da Acrismat.
Ele aponta que o cenário gera incertezas para todo o complexo de carnes, incluindo frango e carne bovina. “É uma importante região compradora dessa proteína animal também, o frango por exemplo. Fala-se até numa possível redução também da comercialização da carne bovina”, pontua sobre os riscos para a pecuária mato-grossense.
Energia vira oportunidade no setor
Apesar do tom de alerta, o setor enxerga janelas de oportunidade no mercado de energia e na valorização das commodities agrícolas. Historicamente, a alta do petróleo atrai fundos de investimento para o setor de grãos, o que pode sustentar as cotações em períodos de inflação global e aumentar a demanda por biocombustíveis.
Lucas Costa Beber afirma que há uma tendência natural de busca por biodiesel e etanol de milho quando o combustível fóssil escasseia ou encarece. “Nós precisamos também focar nas energias, sabendo que o Irã e o Oriente Médio são grandes produtores de petróleo também, o que tende a encarecer os nossos custos”, analisa.
“Mas, por outro lado, tende a valorizar as commodities, já que em períodos de guerra, inflação, os fundos de investimento tendem a migrar para as commodities, o que melhora os preços e também uma maior demanda por biocombustíveis”, completa Beber. Ele vê o Brasil em destaque nessa transição energética durante períodos de crise.
O foco agora se volta para a visão estratégica de mercado para evitar que o mercado especulativo tente elevar custos de forma artificial. “Muitas vezes o mercado tenta se aproveitar dessas notícias para querer elevar os preços e os custos e tentar lucrar com isso. Nós temos que olhar, ter uma visão 360 graus”, conclui o presidente da Aprosoja MT.
Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.
O post Escalada do conflito no Oriente Médio acende sinal de alerta para o milho brasileiro apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.
Business
É nesta quinta! A Abertura Nacional do Plantio da Soja 26/27 vem aí; saiba como assistir ao vivo

Está chegando a hora! É amanhã, 17 de setembro, que acontece a Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27. A partir das 9h, pelo horário de Brasília, você poderá acompanhar ao vivo pelo Canal Rural e pelo YouTube tudo o que acontece na Fazenda Horizontina, em Ipiranga do Norte (MT).
Ao longo da programação, os participantes vão acompanhar debates sobre os principais assuntos que devem movimentar o setor durante o novo ciclo. Entre os destaques está a discussão sobre a verticalização da soja na produção de alimentos e energia.
- Fique por dentro das principais notícias sobre a soja: acesse a comunidade Soja Brasil no WhatsApp!
Além de marcar oficialmente a largada da safra 2026/27, a Abertura Nacional terá um significado especial neste ano. O evento também dará início às comemorações dos 15 anos do Projeto Soja Brasil, iniciativa que acompanha de perto as transformações, os desafios e os avanços da produção de soja no país.
Falta pouco! Amanhã, acompanhe a Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27 pelo Canal Rural e pelo YouTube.
O post É nesta quinta! A Abertura Nacional do Plantio da Soja 26/27 vem aí; saiba como assistir ao vivo apareceu primeiro em Canal Rural.
Business
Leilão de compra de arroz da Conab adquire apenas 5% do ofertado

O primeiro leilão de compra de arroz para formação de estoques públicos realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quarta-feira (16) não obteve o sucesso esperado.
A expectativa do governo era adquirir até 127,3 mil toneladas do cereal a granel da safra 2025/26, classe longo-fino em casca, Tipo 1, a fim de mitigar os possíveis impactos associados ao fenômeno climático El Niño e, assim, assegurar o abastecimento no país.
- Receba no seu celular atualizações em tempo real, enquetes interativas e tudo o que impacta o dia a dia no campo: entre agora no Whatsapp do Canal Rural!
No entanto, o pregão eletrônico realizado pelo Sistema de Comercialização Eletrônica da entidade (Siscoe), resultou na compra de apenas 4,05 mil toneladas, ou 5,1% do total ofertado.
Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Evandro Oliveira, o leilão ocorreu em um momento inoportuno, sem qualquer pedido de ajuda por parte dos produtores, e ofereceu preços pouco atrativos, até mesmo abaixo das referências do mercado físico, dependendo da região.
De acordo com ele, já se esperava baixa adesão diante dos preços máximos oferecidos pelo leilão, entre R$ 80 a R$ 82 reais por saca, valores semelhantes aos praticados hoje no mercado físico. “Então, os preços não foram suficientemente atrativos para movimentar volumes significativos nesse leilão”, pontuou.
No Rio Grande do Sul, nas praças de produção e comercialização de Pelotas e ainda no litoral, o arroz está sendo negociado na faixa de R$ 80,00 a R$ 85,00 por saca, chegando a R$ 90 no porto.
“Logo, os valores oferecidos pelo leilão ficaram bem abaixo do necessário para atrair uma demanda significativa, o que explica o fracasso da operação”, salientou o analista.
O post Leilão de compra de arroz da Conab adquire apenas 5% do ofertado apareceu primeiro em Canal Rural.
Business
Conab fará leilões para comprar até 224 mil toneladas de milho

Duas operações de compra de milho em grãos preveem a aquisição de até 224 mil toneladas para formação de estoques públicos. Os leilões eletrônicos serão realizados na sexta-feira (18) e na segunda-feira (21), às 9h, com recebimento do produto em unidades armazenadoras de oito unidades da Federação. A medida também prevê oferta posterior por meio do Programa de Vendas em Balcão (ProVB).
Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o volume de até 224 mil toneladas corresponde ao total das duas operações. O segundo leilão ofertará apenas os lotes que não forem negociados no primeiro certame, sem que a compra total ultrapasse esse limite.
A operação da sexta-feira (18), referente ao Aviso nº 64/2026, será exclusiva para a agricultura familiar. Poderão participar produtores rurais familiares, cooperativas de produtores rurais familiares e associações da agricultura familiar com Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) ou Declaração de Aptidão ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (DAP) válida.
Receba no seu e-mail as notícias mais importantes do dia, análises de mercado e os principais fatos que movimentam o agronegócio: assine a newsletter do Canal Rural
Já o leilão da segunda-feira (21), Aviso nº 65/2026, será em ampla concorrência. O certame admite a participação de produtores rurais, cooperativas e comerciantes, desde que atendam às exigências de cadastramento, habilitação jurídica e regularidade fiscal previstas no aviso.
O milho será recebido em unidades armazenadoras localizadas na Bahia, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. As operações serão realizadas pela Conab no Sistema de Comercialização Eletrônica da Companhia (Siscoe), em Brasília.
Os participantes precisam estar cadastrados na bolsa por meio da qual apresentarão propostas e em situação regular no Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores (Sicaf), no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin) e no Sistema de Cadastro Nacional de Produtores Rurais e Demais Agentes (Sican).
O produto deverá seguir os padrões de classificação estabelecidos nos avisos e vir acompanhado de certificado emitido por entidade credenciada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O preço máximo de compra será divulgado com pelo menos dois dias úteis de antecedência. Os arrematantes deverão apresentar garantia de 5% do valor da operação e organizar o cronograma de entrega com a unidade regional responsável pelo recebimento.
Após a aprovação do milho entregue, o pagamento aos fornecedores deverá ocorrer em até dez dias úteis. Caso todo o volume seja negociado na operação exclusiva para a agricultura familiar, não haverá lotes remanescentes para a disputa em ampla concorrência.
Fonte: gov.br
O post Conab fará leilões para comprar até 224 mil toneladas de milho apareceu primeiro em Canal Rural.
Sustentabilidade9 horas agoProdução de soja e milho muda perfil da mão de obra no campo em Mato Grosso do Sul – MAIS SOJA
Sustentabilidade8 horas agoA importância do trigo tropical e os desafios do manejo da brusone – MAIS SOJA
Featured24 horas agoDepoimento de ex-banqueiro à Polícia Federal é adiado após pedido da defesa
Sustentabilidade14 horas agoHerbicida não cria resistência: genética das plantas daninhas ajuda a explicar avanço do problema no campo – MAIS SOJA
Featured13 horas agoGuarda Municipal conduz duas adolescentes após ameaças contra familiares em Várzea Grande
Business4 horas agoConab fará leilões para comprar até 224 mil toneladas de milho
Sustentabilidade11 horas agoAnálise climática e prognósticos para setembro, outubro e novembro/26 – MAIS SOJA
Featured6 horas agoAbilio vota em eleição da AMM e destaca retomada de parceria institucional com Cuiabá

















