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17 de setembro de 2026

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Safra 2026/27: custo da soja sobe e atraso nas compras preocupa produtores em MT

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

O aumento dos custos de produção e a dificuldade de comercialização do milho deixam produtores de Mato Grosso mais cautelosos para a safra 2026/27. O custeio da soja deve chegar a R$ 4.321,32 por hectare, com alta de 3,35% em relação à temporada anterior, enquanto parte dos insumos para o próximo plantio ainda não foi comprada.

A pressão sobre as margens começa antes mesmo da implantação da nova lavoura. Fertilizantes e corretivos tiveram reajuste de 5,74%, enquanto as operações mecanizadas avançaram 22,74%, principalmente devido ao aumento no custo do diesel, conforme o projeto de Custo de Produção Agropecuária de Mato Grosso (CPA-MT), realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e Senar-MT.

O cenário é agravado por uma segunda safra de milho marcada por problemas climáticos e preços pouco remuneradores. Em Diamantino, o produtor Altemar Kroling alcançou entre 154 e 156 sacas por hectare no ciclo passado. Até agora, porém, a maior produtividade obtida nesta temporada foi de 132 sacas.

O excesso de chuva no início do cultivo prejudicou aplicações, enquanto a falta de precipitações no período de enchimento dos grãos reduziu o potencial produtivo. “No início e no final do cultivo do milho nós tivemos problemas. Vai ser um ano que vai produzir assim bem abaixo do que a gente estimava”, avalia Kroling ao Patrulheiro Agro.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Clima interfere na colheita e reduz margem

A distribuição irregular das chuvas também deixou marcas diferentes nas regiões produtoras. Em algumas áreas, a falta de precipitações comprometeu a produtividade. Em outras, o excesso de umidade passou a dificultar a retirada dos grãos do campo.

No município de Primavera do Leste, Fábio Busanello, vice-presidente do Sindicato Rural, relata que houve um período de estiagem entre abril e maio. As chuvas chegaram apenas no fim de junho e em julho, quando já não eram capazes de recuperar completamente o potencial produtivo das lavouras.

A colheita ainda está atrasada na região e há relatos de grãos ardidos em algumas áreas. Ao mesmo tempo, lavouras que receberam chuva suficiente apresentam produtividade considerada boa.

O excesso de chuva também tem dificultado o avanço da colheita em outras regiões. Para Altemar Kroling, os volumes mais elevados atrasam a redução da umidade do milho e aumentam o risco de perdas. “Esse ano deu chuvas maiores de 80, 100 milímetros, acaba atrapalhando a colheita. O milho demora em baixar a umidade”, explica.

A situação preocupa porque parte da produção precisa cumprir contratos e ser direcionada para estruturas de armazenagem. No caso do silo bolsa, o milho precisa estar com umidade inferior a 14%.

A família Bueno já concluiu a colheita dos 1.180 hectares cultivados com milho em Ipiranga do Norte. O armazém da propriedade, construído há cerca de cinco anos, tem capacidade para aproximadamente 125 mil sacas.

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Mesmo com a estrutura, o agricultor Auri Antônio Ferreira Bueno destaca que os preços atuais reduzem o retorno da atividade. “A gente produz, mas retorno é pouco. O preço está muito baixo, então fica difícil para nós”, afirma.

Custos maiores dificultam fechamento das contas

A dificuldade de comercialização do milho ocorre justamente quando o produtor precisa se preparar para a próxima safra. O problema é que os custos continuam elevados e a receita obtida com a produção nem sempre é suficiente para cobrir as despesas.

Para Eder Ferreira Bueno, presidente do Sindicato Rural de Ipiranga do Norte, o principal desafio está em conseguir fechar a conta. “O produtor não está tendo rentabilidade, o custo está alto, na próxima safra o custo também está alto”, resume à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

A situação também limita a capacidade de investimento em armazenagem. Auri Ferreira Bueno afirma que a construção de novos silos seria necessária, mas os juros dificultam a expansão da estrutura. “Tem que fazer mais silos, mas do jeito que está hoje não tem condição de construir mais não. Hoje o juro está muito alto”, diz.

