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Exportação de carne bovina supera 1,3 milhão de toneladas até maio, diz Abiec

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o Brasil exportou 297 mil toneladas de carne bovina em maio, alta de 17,8% em relação ao mesmo período de 2025. Na comparação com abril, o avanço foi de 2,9%.
A receita com os embarques somou US$ 1,83 bilhão, crescimento de 6,5% frente ao mês anterior. O preço médio da proteína exportada alcançou US$ 6.163 por tonelada, alta de 3,5%.
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China concentra embarques
A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira em maio, com importações de 157,6 mil toneladas e faturamento de US$ 1,06 bilhão. O país respondeu por 53,1% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil no período.
De acordo com a Abiec, o aumento dos embarques ocorre em um cenário de antecipação das compras pelo mercado chinês diante da implementação das medidas de salvaguarda anunciadas para o setor.
Os Estados Unidos ficaram na segunda posição entre os compradores da proteína brasileira, com 28,8 mil toneladas importadas e receita de US$ 195,6 milhões. Na sequência aparecem Rússia, Chile e União Europeia.
A carne bovina in natura representou 88,2% do volume exportado e respondeu por 93,1% da receita obtida pelo setor em maio, totalizando US$ 1,7 bilhão.
Exportações superam 1,3 milhão de toneladas
No acumulado de janeiro a maio, o Brasil exportou 1,388 milhão de toneladas de carne bovina, volume 15,3% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
A receita alcançou US$ 7,88 bilhões, enquanto o preço médio das exportações ficou em US$ 5.677 por tonelada.
A China também lidera com folga no acumulado do ano. Foram 631,9 mil toneladas embarcadas para o país asiático, com faturamento de US$ 3,78 bilhões. O mercado respondeu por 45,5% do volume exportado pelo Brasil e por 48% da receita do setor nos cinco primeiros meses de 2026.
As compras chinesas cresceram 27,8% em relação ao mesmo período de 2025. Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 178,6 mil toneladas importadas, seguidos por Chile, Rússia e União Europeia.
Segundo a Abiec, a presença da carne bovina brasileira em mais de 177 mercados segue contribuindo para a competitividade e a estabilidade das exportações do setor.
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Mauro Osaki: geopolítica desafia o agro e cria novas incertezas

A geopolítica voltou a influenciar diretamente o dia a dia do produtor rural. Mudanças nas rotas comerciais, restrições de mercado, incertezas no abastecimento de fertilizantes e novas disputas econômicas entre grandes potências têm gerado impactos sobre os custos de produção e aumentado a preocupação no campo.
Para o pesquisador do Cepea/Esalq, Mauro Osaki, o cenário atual pode ser compreendido a partir de três pilares principais: os reflexos das tensões internacionais sobre a oferta de insumos, os desafios logísticos do transporte global e o avanço de medidas protecionistas adotadas por diferentes países.
Segundo ele, as consequências já são percebidas pelo agronegócio brasileiro, especialmente no mercado de fertilizantes. “A consequência disso foi a elevação dos preços dos fertilizantes que vem transmitindo isso para o nosso mercado interno”.
Osaki explica ao programa Direto ao Ponto que a preocupação não está apenas no custo dos insumos, mas também na segurança do abastecimento global, diante das dificuldades enfrentadas por importantes rotas marítimas e da crescente disputa comercial entre grandes economias.
Fertilizantes no centro das atenções
Entre os insumos mais afetados estão matérias-primas ligadas à produção de fertilizantes fosfatados e nitrogenados. Conforme o pesquisador, o mercado já sente os efeitos da alta de produtos como enxofre e ácido sulfúrico, fundamentais para a fabricação de fertilizantes.
“O impacto já vem sendo sentido por nós, que é essa alta que estamos observando no mercado de fertilizantes, em especial, algumas matérias-primas, como ácido sulfúrico com enxofre, o que impacta direto na produção de fosfato”, frisa.
No caso da ureia, utilizada principalmente em culturas como milho, arroz e feijão, a preocupação está relacionada à oferta internacional. Embora a China tenha sinalizado a retomada das exportações do produto, Osaki avalia que o mercado segue atento às incertezas globais.
O pesquisador observa ainda que a própria China busca equilibrar a garantia do abastecimento doméstico com a participação no mercado internacional. Segundo ele, um excesso de restrições pode trazer consequências para o próprio país asiático, elevando os custos dos alimentos importados.

