Connect with us
22 de julho de 2026

Business

Escalada do conflito no Oriente Médio acende sinal de alerta para o milho brasileiro

Published

on


Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Mato Grosso consolida sua posição como o maior produtor de milho do Brasil, com uma estimativa de 51,7 milhões de toneladas para a safra 2025/26. No início deste ano, o estado já exportou 2,53 milhões de toneladas para 28 países, liderando os embarques nacionais. No entanto, o avanço do grão mato-grossense no mercado internacional agora enfrenta o desafio da instabilidade geopolítica no Oriente Médio.

O Irã, um dos destinos estratégicos do cereal, absorveu 9 milhões de toneladas do milho brasileiro em 2024, volume que responde por 20% de toda a exportação nacional. Atualmente, cerca de 80% do milho importado pelos iranianos tem origem no Brasil. A escalada das tensões envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos amplia as incertezas em torno dessa relação estratégica e acende um sinal de alerta no setor produtivo.

Na avaliação do presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Bertolini, a preocupação central reside no impacto sobre o escoamento a partir do segundo semestre, quando o volume de embarques é mais expressivo. Ele destaca que o cenário traz instabilidade para todos os mercados de grãos, especialmente para o milho, que tem no Irã seu principal destino e parceiro comercial.

“A preocupação maior nossa seria no impacto sobre a exportação de milho a partir do segundo semestre, isso traz instabilidade para todos os mercados de grãos em especial o milho que tem o Irã como o seu principal destino e que tem nessa relação comercial o principal produto de troca”, afirma Bertolini. Ele espera que, até o período de pico, o conflito seja resolvido para que se possa “suprir o mercado do Oriente Médio como um todo, com milho brasileiro já conhecido e reconhecido como um milho de qualidade por aquelas nações”.

milho foto pedro silvestre canal rural mato grosso 3
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Qualidade e industrialização sustentam mercado

O diferencial competitivo de Mato Grosso é um dos trunfos para manter os mercados ativos mesmo em tempos de crise global. O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Matogrosso (Aprosoja MT), Lucas Costa Beber, explica que o milho do estado possui qualidade superior aos concorrentes da Ucrânia e dos Estados Unidos por ser colhido no período da seca.

Segundo ele, o mercado internacional tem procurado não apenas o grão, mas também o DDG (resíduo sólido com alto teor proteico). “Tem sido a salvação do produtor nesse período em que o produtor enfrenta, principalmente, altos custos na produção da soja e os preços baixos. O milho ainda tem um custo que dá uma certa dignidade ao produtor nesse período de crise”, ressalta Beber ao Canal Rural Mato Grosso.

Além da exportação, o cereal ganha relevância interna através da verticalização para a produção de biocombustíveis. Beber reforça que essa industrialização contribui diretamente para a arrecadação estadual e para o equilíbrio das contas dentro da porteira. Hoje, o estado já lidera a fabricação de etanol de milho, fornecendo energias limpas.

“Hoje, Mato Grosso já é o estado que mais industrializa milho para a produção de etanol de biocombustível, que são combustíveis limpos e renováveis, que tem uma contribuição com o meio ambiente e também com a arrecadação do nosso Estado”, completa o dirigente. Para ele, essa estrutura protege o produtor de oscilações bruscas no mercado externo.

exportação porto foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Insumos e logística entram no radar

A logística de suprimentos também entra no radar de riscos, visto que o Irã forneceu ao Brasil cerca de 184 mil toneladas de ureia no último ano. Embora países como China e Rússia liderem o fornecimento de nitrogenados, a proximidade de exportadores como Omã e Catar com a zona de conflito gera apreensão sobre a disponibilidade de fertilizantes.

No curto prazo, a expectativa é de que o mercado se aproveite de especulações para elevar os preços dos insumos. “Eu acredito que no curto prazo pode impactar um pouco sim o custo dos fertilizantes e insumos e o mercado vai se aproveitar de especulações sobre isso”, pondera Lucas Costa Beber.

