Agro Mato Grosso
Tiririca mostra ação contra lagarta-do-cartucho I agro.mt

Composto isolado reduziu alimentação e afetou enzimas de detoxificação de Spodoptera frugiperda
Pesquisadores identificaram atividade inseticida e antialimentar do cadaleno, composto isolado de rizomas de tiririca (Cyperus rotundus), contra larvas da lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda. O estudo avaliou extratos vegetais e o composto purificado em ensaios de toxicidade por contato, inibição alimentar, desenvolvimento larval e atividade de enzimas de detoxificação.
A fração em diclorometano apresentou a maior atividade inseticida entre os extratos testados. O valor de dose letal mediana chegou a 4,58 microgramas por larva após 24 horas. O cadaleno isolado apresentou dose letal mediana de 4,12 microgramas por larva no mesmo período. A cipermetrina, usada como controle positivo, apresentou dose letal mediana de 0,01 micrograma por larva.
Molécula líder
Os resultados indicam potencial do cadaleno como molécula líder para pesquisa de inseticidas botânicos. O estudo, porém, ocorreu em condições de laboratório. Os próprios pesquisadores apontam necessidade de avaliações sobre persistência em campo, fotostabilidade, fitotoxicidade em milho e efeitos sobre polinizadores e outros organismos benéficos.
No trabalho, os rizomas secos de Cyperus rotundus passaram por extração sequencial com hexano, diclorometano, acetato de etila e etanol. O metanol gerou o maior rendimento de extrato bruto, com 4,37% em relação ao peso seco. Mesmo com menor rendimento, os extratos em diclorometano e hexano concentraram as atividades biológicas mais relevantes contra Spodoptera frugiperda.
Toxicidade por contato
Nos ensaios de toxicidade por contato, os pesquisadores aplicaram os extratos em larvas de segundo ínstar. Todos os extratos apresentaram atividade. O extrato em diclorometano atingiu dose letal mediana de 4,58 microgramas por larva em 24 horas e 4,04 microgramas por larva em 48 horas. O extrato em hexano apresentou 5,83 microgramas por larva em 24 horas. O extrato em etanol registrou 6,49 microgramas por larva. O acetato de etila mostrou menor toxicidade, com 13,95 microgramas por larva.
A equipe selecionou o extrato em diclorometano para isolamento de compostos. A separação cromatográfica gerou dez frações. A fração F2 passou por cromatografia em camada delgada preparativa. O processo resultou no isolamento do cadaleno, obtido como óleo incolor. A identificação ocorreu por análises espectroscópicas de ressonância magnética nuclear de hidrogênio e carbono. A pureza estimada passou de 95%.
O cadaleno manteve atividade próxima ao extrato de origem. Em bioensaio por contato, o composto apresentou dose letal mediana de 4,12 microgramas por larva em 24 horas e 3,76 microgramas por larva em 48 horas. Em dieta artificial, o composto também reduziu a alimentação das larvas. O valor de inibição alimentar mediana foi de 11,07 miligramas por grama de dieta após 24 horas.
Ação na alimentação
Os extratos também afetaram a alimentação em dieta artificial. Após 12 horas, o extrato em diclorometano apresentou inibição alimentar mediana de 12,07 miligramas por grama de dieta. O extrato em etanol registrou 14,91 miligramas por grama. O extrato em hexano apresentou 15,65 miligramas por grama. Após 24 horas, o extrato em acetato de etila apresentou o menor valor, com 8,51 miligramas por grama.
Em ensaio com discos foliares de milho, o extrato em hexano mostrou maior efeito antialimentar no início da exposição. O valor de inibição alimentar mediana chegou a 17,13 microgramas por centímetro quadrado após 2 horas. O extrato em diclorometano registrou 24,48 microgramas por centímetro quadrado no mesmo período. Após 4 horas e 6 horas, o extrato em diclorometano manteve efeito mais consistente, com 27,68 e 28,46 microgramas por centímetro quadrado.