O papel estratégico do enxofre
O enxofre para a cadeia de fertilizantes também foi um dos pontos destacados por Osaki na entrevista ao Canal Rural Mato Grosso. A matéria-prima é obtida durante o processo de refino do petróleo e tem papel fundamental na fabricação de fertilizantes fosfatados.
De acordo com ele, problemas enfrentados por refinarias em diferentes regiões do mundo acabaram reduzindo a oferta do produto, dificultando o abastecimento de algumas cadeias produtivas. “Essa matéria-prima é utilizada para produção de fertilizantes. Ela é utilizada principalmente no processo de produção de fosfatado”.
Apesar das dificuldades, Osaki ressalta que ampliar as opções de matérias-primas disponíveis ao produtor continua sendo um caminho importante para reduzir vulnerabilidades e garantir competitividade.
Dependência externa preocupa
A discussão sobre fertilizantes também reacende um tema antigo: a dependência brasileira das importações. Atualmente, entre 80% e 85% dos fertilizantes consumidos no país vêm do exterior.
Para o pesquisador, a lógica da globalização estimulou durante anos a busca por fornecedores internacionais. No entanto, o cenário mudou. “Desde 2019 para cá, a gente começou a mudar um pouco esse pensamento. O mundo começou a se proteger mais, começou a ser mais autossuficiente”.
Nesse contexto, ele considera que aumentar a produção nacional de fertilizantes pode ser uma estratégia importante para reduzir riscos. “Talvez tenhamos que caminhar para essa diretriz de aumentar a nossa capacidade produtiva de fertilizantes para reduzir essa dependência que hoje nós temos”, completa.
Entre os nutrientes analisados, Osaki acredita que o fósforo apresenta melhores condições para ampliação da produção nacional.
Margens apertadas e decisões mais difíceis
Além dos desafios relacionados aos insumos, os produtores enfrentam um cenário de rentabilidade mais apertada. Dados apresentados pelo pesquisador durante o Fórum Técnico Mais Milho, realizado em Água Boa, região leste de Mato Grosso, no último dia 28 de maio, mostraram redução das margens reais nos últimos anos, mesmo após o ajuste pela inflação.
“O que nós apresentamos foi o custo real, na verdade, já até descontando a inflação. Então você vê exatamente essa margem real nossa também recuando”.
Segundo ele, a redução da rentabilidade limita investimentos e exige mais cautela na gestão das propriedades. “A gente vê que há uma necessidade maior do produtor tirar suas reservas para conseguir honrar esses compromissos”.
Diante desse quadro, algumas estratégias de redução de custos podem entrar na pauta das fazendas. No entanto, Osaki evita recomendações generalizadas e defende que cada decisão seja tomada de acordo com as condições de solo, cultura e realidade econômica de cada propriedade.
“Cada produtor tem sua situação e seu técnico ali, o seu consultor para traçar sua estratégia”.
Oportunidade para o milho brasileiro
Se por um lado o cenário internacional gera preocupações, por outro pode abrir oportunidades para o Brasil. Uma delas está relacionada ao aumento da mistura de etanol na gasolina dos Estados Unidos.
Conforme Osaki, uma ampliação do consumo de etanol pelo mercado norte-americano elevaria a demanda interna por milho, reduzindo a disponibilidade do cereal para exportação. “Para nós diretamente é favorável, porque saindo de 10 para 15 pontos de etanol é muito para um país norte-americano”.
Nesse cenário, países tradicionalmente abastecidos pelos Estados Unidos poderiam buscar novos fornecedores. “México, Colômbia, Japão e União Europeia, outros países aí, vão ter que bater na nossa porta aqui e comprar nosso milho. E da Argentina, assim como também da Ucrânia”.
Para o pesquisador, o momento exige atenção aos movimentos globais. Em um ambiente cada vez mais conectado, decisões tomadas em outros continentes continuam influenciando diretamente os custos, os investimentos e as oportunidades para o produtor brasileiro.
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Fenarroz abre 26ª edição em Cachoeira do Sul com foco na cadeia do arroz

