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16 de setembro de 2026

Sustentabilidade

Plantas de cobertura reduzem emissões de gases de efeito estufa e tornam lavouras mais resilientes – MAIS SOJA

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As plantas de cobertura, um dos pilares do Sistema Plantio Direto (SPD), podem ser uma das principais aliadas da agricultura brasileira no enfrentamento às mudanças climáticas. Além de protegerem o solo, elas ajudam a armazenar carbono, reduzem emissões de gases de efeito estufa (GEEs) e aumentam a resiliência das lavouras aos riscos climáticos.

Esses resultados foram apresentados pela pesquisadora Arminda Moreira de Carvalho, durante a visita à Embrapa Cerrados como parte da programação do 20º Encontro Nacional do Sistema Plantio Direto (ENSPD) e 3º Encontro Mundial do SPD, realizado em Brasília. A palestra, que contou com a participação das bolsistas Raíssa Dantas e Fabiana Ribeiro, reuniu resultados de um experimento de longa duração iniciado em 2005, onde é acompanhado o desempenho de diferentes plantas de cobertura em sucessão ao milho em transição, mais recentemente, à soja.

Arminda Carvalho lembrou que participou de seu primeiro encontro sobre plantio direto em 1995 e que deu continuidade aos estudos desenvolvidos por pesquisadores pioneiros da área. Segundo a pesquisadora, o uso de plantas de cobertura ganhou uma nova dimensão diante da necessidade de tornar a agricultura mais sustentável e resiliente. “Hoje existe uma cobrança muito grande para que a agricultura contribua com soluções para as mudanças climáticas”, observou.

Muito além da conservação do solo

As plantas leguminosas usadas em cobertura favorecem a fixação biológica de nitrogênio e as diversas espécies estimulam a atividade dos microrganismos, melhoram a ciclagem de nutrientes e aumentam a infiltração e o armazenamento de água. “Podemos reduzir nossa dependência de fertilizantes quando utilizamos essa tecnologia. Tudo isso aumenta a resiliência dos sistemas agrícolas”, destacou.

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Um dos principais resultados apresentados refere-se ao carbono armazenado no solo e mitigação das emissões de GEE. As avaliações realizadas periodicamente no experimento de longa duração da Embrapa Cerrados (DF) mostram que determinadas plantas de cobertura conseguem reduzir as perdas de carbono após a introdução da soja na sucessão de culturas. Entre elas, gramíneas como sorgo e trigo apresentaram melhor desempenho por produzirem maior quantidade de biomassa e resíduos com menor relação de carbono e nitrogênio, o que provoca uma decomposição mais lenta.

A pesquisadora informou ainda que o uso de misturas de espécies (mix de plantas de cobertura) representa um caminho promissor justamente porque combina plantas com diferentes velocidades de decomposição, contribuindo para ciclagem mais eficaz de nutrientes e estabilizar os estoques de carbono ao longo do tempo.

Menor emissão de gases de efeito estufa

Outro destaque foi a redução das emissões de óxido nitroso (N₂O), um gás cujo potencial de aquecimento global é cerca de 300 vezes superior ao do dióxido de carbono. Sua principal fonte é o uso de fertilizantes nitrogenados e a decomposição dos resíduos vegetais.

Durante quatro anos, a equipe da Embrapa Cerrados monitorou as emissões em áreas cultivadas com milho utilizando diferentes plantas de cobertura. Os resultados mostraram que algumas espécies conseguem reduzir significativamente essas emissões, com destaque para o guandu, que apresentou um comportamento mitigador graças às suas características de composição química, que influenciam a velocidade de decomposição da matéria orgânica.

Para realizar essas medições, a equipe adaptou um sistema de câmaras estáticas de baixo custo, capaz de coletar gases para quantificar simultaneamente dióxido de carbono, metano e óxido nitroso diretamente no solo. Essa avaliação amplia a capacidade de geração de dados nacionais sobre emissões do setor agropecuário com custos relativamente baixos dessas pesquisas.

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Os estudos com uso das plantas de cobertura em SPD também mostraram que o nitrogênio absorvido pelo milho vem, principalmente da decomposição da palhada e não do fertilizante aplicado. “A maior parte do nitrogênio acumulado pelo milho vem da mineralização dos resíduos vegetais”, explicou a pesquisadora, destacando a braquiária como uma das espécies mais eficientes na reciclagem desse nutriente.

Segundo Arminda, os resultados reforçam que o plantio direto, praticado como Sistema — com rotação de culturas, cobertura permanente do solo e ausência de revolvimento do solo — é um dos caminhos mais promissores para uma agricultura resiliente, inclusive às mudanças climáticas.

A necessidade de ampliar essa adoção do sistema foi reforçada por Rafael Fuentes, diretor da Federação Brasileira do Sistema Plantio Direto (FEBRAPDP). Segundo ele, embora cerca de 45 milhões dos 70 milhões de hectares de culturas temporárias do Brasil utilizem a semeadura direta, apenas 6,4 milhões de hectares adotam efetivamente os três princípios do Sistema Plantio Direto. “Existe uma diferença entre a melhor tecnologia disponível e o nível de adoção pelos produtores”, afirmou.

Para Fuentes, o desafio já não é apenas produzir conhecimento, mas transformar esse conhecimento em prática no campo. “A cobertura permanente do solo e a biodiversidade por meio da rotação de culturas e uso de plantas de cobertura ainda estão muito longe dos níveis ideais de adoção. Nossa luta, junto com a Embrapa, universidades e demais instituições nacionais e estaduais de pesquisa e extensão, é preencher esse espaço”.

Na avaliação do dirigente, muitos agricultores permanecem no plantio direto simplificado por questões econômicas e operacionais, já que a adoção do sistema aumenta a complexidade do manejo da lavoura e da gestão do negócio, além de o mercado ainda oferecer pouca diferenciação por esse esforço. Para ele, mecanismos de remuneração pelos serviços ambientais podem acelerar essa transformação: “Acreditamos que pelo bolso podemos atrair os produtores. Se houver reconhecimento pelo carbono sequestrado e pelos serviços ecossistêmicos prestados, isso pode mudar a intenção das pessoas”.

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O zoneamento agrícola de risco climático (Zarc), conforme destacado pelo pesquisador Fernando Macena, com a incorporação dos níveis de manejo contemplando a rotação de culturas e as plantas de cobertura é uma ferramenta que deverá incentivar o produtor na adoção do Sistema Plantio Direto em sua plenitude.

Fuentes destacou ainda que pesquisas como as desenvolvidas pela Embrapa Cerrados são fundamentais para esse avanço. “Esse trabalho da pesquisadora Arminda demonstra os benefícios das plantas de cobertura. É um dos componentes dessa mudança”.

Premiações e participações da Embrapa Cerrados

 Além de Arminda Carvalho, outros pesquisadores da Embrapa Cerrados apresentaram seus estudos na programação técnica do 20º ENSPD: Ieda Mendes, sobre “Enzimas no Solo: o papel do BioAS na avaliação da regeneração biológica e na saúde do solo”; Lourival Vilela, sobre “Solo, planta e animal — a aliança regenerativa no Sistema Plantio Direto nos trópicos”.

Vilela e Ieda, juntamente com o pesquisador Luiz Adriano, receberam o certificado de mérito “O Conservacionista”, da Federação Brasileira do Sistema Plantio Direto, como reconhecimento à sua contribuição e dedicação ao progresso da agricultura sustentável do Brasil.

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Sustentabilidade

Efeitos da compactação do solo vão além da redução do volume de raízes – MAIS SOJA

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A compactação do solo constitui um dos principais fatores limitantes ao crescimento das plantas e, consequentemente, à produtividade das culturas agrícolas. Na soja, além de desempenharem funções essenciais na absorção de água e nutrientes, as raízes estabelecem uma importante relação simbiótica com bactérias do gênero Bradyrhizobium, responsáveis pela fixação biológica de nitrogênio (FBN), que constitui a principal fonte de N para a cultura.