Desenvolvimento dos insetos
Os tratamentos também alteraram o desenvolvimento dos insetos. Larvas alimentadas com dietas tratadas não apresentaram mortalidade imediata no ensaio alimentar, mas registraram menor pupação e maior mortalidade acumulada até a emergência de adultos. O extrato em diclorometano reduziu a pupação para 53,33% e elevou a mortalidade acumulada para 60%. O cadaleno resultou em pupação de 50,33% e mortalidade acumulada de 53,33%. No controle, a pupação ficou em 90% e a mortalidade acumulada em 10%.
A análise enzimática mostrou interferência em rotas de detoxificação. Em doses letais medianas, o extrato em diclorometano reduziu a atividade de carboxilesterase de 886,60 para 639,63 nanomol de p-nitrofenol por minuto por miligrama de proteína. O cadaleno reduziu essa atividade para 557,85 nanomol de p-nitrofenol por minuto por miligrama de proteína.
A glutationa S-transferase também sofreu redução com o cadaleno em dose letal mediana. A atividade caiu de 7,06 para 4,98 vezes 10⁻³ produto conjugado de CDNB por miligrama de proteína por minuto. O extrato em diclorometano reduziu o valor para 6,06 vezes 10⁻³ produto conjugado de CDNB por miligrama de proteína por minuto.
Indício de interferência
Os pesquisadores interpretam esses resultados como indício de interferência em mecanismos de detoxificação. Eles ponderam, porém, que os dados não permitem distinguir inibição bioquímica direta de efeitos secundários decorrentes do estresse tóxico. O estudo avaliou apenas as concentrações de dose letal mediana e inibição alimentar mediana. Ensaios com mais concentrações e testes enzimáticos in vitro ainda precisam confirmar o mecanismo de ação.
O trabalho também destaca limites para a aplicação agrícola. As avaliações ocorreram em laboratório. Não houve teste de fitotoxicidade em plantas de milho. Também não houve avaliação semicampos ou em casa de vegetação.
Outas informações em doi.org/10.1016/j.napere.2026.100201
Agro Mato Grosso
Carreta invade a contramão e mata motorista na BR-163 I Mato Grosso

Segundo motorista da carreta, colisão ocorreu após uma frenagem brusca para impedir outro acidente
O motorista Wilson Honório dos Reis, de 59 anos, morreu após a picape que dirigia ser atingida de frente por um caminhão na noite desta segunda-feira (8), na BR-163, em Sinop (a 478 quilômetros de Cuiabá).
De acordo com o boletim de ocorrência, Wilson conduzia uma Fiat Strada quando foi atingido por um caminhão-trator que seguia no sentido Sinop-Itaúba.
Em depoimento aos policiais, o motorista do caminhão, de 54 anos, relatou que seguia pela rodovia quando, ao subir um viaduto, se deparou com outro caminhão seguindo à sua frente em baixa velocidade e sem sinalização luminosa adequada.
Para evitar uma colisão traseira, ele afirmou que realizou uma frenagem brusca. Durante a manobra perdeu o controle da direção, invadiu a pista contrária e bateu de frente contra a Fiat Strada conduzida por Wilson.
Com a força do impacto, o motorista da picape sofreu ferimentos graves e morreu ainda no local.
O condutor do caminhão realizou o teste do bafômetro, que apontou resultado negativo para consumo de bebida alcoólica.
A área foi isolada para os trabalhos da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), e o caso foi registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor.
A Polícia Civil investiga as circunstâncias do acidente.
Agro Mato Grosso
Agricultores de MT unem produção de alimentos e conservação do meio ambiente

Aprosoja MT destaca ações de preservação ambiental adotada por produtores no Dia Mundial do Meio Ambiente
O produtor rural tem um papel importante na sociedade. Além de assegurar a produção de alimentos, ele também é um agente fundamental na preservação do meio ambiente e dos recursos naturais. Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) ressalta a relevância das ações e dos cuidados adotados pelos agricultores para garantir um futuro melhor às novas gerações.
Garantir recursos naturais para as próximas gerações depende das ações tomadas no presente e, para isso, é necessário que toda a sociedade contribua para a preservação dos recursos que sustentam a vida na Terra. Um dos principais projetos incentivados pela Aprosoja MT entre os associados é o Sistema Campo Limpo (SCL). O programa busca promover a preservação ambiental por meio da devolução de embalagens vazias de defensivos agrícolas, como explicou o diretor financeiro Aprosoja MT, Nathan Belusso.
