Agro Mato Grosso
TCE amplia diálogo sobre Reforma Tributária com setor produtivo do turismo em MT

O presidente da Comissão Permanente de Sustentabilidade Fiscal e Desenvolvimento (Copsfid) do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro aposentado Valter Albano, defendeu, nesta terça-feira (21), que o novo sistema tributário brasileiro tornará a arrecadação mais transparente e contribuirá para uma distribuição mais equilibrada do desenvolvimento no estado. A avaliação foi feita durante o painel “Reforma Tributária e o Turismo”, realizado na sede da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso (Fecomércio-MT).
O encontro reuniu representantes do setor turístico, empresários e integrantes do Governo do Estado para discutir os impactos da maior reforma fiscal da história do país sobre a cadeia produtiva do turismo em Mato Grosso. A iniciativa integra a estratégia do presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, de ampliar o diálogo com diferentes setores da sociedade e orientar gestores públicos e o setor produtivo sobre os efeitos da Reforma Tributária e seus reflexos no desenvolvimento econômico do estado.
Para Albano, o novo modelo representa um avanço na transparência do sistema tributário e na promoção de um ambiente econômico mais justo. “Passamos a ter um sistema tributário transparente, verdadeiro, em que quem age corretamente paga e quem agia de forma incorreta também terá que pagar. Isso, na minha avaliação, democratiza o ambiente econômico.”
O presidente da Copsfid também ressaltou o papel orientativo do Tribunal de Contas durante o período de transição. “Nossa atuação tem sido voltada, principalmente, às prefeituras e aos seus órgãos de desenvolvimento econômico. Temos procurado mostrar que a Reforma Tributária apresenta mais pontos positivos do que negativos.”
Segundo ele, o novo modelo também pode contribuir para reduzir desigualdades regionais e ampliar oportunidades de crescimento. “Mato Grosso possui uma riqueza amplamente reconhecida, mas que ainda está concentrada nas mãos de poucos. O grande desafio é distribuir esse desenvolvimento e a Reforma Tributária pode ser um importante instrumento para alcançar esse objetivo.”
O presidente do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade da Fecomércio-MT (Cetur), Jaime Okamura, anfitrião do evento, destacou que as mudanças exigirão maior integração entre os segmentos da cadeia produtiva do turismo. “O turismo depende diretamente de setores como transporte aéreo, hospedagem, alimentação e bebidas. Qualquer alteração nos custos dessas atividades impactará diretamente o setor. Todos os estados disputarão turistas, investimentos e eventos. Por isso, precisamos nos preparar, desenvolver novos produtos turísticos e fortalecer nossos destinos.”
Apresentações
Durante o painel, os consultores da Copsfid Coltri Junior e Ilson Sanches abordaram o tema “Reforma Tributária: impactos e desafios nos municípios com potencial turístico do estado”.
Especialista em Direito Empresarial e Processual, Ilson Sanches explicou que, por determinação do presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, o Tribunal ampliou sua atuação orientativa para apoiar o estado e os municípios na adaptação ao novo sistema tributário.
“Na Comissão, desenvolvemos um trabalho de orientação, oferecendo estudos, diagnósticos e subsídios para o aperfeiçoamento das políticas públicas. Nosso objetivo é ampliar o conhecimento sobre a Reforma Tributária e mostrar as potencialidades dos municípios para se adaptarem ao novo modelo, cuja transição ocorrerá até 2033”, salientou.
Já o consultor organizacional e especialista em gestão, Coltri Junior, destacou que a reforma cria oportunidades para que o turismo contribua para compensar eventuais perdas de arrecadação municipal.
“Com a mudança na forma de tributação, o consumo passa a ser um fator estratégico para os municípios, já que a arrecadação será concentrada no local onde ocorre o consumo e não mais onde o bem é produzido. Nesse cenário, o turismo torna-se um elemento importante para fortalecer a economia local e mitigar possíveis perdas de receita”, pontuou.
Promovido pelo Cetur em parceria com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT), o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Mato Grosso (SHRBS-MT) e o Sindicato de Empresas de Eventos e Afins de Mato Grosso (Sindieventos-MT), o evento também contou com a participação do auditor e Secretário Executivo da Copsfid, Flávio Vieira, do Auditor e Secretário Adjunto do Núcleo de Políticas Públicas do TCE/MT, Joel Bino, do presidente da Fecomércio, Tião da Zaeli, da Deputada Estadual Janaína Riva, do secretário-adjunto de Turismo do Estado, Luis Carlos Nigro, e do Prefeito de Diamantino, Chico Mendes.