Ele acredita que, embora as rotas mundiais possam mudar, a demanda pelo alimento deve permanecer firme. Lucas cita que países como Israel também têm potencial para ofertar cloreto de potássio e nitrogenados. “Da mesma maneira que o país tem inteligência para iniciar e atacar durante uma guerra, eles têm inteligência para prepararem a sua produção”, observa o presidente da Aprosoja MT.

“Independente do regime que prevalece, para um regime se manter forte, ele precisa garantir a segurança alimentar da sua população”, acrescenta em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso. Para a entidade, a necessidade do consumo básico das populações locais impede uma interrupção total das trocas comerciais, mantendo o milho brasileiro no radar dos compradores.

mt sustentável - suínos suíno
Foto: Leandro Balbino/ Canal Rural MT

Incertezas atingem cadeia de proteínas

A instabilidade no Oriente Médio projeta sombras sobre o mercado de carnes, uma vez que o milho é o principal componente da ração animal. Frederico Tannure Filho, presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), alerta que o cenário de guerra pode desestimular o investimento em tecnologia nas fazendas, reduzindo a produtividade e, consequentemente, elevando o custo da proteína.

“E isso pode trazer aí uma redução de emprego de tecnologia nas lavouras de milho, onde vai trazer um impacto oriental na redução da produção e da produtividade. Então, consequentemente, vai aumentar o custo da produção da proteína”, explica Tannure. Como a região em conflito é uma grande compradora de carne brasileira, o imbróglio ameaça os fluxos de exportação.

O complexo de proteínas deve sentir os reflexos de forma integrada. Tannure ressalta que a queda na comercialização de um tipo de carne acaba impactando o valor das demais. “Quando uma proteína cai, outras acabam caindo, o preço também, uma impacta na outra, direta ou indiretamente, sempre há um reflexo”, avalia o presidente da Acrismat.

Ele aponta que o cenário gera incertezas para todo o complexo de carnes, incluindo frango e carne bovina. “É uma importante região compradora dessa proteína animal também, o frango por exemplo. Fala-se até numa possível redução também da comercialização da carne bovina”, pontua sobre os riscos para a pecuária mato-grossense.

milho foto pedro silvestre canal rural mato grosso 1
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Energia vira oportunidade no setor

Apesar do tom de alerta, o setor enxerga janelas de oportunidade no mercado de energia e na valorização das commodities agrícolas. Historicamente, a alta do petróleo atrai fundos de investimento para o setor de grãos, o que pode sustentar as cotações em períodos de inflação global e aumentar a demanda por biocombustíveis.

Lucas Costa Beber afirma que há uma tendência natural de busca por biodiesel e etanol de milho quando o combustível fóssil escasseia ou encarece. “Nós precisamos também focar nas energias, sabendo que o Irã e o Oriente Médio são grandes produtores de petróleo também, o que tende a encarecer os nossos custos”, analisa.

“Mas, por outro lado, tende a valorizar as commodities, já que em períodos de guerra, inflação, os fundos de investimento tendem a migrar para as commodities, o que melhora os preços e também uma maior demanda por biocombustíveis”, completa Beber. Ele vê o Brasil em destaque nessa transição energética durante períodos de crise.

O foco agora se volta para a visão estratégica de mercado para evitar que o mercado especulativo tente elevar custos de forma artificial. “Muitas vezes o mercado tenta se aproveitar dessas notícias para querer elevar os preços e os custos e tentar lucrar com isso. Nós temos que olhar, ter uma visão 360 graus”, conclui o presidente da Aprosoja MT.


Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.

O post Escalada do conflito no Oriente Médio acende sinal de alerta para o milho brasileiro apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.

Continue Reading

Business

Tarifaço dos EUA: setor de máquinas pede saída diplomática ao governo

Published

on


Foto: Divulgação Mapa

O governo federal iniciou nesta terça-feira (21) uma rodada de reuniões com representantes dos setores afetados pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Entre os primeiros encontros esteve o da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que levou ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, um pacote de medidas para reduzir os impactos da decisão americana.