“Hoje, mais de 90% das embalagens de defensivos agrícolas utilizadas no campo são recicladas. O produtor tem que fazer a destinação correta dessas embalagens, realizar o armazenamento, a lavagem e a limpeza, e depois encaminhá-las aos centros de coleta, que serão responsáveis pela reciclagem e reutilização para fins específicos, principalmente na fabricação de tubos utilizados em sistemas de esgoto. São toneladas de embalagens recicladas todos os anos que poderiam estar na natureza. Com esse projeto de destinação correta, essas embalagens são reutilizadas e recicladas, ajudando não somente o meio ambiente, mas também a economia do nosso estado e, consequentemente, do nosso país”, explicou.
Em 2025, mais de 75 mil toneladas de embalagens foram recolhidas e, desse total, 92% foram recicladas. Segundo dados do Sistema Campo Limpo e do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (InpEV), desde a criação do programa, em 2002, mais de 900 mil toneladas de embalagens vazias receberam destinação adequada.
Mato Grosso é o estado que mais utiliza o Sistema Campo Limpo, representando cerca de 30% do volume devolvido em 2025, o equivalente a 22 mil toneladas de embalagens vazias. Após a limpeza, coleta e separação, essas embalagens são transformadas em tubulações de esgoto, dutos, conduítes e outros 35 produtos. O destaque do estado na reciclagem de embalagens é resultado da adesão dos produtores rurais, como explicou o delegado coordenador do núcleo de Nova Ubiratã, Edgard Gomes. Ele relatou que realiza a separação e a limpeza das embalagens e, pelo menos duas vezes por ano, encaminha o material aos centros de coleta.
“Duas vezes por ano eu faço o agendamento, uma entrega ocorre em dezembro e a outra em abril, após metade do uso dos produtos na soja e depois de todos os produtos utilizados no milho. O principal benefício é não ter embalagens acumuladas na fazenda. A gente promove a tríplice lavagem, garante que tudo seja reciclado e evita a poluição do meio ambiente”, disse.
Edgard também relata que, além do Sistema Campo Limpo, outras medidas são adotadas em sua propriedade para preservar o meio ambiente, como a adesão ao programa Guardião das Águas, que mapeia e incentiva a preservação das nascentes dentro das propriedades rurais. Ele explica que um dos períodos mais desafiadores é a seca, quando, além de cuidar da lavoura, precisa proteger as áreas de vegetação nativa, realizando aceiros para reduzir o risco de incêndios.
As medidas visam conciliar produção e preservação, assegurando qualidade de vida para quem virá depois. Por isso, o delegado coordenador do núcleo de Itanhangá, Ivam Franceschet, afirma que, além de preservar a propriedade, também busca transmitir esse legado aos filhos.
“Hoje, o produtor rural é um dos principais defensores do meio ambiente e tem um papel muito importante na preservação dos mananciais, lençóis freáticos, reservas legais, áreas de preservação permanente, da fauna e da flora. Com ações de combate aos incêndios e outras iniciativas adotadas no dia a dia, colaboramos para a preservação ambiental. Esse é um legado de compromisso e cuidado com o meio ambiente que quero deixar para os meus filhos. Mais do que deixar um ambiente preservado, quero transmitir a responsabilidade que nós, produtores rurais, temos de manter e proteger esses recursos”, afirmou.
No Dia Mundial do Meio Ambiente, exemplos como esses mostram que a preservação ambiental também faz parte da rotina do campo. Por meio de ações concretas, os produtores rurais contribuem para garantir a produção de alimentos sem abrir mão da conservação dos recursos naturais.
Agro Mato Grosso
Estudo avalia herbicidas e bionematicidas na soja MT

Pesquisa testou imazethapyr e S-metolachlor no manejo de Meloidogyne javanica em sucessão com braquiária
Herbicidas pré-emergentes usados em soja não comprometeram a eficiência dos nematicidas biológicos Pochonia chlamydosporia e Bacillus firmus no manejo de Meloidogyne javanica. A conclusão consta de estudo conduzido em casa de vegetação, em sistema de sucessão entre Urochloa brizantha e soja. A pesquisa avaliou os efeitos de imazethapyr e S-metolachlor sobre agentes biológicos aplicados via tratamento de sementes.