Nesse contexto, a compactação do solo pode provocar uma série de efeitos negativos sobre o desenvolvimento da soja, abrangendo desde a restrição ao crescimento e à distribuição do sistema radicular, limitando o acesso das raízes às camadas mais profundas do solo, até alterações na nodulação e na fixação biológica de nitrogênio. Além disso, condições de compactação podem favorecer ambientes com menor aeração e drenagem, alterando as condições físicas do solo e podendo contribuir para o desenvolvimento de determinados patógenos de solo, de origem fúngica e parasitária.

Esses efeitos podem comprometer a formação dos componentes de produtividade e, consequentemente, o rendimento final da cultura. Entre as principais alterações físicas decorrentes da compactação estão o aumento da densidade e da resistência mecânica do solo e a redução do volume total de poros, especialmente dos macroporos (Debiasi; Santos; Gonçalves, 2021).

Conforme observado por Rosa et al. (2019), o aumento da resistência do solo à penetração decorrente da compactação pode refletir negativamente em diferentes características de crescimento e componentes de produtividade da soja. Os autores observaram alterações em variáveis como altura de plantas, diâmetro do caule, número de legumes e número de folhas, com impactos negativos sobre o desempenho produtivo da cultura.

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Resultados semelhantes foram observados por Savioli et al. (2021). Ao avaliar a influência da compactação do solo sobre os componentes de produtividade da soja, os autores verificaram que o número de legumes (vagens) por planta, o número de grãos por planta e a massa de grãos estiveram entre os componentes mais afetados. Os resultados indicaram influência negativa significativa da compactação sobre esses componentes a partir da densidade do solo de 1,3 g cm⁻³ (Mg m⁻³).

Figura 1. Massa seca de grãos de soja em função de diferentes densidade de solo. (1,1; 1,2; 1,3; 1,4 e 1,5 g cm-3).
Fonte: Savioli et al. (2021)

Esses resultados reforçam a importância das condições físicas do solo para o adequado desenvolvimento da soja e evidenciam os impactos que a compactação pode exercer sobre a formação dos componentes de produtividade e o rendimento final da cultura. Dessa forma, o diagnóstico e o manejo da compactação do solo devem integrar as estratégias de manejo da lavoura, buscando favorecer o crescimento radicular, a exploração do perfil do solo e o aproveitamento de água e nutrientes.

Além dos efeitos diretos sobre o crescimento e a produtividade, a compactação do solo também pode influenciar a capacidade das plantas de tolerar períodos de restrição hídrica. A redução do crescimento radicular e do acesso das raízes às camadas mais profundas pode limitar a exploração de água armazenada no perfil, especialmente durante períodos de déficit hídrico. Assim, o manejo adequado da estrutura do solo constitui uma importante estratégia para melhorar as condições de desenvolvimento da soja e contribuir para maior resiliência da cultura diante de condições de estresse hídrico.



Referências:

DEBIASI, H.; SANTOS, J. C. F.; GONÇALVES, S. L. COMPACTAÇÃO DO SOLO. Embrapa, 2021. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/web/agencia-de-informacao-tecnologica/cultivos/soja/producao/manejo-do-solo/compactacao-do-solo >, acesso em: 16/09/2026.

ROSA, H. A. et al. INFLUÊNCIA DA COMPACTAÇÃO DO SOLO EM PARÂMETROS PRODUTIVIDOS DA CULTURA DA SOJA. Revista Técnico-Científica do CREA-PR, 2019. Disponível em: < https://revistatecie.crea-pr.org.br/index.php/revista/article/view/548/333 >, acesso em: 16/09/2026.

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SAVIOLI, M. R. et al. Componentes de produção da soja sob níveis de compactação do solo. Acta Iguazu, Cascavel, v.10, n.2, p. 1-12, 2021. Disponível em: < https://e-revista.unioeste.br/index.php/actaiguazu/article/view/26312 >, acesso em: 16/09/2026.

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Sustentabilidade

ARROZ/CEPEA: Exportações e expectativas de compras públicas sustentam preços – MAIS SOJA

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A concorrência entre os mercados interno e externo, somada à expectativa de compras governamentais, mantém os preços do arroz em casca firmes no Rio Grande do Sul.

De acordo com o Cepea, negócios voltados ao fechamento de navios aconteceram a valores próximos de R$ 90/sc de 50 kg, no Porto do Rio Grande (RS), nos últimos dias, levando produtores a ampliar a oferta, especialmente nas regiões próximas ao terminal. Ao mesmo tempo, parte das indústrias domésticas reduziu a atuação diante da dificuldade em acompanhar os valores da exportação.

Segundo o Centro de Pesquisas, a disputa ocorre em um contexto de maior demanda das indústrias por matéria-prima. Em agosto, o beneficiamento de arroz no estado avançou, e os preços ao consumidor também registraram alta.

Fonte: Cepea

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FONTE

Autor:Cepea

Site: Cepea

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Sustentabilidade

Depois de meses de alta, inadimplência dá primeiro sinal de trégua em MT e Cuiabá – MAIS SOJA

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Mato Grosso encerrou agosto de 2026 com uma leve queda na inadimplência dos consumidores no estado, 2,23% na comparação entre julho e agosto. Os números apurados pelo SPC Brasil para a Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá) mostram que o mês trouxe o primeiro sinal de redução no ano entre quase 1,5 milhão de consumidores mato-grossenses em idade adulta que estão com restrição de crédito.

O mesmo recuo apareceu na quantidade de dívidas em atraso, que caiu 2,38% no mês, mesmo acumulando alta de 8,90% em 12 meses.

Entre os mato-grossenses inadimplentes, o perfil é majoritariamente masculino (53,42% ante 46,56% de mulheres) e concentrado na faixa entre 30 e 49 anos.

O valor médio das dívidas no estado é de R$ 6.119,63, somando-se todos os débitos por consumidor, com tempo médio de atraso de 29,5 meses. Em torno de 35,70% das dívidas estão em aberto entre um e três anos e outras 40,13% ultrapassam os três anos.

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Os bancos concentram a maior fatia dos débitos, com 54,81%, seguidos por comércio, com 21,94%, outros segmentos (10,91%), água e luz (8,17%) e comunicação (4,17%).

Cuiabá

Na capital, aproximadamente 258 mil consumidores adultos apresentaram restrição de crédito em agosto. Na comparação mês a mês, o SPC Brasil apontou queda de 2,52% no total de inadimplentes cuiabanos. Em relação à quantidade de dívidas em atraso, a redução foi de 2,95% no mês.

O perfil dos inadimplentes cuiabanos também é predominantemente masculino (52,10% ante 47,90% de mulheres), com idade média de 45,4 anos — ligeiramente acima da média estadual — e concentração também entre 30 e 49 anos.

Em Cuiabá, o valor médio das dívidas é de R$ 6.631,99, acima da média estadual, com tempo médio de atraso de 30,2 meses. Mais da metade das dívidas da capital, 58,28%, está em aberto há mais de um ano, distribuídas entre as faixas de um a três anos (34,93%), três a quatro anos (17,48%) e quatro a cinco anos (24,35%).

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Os bancos também lideram entre os credores na capital, com 61,09% das dívidas registradas, seguidos por comércio, 14,85%, água e luz (8,76%), outros segmentos (12,33%) e comunicação (2,97%).

“Os números mostram que a inadimplência ainda é uma realidade que pesa no bolso do consumidor cuiabano e mato-grossense, mas o recuo mensal é um indício importante de que as famílias estão conseguindo se reorganizar. Do lado do comércio, isso significa reforçar o diálogo com o cliente, oferecer condições de negociação viáveis e ajudar quem quer voltar a comprar e a pagar em dia. A CDL Cuiabá segue acompanhando esses indicadores para orientar o lojista sobre a melhor forma de negociar com o consumidor”, observou o presidente da CDL Cuiabá, Júnior Macagnam.

CDL Cuiabá – Com 53 anos de história e cerca de 10 mil empresas associadas, a CDL Cuiabá tem como missão transformar a Capital em um dos melhores lugares para empreender e morar. Com origem no comércio varejista, hoje a entidade representa empresários e empresárias de diferentes setores, oferecendo facilidades como economia operacional, certificação digital, inteligência para concessão de crédito, telefonia móvel, redução de custos com energia e proteção de crédito em parceria com o SPC Brasil.

Fonte: Assessoria de imprensa



 

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