Segundo o presidente-executivo da entidade, José Velloso, o setor de máquinas e equipamentos está entre os mais expostos ao mercado norte-americano. Antes da elevação das tarifas, as exportações para os Estados Unidos somavam cerca de US$ 4 bilhões.

“O setor de máquinas e equipamentos é um dos que mais exportam para os Estados Unidos. Com essa nova tarifa de 25%, será altamente afetado”, afirmou.

Pacote de propostas

A Abimaq dividiu as sugestões apresentadas ao governo em dois eixos: medidas para preservar a competitividade das exportações e aperfeiçoamentos no programa Brasil Soberano.

Na área tributária, a entidade defende a retomada do Reintegra e a criação de mecanismos de compensação de tributos indiretos acumulados ao longo da cadeia produtiva. Segundo Velloso, essas medidas ajudariam a reduzir, na prática, o impacto da tarifa adicional sobre os produtos brasileiros.

Outra proposta é o diferimento temporário de tributos federais, como Imposto de Renda, CSLL, PIS, Cofins e contribuição previdenciária patronal.

De acordo com a Abimaq, a medida daria fôlego ao capital de giro das empresas, repetindo soluções já adotadas durante a pandemia de Covid-19 e após as enchentes no Rio Grande do Sul. A entidade também pediu reforço ao trabalho da ApexBrasil para ampliar a abertura de novos mercados.

Apesar da perda de competitividade nos Estados Unidos após o primeiro tarifaço, Velloso afirmou que as exportações do setor cresceram cerca de 13% graças à diversificação dos destinos.

“Estamos batendo recorde de exportações. Devemos exportar mais de US$ 14,5 bilhões neste ano. O objetivo é buscar novos mercados, sem deixar de trabalhar o mercado norte-americano”, disse.

Outro pedido foi a prorrogação dos atos concessórios do drawback, regime que suspende tributos sobre insumos importados destinados à produção de bens para exportação. Segundo a entidade, muitos compradores americanos passaram a adiar entregas, o que pode comprometer empresas que utilizam esse mecanismo.

Mudanças no Brasil Soberano

No eixo de crédito, a Abimaq propôs ajustes no programa Brasil Soberano para ampliar o acesso das empresas.

Entre as sugestões estão a flexibilização dos critérios de elegibilidade, ampliação do número de beneficiários, mudança do período de referência utilizado para enquadramento das empresas e redução das taxas de juros.

Segundo Velloso, os financiamentos atualmente oferecidos, entre 15% e 17% ao ano, ainda são caros para empresas que enfrentam perda de mercado externo.

A entidade também defendeu a isenção do IOF nas operações de crédito ligadas ao programa, a retirada da exigência de manutenção de empregos como condição para acesso aos recursos e o fortalecimento dos mecanismos de garantia e seguro de crédito.

Solução diplomática

Após a reunião, Velloso afirmou que a prioridade da indústria continua sendo uma solução negociada entre Brasil e Estados Unidos. Segundo ele, a adoção de medidas de retaliação não seria o melhor caminho diante da atual crise comercial.

O executivo também disse que o governo demonstrou preocupação com os impactos das tarifas e informou que novas reuniões estão previstas com outras entidades representativas da indústria. A expectativa é que, após ouvir os setores afetados, a equipe econômica defina o alcance das medidas de apoio.

A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos entra em vigor nesta quarta-feira (22). Entre os produtos atingidos estão máquinas agrícolas, etanol, roupas e calçados. Já itens do agronegócio, como café, carne bovina, mel, laranja e suco de laranja, ficaram fora da cobrança adicional.

*Com informações do repórter Bruno Amorim, de Brasília

O post Tarifaço dos EUA: setor de máquinas pede saída diplomática ao governo apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Business

Etanol de milho amplia demanda pelo cereal e muda dinâmica do mercado no Brasil

Published

on


Foto: Freepik

O avanço da produção de etanol de milho deve transformar ainda mais o mercado brasileiro do cereal na safra 2026/27. Segundo análise da Consultoria Agro do Itaú BBA, o consumo de milho destinado à fabricação do biocombustível deve atingir 37,7 milhões de toneladas, um crescimento de 36% em relação às 27,7 milhões de toneladas estimadas para a temporada 2025/26.