Para Eder, o problema não está apenas na dificuldade de vender o grão. “O pior de tudo é você colher, você ter o grão e não poder vender porque o custo está alto e os insumos estão todos altos. Então não fecha a conta hoje”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Fertilizantes ainda não foram negociados

A comercialização do milho e o ritmo mais lento da colheita também interferem no planejamento da próxima temporada. O atraso reduz o tempo disponível para a preparação das áreas e aumenta a preocupação com a compra dos insumos.

O presidente da Aprosoja Brasil e Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, estima que entre 30% e 40% do volume de fertilizantes destinado ao próximo plantio de soja ainda não tenha sido negociado.

A alta do enxofre, utilizado na produção de fertilizantes como MAP e superfosfato simples, contribuiu para a elevação dos preços. A instabilidade no Estreito de Ormuz também aumentou a cautela dos produtores. “Muitos produtores que não haviam negociado lá em novembro ainda não negociaram”, destaca Lucas.

O atraso pode não comprometer imediatamente a primeira safra de soja, mas aumenta o risco para o milho da segunda safra e para o planejamento das temporadas seguintes. Como parte dos produtores utiliza a adubação a lanço com foco na fertilidade do sistema ao longo do tempo, a menor disponibilidade de nutrientes pode afetar a produtividade mais adiante.

Atraso pode comprometer calendário

O ritmo mais lento da colheita do milho também reduz o tempo disponível para as operações que antecedem o plantio da soja. A proximidade do período de ventos mais fortes, em agosto, pode dificultar a aplicação de calcário.

O cenário climático desta temporada reforça a preocupação. Altemar Kroling lembra que, no ciclo anterior, as chuvas foram mais regulares, com volumes de 30 a 40 milímetros distribuídos ao longo do período. Nesta safra, os volumes maiores e concentrados dificultaram tanto o manejo quanto a colheita.

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Além da produtividade, a qualidade do milho também pode ser afetada. Em algumas regiões, já há relatos de grãos ardidos, enquanto a umidade elevada prolonga o tempo necessário para a colheita.

O planejamento da próxima safra ainda é feito em meio às discussões sobre a possibilidade de um novo El Niño. Embora não haja confirmação sobre a ocorrência ou a intensidade do fenômeno, um eventual atraso no plantio da soja poderia comprometer o calendário do milho seguinte.

“Se ocorrer atraso de plantio pode ter impactos econômicos ainda mais fortes no ano que vem, não só para a cultura da soja, mas também atrasando o plantio da safra do milho do próximo ano”, alerta Lucas.

Ao mesmo tempo, o presidente da Aprosoja Brasil observa que o mercado ainda não incorporou uma eventual preocupação climática aos preços das commodities. “Mesmo se falando de um alarde muito grande sobre esse El Niño, o mercado não tem acumulado isso e a remuneração nos preços das commodities não tem refletido essas previsões”.

+Confira todos os episódios da série Patrulheiro Agro

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É nesta quinta! A Abertura Nacional do Plantio da Soja 26/27 vem aí; saiba como assistir ao vivo

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Imagem gerada por IA

Está chegando a hora! É amanhã, 17 de setembro, que acontece a Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27. A partir das 9h, pelo horário de Brasília, você poderá acompanhar ao vivo pelo Canal Rural e pelo YouTube tudo o que acontece na Fazenda Horizontina, em Ipiranga do Norte (MT).

Ao longo da programação, os participantes vão acompanhar debates sobre os principais assuntos que devem movimentar o setor durante o novo ciclo. Entre os destaques está a discussão sobre a verticalização da soja na produção de alimentos e energia.

Além de marcar oficialmente a largada da safra 2026/27, a Abertura Nacional terá um significado especial neste ano. O evento também dará início às comemorações dos 15 anos do Projeto Soja Brasil, iniciativa que acompanha de perto as transformações, os desafios e os avanços da produção de soja no país.

Falta pouco! Amanhã, acompanhe a Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27 pelo Canal Rural e pelo YouTube.