Agro Mato Grosso
Milho lidera e Mato Grosso garante 6º lugar entre os maiores exportadores do país

A força do agronegócio de Mato Grosso continua injetando bilhões de dólares na economia local e movimentando a renda em todo o Estado. Apenas no mês de setembro, as exportações mato-grossenses movimentaram US$ 2,1 bilhões, garantindo a Mato Grosso o posto de 6º maior exportador do Brasil, responsável por 6% de tudo o que o país vendeu para o exterior.
Com importações somando US$ 233 milhões, concentradas principalmente em insumos como fertilizantes, o saldo da balança comercial do Estado fechou no azul em cerca de US$ 1,9 bilhão.
Milho puxa os embarques e China lidera as compras
A produção mato-grossense alcançou 115 países em setembro, impulsionada pelos grãos e pela pecuária, o milho sozinho respondeu por US$ 641,1 milhões (30,3% de tudo o que foi vendido pelo Estado). Soja em grão (US$ 354 milhões), carne bovina congelada (US$ 257,5 milhões), farelo de soja (US$ 249,3 milhões) e algodão (US$ 163,3 milhões).
A China liderou o ranking de destinos, adquirindo US$ 342,3 milhões em produtos (16,2% do total), seguida por Países Baixos, Egito, Irã e Espanha.
Crescimento no ano e o foco na agroindustrialização
No acumulado de janeiro a setembro de 2026, Mato Grosso já faturou US$ 26,5 bilhões em vendas externas, uma alta expressiva de 16,9% em relação ao mesmo período do ano passado, injetando US$ 3,8 bilhões a mais na economia estadual.
*Sob supervisão de Gene Lannes
Fonte: SEDEC
Agro Mato Grosso
Mato Grosso tem dois alertas de tempestade com ventos fortes e risco de granizo; entenda

Defesa Civil alerta para chuvas intensas até a madrugada de quarta-feira (14). Inmet também prevê tempestades, ventos fortes e possibilidade de granizo na quinta (15).
Cuiabá está sob alerta de chuvas intensas e ventos de até 60 km/h a partir desta terça-feira (13). Segundo a Defesa Civil, a previsão é de chuva de até 30 milímetros por hora, com risco de queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas. O aviso é válido até as 0h55 desta quarta-feira (14).
Além disso, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também emitiu um alerta de tempestade para quinta-feira (15), válido das 0h às 23h59. O aviso é classificado como perigo potencial, com previsão de chuva entre 20 e 30 milímetros por hora, podendo chegar a 50 milímetros ao longo do dia.
Para quinta-feira, também há previsão de ventos entre 40 e 60 km/h e possibilidade de queda de granizo. Segundo o Inmet, há baixo risco de interrupção no fornecimento de energia elétrica, danos em plantações, queda de galhos de árvores e alagamentos.
⚠️☔Orientações de segurança
Em caso de rajadas de vento, a orientação é evitar abrigo debaixo de árvores, devido ao risco de queda de galhos e descargas elétricas. Também é recomendado não estacionar veículos próximos a torres de transmissão, placas de propaganda e outras estruturas que possam cair.
Durante as tempestades, a população deve evitar o uso de aparelhos eletrônicos ligados à tomada. Em caso de falta de energia, a recomendação é utilizar lanternas em vez de velas, para reduzir o risco de incêndios.
Se houver queda de fios elétricos, a orientação é manter distância e não tentar tocar ou remover os cabos.
Agro Mato Grosso
Famílias vivem em acampamento improvisado há 20 anos à espera de assentamento em MT

Justiça reconheceu fazenda em Novo Mundo (MT) como propriedade da União e determinou a desocupação de parte da área. Desde então, mais de 74 famílias acampam ao entorno da propriedade.
Famílias que vivem no Acampamento União Cinco Estrelas, em Novo Mundo (MT), aguardam há mais de duas décadas pela implantação de um assentamento da reforma agrária em uma área da Fazenda Cinco Estrelas, reconhecida pela Justiça como pertencente à União. Enquanto esperam em moradias improvisadas ao entorno da propriedade, os moradores enfrentam dificuldades de acesso à água, falta de infraestrutura e preocupação com a segurança.
A fazenda tem cerca de 4,3 mil hectares e integra o Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Novo Mundo, criado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Em 2025, o órgão publicou a relação de 74 famílias selecionadas para ocupar lotes no projeto.
Já em abril de 2026, a Justiça Federal determinou a desocupação de 2 mil hectares da fazenda dos atuais ocupantes, conforme o plano de ocupação elaborado pelo Incra. O prazo inicial de 30 dias foi ampliado para até a última semana deste mês, com possibilidade de prorrogação pela Justiça.