Com esse avanço, o etanol passará a representar cerca de 34% de todo o consumo doméstico de milho, acima dos aproximadamente 28% registrados no ciclo anterior, consolidando-se como um dos principais motores da demanda interna pelo grão.

O crescimento é impulsionado principalmente pela expansão da capacidade industrial no Centro-Oeste. Levantamento do Itaú BBA identifica mais de 28 projetos entre novas usinas e ampliações de capacidade previstos até 2030. Parte desses empreendimentos também considera o uso de matérias-primas alternativas, como o sorgo.

Na avaliação de Francisco Queiroz, especialista da Consultoria Agro do Itaú BBA, a maior participação das usinas de etanol na compra de milho altera o equilíbrio do mercado brasileiro.

“A maior presença das usinas de etanol na demanda por milho altera a dinâmica de comercialização do grão no Brasil, ampliando a disputa pelo produto entre diferentes consumidores, como produtores de biocombustível, indústria de proteína animal e tradings exportadoras”, afirma.

Segundo o especialista, esse movimento tende a reduzir o volume disponível para exportação e aumenta a sensibilidade dos preços domésticos em períodos de menor oferta, fortalecendo a competição pelo cereal entre os diferentes segmentos consumidores.

Transição energética impulsiona investimentos

Além da expansão das plantas industriais, o crescimento do etanol de milho é sustentado por fatores estruturais ligados à transição energética. A maior demanda por biocombustíveis e o desenvolvimento de combustíveis renováveis, como o diesel verde (HVO) e o combustível sustentável de aviação (SAF), ampliam as perspectivas para o setor.

Na avaliação da Consultoria Agro do Itaú BBA, esse cenário fortalece a integração entre os mercados agrícola e energético e aumenta a importância da gestão de riscos para produtores, indústrias e demais agentes da cadeia do milho.

Com novos investimentos previstos ao longo dos próximos anos, a tendência é que o etanol de milho continue ampliando sua participação no consumo nacional, tornando-se um dos principais fatores de influência sobre a formação dos preços e a destinação da produção brasileira do cereal.

O post Etanol de milho amplia demanda pelo cereal e muda dinâmica do mercado no Brasil apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Business

Plano Safra: crédito sai ainda em julho e juros estão ‘muito baratos’, diz secretário do Mapa

Published

on


Foto: Reprodução

Os recursos do Plano Safra 2026/27 com juros equalizados devem estar disponíveis para contratação dos produtores ainda em julho, disse o secretário de Política Agrícola do Mapa, Guilherme Campos.

Segundo ele, não há demora no oferecimento do crédito e o processo segue o rito costumeiro. “Temos o anúncio e, posteriormente, a adequação das instituições financeiras ao que foi definido pelo programa. Está no final da fase de ajustes e logo estará disponível para todos. […] Este mês estará tudo resolvido”, garantiu.

Para ele, os juros de custeio, principalmente para os agricultores enquadrados no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), está muito acessível. “Nove por cento [de juros] nesse mercado [com taxa Selic a 14,25%] é muito barato”, afirmou.

Setor critica redução da linha de custeio

O Plano Safra 2026/27 prevê R$ 610,3 bilhões, com R$ 525,1 bilhões destinados à agricultura empresarial e R$ 85,2 bilhões para a familiar.

Mesmo com alta nominal ante os R$ 594,4 bilhões da temporada anterior, representantes do setor avaliam que os recursos e as condições de financiamento seguem insuficientes diante do cenário no campo.

Entre os pontos centrais criticados pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) está a redução dos recursos para custeio, que somam R$ 384,9 bilhões nesta temporada, queda de 7,18% ante o programa do ciclo 2025/26. Essa linha financia despesas diretamente ligadas ao plantio, como sementes, fertilizantes, defensivos e outros insumos.

O post Plano Safra: crédito sai ainda em julho e juros estão ‘muito baratos’, diz secretário do Mapa apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT