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14 de outubro de 2026

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Safra 2026/27: custo da soja sobe e atraso nas compras preocupa produtores em MT

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

O aumento dos custos de produção e a dificuldade de comercialização do milho deixam produtores de Mato Grosso mais cautelosos para a safra 2026/27. O custeio da soja deve chegar a R$ 4.321,32 por hectare, com alta de 3,35% em relação à temporada anterior, enquanto parte dos insumos para o próximo plantio ainda não foi comprada.

A pressão sobre as margens começa antes mesmo da implantação da nova lavoura. Fertilizantes e corretivos tiveram reajuste de 5,74%, enquanto as operações mecanizadas avançaram 22,74%, principalmente devido ao aumento no custo do diesel, conforme o projeto de Custo de Produção Agropecuária de Mato Grosso (CPA-MT), realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e Senar-MT.

O cenário é agravado por uma segunda safra de milho marcada por problemas climáticos e preços pouco remuneradores. Em Diamantino, o produtor Altemar Kroling alcançou entre 154 e 156 sacas por hectare no ciclo passado. Até agora, porém, a maior produtividade obtida nesta temporada foi de 132 sacas.

O excesso de chuva no início do cultivo prejudicou aplicações, enquanto a falta de precipitações no período de enchimento dos grãos reduziu o potencial produtivo. “No início e no final do cultivo do milho nós tivemos problemas. Vai ser um ano que vai produzir assim bem abaixo do que a gente estimava”, avalia Kroling ao Patrulheiro Agro.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Clima interfere na colheita e reduz margem

A distribuição irregular das chuvas também deixou marcas diferentes nas regiões produtoras. Em algumas áreas, a falta de precipitações comprometeu a produtividade. Em outras, o excesso de umidade passou a dificultar a retirada dos grãos do campo.

No município de Primavera do Leste, Fábio Busanello, vice-presidente do Sindicato Rural, relata que houve um período de estiagem entre abril e maio. As chuvas chegaram apenas no fim de junho e em julho, quando já não eram capazes de recuperar completamente o potencial produtivo das lavouras.

A colheita ainda está atrasada na região e há relatos de grãos ardidos em algumas áreas. Ao mesmo tempo, lavouras que receberam chuva suficiente apresentam produtividade considerada boa.

O excesso de chuva também tem dificultado o avanço da colheita em outras regiões. Para Altemar Kroling, os volumes mais elevados atrasam a redução da umidade do milho e aumentam o risco de perdas. “Esse ano deu chuvas maiores de 80, 100 milímetros, acaba atrapalhando a colheita. O milho demora em baixar a umidade”, explica.

A situação preocupa porque parte da produção precisa cumprir contratos e ser direcionada para estruturas de armazenagem. No caso do silo bolsa, o milho precisa estar com umidade inferior a 14%.

A família Bueno já concluiu a colheita dos 1.180 hectares cultivados com milho em Ipiranga do Norte. O armazém da propriedade, construído há cerca de cinco anos, tem capacidade para aproximadamente 125 mil sacas.

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Mesmo com a estrutura, o agricultor Auri Antônio Ferreira Bueno destaca que os preços atuais reduzem o retorno da atividade. “A gente produz, mas retorno é pouco. O preço está muito baixo, então fica difícil para nós”, afirma.

Custos maiores dificultam fechamento das contas

A dificuldade de comercialização do milho ocorre justamente quando o produtor precisa se preparar para a próxima safra. O problema é que os custos continuam elevados e a receita obtida com a produção nem sempre é suficiente para cobrir as despesas.

Para Eder Ferreira Bueno, presidente do Sindicato Rural de Ipiranga do Norte, o principal desafio está em conseguir fechar a conta. “O produtor não está tendo rentabilidade, o custo está alto, na próxima safra o custo também está alto”, resume à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

A situação também limita a capacidade de investimento em armazenagem. Auri Ferreira Bueno afirma que a construção de novos silos seria necessária, mas os juros dificultam a expansão da estrutura. “Tem que fazer mais silos, mas do jeito que está hoje não tem condição de construir mais não. Hoje o juro está muito alto”, diz.