A reportagem procurou a defesa da família Rodrigues da Cunha, citada na decisão, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Uma moradora local, que não quis ter a identidade divulgada, contou a imprensa que vive no acampamento há cerca de dez anos. Segundo ela, a falta de água tem afetado os moradores, os animais e as plantas mantidos pelas famílias.
“Está com mais de semana que o caminhão-pipa não vem trazer água para a gente aqui. Aí as plantas morrendo, a criação morrendo de sede. A gente também está sem água para nada. A gente precisa que isso aconteça o mais rápido possível, porque estamos esperando há anos”, afirmou.
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Os moradores do Acampamento União Cinco Estrelas enfrentam dificuldades de acesso à água e falta de infraestrutura. — Foto: Arquivo pessoal
A reportagem procurou a Prefeitura de Novo Mundo e a Secretaria Municipal de Obras para questionar o fornecimento de água e as condições de infraestrutura relatadas pelos moradores, mas não recebeu resposta até esta publicação.
Maria também relatou a presença de pessoas armadas na região e disse que os moradores têm preocupação com a própria segurança. Uma representante da Comissão Pastoral da Terra (CPT), que não quis ter a identidade divulgada, informou que encaminhou essas denúncias dos moradores à Defensoria Pública da União, o Ministério Público Federal e a Agência Nacional de Mineração.
A Polícia Militar informou que realiza o policiamento na região com equipes da Patrulha Rural, da Força Tática do 15º Comando Regional e da unidade local de Novo Mundo. Segundo a corporação, denúncias recebidas na área foram apuradas nos últimos meses, mas não houve flagrantes que resultassem em detenções ou apreensões de armas.
A polícia informou ainda que a única prisão realizada no local nos últimos meses ocorreu em agosto, por violência doméstica.
Um morador local, que não quis ter a identidade divulgada, está acampado há mais de cinco anos. Ele vive no local com a esposa e faz trabalhos temporários para se manter enquanto aguarda a criação do assentamento.
“Depois de tanta espera, espero que se cumpra a determinação da Justiça e que se crie logo esse assentamento, pois as famílias têm sofrido muito todos esses anos debaixo da lona, aguentando esse sol escaldante. E agora, no início da chuvarada, ventos fortes estão desmanchando os barracos”, ressaltou.
Histórico de trabalho escravo
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Famílias que vivem no Acampamento União Cinco Estrelas, em Novo Mundo (MT), aguardam há mais de duas décadas pela implantação de um assentamento da reforma agrária. — Foto: Arquivo pessoal
A Fazenda Cinco Estrelas está localizada na Gleba Nhandu. A propriedade da União sobre a área foi reconhecida pela Justiça Federal, e o PDS Novo Mundo foi criado pelo Incra em 2002. No ano seguinte, a fazenda foi palco de um caso de trabalho escravo. À época, o Ministério do Trabalho registrou um dos maiores resgates, retirando da área 140 trabalhadores que viviam em condições degradantes.
A decisão do TRF-1 determinou a desocupação de 2 mil hectares para permitir o avanço da implantação do projeto. O cumprimento da ordem prevê a participação de órgãos públicos e prioriza medidas de conciliação e mediação.
A decisão judicial, por si só, não significa que o assentamento já esteja implantado. Ainda são necessárias providências para que a área seja efetivamente destinada às famílias selecionadas.
Pedidos de mineração na área
O Incra informou a imprensa que mantém o monitoramento da Fazenda Cinco Estrelas e que adotou medidas técnicas, administrativas e judiciais após tomar conhecimento de atividades de mineração na região.
Segundo o órgão, análises cartográficas e fundiárias identificaram pedidos de exploração de ouro que abrangem cerca de 4.346,63 hectares, praticamente toda a área da fazenda. O órgão apontou ainda que a Câmara Nacional de Conciliação Agrária acompanha o caso.
O Instituto afirmou que comunicou a Agência Nacional de Mineração (ANM), o Ministério Público Federal (MPF) e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) sobre a situação, diante da ausência de autorização do titular da área para as atividades. O Incra também informou ter adotado medidas judiciais relacionadas à posse e solicitado à Sema a suspensão das licenças.
Mesmo com a propriedade da União reconhecida pela Justiça e as 74 famílias selecionadas para o projeto, a implantação do assentamento ainda depende das providências necessárias ao cumprimento da decisão e à destinação efetiva das terras. Enquanto isso, famílias que esperam há anos pela área continuam vivendo no acampamento.
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Já em abril de 2026, a Justiça Federal determinou a desocupação de 2 mil hectares da Fazenda Cinco Estrelas dos atuais ocupantes, conforme o plano de ocupação elaborado pelo Incra. — Foto: Arquivo pessoal
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