A 26ª edição da Fenarroz, multifeira voltada ao agronegócio, foi oficialmente aberta na manhã desta quinta-feira (4), em Cachoeira do Sul, na região Central do Rio Grande do Sul. A programação segue até domingo (7) e reúne expositores, produtores, agroindústrias familiares e representantes de órgãos públicos ligados ao setor. Segundo os organizadores e autoridades presentes, a feira tem foco em negócios, tecnologia e desenvolvimento da cadeia orizícola.
A abertura contou com a presença de representantes da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR). Entre os destaques da programação está o Pavilhão da Agricultura Familiar, apoiado pela SDR, com 40 empreendimentos de 25 municípios gaúchos entre os dias 2 e 7 de junho.
No espaço, estão expostos produtos como embutidos, carnes e derivados, panificados, doces, mel, bebidas artesanais, vinhos, cachaças, flores, artesanato, cuias e outros itens coloniais. A participação dessas agroindústrias amplia a visibilidade comercial de pequenos produtores e cria oportunidade de acesso a novos compradores durante a feira.
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A Fenarroz é voltada principalmente à cadeia do arroz, segmento de peso na agropecuária gaúcha. Durante a abertura, o secretário adjunto da Seapi, Antonio Carlos Ferreira Neto, afirmou que o Rio Grande do Sul responde por cerca de 70% da produção nacional de arroz. O dado reforça a relevância econômica da orizicultura para emprego, renda e atividade industrial no estado.
Também foi citado o papel do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) em pesquisa, genética e assistência técnica aos produtores. Nesse contexto, a feira funciona como espaço de divulgação de tecnologias, troca de informações e aproximação entre produção, pesquisa e mercado.
As informações disponíveis não detalham volume de negócios esperado, número total de expositores nem estimativas de público para esta edição.
Do ponto de vista técnico e comercial, a Fenarroz concentra temas centrais para a cadeia do arroz e para a agricultura familiar gaúcha, como inovação, agregação de valor e acesso a mercado. Sem dados consolidados de negócios ou público, os resultados desta edição deverão ser medidos ao longo da programação e após o encerramento do evento.
Fonte: agricultura.rs.gov.br
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Energia solar reduz custos e ganha espaço em fazendas brasileiras

A energia solar vem ganhando espaço nas propriedades rurais brasileiras e se consolidando como uma ferramenta para reduzir custos e aumentar a eficiência da produção. Da irrigação ao armazenamento de grãos, a tecnologia já faz parte da rotina de produtores que buscam maior previsibilidade financeira e menos dependência das oscilações nas tarifas de energia.
Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), o agronegócio responde por cerca de 29% da energia renovável consumida no país. O avanço da tecnologia tem impulsionado sua adoção em atividades como bombeamento de água, resfriamento de leite, climatização de ambientes e operação de silos e câmaras frias.
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Além da economia na conta de luz, a geração própria de energia permite um planejamento mais estável dos custos da propriedade.
“Hoje, a energia elétrica representa uma parcela importante dos custos operacionais do agronegócio. Quando o produtor consegue reduzir essa despesa de forma consistente, ele ganha competitividade, melhora o fluxo de caixa da propriedade e consegue investir mais em produtividade e tecnologia”, afirma Raphael Brito, CEO da Solarprime.
Irrigação lidera aplicações
Entre os usos mais comuns da energia solar no campo estão os sistemas de irrigação, que figuram entre os maiores consumidores de eletricidade em diversas culturas.
Em propriedades que dependem do bombeamento constante de água, especialmente durante períodos de estiagem, os sistemas fotovoltaicos podem reduzir significativamente os gastos com energia. Segundo a empresa, a economia pode chegar a até 90% quando a geração própria é combinada com sistemas de armazenamento.
A tecnologia também tem ampliado sua presença em silos, galpões, estruturas de ventilação e câmaras frias, que demandam fornecimento contínuo de energia ao longo das safras.
“A energia solar deixou de ser vista apenas como uma alternativa sustentável e passou a ocupar um papel estratégico dentro das propriedades rurais. O produtor busca eficiência, previsibilidade e mais autonomia energética para sustentar o crescimento da operação”, destaca Brito.
Uso avança na pecuária
Na pecuária, a energia solar tem sido utilizada em sistemas de ordenha, resfriamento de leite e abastecimento de água para os animais.
Em regiões mais distantes dos centros urbanos, onde o fornecimento de energia pode apresentar instabilidades, a geração própria também contribui para aumentar a segurança operacional das fazendas.
Outro fator que impulsiona a adoção da tecnologia é a durabilidade dos equipamentos, aliada à baixa necessidade de manutenção.
“O produtor rural brasileiro está cada vez mais atento à gestão do negócio. A energia solar entra como uma ferramenta importante para aumentar a eficiência, reduzir desperdícios e tornar a operação mais sustentável economicamente no longo prazo”, conclui o executivo.
*Com informações da assessoria de imprensa
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