Para Eder, o problema não está apenas na dificuldade de vender o grão. “O pior de tudo é você colher, você ter o grão e não poder vender porque o custo está alto e os insumos estão todos altos. Então não fecha a conta hoje”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Fertilizantes ainda não foram negociados

A comercialização do milho e o ritmo mais lento da colheita também interferem no planejamento da próxima temporada. O atraso reduz o tempo disponível para a preparação das áreas e aumenta a preocupação com a compra dos insumos.

O presidente da Aprosoja Brasil e Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, estima que entre 30% e 40% do volume de fertilizantes destinado ao próximo plantio de soja ainda não tenha sido negociado.

A alta do enxofre, utilizado na produção de fertilizantes como MAP e superfosfato simples, contribuiu para a elevação dos preços. A instabilidade no Estreito de Ormuz também aumentou a cautela dos produtores. “Muitos produtores que não haviam negociado lá em novembro ainda não negociaram”, destaca Lucas.

O atraso pode não comprometer imediatamente a primeira safra de soja, mas aumenta o risco para o milho da segunda safra e para o planejamento das temporadas seguintes. Como parte dos produtores utiliza a adubação a lanço com foco na fertilidade do sistema ao longo do tempo, a menor disponibilidade de nutrientes pode afetar a produtividade mais adiante.

Atraso pode comprometer calendário

O ritmo mais lento da colheita do milho também reduz o tempo disponível para as operações que antecedem o plantio da soja. A proximidade do período de ventos mais fortes, em agosto, pode dificultar a aplicação de calcário.

O cenário climático desta temporada reforça a preocupação. Altemar Kroling lembra que, no ciclo anterior, as chuvas foram mais regulares, com volumes de 30 a 40 milímetros distribuídos ao longo do período. Nesta safra, os volumes maiores e concentrados dificultaram tanto o manejo quanto a colheita.

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Além da produtividade, a qualidade do milho também pode ser afetada. Em algumas regiões, já há relatos de grãos ardidos, enquanto a umidade elevada prolonga o tempo necessário para a colheita.

O planejamento da próxima safra ainda é feito em meio às discussões sobre a possibilidade de um novo El Niño. Embora não haja confirmação sobre a ocorrência ou a intensidade do fenômeno, um eventual atraso no plantio da soja poderia comprometer o calendário do milho seguinte.

“Se ocorrer atraso de plantio pode ter impactos econômicos ainda mais fortes no ano que vem, não só para a cultura da soja, mas também atrasando o plantio da safra do milho do próximo ano”, alerta Lucas.

Ao mesmo tempo, o presidente da Aprosoja Brasil observa que o mercado ainda não incorporou uma eventual preocupação climática aos preços das commodities. “Mesmo se falando de um alarde muito grande sobre esse El Niño, o mercado não tem acumulado isso e a remuneração nos preços das commodities não tem refletido essas previsões”.

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OIA reduz estimativa para produção de açúcar no Centro-Sul em 2026/27

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A produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil pode ficar abaixo de 38 milhões de toneladas na safra 2026/27, segundo a Organização Internacional do Açúcar (OIA). A revisão foi apresentada no relatório de mercado de setembro, após a entidade reduzir sua projeção anterior, de 39 milhões de toneladas. O ajuste ocorre em meio ao avanço das chuvas, que tem prejudicado a colheita e a moagem de cana-de-açúcar.

Segundo a OIA, a produção na região terá dificuldades para alcançar 38 milhões de toneladas e poderá ficar bem abaixo desse volume se as chuvas previstas se confirmarem. Na primeira quinzena de setembro, as usinas do Centro-Sul processaram 30,2 milhões de toneladas de cana, queda superior a 30% em relação ao mesmo período do ano passado.

No mesmo intervalo, a produção de açúcar somou 2,2 milhões de toneladas, ante 3,6 milhões de toneladas um ano antes. Com isso, o volume acumulado desde 1º de abril chegou a 26,1 milhões de toneladas até meados de setembro, abaixo das 30,4 milhões de toneladas registradas no mesmo período da safra anterior. Em 2025/26, a região produziu 40,4 milhões de toneladas de açúcar.

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O ritmo de moagem também perdeu força ao longo da safra. Em meados de agosto, o processamento acumulado de cana ainda estava 2,1% acima do observado um ano antes. Agora, está 1,5% abaixo, em 443,7 milhões de toneladas.