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Leilão de compra de arroz da Conab adquire apenas 5% do ofertado

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Foto: Paulo Lanzetta

O primeiro leilão de compra de arroz para formação de estoques públicos realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quarta-feira (16) não obteve o sucesso esperado.

A expectativa do governo era adquirir até 127,3 mil toneladas do cereal a granel da safra 2025/26, classe longo-fino em casca, Tipo 1, a fim de mitigar os possíveis impactos associados ao fenômeno climático El Niño e, assim, assegurar o abastecimento no país.

No entanto, o pregão eletrônico realizado pelo Sistema de Comercialização Eletrônica da entidade (Siscoe), resultou na compra de apenas 4,05 mil toneladas, ou 5,1% do total ofertado.

Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Evandro Oliveira, o leilão ocorreu em um momento inoportuno, sem qualquer pedido de ajuda por parte dos produtores, e ofereceu preços pouco atrativos, até mesmo abaixo das referências do mercado físico, dependendo da região.

De acordo com ele, já se esperava baixa adesão diante dos preços máximos oferecidos pelo leilão, entre R$ 80 a R$ 82 reais por saca, valores semelhantes aos praticados hoje no mercado físico. “Então, os preços não foram suficientemente atrativos para movimentar volumes significativos nesse leilão”, pontuou.

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No Rio Grande do Sul, nas praças de produção e comercialização de Pelotas e ainda no litoral, o arroz está sendo negociado na faixa de R$ 80,00 a R$ 85,00 por saca, chegando a R$ 90 no porto.

“Logo, os valores oferecidos pelo leilão ficaram bem abaixo do necessário para atrair uma demanda significativa, o que explica o fracasso da operação”, salientou o analista.

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Conab fará leilões para comprar até 224 mil toneladas de milho

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Duas operações de compra de milho em grãos preveem a aquisição de até 224 mil toneladas para formação de estoques públicos. Os leilões eletrônicos serão realizados na sexta-feira (18) e na segunda-feira (21), às 9h, com recebimento do produto em unidades armazenadoras de oito unidades da Federação. A medida também prevê oferta posterior por meio do Programa de Vendas em Balcão (ProVB).

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o volume de até 224 mil toneladas corresponde ao total das duas operações. O segundo leilão ofertará apenas os lotes que não forem negociados no primeiro certame, sem que a compra total ultrapasse esse limite.

A operação da sexta-feira (18), referente ao Aviso nº 64/2026, será exclusiva para a agricultura familiar. Poderão participar produtores rurais familiares, cooperativas de produtores rurais familiares e associações da agricultura familiar com Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) ou Declaração de Aptidão ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (DAP) válida.

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Já o leilão da segunda-feira (21), Aviso nº 65/2026, será em ampla concorrência. O certame admite a participação de produtores rurais, cooperativas e comerciantes, desde que atendam às exigências de cadastramento, habilitação jurídica e regularidade fiscal previstas no aviso.

O milho será recebido em unidades armazenadoras localizadas na Bahia, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. As operações serão realizadas pela Conab no Sistema de Comercialização Eletrônica da Companhia (Siscoe), em Brasília.

Os participantes precisam estar cadastrados na bolsa por meio da qual apresentarão propostas e em situação regular no Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores (Sicaf), no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin) e no Sistema de Cadastro Nacional de Produtores Rurais e Demais Agentes (Sican).

O produto deverá seguir os padrões de classificação estabelecidos nos avisos e vir acompanhado de certificado emitido por entidade credenciada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O preço máximo de compra será divulgado com pelo menos dois dias úteis de antecedência. Os arrematantes deverão apresentar garantia de 5% do valor da operação e organizar o cronograma de entrega com a unidade regional responsável pelo recebimento.

Após a aprovação do milho entregue, o pagamento aos fornecedores deverá ocorrer em até dez dias úteis. Caso todo o volume seja negociado na operação exclusiva para a agricultura familiar, não haverá lotes remanescentes para a disputa em ampla concorrência.

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Fonte: gov.br

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