O trabalho partiu de uma demanda frequente em sistemas agrícolas. O uso de nematicidas biológicos cresceu no Brasil e passou a integrar programas de manejo de nematoides em culturas como soja e algodão. Porém, a compatibilidade desses produtos com herbicidas ainda exige avaliação em condições mais próximas do cultivo agrícola.
Produtos testados
Os cientistas testaram produtos à base de Pochonia chlamydosporia e à base de Bacillus firmus. Os tratamentos envolveram aplicação em sementes de braquiária, em sementes de soja ou em ambas as culturas. A soja utilizada no ensaio pertencia à cultivar BMX Potência RR, suscetível a Meloidogyne javanica.
O experimento ocorreu em Bandeirantes, no Paraná. O delineamento adotado envolveu oito repetições e esquema fatorial com 24 combinações. Os fatores incluíram estratégia de uso do nematicida, método de manejo da braquiária e herbicida pré-emergente aplicado na soja.
A braquiária cultivar Marandu cresceu em vasos de 1,8 litro com mistura esterilizada de solo e areia. Cinco dias após o transplantio, cada planta recebeu mil ovos e juvenis de segundo estádio de Meloidogyne javanica. As plantas permaneceram no sistema por 90 dias. Depois, receberam manejo mecânico, por corte manual, ou químico, por dessecação com glyphosate.
Após o manejo da braquiária, os vasos ficaram 30 dias em pousio. Os pesquisadores colocaram dez gramas de palha seca de braquiária sobre o solo para simular cobertura. A soja foi semeada em seguida. Um dia após a semeadura, os herbicidas pré-emergentes foram aplicados. O imazethapyr entrou na dose de 106 gramas de ingrediente ativo por hectare. O S-metolachlor entrou na dose de 1.440 gramas de ingrediente ativo por hectare.

Foto: Jonathan D. Eisenback – Virginia Polytechnic Institute and State University
Momento da avaliação
A avaliação ocorreu aos 75 dias após a emergência da soja. Os cientistas quantificaram a população final do nematoide, formada por ovos e juvenis de segundo estádio extraídos das raízes.
Resultados da pesquisa
Os resultados indicaram interação entre o manejo da braquiária e a estratégia de uso dos nematicidas. No manejo mecânico, o tratamento com Bacillus firmus aplicado apenas na soja resultou na maior população de Meloidogyne javanica. No manejo químico da braquiária, as estratégias de uso dos nematicidas não diferiram.
A diferença entre manejo mecânico e químico apareceu apenas quando Bacillus firmus foi aplicado exclusivamente na soja. Nesse caso, a população do nematoide ficou maior sob manejo mecânico. Nos demais tratamentos, o método de manejo da braquiária não alterou a população final do nematoide.
O S-metolachlor reduziu a população de Meloidogyne javanica em duas situações. A primeira ocorreu quando Pochonia chlamydosporia foi aplicado na braquiária e na soja. A segunda ocorreu quando Bacillus firmus foi aplicado apenas na soja. Nos demais tratamentos, os herbicidas não diferiram.
O imazethapyr não prejudicou a ação dos nematicidas biológicos nas condições avaliadas. O S-metolachlor também não comprometeu a eficiência dos agentes biológicos. Os dados indicam compatibilidade entre os herbicidas avaliados e as estratégias biológicas de manejo do nematoide em sucessão Urochloa brizantha – soja.
Laboratório e casa de vegetação
O estudo também mostra diferenças entre resultados de laboratório e respostas em casa de vegetação. Pesquisas anteriores haviam relatado efeitos inibitórios de herbicidas sobre microrganismos de controle biológico em condições in vitro. No sistema solo-planta, fatores como adsorção no solo, atividade microbiana e degradação dos herbicidas podem reduzir a exposição direta dos agentes biológicos aos ingredientes ativos.
O estudo foi realizado por Paula Fernanda de Azevedo Ribeiro, Andressa Cristina Zamboni Machado, Santino Aleandro da Silva, Jethro Barros Osipe e Marcelo Giovanetti Canteri.
Outras informações em doi.org/10.1007/s40858-026-00809-5
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