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Outro fator destacado pela entidade é a maior destinação de matéria-prima para o etanol. Até o momento, as usinas direcionaram 53,8% do Açúcar Total Recuperável (ATR) disponível para a fabricação do biocombustível, acima dos 47,7% verificados na mesma etapa da temporada passada. De acordo com a OIA, os preços do etanol subiram, elevando a paridade entre açúcar e etanol para cerca de 16 centavos de dólar por libra-peso, sem considerar o subsídio aos combustíveis introduzido recentemente.

Nas exportações, os embarques brasileiros de açúcar bruto também recuaram. Em agosto, o volume foi de 2,7 milhões de toneladas, contra 3,7 milhões de toneladas no mesmo mês de 2025. De janeiro a agosto, os embarques ficaram 2,2 milhões de toneladas abaixo dos registrados em igual intervalo do ano passado.

Apesar da perspectiva de menor oferta na temporada atual, a OIA observou que usinas brasileiras estariam realizando operações expressivas de hedge para 2027, aproveitando preços mais elevados. Segundo o relatório, esse movimento indica planos de ampliar a produção de açúcar no próximo ano.

Fonte: Estadão Conteúdo

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USDA destina US$ 86,6 milhões a projetos para culturas especiais nos EUA

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O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou nesta quarta-feira (14) a destinação de US$ 86,6 milhões para 609 projetos voltados ao aumento da competitividade de culturas especiais em 56 Estados e territórios do país. Os recursos serão concedidos por meio do Programa de Subvenções para Culturas Especiais (SCBGP), administrado pelo Serviço de Marketing Agrícola (AMS) do USDA.

Segundo o USDA, os projetos contemplados abrangem pesquisa, desenvolvimento de variedades de sementes, combate a pragas e doenças, segurança alimentar, educação nutricional e ações de marketing para ampliar o acesso dos produtores ao mercado.

O programa atende cadeias produtivas de frutas, hortaliças, nozes, frutas secas e plantas ornamentais, entre outras culturas enquadradas como especiais nos Estados Unidos. A proposta é direcionar recursos para iniciativas que fortaleçam a competitividade desses segmentos em diferentes frentes da produção e da comercialização.

Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!

Entre os valores informados para os beneficiários, o Estado de Michigan receberá mais de US$ 2,64 milhões. A Flórida contará com mais de US$ 4,3 milhões, enquanto o Texas terá mais de US$ 2 milhões e a Geórgia, mais de US$ 1,7 milhão.

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A distribuição dos recursos alcança um conjunto amplo de projetos e territórios, com foco em temas técnicos e comerciais ligados às culturas especiais. Entre os eixos apoiados pelo programa estão medidas voltadas à melhoria de material genético, ao enfrentamento de problemas fitossanitários e à expansão das condições de comercialização para os produtores.

Com o anúncio, o USDA confirma a liberação de US$ 86,6 milhões para 609 projetos do SCBGP, abrangendo 56 Estados e territórios e diferentes cadeias de culturas especiais nos Estados Unidos.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Dólar em baixa pressiona mercado de etanol e açúcar

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Os preços dos derivados da cana-de-açúcar, como o etanol e o açúcar cristal, seguem em trajetória de alta, segundo análise divulgada nesta quarta-feira (14) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

A valorização do real frente ao dólar tende a reduzir a competitividade dos produtos brasileiros no mercado externo, enquanto as chuvas continuam dificultando a produção de cana-de-açúcar. O cenário também é marcado por expectativas de retração da demanda.

O preço do açúcar já acumula alta de 2,20% no mês, mantendo o crescimento desde julho, porém de forma menos expressiva esta semana. A alta do dólar desfavoreceu as exportações, mas a baixa oferta no exterior ajudou a segurar as cotações na bolsa de Nova York e evitou uma queda. Nacionalmente, por conta da concentração do produto no mercado interno, o saldo foi neutro e os preços praticamente se mantiveram.

Já os preços do etanol hidratado subiram com mais força que os do açúcar no mercado paulista (2,87%). O feriado de 12 de outubro (Dia de Nossa Senhora Aparecida) alavancou a demanda pelo combustível e interrompeu a sequência de ligeiras quedas das últimas semanas. O Cepea também observou uma postura mais firme dos vendedores, distribuidoras precisaram aceitar os preços mais altos para garantir seus estoques.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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